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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Beato Ivan Merz, Leigo. Apóstolo Católico entre os jovens na Croácia. Proclamado "modelo para os jovens", por São João Paulo II.


Nasceu em Banja Luka, em 16 de dezembro de 1896, na Bósnia ocupada pelo império Austro-Húngaro, em uma família liberal. Foi batizado em 02 de fevereiro de 1897. No ambiente multiétnico e multi-religioso de sua cidade natal, realizou seus estudos de nível primário e secundário, que terminou quando em Sarajevo era assassinado o príncipe herdeiro Francisco Fernando (28 de junho de 1914).
Por vontade de seus pais e não sua, entro na Academia Militar de Wiener Noustadt, que abandonou depois de três meses, molestado pela corrupção do ambiente. Em 1915, iniciou os estudos na Universidade de Viena, aspirando a ser professor, para pode dedicar-se à instrução e educação dos jovens na Bósnia, seguindo o exemplo de seu professor Ljubomir Marakovic, por quem sentia uma profunda gratidão por haver-lhe ajudado a descobrir as riquezas do catolicismo.
Em março de 1916 teve que alistar-se no exército. Foi enviado ao “front” italiano, onde passou a maior parte dos anos de 1917 e 1918. Ao terminar a I Guerra Mundial, encontrava-se em Banja Luka, ode vivenciou a mudança política e o nascimento do novo Estado Iugoslavo. A experiência da guerra fê-lo amadurecer espiritualmente, pois, impressionado pelos horrores dos quais foi testemunha, colocando-se nas mãos de Deus, propôs-se tender com todas as suas forças à perfeição cristã.
É possível seguir seu desenvolvimento espiritual graças a seu diário íntimo, que começou a escrever durante seus estudos secundários e prosseguiu no exército, no “front”, e durante os estudos universitários. Nele se aprecia que sua santidade não foi fácil, que teve que lutar muito por seu ideal.
Atormentava-o o problema do amor e, logo, o da dor e da morte, que resolvia à luz da fé.
“Não tenho a Santa Eucaristia – escreve em 09 de setembro de 1917 –. Vivo aqui como um pagão ou uma fera, como se o ‘Agnus’ (Cordeiro) não fosse já o centro do cosmos, como se não existisse nada. Deus Consolador, vem compenetrar minha natureza com ‘átomos de eternidade’, para que, mais semelhante a Ti, compreenda o curso de minha existência”.
Em 05 de fevereiro de 1918, estando na frente de batalha, escreveu em seu diário: “Nunca esquecer-se de Deus. Desejar sempre unir-se a Ele. Todos os dias, de preferência ao amanhecer, dedicar-se à meditação, à oração, se possível próximo da Eucaristia ou durante a Santa Missa. Nesses momentos, se hão de fazer os projetos para a jornada que começa, se examinam seus próprios defeitos e se pede a graça para superar todas as debilidades. Seria terrível que esta guerra não produzisse em mim nenhum efeito positivo... Devo começar uma vida regenerada com o espírito do novo conhecimento catolicismo. Confio somente na ajuda do Senhor, porque o homem não pode fazer nada por si mesmo”.

Depois da I Guerra Mundial, prosseguiu seus estudos de filosofia em Viena (1919-1920). Logo se mudou para Paris, onde estudou na Sorbonna e no Instituto Católico (1920-1922). Com sua tese sobre “a influência da liturgia nos escritores franceses desde Chateaubriand até nossos dias”, obteve o doutorado em filosofia na universidade de Zagreb (1923). Durante o resto de sua breve vida, foi professor de língua e literatura francesa e alemã no Instituto Arquiepiscopal de Zagreb, realizando com entrega exemplar seus deveres de estado.

Colaborou como apóstolo dos jovens, primeiro na Liga dos Jovens Católicos Croatas e, logo depois, na Liga Croata das Águias, que impulsionou e com a qual inaugurou na Croácia a Ação Católica promovida pelo Papa Pio XI. Segundo ele, a organização devia contribuir antes de tudo a formar uma elite de apóstolos da santidade. Com esse fim, devia servir também para a renovação litúrgica, da qual foi um dos primeiros promotores na Croácia, antecipando quatro décadas as diretrizes do Concílio Ecumênico Vaticano II nessa matéria.

Em seu trabalho não lhe faltaram incompreensões e dificuldades de diversos tipos, que afrontava com uma serenidade admirável, fruto de sua contínua união com Deus na oração. Na opinião daqueles que o conheceram bem, “com sua mente e seu coração mantinha imerso no sobrenatural”.

Convencido de que o meio mais eficaz para a salvação das almas é o sofrimento oferecido ao Senhor, oferecia suas penas físicas e morais para obter a benção para suas atividades apostólicas e, já próximo de sua morte, ofereceu também sua jovem vida por suas “águias”. Morreu em Zagreb, no dia 10 de março de 1928, aos 32 anos de idade, com fama de santidade.



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O jovem Beato Ivan Merz é apresentado como “programa de vida” para os jovens (23 de junho de 2003):

Ao regressar pela segunda vez aos Balcãs em menos de quinze dias, São João Paulo deixou como modelo para os católicos o testemunho de um jovem intelectual, que se dedicou à formação da juventude, Ivan Merz. Na Missa de Beatificação realizada no dia 22 de Junho de 2003, em Banja Luka, o Papa apresentou o novo Beato como um “jovem brilhante”, de quem se pode dizer “que sua vida foi um êxito”. “O motivo pelo qual hoje é inscrito no registro dos beatos não é esse. O que o introduz no coro dos Beatos é o seu êxito diante de Deus: em toda a sua atividade procurou o sublime conhecimento de Jesus Cristo e se deixou conquistar por Ele”, declarou São João Paulo II.


Rara foto do Beato Ivan Merz. 
Nascido em 1896 em Banja Luka, na Bósnia ocupada pelo império Austro-Húngaro, no seio de uma família liberal, Ivan Merz estudou na Universidade de Viena até 1916, quando foi enviado ao “front” na I Guerra Mundial. No final do conflito encontrava-se em Banja Luka, onde assistiu ao nascimento do novo estado jugoslavo. Sendo leigo, converteu-se no promotor do movimento litúrgico na Croácia, adiantando-se ao Concílio Vaticano II e foi pioneiro da Ação Católica nesse país. “Participando na Missa, alimentando-se do Corpo de Cristo e da Palavra de Deus, encontrou o impulso para converter-se em apóstolo dos jovens” – constatou o Papa. Não é por acaso que escolheu como lema “Sacrifício-Eucaristia-Apostolado”». O novo Beato morreu em Zagreb, com fama de santidade, em 1928, quando só tinha 32 anos. “O nome de Ivan Merz supôs um programa de vida e de ação para toda uma geração de jovens católicos”, reconheceu o Papa. “Também hoje deve continuar a sê-lo”. Ivan Merz é o primeiro leigo da Croácia e de Bósnia-Herzegovina elevado aos altares.