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sábado, 3 de setembro de 2016

OS CINQÜENTA PRIVILÉGIOS DE SÃO JOSÉ; “LA JOSEFINA” de Frei Jerônimo Gracián (1609)



Frei Jerônimo Gracián foi um carmelita descalço, grande amigo, discípulo e e defensor de Santa Teresa de Jesus (de Ávila), que seguindo as pegadas da Santa, escreveu sua “Josefina” no ano de 1609 para fazer um sumário dos dons e privilégios de São José. 
Trata-se de um livro clássico da piedade josefina de 132 páginas que, seguindo a tradição mística da época, usa símbolos um pouco estranhos para nosso tempo e palavras bonitas a favor de São José.









Os Cinquenta Privilégios de São José

1.     José foi santificado no ventre de sua mãe.

2.     José nasceu livre do “fomes pecati” e da concupiscência da sensualidade.

3.     Nunca pecou mortalmente.

4.     Foi confirmado em graça.

5.     Em José, como fim dos patriarcas antigos, se resume todas as perfeições.

6.     José é o primeiro cristão do mundo.

7.     José foi eleito entre todos os mortais como esposo da Mãe de Deus.

8.     José recebeu por dote de seus desponsórios os dons e talentos que são bênçãos de peitos e ventre.

9.     José foi reverenciado pela Rainha do Céu a quem todos os demais reverenciam.

10. José exerceu ofício de pai, tutor, esposo, companheiro, guarda e conselheiro de Maria.

11. José é mestre e doutor porque conversou com Cristo por 30 anos.

12. José foi aio do Príncipe Celestial.

13. Padrinho por ordenação divina e revelação do anjo.

14. Tutor de quem se fez pequenino, sendo o dono do cosmos e de todo o universo.

15. São José, Pai Nutrício e “amo de leite” de Cristo Jesus.

16. Teve como súdito ao Senhor e Rei de todo o mundo.

17. Foi o primeiro a adorar, depois da Virgem, a Cristo Jesus.

18. Conservador da vida temporal de Deus, dando-Lhe comida e roupa com o trabalho de suas mãos.

19. Conselheiro da construção da Igreja, como carpinteiro experiente, já que ajudou a fazer os modelos, plantas e traços da Nova Jerusalém.

20. Foi amado de Jesus Cristo por razões gerais e algumas particulares.

21. Mereceu o renome de “justo”.

22. Soube imitar as virtudes, retidão e perfeição de Cristo.

23. São José se assemelhou, mais do que ninguém neste mundo, a Cristo e a Maria, “no semblante, palavra, compleição, costumes, inclinações e maneira de tratar com os outros”.

24. Por haver estado mais perto da Humanidade de Cristo: abraçou-O, beijou-O, falou-Lhe, O viu, conversou com Ele, etc., muito se uniu à sua Divindade.

25. Viu-se limpo do suor com as mãos de Jesus e recebeu dEle outros inefáveis regalos.

26. São José se encontrou em ocasiões de amor, nas quais, pedindo mercês a Deus, nenhuma coisa foi-lhe negada.

27. São José recebeu a graça dos sacramentos, apesar de não ter participado deles.

28. Sustentou com o próprio suor a vida de Cristo.

29. São José alcançou inefáveis regalos no trato familiar que teve com Cristo.

30. Foi bendito do Senhor, alcançando as bênçãos do Céu.

31. José fez o ofício de “anjo da guarda” de Cristo Jesus.

32. Como um “arcanjo” foi ministro das embaixadas divinas.

33. Governou a Cristo, “Anjo do grande conselho”.

34. Foi ministro do maior milagre: Deus feito menino.

35. No Egito foi instrumento de Deus para que caíssem os ídolos.




36. Excedeu às dominações em senhorio, pelo serviço do Rei e da Rainha do universo.

37. Fez o ofício de trono ao ter em seus braços a Jesus, Juiz Eterno.

38. Mereceu ser guarda do paraíso terreno, como querubim, pois guardou à Virgem soberana que é o Paraíso de Deleites com a Árvore da Vida, Cristo Jesus.

39. Teve consigo, ao propiciatório, o Rei da Bem-Aventurança.

40. Foi perfeitíssimo virgem, perfeitíssimo santo.

41. Aprendeu oração dos mais elevados espíritos: o de Jesus e o de Maria.

42. Conseguiu todos os fins da contemplação.

43. Morreu nos braços de Jesus.

44. Preparou-se para a hora da de sua morte, pois a soube com antecipação.

45. Ouviu os cantares angélicos, viu luzes e escutou música celestial dos espíritos bem-aventurados.
46. Viveu saudável: nem lhe faltou um dente e nem escureceu a vista.

47. Como precursor no limbo, adiantou as excelências do Messias prometido.

48. José ressuscitou com Cristo entre outros muitos santos.

49. Está em corpo e alma na bem-aventurança.

50. É o primeiro santo canonizado pela boca do Espírito Santo, escrevendo o processo e sentença de sua canonização os sagrados evangelistas. Então se canoniza um santo quando se declara ser justo, estimado de Deus, e haver padecido por Cristo e tido revelações, visões e bens sobrenaturais.



Outras belas imagens de São José: 


























terça-feira, 30 de agosto de 2016

"Santos" Populares: a história de Antônio Marcelino, o "Menino da Tábua", de Maracaí, São Paulo.


Apesar de ter vivido até os 45 anos,
o "Menino da Tábua" tinha o aspecto
e o tamanho de uma criança, por isso
é venerado nessa aparência.
O objetivo principal deste blog é dar a conhecer ao público a história e a vida de Santos, Beatos, Veneráveis e/ou Servos de Deus praticamente "desconhecidos" do grande público católico. Vez por outra, também, trago ao conhecimento dos leitores a história dos chamados "santos populares", isto é, cristãos que o povo já considera como "santos", apesar da Igreja ainda não os terem beatificado ou canonizado. Este é o caso do chamado "Menino da Tábua", de Maracaí, SP. 

Antônio Marcelino, conhecido como o Menino da Tábua, é uma personalidade religiosa de devoção popular brasileira, cultuada informalmente pela realização de supostos milagres.

Nasceu em Cândido Mota, São Paulo, em 1900, filho de um casal de modestos lavradores.

Marcelino, segundo os relatos, foi um bebê prematuro, tendo nascido de sete meses.

Portador de uma doença genética que restringia seu crescimento e desenvolvimento, não andava, não falava e vivia em cima de uma tábua: por isso o apelido. Os pais, algo envergonhados com sua peculiar deformidade física (tinha o aspecto e tamanho de uma criança de 03 a 04 anos), e para escondê-lo da curiosidade popular, sempre o mantiveram em casa. Raramente, portanto, viu a luz do sol.

Passou a maior parte da sua vida deitado sobre uma tábua de lavar roupa. Sempre que era colocado em um berço ou cama, chorava muito, demonstrando querer voltar para sua tábua. Era apenas em sua tábua que se acalmava e dormia; e não deixava que a forrassem com panos ou colchas.

Para se alimentar, consumia apenas leite e água. Não gostava de usar roupas ou cobertas e, por isso, viveu toda sua vida nu, não importando se estivesse calor, frio ou chovendo.


Milagres
Em pouco tempo a história do “Menino da Tábua” começou a se espalhar. Muitos começaram a visita-lo ainda em vida, em busca de milagres. As pessoas acreditavam que Marcelino era uma espécie de “vítima pelos pecados do mundo” e que, portanto, seria um intercessor diante de Deus. Segundo relatos, quando o devoto o procurava por uma graça, a mesma seria alcançada caso o menino sorrisse. Ao contrário, se fosse percebida certa revolta em seu comportamento ou fizesse “cara feia”, a graça não seria alcançada e era ainda um sinal de morte certa. Portanto, as pessoas tinham medo de visita-lo. Assim é a história contada por aqueles que o conheceram.
Faleceu no dia 31 de agosto de 1945 e foi enterrado junto com sua tábua.


Devoção popular
Logo depois da morte de Marcelino, seu túmulo se tornou o destino de romeiros, que vinham pedir sua ajuda. Embora tenha morrido aos 45 anos, a imagem venerada pelos romeiros é a de uma criança.

Uma capela foi construída ao lado para abrigar devotos e agradecimentos pelos milagres a ele atribuídos. A sala dos milagres é repleta de fotos e de ex-votos de pessoas que garantem ter alcançado graças por meio de Marcelino. Muitos lhe atribuem grandes curas.

Devido ao grande fluxo de devotos, foi instituída uma festa anual em sua homenagem. Sua devoção ainda não foi reconhecida pela Igreja Católica. Ele é ainda um “santo popular”, o que não impede que Missas sejam celebradas no local e que os padres aproveitem a ocasião para ministrar os sacramentos e evangelizar o povo.
Com as doações dos devotos e o dinheiro arrecadado pela festa, uma creche e um asilo são mantidos em Maracaí.

Em 2011 a comemoração atraiu milhares de fieis. No mesmo ano, por decreto da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a cidade de Maracaí passou a ser uma Estância Turística Religiosa e a festa do Menino da Tábua foi incluída no calendário turístico de São Paulo.









Música
Parte da popularidade alcançada pelo culto se deve à canção gravada pela dupla sertaneja  Pardinho e Pardal. Em 1978, eles gravaram Menino da Tábua, que narra de maneira bonita e bem tradicional, como costumam ser as músicas sertanejas antigas, a vida de Antônio Marcelino. 

Assistam ao vídeo abaixo: 


video

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Beatos Mártires de Almeria, Espanha (Guerra Civil Espanhola): 07 irmãos Lassalistas e 02 bispos.


A Escola Almeria, na Espanha, contava em 1936 com 19 Irmãos das Escolas Cristãs: 15 atendiam ao Colégio São José e quatro, à Escola de Las Chocillas. Sete deles seriam escolhidos por Deus para receber a palma do martírio. Entretanto, não o sofreram na mesma data. Na noite de 30 para 31 de agosto, os Irmãos Edmígio, Amalio e Valério Bernardo foram trucidados. A 8 de setembro foi a vez dos Irmãos Teodomiro Joaquim e Evencio Ricardo sacrificarem suas vidas. E na noite de 12 para 13 de setembro foram imolados os Irmãos Aurélio Maria, Diretor do Colégio, e José Cecílio.

Fazendo parte do grupo de Almeria, foram martirizados Dom Diego Ventaja Milán, Bispo de Almeria, e Dom Manuel Medina Olmos, de Guadix. Todos formaram um único processo e a documentação, com os testemunhos e o relato do martírio, estiveram unificados desde o princípio. Os nove partilharam dos mesmos sofrimentos na cadeia.

Outros Irmãos do Colégio também estiveram presos, mas conseguiram se livrar da morte e, em geral, nunca se soube bem o porquê. As principais características dos Irmãos martirizados são:

IRMÃO AURÉLIO MARIA: era de bom caráter e alma simples. Bom professor e ótimo educador. Era ótimo religioso, prudente e estimava muitíssimo sua vocação.

IRMÃO JOSÉ CECÍLIO: era muito serviçal e extremamente hábil nos trabalhos manuais. Religioso obediente, piedoso, exato cumpridor de seus deveres.
IRMÃO EDMÍGIO: já como aluno era modelar. Como religioso era uma pessoa realmente piedosa, prudente, trabalhadora e abnegada. Sua piedade era manifesta e sincera.

IRMÃO AMÁLIO: era simples e de caráter serviçal. Excelente professor de alunos menores, os quais o tinham em grande estima.

IRMÃO VALÉRIO BERNARDO: Exato cumpridor dos deveres religiosos e de professor. Caráter alegre e simples. Admirável exemplo de obediência religiosa.

IRMÃO TEODORO JOAQUIM: Um jovem religioso afeiçoado à sua vocação, bom professor, zeloso, prudente.

IRMÃO EVÊNCIO RICARDO: Religioso e educador modelar. Fazia propaganda pela reza do terço diário. Alegre, otimista e com vontade firme de estudar o máximo.


O Papa João Paulo II beatificou o grupo a 10 de outubro de 1993 e fixou a festa destes Mártires Lassalistas para 16 de novembro.

domingo, 28 de agosto de 2016

Beato Rafael Luís Rafiringa, Irmão Lassalista e Missionário.



Nasceu em Antananarivo, Madagascar, em 1856, filho de um funcionário da rainha. A vida do Beato nos começos transcorreu em um marco tradicional, em seguida sofreu a influência franco-inglesa e, por fim, totalmente francesa.

O Irmão Rafael Luis Rafiringa suscita grande interesse, também, porque suas vivências atravessam muitos e diferentes âmbitos: pagão, cristão, escolar, literário, político e até judicial. Foi um homem de Deus a quem as circunstâncias empurraram a sair do âmbito circunscrito à pequena escola para dar resposta por si mesmo a uma exigência da qual provavelmente nem ele mesmo compreendesse o alcance.

Primeiro discípulo de São João Batista de La Salle em Madagascar, desafiou as ambições da família e pediu para unir-se àqueles “estranhos” missionários, não sacerdotes, recém chegados à ilha. O Irmão que se encarregou de acompanhá-lo na formação não lhe concedeu sua autorização de ingresso senão após sete anos de “aprendizagem”. Havia amadurecido de modo surpreendente, crescendo humana, cultural e religiosamente.

Escola, tradução de obras francesas, composição de textos escolares: estas foram suas constantes ocupações, até que, como consequência dos motins independentistas que estouraram na ilha, todos os missionários estrangeiros foram expulsos e ele se viu escolhido, por aclamação popular, chefe dos católicos.

Quanto aos missionários foi concedida a possibilidade de regressar. Maravilhados, encontraram as comunidades cristãs mais numerosas e fervorosas do que quando as haviam deixado. Este pagão, convertido em digníssimo filho de São João Batista de La Salle, é uma esplêndida demonstração do poder da graça de Deus quando encontra um terreno fértil. Por sua ciência, sua atuação e sua santidade é já uma das glórias mais genuínas das quais pode orgulhar-se a Grande Ilha.


No dia 7 de junho de 2009, foi beatificação em Antananarivo, por Bento XVI.  É o primeiro Irmão das Escolas Cristãs de Madagascar. Sua festa é celebrada em 19 de maio.