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terça-feira, 23 de maio de 2017

Beato João Schiavo, presbítero e religioso murialdino, fundador das Irmãs Murialdinas de São José.



Giovanni Schiavo nasceu em Santo Urbano, distrito de Montécchio Maggiore, província de Vicenza, norte da Itália, em 8 de julho de 1903. Seus pais, Luigi Schiavo e Rosa Faturelli, eram pobres de bens materiais, mas ricos de sólidas convicções e de moralidade íntegra.
O nosso João foi o primeiro de uma família de nove filhos. A fé e os princípios cristãos com que seus pais educaram sua prole prepararam-nos para a vida de plena confiança em Deus. A participação diária na Missa despertou no pequeno João a vocação religiosa, sem, no entanto fazer com que se esquecesse da ajudar no trabalho da casa e o cuidado com os irmãos, pois a profissão do pai, como sapateiro, era insuficiente para manter família tão numerosa.
Quando João terminou os estudos em sua cidade, foi preciso seguir para a cidade de Montecchio Maggiore para prosseguir seu aprendizado, tendo que percorrer a distância de cerca de 6 quilômetros, que fazia diariamente, normalmente a pé, com muito sacrifício.
Sua decisão de ser sacerdote era firme, inabalável. Apesar de sua saúde frágil – pois aos quatro anos a meningite quase o levou à morte –, enfrentou os percalços de se deslocar até o seminário Maria Imaculada, da Congregação dos Josefinos, pois esse era o seu objetivo.
Aos 18 anos recebeu proposta de um bom emprego na Prefeitura Municipal, mas, recusou: sua vocação estava em primeiro lugar. Para realizar seu intento teve a ajuda do Padre Giuseppe dalla Pria, que se encarregou de acompanhar seus estudos.
Ingressou então no noviciado, nos arredores de Turim. Sua índole afável e sincera tornou-o amigo de todos. Grande observador da Regra da Congregação, era fervoroso. Seus companheiros de estudo atestam seu caráter alegre e educado. Detinha-se durante longo tempo diante do Santíssimo Sacramento, em profunda meditação.
Finalmente, no dia 24 de agosto de 1927, foi ordenado sacerdote na Igreja da Santíssima Trindade, em sua cidade natal; foi uma grande festa para toda a comunidade.
Iniciou sua vida sacerdotal em sua própria cidade, mas sempre mostrando desejo de ser missionário: pediu e foi atendido na sua pretensão de partir para o Brasil. Após um retiro espiritual, em Albano, partiu em 04 de agosto de 1931, chegando no dia 05 de setembro a Jaguarão, Rio Grande do Sul.
Iniciou seus trabalhos como professor, função que exerceu até 1934, em Ana Rech, distrito de Caxias do Sul. Foi o primeiro mestre de Noviços da Missão Josefina. Em 1941 fundou o Seminário Josefino da Fazenda Souza, onde foi o primeiro Reitor, e a seguir fundou a Casa de Noviciado, em Conceição, em 1946. Depois desta, outras obras foram lançadas, como o Abrigo de Menores São José, em Caxias do Sul, internato com escola e diversas habilitações profissionais, que dirigiu de 1947 a 1953.



A partir da consolidação dos seminários da missão Josefina no país, em 1946 o governo central da congregação decidiu a criação da Província do Brasil, desmembrada da Argentina, e Pe. João foi eleito primeiro provincial, com a satisfação de todos.
Ao lado de tantas atividades, ainda iniciou no Brasil as atividades das Murialdinas de São José, congregação fundada um ano antes na Itália.  Com muitas dificuldades surgiu o núcleo brasileiro desta família religiosa. As primeiras irmãs fizeram profissão religiosa no dia 25 de março de 1956 na capela do Seminário, em cerimônia presidida pelo Pe. João.
Em 1955, fundou o Colégio Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Araranguá, Santa Catarina.
No entanto, apesar de todo o seu empenho, algumas obras por ele iniciadas não foram adiante, por motivos vários. Sua confiança em Deus era inabalável, não permitindo que desanimasse.
Deixando o cargo de superior provincial em 1957, foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário Fazenda Souza, cargo que manteve até o fim de sua vida.
O excesso de atividades abateu-lhe a saúde, não sendo, entretanto, empecilho em sua atuação na Província dos Josefinos, sempre se colocando a disposição de todos: “Vontade de Deus e inspiração do Espírito Santo”.
Pe. João, que as religiosas chamavam carinhosamente de “pai nosso”, tinha espírito de iniciativa, trabalhava muito, mas, rezava mais ainda e com muito fervor.
Os últimos anos de vida de Pe. João foram minados por uma enfermidade que só mais tarde foi detectada. Em 15 de dezembro de 1966, após biópsia, foi diagnosticado câncer do fígado. A cirurgia não pode ser realizada, pois, como cardíaco, a anestesia poderia lhe apressar a morte. Após uma breve melhora, ainda pode retornar à fazenda Souza e despedir-se da Casa das Murialdinas, detendo-se diante do pomar e do jardim, sabendo que não mais voltaria vivo para lá, somente no cortejo fúnebre.



Quando não mais conseguiu celebrar a Missa, entregou-se plenamente nas mãos de Deus repetindo sempre a frase que lhe era característica: “Senhor, sou seu filho, sempre quis fazer sua Vontade”. Certo dia, perto da meia noite, após repetir com força muitas vezes “Meu Jesus, misericórdia!” , elevou o olhar, fixou-o no além e, com um lindo sorriso, que a todos impressionou, disse: “Obrigado, minha Mãe”. Parecia contemplar alguém do paraíso. No dia seguinte, prevendo seu fim, mandaram chamar os dois bispos de Caxias do Sul, como estes haviam pedido, que celebraram a Missa no quarto do moribundo. Presentes os bispos, que fizeram a encomendação, as irmãs vindas de Fazenda Souza, entregou sua alma ao Criador. Era o dia 27 de janeiro de 1967.
Foi sepultado em um terreno ajardinado, junto à casa das Irmãs Murialdinas. No mesmo dia começou a peregrinação junto ao seu túmulo e, segundo amigos e devotos que aí acorreram, muitas graças são alcançadas por intercessão daquele que passou a vida servindo e amando todos, sem distinção.
Podemos conhecer melhor a alma deste grande homem, lendo seus escritos, onde põe a descoberto sua profunda espiritualidade, seu amor a Cristo e ao próximo, e sua intensa devoção ao Santíssimo Sacramento. Os depoimentos de seus colegas de noviciado, seus alunos e superiores dão-nos conta de sua vida dedicada ao bem, à caridade, tendo sempre uma palavra de amor e conforto aos que sofrem e ânimo aos desesperançados.
“É vontade do Pai que me torne santo. Mas a santidade é impossível para o homem, tanto mais para mim, que sou o último dos homens. Como Deus não exige o impossível, Ele mesmo o fará para mim. Quais os meios? Os sacramentos...e para mim, o principal, o infalível meio é o filial abandono à vontade de Deus”.[1]


Oração
Deus de bondade e misericórdia, nós vos louvamos e vos bendizemos pela vida e santidade de vosso Servo, Padre João Schiavo. Dai-nos, por sua intercessão, a graça de vivermos como ele viveu, na total disposição à vossa vontade, num profundo amor e adoração à Eucaristia, grande devoção à Virgem Maria e a São José e na escuta delicada e atenta a todas as pessoas, especialmente as mais pobres e necessitadas. Fazei também que possamos viver com o coração alegre e generoso; concedei-nos por sua intercessão a graça de que tanto precisamos. Nós vos pedimos também, ó Deus, que Padre João Schiavo seja elevado à honra dos altares para o bem da Igreja e para vossa maior glória. Amém.
Glória ao Pai

Restos Mortais: no cemitério das Irmãs Murialdinas em Fazenda Souza, Caxias do Sul, RS.
Causa de Canonização: sediada na Diocese de Caxias do Sul, RS. Ator: Irmãs Murialdinas de São José (do Brasil).
Processo informativo diocesano iniciado em 15/agosto/2001 e encerrado em 18/out/2003. Postulador (em Roma): Pe. Orides Ballardin (Josefino de Murialdo); Vice Postuladora (no Brasil): Irmã Elisa Rigon (Murialdina de São José). Decreto das Virtudes Heroicas em 14/dezembro/2015. Desde 2009 encontra-se em Roma o processo de um presumido milagre obtido pela sua intercessão, que já foi aprovado pelo Papa Francisco em dezembro de 2016.
A beatificação se dará no dia 27 de outubro de 2017, em Caxias do Sul, RS.


Bibliografia sobre o SD. Pe. João Schiavo:
RIGON, Ir. Elisa. Padre João Schiavo – traços biográficos. Caxias do Sul, Postulação da Causa de beatificação e canonização do Pe. João Schiavo, 2000.(solicitar no endereço e telefone abaixo).
Para comunicar graças alcançadas pelo SD. Pe. João:
Postulação da Causa de beatificação e canonização do Pe. João Schiavo
CxP. 542
95001-970 Caxias do Sul – RS
Tel.: (54) 3267-1188
elisarigon@terra.com.br (Ir. Elisa Rigon)
ou
Pe. Agostino Montan
Via degli Etruschi, 3
00185  Roma – Itália




O milagre para a beatificação
O milagre aprovado pelo Vaticano foi a cura de Juvelino Carra, morador de Caxias do Sul (RS), que sofria de um grave problema intestinal, mas se recuperou completamente com a intercessão de Pe. Schiavo.

Tudo ocorreu em 1997. Em outubro, Juvelino Carra tinha uma forte dor intestinal e foi encaminhado para uma cirurgia de emergência. Dr. Ademir Cadore, médico cirurgião, diagnosticou que se tratava de uma trombose mesentérica superior aguda que causa necrose de praticamente todo o intestino delgado.

Após a avaliação, decidiu que seria melhor desistir da cirurgia. Assim, fechou o abdômen de Juvelino e o encaminhou para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) a fim de ser acompanhado até a morte iminente.

Diante dessa notícia, a esposa de Juvelino se apegou fortemente a um santinho de Padre João Schiavo e pediu: “Pe. João, tu deves sarar meu marido, tu deves ajudá-lo, tu deves reconduzi-lo para casa…”.

As orações logo alcançaram a cura do marido, que, para surpresa dos médicos e familiares, passou a apresentar sinais de melhora. Em sete dias, ele teve alta hospitalar, sem apresentar problemas ou sequelas.

Passados 12 anos deste fato, por ocasião do processo sobre o presumível milagre, as avaliações da equipe médica do Vaticano confirmaram o estado de saúde normal de Juvelino.


terça-feira, 16 de maio de 2017

SANTA JACINTA MARTO, Virgem. A pequena e grande profetiza do séc. XX.




Os pensamentos e frases abaixo relacionados foram recolhidos pela superiora do hospital, Madre Godinho, que acompanhou a santa menina em seus últimos momentos na terra.
Essa madre, com carinho e zelo, anotou os derradeiros pensamentos, conselhos e exortações de Santa Jacinta que, apesar da tenra idade (faleceu aos nove anos), continha em si a seriedade dos anjos e a sabedoria dos doutores da Igreja.
"Ouçamos" o que nos tem a dizer a bem aventurada confidente de Maria Santíssima, possivelmente, apesar de criança, uma das maiores profetizas dos tempos modernos:



“Os pecados que levam mais almas ao inferno, são os pecados da carne”.

“As pessoas, que servem a Deus, não devem seguir as modas. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo”.

“Virão certas modas, que ofenderão muito a Nosso Senhor”.

“As guerras não são outra coisa senão castigos dos pecados do mundo”.

“Nossa Senhora já não pode suster o braço de seu amado Filho, sobre o mundo”.
“Se os homens se arrependerem, Nosso Senhor ainda perdoará; mas se não mudam de vida, virá o castigo”.

“Se os homens soubessem o que é a eternidade, fariam tudo para mudar de vida”.

“Os médicos não tem luz para curar os doentes porque não tem amor de Deus”.

“Se os governos deixassem a Igreja em paz e dessem a liberdade à santa religião, Deus os abençoaria”.

“Os sacerdotes deveriam ocupar-se somente das coisas da Igreja e das almas”.

“Os sacerdotes devem ser puros, muito puros”.

“A desobediência dos sacerdotes e dos religiosos aos próprios superiores e ao Santo Padre desagrada muito a Nossa Senhora”.

“A mortificação e o sacrifício agradam muito a Jesus”.

“Iria com muito gosto para o convento, mas gosto muito mais de ir para o Céu”.

“Para ser religiosa é necessário ser muito pura, na alma e no corpo”.

“Cara madrinha (Madre Godinho), fuja do luxo, não procure a riqueza, ame muito a santa pobreza e o silêncio”.
 
“Tenha muita caridade com os maus. Não fale mal de ninguém e fuja daqueles que falam mal do próximo”.

“Tenha muita paciência, porque a paciência leva-nos ao Paraíso. Reze muito pelos pecadores... pelos sacerdotes... pelos religiosos... pelos governos...”.

De “Caminho da Luz”, revista publicada pelos Padres Capuchinhos.






Nota: Perguntando a “madrinha” onde Jacinta havia ouvido tais coisas, esta respondeu: “umas, Nossa Senhora me diz; outras, as penso eu”. Mais tarde, a Madre Godinho enviou a Pio XII, em carta, todas essas palavras da pequena Jacinta.



quinta-feira, 11 de maio de 2017

SANTA CATARINA DE BOLONHA, Virgem Clarissa e Mística (dois textos biográficos)



Filha de Benvenuta Mamolim e de Giovanni Vigri, Catarina nasceu em Bolonha no ano de 1413. Foi educada na corte de Ferrara, como dama de companhia de Margarida, filha de Nicolau III, marquês D’Este, a serviço de quem estava seu pai como diplomata. Aos treze anos de idade, após ter ficado órfã de pai e depois do casamento de Margarida com Roberto Malatesta de Rimini, Catarina decide-se pela vida religiosa.

Foi exatamente na corte de Ferrara, num ambiente moralmente deturpado, que a semente da vocação religiosa germinou no coração de Catarina. Deixando a mãe, uma irmã e um irmão, ingressou num mosteiro de Terciárias Agostinianas (1427) aos catorze anos. Era uma comunidade fundada por uma grande dama de Ferrara, tia Lúcia Mascaroni que na época a dirigia. Durante sua permanência na corte de Ferrara, Catarina mantivera estreito contato com os Frades Menores da Observância no convento do Santo Espírito, onde recebia a orientação espiritual que solidificou o seu desejo de servir a Deus.

Percebendo que a comunidade na qual ingressara não vivia com radicalidade evangélica sua opção, sentia cada vez mais o anseio de que de comum acordo passassem a viver a Regra de Santa Clara, e que tivessem a orientação dos Observantes, cujo testemunho de vida sempre a impressionara. Com o apoio sincero e confiante da senhora Lúcia Mascaroni, depois de inúmeras dificuldades e vicissitudes motivadas por divisões internas do grupo de mulheres que viviam então no Mosteiro Corpus Christi, mas por influência decisiva de Catarina, adotam finalmente a Regra própria de Santa Clara.

O Papa Eugênio IV, em uma bula de abril de 1431, enviou algumas Clarissas de Mântua para que formassem as componentes da nova comunidade clariana, estimulando a exata observância da Regra no seu primitivo rigor, atendendo assim às santas aspirações de Catarina e das suas companheiras. Depois de algum tempo de aprofundamento neste estilo de vida – o que considerou como o seu noviciado – Catarina professou em 1432, com dezenove anos, a Regra de Santa Clara, pela qual tanto lutara.
Catarina era de saúde muito delicada, mas esquecia-se complemente de si mesma, impondo a si mesma os trabalhos mais pesados e difíceis para poupar as demais. Desempenhou muitas funções a serviço de sua comunidade, entre elas a de padeira e de enfermeira. Foi exemplar na humildade e na obediência, em meio a inúmeras tentações de rebelião e de desespero, durante boa parte de sua vida em Ferrara. Era sempre pródiga na caridade para com suas irmãs.

Dotada de uma inteligência e de uma sensibilidade e perspicácia únicas, destacou-se como grande escritora, poetisa, pintora e mística do renascimento italiano. Seu estilo literário é original, precioso para o estudo da própria língua italiana da época, no dialeto de sua região. Jamais quis aceitar o ofício de abadessa em Ferrara, mas foi longamente mestra de noviças. O seu livro “As Sete Armas Espirituais” é uma síntese belíssima de sua pedagogia espiritual.

Na perspectiva de realizar uma nova fundação em Bolonha, Catarina foi escolhida como abadessa, na véspera da partida das fundadoras, em cujo grupo ela já  se contava. O temor em relação à difícil missão que o Senhor lhe pedia fez com que adoecesse gravemente naquela noite, tanto que pensavam as Irmãs que não sobreviveria. Mas na manhã seguinte, como por um milagre, partia com quinze companheiras para Bolonha, numa viagem memorável, em carruagem adaptada como clausura, que o povo acompanhava ou aclamava com júbilo. É o ano de 1456. Em pouco tempo o número de Irmãs em Bolonha se vê multiplicado.
A fama de santidade de Catarina atrai muitas jovens. A própria mãe de Catarina e sua irmã se fazem clarissas. O Mosteiro Corpus Domini de Bolonha torna-se um verdadeiro centro espiritual naquela cidade de douta cultura. O número de Clarissas rapidamente chega a sessenta. Dentre as mais fiéis colaboradoras que Catarina teve no trabalho de implantação do ideal de Santa Clara, estão as Bem-aventuradas: Giovana Lambertini (+1476), Paula Mezzavaca (1426-1482) e Iluminata Bembo (+1496).

Todas elas ingressaram em Ferrara, antes da observância da Regra de Santa Clara; participaram do grupo que fundou o Mosteiro de Bolonha e foram exemplares em seu testemunho de vida. Iluminata foi a primeira biógrafa de Santa Catarina. Seu manuscrito “Espelho de Iluminação” conserva-se atualmente no Mosteiro Corpus Domini de Bolonha, com as obras pessoais de Catarina: As Armas necessárias às batalhas espirituais, Breviário, Tratado sobre o modo de comportar-se nas tentações, Regras de vida religiosa, Louvores e Devoções, Cartas, Louvores espirituais e poesias, todos manuscritos autógrafos, alguns inéditos.


A partir de 1461, Catarina passa por períodos sucessivos de grave doença, até sua morte a 9 de março de 1463. Foi beatificada pelo Papa Clemente VII. Em 1712, Clemente XI declarou-a santa. Seu corpo se conserva incorrupto, em perfeito estado de conservação e flexível, na Igreja do Mosteiro Corpus Domini. Está sentada, com a Regra de Santa Clara nas mãos. É um dos casos mais interessantes na história!  A festa de Santa Catarina se celebra no dia 9 de maio.

(site: http://www.capuchinhos.org.br)




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Segundo texto biográfico: 

Catarina nasceu no dia 8 de Setembro de 1413, em Bolonha, na Itália. Era filha de Giovanni Vigri, advogado, lente da Universidade de Bolonha, e de Benvenuta Mamellini.

Nossa Senhora, um dia, aparecendo a Giovanni Vigri, disse-lhe:

- Tua filha será um grande e luminoso farol para o mundo!

Com nove anos, a jovenzinha foi levada à corte do marquês de Ferrara, e ali, educou-se com a princesa Margarida. Catarina era vista como menina de rara prudência e de modéstia fora do comum. Vivendo para as coisas de Deus, quando completou treze anos, filiou-se a uma associação religiosa. Ciente da miséria humana. Da fraqueza do homem, constantemente assediado pelo demônio, porque foi a Santa, já naquela altura, terrivelmente tentada, capacitou-se da grandeza de Deus, que lhe dera armas, conseguidas pela oração e pelos jejuns, para vencer o tentador.

A mandado de Jesus, escreveu, então, um tratado sobre as sete armas espirituais, trabalho que conservou cuidadosamente oculto de olhos alheios, e o qual só deu a conhecer, perto da morte, ao confessor. Eis que a princesa de Verde pensava em fundar um mosteiro sob a invocação do Santíssimo Sacramento, casa que se destinava a receber os membros daquela associação a que a santa virgem se filiara. Grande foi a alegria de Catarina de Vigri.

Depois de algum tempo, em que se pendeu para a regra de Santo Agostinho, depois para a de Santa Clara, ficou assentado que se adotaria a das clarissas. Era em 1432, e Catarina estava com vinte e um anos, quando o provincial dos irmãos menores da Observância conferia à fundação a primeira regra da doce seguidora de São Francisco de Assis. Grandes progressos no caminho da perfeição fez a jovem filha de Giovanni Vigri.

Favorecida com o dom dos milagres, tendo divinas visões, anunciou uma grande queda: a do império do Oriente e a tomada de Constantinopla pelos turcos. Humilde, que desejou Santa Catarina no convento, ela que era tão grande aos olhos de Deus? Quis, para satisfazer o desejo de penitência, tratar da padaria, vivendo apagadamente.

As altas virtudes, porém, um dia, levá-la-iam a ser mestra das noviças. Deus recompensou-a com imensa delicadeza. Contam de Santa Catarina de Bolonha que, certa vez, quando então era porteira e com alegria atendia os pobres que batiam à porta do convento, um venerável velho apareceu-lhe para uma esmola. A santa deu-lha, e ele, a olhá-la com grande doçura, retirou-se, sem dizer uma palavra, agradecendo tão somente com os olhos que falavam.

No dia seguinte, tornou a aparecer. Recebeu humildemente o que a santa lhe oferecia e se retirou, silencioso, agradecendo-lhe a esmola só com o olhar, como já o havia feito anteriormente. No terceiro dia, o suave velho tornou a surgir, à mesma hora, Trazia nas mãos uma escudela muito singela, mas muito transparente, que estendeu à santa porteira, dizendo:

- Toma para ti. Era a pequena taça em que Maria dava de beber ao Menino Jesus.

Catarina, assombrada e maravilhada, tomou-a nas mãos que tremiam. E, a pensar se as teria tão puras que pudessem tocar tão pura beleza - quando percebeu, já o venerável e suave velho desaparecera misteriosamente.

Era São José? Era. Deus, à serva fiel, fizera-o saber, depois, por uma revelação.

Quando a superiora da comunidade faleceu, era ela a boa Mãe Tadéia, Catarina foi olhada como a sucessora da abadessa desaparecida. Nada, porém, levou-a a aceitar aquela dignidade, e outra ocupou a vaga deixada. Catarina, todavia, estava fadada a ser abadessa. Anos mais tarde, Bolonha reclamava de Ferrara idêntica fundação em sua cidade. E a santa virgem foi designada para governá-la.

- Não! Dizia ela, muito humildemente. Impossível! Eu sou incapaz, nada faria de bom! Não posso! Sou indigna do que me querem conceder!

Na noite daquele dia em que se escusou do que lhe haviam de impor, adoeceu repentina e estranhamente. E, altas horas da madrugada, numa visão viu Jesus que lhe aparecia. Curou-a, e disse-lhe, brandamente:

- Minha filha, tu serás a abadessa de Bolonha, porque esta é a vontade de meu Pai celeste!

Ora, Bolonha estava a par das altas virtudes daquela filha insigne, e, pois, recebeu-a com grande alegria. Era a 22 de Julho de 1456, e o cardeal Bessarion legado da Santa Sé. Mais o cardeal-arcebispo de Bolonha, com o clero, foram-lhe ao encontro, seguidos do povo, que exultava, recebê-la condignamente.

Bolonha, naqueles dias, vivia turbada por questões políticas, inquieta, desassossegada e dividida. Foi um milagre! Com a chegada de Catarina, tudo serenou - cessaram as arruaças, os discursos inflamados e a união e a paz que constrói sobre todos desceu calmamente, clareando o céu borrascoso e espantado negras nuvens ameaçadoras.

E o mosteiro, denominado do Santíssimo Sacramento (ou Corpus Christi) floresceu. Sob tal abadessa, tudo era progresso, tanto temporal como espiritual.

Papa Pio II, em 1458, ia com uma bula, alegrar a grande abadessa. Dizia a bula que, entre as clarissas, a abadessa seria superiora somente por três anos. Catarina exultou: teria agora oportunidade de não ser nada. Grande engano! Findos que foram os três anos de governo, efetuada a eleição, novamente sobre ela recaiu a escolha das religiosas - e a santa, até o fim de seus dias, ocupou-se da administração do convento da cidade em que nascera. E docemente em  1463, faleceu, exclamando em meio às religiosas que a assistiam:

- Jesus! Jesus! Jesus!

Estava com quarenta e nove anos, e o corpo foi enterrado no cemitério da comunidade. Muitos milagres foram realizados à beira do túmulo da santa abadessa, que, dezoito dias depois, foi desenterrada e encontrada sem qualquer corrupção. A descoberto, ficou ela exposta no coro da igreja. E dois grandes prodígios se deram.



Às religiosas que a rodeavam saudou-a por três vezes com suaves sorrisos. E, tendo vindo uma menina venerá-la, chamava-se Leonor Poggi, Catarina, como se fora viva, abriu os olhos e fez-lhe sinal para que mais se aproximasse. A menina sem se espantar, calmamente, achegou-se do corpo. E a comunidade toda, maravilhadíssima, ouviu-a dizer à jovem, com muita clareza:

- Leonor, sê boazinha, que eu quero que sejas religiosa neste convento, que sejas minha filha e guarda de meu corpo.
E assim foi, alguns anos mais tarde.

Santa Catarina de Bolonha foi canonizada pelo Papa Clemente XI em 1712.

(Livro Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume IV, p. 293 à 297)

sábado, 6 de maio de 2017

Beato Bento de Urbino, presbítero capuchinho.



Nasceu em Urbino a 13 de Setembro de 1560 no seio de uma família nobre. Recebeu no Batismo o nome de Marcos. Ficou órfão aos 10 anos de idade. Profundamente inteligente e com gosto pelo estudo, foi enviado, primeiro para Perusa, e depois para Pádua onde se doutorou em Direito, depois de um curso brilhante, tendo apenas 22 anos.

Passou a viver em Roma na corte do Cardeal João Jerónimo Albani, porém, teve de se afastar dali devido a dificuldades de índole familiar. Entretanto, ia amadurecendo a sua vocação religiosa e, saturado da vida mundana que se respirava à sua volta, ao fazer 23 anos, pediu para entrar na Ordem dos Capuchinhos. A sua constituição frágil e delicada criou-lhe grandes obstáculos, que venceu com a sua constante insistência e com as belíssimas qualidades morais de que se encontrava adornado.

Foi admitido à profissão na Ordem dos Capuchinhos em 1585, com o nome de Frei Bento de Urbino. Completados os estudos sacerdotais, foi ordenado presbítero. Aprovado para o ofício da pregação, bem depressa se entregou a esse ministério com grande fervor de espírito e simplicidade de palavra, atraindo a todos pela sua modéstia, por uma grande alegria de espírito unida à oração constante, à pobreza e austeridade.

O Beato Bento foi um grande pregador sacro. Sua palavra
tocava profundamente os corações, causando em quem
o escutava profundos sentimentos de fé, de piedade,
arrependimento, esperança e conversão. 
Em 1599 foi escolhido para integrar o grupo de capuchinhos enviados à Boêmia sob a direção de São Lourenço de Brindes para aí defender e difundir a fé católica no meio dos Ussitas e Luteranos. Exerceu, ali, uma qualificada e prodigiosa atividade. Porém, por motivos de saúde e pela dificuldade em falar a língua local, teve de voltar para o seu país. Novamente na sua terra, retomou o apostolado, tendo como preferidos os lugares e as pessoas mais humildes e mais pobres. Dedicou-se também à educação da juventude e viveu uma vida de ascese. Foi escolhido guardião e posteriormente Definidor da sua Província.

Extremamente humilde, fugia de tudo aquilo que pudesse trazer-lhe motivo de honra ou de glória. A sua meditação preferida era a Paixão de Jesus. Amava a Virgem Maria com ternura filial, preparando-se sempre para as suas festas com uma novena de orações e de jejum. A sua oração era contínua. Sendo Guardião, jamais dispensou os seus irmãos das duas horas de meditação.

Com paciência e resignação, suportou as doenças que martirizavam o seu frágil corpo, ao ponto de ficar reduzido a pele e ossos. Flagelava-se com disciplinas de ferro e levava apertado à cintura o cilício. Era extremamente frugal na sua alimentação. Viajava a pé e descalço. Dormia muito pouco. Consagrava horas sem conta à oração, à pregação e ao confessionário. Para ele sofrer era uma alegria. O sofrimento considerava-o como uma identificação com o Senhor Crucificado; a dor via-a como semente de felicidade eterna. Com muita antecedência previu a sua morte que ele mesmo anunciou, esperando-a com serenidade e alegria, à maneira do Pai São Francisco, para dela voar para o céu.


Sentindo próxima a última hora, pediu o viático e a unção dos doentes que recebeu com piedade. Na tarde de 30 de Abril de 1625, plácida e serenamente, entregou o seu espírito nas mãos do Senhor, em Fossombrone, no Convento de Montesacro onde ainda hoje se conserva o seu corpo. Tinha 65 anos de idade dos quais 41 passados na Ordem Capuchinha no exercício das mais heróicas virtudes.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

SÃO JOSÉ BENTO COTTOLENGO, Presbítero e Fundador, o Santo da Providência divina.




“Tereis sempre pobres entre vós” (Mt 26, 11)… São José Cottolengo abraçou avidamente essa preciosa herança deixada por Jesus à sua Igreja e a eles dedicou toda a sua existência.

A santidade não provém de um puro esforço feito pelo homem, mas sim de uma singular graça concedida por Deus. Ora, Jesus, Deus-homem verdadeiro, sendo o Criador e, mesmo tempo, o escrínio de todas as graças, pode e quer dispensá-las a todos que delas necessitem e as desejem. O heroísmo na prática das virtudes, como se pode definir a santidade, é, pois, uma graça participativa dessa maravilhosa plenitude que habita em Nosso Senhor e é liberalmente outorgada por Ele. Um desses privilegiados foi José Benedito Cottolengo, suscitado por Deus na conjuntura dos séculos XVIII e XIX.


Atraído pela compaixão de Jesus para com os pequeninos

Sem deixar de ver a Deus na sua totalidade, cada santo põe um acento todo especial na contemplação de algum aspecto pelo qual é particularmente cativado e convidado a ser reflexo. Em concreto, José Cottolengo sentiu-se atraído pela bondade e compaixão de Jesus em relação aos pequeninos, aos pobres e doentes. Compreendeu em profundidade as riquezas de amor do Coração de um Deus por aqueles a quem denominou como os “menores de meus irmãos” (Mt 25, 40).

No alto da Cruz, o Salvador obteve por seu Sangue a filiação divina e a filiação de Maria para toda a humanidade. Por esta dupla dádiva, tornou-Se Ele mesmo nosso verdadeiro irmão. Quanta união, quanto embricamento de afeto há entre os filhos nascidos de uma mesma família! E, entretanto, esses laços de sangue são apenas pálidas imagens do insuperável amor fraterno que Jesus nutre por todos nós! São José Benedito Cottolengo penetrou nesse mistério e procurou manifestá-lo em sua vida, dedicando-se com total desinteresse àqueles que se acham na orfandade natural e espiritual, aliviando-lhes não só as dores corporais mas também as enfermidades de alma.

Primeiros passos na vocação

José Bento Cottolengo nasceu em Bra, no Piemonte, em maio de 1786. Desde a infância deu provas de sua vocação, sendo encontrado um dia medindo um dos quartos de sua casa com o objetivo de saber quantas camas caberiam ali para receber doentes.

Terminados os estudos, dos quais saiu-se brilhantemente graças à intercessão de São Tomás de Aquino, foi ordenado sacerdote em 181. Foi pároco em Bra e em Corneliano. Mais tarde, em 1818, eleito cônego do cabido de Corpus Domini em Turim. Em Turim, graduou-se em teologia e se inscreveu na Ordem Terceira de São Francisco.

Uma noite, foi chamado à cama de uma mulher pobre e doente em trabalho de parto. A mulher necessitava desesperadamente de ajuda médica, mas para todos os lados que ia não encontrava ajuda por falta de dinheiro. José ficou com ela durante todo trabalho e ouviu dela a confissão, deu sua  absolvição e a comunhão  e a unção dos enfermos. Batizou a pequena criança e os olhava boquiaberto enquanto ambos morriam na cama. O trauma mudou a sua vida e a sua vocação.

Em 1827 deu início à sua obra, fundando a “Pequena Casa da Divina Providência”, onde acolheu inúmeros enfermos e abandonados. Para o cuidado destes, criou primeiro um instituto de religiosas chamado “Filhas de São Vicente” e, alguns anos depois, outro, denominado “Irmãos de São Vicente de Paulo”. A Casa começou a receber apoio e suporte e cresceu em asilos, orfanatos, hospitais, escolas, casa de aprendizado para pobres e capelas. Vários programas para o  pobres, doentes e necessitados de todos os tipos foram criados. Esta pequena Vila dependia totalmente das almas caridosas e José não aceitava ajuda oficial do Estado.



Confiança cega na Providência

As dificuldades para a realização de seus desígnios não foram pequenas. Muitos outros dotados de uma fé robusta, mas não cega como a sua, teriam desanimado na metade do caminho. Continuamente achava-se sem recursos e acossado por credores incompreensivos, exigindo o pagamento das dívidas. Por outro lado, via crescer todo dia o número de seus protegidos que acorriam à “Pequena Casa”, atraídos, não só pelas necessidades de saúde, mas, sobretudo, pela fama de sua bondade sem limites.

Quem conhecesse a atividade incessante dessa obra, acreditaria ser seu fundador um homem inquieto e preocupado, metido nos assuntos materiais, desejoso de tudo vigiar e governar. Nenhum juízo poderia ser tão falso a seu respeito: São José Benedito era um varão essencialmente contemplativo e desapegado das coisas terrenas. A característica preponderante de sua santidade e de sua missão era a inteira confiança na Divina Providência. Poder-se-ia dizer que toda a sua espiritualidade sintetizava-se nesta frase do Evangelho: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6, 33).

Com freqüência costumava dizer aos seus: “Estai certos de que a Divina Providência nunca falta; poderão faltar as famílias, os homens, mas a Providência não nos faltará. Isso é de fé. Portanto, se em alguma ocasião faltar algo, isso só poderá ser atribuído à nossa falta de confiança. É necessário confiar sempre em Deus; e, se Deus responde com sua Divina Providência à confiança ordinária, proverá extraordinariamente a quem extraordinariamente confiar”.


“Por que vos inquietais por tão pouco?”

Uma fé assim levada a grau tão heróico só poderia obter resultados miraculosos, e estes foram abundantes ao longo da existência de nosso santo. Em certa ocasião, a religiosa encarregada da cozinha veio anunciar-lhe:

— Nada resta de farinha na casa… Amanhã não haverá pão para alimentar os indigentes!

— Por que vos inquietais por tão pouco? Bem vedes como a chuva cai às torrentes e é impossível mandar alguém sair neste momento — respondeu ele.

A boa irmã, que não atingira na perfeição aquele santo abandono de seu Fundador, retirou-se muito descontente com a resposta. Alguns instantes depois, Cottolengo entrou no refeitório e — imaginando-se só, sem desconfiar que outra irmã o espiava pelo buraco da fechadura — ajoelhou-se diante da imagem da Santíssima Virgem e orou fervorosamente com os braços em cruz.

Passaram-se apenas alguns minutos e um homem, conduzindo uma carroça, apresentou-se à porta do estabelecimento. Sem querer informar de onde vinha nem por quem fora enviado, declarou ter o encargo de depositar na “Pequena Casa” toda a farinha que trazia em seu veículo. As freiras logo acorreram, alvoroçadas, para contar tudo ao santo cônego. Este acolheu a notícia sem manifestar a menor surpresa e tranqüilamente lhes deu ordem de fazer o pão.

Sua caridade, seu empenho pastoral e
sua confiança total na Providência
divina advinham de muita oração.
O dinheiro apareceu no bolso

Em outra ocasião, São José Bento viu-se diante de uma situação ainda mais apertada. Um de seus credores chegou a ameaçá-lo de morte caso não lhe pagasse a dívida naquele mesmo instante. Ele desculpou-se, pediu-lhe para ter um pouco mais de paciência, prometendo fazê-lo tão logo fosse possível. Mas o homem mostrou-se inflexível e, sem mais, tirou de dentro de sua vestimenta uma arma com a qual se dispunha a acabar com a vida do santo. Num gesto maquinal, este levou a mão ao bolso e, para sua grande surpresa, encontrou um rolo contendo exatamente a soma reclamada. Entregou-a logo ao credor e este partiu dali confuso por sua atitude violenta, e impressionado diante do milagre e do exemplo de serena confiança que acabava de presenciar.


Abandono à vontade de Deus

Seu desejo de fazer o bem a todos quantos dele se aproximavam não conhecia restrições nem obstáculos: chegava ao extremo de prodigalizar os cuidados mais humildes aos doentes e de entrar nos jogos dos débeis mentais, com o intuito de distraí-los. Não considerava isto uma humilhação, pois analisava tudo com vistas sobrenaturais, sabendo que o importante não está em fazer grandes obras ou realizar prodígios estupendos, mas sim em ser aos olhos de Deus aquilo que Ele quer de nós. Dessa elevada concepção da vida, que impregnava todos os seus atos, decorria o alegre desprendimento com o qual se abandonava à vontade de Deus, repetindo sempre: “Por que ficais angustiados pelo dia de amanhã? A Providência não pensará nisso, pois já pensastes vós. Não arruineis, portanto a sua obra e deixai-a agir. Embora nos seja permitido pedir um bem temporal determinado, entretanto, quanto ao que a mim se refere, temeria cometer uma falta se pedisse algo nesse sentido”.

Em 1842 faleceu Joé Bento Cottolengo. Durante sua permanência neste mundo, os anseios de seu coração e a vida de sua alma estiveram voltados unicamente para a glória de Deus. Por isso deixou atrás de si uma obra monumental de Caridade para com próximo, que hoje está presente em quatro continentes, como prova irrefutável da veracidade da promessa de Jesus Cristo. Ele só procurara o Reino de Deus e sua justiça, Nosso Senhor lhe concedera tudo por acréscimo.

Um lugar de honra lhe está reservado entre os cordeiros da direita naquele dia supremo, quando o justo Juiz dirá: “Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois Eu estava com fome e Me destes de comer; estava com sede e Me destes de beber; era estrangeiro e Me recebestes em casa; estava nu e Me vestistes; estava doente e cuidastes de Mim; estava n prisão e fostes Me visitar (,..)

Em verdade Eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a Mim que o fizestes!” (Mt 25,34-36 e 40)


Vista aérea da "Pequena Casa", obra de São José Bento Cottolengo. 


A “Pequena Casa”, na verdade, já no tempo de São José Bento, transformou-se num grande complexo hospitalar, de amparo à orfandade e de acolhida a idosos, a abandonados e todo tipo de necessitados.

A casa ainda funciona até hoje, servindo a oito mil pessoas ou mais por dia. Apesar do adjetivo “pequena”, é uma grande obra de misericórdia, graças à Providência divina.

O santo fundou ainda 14 comunidades para os residentes, inclusive as Filhas da Companhia do Bom Samaritano, os Eremitas do Santo Rosário e os Padres da Santíssima Trindade.

Faleceu em 30 de abril de 1842, de tifo, em Chieri, Itália. Foi canonizado em 1934 pelo Papa Pio XI.