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sexta-feira, 31 de março de 2017

Servo de Deus José Ottone, Adolescente.



Servo de Deus José Ottone
(*) Por mais incrível que possa ser, o processo de beatificação e canonização de uma criança ou de um adolescente não é nada fácil. A curta vida, a praticamente ausência de escritos, a comprovação da veracidade de testemunhos idôneos, torna muito difícil o processo de uma criança ou de um adolescente. 
Não basta que seja provado que era um menino "bonzinho" ou uma menina "boazinha". É necessário provar que viveu as virtudes teologais: fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais: fortaleza, justiça, prudência e temperança em grau heroico. É necessário que testemunhos sentimentalistas de parentes próximos sejam praticamente dispensados e sejam ouvidas outras testemunhas que não se deixem levar pelo fervor das emoções, mas, que analisem de forma pragmática a vida do (a) candidato (a). 
Graças a Deus que, apesar das dificuldades, tem surgido alguns nomes de santos meninos e de santas meninas que, certamente, já adornam o Trono da Trindade com suas belíssimas almas e que, pouco a pouco, adornam e adornarão os altares de nossas igrejas com suas imagens, à semelhança de um São Domingos Sávio, de uma Santa Maria Goretti ou dos Beatos (futuros santos) Jacinta e Francisco Marto. 




Abandonado na infância
Nasceu em 18 de março de 1928, em Castelpagano, na província de Benevento, de pais desconhecidos.  Uma jovem parteira, que o encontrou abandonado, resolveu registrá-lo à estância competente, no dia 23 do mesmo mês, com o nome de Giuseppe (José). No dia anterior, havia sido batizado na Igreja do Santíssimo Salvador, em Castelpagano. Foi internado no Hospital Municipal de Benevento, com os poucos objetos que tinham sido encontrados sobre ele.
Mais tarde, soube-se que José era o fruto do caso extraconjugal de uma mulher Castelpagano, cujo marido havia emigrado para a Argentina. A mulher, da qual omitiu-se o nome, queria fazer um aborto, mas, um amigo da família a convenceu a continuar a gravidez; O mesmo amigo encontrou uma madrinha de batismo para o recém-nascido.

José não permaneceu por muito tempo no Hospital de Benevento, porque em 22 de novembro daquele ano de 1928, foi confiado a dois cônjuges: Domenico Otto e Maria Capria, também de Benevento. Eles não tinham filhos e queriam muito criar uma criança com todo amor, de acordo com os princípios cristãos.

O casal decidiu mudar-se para Nápolis. José foi criado com muito carinho por seus pais adotivos. A mãe, especialmente religiosa, educou-se de forma primorosa nos caminhos de Deus.
Após algum tempo, a família mudou-se de forma permanente para a localidade de “Torre Annunziata”, uma terra próxima ao mar, localizada próxima às encostas do Vesúvio. 


Uma criança boa em casa, na igreja e na escola
Peppino, como foi logo apelidado, cresceu um menino sincero, educado, doce, meigo e cheio de virtudes. Desde o primeiro dia, foi muito feliz para a escola, sem mostrar nenhum desagrado. Nunca foi indisciplinado e era harmonioso com todos: professores e colegas.
Antes de entrar na sala de aula, diariamente, sem a necessidade de que alguém lhe pedisse ou mandasse, fazia sempre uma breve visita a Jesus Sacramentado, no tabernáculo da capela do colégio.
De 1934 a 1939, frequentou a escola primária e, em seguida, foi admitido no Instituto Técnico Comercial “Ernesto Cesáro”. Na escola, sempre foi o primeiro da classe, pois era aplicadíssimo nos estudos.
Seus pais adotivos tinham vida modesta. O pai era um simples garçom. Infelizmente, porém, devido à bebida, muitas vezes tinha um comportamento colérico, irritável, sendo por vezes agressivo à esposa. José, então, tentou muitas vezes ajudar a mãe a suportar seus gestos violentos. Secretamente, sem que o pai o soubesse, levava esmolas frequentes aos pobres, usando para isso suas parcas poupanças e, por vezes, dando seus próprios lanches.


Religiosidade de Peppino
Com grande fervor, no dia 26 de maio de 1935, na Igreja da Arquiconfraria do Santíssimo Rosário, recebeu sua Primeira Comunhão. Desde então, aproximou-se ainda mais da Eucaristia, recebendo-a com frequência e, movido por um profundo amor, por uma intensa paixão, levando uma vida santa.
Assiduamente, observou as práticas de piedade das Nove Primeiras Sextas-Feiras e dos 15 Sábados em honra de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Cada primeira sexta feira do mês, comparecia à igreja às 5h e 30min, ignorando o frio, sempre sorrindo, entre alguns trabalhadores da fábrica “Fuse”, de cunho militar, que era naquela localidade uma grande oportunidade de trabalho para os homens. Muitas vezes, ele foi de bicicleta para Pompéia, para rezar diante da Virgem do Rosário, da qual era muito devoto, no Santuário fundado pelo Beato Bartolo Longo.


Hobbies e desejos
Embora fosse um menino sério, estudioso, religioso e obediente, foi especialmente um garoto que possuía os gostos e que praticava as habituais e sadias atividades de lazer de sua idade. Por exemplo: gostava de quadrinhos de histórias de aventura. Leu “centenas” delas, obviamente após cumprir os deveres com os estudos, trocando as revistas com outras crianças. Gostava de brincar ao ar livre.


A adoção final
Depois de onze anos de custódia, no dia 26 de junho de 1940, o juiz de tutela do Tribunal de Torre Annunziata, concedia oficialmente a filiação de José a sua família adotiva.
Em plena Guerra Mundial, com a mudança dos acontecimentos políticos, o que criou um clima de incertezas e de miséria, seu pai ganhou o apelido de “fascista”. Além disso, sobreveio à família uma grande tribulação: sua mãe, Maria Capria, teve que ser hospitalizada em Nápoles para se submeter a uma cirurgia muito delicada, especialmente para aqueles tempos. José estava muito chocado e angustiado, pelo carinho filial que verdadeiramente sentia por ela.


Oferta da vida
No dia 03 de fevereiro de 1941, no dia da cirurgia na clínica, enquanto vinha caminhando com um grupo de amigos, encontrou no chão uma imagem de Nossa Senhora de Pompéia. Ele devotamente a pegou e a beijou, exclamando: “minha Senhora, se minha mãe deve morrer, peço que me mate no lugar dela”.
Minutos mais tarde, tornou-se pálido e caiu inconsciente no chão. Amigos e um policial o socorreram. Ele foi transportado para o hospital mais próximo onde foi recebido às 15h e 30min, sendo colocado na sala de emergência em estado de inconsciência, com pulso e respiração muito rápidos.
A mãe, sentindo-se já bem melhor, sem ter sido submetida à cirurgia, veio às pressas ao hospital napolitano. Ela fez companhia a ele durante toda a noite, rezando o rosário, enquanto dispunha-se a aceitar a vontade de Deus para com ele, seu filho tão amado.
Peppino não recuperou mais a consciência. Faleceu às quatro da manhã do dia 04 de fevereiro de 1941, com quase 13 anos de idade. Seu sacrifício, oferecido pela mãe que tanto amou, foi aceito pelo Senhor: a mulher foi curada instantaneamente e continuou a viver com boa saúde até 1983, quando morreu aos 88 anos. O marido, no entanto, faleceu em 1975.


A fama de santidade e o processo de beatificação
A boa fama que José já gozava em vida junto aos colegas, aos pais, ao diretor espiritual e aos professores foi aumentando cada vez mais ao longo dos anos ao ponto de se transformar em fama de santidade. O processo diocesano para investigação da heroicidade de suas virtudes teve início em 06 de abril de 1962, vindo a ser concluído em 04 de março de 1975.
Seus restos mortais, originalmente enterrados no cemitério da cidade, foram transferidos em 25 de outubro de 1964 para uma capela lateral do Santuário da paróquia do Espírito Santo, comumente chamado de “Carmine”. No dia do translado, participaram do evento um grande número de autoridades civis e eclesiásticas, bem como muitos fiéis, tanto de Torre Annunciata quanto de Castelpagano.

Fonte: site santiebeati.it

(*) Comentário do autor do Blog Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus. 


terça-feira, 21 de março de 2017

SÃO JOSÉ DE LEONISSA, Presbítero e Missionário Capuchinho.


Sacerdote da Primeira Ordem (1556-1612). Canonizado por Bento XIV no dia 29 de junho de 1746. Para evangelizar em 1587 foi enviado acompanhado de outros irmãos para Constantinopla e lá fundar uma Missão. Naquele país lutou muito pela libertação dos Cristãos escravizados por um ex-bispo. Por sua pregação foi preso por ordem do sultão Muhad III. Sua sentença, ser pendurado por um gancho sobre um fogo baixo. A sentença foi cumprida e José passou três dias pendurado. Quando solto por não ter morrido, as feridas em seu corpo curaram-se milagrosamente.

São José de Leonissa, nasceu a 8 de Janeiro de 1556 em Leonissa. Quando tinha 16 anos entrou em Rieti na Ordem dos Capuchinhos. Fez o noviciado no pequenino convento de Carcerelle, junto a Assis, onde se exercitou na mais dura penitência. Usando uma típica expressão franciscana, chamava ao seu corpo o "irmão burro" e tratava-o com pouco alimento e as mais diversas privações. Escolheu para si o caminho da humildade e da pobreza.
A 21 de Maio de 1581 foi ordenado sacerdote em Perugia e, em seguida, destinado ao ofício de pregador. No dia 1 de Maio de 1587, com mais dois irmãos chegava a Constantinopla para fundar ali uma Missão. Interessou-se pela libertação dos cristãos caídos na escravatura, deu-lhes alento na sua fé e reconduziu à Igreja até um Bispo que havia apostatado.

Acabou por cair prisioneiro dos Turcos, por causa do seu atrevimento em tentar ir pregar ao mesmo Sultão Murad III. Ali foi açoitado e depois suspenso de uma trave sob a qual acenderam uma fogueira que ardia lentamente. Durante três dias permaneceu suspenso por um gancho numa das mãos e outro num dos pés. E não morreu. Só Deus sabe como conseguiu sobreviver a este suplício e como se curaram as suas terríveis feridas.
Falou-se da intervenção milagrosa de um anjo que teria alentado o seu corpo e curado as suas chagas. Certamente não é fácil de explicar de outro modo aquela resistência que desafia todas as leis naturais. E foi quase um milagre que o Sultão, maravilhado pelo que sucedera, comutasse a pena de morte pelo exílio perpétuo. Em Constantinopla, de facto, São José praticou um gesto propriamente de um louco. Tentou entrar no palácio para pregar diante do Sultão, esperando vir a convertê-lo. Preso pelos guardas, foi julgado como réu de crime de lesa majestade.
Voltando para Itália, pôde prosseguir na mesma vocação missionária que o levara a pregar até diante do Sultão. Agora, porém, ele era pregador à saída das casas, nas aldeias, nas cidades da Umbria. Os resultados foram verdadeiramente consoladores: conversões e reconciliações em toda a parte. A vida penitente e os carismas sobrenaturais aumentavam a eficácia da sua palavra. Promoveu obras de assistência social como os "Monte Pios", Hospitais e outras obras de beneficência.
No Arquivo da Postulação Geral dos Capuchinhos existe um vastíssimo material de manuscritos, pregações, homilias, panegíricos e outros apontamentos de pregação.
Quando tinha 57 anos de idade acabou por ficar doente. Retirou-se para o convento de Amatrice, junto a Rieti. Ali verificaram que ele era vítima de um tumor. Tentaram operá-lo, Deus sabe de que maneira. Foi aquele o seu segundo martírio. Recusou, porém, ser amarrado como sugeriam os médicos. Não se levantou mais da cama. Como anestésico, conservava apenas por longo tempo o crucifixo apertado contra o peito. Era o dia 4 de Fevereiro de 1612 quando entregou a sua alma a Deus. Foi canonizado por Bento XIV a 29 de Junho de 1746.



ORAÇÃO

Senhor, nosso Deus, que em São José de Leonissa nos destes um pregador incansável ao serviço do Evangelho, concedei-nos que, por sua intercessão e atraídos pelo seu exemplo, trabalhemos com o mesmo zelo e entusiasmo pela salvação dos nossos irmãos. Por Nosso Senhor.

quarta-feira, 15 de março de 2017

SÃO LONGINO ou LANCIANO (no Brasil, São Longuinho), Mártir. 15 de março.



“Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”, esta é a profissão de fé feita pelo soldado romano que, após a crucificação, furou o lado de Jesus com uma lança e se converteu, o qual foi identificado como São Longino ou São Lanciano (conhecido no Brasil como “Longuinho”), cuja festa é celebrada neste dia 15 de março.

Longino viveu nos primeiros séculos, era o centurião que, por ordens de Pilatos, esteve com outros soldados ao pé da cruz de Jesus Cristo.

O Evangelho de São João relata quando os soldados foram quebrar as pernas dos dois homens que estavam crucificados ao lado de Jesus, mas quando chegaram diante de Cristo, “como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19,33-34).

Este soldado que perfurou o lado de Jesus foi identificado com o nome Longino, derivado do grego que significa “uma lança”.

Foi ele quem, ao ver as poderosas manifestações da natureza após a morte de Cristo, disse a famosa frase que o fez o primeiro convertido à fé cristã: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”.

Diz-se que Longino estava ficando cego e, quando perfurou o Senhor com a lança, uma gota do sangue do Salvador caiu em seus olhos e, imediatamente, ele ficou curado. Tocado, converteu-se e abandonou para sempre o exército.

Instruído pelos apóstolos, Longino se tornou uma espécie de eremita em Cesareia, na Capadócia, onde ganhou muitas almas para Cristo por meio da palavra e do testemunho.

Entretanto, o governador da Cesareia descobriu sua identidade e o entregou a Pôncio Pilatos. Foi acusado de desertor e condenado à morte, a não ser que renunciasse à sua fé em Cristo.

Longino se manteve firme e, por isso, foi torturado, teve seus dentes arrancados e a língua cortada. Depois, foi decapitado.


Quase mil anos depois, em 999, São Longino foi canonizado pelo Papa Silvestre II. Conforme se relata, o processo de canonização já havia avançado bastante, porém os documentos ficaram perdidos por muitos anos.

Então, o Papa pediu a intercessão de Longino para ajuda-lo a encontrar esses papéis. Pouco tempo depois, os documentos foram achados e aconteceu a canonização.

 
Lança romana, portanto, usada por Longino para perfurar
o Santo Lado de Cristo. 

São Longino ou São Longuinho também é uma espécie de “Santo Popular”:
Ainda hoje, São Longino é invocado pelos fiéis para pedir ajuda a fim de encontrar algum objeto perdido. Diz-se que ele era um homem baixinho e que, servindo na corte de Roma, vivia nas festas dos romanos.

Nesses ambientes, por sua pequena estatura, conseguia ver o que se passava por baixo das mesas e sempre encontrava pertences de pessoas. Os objetos achados eram devolvidos aos seus donos. Daí teria surgido o costume de pedir-lhe ajuda para encontrar o que se perdeu.


Em agradecimento, segundo a tradição, são oferecidos três pulinhos e uma oração. Diz-se que essa forma de agradecer seria pelo fato de o soldado ser manco, mas outra explicação afirma que os pulinhos se remetem à Santíssima Trindade.


Nota do autor do blog:
O texto acima, tirado do site ACI Digital denomina o Santo como "Longuinho", que é o nome mais usado aqui no Brasil. Preferi, no entanto, usar o nome "Longino", que é o mais correto para a língua portuguesa. Podemos dizer que o nome Longino ou "Lanciano" (do italiano) era de certa forma "humilhante" para o Santo. Nos tempos atuais, é como se o chamássemos de: "o Zé da Lança" ou "o cara da lança". 
Pensem bem: você ter seu nome próprio substituído por outro que se refere ao crime que você cometeu: ter perfurado o Santo Lado de Cristo com uma lança "longa", muito usada pelas legiões romanas. Por onde ele fosse, na comunidade cristã que chegasse, todos o reconheceriam como tendo sido aquele que perfurou o Coração de Jesus. 
Vejo nisso um sinal de grande humildade e espírito de penitência por parte desse homem, tocado pelo Sangue de Jesus, convertido ao cristianismo e que, finalmente, testemunhou sua fé morrendo mártir de Cristo. 


Fonte: site ACI Digital. 
Texto com algumas adaptações feitas por mim, tirado de: http://www.acidigital.com/noticias/hoje-a-igreja-celebra-sao-longuinho-o-soldado-que-perfurou-o-lado-de-jesus-50681/

terça-feira, 14 de março de 2017

AS OITO MULHERES (SANTAS) QUE FORAM MAIS EXEMPLARES PARA IGREJA.

Há quem diga que a mulher não tem papeis importantes na Igreja. Entretanto, desde o início do cristianismo até a atualidade, Deus suscitou mulheres que orientaram o Povo de Deus, influenciando também no curso do Papado. Conheça oito mulheres (Santas) que foram exemplares para a Igreja.

1. A Santíssima Virgem Maria

“Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou” (Jo 2,4), disse Jesus à sua Mãe nas Bodas de Caná, em um casamento ao qual ambos tinham sido convidados. Cristo escutou sua Mãe, a primeira mulher que acolhe o Senhor e motiva o primeiro milagre conhecido da vida pública de Jesus. O papel de Maria na História da Salvação e na História da Igreja foi primoroso, único e essencial: ela trouxe ao mundo o Salvador, Cristo Jesus, Deus e homem verdadeiro ! Foi sua primeira e mais perfeita discípula, Rainha dos Apóstolos e de todos os que creram, creem e crerão em Jesus (acréscimo do autor do presente blog)
Os primeiros séculos do cristianismo, bem como todos os demais séculos, estão cheios de mulheres corajosas que não duvidaram em dar sua vida por Cristo, incentivando os demais cristãos a não fraquejar quando lhes chega o momento.



2. Santa Hildegarda de Bingen

Mais tarde, durante a Idade Média, a Igreja já não era perseguida, mas vivia-se uma cultura machista, própria da época. Isto não foi impedimento para Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179), religiosa beneditina de origem alemã, que chegou a ter uma séria de visões místicas.

Escreveu obras teológicas e de moral com notável profundidade e foi declarada Doutora da Igreja por Bento XVI no ano 2012, junto com São João d’Ávila. Sua popularidade fez com que muitas pessoas, entre bispos e abades, lhe pedissem conselhos.

“Quando o imperador Federico Barbarroja provocou um cisma eclesial, opondo 3 antipapas ao Papa legítimo, Alexandre III, Hildegarda, inspirada em suas visões, não hesitou em recordar-lhe que também ele, o imperador, estava submetido ao juízo de Deus”, contou o Papa Bento XVI em sua audiência geral sobre esta santa em 2010.



3. Santa Catarina de Sena

Posteriormente, apareceria outra mística e Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena (1347-1380), que vestiu o hábito da ordem terceira de São Domingos. Nesta época, os Papas vivam em Avignon (França) e os romanos se queixavam de ter sido abandonados por seus bispos, ameaçando com o cisma.

Gregório XI fez um voto secreto a Deus de regressar a Roma e ao consultar Santa Catarina, ela lhe disse: “Cumpra com sua promessa feita a Deus”. O Pontífice ficou surpreso porque não tinha contado a ninguém sobre o voto e, mais tarde, o Santo Padre cumpriu sua promessa e voltou para a Cidade Eterna.

Mais tarde, no pontificado de Urbano VI, os cardeais se distanciaram do Papa por seu temperamento e declararam nula sua eleição, designando Clemente VII, que foi residir em Avignon. Santa Catarina enviou cartas aos cardeais pressionando-os a reconhecer o autêntico Pontífice.

A Santa também escreveu a Urbano VI, exortando-o a levar com temperança e alegria os problemas, controlando o temperamento. Santa Catarina foi a Roma, a pedido do Papa, que seguiu suas instruções. A Santa também escreveu aos reis da França e Hungria para que deixassem o cisma. Toma uma mostra de defesa do papado.



4. Santa Teresa de Jesus

Com a aparição do protestantismo, a Igreja se dividiu e foi realizado o Concílio de Trento. Estes são os anos de Santa Teresa de Jesus (151-1582), religiosa contemplativa que marcou a Igreja com sua reforma carmelita.

Apesar de ter sido incompreendida, perseguida e até acusada na Inquisição, seu amor a Deus a impulsionou a fundar novos conventos e a optar por uma vida mais austera, sem vaidades, nem luxos. Submersa muitas vezes em êxtases, nunca deixou de ser realista.
Sendo Santa Teresa D’Ávila relativamente inculta, dialogava com membros da realeza, pessoas ilustres, membros eclesiásticos e santos de sua época para lhes dar conselhos, receber ajuda e levar adiante o que havia se proposto. Tornou-se escritora mística e é também Doutora da Igreja.



5. Santa Rosa de Lima

Do outro lado do mundo, na América, mais precisamente no Peru, Santa Rosa de Lima (1586-1617) tomou Santa Catarina de Sena como modelo e se omitiu àqueles que a pretendiam por sua grande beleza, para poder viver em virgindade, servindo aos pobres e doentes.

“Provavelmente, não houve na América um missionário que com suas pregações tenha conquistado mais conversões do que as que Rosa de Lima obteve com sua oração e suas mortificações”, disse o Papa Inocêncio IX ao se referir à primeira Santa da América.

São João Paulo II disse sobre a santa que sua vida simples e austera era “testemunho eloquente do papel decisivo que a mulher teve e segue tendo no anúncio do Evangelho”.



6. Santa Teresa de Lisieux

Do amor dos santos esposos franceses Louis Martin e Zélia Guérin, canonizados em outubro de 2015, nasceu Santa Teresa de Lisieux (1873-1897), Doutora da Igreja e padroeira universal das missões.

Santa Teresa viveu somente 24 anos. Um ano depois de sua morte, a partir de seus escritos, foi publicado o livro “História de uma alma”, que conquistou o mundo porque deu a conhecer o muito que esta religiosa tinha amado Jesus.

“Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face é a mais jovem dos ‘Doutores da Igreja’, mas seu ardente itinerário espiritual manifesta tal maturidade, e as intuições de fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas, que lhe merecem um lugar entre os grandes professores do espírito”, disse São João Paulo II sobre esta santa.

O Papa Francisco também comentou em diversas ocasiões a profunda devoção que o une a esta santa e compartilhou em uma de suas viagens que antes de cada viagem ou diante de uma preocupação, costuma pedir “uma rosa”.



7. Santa Edith Stein

Durante a perseguição nazista no século XX, surgiu na Europa outra grande mulher, convertida do judaísmo, religiosa carmelita descalça e mártir, Santa Edith Stein, também conhecida como Santa Teresa Benedita da Cruz (1891-1942).

Junto com outros judeus conversos, foi levada ao campo de concentração de Westerbork em vingança das autoridades pelo comunicado de protesto dos bispos católicos dos Países Baixos contra as deportações de judeus.

Santa Edith foi transferida para Auschwitz, onde morreu nas câmaras de gás, junto com sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo, e muitos outros de seu povo.

São João Paulo II diria sobre ela: “Uma filha de Israel, que durante a perseguição dos nazistas permaneceu, como católica, unida com fé e amor ao Senhor Crucificado, Jesus Cristo, e, como judia, ao seu povo”.




8. Santa Teresa de Calcutá

Para encerrar esta lista de grandes mulheres que mudaram o mundo e a história, recordamos Santa Teresa de Calcutá (1910-1997). O testemunho da Madre Teresa de servir a Cristo nos “mais pobres entre os pobres” ensinou que a maior pobreza não estava nos subúrbios de Calcutá, mas nos países “ricos” quando falta o amor ou nas sociedades que permitem o aborto.

“Para poder amar, é preciso ter um coração puro e é preciso rezar. O fruto da oração é o aprofundamento da fé. O fruto da fé é o amor. E o fruto do amor é o serviço ao próximo. Isso nos conduz à paz”, dizia a também ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Em sua canonização em outubro de 2016, o Papa Francisco disse que “Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que ‘quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável’”.



(Fonte: site ACI Digital)



Nota do editor do blog: 
Gostei deveras da reportagem acima, do site ACI Digital. Claro que muitas outras santas e beatas foram importantíssimas para a Igreja no decorrer de sua história: Santa Maria Madalena, Santa Tecla (protomártir do sexo feminino), Santa Inês, Santa Águeda, Santa Luzia, Santa Flávia Domitila, Santa Prisca (ou Priscila), Santa Helena (mãe do imperador Constantino), Santa Mônica (mãe de Santo Agostinho), Santa Joana d'Arc, Santa Clara de Assis, Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Isabel da Hungria, Beata Margarida (mãe de São João Bosco), Santa Beatriz da Silva, Santa Faustina Kowalska, Beata Ana Catarina Emmerich, Venerável Maria de Ágreda e muitas outras! 

Talvez alguém possa reclamar a falta de indicação de alguma das acima citadas, porém, entendi o objetivo do site: ele apontou AS QUE  MAIS INFLUENCIARAM a História da Igreja, de um modo geral. Não que as demais mulheres santas não tenham sido importantes, mas, as oito que foram citadas desempenharam papéis-chave em momentos cruciais da história, influenciando também, direta ou indiretamente, a própria espiritualidade e doutrina da Igreja. 
Parabéns ao site ACI Digital pela belo artigo. 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Beatos Mártires Franciscanos da Etiópia - 10 de março.




Sacerdotes missionários franciscanos na Etiópia, mártires da Primeira Ordem. São João Paulo II os proclamou bem-aventurados na Basílica Vaticana, no dia 20 de novembro de 1998, solenidade de Cristo Rei.



Liberato Lourenzo Weiss, nasceu em Konnersreuth, Baviera, a 4 de Janeiro de 1675. Aos 18 anos fez-se franciscano. Ordenado sacerdote foi enviado como missionário a Etiópia.


Samuel Antonio Francisco Marzorati, nascido em Biuno Superior, perto de Varese, a 10 de Setembro de 1670, fez-se franciscano aos 22 anos a 5 de março de 1792, em Lugano, Suiça. Ordenado sacerdote, depois de um período de apostolado em sua pátria, foi enviado como missionário a Etiópia, onde sofreu o martírio.


Miguel Pio Fasoli, nasceu em Zerbo, perto da Parvia, a 3 de maio de 1676. Feito franciscano e sacerdote, exerceu seu apostolado em sua pátria por algum tempo e depois partiu como missionário para a Etiópia. Sofreu o martírio com os outros dois companheiros.



Estes três irmãos desenvolveram juntos um largo apostolado na Etiópia, no meio de contradições e perseguições. Com a conivência do imperador foram lapidados barbaramente por uma multidão. Antes do martírio fizeram a profissão de fé cantando o Magnificat e saíram ao encontro da morte, depois de terem pregado o Evangelho na Etiópia com a palavra e o serviço aos humildes necessitados.
Em 1716 desencadeou-se a perseguição contra os católicos e os missionários eram aprisionados e incitados a apostatar da fé católica.
Recusando-se, estes Beatos foram assassinados em Aba, a 3 de Março de 1716.


Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.



CURIOSIDADES: os Santos e Beatos que morreram nos últimos cinquenta anos.




Você sabia que a Igreja Católica já tem mais de trinta santos e beatos que morreram dentro dos últimos cinquenta anos?


Você sabia que a Igreja Católica já tem mais de trinta santos e beatos que morreram dentro dos últimos cinquenta anos? Em novembro de 2016, com a beatificação do padre carmelita Maria Eugênio do Menino Jesus, ele se tornou a 36ª pessoa falecida nos últimos cinquenta anos que foi beatificado.

Esse espaço de tempo coincide ainda com o período após o Concílio Vaticano II (1962-1965), a grande assembleia de bispos do mundo todo convocada pelo papa São João XXIII e cujas conclusões eram chamadas por São João Paulo II e Bento XVI de “bússola segura” para a Igreja de hoje. O encerramento do Concílio Vaticano II completou cinquenta anos em dezembro de 2015.

Entre os 36 santos e beatos desse período, temos dezesseis padres (sendo quatro religiosos), dez religiosas, cinco bispos (incluindo dois papas), quatro leigos e um religioso que não era padre. Nove deles são mártires. Dos 36, seis já foram canonizados.

Há duas brasileiras natas na lista: Dulce Lopes Pontes e Lindalva Justo de Oliveira, além de um padre espanhol que trabalhou e morreu no Brasil, Mariano de la Mata. Quanto ao país de origem, então, os 36 santos e beatos desse período se dividem assim: treze italianos, sete espanhóis, seis poloneses, duas brasileiras, um sul-africano, um francês, uma nicaraguense, um salvadorenho, uma mexicana, uma albanesa, um eslovaco, um indiano.

Quando se considera o país em que se viveu, trabalhou e morreu, entram nessa pluralidade de lugares do mundo o Equador, o Peru, a Costa Rica, a China, o Mianmar, o Cazaquistão e os Estados Unidos.


Agora, a relação e fotos deles na ordem cronológica de sua partida para o Céu: 

1

O Beato Maria Eugênio do Menino Jesus (1894-1967), um carmelita francês, foi beatificado em novembro de 2016.

São Pio de Pietrelcina (1887-1968) alcançou grande fama já em vida; ele tinha feridas como a dos estigmas de Jesus nas mãos e nos pés.

A Beata Maria Troncatti (1883-1969) era italiana, mas trabalhou no Equador por mais de quarenta anos e lá morreu, em um acidente de avião.

O Beato Manuel Lozano Garrido (1920-1971) era um jornalista, portador de deficiência física, que viveu com confiança e alegria em meio às dificuldades de sua condição.



O Beato Tiago Alberione (1884-1971) fundou a família paulina, para evangelizar através dos meios de comunicação social.

A Beata Maria Rosa de Jesus (1917-1972) trabalhava em asilos de sua congregação. Morreu de tuberculose.

Beato Agostinho Thevarparampil (1891-1973) era conhecido como Kunjachan, “padrezinho” em um dialeto da Índia, onde nasceu, viveu e serviu os mais pobres.

Santa Maria Maravilhas de Jesus (1891-1974), mesmo sendo religiosa de clausura, fundou vários mosteiros de monjas, um colégio para crianças pobres e se preocupava com os necessitados.




O Beato Ladislau Bukowiński (1904-1974). Nascido na Ucrânia, ele era de nacionalidade polonesa e trabalhou no Cazaquistão. Foi preso em duas ocasiões em gulags, os campos de concentração soviéticos.

O Beato Miguel Sopocko (1888-1975), tendo sido diretor espiritual de Santa Faustina Kowalska, foi um grande propagador da devoção à Divina Misericórdia.

São Josemaria Escrivá (1902-1975) fundou o Opus Dei, que enfatiza a busca de santidade através das ocupações do cotidiano e da vida profissional.

O Beato Basílio Hopko (1904-1976) foi um bispo da Igreja Greco-Eslovaca Católica martirizado durante a ocupação comunista.





O Beato Gabriele Allegra (1907-1976), um frade franciscano, foi o primeiro a traduzir completamente a Bíblia para o chinês. Italiano, viveu na China por mais de quarenta anos e lá morreu.

A Beata Maria Romero Meneses (1902-1977), nascida na Nicarágua, é conhecida como “a apóstola social da Costa Rica”, onde trabalhou.

O Beato Luigi della Consolata (1922-1977) foi um religioso enfermeiro em instituições que cuidavam de necessitados.

O Beato Paulo VI (1897-1978) foi o papa que conduziu a maior parte do Concílio Vaticano II e publicou seus documentos. Seu pontificado deu forma ao modo de exercer o ministério petrino nos tempos atuais.





O Beato Oscar Romero (1917-1980) foi arcebispo de San Salvador, onde se destacou na defesa da população mais oprimida. Foi assassinado enquanto celebrava a missa, a mando de militares ligados ao governo de direita salvadorenho.

A Beata Maria Bolognesi (1924-1980) foi leiga e trabalhou no campo a vida toda. De profunda vida de oração e mística, estava sempre atenta às necessidades dos pobres.

A Beata Maria Inês Teresa do Santíssimo Sacramento (1904-1981), nascida no México, mudou-se com a família para os Estados Unidos fugindo da perseguição aos católicos em seu país natal e fundou duas congregações depois de retornar.

O Beato Mariano de la Mata (1905-1983) nasceu na Espanha, mas viveu mais de cinquenta anos no Brasil. Morreu na cidade de São Paulo.






A Beata Esperança de Jesus (1893-1983) fundou duas congregações, uma na Espanha, onde nasceu, e outra na Itália, onde morreu. Foi uma grande mística.

O Beato Luigi Novarese (1914-1984) se dedicou a fundar diversas instituições para o cuidados dos pobres, deficientes e enfermos.

O Beato Jorge Popiełuszko (1947-1984) foi torturado e assassinado barbaramente pelo governo socialista polonês, por manter corajosamente suas atividades pastorais, por criticar o regime comunista-ateu e apoiar os sindicatos que se opunham a ele.

O Beato Clemente Vismara (1897-1988) era italiano, mas passou 65 anos como missionário no Mianmar, no Sudeste Asiático.







O Beato Benedict Daswa (1946-1990) era um professor sul-africano, casado e pai de oito filhos. Convertido ao catolicismo na juventude, catequista e evangelizador em sua aldeia, foi morto por membros de sua tribo depois de se recusar a contribuir com uma "vaquinha" para pagar os serviços de um curandeiro.

A Beata Chiara Badano (1971-1990), chamada de “Luce” (luz), foi uma jovem do Movimento dos Focolares que, acometida por um tumor ósseo, viveu em meio às contrariedades com uma alegria contagiante. Sofreu sua dolorosa doença com grande paz interior e notável felicidade.

A Beata Dulce dos Pobres (Dulce Lopes Pontes: 1914-1992), conhecida como o “anjo bom da Bahia”, trabalhou incansavelmente ao serviço dos pobres em Salvador, sendo referência de bondade e caridade em todo país e até no mundo inteiro, à semelhança de Santa Teresa de Calcutá.

A Beata Lindalva Justo de Oliveira (1953-1993), religiosa Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, trabalhava em Salvador, em um asilo, quando foi morta por um homem com problemas psicológicos que vivia na casa, depois de recusar os seus assédios sexuais.





Os Beatos Miguel Tomaszek (1960-1991), Zbigniew Strzałkowski (1958-1991) e Alessandro Dordi (1931-1991), comprometidos pacificamente em favor dos pobres no Peru, onde eram missionários, foram mortos por membros da guerrilha comunista Sendero Luminoso. Os dois primeiros eram franciscanos poloneses e o último um missionário italiano.

O Beato Giuseppe Puglisi (1937-1993), conhecido como “Pino”, foi morto por membros da máfia italiana, por denunciar continuamente as barbáries cometidas pelo grupo. Quando seu executor (que testemunhou depois) chegou para mata-lo, em grande paz e com um belo sorriso nos lábios lhe disse: “amigo, já lhe esperava ansiosamente”.




O Beato Álvaro del Portillo (1914-1994) foi o sucessor de São Josemaria Escrivá na liderança do Opus Dei.

Santa Teresa de Calcutá (1910-1997) fundou na Índia as Missionárias da Caridade para cuidar dos mais pobres entre os pobres. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1979 e foi uma das mulheres mais influentes de seu tempo. Era citada como exemplo de santidade até mesmo por ateus e agnósticos.

Santa Maria Puríssima da Cruz (1926-1998) dedicou sua vida aos pobres, doentes e jovens e foi superiora de sua congregação, a Companhia da Cruz.

São João Paulo II (1920-2005) foi um dos homens mais influentes do século XX e o seu longo pontificado, durante o qual visitou mais de cem países, é um dos mais relevantes de todos os tempos. Homem de profunda oração e grande evangelizador, sofreu um atentado a bala em 1981 e uma longa enfermidade nos seus últimos anos de vida.

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(Fonte: site “Sempre Família”)