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sábado, 17 de setembro de 2016

SANTO AGOSTINHO DE HIPONA: autor de uma das mais belas orações já escritas...




Santo Agostinho, bispo de Hipona, doutor da Igreja, é bem conhecido. Sua autobiografia: "Confissões", já foi lida por milhares, quiçá, milhões de almas e muitos santos tiveram Santo Agostinho como mestre de espiritualidade. 

E é exatamente para homenageá-lo que trago aos leitores deste blog uma das mais belas orações já escritas por santos: o "tarde te amei", de Santo Agostinho. 

Convido a todos que não somente leiam essa oração, mas, que a rezem com devoção, que orem com ela ao Senhor misericordioso que tão pouco amamos e, tantas vezes, fomos e somos ingratos... 



1. Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.

 2. Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…

 3. Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.

 4. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.

 5. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.

 6. Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!

 7. E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…

 8. Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!

 Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

SANTA EUFRÁSIA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS ELUVATHINGAL, Virgem e Religiosa.

Nasceu no dia 7 de outubro de 1877 na aldeia de Kattoor (Índia), na paróquia de Edathuruthy, que formava parte do então vicariato de Trichur (posteriormente passou a ser diocese e foi dividida) e que atualmente pertence à diocese de Irinjalakuda. Era filha de Antony e Kunjethy de Eluvathingal Cherpukara, uma rica família católica do rito siro-malabar. Foi batizada com o nome de Rosa.

     Desde pequena, por influência de sua mãe, mulher muito piedosa, começou a exercitar-se nas virtudes. Na idade de nove anos consagrou a Deus sua virgindade. Contra a vontade de seu pai, na idade de doze anos ingressou no internato das religiosas da Congregação da Mãe do Carmelo de Koonammavu.

     Depois da reorganização dos vicariatos apostólicos realizada no ano 1896, no dia 9 de maio de 1897 as religiosas e as aspirantes do vicariato de Trichur se trasladaram de Koonammavu para Ambazhakkad.

     No dia seguinte, Rosa recebeu o véu e se tornou postulante com o nome de Eufrásia do Sagrado Coração de Jesus. Em 10 de janeiro de 1898 tomou o hábito na Congregação da Mãe do Carmelo, o primeiro instituto feminino surgido na Igreja siro-malabar, que fora fundado em 13 de fevereiro de 1866 em Koonammavu, no Estado de Kerala, por São Ciríaco Elias Chavara e o padre Leopoldo Beccaro, da Ordem dos Carmelitas Descalços, então delegado carmelita em Kerala, como terceira ordem dos Carmelitas Descalços. Desde 1967 é de direito pontifício.



     Em 24 de maio de 1900, por ocasião da fundação do convento de Santa Maria em Ollur (a 5 k da cidade de Trichur), Irmã Eufrásia emitiu os votos perpétuos. Nesse convento viveu durante 48 anos.

     Em 1904 foi nomeada mestra de noviças, ocupando este cargo até ser nomeada superiora em 1913.

     Por causa de seu profundo espírito de oração chamavam-na de “madre orante”. Alcançou uma profunda união com Nosso Senhor, especialmente na Sagrada Eucaristia. As Irmãs carmelitas a chamavam “sacrário móvel”. Passava longas horas diante do sacrário na capela do convento, esquecida de si mesma e de tudo que a rodeava.

     Em uma carta a seu diretor espiritual expressa a sede que sentia de adorar, amar e consolar Cristo na Eucaristia: “Como aqui a maior riqueza, a Santa Missa, não se celebra a miúdo, experimento uma grande dor interior e sinto um grande desejo de suprir essa ausência. Tenho uma grande fome e uma grande sede de fazer algo a respeito” (3 de julho de 1902).


     Ela foi uma grande apóstola da Eucaristia; se esforçava por fazer com que todos amassem, adorassem e consolassem a Jesus no Santíssimo Sacramento. Também tinha uma devoção especial por Cristo Crucificado. Beijava com frequência o crucifixo e falava interiormente com ele, apertando-o contra o peito. O sofrimento, a paixão e a dor de Cristo provocavam uma grande dor em seu coração.

     Professava uma filial devoção à Virgem Maria, que considerava como sua verdadeira mãe. Era especialmente devota do santo rosário; rezava os 15 mistérios meditando na vida de Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima.

     Levou uma vida muito simples e austera, realizando numerosos atos de penitência e mortificação. Comia uma só vez por dia, evitando a carne, o pescado, os ovos e o leite.

     Conjugava perfeitamente a ação e a contemplação em sua vida. Seu amor a Deus se manifestava na compaixão e no amor às pessoas que se dirigiam a ela para que as ajudasse em suas dificuldades econômicas ou problemas familiares, ou para pedir-lhe orações a fim de curar-se de uma enfermidade, obter um emprego ou superar um exame. Sabiam que ela intercederia junto a Mãe de Deus e que suas orações eram sempre escutadas. Era um modelo exemplar de caridade.



     Madre Eufrásia, que havia oferecido sua vida como sacrifício de amor a Deus, faleceu no dia 29 de agosto de 1952. Foi beatificada em 3 de dezembro de 2006 na igreja de Santo Antônio Forane, em Ollur, arquidiocese de Trichur, pelo Cardeal Varkey Vithayathil, arcebispo mor de Ernakulam-Angamaly dos siro-malabares.


     Foi canonizada em 23 de novembro de 2014.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

São Leofredo: o santo abade que deu uma "surra" (literalmente) no demônio.



São Leofredo (Leutfrido, Leufroi, ou Leufroy) foi um abade francês do século VIII canonizado pela Igreja Católica. Leofredo estudou na abadia de Condat e em Chartres. Ensinou em Evreux, França. Viveu como ermitão em Cailly e Ruão. Fundou a abadia da Santa Cruz de Saint-Qu'en por volta de 690. A abadia foi renomeada como Saint-Leufroy em honra do santo, seu fundador. São Leofredo morreu no ano 738 e sua festa se comemora em 21 de junho. De São Leofredo, escreve Ernest Hello na sua "Fisionomia dos Santos":


Nasceu na Áustria; de boa família, a qual deixou para ser sacerdote. Depois de muita luta, fundou a Abadia de Santa Cruz. Sofreu perseguições por seu espírito independente. Recebeu o dom dos milagres e da profecia. Era extremamente severo.

Como não tivesse cabelo, um dia, uma mulher, dele zombou. Disse-lhe o santo: Por que zombas de um defeito da natureza? Não tenha na tua cabeça mais cabelos do que eu tenho na testa; e o mesmo suceda a teus descendentes.

O zelo pelas coisas santas e dias santificados o consumia. Trabalhavam uns camponeses, no dia domingo. Levantou o santo os olhos ao Céu, dizendo: “Senhor, fique essa terra eternamente estéril. Nunca nela se veja nem grão, nem trigo”. E o campo encheu-se de cardos e espinhos.

São Leofredo tinha um zelo de misericórdia, mais de justiça mais ardente ainda. As cóleras de São Leofredo acendiam as chamas da Caridade. As suas imprecações, o poder de sua caridade, o seu amor aos pobres, o seu ódio à injustiça, são as linhas paralelas de sua vida.

Um de seus religiosos morrera; e, com ele, encontraram três moedas. Estava violando o voto de pobreza. Leofredo mandou enterrá-lo em terra profana. Depois, fez um retiro de 40 dias; rezando e chorando pela alma daquele que parecera rejeitar. E, após esses dias, o Senhor revelou-lhe que Sua misericórdia havia liberado a alma que Sua justiça condenara.

 

“Sua fúria contra o demônio era tremenda”.

Uma vez, estando em sua cela, um frade foi avisá-lo que o demônio estava aprontando na Igreja. Reconhecendo seu velho inimigo, o santo correu à capela e fez sinal da cruz sobre as portas e as janelas, como para vedar as saídas. E, avançando sobre ele bateu-lhe com furor.

O demônio quis fugir, mas as saídas estavam vedadas. O corpo que ele tomara para si, poderia ter se dissipado subitamente. Parece, porém, que ele não teve permissão para isso. Deus quis humilha-lo sob as pancadas de São Leofredo.




Muito pouca gente reage e luta contra o demônio com furor.

Ora, o demônio merece ser repelido com ódio. E quando ele se aproxima de nós, nós devemos ter um assanhamento de ódio maior do que nós temos com qualquer pessoa viva nesta terra.
Porque é o inimigo declarado de Deus, o inimigo declarado de nossa alma, que quer toda espécie de mal; e quando nos sentimos tentados, nós devemos ter contra ele um ódio militante, como São Miguel Arcanjo.
Há coisa melhor do que esse exemplo de São Leofredo? São Leofredo bateu no corpo, que era um boneco que o demônio usava. Naturalmente, aquelas pancadas, atormentavam mesmo o demônio. Como o atormenta a gente falar mal dele. Que humilhação!
Pode-se imaginar São Leofredo, já velho, de barba branca, cabelo branco, mas muito conservado ainda; de olhos castanhos. Mas forte e dando pancada com uma serenidade e um ódio únicos. E aquele "boneco" gemendo e estertorando até acabar de ser visto fugindo pela torre.
Valeria a pena, numa época futura, edificar uma capela consagrada a São Leofredo e à Santa Teresinha que também pôs em fuga os demônios. São Leofredo e Santa Teresinha do Menino Jesus formariam um conjunto perfeito.







terça-feira, 13 de setembro de 2016

Beato Engelberto Kolland, presbítero e mártir.

Religioso ainda jovem, Engelberto Kolland deu a vida por Cristo aos 33 anos. Nascera na Áustria a 21 de setembro de 1827, de pais pobres de bens materiais, mas ricos de virtudes cristãs. No verão, o pai ia para outras regiões de florestas e bosques, a fim de ganhar um pedaço de pão como lenhador. A mãe ia com ele, e os filhos ficavam a cargo da professora, senhora Brugger, que se esmerou em os instruir e educar como fervorosos cristãos.
Engelberto Kolland, embora por temperamento fosse uma criança viva e irrequieta, nos tempos de oração ficava calmo e sossegado, numa atitude tão devota que parecia um santo. Numa visita pastoral que o arcebispo de Salzburgo fez à paróquia, o pequeno Engelberto despertou-lhe a atenção: vislumbrando nele indícios de vocação, admitiu-o gratuitamente ao seminário diocesano, na esperança de ele chegar a ser um ótimo sacerdote. Porém, ao cabo de quatro anos teve de ser despedido por irrequieto. Ao voltar para casa, durante um ano trabalhou com o pai, mas não tardou a retomar os estudos, por sentir no seu íntimo uma voz misteriosa a chamá-lo ao serviço de Deus.
Um belo dia encontrou-se na rua com um grupo de jovens franciscanos. Observou-os com atenção, e ficou tão impressionado com a sua modéstia e recolhimento, que decidiu seguir a mesma vida. Disse-o aos seus colegas, e cumpriu a palavra. Passados poucos meses, tomou o hábito religioso na ordem dos frades menores.
A 13 de julho de 1851, em Bolzano, subia pela primeira vez ao altar de Deus para imolar a vítima divina. Agradecido ao Senhor por essa graça, prometeu partir para a Cústodia da Terra Santa, mas só uns anos mais tarde pôde realizar esse sonho. Entretanto trabalhou como coadjutor na paróquia franciscana de Bolzano, e dedicou-se ao estudo de diversas línguas: alemão, latim, inglês, italiano, francês e árabe, sob a direção dum antigo missionário da Terra Santa.
Em 1855 chegou à pátria de Jesus e foi nomeado coadjutor do Beato Carmelo na paróquia latina de Damasco, onde se empenhou com zelo apostólico até soar a hora do sacrifício supremo. A sua serenidade seráfica fez com que todos os estimassem e lhe chamassem “Abuna Melac”, que significa “Padre Anjo”.

Quando se deu a irrupção do Drusos, Engelberto encontrava-se em casa duma senhora greco-católica. Foi rapidamente localizado e reconhecido pelos muçulmanos, que o intimaram a renunciar à fé cristã e fazer-se seguidor de Maomé. A resposta foi um rotundo “não”. Antes de ser assassinado ainda perguntou ao verdugo: “Amigo, que mal te fiz eu, para me matares?”. A resposta era de esperar: “O único motivo da tua morte é seres cristão”. Foi assassinado com repetidos golpes de acha (arma que se parece com um machado) na cabeça.