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segunda-feira, 31 de julho de 2017

SÃO LUÍS GUANELLA, Presbítero, Pároco e Fundador

Dom Bosco, pai e mestre da juventude e dos salesianos, cativou e auxiliou muitos homens e mulheres na descoberta e vivência de suas vocações através do carisma de sua Congregação Salesiana. Dentre estes muitos seguidores de sua obra, destacamos Luís Guanella, o qual foi declarado pelo Papa Paulo VI venerável em 6 de abril de 1962 e beatificado em 25 de outubro de 1964. Foi canonizado pelo atual Papa Bento XVI em 23 de outubro de 2011.





Nascido em 19 de dezembro de 1842, na aldeia alpina de Francisco di Campodolcino em Val San Giacomo, na província de Sondrio, Itália, Luís foi o nono dos treze filhos de uma família montanhesa dotada de sólidos princípios cristãos. Possuía um caráter forte, no qual a firmeza, temperança e espírito de sacrifício eram marcas de destaque. Era mais ainda possuidor de uma forte fé, enriquecida e alimentada pela piedade popular adquirida na convivência com os pobres e povo simples. Fez seus estudos no Colégio Gallio de Como e em vários seminários diocesanos.

São Luís Guanella e os primeiros membros de sua congregação.


Sinais precoces da vocação

Desde muito cedo, numerosos indícios, premonições e acontecimentos extraordinários iam indicando ao pequeno Luís as vias traçadas para ele pela Providência Divina.
Um destes fatos ocorreu no dia de sua Primeira Comunhão, aos nove anos. Por ser Quinta-Feira Santa, não houve festa e, regressando a casa, mandaram-no cuidar das ovelhas, como em qualquer dia comum. Ainda tocado pela graça, sentou-se em um dos gramados da colina Motto, parecido a um sofá, onde costumava descansar enquanto pastava o rebanho, e pôs-se a rezar a Nossa Senhora, agradecendo-Lhe a ventura de haver recebido Jesus em seu coração.
Sentia-se tomado por uma suave doçura que o impelia a fazer generosos bons propósitos. Contudo, a certa altura caiu no sono com seu livrinho de orações nas mãos e foi acordado por uma voz feminina que o chamava pelo nome. Não vendo ninguém ao redor, julgou tratar-se de um sonho. Retomou a leitura e adormeceu novamente.
Mais uma vez, o fato se repetiu. E, como aconteceu com Samuel (cf. II Sm 3, 8), ainda houve uma terceira vez, na qual a voz se fez ouvir mais forte e nítida: “Luís, Luís”. Nesse momento, narra o santo, “eis que vejo uma Senhora estendendo seu braço direito como a indicar alguma coisa. Ela me disse: ‘Quando você for adulto, fará tudo isso em prol dos pobres’. E como num telão, vi tudo o que deveria fazer”.



Forjando o temperamento

Aos doze anos Luís recebeu uma bolsa de estudos e matriculou-se no Colégio Gálio, em Como. Fortalecido pela frequência aos Sacramentos e sua ardorosa devoção a Maria, ali cultivou os germens da vocação, manteve-se firme em seus princípios e inabalável no grande apreço às virtudes da castidade e da modéstia, apesar dos ventos revolucionários e liberais que sopravam na Itália e no mundo. Após seis anos de colégio, ingressou no seminário diocesano Santo Abôndio, onde ficou ainda mais vincada a vocação específica que a Providência lhe dera desde a infância. Ao retornar, durante as férias, à sua aldeia natal, empenhava-se em ajudar os pobres e enfermos da região, sobretudo os mais desamparados.



Equilíbrio entre firmeza e doçura

O pai, Lorenzo di Tomaso Guanella, corpulento, robusto e de rija personalidade, inspirava confiança pela sua simples presença. Assim o descreverá o filho, em sua Autobiografia: “Esbanjava saúde e seu caráter era firme e decidido, à semelhança do monte Calcagnolo, logo acima de Fraciscio”.
A mãe, Maria Antonieta Bianchi, piedosa e dedicada ao trabalho, como o marido, contrastava com este por sua notável doçura de trato. A seu respeito escreveu o padre Luís Guanella: “O peso da autoridade paterna, no tocante aos filhos, era contrabalançado, providencialmente, pela mãe […] uma mulher criativa e muito amorosa; um tesouro da Providência!”.
Entre os irmãos, todos se relacionavam bem. Mas Catarina, apenas um ano mais velha, foi sua predileta. Ainda crianças, conversavam sobre as peripécias dos santos e aprenderam a ver nos pobres a figura de Jesus. Perto de sua casa, havia uma rocha com cavidades que pareciam panelas. Ali, as inocentes crianças misturavam água e terra, e mexiam aquela mescla dizendo: “Quando formos adultos, faremos assim a sopa dos pobres”.




Uma espada de fogo no ministério santo”

Em um ambiente de ressentimento e raiva, marcado pelas profanações de igrejas realizadas em Como pelos seguidores de Garibaldi, Luís foi ordenado presbítero, em 26 de maio de 1866. Naquele dia, com a alma transbordante de júbilo, o novo sacerdote fez uma promessa a Deus e a seus irmãos: “Quero ser uma espada de fogo no ministério santo!”.




Três anos de “aprendizagem” com Dom Bosco

Mais tarde, atraído pela pessoa de São João Bosco, optou por se dirigir a Turim. Ali passou três anos (1875-1878) em “aprendizagem”, como diria depois, seguindo os passos do fundador dos salesianos no caminho da santidade e colaborando com sua obra pedagógica em favor da juventude. Nesta mesma ocasião, conheceu a obra caritativa de São José de Cottolengo, a qual também deixou profundas impressões em sua alma.
Convocado por seu Bispo, regressou à Diocese de Como. Sair de Turim, separar-se dos salesianos e principalmente de Dom Bosco, foi-lhe muito doloroso. “Não senti tamanha dor nem mesmo quando faleceram meus pais, tendo-os em meus braços”, afirma em sua Autobiografia.





Primeira casa da Divina Providência

Na paróquia de Traona, para onde foi enviado em 1878, com a missão de ajudar o pároco enfermo, tentou transformar um antigo convento em escola para jovens pobres aspirantes ao sacerdócio, no estilo salesiano. Poucos meses depois, recebeu ordem de ir para Pianello. Ali um orfanato e um asilo fundados por seu predecessor recém-falecido, o padre Carlos Coppini, postos sob os cuidados de algumas jovens aspirantes à vida religiosa. Foi a partir deste empreendimento que se originou, em 1886, sua primeira fundação, a Congregação das Filhas de Santa Maria da Providência. Abriu por fim, em Como, a primeira Casa da Divina Providência – mesmo nome utilizado por São José de Cottolengo -, com o objetivo de atender os pobres e necessitados. A instituição começou a crescer e não faltaram generosos benfeitores nem almas dispostas a se dedicarem àquela obra de caridade.
Numa viagem a Turim, pediu orientação a Dom Bosco sobre seu desejo de fundar também um instituto masculino. Este lhe mostrou a conveniência de tal empresa e nasceu, assim, sob as bênçãos do Arcebispo de Milão, Beato André Carlos Ferrari – que até 1874 fora Bispo de Como – a Congregação dos Servos da Caridade.




Mais necessário é morrer bem…

Depois de passar inúmeras vicissitudes e provas, Dom Guanella viu, no fim de sua existência, sua obra expandir-se por quatro continentes. Convencido de que os homens são meros instrumentos, pois “è Dio che fa” – quem faz é Deus – o fundador estimulava o ardor missionário dos seus filhos e filhas dizendo-lhes: “Vossa pátria é o mundo”. Ele próprio acompanhou a fundação de novas casas em outros países, como a dos Estados Unidos, em 1912.
Em meio a tantas atividades, ainda encontrou tempo para escrever numerosas obras de formação cristã, além de mais de três mil cartas nas quais transparecem suas virtudes, seu senso profético e seu particular amor aos pobres e abandonados.
Coroando uma vida santa, essa boa morte chegou também para Dom Guanella, em 24 de outubro de 1915, aos 73 anos de idade. Seu corpo é venerado no Santuário do Sagrado Coração, em Como. Possa sua elevação à honra dos altares desvelar ao mundo de hoje, tão confiante em si mesmo, o segredo de sua santidade como modelo a ser seguido: abandonar-se nas mãos da Providência Divina, certo de que, por mais que os homens atuem, “è Dio che fa”!



Sobre seus escritos

Nos dois últimos anos Guanella editou o texto “Os caminhos da Providência”, uma espécie de autobiografia na qual expõe as vicissitudes da sua missão caritativa. No texto abre seu coração para explicar aos coirmãos a insistência obstinada no tocante às suas opções, não obstante as inúmeras contrariedades. Para ele tratava-se de uma missão que se fundamentava no chamado de Deus e na sua Providência. A obra é fundamental para entender a vida e a missão de Luís Guanella.
São Guanella redigiu muitos textos. Quando trabalhava nas Paróquias publicou 41 obras divididas em 45 opúsculos com diversos conteúdos: pastoral, histórico para a edificação do povo. Quando iniciou sua obra caritativa, redigiu regulamentos, estatutos, regras, constituições e cartas circulares para a formação de seus discípulos, sacerdotes e irmãs. Conservam-se, até hoje, 3.200 cartas escritas por ele. Publicou a revista mensal “A Divina Providência”, redigindo numerosos artigos.



O carisma de São Luís Guanella

No tocante a estes escritos procedeu-se a um estudo do carisma e da espiritualidade do bem-aventurado. Diversos escritores se dedicaram a esta tarefa (Leonardo Mazzucchi, Attilio Beria, Pietro Pasquali). Seu carisma é o anúncio bíblico da paternidade de Deus. Essa paternidade divina, constitui, para Guanella, uma profunda experiência pessoal, com uma conotação mística e profética. Isso faz com que sua santidade e missão tenham uma dimensão típica e qualificada. Uma experiência que tem em vista comunicar, particularmente aos mais pobres e abandonados que Deus é Pai de todos, um Pai que não esquece e não marginaliza nenhum de seus filhos. Em semelhante perspectiva são valiosos seus dois livros “Andiamo al Padre” (“Vamos ao Pai” – 1880) e “Il Fondamento” – “O Fundamento” – 1885). Suas casas se organizam de modo coerente com base nas necessidades das pessoas, com estilo de família e adotam um método específico, o assim chamado “método preventivo” (cf. Regulamento dos Servos da Caridade, 1905), confiadas à paternidade de Deus. A orientação e a condução são confiados a Ele: “É Deus quem faz”.
A santidade de Luís Guanella encontra-se não somente na perfeição moral, mas também na ontológica, em consonância com a experiência da paternidade de Deus. Sempre procurou, desde a juventude, uma coerência entre o pensar, o crer e o agir. Seu professor de religião consegue notá-lo desde o tempo de ginásio: “procura aprofundar, com particular diligência, tudo o que se ensina. Sente e ama o que aprende, transformando-o em vida” (Registros escolares, arquivo do Colégio Gallio em Como). Na condição de sacerdote, ministro do Senhor, seu encontro com Deus Pai consistiu numa participação à sua imensa caridade, à onipotência criativa e providente, à misericórdia encarnada e redentora; e tornou-se um caminho para o encontro dos homens com Deus, através e mediante a caridade do santo para os irmãos necessitados (cf. G.L. “Il montanaro”, 1885, pág. 32-34).
Acrescente-se a tudo isso o específico daquela época: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, à Virgem Imaculada e uma ascese austera de penitências, de oração, de severidade e observância, de trabalho e sacrifício para a missão caritativa. Mas havia um modo específico para a ação, dando espaço a algumas características: simplicidade, tolerância, misericórdia, esperança alegre, características essas que praticamente contrastavam com o seu caráter enérgico, voluntarioso, decidido para enfrentar obstáculos, algumas vezes impulsivo e irascível. Neste caminho rumo à santidade, Guanella conduziu sua discípula, Irmã Clara Bosatta, obra-prima da sua arte de educador e de diretor espiritual.



ORAÇÃO A SÃO LUÍS GUANELLA

Senhor Jesus, Tu vieste sobre a terra para oferecer a todos o amor do Pai e para ser sustento e conforto aos pequeninos e sofredores. Agradecemos-te por ter nos dado o teu servo fiel, São Luís Guanella, como sinal do grande amor de Deus.
Faz com que o exemplo da sua vida possa resplandecer em todo o mundo para a glória de Deus Pai e para o auxílio do povo cristão.
Pela sua intercessão, concede-nos a graça que neste momento te pedimos… e faz com que possamos imitar suas virtudes:

A ardente piedade para com a Eucaristia, a confiança serena na providência, a caridade terna para com os mais pobres, a paixão pastoral pelo teu povo, a fim de que, junto com ele, possamos receber o prêmio da alegria que preparaste para nós na casa do Pai.
Amém!
*Com a aprovação do cardeal Ângelo Comastri.

Relíquia de São Luís Guanella nas mãos do agraciado
pelo milagre que o elevou aos altares.



Fontes:
auxiliadoracampinas.org.br/especiais/santos-salesianos
santidadefs.blogspot.com/2012/10/sao-luis-guanella-o-servo-da-caridade.html+&cd=15&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Imagens do Google.


domingo, 30 de julho de 2017

Nota de falecimento: Irmã Célia Candorin, religiosa e postuladora de várias causas de beatificação e canonização.


É com grande pesar que o blog Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus comunica o falecimento de Irmã Célia Cadorin, religiosa da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, maior postuladora de causas canônicas do Brasil, responsável pelas beatificações e canonizações de Santa Paulina e de Santo Antônio Galvão, bem como pelas beatificações da Beata Dulce dos Pobres, da Beata Lindalva Justo de Oliveira, do Beato Victor de Jesus (Pe. Victor) e da Beata Francisca de Paula (Nhá Chica).
Foi chamada à Casa do Pai por volta das 21 horas deste sábado (ontem), dia 29 de julho de 2017. Seu sepultamento será hoje, domingo, às 14 horas, em Bragança Paulista, SP.
Como todos devem saber, o processo de beatificação/canonização de um (a) candidato (a) aos altares é um dos mais complicados, desgastantes e importantes serviços que se pode fazer na Igreja. É um trabalho hercúleo! Só muito amor à Igreja e dedicação ao chamado podem explicar tamanha dedicação .  Além disso, tem que ter MUITA competência e paciência para saber bem conduzir o processo, quase sempre demorado e dispendioso.
Unamos nossa voz à voz de muitos que lamentam o falecimento de Irmã Célia e peçamos que sua bela alma seja rapidamente admitida à visão beatífica, conduzida pelos gloriosos Santos e beatos que, com seu extenuante trabalho e grandes esforços, ajudou a beatificar e canonizar, especialmente sua madre fundadora, Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, a primeira a ser reconhecida Santa no Brasil.
Abaixo, belíssimo poema de meu confrade na Academia Brasileira de Hagiologia, o hagiólogo Dr. José Luís Lira: 





sábado, 29 de julho de 2017

SANTA EDVIGES D'ANJOU, RAINHA DA POLÔNIA (dois textos biográficos)



Hoje, trago aos leitores do blog a história de Santa Edviges d’Anjou, Rainha da Polônia. Não confundir esta santa com Santa Edwiges da Silésia, a “santa dos endividados”, muito querida e cultuada aqui em nosso país. Esta, foi canonizada no século XIII, enquanto aquela, bem mais recentemente, em 1997, pelo Papa São João Paulo II.

Edviges d'Anjou foi rainha da Polônia a partir de 1384 e grã-duquesa da Lituânia a partir de 1386. Filha de Luís I, rei da Hungria e da Polônia e de Isabel Kotromanic da Bósnia, sucedeu seu pai em 1382 na Polônia, enquanto sua irmã Maria herdou o trono da Hungria.

     Embora seja chamada de "rainha", Edviges foi de fato coroada como "Rei da Polônia" (Hedvigis Rex Poloniæ e não Hedvigis Regina Poloniæ). O gênero masculino do seu título significava que ela era monarca de pleno direito, enquanto que o título de rainha era atribuído às esposas dos reis. Edviges pertencia à Casa Real dos Piast, antiga dinastia nativa da Polônia, sendo bisneta de Ladislau I, que reunificou o reino polonês, em 1320.
     Como rainha, Edviges teve efetivamente poderes limitados, mas foi muito ativa na gestão política do reino e na vida diplomática e cultural de seu país.
     No final do primeiro milênio, os apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo tinham ido à terra dos Piast. Naquela época Mieszko I recebeu o Batismo, e isto constituiu ao mesmo tempo o Batismo da Polônia. Séculos depois, os poloneses batizados contribuíram para a evangelização e o Batismo dos seus vizinhos, graças à obra de Edviges.
     Após consultas ao Arcebispo de Bodzanta, ao Bispo de Cracóvia Jan Radlica, a outros nobres do reino polonês, e muita oração diante do Crucifixo de Wawel, ficou estabelecido seu casamento com Jogaila, Grão-Duque da Lituânia, o qual havia prometido receber o Batismo – bem como toda sua Nação, último país pagão na Europa – e unir a Lituânia à Polônia. As bodas se realizaram a 18 de fevereiro de 1386. Convertido ao Catolicismo, o grão-duque foi batizado recebendo o nome de Ladislau II.
     Consciente da missão de levar o Evangelho aos irmãos lituanos, Edviges fê-lo juntamente com o seu esposo. Um novo país cristão, renascido das águas do Batismo, surgiu no Báltico, como no século X a mesma água fizera renascer os filhos da Nação polonesa. Uma vez aberta a estrada para a cristianização da Lituânia, Edviges, coerente no agir, procurou assegurar ao povo recém-batizado uma formação religiosa fundando em Praga um Colégio para os futuros sacerdotes daquela Nação.
     Edviges fora educada na leitura religiosa clássica desde tenra infância. Lia a Sagrada Escritura, o Saltério, as Homilias dos Padres da Igreja, as meditações e orações de São Bernardo, os Sermões e a Vida dos Santos, etc. Algumas destas obras foram traduzidas para a língua polonesa para ela e para seus súditos. A Rainha ordenou a execução de um saltério em três versões linguísticas, chamado Saltério Floriano, o qual se encontra hoje na Biblioteca Nacional de Varsóvia.
     Ela doou as próprias joias para financiar a recuperação da Academia de Cracóvia que, no século XIX, passou a se chamar Universidade Jagelônica, em homenagem à Dinastia Jagelônica, sucessora dos Piast. Nesta Universidade educaram-se e ensinaram pessoas que tornaram o nome da Polônia, e daquela cidade, famosos no mundo inteiro. A fama desta Universidade foi durante séculos um motivo de orgulho para a Igreja de Cracóvia. Dela saíram estudiosos da qualidade de São João Kanty, que exerceram não pouca influência no desenvolvimento do pensamento teológico da Igreja universal.
     Visitando os hospitais medievais (Biecz, Sandomierz, Sącz, Stradom) podemos admirar as numerosas obras fundadas pela misericórdia da soberana.
     A Santa Rainha tinha compreendido o ensinamento de Nosso Senhor e dos Apóstolos. Muitas vezes ela se ajoelhara aos pés do Crucifixo de Wawel para aprender dEle mesmo o amor generoso. E com Ele, do Cristo de Wawel, este Crucifixo negro que os habitantes da Cracóvia visitam em peregrinação na Sexta-Feira Santa, a Rainha Edviges aprendeu a dar a vida pelos irmãos. A sua profunda sabedoria e a sua intensa atividade brotavam da contemplação, do vínculo pessoal com o Crucificado.
     Perita na arte da diplomacia, ela lançou os fundamentos da grandeza da Polônia do século XV. Incentivou a cooperação religiosa e cultural entre as nações, e enriqueceu a Polônia com um patrimônio espiritual e cultural. Graças à profundidade da sua mente Cracóvia se tornou um importante centro do pensamento na Europa, o berço da cultura polonesa e a ponte entre o Ocidente e o Oriente cristãos.
     A sua bondade e senso de justiça era fruto de uma vida de muito sofrimento. Coroada aos dez anos, em 1384, aos doze deixou seu país natal. Em 1387 perdeu sua mãe, em 1395 sua irmã. Era vítima de calúnias difundidas no mundo europeu que tentavam criar animosidades entre seu esposo bem mais velho e ela; enfrentou dificuldades políticas e humanas, sofreu também com o fato de durante vários anos não poder dar um herdeiro ao trono.
     Para aproximar os súditos poloneses, lituanos e rutenos dos frutos espirituais da Igreja, pediu ao Papa Bonifácio IX a graça de poder celebrar o Ano Santo de 1390 no próprio país. Seu pedido foi motivado pelos grandes perigos políticos e sociais a que estariam expostos os peregrinos numa viagem à Roma. O Papa atendeu seu pedido, enviando, em 1392, o seu legado, João de Pontremoli, com a bula e as respectivas instruções.
     A Santa Rainha fundou, em 1393, o Colégio dos 16 Salmistas, para que noite e dia se louvasse a glória de Deus.
     Finalmente a Santa Rainha recebeu a graça de se tornar mãe, mas gozou por pouco tempo a alegria da maternidade física, porque a herdeira do trono, Isabel Bonifácia, morreu pouco depois. Quatro dias depois, em 17 de julho de 1399, Edviges falecia, em decorrência de complicações do parto, aos 25 anos e cinco meses. A Dieta da Polônia elegeu Ladislau II para sucedê-la. Este teve como sucessores os filhos havidos com sua última mulher, Sofia de Halshany.
     Apesar da veneração espontânea do povo polonês que a considerava Santa, foram necessários seiscentos anos para que o seu culto fosse reconhecido oficialmente pela canonização, o que ocorreu no dia 8 de junho de 1997, em Cracóvia, Polônia, durante a visita de São João Paulo II àquela cidade.

O Crucifixo Negro e a Rainha Santa Edviges

     O Crucifixo Negro foi trazido para a Polônia por ela mesma em 1384. Santa Edviges passava horas rezando diante do crucifixo e em várias ocasiões Nosso Senhor lhe falou por meio dele. Desde 1745 o Cristo Negro, de 13 pés de altura, ocupa a parte central do altar barroco da Catedral. A Santa Sé declarou que ouvir a Santa Missa neste lugar obtém a graça de livrar uma alma do Purgatório.
     Quando a Rainha Edviges foi beatificada, em 1987, suas relíquias foram transferidas para o altar do Crucifixo Negro.

Etimologia: Edviges = do alemão antigo Haduwig, composto de sinônimos “luta” (hadu) e “combate” (wig). Outros: “lutadora que odeia”. Hedwig em alemão; Jadwiga em polonês; Eduvigis em espanhol; Edvige em italiano; Hedvigis em latim.







Segundo texto biográfico:

A única mulher no trono da Polônia. Jovem, formosa, inteligente… e poderia ter tudo o que queria! Ela escolheu o bem-estar dos seus súditos e do país que governava. Esta escolha deu estabilidade e prosperidade à Polônia pelos cem anos seguintes. No entanto, a Rainha Edviges ficou mais conhecida por sua gentileza, sua valentia, sua sabedoria e seu carinho por seus súditos.

Uma Rainha Europeia
Edviges Andegaweńska nasceu no dia 18 de fevereiro de 1374 em Buda; atualmente Budapeste. Filha dos monarcas da Hungria e Polônia, Luís e Isabel da Bósnia. Por suas veias corria sangue dos seus antepassados franceses, poloneses, húngaros e bósnios.
No século XIV a situação política do Leste da Europa era bastante tensa. Os monarcas buscavam ampliar os limites dos seus países através de batalhas e laços matrimoniais, que incluíam o casamento entre as descendências de determinados aliados. Pai de três filhas, o Rei Luís pensou da seguinte maneira: à primeira filha, Katarzyna, lhe daria a coroa da Hungria; à filha do meio, Maria, a coroa da Polônia; e à filha caçula, Edviges, a predestinaria a “formar uma aliança” com Áustria, onde governava a casa dos Habsburgo.
Os políticos poloneses discordaram da escolha do esposo de Maria, Sigismundo de Luxemburgo, para rei e propuseram que fosse a jovem Edviges quem ocupasse o trono. Ela iria se casar com um príncipe lituano, o que contribuía com o fortalecimento das fronteiras com os Cavaleiros Teutônicos, que constantemente exigiam o pagamento de tributos aos governadores poloneses. Esta união também levaria o Batismo aos lituanos. Pequena, mas esperta e madura para sua idade, a princesa não estava muito contente com o desenrolar dos acontecimentos. Completamente comprometida com a causa, Edviges trouxe consigo para o Wawel uma ajuda especial para as dificuldades que estava atravessando: um crucifixo. Um crucifixo negro, conhecido também como “a Cruz de Edviges”. O Crucificado foi seu confidente e conselheiro, e a consolou até o fim dos seus dias. Em 16 de outubro de 1384, com 10 anos de idade, Edviges foi coroada como Rainha da Polônia.


Um espinho no coração
Apesar de sua coroação, seu compromisso prévio com o príncipe William da Áustria seguia sendo importante para ela; o príncipe não era indiferente à rainha e queria casar-se com ela. Foi muito difícil para Edviges aceitar a decisão dos políticos, os quais, aparentemente, queriam tirá-la do Wawel. Procurando ajuda em seu desespero, a solitária rainha recorreu ao Bispo de Cracóvia. Ele explicou- lhe que um matrimônio com o príncipe lituano Jagiełło seria uma inestimável contribuição para a expansão do Cristianismo na Europa. Edviges se dirigiu à Catedral para lamentar-se e pedir ajuda. Enquanto estava rezando, aparentemente o próprio Jesus falou com ela do alto da Cruz: “Faça o que você vê”, lhe disse. A decisão, apesar das dificuldades, foi evidente para Edviges.
No dia 15 de fevereiro casou- se com o príncipe Jagiełło, batizado com o nome de Władysław, 30 anos mais velho que ela. Três dias depois do casamento, Władysław Jagiełło foi coroado rei da Polônia.



Monarca Bondosa
Edviges era uma jovem alta e de cabelos ruivos. Na Europa, ela era famosa não unicamente por sua beleza, mas também, por seu agudo sentido de diplomacia e sua profunda devoção. Além de falar polonês e húngaro com fluência, também sabia latim, alemão e italiano. Era muito segura de si mesma e tinha forte personalidade.
Ela se ocupou em levar a fé à Lituânia; para isso, organizou um collegium especial na Universidade de Praga, onde foi possível formar os futuros príncipes da Lituânia. Havia “algo” nela que conquistava a todos. Conseguiu reconciliar os Jaguelonianos que estavam em conflito devido a problemas dinásticos na Lituânia. Conhecia política e encontrou- se pessoalmente com líderes de nações que eram hostis à Polônia, para negociar e acordar condições para projetos conjuntos.
Além de suas preocupações políticas, era muito importante para ela o bem-estar de seus súditos; foi assim que fundou muitos hospitais e igrejas. Existe uma lenda ligada à construção de uma delas: a igreja Carmelita da Bendita Virgem Maria “na Piasku”. Um dia, quando a rainha chegou ao canteiro de obras, percebeu que um dos trabalhadores estava muito triste. Isto realmente a comoveu e a fez perguntar qual era o motivo da sua tristeza. Ele respondeu e contou-lhe sobre as dificuldades que sua família estava passando: sua esposa, mãe de três filhos, estava muito enferma, a ponto de morrer e, por outro lado, apesar de seu trabalho na obra, ele não podia pagar os gastos do tratamento. A situação deste homem comoveu profundamente a rainha Edwiges, por isso ela se inclinou sobre um de seus pés e arrancou o broche de ouro de um dos sapatos para dá-lo. Ela, sem querer, pisou sobre uma pedra coberta com cimento fresco e deixou a pegada de seu pé ali. Quando se foi, o empregado viu a pegada sobre a pedra e a colocou em uma das paredes da igreja. Nos dias de hoje, pode-se ver em um dos cantos da igreja Carmelita, na rua Karmelicka, protegida por pequenas grades, a impressão do pé da rainha Edviges.



Benfeitora da Academia de Cracóvia
A rainha Edviges realmente ocupou-se de sua relação com Jesus e fez tudo o que estava a seu alcance para aproximá-lo de sua família e de seus súditos. Rezava muito, e mortificava- se também. Comprometeu-se com a propagação da Palavra de Deus, investindo na tradução das Sagradas Escrituras e dos escritos dos Padres da Igreja para a Catedral de Wawel. Ela queria também que louvassem sem cessar ao Senhor com salmos, e assim fundou um colégio de salmistas, formado por dezesseis pessoas, para que louvassem a Deus noite e dia. Em função de fortalecer as bases da fé do Reino da Polônia, doou sua fortuna à reforma e expansão da empobrecida Academia de Cracóvia. Obteve permissão do Papa para abrir uma Faculdade de Teologia que colaborou com a rápida evangelização na área do vasto império do reino polonês, lituano e das terras rutenas. A Faculdade teve uma grande influência no crescimento acadêmico da universidade que, a partir deste momento, foi reconhecida na Europa e cuja reativação teve um significado muito importante para a história da Polônia. Foi ali, na chamada Universidade Jaguelônica do século XIX, onde cursaram seus estudos, personalidades como Paweł Włodkowic, Mikołaj Kopernik, São João Cancio, Stanisław Wyspiański, Karol Wojtyła e o atual presidente da Polônia, Andrzej Duda, entre outros.


“Temos pressa para amar os demais…”
Edviges e Władysław reinaram juntos por quase 13 anos. Apesar de uma grande diferença de idade, eles se entendiam perfeitamente. Władysław realmente amava Edviges quem, apesar das muitas dificuldades que atravessaram no começo do relacionamento, também chegou a amá-lo. Respeitavam-se muitíssimo um ao outro. O rei queria um filho, um herdeiro. Edviges deu à luz a uma menina, Isabel Bonifácia, que com três semanas, faleceu. Dois dias depois, devido a complicações no parto, aos 25 anos de idade, Edviges também morreu. Sua morte foi um forte golpe para o reino e a notícia se propagou por toda a Europa. A Rainha foi enterrada na Catedral de Wawel. Jagiełło, apesar de ter casado-se mais três vezes, levou consigo o anel de sua amada Edviges até o fim de seus dias.




Uma natureza única que permanece além do tempo
As pessoas que lembravam a bondade e a excepcionalidade da rainha vieram à Catedral, a fim de agradecer a Deus pelo dom de sua vida. Eles também acreditavam em sua santidade e pediram a sua intercessão. Numerosas oferendas em seu túmulo deram testemunho de que sua intercessão foi eficaz. Pouco tempo depois de sua morte, começaram as diligências para sua beatificação, no entanto, houve certos problemas, econômicos e políticos, que adiaram o processo, até que o nomeado Papa, São João Paulo II, a beatificou e mais tarde, no dia 8 de junho de 1997, a canonizou no Parque Błonia, em Cracóvia. Este evento foi muito significativo já que, foi a primeira missa de canonização em terras polonesas. Recordamos Santa Edviges, padroeira da Polônia, em 8 de junho.


Fonte: 

Site da TV Século 21: https://www.rs21.com.br/especiais/jmj/santa-edviges-rainha-da-polonia-1374-1399/

quarta-feira, 26 de julho de 2017

VENERÁVEL TERESA VALSÉ PANTELLINI, Virgem e Religiosa Salesiana



Início do processo: 6-12-1926
Venerável: 12-07-1982

Teresa Valsé Pantellini nasce em Milão no dia 10 de outubro de 1878 e foi batizada na paróquia dedicada a São Francisco de Paula. Pertencente a uma rica família, o pai José Valsé, grande cristão e grande trabalhador, ainda jovem, mudou-se para o Egito, onde tinha aberto uma rede de hotéis que o tornou rico, estimado, apreçado também por altas personalidades e homens de poder. Lá casou-se com Josefina Viglini, uma burguesa de origem italiana. Dessa maneira, Teresa passa os primeiros anos de sua vida no Egito. O pai educa a filha a amar os pobres e a sempre ajudá-los. Em 1882 José, prevendo as ações de xenofobia que serpeavam na região, transfere a família, definitivamente, para a Itália. Primeiramente para Milão e, em seguida para Florença. Em 1890, em sua própria casa, Repouso dos Bispos de Fiesole, morre José, deixando a mulher e três filhos: Ítalo, o primogênito, Teresa e Josefina.
É um golpe muito duro para todos, em particular para Teresa que é muito ligada ao pai. A mãe transfere a família para Roma a fim de favorecer os estudos universitários do irmão Ítalo. Teresa entra no colégio das Damas do Sagrado Coração e empenha-se nas Conferências de São Vicente. A mãe assegura aos filhos a melhor educação nos colégios florentinos.
Teresa tem 12 anos e amadurece um mais profundo espírito de oração. Há muito tempo Teresa cultiva uma profunda vida espiritual que lhe
oferece um estilo de comportamento adequado à sua posição social, mas modelado sobre critérios decididamente evangélicos: um amor preferencial por Deus que a leva a viver momentos prolongados de oração; uma forte sensibilidade pelos pobres, com os quais é generosa na ajuda e na proximidade; uma acentuada sensibilidade educativa. Recebe uma acurada instrução literária e artística, e cultiva as virtudes humanas sob a guia doce mas exigente da mãe. Percebe no dia da primeira comunhão o chamado ao estado religioso e oferece-se ao Senhor com profunda alegria.
Luxo, riqueza e divertimentos não lhe faltam, mas vive um constante espírito de alegre mortificação escondida. Seu diretor espiritual é o servo de Deus Monsenhor Radini Tedeschi, futuro bispo de Bergamo, que escolherá o Pe Ângelo Roncalli como secretário. Encorajada pelo seu guia espiritual, Teresa decide bater às portas do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora em Roma, “para entregar-se ao Senhor irrevogavelmente – como diz ela mesma – para a educação das pobres meninas do povo”.
Sentindo o chamado à vida de consagração e, superando duros obstáculos, depois da morte da mãe entra no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora. É o dia 2 de fevereiro de 1901. Teresa tem 22 anos. No momento da decisão de se tornar religiosa, tinha escrito ao irmão Ítalo: “Decidi irrevogavelmente”.
Faz a profissão religiosa em 1903, depois de um válido tirocínio como educadora entre as oratorianas do Trastevere. As casas de Bosco Parrasio e de Via da Lungara hospedam no oratório as meninas mais pobres do bairro, pequenas empregadas das casas dos ricos. Entre as religiosas da comunidade, Ir. Teresa é a mais querida pelas jovens, que sentem o fascínio pela sua presença sorridente e gentil. Possui uma saúde precária quando começa a trabalhar neste ambiente, mas não se importa com os sacrifícios e, absolutamente, não faz pesar o seu passado.
As irmãs do seu tempo recordam-na assim: “Ir. Teresa sabia tomar as transtiberinas pelo lado delas: de fato, era hábil em manter a disciplina, passando por mil formas de falta de civilidade e por várias grosserias”. Uma das meninas, por uma negativa recebida, cuspiu-lhe no rosto. E ela suportou o gesto com a admirável edificação de todos os presentes.
Na casa das irmãs a pobreza se faz sentir a ponto de tornar-se necessário pedir ajuda, deveras, de dever pedir esmola. Assim, Ir. Teresa, embora com uma forte repugnância, não se esquiva deste empenho que lhe faz bater às portas daqueles ricos que tinha frequentado no passado. Teresa é uma mulher forte, inteiramente dedicada aos mais pobres. Decidida a defender os seus direitos, especialmente quando alguns habitantes do bairro hostilizam a obra ou lamentam pela presença de meninas rudes e não lhes pagam devidamente os serviços.
A exemplo de Dom Bosco, se identifica concretamente com a situação de dificuldade das jovens que lhe são confiadas e procura, de todos os modos, elevar a cultura delas e torná-las mais finas. Dá lições de música, realiza apresentações teatrais, inventa jogos que possam interessar meninas já cansadas de um trabalho pesado. Na comunidade é uma presença atenta e discreta.
Teresa é cortês e delicada com todos, dispõe-se sempre a fazer os trabalhos mais humildes e pesados. Conduz a lavanderia e as oficinas das meninas pobres com alegria e espírito de sacrifício. É como queria Dom Bosco: extraordinária no ordinário. Nem os sintomas sempre mais insistentes de um mal que a consumava, a tuberculose, detiveram o seu caminho de santidade. Sente que chegou o momento de amar o sofrimento – não só aceitá-lo –, como dom que a une ao Crucifixo: “Aquilo que queres, ó Jesus, também eu o quero, e o quero enquanto tu o quiseres”.
Ir. Teresa, em abril daquele ano, é enviada ao Piemonte para tratar-se. Não se ilude, sabe que o mal não perdoa. Ela mesma, com inacreditável senso de humor, diz: - O Senhor me ajudou e agora estou pronta para três coisas: para morrer, para ficar doente por muito tempo, para ser curada. Depois, com um rápido sorriso, acrescenta: - Bem, uma das três a adivinharei, não é?
A alegria e a simplicidade de Mornese, o sacrifício silencioso, a sua contínua união com Deus e o amor filial a Nossa Senhora foram pontos sólidos do seu projeto de vida. Em 3 de setembro de 1907, Ir. Teresa encontra-se com aquele Jesus que tinha escolhido irrevogavelmente. Está sepultada em Nizza Monferrato.
Quase que realizando o seu sonho apostólico, as Filhas de Maria Auxiliadora, hoje, se confiam particularmente a ela frente às atividades missionárias. Foi declarada Venerável, com o Decreto de reconhecimento da heroicidade das virtudes, no dia 12 de julho de 1982.

Fonte:
www.salesianos.com.br/teresa-valse-pantellini/

www.paroquiasaocristovao.net/?page_id=7839

sábado, 22 de julho de 2017

SANTA MARIA MADALENA, 22 de julho



A figura de Santa Maria Madalena costuma ser identificada, ao menos na tradição ocidental, com aquela Maria que os Evangelistas dizem-nos ser irmã de Marta e Lázaro de Betânia, amigos do Senhor (cf. Jo 12, 1-11). Tratar-se-ia ainda de uma pecadora pública (cf. Lc 7, 36-50) que, após haver testemunhado as vísceras de misericórdia com que o Filho de Deus encarnado acolhe todos os arrependidos, converteu-se à fé e tornou-se uma profunda contemplativa, tal como no-la retrata o Apóstolo Lucas (cf. Lc 10, 38-42). Como quer que seja, o Evangelho segundo São João faz questão de a colocar ao pé do sepulcro de Cristo como imagem significativa de uma alma que, tendo fornicado com o pecado e se prostituído aos demônios, é agora uma esposa, limpa e pura, para quem não há consolação longe do seu Amado: "Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando", e nem mesmo os anjos que o guardavam, revestidos de esplendor (cf. Lc 24, 4), puderam suster-lhe os soluços e aquietar-lhe o coração.


Pois é a Cristo que ela ardentemente deseja, incansavelmente aspira, loucamente procura: "Levaram o meu Senhor e não sei onde O colocaram". Mas eis que o Ressuscitado aparece-lhe sob a figura de um jardineiro, qual um novo Adão que sai ao encontro, no jardim em que triunfou da morte, de sua nova esposa, adornada com a graça sobrenatural. E Ele agora, sentado à mão direita de Deus na glória do Pai, desce todos os dias aos nossos altares para conceder a todos nós o que então teve de negar à ansiosa Madalena — deixar-se tocar pelas almas que O desejam e dEle estão enamoradas. Com estas verdades em mente, recebamos o Senhor sacramentado com mais reverência e amor, pedindo-Lhe que, por intercessão de Santa Maria Madalena, possamos ser almas contemplativas e prorromper em afetos de terníssima caridade para com Ele durante e depois da comunhão.





Quem ouve o nome “Maria Madalena”, na maioria das vezes, lembra-se da mulher pecadora e de má vida do Evangelho. Poucos se recordam que dela foram tirados sete demônios (Luc. 8,2) e que ela foi perdoada de seus numerosos pecados (Luc. 7,47- Mar. 16,9).
Muitos ignoram que ela arrependeu-se do mal que praticou. Esquecem que ela viveu uma vida de penitente, que foi uma grande Santa. E que santificou-se por amar intensamente a Deus. Ninguém comenta que foi a propósito dela que Nosso Senhor disse: “Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez”. (Mat. 26,13) E… quem tem nela um exemplo de virgindade e pureza? Vejamos um pouco da história de Santa Maria Madalena.





As três Marias e Santa Maria Madalena
O Papa São Gregório Magno, foi um zeloso reformador da Igreja, foi quem estabeleceu regras para o canto e cerimônias litúrgicas na Igreja e tornou-se mais conhecido como o criador do Calendário Gregoriano. Alé disso ele foi também um grande estudioso da vida dos santos e das Escrituras Sagradas.
São Gregório Magno afirma que Maria Madalena, Maria de Betania e Maria pecadora, citadas no evangelho, são a mesma pessoa. Por isso mesmo é que Santa Maria Madalena é, entre as mulheres, a que mais tem seu nome citado nos Santos Evangelhos.
Ela nasceu em Magdala e viveu no século I. Conheceu Nosso Senhor, foi contemporânea de Nossa Senhora, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos.”E Lázaro (…) era seu irmão.”(Jo. 11, 1-2). Ela era irmã de Santa Marta e de Lázaro, a quem o Mestre Divino ressuscitou. “Lázaro havia caído doente em Bethania onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com óleos perfumados e Lhe enxugara os pés com seus cabelos” durante um banquete do qual Jesus participava.




Ela escolheu a melhor parte…
Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios.” (Luc. 8,2)
Madalena foi a mulher a quem Jesus exorcizou.(Mar.16, 9). Depois disso, ela acompanhava Jesus, agradecida, contemplando sua divindade, amando a Deus, santificando-se. Santa Maria Madalena tinha uma alma admirativa e, por isso mesmo, era uma pessoa capaz de contemplar. Nas principais citações que o Evangelho traz dela sua admiração por Nosso Senhor fica destacada. E contemplar a Deus na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo foi um dos pontos altos de sua vida.
Sem dúvida, ela exercia tarefas que estavam destinadas às Santas Mulheres, contudo, em suas atividades ela procurava dar mais importancia ao “Deus das obras que às obras de Deus”: ela havia escolhido a melhor parte… Esta afirmação está contida nos Evangelhos, são palavras do próprio Nosso Senhor: “Jesus estava em viagem, e entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Marta tinha uma irmã chamada Maria que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta toda preocupada com a lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Repondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada.” (Luc 10, 38-42)
Muito embora ainda fosse uma pecadora, ela já havia dado mostras de sua escolha pela admiração contemplativa. Isso ficou evidente naquele banquete onde outras pessoas estavam com Jesus e não viam nele o Filho de Deus, mas um homem inteligente, esperto, talvez predestinado e, no máximo, um profeta:
Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lagrimas banhavam os pés do Senhor, e ela os enxugava com os cabelos, beijando-os e os ungia com perfume.(Luc. 7, 36-38)





Na Via Dolorosa, no Calvário, … de pé, com a Virgem Maria!
Esta mulher contemplativa esteve no Calvário. “Havia ali algumas mulheres (…) que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas Maria Madalena.” (Mat. 27, 55-56) É certo que durante a peregrinação na via dolorosa Santa Maria Madalena esteve ao lado da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, a quem ela admirava e venerava afetuosamente e que naquela ocasião era quem mais sofria espiritualmente as dores pelas quais seu Divino Filho passava para a salvação dos homens. E essa, sem dúvida, foi uma ocasião oportuna que, aquela que muito havia pecado, encontrou para consolar quem nunca havia pecado. No Calvário, quando todos fugiram, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e… Maria Madalena.”(Jo. 19,25).




Frutos do Amor a Deus
O amor contemplativo de Maria Madalena rendeu-lhe os melhores frutos. E estes frutos não foram só o perdão de seus pecados e a graça de seu insigne e exemplar arrependimento. Outras graças espirituais ainda lhe foram concedidas por causa de sua admiração e amorosa contemplação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada na Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Talvez a maior das graças recebidas por ela tenha sido dada por ocasião da Ressurreição do Divino Salvador: “Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdalena, de quem tinha expulsado sete demônios.(Mar. 16-9)
Seu amor a Nosso Senhor já tinha feito com que ela, após a morte do Salvador estivesse junto dEle também em Seu sepultamento. E, depois que a pedra foi rolada, “Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas diante do túmulo”(Mat. 27,61). No que pensava ela ali sentada? Não se sabe. A certeza que se tem é que ela não pensava em si, pois, Seu Senhor era sempre o centro de suas cogitações.
“‘Maria!’ Ela voltou-se e exclamou: ‘Rabôni!’ (Jo 20,16)
Passou-se a sexta feira, passou-se o sábado.
Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mat. 28,1). Ela descobriu o túmulo vazio e ouviu dois seres angélicos anunciarem a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela seria a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor e a primeira a ver Cristo mais tarde no mesmo dia quando o Mestre deu a ela a mensagem para entregar aos demais discípulos (João 20:1-18).
Depois disso, que sentido teria continuar vivendo nessa Terra? Após ter sido curada e os demônios terem sido expulsos por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, seguindo Nosso Senhor no amor e no serviço.
A partir deste encontro com Jesus Ressuscitado, Maria Madalena, a discípula fiel, continuou vivendo entre os apóstolos e discípulos, sendo um exemplo vivo das graças que o Senhor dispensou a ela, levando uma vida de testemunho e de luta por uma santidade maior.



A História de uma Virgem
A tradição nos conta que com a Virgem Maria e o Apóstolo João, ela foi evangelizar em Éfeso. Outra história, que desde muito corre no Ocidente, diz que ela viajou para Provença, França, com seus irmãos Marta e Lázaro com mais outros discípulos para evangelizar Gaul. Neste local ela passou 30 anos de sua vida na caverna de La Saint-Baume, nos Alpes Marítimos. Foi milagrosamente transportada, pouco antes de sua morte, para a Capela de Saint-Maximin, onde recebeu os últimos sacramentos da Santa Igreja. Ela foi enterrada em Aix. Em Vazelay, na França, todos afirmam que suas relíquias ali estão desde o século XI.
No Ocidente, o culto à Santa Maria Madalena propagou-se a partir do Século XII. Na arte litúrgica da Igreja ela é representada com longos cabelos, segurando uma jarra própria para guardar óleos perfumados. Sua festa é celebrada no dia 22 de julho.Quando rezamos a Ladainha de Todos os Santos encontramos o nome de Santa Maria Madalena como a primeira das invocações das Santas Virgens.
Isso não causa espanto a quem sabe que a Deus nada é impossível. É a beleza da contrição e do perdão. Aquele que é capaz de “transformar as pedras brutas em Filhos de Abraão”, pode perfeitamente devolver a integridade a uma pecadora. E isso, sobretudo se ela arrependeu-se muito, se admirou muito, se amou muito. Como foi o caso dela. (Fonte: Bíblia Sagrada – Editora Ave Maria – São Paulo – 2008)



Fontes: 
http://www.arautos.org/secoes/artigos/especiais/santa-maria-madalena-2-143598
https://padrepauloricardo.org/episodios/festa-de-santa-maria-madalena-mmxvii

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