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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SÃO VENÂNCIO FORTUNATO, Bispo e Padre da Igreja.




Venâncio Honório Clemente Fortunato: um nome grande, de uma grande figura da cristandade de todos os tempos. Era italiano. Nasceu numa família pagã, em Treviso, no ano 530. Estudou em Ravena, importante polo cultural da época, onde se formou em gramática e retórica e se converteu ao cristianismo. Porém, Venâncio sofria de uma doença crônica nos olhos e estava quase cego. Devoto extremado de São Martinho de Tours, rezou muito para a cura por sua intercessão, que ocorreu depois de tocar os olhos com o óleo da lamparina que iluminava a capela dedicada ao santo. Decidiu peregrinar louvando o milagre que Deus lhe concedera e agradecer pela intercessão do santo junto ao seu túmulo, na Gália, hoje França.

Dessa longa peregrinação não mais retornou. No extenso percurso, exercitou um de seus dons, o da poesia, talvez o melhor. Entre camponeses analfabetos e curiosos, através dela conquistava todos os cristãos, e convertia os pagãos. As suas palavras e versos sublimes se transformavam logo em música criando um ambiente cristão, fraterno e alegre, sendo por isso muito bem acolhido por onde passava.

Ao chegar à sepultura de São Martinho em Tours, declamou o belíssimo poema que lhe dedicara pela graça obtida. Depois, seguiu para Poitiers, onde conheceu a futura santa Rategunda, rainha da França. O encontro mudou o rumo de sua vida. Por motivos políticos, ela tivera de casar-se com o rei Clotário I, pagão, pouco letrado e dado às conquistas violentas. Mais tarde, depois de tê-lo convertido, conseguiu sua autorização para seguir a vida religiosa e fundar um convento. Muito grato e respeitoso, Clotário I fez ainda mais, doou-lhe o castelo de Poitiers, que ela transformou no Convento de Santa Cruz, do qual se tornou abadessa.

Foi o estilo de vida monástico da abadessa que fez com que o poeta Venâncio Fortunato se tornasse sacerdote. Rategunda, então, entregou a direção espiritual do convento a ele, com autorização do bispo. Assim, numa Corte composta por nobres pouco instruídos, ela tomou este brilhante poeta e literato como seu particular secretário, confessor e conselheiro espiritual.

Venâncio Fortunato atingiu, ali, o seu melhor momento literário, época de intensa inspiração e produção. Escreveu diversas biografias de santos, entre eles Martinho de Tours, Germano de Paris, Hilário de Poitiers e muitos outros. Também a sua notória obra poética se perpetuou através da inclusão no breviário da Missa, sob a forma de hinos e cânticos, especialmente notados na Semana Santa.


Em 600, foi eleito e consagrado bispo de Poitiers, tornando-se uma figura muito proeminente na história da Gália. Morreu em 14 de dezembro de 607, na sua diocese. Logo passou a ser cultuado pelo povo como santo. A obra que deixou nos leva a uma piedade verdadeira e terna, como a sua, testemunho de humanidade e fé numa época primitiva de barbáries. Por isso, na Catedral de Poitiers, na França, onde suas relíquias são veneradas no dia de sua morte, foi-lhe dedicado um vitral que reflete e enaltece a sua figura de humilde peregrino, laureado poeta, músico e bispo, que foi, em vida, santificada e brilhante no seguimento de Cristo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Beatas Carmelitas Missionárias, Virgens e Mártires de L' Arrabassada, Barcelona (Guerra Civil Espanhola)


     Em L’Arrabassada, perto de Barcelona, também na Espanha, as beatas virgens da Congregação das Irmãs Carmelitas Missionárias e mártires, que, durante a perseguição religiosa, foram assassinadas por causa da sua fidelidade a Cristo Esposo.

     Em 1936, durante a guerra espanhola houve uma grande e devastadora perseguição a Igreja Católica, onde morreram martirizados Bispos, sacerdotes, seminaristas, religiosos, leigos, leigas em fidelidade a Fé em Jesus Cristo, entre eles, estão as Irmãs Carmelitas Missionárias.

     O Papa Bento XVI, em outubro de ano 2007, confirmou o heroísmo e testemunho da sua Fé cristã proclamando-as Beatas e apresentando-as  ao mundo como sinal profético que estimula e fortalece a nossa fidelidade a Jesus Cristo.

     São estes os seus nomes: Ir. Esperança da Cruz (Teresa Subirá Sanjaume) de 61 anos; Ir. Daniela de São Barnabé (Vicenta Achurra Gogenola) de 46 anos; Ir. Gabriela de São João da Cruz (Francisca Pons Sardá) de 56 anos; e Ir. Maria do Refúgio de Santo Ângelo (Maria Roqueta Serra) de 58 anos.

     A Irmã Daniela havia professado seus votos perpétuos em 1921 e trabalhou em Las Corts, no Seminário da Diocese de Barcelona, no Asilo de Badalona, na assistência no Amparo de Santa Lucia (Barcelona) e finalmente na Casa Mãe de Gracia, Barcelona, assistindo a enfermos a domicílio, particularmente uma doente grave em Pedralbes, para onde viajava de bonde (transvia). Precisamente viajando com a Irmã Gabriela, foi denunciada por um empregado da companhia de transporte. Elas foram detidas e fuziladas em L’Arrabassada (Barcelona).

     A Irmã Gabriela tinha emitido seus votos perpétuos em 1913; aos familiares que lhe propunham voltar para casa diante do clima de violência anticlerical, dizia: “que estava disposta a dar a vida e a morrer com as Irmãs; que se Deus a tinha destinado ao martírio, Ele lhe daria a graça necessária”.

     Trabalhou no Hospital de Tárrega, no Asilo de Santa Lucia, em Santa Coloma de Queralt, no Seminário Diocesano, em Las Corts. Esteve uns anos em Villa Mercedes (Argentina), e finalmente, em 1936, na Casa Mãe de Gracia, Barcelona, destinada à serviço de enfermeira a domicílio, junto com Irmã Daniela.

     No mesmo dia, e supostamente pelo mesmo comitê, foi detida a superiora da Casa-Colégio de Vilarrodona, Irmã Esperança da Cruz, que havia feito seus votos perpétuos em 1902. Ir. Esperança da Cruz nasceu em 1875 em Ventolá, Girona. Trabalhou com doentes em Tárrega e de Alayor (Baleares), e no ensino em Sans e Vilarrodona (Tarragona).

    Junto com ela foi detida a Irmã Maria do Refúgio, que fizera sua profissão solene em 1904 e trabalhou em várias casas de Barcelona e Vilarrodona, da qual foi vigaria do colégio; e onde as duas experiências fizeram-na passar a ser “medrosa e acovardada diante do perigo do martírio, porém disposta ao que Deus quisesse” e a “desejar morrer por Ele e passar pelo martírio”. Ambas também foram fuziladas em L’Arrabassada.

(Fonte: blog "Heroínas da Cristandade")

terça-feira, 16 de agosto de 2016

SANTO ILDEFONSO DE SEVILHA, Bispo e Padre da Igreja.


Segundo os escritos foi por intercessão de Nossa Senhora, a pedido de seus pais, que Ildefonso nasceu. Assim, o culto mariano tomou grande parte de sua vida religiosa, ponteada por aparições e outras experiências de religiosidade.
Ildefonso veio ao mundo no dia 08 de dezembro de 607, em Toledo, na Espanha. De família real, que resistiu aos romanos, mas, que se renderam politicamente aos visigodos, foi preparado muito bem para o futuro. Estudou com Santo Isidoro em Sevilha. Depois de fugir para o mosteiro de São Damião nos arredores de Toledo, Ildefonso conseguiu dos pais aprovação para se tornar monge, o que aconteceu no mosteiro próximo de sua cidade natal.
Pouco depois de tornar-se diácono, herdou enorme fortuna devido à morte dos pais.
Empregou todas as posses em favor dos pobres e fundou um mosteiro para religiosas. Seu trabalho era tão reconhecido que após a morte do abade de seu mosteiro, foi eleito por unanimidade para sucedê-lo. Em 636 dirigiu o IV Sínodo de Toledo, sendo o responsável pela unificação da liturgia espanhola.
Mais tarde, quando da morte de seu tio e bispo de Toledo, Eugênio II, contra sua vontade foi eleito para o cargo. Chegou a se esconder para não ter que aceitá-lo, sendo convencido pelo rei dos visigodos que o procurou pessoalmente. Depois disso, Ildefonso desempenhou a função com reconhecida e admirada disciplina nos preceitos do cristianismo, a mesma que exigia e obtinha de seus comandados.
Nessa época Ildefonso escreveu uma obra famosa contra os hereges que negavam a Virgindade de Maria Santíssima, sustentando que a Mãe de Deus foi Virgem antes, durante e depois do Parto. Exerceu importante influência na Idade Média com seus livros exegéticos, dogmáticos, monásticos e litúrgicos.
Entre suas experiências de religiosidade constam várias aparições. Além de ter visto Nossa Senhora rodeada de virgens, entoando hinos religiosos, recebeu também a “visita” de Santa Leocádia, no dia de sua festa, 09 de dezembro. Ildefonso tentava localizar as relíquias da Santa e esta lhe indicou exatamente o lugar onde seu corpo fora sepultado.
O sábio bispo morreu em 23 de janeiro de 667, sendo enterrado na igreja de Santa Leocádia. Mas, anos depois, com receio da influência que a presença de seus restos mortais representava, os mouros pagãos os transferiram para Zamora, onde ficaram até 888. Somente em 1400 seus despojos foram encontrados sob as ruínas do local e expostos à veneração novamente.
Divididos em quatro partes, os seus escritos compreendem, na primeira, seis tratados, dos quais apenas dois ainda existem, o tratado De virginitate perpetu sanctae Mariae adversus tres infideles e o tratado em dois livros Annotationes de cognitione baptismie Liber de itinere deserti, quo itur post baptismum ; a segunda inclui a sua correspondência; da terceira fazem parte missas e sermões; e na quarta, opuscula, em prosa e verso, especialmente epitáfios.
Santo Ildefonso recebeu o título de doutor da Igreja e é tido pela Igreja como o último Padre do Ocidente. Dessa maneira são chamados os grandes homens da Igreja que entre os séculos dois e sete eram considerados como “Pais” tanto no Oriente como no Ocidente, porque foram eles que firmaram os conceitos da nossa fé, enfrentando as heresias com o seu saber, carisma e iluminação. São aos responsáveis pela fixação das Tradições e Ritos da Igreja

domingo, 14 de agosto de 2016

Beato Conrado de Offida, Presbítero Franciscano.



Conrado nasceu em Offida, na província de Ascoli Piceno, nas Marcas, em 1241 e aos 14 anos vestiu o hábito franciscano dos Frades Menores. Iniciados o estudos no convento de Ascoli os abandonou quase de imediato para se entregar aos ofícios humildes da casa, apesar de suas notáveis qualidades intelectuais. Foi enviado ao convento de Forano, onde permaneceu dez anos.

Existem muitos documentos que marcaram a sua vida neste período: uma vez enquanto estava em oração no bosque ligado ao pequeno convento, ao ver caminhando em sua direção um lobo perseguido pelos cachorros e caçadores, o tomou sob sua proteção, transformando-o em um manso animal, que depois se tornou guardião do convento.

Dada a sua exemplaridade, o Ministro Geral dos Frades Menores, Padre Jerônimo de Ascoli, o transferiu para o Monte Alverne. Mais tarde os superiores lhe ordenaram continuar os estudos para ser ordenado sacerdote, com específico destino ao ministério da palavra, no qual sobressaiu de forma surpreendente pela eficácia e pelos frutos espirituais.

Em 1294 obteve do Papa São Celestino V permissão para passar algum tempo entre os monges celestinos. Durante estes anos teve contatos espirituais esporádicos com Pedro Juan Olivi, o reformador franciscano suspeito de erros heréticos em seus escritos sobre a questão da pobreza evangélica. As relações do Bem-aventurado Conrado com ele se limitaram, no entanto, aos deveres da fraternidade. Quando Bonifácio VIII suprimiu a congregação dos celetinos, Conrado retornou ao convento franciscano.

Viveu em pobreza, na oração, na penitência e em apostolado. Em mais de cinquenta anos de vida religiosa carregou um só hábito e nunca usou sandálias.

Foi grande pregador, levou a Palavra de Deus a grandes cidades, e aos pequenos povoados. As conversões se multiplicaram. Depois de longos anos de vida austera e rígida, Conrado foi chamado por Deus a receber a recompensa eterna. Morreu em Bastia, próxima de Assis, durante uma missão no dia 12 de dezembro de 1306, com a idade de 65 anos. Seu corpo foi levado em 1320 para a Igreja de São Francisco em Perúgia, e atualmente repousa no oratório de São Bernardino.