Páginas

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Beata Margarida Bays, Virgem, Terciária Franciscana, Mística e Estigmatizada (27 de junho)



Margarida Bays nasceu em La Pierraz, paróquia de Siviriez, no Cantão de Friburgo, Suíça, em 8 de setembro de 1815, segunda dos sete filhos de José Bays e de Maria Josefina Morel, agricultores e bons cristãos. Dotada de vivacidade e de inteligência excepcional, frequentou por 3-4 anos a escola de Chavennes-les-Forts, aprendendo a ler e a escrever. Desde pequena demonstrou particular inclinação para a contemplação, deixando de brincar com suas companheiras para se retirar no silêncio da oração.
Aos 11 anos foi admitida à Primeira Comunhão na paróquia de Siviriez. Aos 15 anos fez um período de aprendizado como costureira, profissão que exerceu por toda sua vida seja em casa, seja nas famílias vizinhas.
Margarida descartou a possibilidade de tornar-se religiosa, preferindo permanecer solteira e santificando-se no seio da família e junto à paroquia, onde praticamente ficou toda a vida. Os três irmãos e as três irmãs tinham por ela profunda afeição e ela, costurando e fazendo os trabalhos domésticos, criou com eles uma atmosfera de bom humor e de paz.
Mas, depois do casamento do irmão mais velho com uma empregada sua, Margarida teve que suportar a hostilidade e a incompreensão da cunhada, que se tornara a dona da casa em seu lugar. Ela reprovava o tempo passado por Margarida em oração ou no tranquilo trabalho de costura, enquanto ela se esgotava nos trabalhos do campo.
Por longos 15 anos Margarida opôs a isto o silêncio e a paciência, fruto de sua caridade, que suscitava a admiração de quantos a circundavam. Por fim a cunhada reconheceu seus próprios erros e Margarida com grande caridade cristã a assistiu no seu leito de morte.

Tanto na sua própria casa, como naquela onde ia trabalhar, Margarida convidava os presentes a recitar com ela uma ou duas dezenas do Rosário. Assistia todos os dias a Santa Missa e isto constituía “o cume de sua jornada”. No domingo, dia de festa e oração, após a Missa ficava na igreja em oração diante do Santíssimo Sacramento, fazia a Via Sacra por uma hora e recitava o Rosário.
Ela gostava de fazer a pé longas e cansativas peregrinações aos Santuários Marianos, sozinha ou com amigas; vivia constantemente na presença de Deus. Leiga cheia de zelo, dedicava seu tempo livre a um apostolado ativo junto às crianças, ensinando-lhes o catecismo e formando-as para uma vida moral e religiosa; também preparava com grande solicitude as jovens para sua futura condição de esposas e mães. Visitava infatigavelmente os enfermos e os moribundos. Os pobres encontravam nela uma amiga fiel, cheia de bondade.
Introduziu na paróquia as Obras Missionárias e contribuiu para difundir a imprensa católica durante o Kulturkampf (*). Era uma incansável apóstola da oração, pois tinha presente sua importância vital para todo cristão. Amava profundamente a Jesus Eucaristia e a Virgem Maria.

Quarto e leito de dor e morte da Beata. 

Em 1835, aos 35 anos, lhe sobreveio um câncer no intestino, que os médicos não conseguiram deter. Margarida pediu à Virgem Santíssima que lhe mudasse estas dores por outras que lhe permitissem participar mais diretamente na Paixão de Cristo.
Em 8 de dezembro de 1854, no momento em que o Papa Pio IX proclamava em Roma o dogma da Imaculada Conceição, uma enfermidade misteriosa inesperadamente se manifestou, a qual a imobilizava em êxtases todas as sextas-feiras, enquanto revivia no espírito e no corpo os sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, desde o Getsemani até o Calvário.
Recebeu ao mesmo tempo os estigmas da crucifixão, que ela dissimulava zelosamente aos olhos dos curiosos. O bispo de Friburgo, Mons. Marilly, mandou um médico verificar os êxtases e os estigmas de Margarida, o qual autenticou oficialmente a origem mística dos fenômenos.
Nos últimos anos de sua vida a dor se fez mais intensa, mas suportou-a sem um lamento, abandonando-se totalmente à vontade do Senhor. Foi então que ela compôs a belíssima oração: “Ó Santa Vítima, chama-me a Ti, é justo. Não leve em consideração minha repulsa; que eu complete no meu corpo aquilo que falta aos Teus sofrimentos. Abraço a cruz, desejo morrer contigo. É na chaga de Teu Coração que espero exalar o último suspiro”.
Morreu, segundo seu desejo, na festa do Sagrado Coração, na sexta-feira 27 de junho de 1879, às três da tarde. Os paroquianos de Siviriez e do entorno, quando do anúncio de sua morte, diziam: “A nossa santa morreu!”. 
Os funerais ocorreram no dia 30, com a participação de numerosos sacerdotes e uma multidão de fieis. Margarida foi sepultada no cemitério de Siviriez. Mais tarde foi transladada para a igreja paroquial, onde repousa na Capela de São José.
A fama de santidade que gozava em vida continuou e se ampliou após sua morte. Em 29 de outubro de 1995, São João Paulo II beatificou-a.

Fontes:

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Venerável Servo de Deus Pablo Maria Guzmán, Presbítero e Fundador.





O Padre Pablo Maria Guzman nasceu em 25 de setembro de 1897, em Cuanamuco, Guanajuato, no México. Foram seus pais: Sr. José Guzmán Toledo e a Sra. Refugio Figueroa de Guzmán. Foi batizado em Piñícuaro, Gto, em 25 de setembro de 1897.

Em 16 de junho de 1921, professou na Congregação dos Missionários do Espírito Santo – instituto fundado no México pelo Venerável Padre Félix de Jesus Rougier (1859— 1938). Trata-se de um das cinco Obras da Cruz, inspiradas por Nosso Senhor a Venerável Conchita Cabrera de Armida (1862-1937). Foi ordenado sacerdote em 29 de setembro de 1923, na cidade do México.


Padre Pablo fundador
Grande místico, foi conduzido pelo Espírito Santo a meditar, contemplar e aprofundar a passagem da Escritura, onde Jesus conversa com a Samaritana (Jo 4,23). Em 11 de outubro de 1933, durante uma noite de adoração,  escreveu a sua “Oração de Fogo para pedir ao Divino Pai seus adoradores”, verdadeira Carta Magna de sua espiritualidade.


Funda com a Madre Enriqueta Rodríguez Noriega, a Congregação das Missionárias Eucarísticas da Santíssima Trindade no México, em 20 de novembro de 1936. Ele dirá: “Minha missão no seio da igreja e da minha Congregação é de ser a gratidão: sentindo-a, praticando-a e pregando-a”.

Em dezembro de 1937, funda seu ramo secular: as Missionárias Auxiliares Filhas da Solidão de Maria.





A Santa Missa celebrada pelo Venerável Padre Pablo
Em Madri, no dia 12 de dezembro de 1960, em adoração no Mosteiro do Verbo Encarnado, recebe uma grande graça mística e uma grande luz interior acerca dos “Adoradores do Pai”: “E foi em Madri, no Mosteiro do Verbo Encarnado, em 12 de dezembro, quando compreendi claramente que o grande meio de glorificação para o Divino Pai e a Trindade Santíssima está no Santo Sacrifício da Missa”.

Morreu em 17 de fevereiro de 1967, aos 70 anos de idade. Seus restos mortais se encontram na cripta da Igreja de São Felipe de Jesus na Cidade do México. Sua causa de canonização se iniciou em 25 de março de 1993. Em 14 de junho de 2016, foi aprovado seu decreto de virtudes heroicas, sendo portando agora VENERÁVEL. 

Em muitos lugares e países, se multiplicam os favores e pequenos milagres na vida daqueles que se encomendam a ele suas necessidades. Contamos com vários milhares de testemunhos escritos de pessoas que escrevem para dar graças para os favores recebidos. Roguemos para que logo por sua intercessão o Senhor nos conceda os milagres necessários para a beatificação e canonização.


O místico
Para bem celebrarmos sua memória e conhecermos sua espiritualidade, apresentamos belíssimos textos extraídos de seus escritos deste grande místico mexicano:

“A Oração de Fogo para pedir ao Divino Pai seus adoradores” .

“Creio no poder conquistador do grande Sacrifício da Missa”!

“Creio na verdade de meu sacerdócio”!

“Vivo no Céu do meu Amor ao Pai”

“Quem pode algo contra um sacerdote fiel a sua vocação?”.

“Eu quero ser formado por Maria…”.

“Como não viver sempre abrasado no Amor divino?”.

“A serviço e em favor do sacerdócio”.

Sua espiritualidade:
A virtude central que o Padre Pablo viveu foi a CARIDADE.
Amou apaixonadamente a cada uma das três Pessoas Divinas da Santíssima Trindade e a Virgem Maria.

E amou com intenso amor de misericórdia e serviço a todos os homens, transmitindo-lhes a espiritualidade das Obras da Cruz. Manifestou este amor em:
Suas numerosas e largas horas de oração contemplativa.
Em sua incansável atividade apostólica dedicada a busca e formação de pessoas que viveram em plenitude seu compromisso batismal com uma especial tonalidade de adoração de gratidão e foram “Adoradores do Pai” segundo os desejos de Jesus.
Em sua docilidade ao Espírito Santo para buscar sua transformação em Cristo Filho, Sacerdote e Adorador.

O lema de sua vida foi: “SEI EM QUEM ACREDITEI, EM QUEM DEPOSITEI MINHA CONFIANÇA E A QUEM CONSAGREI A MINHA VIDA”.


ORAÇÃO

Pai Celestial, nós Vos agradecemos porque vosso servo, o Padre Pablo Maria, Vos amou e serviu fielmente, a imitação de Jesus, com absoluta confiança na força da Eucaristia, em todas as circunstâncias de sua vida. Enviai-nos o vosso Espírito para amar-Vos com esse mesmo amor e concedei-nos a graça que Vos pedimos por sua intercessão… Rogamos-vos vê-lo logo nos altares, para vossa maior glória e o bem da Igreja. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.



sábado, 10 de junho de 2017

Serva de Deus Elisabeth Leseur, Esposa, Mística e Alma Vítima.


“Deus soube fazer jorrar a verdade de meus próprios erros e apoderou-se de mim pelos meios mais inesperados. E agora, com a sua graça, minha fé é íntima, consciente e tão profunda, que as pessoas ou coisas que me fazem sofrer por ela, não podem mais perturbá-la.”

Em 16 de outubro de 1866, nascia em Paris, Elisabeth Arrighi, jovem de boa condição financeira, bem educada e de boa família católica. Elisabeth se casou em 31 de julho de 1899, com Félix Leseur, médico, jornalista e – hoje diríamos – um ativista agnóstico e anticlerical.

Assim conta Félix: “No momento de nosso casamento, me comprometera a respeitar as crenças de minha mulher e deixá-la praticar em liberdade. Mas logo comecei a suportar impacientemente outras convicções que não eram as minhas negações, e, como a neutralidade religiosa é uma burla nas relações particulares assim como nas instituições publicas, tomei Elisabeth como objeto do meu proselitismo às avessas. Pus-me a atacar a sua crença, esforcei-me para arrancar-lhe e , – que Deus me perdoe!- quase o consegui “.

Sua campanha ardorosa para esta conversão às avessas de sua esposa, a conduziu a certo esfriamento da prática religiosa. Assim ele buscava influenciá-la através de livros, que ele pensava que poderiam “ajudar”. Assim, deu-lhe livros de Renan, “História das origens do Cristianismo”, “A Vida de Jesus”.

Mas estes tiveram o efeito contrário.  Sua alma reagiu diante da apostasia e retornou para Deus, começando para ela uma fase nova: freqüência dos sacramentos, ascese, oração e de formação.

Se Félix tem sua biblioteca anticatólica, ela inicia sua própria, com a leitura de São Jerônimo, São Tomás, São Francisco de Sales, Santa Teresa.

Ela escrevera: “Comecei a estudar filosofia e muito me interessa. Esse estudo esclarece muita coisa e põe em ordem o espírito. Não compreendo que não se faça dele o complemento de toda educação feminina.”

Os Leseur são um casal de seu tempo, de uma Paris efervescente: amigos, jantares, viagens internacionais. Cercados de amigos, mas praticamente todos partilhavam da aversão religiosa e da incredulidade de Félix.

Este seu percurso interior é extremamente só. E a Nosso Senhor, ela diz na oração: “Sede Senhor, o caro Companheiro da minha solidão interior, o Hóspede divino de minha alma, vivei nela e dai-lhe sem cessar, na comunhão e na oração, as vossas mais íntimas graças. Fazei de mim o apóstolo do vosso Coração pela prece, pelo sofrimento e pela ação”.

E sua Vida Espiritual vai se aprofundando. Ela vai se tornando contemplativa, orante. Verdadeira mística, sem nada de extraordinário, exceto seu amor a Deus.

Aos amigos, aos incrédulos, buscará ajudar com suas palavras, com suas respostas cheias de convicção, com sua amabilidade e com sua amizade. Mas especialmente com sua oração e sacrifício. Ela diz: “Deus se encarrega de fazer por nós, e melhor que nós, o que sonhamos empreender. A influência que quiséramos exercer, Ele a emprega no bem das almas, enquanto nós Lhe oferecemos unicamente o nosso silêncio, a nossa fraqueza e inércia aparente.“

Para seu amado Félix, ela deseja que reencontre a Deus. Redobra as orações, os sacrifícios: “Meu Deus, dar-me-eis um dia… em breve.. a alegria imensa de uma plena comunhão de alma com meu caro marido, de uma mesma fé e uma mesma existência completamente orientada para vós? Quero por esta intenção, redobrar as orações, mais que nunca suplicar, sofrer e oferecer a Deus comunhões e sacrifícios, a fim de obter essa graça tão desejada". 






Elisabeth sempre teve uma saúde frágil, e durante sua vida, as enfermidades se sucederam. Muitas vezes a obrigaram a longos repousos e a várias intervenções cirúrgicas. Deus a vai conduzindo ao Calvário: “Sofrer parece ser verdadeiramente minha vocação e o apelo íntimo de Deus para minha alma. E depois, sofrer me permite fazer obra de reparação, de obter – eu espero – as grandes graças que eu desejo tanto para minhas almas queridas, para as almas.”

Em meio a esta solidão interior e sofrimento físico, Deus lhe dá um grande conforto, durante uma visita ao famoso Hôtel-Dieu, de Beaune, ela conhece uma religiosa, Irmã Marie Goby, que será sua amiga. Que consolo uma verdadeira amizade espiritual. O contato epistolar entre as duas trará a Elisabeth muito consolo, já que com ela podia abrir sua alma.

Diz Nosso Senhor: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15,13). E Elisabeth ama profundamente seu esposo Félix, ama com aquele verdadeiro amor… Assim escreve: “Meu caro Félix, nem minha família, nem essas outras almas pelas quais tão pouco posso fazer, sabem talvez a que ponto eu as amo. Na “querida eternidade”, no centro do amor mesmo, é que gozaremos inteiramente esses afetos. Mas, meu Deus, como se pode amar quando não se ama em Vós?“

E, por amor, desejava que ele conhecesse a Verdade do Evangelho, que ele experimentasse a felicidade que ela vivia, felicidade da Vida em Deus. Assim, em um momento decisivo, quando foi decidido que ela seria submetida a uma operação cirúrgica, ela faz com Nosso Senhor um “Pacto íntimo entre minha alma e Deus, meu coração e o Coração de Jesus”. E nesta oração, de coração a Coração, que repetirá nos últimos anos de sua vida, ela se oferece por Félix, ela se oferece pela conversão do seu esposo.

Meu bom Salvador, entre o Vosso Coração e o meu é que se deve fazer esse pacto de amor, que Vos dará uma alma, e a mim, para a eternidade, aquele que amo e quero comigo no Céu”. 

Assim, escreverá posteriormente Félix: “No momento em que foi decidida a operação que se tinha que fazer, concluíra com Deus uma espécie de PACTO oferecendo sua vida em troca da minha conversão. O seu sacrifício era absoluto e estava convencida que Deus o havia aceitado e que a chamaria para Si prematuramente. Mas, estava também persuadida que ele asseguraria a minha conversão. (…), ela própria me declarara algumas semanas antes de sua morte. Conversávamos uma tarde sobre Sua crença na vida futura e na Comunhão dos Santos, e ela terminou com esta afirmação dita com autoridade um tanto solene: ‘VIRÁS ENCONTRAR-ME, ESTOU CERTA”



A PROFECIA DE ELISABETH LESEUR A SEU MARIDO

Deixemos que seja o próprio Félix Leseur a contar-nos:

- Hei de morrer antes de ti – disse-me ela a queima-roupa, ao terminar uma conversa.

– Por que me dizeis isto? – respondi – como o sabeis?

Sei, com todas as doenças que tenho tido e os vestígios profundos que elas deixam em meu organismo, isto é certo.

– Mas não, as saúdes delicadas são em geral as mais duráveis e a tua não está tão comprometida como o supões.

– Sim, morrerei antes de ti. E, quando eu morrer, hás de te converter e quando estiveres convertido, te farás religioso. Serás Dom Leseur ou o Padre Leseur. Serás o Padre Leseur.

– Mas é absurdo o que dizes. Conheces minhas idéias e meu agnosticismo só tem se acentuado, assim como a minha hostilidade.

Verás – disse ela certamente para terminar – verás.

Depois de longos sofrimentos, Elisabeth morre no dia 03 de maio de 1914, nos braços de seu amado Félix.






Mas, tudo estava por começar… A grande mudança só estava começando na vida de Félix Leseur. Assim, ele contará:

“Depois de sua morte, quando tudo parecia acabado para mim, achei o TESTAMENTO ESPIRITUAL, que redigira em minha intenção, e, por indicação de minha cunhada, seu DIÁRIO. Mergulhei-me nessa leitura, li-o, reli-o e uma revolução operou-se em todo meu ser moral. Compreendi a beleza celeste daquela alma, que aceitara seus sofrimentos, os oferecera, mais até, que se oferecera e sacrificara principalmente por minha conversão”.

“Pouco a pouco, se abriram os olhos da fé. Senti Elisabeth, na aparência desaparecida, no entanto guiando-me.”

“Elisabeth me conduzia à verdade, e continua, bem o sinto no meu íntimo, a sustentar meus passos para uma união ainda maior com Deus”

Em 1917, Félix publica o Diário da sua Elisabeth, fazendo que o mundo conhecesse a preciosa obra que Deus realizou na alma de sua esposa. E o segredo de Elisabeth, sua vida interior, que durante toda sua vida fora desconhecida para todos, especialmente para Félix, agora se fazia conhecida…

Assim, Deus realizava os desejos mais profundos que Elisabeth deixou escrito: “Que Ele me conceda a graça de ser apóstolo, e de fazer conhecer às almas, por meus exemplos e meus atos, a força e a vida que Ele traz a uma alma e como pode transformar um ente humano, mesmo fraco como eu. O Espírito Divino que fez de pescadores ignorantes, apóstolos de coração ardente, pode servir-se de mim para fazer algum bem; isso rogo-lhe com ardor.”


Frei Marie-Albert Leseur
Em 1919, Félix entra no noviciado dos Dominicanos, seu nome religioso será Frei Marie-Albert Leseur, e em 08 de julho de 1923, menos de dez anos após a morte de Elisabeth, ele é ordenado sacerdote.

Frei Marie-Albert Leseur
Dedicar-se-á a fazer conhecida a vida e espiritualidade de sua esposa, que ele assim descreve: “A existência de Elisabeth Leseur não apresenta, sem dúvida, fatos sensacionais; ela decorreu muito simplesmente no amor de Deus e do próximo, na unidade confiante da família e do lar, no cumprimento dos deveres de estado, de todos os deveres, na aceitação do sofrimento físico e moral, muitas vezes mu
ito penoso, na resignação e submissão à vontade de Deus”; ela “prova que, uma senhora, tendo parte na vida mundana do século XX, casada com um incrédulo, é possível ter uma religião ativa e esclarecida, fortalecida na oração, inspirando seus atos e elevando-a aos cumes da perfeição cristã. Ela se torna assim, para qualquer senhora no mundo, um guia seguro, um apoio sólido, e seu exemplo é, nesse ponto de vista, um argumento apologético de primeira ordem”.


Ele se encarregará da publicação de seus escritos íntimos, cartas, etc., e de preparar a sua causa de beatificação, até sua morte em 1950.



O processo de beatificação de Elisabeth Leseur

O Postulador geral da Ordem dos Pregadores está buscando dar um novo impulso a causa de beatificação da Serva de Deus Elisabeth Leseur (1866-1914).

Hoje mais que nunca, precisamos do seu testemunho de fidelidade, sua profunda vida interior e sua vivência do Evangelho na vida cotidiana. Sua mensagem é atual e necessária ao nosso tempo atribulado.

Portanto, pedimos a todos que receberam graças (físicas ou espirituais), a todos que foram tocados pela vida e pelos escritos da Serva de Deus, o favor de entrarem em contato com a Postulação Geral dos Dominicanos:

Frei Llewellyn Muscat O.P.

postulatio@curia.op.org


Rezemos ao Senhor que nos conceda a graça da beatificação da Serva de Deus Elisabeth Leseur.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

SÃO BOAVENTURA DE BAGNOREGGIO e o Seráfico SÃO FRANCISCO DE ASSIS, "os santos berços" da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.



Devoção ao Sagrado Coração de Jesus: devoção de origem franciscana
A Ordem Seráfica contribuiu muito para a preparação e propagação do atual culto ao Coração de Cristo. Isso aconteceu no longo período de transição da idade patrística até as ‘revelações’ de Margarida Maria, com afirmações de ordem doutrinal, ascética e devocional, que se inserem particularmente no apogeu da devoção mística medieval (1250-1350) e constituem, para a própria ordem, a base das sucessivas manifestações e práticas de piedade. 
Dois fatos suscitaram e favoreceram essa contribuição: a espiritualidade e devoção de são Francisco à humanidade de Cristo, particularmente aos mistérios da Paixão, e a renovação desses mistérios na própria vida do Patriarca estigmatizado – dois fatos novos e inspirantes que mantiveram a atenção dos franciscanos voltada para o Redentor e para são Francisco.



A representação característica de São Francisco abraçado pelo crucificado e querendo beijar-lhe a chaga do lado (pintura de Murilo) encontrou, assim, uma feliz correspondência na apaixonada contemplação franciscana dos sofrimentos e das cinco chagas de Cristo, especialmente da chaga do lado. Dessa contemplação, aconteceu uma passagem, fácil e natural, ao próprio Coração de Cristo, em si mesmo e como símbolo do amor e fonte de toda a graça. Podemos dizer que uma devoção explícita ao Coração de Jesus nasceu no ambiente de espiritualidade cristocêntrica e de misticismo criado em torno às ordens beneditina e franciscana.
O franciscano São Boaventura, no seu Itinerarium Mentis in Deum, guia do coração do peregrino em seu itinerário em busca de Deus, afirma que o único caminho para o Pai é um grande amor ao Senhor crucificado. Esse amor deve levar a uma verdadeira comunhão de corações, com Cristo e os irmãos. E no seu livro Vitis Mystica, encontramos um primeiro aceno explícito à devoção ao Coração de Jesus: “O Coração de nosso Senhor foi transpassado por uma lança para que através da ferida visível possamos ver a ferida invisível do seu amor”. São Boaventura pode ser considerado um dos primeiros devotos do Coração de Jesus.
Muito cedo, os frades menores fizeram do Coração de Cristo objeto de meditação e pregação, de estudo e ilustração ascético-doutrinal, de invocação e culto, chegando a ver no Coração de Cristo a síntese e a verdadeira meta de toda a sua espiritualidade ligada ao divino Redentor. Com Boaventura, a verdadeira devoção, a espiritualidade e o culto do Coração de Jesus começam a tomar forma concreta na Ordem Seráfica. Ele já falava de um duplo objeto do culto ao Coração de Jesus: o Coração físico e o simbólico. Tratou ainda da finalidade do culto e das práticas devocionais. Afirmou que o objeto desse culto é o infinito amor, a infinita ternura do Coração de Cristo. Que o Coração de Jesus é o símbolo de seu grande amor pela humanidade. É um amor pleno, total e permanentemente novo. Disse também que o nosso amor por Cristo também precisa ser assim, porque a finalidade da devoção ao Coração de Cristo é exatamente a resposta de amor a esse amor do Senhor.


São Boaventura de Bagnoreggio
São Boaventura de Bagnoreggio foi quem teve a primeira visão do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria – quem impôs estes nomes aos corações. A tradição franciscana notou que na aparição, compôs a jaculatória usada ainda hoje:“Doce Coração de Jesus, faz com que eu te ame sempre mais!”
Mas é também um grande fato a célebre visão que teve Santa Margarida Maria Alacoque, em 04 de outubro de 1686, quando lhe apareceu nosso Senhor Jesus Cristo e lhe mostrou São Francisco, revestido de uma luz e de um esplendor inefável, elevado em um eminente grau de glória sobre os santos e unido àquela memorável palavra: “Eis o Santo mais unido ao meu Coração; toma-o como o teu guia!”

Em 1675 um padre secular, São João Eudes, obteve do Papa Clemente X a aprovação das confrarias do Sagrado Coração, e indiretamente a aprovação dessa devoção. Em 1765, o Papa Clemente XIII aprovou uma festa litúrgica do Sagrado Coração só para a Polônia e para Roma, mas os franciscanos já celebravam internamente na Ordem. Quase um século depois, em 1856, o Papa Pio IX prescrevia essa festa para toda a Igreja.
Na Ordem Franciscana, durante o governo de São Boaventura, como Ministro Geral (1257-1274), no ano de 1263 recebeu da Santa Sé (do Papa Bento XII) a aprovação para a devoção. Porém, a consagração da Ordem só se deu em 1879. Dez anos mais tarde (1889), o Papa Leão XIII elevou à categoria de primeira classe (solenidade) a festa particular dos franciscanos e das confrarias, com a encíclica Annum sacrum.
Este mesmo Papa abriu a série das encíclicas sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Desde então, a voz dos Papas não cessou de enaltecê-la e recomendá-la: encíclicas, cartas apostólicas, discursos, vieram se sucedendo nos últimos tempos. Assim a Igreja vem oferecendo ao povo cristão um rico manancial de um profundo conhecimento de Cristo, a fim de despertar os fiéis para um amor mais sincero e ardente para o Coração do Verbo Encarnado, incitando-os, ao mesmo tempo, a imitar os sentimentos do divino Coração. O ato de desagravo ao Sagrado Coração de Jesus foi publicado, pela primeira vez, pelo Papa Pio XI, em 08 de Maio de 1928, com a carta Miserentissimus Redemptor.


Santa Margarida Maria Alacoque
Foi à Santa Margarida Maria que as promessas foram feitas e, por este mesmo motivo, mais estruturalmente organizada a solenidade. O motivo do tempo de comemoração remonta sempre à Santíssima Trindade e ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, isto é, terceira sexta-feira (memorial da sexta-feira da Paixão) depois de Pentecostes e o terceiro sábado, que remonta ao Sábado Santo – dia da “grande espera”. Nesta ocasião é oportuna e recomendada a oração da Salve Regina, em que invocamos a Virgem Maria como “Advogada nossa”; o termo “Advogado”, em grego, é traduzido por “Paráclito”, que tanto para a Igreja do Oriente, como do Ocidente é a terminologia própria para a Terceira Pessoa da Trindade – o Espírito Santo – o que novamente remonta a Pentecostes.
Ou seja, numa linha de sucessão de solenidades, desde pentecostes, passamos pelos mistérios da Santíssima Trindade, do Corpo e Sangue do Senhor e, finalmente, do seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Sua Mãe.





    São Francisco de Assis e o Sagrado Coração de Jesus.

A Ordem Franciscana contribuiu muito para a preparação e propagação do culto ao Sagrado Coração de Jesus. Foram dois fatores principais desta contribuição: primeiro a espiritualidade e devoção de São Francisco à humanidade de Cristo, particularmente aos mistérios da Paixão; depois, a renovação desses mistérios na própria vida de São Francisco estigmatizado como o Crucificado.
Pode-se dizer que a devoção explícita ao Sagrado Coração de Jesus nasceu no ambiente de espiritualidade cristocêntrica (coloca o Cristo no centro de tudo) das ordens beneditina e franciscana.
O franciscano São Boaventura Bagnoreggio, considerado um dos primeiros devotos do Sagrado Coração de Jesus, afirma que o único caminho para o Pai é um grande amor ao Senhor crucificado (“Itinerarium Mentis in Deum” – Itinerário da Mente em Deus). Esse amor deve levar a uma verdadeira comunhão de corações, com Cristo e com os irmãos. No seu livro “Vitis Mystica” (Videira Mística), encontramos um primeiro aceno explícito à devoção ao Coração de Jesus: “O Coração de nosso Senhor foi transpassado por uma lança para que através da ferida visível possamos ver a ferida invisível do seu amor”.
São Boaventura afirmou que o objeto dessa devoção é o infinito amor, a infinita ternura do Coração de Cristo. Que o Coração de Jesus é o símbolo de seu grande amor pela humanidade. É um amor pleno, total e permanentemente novo. Disse também que o nosso amor por Cristo também precisa ser assim, porque a finalidade da devoção ao Coração de Cristo é exatamente a resposta de amor a esse amor do Senhor.
Os franciscanos logo fizeram do Coração de Cristo objeto de meditação e pregação, de estudo e ilustração ascético-doutrinal, de invocação e culto, chegando a ver no Coração de Cristo a síntese e a verdadeira meta de toda a sua espiritualidade ligada ao divino Redentor.
Os franciscanos já celebravam internamente na Ordem a devoção ao Sagrado Coração e, em 1856, o Papa Pio IX prescreveu essa festa para toda a Igreja.
Hoje a espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus nos faz pensar numa maneira de ser, num estilo de vida que expresse o amor de Deus, a ternura e a misericórdia Dele para com cada filho e filha.

Oração:
"Achei o Coração do meu Senhor, do meu irmão, do meu amigo, o Coração do meu dulcíssimo Jesus. E não hei de adorá-lo? Sim e a ele hei de endereçar minhas súplicas... E assim como eu achei o Vosso Coração ó Jesus amável, que é também o meu, assim também eu Vos suplicarei ó meu Deus. Aceitai, ó meu Senhor, as minhas orações neste santuário de Vossa liberalidade. Melhor ainda, dignai-Vos fazer-me entrar neste Vosso Coração".

(S. Boaventura)










Fonte: 
http://sagradocoracaobebedouro.com.br/devocao.php

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Beata Elias de São Clemente, Virgem carmelita descalça (29 de maio)


A vida de Irmã Elias nos deixa numa espécie de constrangimento pela sua simplicidade, na qual podemos ver uma profunda experiência de Deus e grande humanidade.

“O pensamento de que eu vivo para Ti, meu Deus, deve me fazer feliz em todos os eventos. Peço-Te, meu bom Jesus, com todo o meu coração a graça do desapego de todas as coisas deste mundo e viver apenas para Ti, de não desejar nada para mim, mas viver como se eu fosse sozinha no mundo. Dá-me graça, ó meu Deus, para penetrar nos segredos mais íntimos do teu Coração ardente, e viver aqui desconhecida para qualquer olhar humano vivo e até para mim mesma; Faça que eu aja conduzida diretamente por Ti, fale inspirada por Ti, viva de Teu respiro, e as batidas do meu coração se fundam com as batidas divinas do Teu”.

Terceira filha de Giuseppe Fracasso e Pasqua Cianci, a nova Beata nasceu no dia 17 de Janeiro de 1901, em Bari (Itália), e foi batizada com o nome de Teodora.

A sua família mantinha-se graças ao trabalho do pai, mestre pintor e decorador de edifícios. Considerados excelentes cristãos, os pais de Teodora representavam para ela e para os seus quatro irmãos um seguro ponto de referência no seu crescimento humano e espiritual.

Quando tinha cerca de cinco anos de idade, Teodora afirmou ter visto em sonho uma linda “Senhora” que passeava num campo coberto de lírios floridos e em seguida desapareceu num feixe de luz. Depois da sua mãe lhe ter explicado o possível significado da visão, a criança prometeu que quando crescesse se tornaria monja. Além disso, na véspera da sua primeira Comunhão, sonhou que Santa Teresa do Menino Jesus lhe predizia: “Serás monja como eu”.

Entrou na Associação da Beata Imelda Lambertini, Dominicana de acentuada piedade eucarística, e depois na “Milícia Angélica” de São Tomás de Aquino, reunindo-se periodicamente com as amigas para meditar e rezar, ler o Evangelho, a “Imitação de Cristo”, as vidas dos santos e em particular a autobiografia de Santa Teresinha.

Em 1914 foi introduzida na Terceira Ordem Dominicana como noviça, com o nome de Inês, e fez a profissão no ano seguinte, depois de ter recebido uma dispensa especial, por causa da sua jovem idade. Ampliou infinitamente o seu campo de apostolado, de catequese e de assistência, dando livre espaço ao seu profundo desejo de fazer o bem ao próximo; contudo, o seu coração aspirava por uma vida de clausura.

 Assim, sabiamente orientada pelo seu confessor, preparou-se com uma profunda espiritualidade para dar o novo passo e, em 1920, vestiu o hábito carmelita escolhendo o nome de Irmã Elias de São Clemente. No ano seguinte emitiu os votos simples seguindo, a exemplo de Santa Teresa do Menino Jesus, o “pequeno caminho da infância espiritual onde me sentia chamada pelo Senhor”. Fez a profissão solene em 1925.

No final de 1926 começa a sofrer uma dor de cabeça contínua e grave, a qual ela chamou de “irmãozinho” amado “Meu irmãozinho – escreve para o sacerdote que dirigia a sua alma – não me permite fazer longos discursos, muito menos ouvir. Como você vê, todas as coisas cooperam para me isolar cada vez mais de tudo e viver somente de Deus. Nada perturba a paz de minha alma. Tudo que eu preciso é uma alavanca para levantar-me a Ele. Não, Padre venerável, não me arrependo de ter consagrada uma vítima do Senhor.” Na verdade, era o começo de encefalite, que a levaria à morte. Sua doença foi quase despercebida, tratada como uma simples gripe. A Irmã Elias sofreu deste mal durante o ano inteiro e, na vigília de Natal, recebeu a visita de um médico, que só pôde constatar a irreversibilidade das suas condições de saúde (meningite e encefalite).

A nova Beata faleceu ao meio-dia de 25 de Dezembro, entrando no Céu como tinha previsto: “Morrerei num dia de festa”. A jovem Carmelita deixou em todos uma lembrança nostálgica, mas também um grande ensinamento: é necessário caminhar com alegria rumo ao Paraíso, porque este é o “Ponto Omega” de todo aquele que crê. Foi beatificada em 14 de março de 2006, pelo Papa Bento XVI.


ORAÇÃO
Deus todo-poderoso e eterno, que aceitastes comprazido a oblação que de si mesma vos fez a Beata Elias de São Clemente, virgem, concedei-nos, por sua intercessão, que, alimentados pelo Pão Eucarístico e iluminados pela luz da Vossa Palavra, cumpramos fielmente a Vossa santa vontade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo, Amem!



sábado, 27 de maio de 2017

SANTA MARIA ALFONSINA DANIL GHATTAS, Virgem e Co-Fundadora.


Em Aïn-Karem, Palestina, Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas, cofundadora da Congregação das Irmãs Dominicanas do Santíssimo Rosário de Jerusalém. († 1927)

     Desde pequena Maryam Soultaneh Danil Ghattas, seu nome civil, que nasceu em Jerusalém em 04 de outubro de 1843, sentia uma devoção especial pela Virgem Maria e a recitação do Rosário. “Que Mãe bela, Maria! Não a posso descrever; nenhuma imagem se assemelha sequer um pouco a sua imensa beleza. Bem-aventurado quem goza eternamente”, diz ela em um de seus escritos divulgados por sua comunidade.
     Foi batizada em 19 de novembro de 1843 e recebeu o Sacramento da Confirmação das mãos do primeiro Patriarca latino de Jerusalém, José Valerga, depois da restauração do patriarcado em 18 de julho de 1842.
     Foi graças a seu estreito relacionamento com Maria que pode ver com clareza, quando tinha apenas 14 anos, seu chamado para a vida religiosa. Seu amor à Virgem ajudou-a também a enfrentar algumas dificuldades, como a oposição de seu pai à sua vocação. Finalmente, em 1860, vestiu o hábito no instituto das Irmãs de São José da Aparição, tomando o nome de Maria Alfonsina.
     “Sobressaia-se por sua profunda piedade e firme adesão à fé católica. Fundou a associação das Filhas de Maria e também outra orientada às mães cristãs. Continuou seu trabalho apostólico em Belém”, assegura o postulador para sua causa, Pe. Vitor Tomás Gomez, OP.
     A Irmã Maria Alfonsina era favorecida com várias aparições de Nossa Senhora, que lhe revelou seu desejo de que ela fundasse a Congregação do Santo Rosário de Jerusalém. Numa dessas visões, Alfonsina viu, em sonhos, freiras portando um hábito azul, ao mesmo tempo em que ouvia a Virgem Maria censurar-lhe a lentidão em responder ao seu apelo.
As aparições de Nossa Senhora fizeram com que ela ficasse absolutamente sedenta, ansiosa para se entregar totalmente a Deus. "Eu sentia um grande desejo de suportar as dificuldades. Achava delicioso tudo o que era amargo e doloroso. A solidão era o paraíso do meu coração e a obediência, o céu do meu espírito. Achava as ordens das Superioras fáceis de serem seguidas”, escreveu em seu diário.
Um dia, em visão, a Virgem Maria lhe fala do Pe. José Tannus, um santo sacerdote do patriarcado latino, sugerindo que ele seja seu diretor espiritual e administrador da Congregação que desejava que fosse fundada . Foi ele que encontrou em Jerusalém, não longe do patriarcado, a modesta casa na qual entram as cinco primeiras postulantes, entre elas Irmã Maria Alfonsina, em 24 de julho de 1880. O Patriarca Vicente Bracco impõe o hábito às postulantes em 15 de dezembro de 1881.
     A Irmã Maria Alfonsina teve que enfrentar várias dificuldades para obter de Roma a dispensa do instituto das Irmãs de São José da Aparição para se dedicar à Congregação do Santo Rosário. Esta permissão ela obteve em 1880, depois de muitas dificuldades e com a ajuda do Pe. José Tannus Yammin.
     Em 06 de outubro de 1883, a Irmã Maria Alfonsina, que quis conservar o mesmo nome na nova fundação, recebeu o hábito da Congregação do Rosário. Em 1885, foi admitida à profissão e pronunciou seus primeiros votos.
     A 25 de julho de 1885 foi viver em uma nova casa da Congregação, em Jaffa de Galileia, perto de Nazaré, com outra Irmã, para dar apoio à paróquia local.
     Foi ali que se deu um milagre: um dia, Nathira I'd, uma menina, cai em um poço profundo cheio de água. Irmã Maria Alfonsina teve então a inspiração de lançar o seu rosário no poço, e se dirigiu em seguida à igreja para invocar Nossa Senhora e rezar o Rosário com outras meninas. Passado um tempo, Nathira sai do poço são e salva, dizendo que viu uma grande luz e uma escada em forma de rosário que a ajudou a sair.




     Em 1886 fundou uma escola feminina em Beit Sahour, pequena localidade de pastores, perto de Belém, dando trabalho às jovens pobres da cidade.
     Em 1887, com três Irmãs, deixou Beit Sahour e foi para Salt, a primeira missão na Transjordânia. Dois anos mais tarde, foi enviada a Naplouse, porém voltou para a casa central de Jerusalém por razões de saúde. Uma vez restabelecida, foi enviada para Zababdeh. Em 1892, viaja a Nazaré onde cuida do Pe. Tannus até sua morte.
     Em 1893, a Irmã Maria Afonsina abriu em Belém uma oficina para dar trabalho às jovens pobres da cidade. Passou ali 15 anos de zelo e entusiasmo.
     Em 1909 foi enviada a casa central de Jerusalém, onde fundou um orfanato, permanecendo naquela cidade até 1917, ocasião em que foi enviada para fundar um orfanato em Aïn-Karem. Ali pode voltar a sua vida de oração e cumprir o desejo da Virgem Maria: que o Rosário seja rezado perpetuamente. Ali permaneceu até sua morte, em 25 de março de 1927. Madre Maria Alfonsina exala o último suspiro rezando o rosário com sua irmã, Hanneh Danil Ghattas.
     “Ó Senhor! É assim que te mostras generoso e consolas aos pecadores que não te suplicam! Do que é feita tua caridade para com teus amigos e eleitos? Ó Maria, minha mãe! Quem te pode compreender? Que pode dar-se conta de tua compaixão para com as filhas de tua raça, especialmente aquelas que se sentem desorientadas em sua vida?”, escreveu a Santa.

     Irmã Maria Afonsina passou 42 anos a serviço de seu instituto. Em todos os lugares onde morava concentrava sua ação em ensinar a ler e a escrever, a fazer trabalhos manuais, fundava associações para as mulheres, ensinava o catecismo, e, obviamente, difundia a recitação do Rosário.
     “A mortificação de si mesmo atrai graças imensas, assim como a oração e a modéstia”, repetia constantemente.

Duas grandes santas da Terra Santa
canonizadas no mesmo dia: Santa Maria
de Jesus Crucificado e Santa Maria
Alfonsina. 
     Atualmente há cerca de 300 Irmãs da Congregação do Santo Rosário presentes na Palestina e Israel, Jordânia, Líbano, Síria, Emirados Árabes Unidos, Egito e Roma. A congregação apenas aceita moças árabes e segue o rito latino.
     “Dei-me como uma oferenda total por tudo o que a Divina Providência queria de mim. Não encontro nenhum mal naquilo que sofro, porque sou uma oferenda do Rosário”, dizia Santa Maria Alfonsina.
     Foi beatificada em 22 de novembro de 2009, na Basílica da Anunciação de Nazaré; canonizada em 17 de maio de 2015 na Basílica de São Pedro, pelo Papa Francisco.








Livramento da morte certa alcançado por Santa Maria Alfonsina: o MARAVILHOSO relato do padre franciscano Abuna (Frei) Nirwan, no Iraque.

Abuna Nirwan, frade franciscano, miraculado e libertado
graças à intercessão de Santa Maria Alfonsina (foto do site
Aletéia)


O Frei (Abuna, em árabe) Nirwan (foto acima) é um franciscano que nasceu no Iraque e, antes de ser ordenado sacerdote, estudou medicina. Foi destinado à Terra Santa e, em 2004, ganhou das Irmãs Dominicanas do Rosário uma relíquia da sua fundadora e um terço usado por ela. O padre passou a trazer a relíquia e o rosário sempre consigo.

A fundadora em questão é Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas, cristã palestina canonizada em 2015 pelo Papa Francisco. Em 2009, quando o Papa Bento XVI aprovou o milagre para a sua beatificação, a Santa Sé pediu a exumação do corpo da religiosa. Esta missão costuma caber ao bispo local, que, para realizá-la, designa um médico. E esse médico foi justamente o Frei Nirwan.

Em 2004, a relíquia e o rosário.  Em 2009, a exumação. E esses dois fatos extraordinários não foram os únicos que ligaram o padre Nirwan àquela santa fundadora.

Dois anos antes da aprovação do Papa Bento à beatificação da religiosa, mais um fato simplesmente arrepiante envolvendo o pe. Nirwan e a madre Maria Alfonsina tinha sido relatado pelo padre Santiago Quemada no seu blog “Un sacerdote en Tierra Santa”.


Eis o relato:

A história que vamos contar aconteceu em 14 de julho de 2007. Abuna Nirwan foi visitar a sua família no Iraque e, para isso, precisou contratar um táxi. Ele mesmo relatou o caso na homilia de uma missa que celebrou em Bet Yalla. O padre Nirwan contou:

Não havia possibilidade de ir de avião para visitar a minha família. Era proibido. O meio de transporte era o carro. Meu plano era chegar a Bagdá e ir de lá para Mossul, onde viviam os meus pais.

O motorista tinha medo por causa da situação no Iraque. Uma família, formada pelo pai, a mãe e uma menininha de dois anos, pediu para viajar conosco. O taxista me falou do pedido e eu não vi nenhum inconveniente. Eram muçulmanos. O motorista era cristão. Ele disse que havia lugar no carro e que eles podiam ir conosco. Paramos num posto de combustível e outro homem jovem, muçulmano, também pediu para ir junto até Mossul. Como ainda restava um assento, ele também foi aceito.

A fronteira entre a Jordânia e o Iraque só abre quando amanhece. Quando o sol se levantou, uma fila de cinquenta ou sessenta carros foi avançando lentamente, todos juntos.

Seguimos a viagem. Depois de mais de uma hora, chegamos a um lugar onde estavam fazendo uma inspeção. Preparamos os passaportes. O motorista nos disse: “Tenho medo desse grupo”. Antes era um posto militar, mas uma organização terrorista islâmica havia matado os militares e tomado o controle do local.

Quando chegamos, eles nos pediram os passaportes sem nos fazer descer do carro. Levaram os passaportes a um escritório. A pessoa voltou, se dirigiu a mim e disse: ‘Padre, vamos continuar a investigação. Podem ir até o escritório mais à frente. Depois já é o deserto”. “Muito bem”, respondi. Caminhamos uns quinze minutos até chegar à cabana a que eles se referiam.

Quando chegamos à cabana, saíram dois homens de rosto coberto. Um deles tinha uma câmera em uma mão e um facão na outra. O outro era barbudo e estava segurando o alcorão. Chegaram até nós e um deles perguntou: “Padre, de onde está vindo?”. Respondi que vinha da Jordânia. Depois ele perguntou ao motorista.

Depois se dirigiu ao rapaz que vinha conosco, o agarrou por trás com os braços e o matou com o facão. Amarraram as minhas mãos por trás das costas e disseram:

“Estamos gravando isto para a Al-Jazeera. Quer dizer algumas palavras? Tem menos de um minuto”.

Eu respondi:

“Não, só quero rezar”.

Eles me deram um minuto para rezar.

Depois um deles me empurrou pelo ombro para baixo até eu ficar de joelhos e me disse:

“Você é clérigo. É proibido que o seu sangue caia no chão porque é sacrilégio”.

Por isso ele foi pegar um balde e voltou com ele para me degolar. Não sei o que rezei naquele momento. Senti muito medo e disse à Madre Maria Alfonsina:

“Não pode ser por acaso que eu trago você comigo. Se é preciso que nosso Senhor me leve ainda jovem, estou pronto. Mas, se não é, eu te peço que ninguém mais morra”.

Ele pegou a minha cabeça, segurou meu ombro com força e levantou o facão. Uns instantes de silêncio e de repente ele perguntou:

“Quem é você?”

Respondi:

“Um frade”.

E por que eu não consigo mexer o facão? Quem é você?”.

E, sem me deixar responder, prosseguiu:

“Padre, você e todos voltem para o carro”.

Fomos de volta até o veículo.

Daquele momento em diante, eu perdi o medo da morte. Sei que um dia morrerei, mas agora é mais claro que vai ser só quando Deus quiser. Desde aquele momento, eu não tenho medo de nada nem de ninguém. O que vier a me acontecer é porque é vontade de Deus e Ele vai me dar a força para acolher a Sua cruz. O importante é ter fé. Deus cuida dos que acreditam n’Ele”.




Fontes:
Blog Heroínas da Cristandade (http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2017/03/santa-maria-alfonsina-religiosa-e.html?m=1) Com alguns enxertos no texto. 

Site Aletéia (https://pt.aleteia.org/2017/05/15/o-jihadista-nao-conseguiu-me-degolar-quem-e-voce-eu-nao-consigo-mexer-o-facao/)