Páginas

sábado, 8 de julho de 2017

VENERÁVEL MARGARIDA OCCHIENA, MAMÃE MARGARIDA, MÃE DE DOM BOSCO


"Quando começou os estudos, recomendei-lhe que amasse a essa nossa boa Mãe. Agora, recomendo que seja todo Seu." 
Estas foram as palavras ditas por mamãe Margarida quando Dom Bosco entrou no Seminário, demonstrando o amor filial e confiante na Virgem Maria, que ensinou aos seus filhos.



Na vida de Dom Bosco, desde o seu nascimento até a materialização de seus sonhos, nenhum biógrafo, nenhum registro histórico, pode abrir mão da significativa presença de Margarida Occhiena, sua mãe. Os salesianos e salesianas celebram no dia 25 de novembro a Venerável Margarida Occhiena, a “Mamãe Margarida”. Ela foi grande incentivadora do filho, tendo papel fundamental no desenvolvimento de sua obra e no nascimento da Família salesiana.
A presença marcante de Margarida Occhiena foi definitiva para que Dom Bosco, nas bases de seu projeto, colocasse como pilares de sustentação a familiaridade, o “espírito de família” e a busca pela santidade. O exemplo de amor, aceitação, confiança e apoio de Mamãe Margarida demonstravam a importância dos princípios evangélicos e da família na formação de novas pessoas, de “bons cristãos e honestos cidadãos”.






MARGARIDA OCCHIENA (1788-1856)



Margarida Occhiena nasceu no dia 1º de abril de 1788 em Capriglio, província de Asti, Itália, sexta de dez filhos, no mesmo dia foi batizada na igreja paroquial. Seus pais, Melquior Marcos Occhiena e Domingas Bossone, eram agricultores dotados de sinceros sentimentos cristãos. Margarida desde jovem é uma grande trabalhadora. Os tempos e o trabalho não lhe permitem estudar, mas o seu amor pela oração é enriquecido por aquela sabedoria que não se encontra nos livros. Reside com seus pais até seu casamento com Francisco Bosco em 1812. Francisco tem 27 anos, é viúvo, com um filho de três anos, Antonio, e tem a mãe doente aos seus cuidados. No ano seguinte nasce José e em 1815 João (o futuro Dom Bosco). Juntos transferem-se para os Becchi, distrito de Castelnuovo d'Asti.
Em 1817 Francisco morre atingido por uma pneumonia. Aos vinte e nove anos Margarida vê-se enfrentando sozinha a condução da família num momento de grande carestia, cuidando da mãe e do filho de Francisco, o falecido esposo; e os pequenos José e João, seus filhos. Margarida era uma mulher de grande fé. Deus estava sempre acima de todos os seus pensamentos e sempre em seus lábios. Tendo ficado viúva, após cinco anos de vida em comum com Francisco Bosco, viu-se obrigada, completamente só, a assumir uma tarefa de grandes desafios e obstáculos: a administração de uma família com quatro membros.

Agora, em uma Itália dividida, em uma Piemonte com graves problemas políticos/econômicos e vivendo os ares da modernidade, ela precisa conciliar todos os encargos inerentes a um chefe de família pobre e de zona rural. Precisa cuidar da casa, do sustento e educação dos filhos, da lida no campo, da sogra adoentada, das crises econômico-financeiras e da incompreensão de Antônio, um dos filhos de Francisco que assumiu como seu, com relação ao desejo de João Bosco de estudar. Precisa mostrar-se forte e fé inquebrantável, para suportar e superar todas as vicissitudes do momento.
O amor do Senhor era tão intenso que formou nela um coração de mãe. Sábia educadora, soube conjugar nela paternidade e maternidade, doçura e firmeza, vigilância e confiança, familiaridade e diálogo, educando os filhos com amor desinteressado, paciente e exigente. Atenta à vida deles, confia nos meios humanos e no auxílio divino. Acompanha o crescimento de três garotos de temperamento muito diferente com os mesmos critérios mas com métodos diversos. Ensina-lhes o catecismo e prepara-os para se aproximarem da primeira comunhão. Mulher forte, com clareza de ideias, determinada nas escolhas, regime de vida sóbrio, severa na educação cristã, doce e compreensiva.
Tendo ouvido o sonho de Joãozinho aos nove anos, é a única que consegue lê-lo à luz do Senhor: "Quem sabe, tu devas ser sacerdote". Permite-lhe então que fique com outros garotos pouco recomendáveis, para que, com ele, se comportem melhor. A hostilidade de Antonio em relação aos estudos de João obriga-a a afastar o filho menor para que possa estudar. Haverá de acompanhá-lo depois.
Obrigada a fazer escolhas às vezes dramáticas (como o afastamento do filho menor de casa para não romper com a paz e para fazê-lo estudar), conduz com fé, sabedoria e coragem o desenvolvimento das habilidades dos filhos, ajudando-os a crescer na generosidade e no espírito de iniciativa. Acompanha com amor particular João até o sacerdócio e depois, deixando a querida casa no Colle, segue-o na sua missão entre os jovens pobres e abandonados de Turim.

No dia da ordenação sacerdotal de São João Bosco pronunciará algumas palavras que ficarão no coração de seu filho por toda a vida. Em 1848, Dom Bosco fica gravemente doente, Margarida vai assisti-lo descobrindo o bem que faz pelos jovens abandonados. Quando Pe. Cinzano diz para Dom Bosco que traga sua mãe para Turim para morar com ele afirma que ele terá um anjo ao seu lado. Mas João fica confuso: convidar sua mãe para sacrificio tão duro, mas ela ela responde assim: "Se acreditas que essa é a vontade do Senhor, estou pronta a vir". À idade de 58 anos decide deixar a tranquilidade em seu povoado e seguir seu filho em sua missão entre os moços pobres e abandonados do Turim.

A presença de Mamãe Margarida transforma o oratório numa família. Por dez anos a sua vida se confunde com a do filho seu nome esta estreitamente ligado as origens do carisma da Congregação Salesiana; é a primeira e principal cooperadora de Dom Bosco; com bondade dinâmica torna-se o elemento materno do sistema preventivo; é, sem o saber, "co-fundadora" da Família Salesiana que cria santos como Domingos Sávio e Padre Miguel Rua.
Analfabeta, mas cheia daquela sabedoria que vem do alto, foi ajuda para tantos jovens pobres abandonados na rua, filhos de ninguém; coloca Deus acima de tudo, consumando-se por Ele numa vida de pobreza, de oração e de sacrifício.
Morre em Turim, atingida pela pneumonia, no dia 25 de novembro de 1856 aos 68 anos. Acompanham-na ao cemitério muitos jovens, que a choram como se chora por uma Mãe. Gerações de salesianos a chamaram e a chamarão de Mamãe Margarida.
Mamãe Margarida empregou, apesar de seu analfabetismo, o seu talento inato de educadora, de mãe e de santa em prol de uma juventude protagonista.. Logo após a sua morte, surgiu uma convicção comum: “era uma santa”. Aqueles que começaram a chamá-la de “mãe santa” testemunhavam que ela jamais abandonou suas convicções, suas crenças, sua fé. Jamais deixou de demonstrar um equilíbrio formidável entre os planos terrestre e celeste.

Proclamada Venerável Margarida Occhiena pelo Papa Bento XVI em 15 de novembro de 2006, próximo de completar 150 anos de sua partida. Consta que a Serva de Deus Margarida Occhiena viúva de Bosco, mãe de família, exercitou heroicamente as virtudes teologais da Fé, da Esperança e da Caridade, tanto para Deus como para o próximo, assim como as virtudes cardeais da Prudência, Justiça e Moderação, e outras virtudes anexas a estas. Aguardamos agora o desfecho de sua causa introduzida, que se for positivamente respondida terá esta santa mãe que em vida esteve ao lado de seu santo filho também digna ao lado dele na glória dos altares.







Mesmo não tendo sido alfabetizada, Mamãe Margarida, em sua sabedoria adquirida nos enfrentamentos da vida, faz-se educadora, com um projeto de maternidade que sintoniza humanidade e santificação.
Em todas as oportunidades, das mais simples às mais complexas, ela não deixa de refletir, com seus filhos, sobre os ensinamentos de Deus, sobre a missão de cada um na busca da salvação.
Usava, na relação com os filhos, a pedagogia do coração, isto é, a de uma mulher de poucas palavras e muita ação que, com simplicidade e sabedoria, traduzia para os seus filhos a complexidade e a grandiosidade do amor. Exercia, com autoridade e paciência, sua influência sobre os filhos. Jamais abria mão de suas convicções, mesmo que, em determinados momentos, tivesse de agir com certo rigor e “dor no coração”.
No Oratório de Valdocco marcou sua presença com aquele característico sentido de família que ainda hoje subsiste nas obras salesianas. Incontáveis são os fatos de sua vida, todos narrados nos livros sobre Dom Bosco, em que as lições de fé, de esperança e de caridade estão presentes.
Ao exercer o papel de mãe para os órfãos de Valdocco, foi a cooperadora mais eficiente de seu filho: prepara a refeição, varre, lava, costura e remenda. Mais ainda: encoraja, educa e, na medida de suas limitações, mas na grandeza do seu coração, testemunha a Palavra de Deus.




A santidade de Mamãe Margarida se entende dentro do quadro de uma camponesa do Piemonte entre os séculos XVIII e XIX, isto é, uma mulher analfabeta (como todas as mulheres pobres de então), mas de uma profunda religiosidade. Religiosidade encarnada na dureza da vida, na capacidade de perceber nas pequenas coisas a grandeza de Deus.
Nesse aspecto, é importante ressaltar que ela amadureceu uma visão de fé tradicional, arraigada nos fundamentos do Concílio de Trento, mas não rigorista. Daí compreende-se como ela vivenciou e transmitiu aos filhos, apesar das orientações da época, uma fé em um Deus criador, bondoso, misericordioso e indulgente.
Na Estreia de 2006, o então Reitor-mor dos Salesianos de Dom Bosco, padre Pascual Chávez, cita as frases comuns com as quais ela educou os seus filhos legítimos e aqueles adotados no tempo em que ficou com Dom Bosco em Valdoco (1846-1856): "Deus te vê", "como Deus é bom", "com Deus não se brinca" (cf. Estreia 2006, p.39-40). Essa experiência teologal transformou-se em experiência pedagógica no sistema preventivo vivido no primeiro oratório.
Portanto, a santidade de Mamãe Margarida esteve sempre ligada a uma fé vivida no dia a dia histórico, na materialidade da vida, onde Deus é presença permanente, sensível e misteriosa. Uma fé impregnada de valores simples e profundos: “o sentido do dever e do trabalho, a coragem cotidiana de uma vida dura, a franqueza e a honestidade, o bom humor”. Por isso, ainda no dizer de padre Chávez, ela foi a primeira educadora salesiana e colaborou com Dom Bosco a moldar nos seus jovens, nos discípulos e na sua família carismática, uma santidade simples, sem ser simplória; profunda, mas sem pieguismo; alegre e jovial, sem ser banal.


Fontes:



Imagens retiradas do Google Imagens.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Venerável MADRE MARIA TERESA SPINELLI, Religiosa e Fundadora



Olhai justamente com profunda admiração para esta mulher extraordinária. Tendo nascido em Roma em 1789, e entregando-se à vida religiosa em 1827, ela soube tornar-se humilde e generosa imitadora de Santa Rita de Cássia. Tenho a certeza de que a nova visita que realizastes neste ano, das fontes da sua espiritualidade e da sua obra suscitará em cada uma de vós, suas filhas espirituais, uma profunda consciência do valor e da atualidade do seu método apostólico. Desta forma, podereis oferecer um significativo contributo ao empenho da nova evangelização, que diz respeito a toda a Comunidade eclesial.”

Papa São João Paulo II, à Congregação das Agostinianas Servas de Jesus e Maria, por ocasião do 150º aniversário da morte da Madre Maria Teresa Spinelli.




Maria Teresa Spinelli nasceu no centro de Roma, no primeiro dia de outubro de 1789. Ela era a caçula de uma família de nove filhos, dos quais apenas quatro sobreviveram. Para sua educação e instrução, seus pais a confiaram às Mestras Pias Venerini. Na esteira da Revolução Francesa, Roma experimentou um revés econômico e como resultado a família Spinelli sofreu grande pobreza. Aos dezesseis anos, por obediência aos pais, casou-se com Luigi Ravieli, um homem violento com ideias revolucionárias.
Muitas vezes ela foi espancada e ameaçada por seu marido; Teresa conseguiu sofrer em silêncio e oferecer tudo para sua conversão. Mas os vizinhos fizeram uma denúncia, apresentando um relatório às autoridades e a jovem passou a viver separada de seu marido, tendo seu casamento anulado, por intervenção do Vicariato de Roma.
Teresa retornou para a casa dos pais dela, já mãe de uma menina chamada Maria Domenica. Sua situação financeira levou-a a trabalhar como um 'ama de leite' em casa de uma família nobre, passando a educar a filha do casal posteriormente. Algum tempo depois, ela voltou para casa para cuidar de seus pais idosos que estavam doentes, dedicando-se ao mesmo tempo à oração e às obras de caridade.
No primeiro dia de novembro de 1820 ela teve uma visão e recebeu o chamado para a Evangelização. Teresa quis abrir uma escola em Ferentino onde já era bem conhecida, mas, enquanto rezava, ouviu uma voz dizendo-lhe "não é em Ferentino que eu te quero, mas em Frosinone". Convidada pela Câmara Municipal, Maria Teresa abriu sua primeira escola para meninas em Frosinone em 1821. 





Nos primeiros anos, a comunidade permaneceu em Frosinone. O zelo de Teresa Spinelli deu origem á várias atividades: escola, pensão, ensinamento do catecismo, retiros espirituais, estudos de formação tanto para os grandes como para os jovens e moças. Teresa Spinelli acreditava que deste modo, ela e a sua comunidade davam um serviço muito importante à sociedade. De fato, eram muitos aqueles que procuravam o seu ensinamento e por muitos anos a escola que ela fundou era a única escola para meninas em Frosinone.
No 23 de setembro de 1827 fundou a Congregação das Irmãs Agostinianas Servas de Jesus e Maria, com o propósito específico da educação e formação cristã de jovens.
Alguns anos depois, começavam a formar as primeiras comunidades nas regiões de Roma e Frosinone. Ainda hoje, existe aquela de Guarcino, que iniciou em 1869 e aquela de 1877 de Genzano iniciada um ano depois. Em 1877, as irmãs foram convidadas pelo Papa Pio IX a abrir uma escola na capital, Roma. Foi ele mesmo que providenciou o local onde pudesse realizar este projeto.
Depois de uma vida dedicada ao serviço de Deus e seus irmãos, ela morreu em 22 de janeiro de 1850. Através de suas filhas, as irmãs agostinianas, a semente lançada por Teresa tem crescido ao longo dos anos em uma árvore enorme que espalhou suas raízes nos cinco continentes, para continuar a missão iniciada por esta mulher simples, cheia de coragem e do amor de Deus.

Servas de Jesus e de Maria




Para Madre Teresa Spinelli, tornando-se um com o Servo Sofredor Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e o homem, significa entregar-se completamente para servir os outros. Ela viveu uma vida de serviço contínuo, a fim que toda pessoa vivesse dentro da Igreja. Seu amor por Cristo crucificado atingiu o ponto onde ela se ofereceu como vítima para a conversão dos pecadores.
Na sua carta de 31 de Maio de 1844, ela escreve “Eu ofereço a Deus do fundo do meu coração minha vida para as necessidades da Igreja e em expiação pelos pecadores”. Ela queria entrar no coração de Deus e viver a partir daí todo o drama do amor infinito de Deus para o homem; o amor de Cristo que chama ao serviço do próximo. Madre Teresa quis que sua vida se identificasse com o Cristo Crucificado para que sua Paixão fosse revivida na Igreja e para a Igreja. Ela reza: “Eu queria que Tu tivesses muita misericórdia para com todos os homens”.
A educação cultural, civil, moral e religiosa, especialmente de mulheres, para Madre Teresa foi um ato de grande caridade na sociedade de seu tempo. Ela acreditava que a educação era o meio mais seguro para permitir que uma pessoa alcance mais plenamente seu Criador. Ela sentiu que era a vontade de Deus que ela servisse seu próximo pela educação das crianças e jovens.
Maria, a humilde serva do Senhor, é o modelo da vida de contemplação e serviço a que as Irmãs Agostinianas Servas de Jesus e Maria são chamadas. É por isso que MadreTeresa Spinelli o escolheu como o “Patrona e Madre Superiora do Instituto”.
Tendo em sua Congregação a Espiritualidade agostiniana, abraçou o lema: “Cor unum et anima una in Deum” - “Um só coração e uma só alma orientados para Deus), que Santo Agostinho promoveu dezesseis séculos atrás, e o carisma específico de serviço, seguindo o exemplo de Jesus e de Maria, que estão resumidos no nome dado a Congregação.
Sua dedicação altruísta para o “Cristo necessitado”, nos pobres a alimentar, no ignorante a instruir, nos filhos a serem educados, nos doentes a curar, continua hoje, por meio de suas filhas espirituais, para ser um sinal de amor e esperança para homens e mulheres de várias partes do mundo: Itália, Malta, Inglaterra, Dem Rep do Congo, Estados Unidos, Brasil, Índia, Filipinas e Austrália, enfim, nos cinco Continentes!

Ela foi declarada Venerável pelo Papa Francisco em 11/10/2016.



Oração

Meu Senhor e meu Deus,
eu adoro e rendo muitas graças
pelos benefícios que destes a vossa
fiel serva Irmã Maria Teresa Spinelli
que seguindo o Seu Santo chamado,
passou a sua vida toda imersa
nos vossos sofrimentos.
Ela dedicou seu apostolado
como holocausto do amor pelos jovens
e pela salvação dos pecadores.
Eu, com muita confiança peço-vos
de demostrar a Vossa misericórdia,
concedendo-me, por sua intercessão,
a graça que ardentemente desejo...
Amém!

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai

Madre Maria Teresa Spinelli rogai por nós.


Fontes:







Imagens retiradas do Google imagens.




quinta-feira, 6 de julho de 2017

BEATO CLEMENTE MARCHISIO, Presbítero, Pároco, Fundador


Nascimento: 01 de março de 1833.
Local nascimento: Raconígi (Itália, província de Turim).
Vida: Rivalba (Itália).

Clemente Marchisio nasceu em Racconigi, no dia 01 de março de 1833, primeiro de cinco filhos.. Uma família como tantas. Seu pai era sapateiro. Em Racconigi há muitas igrejas. Em cada esquina aparece uma capela. Clemente cresce num ambiente muito religioso ; é fácil imaginá-lo atraído pela atmosfera sagrada que o leva a frequentar a igreja dos padres dominicanos como coroinha. No futuro ele não vai precisar dos instrumentos do pai, mas de estudos para ser no futuro santo sacerdote.

Precisa de ajuda econômica, para frequentar os estudos, mas a divina Providência vai ao seu encontro. Desejando ser padre, quis estudar em casa as disciplinas filosóficas, tendo por professor o Pe. João Batista Sacco.
Consegue entrar no seminário de Bra, onde pode iniciar o seu caminho que o conduzirá a Turim, sob a direção de São José Cafasso, reitor do Santuário da Consolata e promotor do “Convitto Eclesiástico”, instituído para a formação dos sacerdotes, deixando um forte sinal na história da igreja local e universal.
Permaneceu dois anos em Turim, tendo por mestre de teologia moral e pastoral São José Cafasso (15.01.1811 – 23.06.1860), o mesmo santo diretor espiritual de São João Bosco. Clemente Marchisio cooperou com São José Cafasso no ministério da catequese e obras de caridade em prol dos encarcerados. Ele próprio confessará, mais adiante, que os exemplos de São José Cafasso muito o encorajaram na prática das virtudes sacerdotais.
Em 20 de setembro de 1856, aos 23 anos de idade, ordenou-se sacerdote. Passou dois anos na sede do Pensionato eclesiástico de Turim. Constatando que o pão e o vinho da Santa Missa não eram puros, modificou-os e daí derivou o nome de seu Instituto: "Irmãs das Hóstias".
Estamos em pleno mil oitocentos, neste século surgem na região do Piemonte, sacerdotes santos, com uma atenção particular que se refere ao aspecto social. Entre eles está Clemente Marchisio que adere plenamente ao programa. Enviado por um tempo breve a Cambiano como vice-pároco, deve sair de lá por causa da sua sinceridade com os paroquianos que lhe causaram não poucos problemas e sofrimentos. Foi transferido também por pouco tempo, ao lugarejo de Vigone. Em seguida foi nomeado pároco de Rivalba e permanecerá aí por 43 anos. Rivalba: sua terra prometida, o lugar onde poderá andar, encontrar, pregar e fundar o Instituto das Filhas de São José.

Continuou em Rivalba até sua morte. Em 1860, tomou posse da paróquia de Rivalba. Como um bom pároco se ocupa logo da sua Igreja que queria completamente nova, mas poderá somente reestruturar. O relacionamento com os paroquianos é baseado sobre uma extrema franqueza e sobre a coerência que permite coincidir o seu pensamento com as suas ações. Esta sua maneira de relacionar-se não é sempre fácil de aceitar, mas ele age seguindo o ditado do Evangelho: “Sim, sim; não, não”.
Ali construiu um asilo para meninas e uma fiação para dar trabalho para as jovens e assim evitar que fossem buscar trabalho em cidades grandes, o que facilmente as poderia corromper. Convidou as Vicentinas de Maria Imaculada, ordem fundada pelo beato Frederico Albert para lhes dar assistência. Quando estas vieram a faltar, substituiu-as por um grupo de jovens: o primeiro núcleo das filhas de São José.
Em 1875 dá início à família religiosa das Filhas de São José. Ao seu lado, desde os primeiros anos, uma mulher de Turim que seguirá o seu sonho de fundação. Chama-se Rosalia Sismonda. Decide oferecer uma casa ás primeiras irmãs, comprando e reestruturando o castelo milenário que se encontra em Rivalba. Se tornará o berço da Congregação, o símbolo que demonstra o seu desenvolvimento com o passar dos anos.
No primeiro tempo, a finalidade do Instituto era a de ajudar as moças a aprender um ofício ocupando-se na tecelagem, sem precisarem sair da cidade para ganhar a vida, como citado anteriormente. Desta forma, evitava o perigo de as meninas abandonarem os lares, a caminho da cidade em busca de emprego, onde a maior parte delas corria o risco de perder a fé e os costumes.
Exatamente no ano 1880, que viu grandes manifestações do culto Eucarístico, Pe. Clemente Marchisio, seguindo uma inspiração interior, mudou a finalidade do Instituto, e quis que as Filhas de São José se dedicassem exclusivamente ao Culto Eucarístico:“o Instituto, em vez de servir a Jesus nos pobres operários das oficinas, empenhar-se-á em servir da melhor maneira possível a Ele mesmo, em tudo o que diz respeito ao sacramento do Amor, não só por um trabalho diligente e consciencioso, mas com o maior respeito possível e devoção.”(Beato Clemente Marchisio).
Padre Clemente quer que as irmãs se ocupem de tornar mais digno tudo o que acontece sobre o altar. Inicia o trabalho da produção da hóstias e do vinho que se tornarão Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Além disso, a sua atenção é orientada para tudo aquilo que se refere à Celebração Eucarística, para sublinhar a importância e a beleza do momento central da fé cristã. Por esta razão as jovens que se consagram na sua família religiosa começam a serem chamadas as irmãs das hóstias”.
Pelo carisma próprio da Congregação todas as irmãs se empenham no culto à Eucaristia, preparam com a máxima reverência, seguindo as normas da Igreja, a matéria genuína do santo Sacrifício da Missa: as Hóstias, confeccionam os paramentos, toalhas do altar e demais panos sagrados, provém com amoroso cuidado o que for preciso para a honra e o decoro da Santíssima Eucaristia.
Em 1883 Pe. Clemente Marchisio abre uma comunidade em Roma, fazendo dizer ao Papa Leão XIII: “Até que em fim nosso Senhor quis pensar em si mesmo!”
Homem incansável não desiste de pregar, de viajar, de alimentar a vida interior das suas filhas. Isso até o dia 16 de dezembro de 1903 dia em que entregou sua alma ao Senhor. No mesmo dia unida a ele, sobe ao céu Rosalia Sismonda, sinal de sintonia perfeita e comunhão total entre eles.
Dotado de temperamento forte e tenaz, pôs todo o empenho em servir Deus com a máxima fidelidade da sua alma. Procurou viver pobremente, dando aos doentes e necessitados o melhor dos seus bens e da sua dedicação.
Era por natureza autoritário e inclinado à ira. Teve, por isso, de lutar com todas as energias para refrear a iracúndia e sofrer com paciência as adversidades da vida. A força para se dominar e para praticar todas s virtudes, ia buscá-la no mistério sacrossanto da Eucaristia. Pode-se dizer, sem exagero, que o característico da vida espiritual do Beato Clemente Marchisio como sacerdote, pároco e fundador, enraíza-se no sacramento do Corpo e Sangue de Cristo. Por isso, nada tinha tão a peito como celebrar devotamente a Santa Missa, adorar assiduamente o Santíssimo Sacramento e cuidar que as coisas com ele relacionadas fossem condizentes com a dignidade infinita do Filho de Deus. Não contente com isso, punha todo o empenho em instruir os fiéis no sentido de uma participação cada vez mais consciente e frutuosa da Sagrada Liturgia.

Era um homem de muita oração, que incluía a leitura diária da Sagrada Escritura e uma terna devoção à Santíssima Virgem. Assim alimentava a sua fé, esperança, caridade e demais virtudes, que praticou em grau heroico.
Até 1983, data em que foi beatificado pelo santo Papa João Paulo II, sua casa em Roma já possuía mais de 450 membros. A razão principal de sua existência foi o ministério paroquial, o cuidado das almas a exemplo de São Cura D'Ars e para todos outros padres.
Local morte
Rivalba (Itália) Morte 16 de dezembro de 1903, aos 70 anos de idade
Oração
Deus, nosso Pai, iluminai, hoje, nossos olhos com vossa luz, para que assim possamos ver e enxergar vossas pegadas ao longo do nosso caminho. Aclarai nosso entendimento para não adormecermos na tristeza, na falta de confiança da vida, no desânimo de quem se deixa vencer por suas dificuldades e contrariedades. Abri hoje nossos ouvidos para escutar vosso apelo de confiança e esperança na vida, que nos diz: "Não terás mais necessidade de sol para te alumiar, nem de lua para te iluminar: permanentemente terás por luz o Senhor, e teu Deus por resplendor" (Is 60,19ss). Elevamos a vós, Senhor, esse hino de louvor. "Jesus, coroa celeste, Jesus, verdade sem véu, ao servo que hoje cantamos deste o prêmio do céu. Dai que por nós interceda por fraternal comunhão, e nossas faltas consigam misericórdia e perdão. Bens, honrarias da terra sem valor ele julgou; vãs alegrias deixando, só as do céu abraçou. Que sois, Jesus, rei supremo, jamais cessou de afirmar; com seu fiel testemunho soube o demônio esmagar. Cheio de fé e virtude, os seus instintos domou, e a recompensa divina, servo fiel, conquistou. A vós, Deus uno, Deus trino, sobe hoje nosso louvor, ao celebrarmos o servo de quem Jesus é Senhor" (Liturgia das Horas, op.cit., 1994).
Devoção
Aos sagrados sacramentos da Confissão, Eucaristia e assistência às almas.

Fontes:





Imagens extraídas do Google.