Páginas

sábado, 5 de agosto de 2017

SANTOS QUE VIRAM O INFERNO


Do Evangelho do 14º Domingo do Tempo Comum, 30/07/2017:

Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso? Mateus 13, 49-51


Desse fogo Santo Afonso de Ligório diz o seguinte: 
“É tão terrível, que a pior chama da terra 
queima tão pouco 
em comparação com esse fogo, 
como uma chama de pintura queima pouco, 
em comparação 
com uma chama real da terra”.




Nessa postagem trazemos um assunto de extrema importância para nossas almas. Após uma necessária introdução, teremos acesso à experiência de alguns santos com relação ao inferno e podemos concluir que tais experiências muito contribuíram para a santificação desses irmãos. Existem outros santos que tiveram visões do Inferno, deixaremos alguns links no final indicando sugestões de leitura.
A ideia de um inferno para os maus, ou seja, para aqueles que se recusam obstinadamente em viver as virtudes, é presente em diversas culturas e crenças de diversas formas. Porém atualmente a onda de pensamento de que o inferno é apenas um mito opressor cresce cada vez mais, até mesmo em seitas chamadas de cristãs.
Aqui iremos nos ater à doutrina Católica Apostólica Romana, a Doutrina de sempre e única verdadeira.
A difusão de que não existe um inferno e de que a ideia de um inferno é opressora, excessiva e infundada é cada vez mais presente no pensamento contemporâneo, mas não é de se admirar em um mundo negativamente liberal, amoral, revolucionário e que recusa Deus. Diz-se que Deus não seria capaz de “criar” um inferno, que Ele é tão bom que jamais condenaria alguém a esse tormento eterno. Se não estamos firmes no conhecimento e na prática de nossa fé, essas palavras podem facilmente nos convencerem, por se tratar de uma ideia errada de toda a história da criação e da própria característica de Deus. Dentre os atributos divinos que conhecemos e que a Santa Igreja ensina, sabemos que o Senhor é misericórdia e justiça. Muito podemos e devemos aprender lendo as Sagradas Escrituras, o Catecismo da Igreja Católica, os documentos pontifícios, os escritos dos santos, inclusive sobre o inferno.
É muito importante conhecermos e meditarmos sobre o inferno; existem diversos livros piedosos sobre o inferno que fazem muito bem à alma, pois mostram claramente que, além das penas eternas, no inferno não se goza a Deus, não podemos estar com Deus e haveria perdição maior do que esta?
Tomemos cuidados com falsas e desonestas doutrinas que tentam seduzir e enganar, fazendo-nos crer que não existem consequências para nossas más ações e para nossa rejeição a Deus, pois é exatamente esse tipo de ideia que poderá condenar nossa alma eternamente.
Essa reflexão sobre o inferno não é simplesmente para amedrontar, mas principalmente para mais desejarmos amar a Deus e agradá-lo, sabendo que, se por um lado existe um inferno para os maus, há um paraíso para aqueles que procurarem agradar a Deus acima de todas as coisas.
Assim nos ensinam as Sagradas Escrituras, em especial os Evangelhos, onde o próprio Jesus Cristo na terra fala para todos que quiserem ouvir. Assim corrobora a Sagrada Tradição e o Magistério da Igreja. Se tanto precisamos falar sobre o inferno, lugar de Lúcifer e de seus asseclas, é para que não caiamos eternamente ali.
Como diz Jesus na passagem do Juízo Final, do Evangelho de São Mateus, o Inferno é um local (não um estado) feito por Deus para os anjos caídos; e o Céu é o local preparado desde toda a eternidade para os "benditos de meu Pai".
Deus nos criou em seu infinito amor e sabedoria, dotando-nos de liberdade, mais precisamente chamado livre arbítrio. Temos a escolha de amá-lo ou não. Dessa maneira, só vai para o inferno quem obstinadamente se nega a amar a Deus e escolhe livremente negá-lo. Não é Deus que deliberadamente manda as pessoas ao inferno, mas nós mesmos escolhemos qual fim desejamos ter.
A pessoa condenada, infeliz e simplesmente morreram odiando e negando a Deus, apartado da graça de Deus; a própria alma diante de seu Criador infinitamente bom e misericordioso, sente repugnância e se afasta voluntariamente de Deus. É um mistério terrível, mas real.
Fazendo um apanhado geral das visões dos santos aqui expostas,  apesar de cada uma ter suas particularidades, podemos ver alguns elementos em comum: 
1. O estado estático da pessoa, que não consegue se mexer; 
2. A total escuridão, que assim mesmo não impede que a alma veja todos os horrores que ali acontecem; 
3. O fogo imensurável que a alma sente lhe consumir ininterruptamente; 
4. Os tormentos específicos causados pelos demônios de acordo com os pecados e vícios cometidos em vida; 
5. O desejo e a coragem que a alma adquire, após ver o inferno, de trabalhar para lá não cair e oferecer muito pelas almas para que também ali não caiam. 
Alguns santos relatam que é necessário a companhia de um Anjo para ampará-los nessa terrível experiência.




O Inferno faz parte da Revelação
Catecismo de São Pio X

39) Foram os Anjos todos fiéis a Deus? 
Os Anjos não foram todos fiéis a Deus, mas muitos por soberba pretenderam ser iguais a Ele, e independentes do seu poder; e por este pecado foram excluídos para sempre do Paraíso, e condenados ao Inferno.
245) Que nos ensina o último artigo do Credo: na vida eterna? 
O último artigo do Credo ensina-nos que depois da vida presente há outra, ou eternamente feliz para os eleitos no Paraíso, ou eternamente desgraçada para os condenados no Inferno.
248) Em que consiste a desgraça dos condenados? 
A desgraça dos condenados consiste em serem para sempre privados da vista de Deus, e punidos com tormentos eternos no Inferno.
249) Por agora são só para as almas os bens do Paraíso e os males do Inferno? 
Os bens do Paraíso e os males do Inferno, por agora, são só para as almas porque por enquanto só as almas estão no Paraíso, ou no Inferno; mas depois da ressurreição da carne, os homens, ria plenitude da sua natureza, isto é, em corpo e alma, serão ou felizes ou infelizes para sempre.
250) Serão iguais Para os eleitos os bens do Paraíso, e para os condenados os males do Inferno? 
Os bens do Paraíso para os eleitos, e os males do Inferno para os condenados, serão iguais na substância e na duração eterna; mas na medida, isto é, no grau, serão maiores ou menores, segundo os méritos ou deméritos de cada um.
347) Somos obrigados a observar os Mandamentos? 
Sim, todos somos obrigados a observar os Mandamentos, porque todos devemos viver segundo a vontade de Deus que nos criou; e basta transgredir gravemente um só deles para merecermos o Inferno.
717) Explicai melhor a diferença entre a dor sobrenatural e a natural.
 Quem se arrepende por ter ofendido a Deus infinitamente bom e digno por Si mesmo de ser amado, por ter perdido o Paraíso e merecido o inferno, ou então pela malícia intrínseca do pecado, tem dor sobrenatural, porque estes são os motivos fornecidos pela fé. Quem, ao contrário, se arrependesse só pela desonra ou castigo que lhe vem dos homens, ou por algum prejuízo puramente temporal, teria dor natural, porque se arrependeria só por motivos humanos.
818) Então não acabará nunca o Sacerdócio católico sobre a terra? 
O Sacerdócio católico, não obstante a guerra que contra ele move o Inferno, há de durar até o fim dos séculos, porque Jesus Cristo prometeu que as potências do Inferno não prevaleceriam jamais contra a sua Igreja.
965) Que se entende por Novíssimos? 
Novíssimos são chamados nos Livros Santos as últimas coisas que hão de acontecer ao homem.
966) Quantos são os Novíssimos? 
Os Novíssimos, ou últimas coisas do homem, são quatro: Morte, Juízo, Inferno e Paraíso.
967) Por que é que esses Novíssimos se chamam últimas coisas que acontecerão ao homem? 
Os Novíssimos chamam-se últimas coisas que acontecerão ao homem, porque a Morte é a última coisa que nos acontece neste mundo; o Juízo de Deus é o último entre os juízos que temos a passar; o Inferno é último mal que hão de sofrer os maus; e o Paraíso é sumo bem que hão de receber os bons.

osegredodorosario.blogspot.com/2012/03/o-inferno-segundo-santa-teresa-d-avila.html+&cd=13&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b-ab




Visão do Inferno segundo Santa Teresa de Jesus

Havia muito tempo que o Senhor me fazia muitas graças já referidas e outras ainda maiores, quando um dia, estando em oração, achei-me subitamente, ao que me parecia, metida corpo e alma no inferno. Entendi que o Senhor queria fazer-me ver o lugar que os demônios aí me haviam preparado, e eu merecera por meus pecados. Durou brevíssimo tempo. Contudo ainda que vivesse muitos anos, acho impossível esquecê-lo.
A entrada pareceu-me um túnel longo e estreito, semelhante a um forno muito baixo, escuro e apertado. O chão tinha aparência de uma água, ou antes, de um lodo sujíssimo e de odor pestilencial, cheio de répteis venenosos. No fundo havia uma concavidade aberta numa parede, como um armário, onde me vi, encerrada de maneira muito apertada.
O tormento interior é tal, que não há palavras para o definir, nem se entende como é realmente. Na alma senti tal fogo, que não tenho capacidade para o descrever. As dores no corpo eram insuportáveis ainda que eu tenho passado nesta vida dores gravíssimas e de acordo com os médicos são as maiores que se podem suportar (quando se encolheram todos os meus nervos, e fiquei paralisada e todas outras muitas dores de diversos gêneros e até algumas causadas pelo demônio), posso afirmar que tudo foi nada em comparação do que ali experimentei.
O pior era saber que seria sem fim, sem jamais cessar. Isto, no entanto, não era nada em relação ao agonizar da alma: é um aperto, uma sufocação, uma aflição tão intensa, e acompanhada de uma tristeza tão desesperada e pungente, que não sei como posso explicar em palavras este semelhante estado! Compará-lo à sensação de que vos estão sempre a arrancar a alma, é pouco pois em tal caso, seria como se alguém nos acabasse com a vida, mas aqui é a própria alma que se despedaça. O fato é que não sei como descrever aquele fogo interior e aquele desespero acrescentado por tão grandes tormentos e dores. Eu não via quem os provocava, mas sentia-me queimar e retalhar. Piores, repito, são aquele fogo e aquele desespero que me consumiam interiormente.



Em lugar tão pestilencial, sem esperar consolo, é impossível sentar-se, ou deitar-se, nem há espaço para tal. Puseram-me numa espécie de fenda cavada na muralha. As próprias paredes, espantosas à vista, oprimem, e tudo ali sufoca. Por toda parte trevas escuríssimas. Não há luz. Não entendo como, sem claridade, se enxerga tudo, causando dor nos olhos. Nesta ocasião o Senhor não quis que eu visse mais de tudo aquilo que há no inferno.
Em outra visão, vi coisas horripilantes acerca do castigo de alguns vícios. Pareceram muito mais horrorosas à vista, mas como eu não sentia a pena, não me causaram tanto temor como na primeira visão, na qual o Senhor quis que eu verdadeiramente sentisse aquelas torturas e aquela aflição de espírito como se o corpo as estivesse padecendo. Como foi isso, não sei, mas bem entendi ser grande graça do Senhor querer que eu visse, com meus olhos, de onde sua misericórdia me havia livrado.
Verdadeiramente é nada ouvir discorrer, ou ainda meditar, sobre a diversidade dos tormentos, como eu de outras vezes havia feito, (embora raramente, já que a minha alma não passava bem com pensamentos tão temerosos; isto é, li que os demônios atenazam as almas e lhes infligem outras torturas). mas isso tudo é nada em comparação à verdadeira dor, que é muito diferente. Numa palavra, é tão diferente quanto o esboço o é da realidade. Queimar-se aqui na terra é sofrimento muito leve em comparação com aquele fogo de lá.
Fiquei tão aterrorizada, e ainda agora o estou enquanto escrevo, apesar de terem decorrido quase seis anos. De tanto temor, tenho a impressão de ficar gelada. Desde então, ao que me recordo, cada vez que tenho sofrimentos ou dores, tudo o que se pode passar na terra, me parece nada. Penso que em parte nos queixamos sem motivo. Foi esta, repito, uma das maiores graças que o Senhor me fez. Valeu-me imensamente, quer para perder o medo quanto às tribulações e contradições desta vida, quer para me esforçar em padecê-las e a dar graças ao Senhor, por me ter livrado, ao que agora me parece, de males tão perpétuos e terríveis.
...Espanta-me como, tendo lido muitas vezes livros que dão alguma ideia das penas do inferno, como não as temia nem as tinha no que elas são. Onde estava? Como me podia dar descanso coisa que me arrastava a tão mau lugar? Daqui também cobrei a grandíssima pena que me dão as almas que se condenam..., e os grandes ímpetos de salvar almas, que me parece certo que, para livrar uma só de tão gravíssimos tormentos, padeceria eu muitas mortes de muito boa vontade.
Noto que, se vemos cá uma pessoa, a quem mui particularmente queremos bem, com um grande trabalho ou dor, o nosso mesmo natural parece que nós convida à compaixão e, se é grande o sofrimento, oprime-nos também a nós mesmos. Pois ver uma alma, para sempre sem fim, no sumo trabalho dos trabalhos, quem o poderá sofrer? Não há coração que o sofra sem grande pena. Pois se aqui, embora sabendo que se acabará com a vida e que enfim, em breve termo, nos move a tanta compaixão; não sei como podemos sossegar à vista destoutro que o não tem, vendo tantas almas, como são as que o demônio arrasta consigo cada dia.
Considero que, embora fosse tão imensamente má*, andava com algum cuidado de servir a Deus e não fazia algumas coisas que vejo tragarem-nas no mundo, como se não fossem nada... Não era inclinada a murmurar, nem a dizer mal de ninguém, nem me parece podia querer mal a ninguém, nem era ambiciosa, nem inveja me lembro jamais de ter, de forma que fosse ofensa grave ao Senhor... É que, embora fosse tão ruim; andava em contínuo temor de Deus. Vejo, no entanto, onde os demônios já me tinham arranjado pousada, e a verdade é que, segundo minhas culpas, ainda me parece que merecia maior castigo. Digo, contudo, que era terrível tormento, e que é coisa perigosa o satisfazer-se e ter sossego e contento uma alma que, a cada passo, anda caindo em pecado mortal.

Capítulo 32 do Livro de sua vida.

**************
*Teresa sempre se refere a si mesma como enorme pecadora, sempre disse que se não fosse por misericórdia divina iria para o inferno, suas faltas antes da conversão eram um pouco de vaidade com unhas e cabelos!

sanctisanimasinpurgatorio.blogspot.com/2012/12/a-visao-de-santa-teresa-de-jesus-do.html+&cd=14&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b-ab






Visão de Santa Faustina
"Hoje, conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno. É um lugar de grande castigo, e como é grande sua extensão. Tipos de tormentos que vi:
O primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus;
O segundo, o contínuo remorso de consciência;
O terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca;
O quarto tormento, é o fogo, que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual aceso pela ira de Deus;
O quinto é a contínua escuridão, um horrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas veem-se mutuamente e veem todo o mal dos outros e o seu;
O sexto é a contínua companhia do demônio;
O sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias. São tormentos que todos os condenados sofrem juntos, mas não é o fim dos tormentos.
Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, ...de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus. Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda eternidade. Estou escrevendo isso por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há Inferno, ou que ninguém esteve lá e não sabe como é.
Eu Irmã Faustina por ordem de Deus, estive nos abismos do Inferno para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus, tinham que me obedecer. O que eu escrevi dá apenas a pálida imagem das coisas que vi. Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão, é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. "Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que Vos ofender com o menor pecado que seja."

Diário de Santa Faustina. N° 741

apostoladocatolicovirtual.blogspot.com/2012/10/visao-do-inferno-diario-de-santa.html+&cd=16&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b-ab



Visão de Santa Francisca Romana

Na vida dessa mística italiana, as visões ocupam um lugar saliente. A propósito do que a Santa viu sobre o inferno, o célebre escritor católico francês Ernest Hello apresenta um apanhado sucinto e sugestivo em sua obra “Physionomie des Saints”, o qual exporemos abaixo.
Inúmeros suplícios, tão variados quanto os crimes, foram mostrados à Santa em detalhes. Por exemplo, viu ela o ouro e a prata serem derretidos e derramados na boca dos avarentos. A hierarquia dos demônios, suas funções, seus tormentos, os diversos crimes aos quais presidem, foram-lhe apresentados. Viu Lúcifer, chefe e general dos orgulhosos, rei de todos os demônios e preceitos, rei muito mais infeliz do que os próprios súditos.
O inferno é dividido em três partes: o superior, o do meio e o inferior. Lúcifer encontra-se no fundo do inferno inferior. A Lúcifer, chefe universal, subordinam-se três outros demônios, os quais exercem império sobre os demais:
1) Asmodeu, que preside os pecados da carne, e era antes da queda um Querubim;
2) Mamon, que preside os pecados da avareza, era um Trono. O dinheiro fornece, ele sozinho, uma das três grandes categorias.
3) Belzebu preside aos pecados de idolatria. Tudo que tem algo a ver com magia, espiritismo, é inspirado por Belzebu. Ele é, de um modo especial, o príncipe das trevas, e mediante as trevas ele é atormentado e atormenta suas vítimas.
Uma parte dos demônios permanece no inferno, a outra no ar, e uma terceira atua entre os homens, procurando desviá-los do certo caminho. Os que ficam no inferno dão ordens e enviam seus embaixadores; os que residem no ar agem fisicamente sobre as mudanças atmosféricas e telúricas, lançando por toda parte suas más influências, empestando o ar, física e moralmente. Seu objetivo é debilitar a alma.
Quando os demônios encarregados da Terra veem uma alma enfraquecida pelos demônios do ar, eles a atacam no seu ponto fraco, para vencê-la mais facilmente. É o momento em que a alma não confia na Providência. Essa falta de confiança, inspirada pelos demônios do ar, prepara a alma para a queda solicitada pelos demônios da Terra.
Assim, enfraquecidos pela desconfiança, os demônios inspiram na alma o orgulho, em que ela cai tanto mais facilmente quanto mais fraca está. Quando o orgulho aumentou sua fraqueza, vêm os demônios da carne que atacam seu espírito. Quando os demônios da carne aumentam mais ainda a fraqueza da alma, vêm os demônios que insuflam os crimes do dinheiro. E quando estes diminuíram ainda mais os recursos de sua resistência, chegam os demônios da idolatria, os quais completam e concluem o que os outros começaram.
Todos se articulam para o mal, sendo esta a lei da queda: todo pecado cometido, e do qual a alma não se arrependeu, prepara-a para outro pecado. Assim, a idolatria, a magia, o espiritismo esperam no fundo do abismo aqueles que foram escorregando de precipício em precipício.
Todas as coisas da hierarquia celeste são parodiadas (imitadas) na hierarquia infernal. Nenhum demônio pode tentar uma alma sem a permissão de Lúcifer.
Os demônios que estão no inferno sofrem a pena do fogo. Os que estão no ar ou na terra não sofrem atualmente tais penas, mas padecem outros suplícios terríveis, e particularmente a visão do bem que praticam os santos. O homem que faz o bem inflige aos demônios um tormento indescritível. Quando Santa Francisca era tentada, sabia, pela natureza e violência da tentação, de que altura tinha caído o anjo tentador e a que hierarquia pertencera.
Quando uma alma cai no inferno, seu demônio tentador é felicitado pelos demais. Mas quando a alma se salva, o demônio tentador recebe insulto dos outros, que o levam para Lúcifer e este lhe inflige um castigo a mais, além das torturas que já padece. Este demônio entra às vezes no corpo de animais ou homens. Ele finge ser a alma de um morto.
Quando um demônio consegue perder certa alma, após a condenação desta transforma-se em tentador de outro homem, mas torna-se mais hábil do que foi a primeira vez. Aproveita-se da experiência que a vitória lhe deu, tornando-se mais forte para perder o homem.
Santa Francisca observava um demônio em cima de alguém que estivesse em estado de pecado mortal. Confessado o pecado, via ela o mesmo demônio ao lado da pessoa. Após uma excelente confissão, o anjo mau ficava enfraquecido e a tentação não tinha mais o mesmo grau de energia.
Ao ser pronunciado santamente o nome de Jesus, Santa Francisca via os demônios do ar, da terra e do inferno inclinarem-se com sofrimentos espantosos, tanto maiores quanto mais santamente o nome de Jesus fora pronunciado.
Se o nome de Deus é pronunciado em meio a blasfêmias, os demônios ainda assim são obrigados a se inclinar, mas um certo prazer é misturado à dor causada pela homenagem que são obrigados a render.
Se o nome de Deus é blasfemado por um homem, os anjos do céu inclinam-se também, testemunhando um respeito imenso. Assim, os lábios humanos, que se movem tão facilmente e pronunciam tão levianamente o nome terrível, produzem em todos os mundos efeitos extraordinários e ecos, dos quais o homem não é capaz de compreender nem a intensidade nem a grandeza.





São João Bosco e o sonho com o Inferno

Um anjo do Senhor foi enviado para ajudá-lo nesta horrível experiência em que ele conta:

"De repente, sem saber como, aparece diante de mim uma estrada. Rompi então o silêncio, perguntando a meu guia:
- Aonde vamos agora? - Por aqui - respondeu-me.
E nos encaminhamos por aquela estrada. Era bonita, larga, espaçosa e bem pavimentada.
[O caminho dos pecadores é muito bem pavimentado, mas no final dele estão o inferno, as trevas e os castigos.( Eclo 21,1l)]
O caminho baixava sempre. Continuávamos nosso trajeto por entre flores e rosas, quando, pelo mesmo caminho, vi os meninos do Oratório, juntamente com muitíssimos outros companheiros que eu jamais vira antes, caminhando atrás de mim. E encontrei-me no meio deles. Enquanto os observava, de repente vejo que ora um, ora outro, caíam, e em seguida eram arrastados por uma força invisível rumo a uma horrível encosta que se entrevia à distância, a qual depois vi que ia dar numa fornalha. Perguntei a meu companheiro:
- Que é que faz cair esses jovens?
[Estenderam cordas à maneira de rede; junto do caminho puseram tropeços. ( salmo 139)]
Aproxima-te um pouco mais - respondeu. Aproximei-me e vi que os meninos passavam entre muitos laços, alguns postos à altura do chão, outros à altura da cabeça; estes últimos não se viam. Dessa forma, muitos jovens, enquanto caminhavam sem dar-se conta do perigo, eram colhidos pelos laços; no momento de ser colhidos davam um salto, depois caíam no solo com as pernas para o ar e, levantando-se, se punham em desabalada corrida para o abismo. Um era agarrado pela cabeça, outro pelo pescoço, outro pelas mãos, por um braço, por uma perna, pela cintura, e imediatamente eram arrastados.
- Os laços estendidos pela terra, que mal se podiam ver, eram parecidos com estopa. Lembravam uns fios de aranha, e não pareciam muito nocivos. Sem embargo, vi que também os jovens colhidos por tais laços caíam quase todos por terra.
Eu estava espantado. E o guia me disse:
- Sabes o que é isso?
- Um pouco de estopa, não mais do que isso - respondi.- Menos ainda do que isso; é quase nada - acrescentou. É apenas o respeito humano.
Vendo, entretanto, que muitos continuavam a se enredar nesses laços, perguntei:
- Mas como é que tantos ficam atados por meio desses fios? Quem é que os arrasta desse modo?
- Aproxima-te mais, olha e verás. Olhei um pouco e disse: - Não estou vendo nada. - Olha um pouco melhor - repetiu.
Segurei então um dos laços, puxei-o para mim e notei que sua ponta não aparecia; puxei um pouco mais, mas não conseguia ver onde terminava aquele fio; pelo contrário, notei que também a mim ele me arrastava. Segui então o fio e cheguei à boca de uma espantosa caverna. Parei, porque não queria entrar naquela voragem; puxei para mim o fio e percebi que ele cedia um pouquinho. Mas era necessário fazer muita força. Depois de muito puxar, pouco a pouco foi saindo da caverna um feio e grande monstro que causava repugnância e segurava fortemente um cabo ao qual estavam atados todos os laços. Era ele que, mal caía alguém na rede, imediatamente o puxava para si.
- É inútil - pensei comigo - competir em força com este monstro medonho, porque não sou capaz de vencê-lo; o melhor é combatê-lo com o sinal da Santa Cruz e com jaculatórias.
Voltei, pois, para junto do meu guia, e ele me disse:
- Já sabes agora o que é?
- Sim! Já sei, é o demônio que estende esses laços para fazer meus jovens caírem no Inferno.
Observei então com atenção os muitos laços e vi que cada um deles levava escrito seu próprio título: laço da soberba, da desobediência, da inveja, da impureza, do roubo, da gula, da preguiça, da ira etc.
Feito isso, coloquei-me um pouco atrás para observar quais daqueles laços colhiam maior número de jovens. Eram os da impureza, da desobediência e do orgulho. A este último estavam atados os outros dois. Além desses vi muitos outros laços que faziam grande estrago, mas não tanto como os primeiros. Sem parar de observar, vi que muitos jovens corriam mais precipitadamente que outros, e perguntei: - Por quê essa velocidade?
- Porque - foi-me respondido - são arrastados pelos laços do respeito humano.
Olhando ainda mais atentamente, vi que por entre os laços havia muitas facas espalhadas, ali colocadas por mão providencial, e serviam para cortá-los e rompê-los. A faca maior era contra o laço do orgulho, e representava a meditação. Outra faca também grande, mas um pouco menor, significava a leitura espiritual bem feita. Havia também duas espadas. Uma delas indicava a devoção ao Santíssimo Sacramento, especialmente com a Comunhão frequente; a outra, a devoção a Nossa Senhora. Havia também um martelo: a confissão.
Havia outras facas, símbolos das várias devoções: a São José, a São Luís de Gonzaga etc. etc. Com essas armas não poucos rompiam os laços quando eram presos, ou se defendiam para não serem atados. Vi, com efeito, jovens que passavam entre os laços sem nunca serem colhidos: ou passavam antes que o laço caísse, ou sabiam esquivar-se e o laço escorregava sobre seus ombros, sobre as costas, de um lado ou de outro, sem contudo poder aprisioná-los.
Quando o guia se deu conta de que eu havia observado tudo, fez-me continuar o caminho bordado de rosas que, à medida que avançávamos, iam-se tornando mais raras, ao passo que começavam a se fazer notar enormes espinhos.
Chegamos a um ponto em que, por mais que olhasse, já não encontrava rosa alguma, e no final as sebes se haviam tornado só de espinhos, desfolhadas e secas pelo sol. Das moitas dispersas e ressecadas partiam galhos que serpenteavam pelo solo e impediam o caminho, semeando-o com espinhos de tal maneira que só com grande dificuldade se podia andar.
Havíamos chegado a uma baixada cujas ribanceiras ocultavam as demais regiões vizinhas; o caminho, sempre em declive, se tornava cada vez mais horrível, sem pavimentação, cheio de buracos, degraus, pedras e rochas arredondadas.
O caminho se tornava cada vez mais espantoso e intransitável, de modo que mal podia manter-me em pé.
Eis que no fundo desse precipício, que terminava num vale sombrio, apareceu um imenso edifício que exibia, diante de nosso caminho, uma porta altíssima, fechada. Chegamos ao fundo do precipício. Um calor sufocante me oprimia e uma densa fumaça esverdeada se elevava em torno das muralhas, marcadas por chamas cor de sangue. Levantei os olhos para ver a altura dos muros; eram mais altos que uma montanha. Perguntei ao guia: - Onde é que nos encontramos? Que é isso?
- Lê naquela porta - respondeu -; pela inscrição saberás onde estamos.
Olhei e vi escrito na porta: [onde não há redenção]. Dei-me conta de que estávamos na porta do Inferno.
O guia me levou a fazer o contorno das muralhas daquela horrível cidade. De espaço a espaço, a distância regular, via-se uma porta de bronze como a primeira, também no ponto final de uma espantosa vertente, e todas tinham uma inscrição latina distinta das anteriores.
[Afastai-vos, malditos, ide para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos... Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo].
Apanhei um lápis para copiar as inscrições; mas o guia me disse:
- Que estás fazendo?
- Tomo nota destas inscrições.
- Não é preciso; tu as tens todas na Escritura.
Algumas delas até as mandaste colocar nas portas [de teu Oratório]."

http://mentiras-evanglicas-e-outras.blogspot.com.br/2012/07/do-bosco-visao-do-inferno.html

Outro sonho de Dom Bosco com o Inferno:




Visão dos Três Pastorinhos

Os três pastorinhos de Fátima, Santa Jacinta Marto, São Francisco Marto e Ir. Lúcia de Jesus, são destinatários de uma das revelações privadas mais importantes do século XX, ocorrida em Fátima (Portugal). Em 1917, ela era uma das três crianças que afirmou ter tido numerosas visões de Nossa Senhora. Ela declarou que Maria lhes mostrou uma visão do inferno que ela descreveu em suas “Memórias”.
Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente a nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que horrorizava e fazia estremecer de pavor.”
Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, graças à nossa boa Mãe do céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.”

blog.comshalom.org/carmadelio/37538-tres-visoes-absolutamente-terriveis-inferno-dadas-deus-santos-igreja+&cd=5&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-b-ab

Diz-se que essa foto foi tirada após os Pastorinhos terem visto o Inferno, mostrado por Nossa Senhora.


Se os homens vissem o inferno

Pode-se perguntar como, sendo ainda tão criança, Jacinta chegou a compreender e a adquirir um tal espírito de mortificação e penitência. Para a Irmã Lúcia, isto se deve a "uma graça especial que Deus, por meio do Imaculado Coração de Maria, concedeu à pequena pastora".
Mas esse dom divino não veio sozinho. Para essa compreensão ajudou também poderosamente a visão do Inferno e a desgraça dos que ali caem, o que "horrorizou Jacinta a tal ponto, que todas as penitências e mortificações lhe pareciam nada, para conseguir livrar de lá algumas almas."
Com acerto observa a Irmã Lúcia que determinadas pessoas, "mesmo piedosas, não querem falar do Inferno às crianças, para não as assustar. Mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três, e uma de 7 anos apenas, a qual Ele sabia que havia de se horrorizar a ponto de lhe causar definhamento".
Essa atitude de Nosso Senhor e de sua Mãe bondosíssima, mostrando aos pastorinhos a visão daquele lugar de tormento, bem mostra como a meditação sobre os castigos eternos é adequada para os homens e mulheres de nossa época, sejam crianças, jovens ou adultos. Constitui ocasião de preciosas graças, não só de conversão, mas também de perseverança e afervoramento na vida espiritual.
Hoje, muito mais do que em 1917, as pessoas se entregam ao pecado e a toda espécie de más ações, sem se incomodarem com as consequências, não apenas para esta vida, mas, sobretudo, para a outra, correndo o risco de condenação eterna.
Jacinta, compreendendo tudo isto muito bem, nunca mais deixou de pensar na desgraça irremediável das almas condenadas ao Inferno. Mais do que tudo, causava-lhe angústia a ideia de um castigo sem fim. Às vezes, sentada numa pedra, punha-se a pensar, e dali a pouco perguntava a Lúcia:
- Aquela Senhora disse que muitas almas vão para o Inferno! E nunca mais vão sair de lá?
- Não!
- E mesmo depois de muitos, muitos anos?
- Não! O Inferno não acaba nunca!
- Mas, olha: então, depois de muitos e muitos anos, o Inferno ainda não acaba? E aquela gente que está ardendo lá não morre? E não vira cinza?! E, se a gente rezar muito pelo pecadores, Nosso Senhor os livra de lá?! E com os sacrifícios também? Coitadinhos! Temos de rezar e fazer muitos sacrifícios por eles!
Depois, lembrando-se das misericordiosas palavras de Maria, acrescentava:
- Que boa é aquela Senhora! Já nos prometeu levar para o Céu!
Outras vezes, meditando nos sofrimentos reservados aos pecadores que morrem sem arrependimento, Jacinta estremecia de pena, ajoelhava-se e, de mãos postas, recitava a oração que Nossa Senhora lhes tinha ensinado:
- Ó meu Jesus! Perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
E permanecia assim, muito tempo, de joelhos, repetindo a mesma oração. De vez em quando, chamava pela prima ou pelo irmão, como que acordando de um sonho:
- Francisco! Francisco! Vocês estão rezando comigo? É preciso rezar muito para livrar as almas do Inferno! Para lá vão tantas, tantas!
Por esse motivo, também a impressionava muito o que Nossa Senhora anunciara a respeito da Segunda Guerra Mundial. Jacinta parecia compreender com muita clareza todas as desgraças que essa guerra traria para a humanidade e, sobretudo, para as almas dos pecadores. Quando Lúcia, vendo-a pensativa, procurava saber com que se preocupava, por vezes respondia:
- Nessa guerra que virá. Nas muitas pessoas que vão morrer e ir para o Inferno! Que pena! Se deixassem de ofender a Deus, nem viria a guerra, nem iriam para o Inferno!
Em outras ocasiões perguntava-se:
- Por que Nossa Senhora não mostra o Inferno aos pecadores?! Se eles o vissem, não mais pecariam, para não irem para lá!
Essa preocupação com as almas dos pobres pecadores tornava-se ainda mais viva quando a cristalina virtude de Jacinta chocava-se com alguma má ação ou dito ofensivo a Nosso Senhor. Então encobria a face com as mãos, e dizia:
- Ó meu Deus! Esta gente não sabe que, por dizer estas coisas, pode ir para o Inferno?! Perdoai-lhes, meu Jesus, e convertei-os. Com certeza não sabem que com isso ofendem a Deus! Que pena, meu Jesus! Eu rezo por eles. - E logo repetia: - Ó meu Jesus, perdoai-nos... etc.



Ó MEU JESUS, 
PERDOAI-NOS E LIVRAI-NOS DO FOGO DO INFERNO, 
LEVAI AS ALMAS TODAS PARA O CÉU, 
E SOCORREI PRINCIPALMENTE AQUELAS QUE MAIS PRECISAREM.




QUE A VIRGEM MARIA NOS LIVRE 
DESSE FIM DESGRAÇADO 
E NOS CONCEDA 
A PERSEVERANÇA FINAL!




Ó Imaculado Coração de Maria, 
que sois sem mancha, 
fazei-me sem mancha, 
como sois Vós mesmo”,
 amém.


Dicas de leitura sobre o tema: 
Sagradas Escrituras;
Catecismo da Igreja Católica (CVII);
Catecismo de São Pio X;
Encíclica Spe Salvi, Papa Bento XVI;
O Inferno existe: provas e exemplos, Venerável Pe. André Beltrami (Salesiano);


Imagens do Google.



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

BEATOS PE. JOSÉ CALASANZ E PE. HENRIQUE SAIZ APARICIO E 93 COMPANHEIROS, Mártires Salesianos




Desde os primeiros tempos, e sempre assim continuará a suceder, alguns cristãos foram chamados a dar este máximo testemunho de amor diante de todos, e especialmente perante os perseguidores. Por esta razão, o martírio, pelo qual o discípulo se torna semelhante ao mestre, que livremente aceitou a morte para salvação do mundo, e a Ele se conforma no derramamento do sangue, é considerado pela Igreja como um dom insigne e prova suprema de amor.” LG 42





Como o próprio trecho da Lumen Gentium assinalou, desde os primeiros tempos os cristãos sofreram perseguições. Assim foi no período mais clássico, até 313 d.C., ano em que o Imperador Romano Constantino reconhecia, com o Edito de Milão, a liberdade de culto à religião cristã; posteriormente houve outros períodos conturbados na história de perseguição aos cristãos, como a Revolução Francesa e entre outras revoluções e regimes ditatoriais/totalitários que existiram. Também os cenários missionários na África, na América e na Ásia foram (e em alguns lugares, continuam a ser) palco do martírio de inúmeros cristãos.
Um desses acontecimentos na história iniciou-se em 18 de julho de 1936, quando estourou a Guerra Civil Espanhola, que durou até 1939. Comandando o exército espanhol, o general Francisco Franco tentou um golpe de estado contra o governo democrático. Sendo mal sucedido, a Espanha dividiu-se entre falangistas e republicanos. Foi então um período dramático e sangrento, de antagonismos ideológicos, transformando-se num embate entre fascismo e democracia que provocou muitas mortes e destruição. Também a Igreja espanhola sofreu uma violenta perseguição, e foram presos e assassinados inúmeros sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, simplesmente por serem cristãos.
Entre tantas pessoas massacradas, estão incluídos 95 membros da Família Salesiana. Para o processo de causa de martírio foram divididos em três grupos, que depois se reduziu a dois: José Calasanz e 31 companheiros, da cidade de Valência; e Pe. Henrique Saiz Aparicio e 62 companheiros, das cidades de Sevilha e Madri. No geral são 39 sacerdotes, 22 clérigos, 24 coadjutores, 2 Filhas de Maria Auxiliadora, 4 salesianos cooperadores, 2 aspirantes salesianos e 1 colaborador leigo.
O grupo de Valência foi beatificado em 11 de março de 2001, pelo Papa João Paulo II, dentro de um grupo de 233 mártires. Os grupos de Sevilha e Madri foram beatificados no dia 28 de outubro de 2007, pelo Papa Bento XVI, dentro de um grupo de 498 mártires. Inúmeras pessoas, homens e mulheres, de diferentes idades e vocação, e que tiveram a coragem de testemunhar sua fé em Jesus Cristo e na Igreja. Morreram unicamente por motivos religiosos. Um grupo numeroso, mas que não anula as características e o testemunho de cada indivíduo, tendo cada um seu nome e sua história. Ao contrário, o número elevado mostra o valor e importância da comunidade cristã, da unidade, e revela também o chamado universal a santidade. Não foi só ‘esse’ ou ‘aquele’, mas um grupo que testemunhou a sua fé juntos. E todos eles, segundo o que consta nos processos canônicos para a declaração como mártires, antes de morrer perdoaram os seus executores.
Dom Bosco em sua época já não descartava o martírio, sobretudo em relação com as missões ad gentes. Por isso, quando projetava com os salesianos o método que deveriam seguir nas missões em terras distantes, se atreveu a pedir-lhes a máxima generosidade: “Se o Senhor em sua Providência – dizia – dispusesse que algum de nós sofresse o martírio, teríamos que nos amedrontar por isso?”. (MB, 21). Antes deste caso na Espanha, houve um caso na China e outro na Polônia. O martírio também faz parte da Santidade Salesiana.
Como estão com os nomes levados a frente, vejamos brevemente um pouco da vida do Pe. José Calasanz e do Pe. Henrique Saiz Aparicio:


BEATO JOSÉ CALASANZ





Calasanz: nasceu em Azanuy, na província de Huesca (Espanha) aos 23 de novembro de 1872, de uma família de lavradores. Perdeu o pai aos dez anos e aos onze, a sua mãe. Foi morar com a tia em Barcelona, que servia na casa de uma família de cooperadores salesianos que pagaram os estudos do menino. Conheceu Dom Bosco pessoalmente quando estudava no colégio de Sarria, no ano de 1886. Foi encaminhando-se para a vida salesiana e sacerdotal, tornando-se salesiano em 1890 e cinco anos depois, sacerdote. Foi secretário do Pe. Felipe Rinaldi, que hoje também é beato, e foi missionário das terras de Cuba, Peru e Bolívia. Homem trabalhador, educado, humilde, enérgico e de grande espírito de serviço. Voltou a Barcelona em 1925, como superior provincial, e em julho de 1936 estava pregando exercícios espirituais na casa salesiana de Valência. Quando a guerra eclodiu, a casa foi invadida e eles foram levados ao cárcere; de lá escreveu para o Reitor Mor, na época, Pe. Pedro Ricaldone: “Eu não sei o tempo que temos aqui: Deus sabe se vai se prolongar por uns dias ou por semanas; e sei muito menos se a morte espera-nos. Mas a nossa confiança está posta em Deus e na proteção de Maria Auxiliadora e de nosso pai Dom Bosco. Tão pouco duvidamos de sua bênção e das orações do senhor e demais superiores e irmãos”. Aos irmãos que junto a ele viviam tais dificuldades, dizia: “Há que ter confiança na Divina Providência. E se nos matam, nos voltaremos a ver no Céu.”. Pe. Calasanz foi morto com um tiro de fuzil na cabeça enquanto estava em uma camionete, sendo levado junto com outros salesianos, pelos milicianos.



Sacerdotes: José Batalla Parramón (1873-1936). José Bonet Nadal (1875-1936). Jaime Bonet Nadal (1884-1936). Antonio María Martín Hernández (1885-1936). Sergio Cid Pazo (1886-1936). Juan Martorell Soria (1889-1936). Julio Junyer Padern (1892-1938). Recaredo de los Ríos Fabregat (1893-1936). Francisco Bandrés Sánchez (1896-1936). Julián Rodríguez Sánchez (1896-1936). José Otín Aquilué (1901-1938). José Castell Camps (1901-1936). José Giménez López (1904-1936). Alvaro Sanjuán Canet (1908-1936). José Caselles Moncho (1907-1936). Coadjutores: José Rabasa Bentanachs (1862-1936). Angel Ramos Velázquez (1876-1936). Gil Rodicio Rodicio (1888-1936). Jaime Buch Canals (1889-1936). Augusto García Calvo (1905-1936). Eliseo García García (1907-1936). Jaime Ortiz Alzueta (1913-1936). Clérigos: Miguel Domingo Cendra (1909-1936). Félix Vivet Trabal (1911-1936). Pedro Mesonero Rodríguez (1912-1936). Felipe Hernández Martínez (1913-1936). Zacarías Abadía Buesa (1913-1936). Javier Bordas Piferrer (1914-1936). Colaborador leigo: Alexandro Planas Saurí (1878-1936). Filhas de Maria Auxiliadora: Maria Carmen Moreno Benítez (1885-1936), vigária inspetorial, foi diretora e confidente da Beata Irmã Eusébia Palomino, que lhe profetizou o martírio, e Maria Amparo Carbonell Muñoz (1893-1936).



BEATO ENRICO SAIZ APARICIO


Início do processo: 8-2-1995
Conclusão do processo: 22-4-1996
Beatifição : 28-10- 2007



Henrique Saiz Aparicio: nasceu em Ubierna, na província de Burgos (Espanha) em 01 de dezembro de 1889. Professou como salesiano em 1909, e tornou-se sacerdote em 1918. Desde 1934 estava em Carabanchel Alto, periferia de Madri, como diretor do aspirantado. Em 1936 o instituto também foi invadido pelos milicianos. Prontamente o Pe. Henrique disse: “Se vocês querem sangue, aqui estou eu. Mas não façam mal aos meninos”. Os jovens foram libertados, enquanto Pe. Henrique e oito salesianos foram presos e posteriormente, mortos. Enquanto estavam no cárcere, ele procurou dirigir, aconselhar e acompanhar os irmãos que estavam com ele. Dizia: “temos que nos preparar, pois nosso martírio é certíssimo”. E antes de morrer, confiou a um amigo: “Que há de melhor do que morrer para a glória de Deus?”. Ofereceu a vida aos jovens que lhe haviam sido confiados pela Divina Providência.

Beato Enrico (Henrique) Siz Aparicio


Com o belo testemunho destes nossos irmãos na fé, que possamos também refletir sobre a nossa vida. Qual tem sido nosso testemunho de cristãos na sociedade? No dia a dia também somos chamados ao martírio, talvez não a esse vermelho dos mártires da Espanha, mas um martírio branco, daquele desgastar-se dia a dia pela causa do Reino de Deus, testemunhar Jesus Cristo nos diversos ambientes em que estamos inseridos, ainda que nas adversidades. Que a exemplo e sob o impulso do testemunho dos mártires da Espanha, que hoje a Igreja e a Família Salesiana nos colocam como modelo, e ajudados pela Virgem Maria Auxiliadora dos cristãos, possamos buscar cada dia mais uma maior vivência da nossa essência cristã.


Fontes:
santidadefs.blogspot.com/2015/09/bem-aventurados-jose-calasanz-e.html
www.paroquiasaocristovao.net/?page_id=7700
www.paroquiasaocristovao.net/?page_id=7686
Imagens do Google.