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domingo, 8 de janeiro de 2017

SÃO LUCIANO, Presbítero e Mártir (312 d.C.) - 07 de janeiro




Samosata, cidade da Síria, é a terra de São Luciano. Menino de doze anos apenas, perdeu os pais, mas, tão firmado já estava na virtude cristã, que distribuiu os seus bens entre os pobres e procurou asilo no convento do abade Macário, para poder instruir-se ainda melhor nos princípios da fé cristã e da santa perfeição. A prática constante das virtudes e o estudo dedicado dos livros sacros prepararam Luciano para a luta contra as heresias de seu tempo.
Tendo recebido em Antioquia o sacramento da Ordem, dedicou-se primeiramente ao ensino nas escolas primárias, com o fim de dar à mocidade uma instrução nos moldes dos princípios cristãos. Pelo estudo e pela prática, adquiriu conhecimentos tão sólidos nas ciências bíblicas, que pode organizar uma nova edição dos livros sagrados, corrigindo os erros que, por descuido ou por ignorância, quiçá por malícia, se tinham insinuado nas traduções antigas. Esta nova edição teve acolhimento gratíssimo e prestou grandes serviços mais tarde a São Jerônimo quando, por ordem do Papa São Dâmaso, este fez nova tradução da Escritura Sagrada.
Eram tão acatadas suas autoridade e competência que todos, fiéis e hereges, se lhe referiam, e sua ortodoxia foi valorosamente defendida por São João Crisóstomo e Santo Atanásio contra os arianos, que seu testemunho tinham invocado em favor de sua heresia.
O fato de Luciano ter sido preso em Nicomédia, por causa de uma controvérsia com um sacerdote herético é prova cabal da retidão de sua doutrina. Uma apologia da religião Católica, apresentada ao imperador Maximiano, tem Luciano por autor.
A decretação da guerra de extermínio à Igreja, por Diocleciano, surpreendeu Luciano, quando se achava em Nicomédia. Por ser católico e sacerdote de Cristo, foi encarcerado. Da prisão dirigiu uma carta aos fiéis de Antioquia, comunicando-lhes que o Papa Antímo tinha sofrido o martírio e o incumbira de transmitir-lhes as saudações.
Nove anos durou a prisão. Passado esse longo tempo, foi apresentado em juízo ao governador imperial ou ao próprio imperador. O processo que os juízes adotaram, para fazê-lo abjurar a religião foi o de costume: elogios, promessas, ameaças e, por fim, condenação. Luciano ficou firme e sua resposta a todos os argumentos e propostas do juiz foi esta: “Sou cristão”!
O imperador mandou sujeitar o servo de Deus a crudelíssima flagelação, que não deixou um lugar são no corpo da vítima e, depois, ordenou que, assim terrivelmente maltratado, fosse deitado em cacos de vidro e pedras agudas. Quinze dias passou o mártir nesta posição, sem que alguém se lembrasse de oferecer-lhe de comer. Quando depois lhe apresentaram comida, era esta deliciosa, apetitosa: mas, Luciano rejeitou-a resolutamente, porque eram iguarias que tinham vindo dos templos pagãos.

Pela segunda vez, Luciano foi citado perante o juiz. O resultado não foi outro. Negando-se a sujeitar-se às exigências do magistrado, foi de novo submetido a dolorosíssima tortura e metido no cárcere. Aos fiéis que o visitaram, o santo sacerdote exortava à constância na fé.
Para fortificar a si mesmo e aos irmãos, celebrou a santa Missa sobre o próprio peito e deu a Santa Comunhão a si e a todos os fiéis presentes. Esta última Missa foi o prefácio de sua morte gloriosa. São João Crisóstomo afirma que Luciano morreu pela espada. Outros, porém dizem que foi estrangulado secretamente, por ordem de Maximiano. Atiraram com corpo ao mar. Poucos dias depois, porém, os cristãos o encontraram na praia e deram-lhe honrosa sepultura. As relíquias do mártir estão na igreja principal de Arles, na França. São Luciano morreu provavelmente em Samosata, em 07 de janeiro de 312.




Curiosidade:

Santa Helena, mãe do rei Constantino era muito devota de São Luciano, o qual citava com frequência ao filho, que ainda não havia se convertido. Constantino que a amava muito, durante o seu reinado, mandou que as relíquias do Santo fossem transladadas para Helenópolis, cidade natal de sua querida mãe. Depois ele mesmo, em 337, escolheu a sepultura do Santo para ser o local do seu batizado, oficializando sua conversão e de todo o seu reino. Esse ato propagou ainda mais o culto de Santo Luciano, tanto no Oriente como no Ocidente.


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