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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Beato Luís Magaña Servín, Leigo, pai de família e Mártir (México, 1928).



Nasceu em Arandas - Jalisco, no dia 24 de agosto de 1902. Foi um cristão íntegro, esposo responsável e solícito; manteve suas convicções cristãs sem negá-las, mesmo em tempos de prova e perseguição.

Foi membro ativo da Associação Católica da Juventude Mexicana e da Arquiconfraria da Adoração Noturna ao Santíssimo Sacramento, na paróquia de Arandas. Contraiu matrimônio com Elvira Camarena Méndez no dia 6 de janeiro de 1926; teve dois filhos, Gilberto e Maria Luisa (não chegou a conhecer a filha, pois foi executado antes dela nascer). 

No dia 9 de fevereiro de 1928, um grupo de soldados do Exército Federal, comandado pelo general Miguel Zenón Martínez ocupou o povoado de Arandas. Quando chegaram à sua residência, não puderam prendê-lo pois conseguiu se esconder; Como não o encontraram acabaram levando seu irmão menor. Ao tomar conhecimento do ocorrido, Luis se apresentou diante do mesmo general Martínez, solicitando a liberdade de seu irmão em troca da sua. Essas foram suas palavras:

"Eu nunca fui rebelde ou cristero como vocês me intitulam, mas, se por acaso, me acusam de ser cristão, sim, isso eu sou! E, se por isso devo ser executado, muito bem, que assim seja. Viva Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe"! 
Sem qualquer trâmite ou burocracia, o militar decretou a morte de Luis, que antes de entregar sua alma à Cristo, com um potente brado exclamou:

"Viva Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe"! 


Suas palavras foram interrompidas por uma rajada de fuzil... Eram três horas da tarde de 9 de fevereiro de 1928.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Beato Jerzy Popieluszko, presbítero e mártir polonês. Morto pelos comunistas ateus, em ódio à fé católica.



“Rezemos para que fiquemos livres do medo e da intimidação, mas principalmente do desejo de vingança e violência.” Pe. Popieluszko
Em seu processo de beatificação lemos esta bela declaração: “a morte dele abre-nos os olhos: os olhos do nosso coração, do nosso entendimento e da nossa fé. Mesmo depois de morto, o Padre Jerzy Popieluszko fala às consciências”.
Considerado um dos mártires do movimento pela democratização da Polônia, o sacerdote Jerzy (George, em português) Popieluszko, morto pelo governo comunista em 1984, foi alguém que “somente com as armas espirituais da verdade, da justiça e da caridade, procurou reivindicar a liberdade de consciência dos cidadãos e dos sacerdotes”, disse o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Dom Ângelo Amato, que presidiu sua beatificação, por indicação do Papa Bento XVI.


O Padre Jerzy (George, em português) nasceu em 14 de setembro de 1947, na aldeia Okopy da região de Białystok. Seus pais, Mariana e Vladislau, trabalhavam na agricultura. As condições de vida eram difíceis, mas os pais criaram os filhos com muito cuidado. Em primeiro lugar estava o Senhor Deus, a Santa Missa e a oração da família reunida. A decisão sobre a escolha do sacerdócio foi tomada após a graduação no segundo grau. Em 1965, ingressou no Seminário Arquidiocesano, em Varsóvia. Foi ordenado sacerdote em 28 de maio de 1972.

Durante o seu ministério sacerdotal executou muitas tarefas. Em fevereiro de 1979, recebeu a função de pastor do grupo médico em Varsóvia. Dedicou muita atenção às questões da defesa da vida dos nascituros e da necessidade de prestação de assistência concreta às mulheres grávidas, que se encontravam em situações difíceis.

No domingo memorável de 31 de agosto de 1980, quando o país inteiro estava tomado por uma onda de greves, os trabalhadores dos estaleiros de Huta que estavam protestando em Varsóvia, estavam à procura de um sacerdote que pudesse celebrar as santas missas em suas instalações. O Cardeal Wyszyński enviou o seu capelão. Sem qualquer plano prévio, o Cardeal parou em frente à Igreja de São Estanislau Kostka. Lá descobriu que apenas o padre Popiełuszko poderia ir. Desta forma, pareceria um acaso, mas começou a grande aventura do ministério espiritual para o povo trabalhador. Após a missa o padre Jerzy permaneceu no estaleiro até a noite e desde então vinha várias vezes por semana.

Desde o início da guerra, o Pe. Popiełuszko foi “alvo” do Serviço Secreto da República Popular da Polônia (Służba Bezpieczeństwa PRL). Os oficiais invadiram o presbitério. Foi por milagre que escapou da prisão. Ao ficar em liberdade ocupou-se, com devoção, à organização de ajuda aos presos, às suas famílias e todos que se encontravam em situação difícil.

O Pe. Popiełuszko simplesmente gostava das pessoas. Sem imposição e obsessão podia realmente interessar-se com profundidade pelo homem, sua vida, sua perspectiva, seus problemas. Atraía-as para si porque sentiam a sua bondade. Era mestre em fazer contatos, construir relacionamentos, criar ligações. Era um patrono para todos aqueles que individualmente estavam em busca de realizações, sofrendo de isolamento e mesmo com tratamentos caros em psicoterapeutas não eram capazes de superá-lo. Sem contar com os empecilhos, interferia por aqueles que eram os mais oprimidos. Era defensor de sua dignidade humana. Como escreveu João Paulo II na Encíclica Veritas Splendor os mártires são os guardiões “da fronteira entre a verdade e a mentira”. O Pe. Popiełuszko defendeu durante toda a sua vida uma fronteira clara entre a verdade e a mentira. Falava do valor da verdade e da mediocridade das mentiras apoiadas em muitas palavras que, mesmo assim, desvanecem rapidamente.

Em seus sermões, falou muito sobre a liberdade. Ressaltava que a liberdade não significa anarquia, isto é, fazer toda e qualquer coisa que o homem deseje e o que é viável, mas que seja pela livre busca do bem. Vencer o mal com o bem. Permanecer livre do ódio, da repressão e da vingança. O Pe. Popiełuszko levava café quente para os policiais gelados, que durante o inverno em plena lei marcial vigiavam sua casa.

Desde fevereiro de 1982, assumiu a celebração de Santas Missas pela Polônia. Elas eram celebradas regularmente no último domingo do mês, e logo começou a reunir multidões de fiéis. Ouviam-no os trabalhadores e professores, opositores e até mesmo aqueles pertencentes ao partido da oposição. As pessoas vinham de toda a Polônia, de mês a mês vinham mais e mais pessoas. Não é de admirar que logo por parte das autoridades aparecessem provocações e tentativas de intimidação.

Nas Santas Missas pela Pátria ocorriam muitas conversões, muitos voltaram para a Igreja depois de muitos anos ou até depois de dezenas de anos, e muitos pediam para ser batizados. Os trabalhadores se opunham ao comunismo sem portar armamentos além do Santo Rosário em suas mãos e com imagens da Virgem e do Papa polaco João Paulo II.

Tomou solidariamente parte nos processos penais contra os dirigentes do Sindicato Solidariedade, assegurou a proteção dos seus filhos e suas famílias, organizou para eles assistência jurídica e médica, provendo o necessário aos que eram expulsos de seus postos de trabalho, vítimas da repressão. Sua casa se converteu em um lugar de encontro e de reunião para os obreiros perseguidos, para os que sofriam, para os que eram vítimas da repressão comunista, reuniu homens de todas as gerações e classes sociais. Fazia exposições da Doutrina Social da Igreja, citava as Encíclicas Sociais e os Discursos do Papa João Paulo II.

Mês após mês, a atmosfera em torno Pe. Popiełuszko tornava-se cada vez mais tensa. Sempre era seguido, sabia que sua moradia era vigiada e o telefone gravado. Não escapou de artigos difamatórios na imprensa e muitas horas de oitivas no posto policial.

Em setembro de 1983, junto com Lech Walesa organizou a primeira peregrinação de trabalhadores para Jasna Góra (para o santuário de Częstochowa – e esta ideia mantêm-se até hoje). Um ano mais tarde recebia telefonemas anônimos: “Se fores novamente para Jasna Góra – vais morrer”.

Os lugares associados com o martírio do padre Jerzy Popiełuszko tornaram-se, de modo muito rápido, alvo de peregrinações. Milhares de pessoas rezavam, depositavam flores e ascendiam velas no local do rapto do padre George. Em 6 de Novembro de 1984, no local do sequestro do padre George Popiełuszko foi construída uma cruz fundada pelos paroquianos de Bydgoszcz. Durante vários meses depois do funeral vinham multidões de peregrinos que, em fila até o túmulo, tinham que esperar várias horas.

Muitas pessoas oram por intercessão do Padre George e muitos recebem uma graça especial. No túmulo do padre George as pessoas redescobrem a fé, retornando à Igreja, e depois de muitos anos se confessam.

Entre seus diversos ofícios, destacou-se também na pastoral da saúde, sobretudo, como capelão dos médicos católicos. Merece destaque também na breve vida deste jovem sacerdote, o seu trabalho na preparação das duas visitas do Papa João Paulo II em sua terra natal.

Gravemente enfermo e com a saúde comprometida, foi lhe dada como residência em 1980 a Igreja de Santo Estanislau Kostka na periferia de Varsóvia em um lugar chamado Zoliborz. Ali não era nem pároco, nem capelão; porém ajudava nas confissões e na assistência aos doentes. Contudo neste período, a pedido do Cardeal, foi trabalhar com os operários, por quem doou o melhor de suas forças espirituais e físicas. Organizava a cada mês a chamada “Missa pela Pátria”, onde reunia milhares de pessoas. O conceito e a realidade da solidariedade cristã e da esperança eram quase sempre o núcleo de suas inspiradas homilias que em muito incomodavam o sistema comunista, que por diversas vezes, através de suas autoridades, começaram a fazer diversos protestos a Cúria acusando o sacerdote de atividade antiestatal, e portanto, um perigoso perturbador da ordem pública.

Em dezembro de 1983 o Padre foi chamado a juízo diante das autoridades polonesas. Magistrados começaram a acusá-lo de criminoso. Os meios de comunicação também começaram a denunciá-lo como revolucionário. As autoridades eclesiásticas o defenderam sempre, mas sem sucesso. No dia 13 de outubro de 1984, três oficiais do serviço secreto causaram-lhe um acidente automobilístico. Providencialmente, dele o padre sobreviveu. Alguns dias depois, afirmaria: “A vida deve ser vivida com dignidade, porque temos apenas uma. Peçamos que sejamos libertos do medo, do terror, mas sobretudo, do desejo de vingança. Devemos vencer o mal com o bem, mantendo intacta a nossa dignidade de homens, e por isso não podemos fazer uso da violência”.

No mesmo dia em que dissera estas palavras acima foi sequestrado por aqueles mesmos três homens. Pronunciamentos a favor de sua libertação foram feitos por bispos e sacerdotes. Até mesmo João Paulo II a favor dele se pronunciou na Audiência do dia 24 e no Angelus do dia 28.

Finalmente, no dia 30, seu corpo foi encontrado. Uma morte desumana: Espancado por mais de 14 vezes, com chutes na cabeça. Enforcado e afogado, e ainda enterrado vivo.

O corpo do mártir é encontrado em estado deplorável. Sofreu
morte cruel por sua fidelidade à Igreja e à Pátria polonesa.

Mas a consciência não morre. O seu enterro transforma-se numa manifestação. Milhares de pessoas, incluindo os pais, participam profundamente desgostosos. Para todos é evidente: o Padre Jerzy sacrificou a sua vida pela verdade.

A notícia de seu sequestro e assassinato, aos 37 anos, deu a volta ao mundo. Seu funeral foi em 03 de novembro de 1984, e atraiu cerca de 600 a 800 mil pessoas de todo o país. Já dois dias depois chegaram à Cúria de Varsóvia os primeiros pedidos de sua beatificação.

Em 06 de junho de 2010, na praça Piłsudski em Varsóvia, ocorreram as cerimônias de colocar nos altares uma foto do padre. Jerzy Popiełuszko, capelão do movimento Solidariedade e pastor dos funcionários da saúde, assassinado pelo Serviço Secreto, em 19 de outubro de 1984.

Estavam também presentes à cerimônia de beatificação em Varsóvia a mãe do beatificado, Marianna Popieluszko, que comemorou recentemente 100 anos, seus irmãos e irmãs. “Deus lhe concedeu a graça de estar presente em 1984 no funeral de seu filho e agora poder se alegrar com a sua subida à glória dos altares”, afirmou, ao fim da cerimônia, o arcebispo da capital polonesa, Dom Kazimierz Nycz.

Entre milhões de peregrinos que veneraram a memória do mártir, houve alguém muito especial que visitou o túmulo do Pe. Jerzy no dia 14 de Junho de 1987. Era do conhecimento geral que João Paulo II desejava rezar junto do túmulo do Pe. Popieluszko durante a sua visita à Polónia. Inúmeras referências aos ensinamentos e exemplo do Pe. Popieluszko, presentes nas homilias do Santo Padre, não deixam dúvidas acerca da sua estima pelo sacerdote martirizado.

A beatificação está associada com a decisão de autêntica santidade cristã, cujas virtudes praticadas em grau heroico ou martírio foram confirmadas por meio de um processo. A morte de padre Jerzy Popiełuszko foi claramente reconhecida, no entendimento teológico, como martírio autêntico. Foi uma morte causada pela fé e o ódio contra a fé. O padre foi considerado perseguidor do regime comunista, com todos os seus fatores determinantes que afetam os autores diretos dos crimes. Este, de modo inerente, era um sistema hostil à Igreja e à fé, sobre o que escreveu, em 1937, o Papa Pio XI na encíclica Divini Redemptoris (carta encíclica sobre o comunismo ateu).

O Papa Bento o apresentou, no último Angelus do Ano Sacerdotal, como modelo para os sacerdotes no dia 13 de junho de 2010, ocasião que encerrava uma longa série de ensinamentos a respeito do Ano Sacerdotal afirmou: “Padre Jerzy Popieluszko, Servo da Verdade e do Perdão”. 

A ele, o Papa Bento dedicou dois Angelus. O primeiro, no dia de sua beatificação, assim dizia: “Dirijo cordial saudação a Igreja na Polônia, que hoje rejubila com a elevação aos altares do presbítero Jerzy Popieluszko. O seu serviço zeloso e o martírio são sinais particulares da vitória do bem sobre o mal. O seu exemplo e a sua intercessão façam aumentar o zelo dos sacerdotes e inflamem de amor os fieis leigos”.

 
A santa mãe de Pe. Popieluszko, Sra. Marianna.

Palavras da Sra. Marianna Popieluszko, mãe do Pe. Popieluszko:

“Ofereci meu Filho a Deus.”

“Havia pedido a Deus a graça de ter um filho sacerdote. Quando estava grávida dele o ofereci a Deus.”

“Pouco antes de nascer o ofereci a Virgem Maria.”

Meu filho dizia: “Vence o mal com o bem”. Se pusermos em prática estas palavras, seria o melhor e se nós estamos melhores o mundo também estará melhor.

“Meu filho recebeu a primeira lição de oração em casa.”

“Em qualquer estação, em qualquer clima, se levantava as cinco da manhã todos os dias para ir a Igreja e caminhava quatro quilômetros cruzando o Bosque desde Okopy até Suchowola. Mesmo pequenino nunca perdia a Santa Missa, nem mesmo uma vez. Nunca se queixava de estar cansado, nunca o fez, ele era assim.”

“Desde pequeno se manifestou como ele era. Por exemplo, amava as pessoas, o atraía o próximo.”

“Ele sempre visitava uma anciã que morava ao lado de nossa casa, mesmo quando já estava no Seminário e vinha nos visitar, a acompanhava para conversar com ela, quando levava suas vacas para pastar. Ele dizia: ‘O amor a Deus e ao próximo é o que conduz ao Céu’.”

“Ele era um estudante muito aplicado.”

“Jerzy passava muito tempo rezando o Rosário na Igreja, depois da escola ia para a Igreja e rezava o Santo Rosário todos os dias.”

“Foi ao Seminário de Varsóvia para entregar seus documentos. Naquela ocasião subiu em um trem pela primeira vez, mas não se perdeu. No local do Seminário cujo nome significa povo da Imaculada Conceição, onde o Padre Maximiliano Kolbe estabeleceu uma importante Comunidade Franciscana, estava profundamente ligado a este local, porque quando esteve um tempo com sua avó encontrou muitas revistas do Cavaleiro da Imaculada. Falava muito do padre Kolbe, o considerava como um exemplo. Quando vinha para casa, trazia imagens do Padre Maximiliano, mostrava a todas as pessoas da aldeia que se reunião em nossa casa para esta ocasião. Contou-nos a vida do Pe. Kolbe e se emocionou quando falou de sua prisão e martírio no campo de concentração. Meu filho era muito sensível.”

“Lamentavelmente era propenso a se enfermar, em particular porque tinha sido operado de tireóides depois do serviço militar, sua saúde havia piorado no Exército. Sofreu muitas injustiças, nunca nos contou nada, nunca se queixou. Ele era assim. Depois de sua morte, seus companheiros, os soldados, nos contaram do abuso que havia sofrido. Um dia foi forçado a permanecer descalço na neve porque havia se negado a entregar seu Rosário.”

“Um dia me disse: ‘Mamãe, terei que dar contas a Deus de meus filhos (Espirituais).”

“A última vez que veio em casa me deixou sua batina dizendo: ‘A levarei da próxima vez. Do contrário terá uma recordação minha’. A tenho conservado até agora.”


“Era valente, era forte, ainda que fisicamente débil. Sabia que havia eleito a Deus e lhe seria fiel até o fim.”




Beato Jerzy Popieluszko, herói da Pátria e
da Igreja Católica na Polônia.
(painel de sua beatificação)