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sábado, 6 de agosto de 2016

Serva de Deus Maria Josefa do Coração de Jesus, virgem carmelita descalça, grande amiga e auxiliar de Santa Maria Maravilhas de Jesus.




A madre Maria Josefa do Coração de Jesus, carmelita descalça, nasceu em Pamplona, Navarra, em 1915, em um lar profundamente cristão.
No dia seguinte a seu nascimento, como era frequente àquela época, se lhe administrou o Santo Batismo na Paróquia de San Agustín, recebendo os nomes de Maria Isabel Trinidad, ainda que, familiarmente, era conhecida como “Maribel”.

Foi a quinta dos seis irmãos com que Deus abençoou o matrimônio de seus digníssimos pais. A última foi uma menina, que voou ao Céu aos 03 anos, vítima de uma broncopneumonia.

Desde sua morte, Maribel não teve mais diversão e nem mais gosto que acompanhar a sua mãe nas tarefas e ocupações diárias. Dona Isabel Garmendia, mãe de Maribel, consciente de sua pouca inclinação à piedade nos primeiros anos de menina, deu-lhe a vida de Santa Teresinha, dizendo-lhe: “toma, leia e veja se te fazes um pouco mais boa”.

Desde então, começou a sentir mais inclinação e gosto pelas coisas de Deus, que não perderia nunca mais.

Fez a Primeira Confissão e Comunhão aos oito anos em Jaca, onde seu pai ocupava o posto de Registrador da Propriedade. Passava os invernos em Pamplona e os verões na Ochagavia, pitoresco povoado Navarro, aos pés de onde se subia à ermida da Virgem de Musquilda, Rainha e Senhora do Vale de Salazar.

Desde seus primeiros anos subia com seus pais e irmãos a visita-la e uniam suas vozes cantando, de maneira que ia crescendo em seu coração o amor à Virgem.

Sua mãe achou insuficiente a educação que podia receber em Pamplona e, fazendo um grande sacrifício, decidiu manda-la ao internato do Colégio das Damas de Sait Maur, em Madrid.

Corriam tempos muito críticos para a Espanha, com a segunda República de 1931. Esses tristes acontecimentos marcaram a Maribel para toda a vida.

Dedicou-se ao apostolado e começou a manter contato por cartas com a Madre Maravilhas (futura Santa Maria Maravilhas de Jesus, a “Teresa de Jesus do século XX”).

Em 18 de novembro de 1938, ingressou na comunidade das carmelitas descalças de Cerro de los Ángeles (instalada na localidade de Las Batuecas), na qual era ao mesmo tempo Priora e Mestra de noviças a Madre Maravilhas.

Seus pais não se opuseram por nenhum instante à decisão de sua filha e a acompanharam com o coração destroçado à Casa de Deus.

Durante toda sua vida praticou em sumo grau as virtudes da humildade, simplicidade, esquecimento de si mesma e uma caridade que se estendia a todos, especialmente aos mais necessitados.

Fui uma das filhas prediletas de Madre Maravilhas; soube manter e conservar seu espírito e colaborou com ela em todas as sus fundações, sacrificando-se por elas sem calcular e nem medir. O amor à pobreza a acompanhou por toda a vida e cresceu com ela.

Filha fiel da Igreja e de Santa Teresa de Jesus, trabalhou quanto pode para conservar em toda sua pureza a herança que ela deixou a suas filhas, seguindo as normas do Concílio Vaticano II que mandava voltar às fontes e ao espírito dos Fundadores.

Viajou a Roma para defender perante o Santo Padre o tesouro das Constituições que aprovou um ano mais tarde enchendo-a de emoção e de alegria.

Sendo Priora de Cerro de Los Ángeles desde agosto de 1958, procurou com toda sua alma que este lugar santo fosse um centro (*) de espiritualidade que trouxesse muitas almas ao Coração de Jesus, empregando para isso todos os meios a seu alcance.

O Senhor concedeu-lhe uma inteligência e um discernimento pouco correntes. Sabia sair das dificuldades com um engenho que deixava assombrados a quem a vinham escutar. Todo aquele que tratava com ela saia de sua presença confortado, animado e, muitas vezes, com o problema solucionado.

Aproveitava todos os momentos possíveis para estar com o Senhor e acompanhar-Lhe no Sacrário. Quando sua saúde o permitia era a primeira a levantar-se e a última a deitar-se e muito se alegrava e deleitava estando com a comunidade.

Em 02 de outubro de 2004, primeiro sábado do mês do Rosário, nossa Mãe Santíssima, a quem havia amado durante toda sua vida, veio busca-la em sua pobre cela do Carmelo no qual havia vivido 64 anos imolando-se pelo reinado do Coração de Jesus no mundo inteiro e, especialmente, na Espanha.

Morreu rodeada do amor e veneração de todas suas filhas, deixando uma recordação cheia de doçura e de paz que a caracterizaram durante toda sua vida e mais ainda durante sua última enfermidade, durante a qual se mantinha em contínua oração.




(*) No começo da terrível Guerra Civil Espanhola, em 1936-1937), o monumento ao Sagrado Coração de Jesus, que fica em Cerro de Los Ángeles, foi fuzilado por milicianos comunistas. Existe famosa foto que mostra o momento no qual esses inimigos da Igreja e de Deus praticaram esse ato blasfemo e hediondo.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

SÃO JOSÉ GABRIEL DEL ROSARIO BROCHERO, o Santo "Cura Brochero", Presbítero e Missionário argentino.



José Gabriel del Rosario Brochero nasceu em 16 de março de 1840, em Santa Rosa de Río Primero, Córdoba.

Entrou no seminário maior de Córdoba “Nuestra Señora de Loreto” em 05 de março de 1856, quando tinha somente 16 anos. Um amigo seu escreveu: “muitas vezes ouvi Brochero falar que a constante preocupação de sua juventude foi o sacerdócio... Não sabia que vocação seguir: se a laical ou a sacerdotal... Seu espírito flutuava e seu coração sofria com esta indecisão. Um dia, dominado por esta preocupação, assistiu a um sermão no qual se descreveram as exigências e os sacrifícios de uma e da outra... e apenas concluiu escutá-lo, a dúvida já não atormentava sua alma, e ser sacerdote era para ela uma resolução inquebrantável” (Cárcano, Ramón J.).
Foi ordenado presbítero em 04 de novembro de 1866 por Dom Vicente Ramírez de Arellano. Em 10 de dezembro do mesmo ano celebra sua primeira Missa na capela do Colégio Seminário “Nuestra Señora de Loreto”, quando esta se encontrava na casa por detrás da Catedral, onde hoje se encontra a pracinha do Fundador.
Em dezembro de 1869 assume o Curado de São Alberto, sendo San Pedro a vila que fazia cabeceira naquele departamento. Por aquele tempo o extenso Curado de San Alberto (de 4.336 quilômetros quadrados) contava com pouco mais de 10.000 habitantes que viviam em lugares distantes, sem estradas e sem escolas, espalhados pelas Serras Grandes de mais de 2.000 metros de altura. Era triste o estado moral e a indigência material daquela gente. O coração apostólico de Brochero não desanima, senão que, desde o primeiro momento, dedicará sua vida inteira não somente a levar o Evangelho, senão, a educar e promover a seus habitantes.
O padre Brochero sobre sua mula. 
No ano seguinte de sua chegada, começou a levar a homens e mulheres a Córdoba, para fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, percorrendo uns 200 km, cruzando as serras. Ditas cujas travessias requeriam três dias no lombo de uma mula e as caravanas muitas vezes superam umas quinhentas pessoas. Mais de uma vez foram surpreendidos por fortes tormentas de neve.
Ao regressarem, após nove dias de silêncio, oração e penitência, seus “fregueses” (de freguesia) iam mudando de vida, seguindo o Evangelho e buscando o desenvolvimento econômico da região.
Em 1875, com a ajuda de seus paroquianos, começou a construção da Casa de Exercícios da então Villa del Transito (localidade que hoje leva seu nome). Foi inaugurada em 1877 com inscritos que superaram umas 700 pessoas, passando pela mesma, durante o ministério paroquial do Santo, mais de 40.000 pessoas. Também construiu a casa para as religiosas, o Colégio de meninas e a residência para os sacerdotes.
Com seus paroquianos construiu mais de 200 quilômetros de caminhos e várias igrejas, fundou povoados e preocupou-se pela educação de todos. Solicitou perante as autoridades e obteve “mensagerias”, oficinas de correio e estafetas telegráficas. Projetou o ramal ferroviário que atravessaria o Vale de Traslasierra unindo Villa Dolores e Soto para retirar a seus queridos serranos do isolamento e pobreza em que se encontravam, “abandonados de todos, porém, não por Deus”, como gostava de repetir.


Foto do Santo Cura Brochero visitando uma família de paroquianos ou, melhor, de "fregueses". 


“Um sacerdote que viveu uma verdadeira paixão pelo Evangelho, que testemunhou e transmitiu em meio de uma considerável transformação cultural o nosso país depois dos acontecimentos de organização nacional. Sem ingenuidade, porém também sem ceder a lamentos ou enfrentamentos estéreis, dedicou-se com empenho e com espírito construtivo à maravilhosa tarefa de evangelização. De sua paixão pelo Evangelho brotava também sua paixão por seus irmãos e o desejo de brindar-lhes as condições de uma vida digna. Por isso trabalhou incansavelmente por levantar templos ou capelas, a casa de Exercícios Espirituais e a Villa del Transito, escolas e outras obras que asseguraram a todos uma existência que mereceria o título de humana e cristã” (Mons. Carlos Náñez, homilia da Missa Crismal de 01 de abril de 2010).

Poucos dias depois de sua morte, o diário católico de Córdoba escreve: “É sabido que o Cura Brochero contraiu a enfermidade que o levou à tumba porque visitava frequentemente e até abraçava a um leproso abandonado por aí”. Devido à sua enfermidade, renunciou ao Curado, vivendo uns anos com suas irmãs em seu povoado natal. Porém, respondendo à solicitude de seus antigos “fregueses”, regressou a sua casa de Villa del Transito, morrendo leproso e cego no dia 26 de janeiro de 1914.  
O processo de canonização iniciou-se na década de 1960. Foi declarado Venerável pelo papa São João Paulo II em 2004. Foi beatificado na pequena localidade cordobesa de Villa Cura Brochero em 14 de setembro de 2013, logo após a comprovação sua intercessão milagrosa ante o menino Nicolás Flores , que esteve às portas da morte, com perda de massa óssea do crânio e de massa encefálica como resultado de um acidente automobilístico sofrido em Falda del Cañete (Córdoba).
A recuperação da menina Camila Brusotti, logo haver sido golpeada por sua mãe e seu padrasto e de sofrer um infarto massivo no hemisfério cerebral direito, foi considerada como um acontecimento extraordinário e inexplicável pela ciência médica por parte de uma junta composta por sete médicos e como um milagre por parte do tribunal eclesiástico de Roma. Segundo a Comissão Teológica, esse fato aconteceu pela intercessão de Brochero.
Em 22 de janeiro de 2016 o papa Francisco assinou o decreto que confirma o segundo milagre. No consistório com o Colégio Cardinalício celebrado no dia 15 de março de 2016, fixou a data de sua canonização: 16 de outubro de 2016. Assim, o Cura Brochero converter-se-á no primeiro Santo argentino que nasceu e morreu em seu país.





quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Beata Luísa de Savóia, Viúva e Religiosa.



     Luísa provavelmente nasceu em Bourg-en-Bresse no dia 28 de julho de 1462, quinta de nove filhos do Beato Amadeu IX de Saboia e de Iolanda de França, irmã do rei Luís XI. Por parte da mãe era neta do Rei Carlos VII da França, sobrinha do Rei Luís XI e prima de Santa Joana de Valois.
     A capital do ducado era Chambery, mas a corte era itinerante para um controle direto dos territórios sob sua jurisdição. A Casa de Saboia já então era proprietária do Santo Sudário, tesouro precioso que acompanhava a corte em seus deslocamentos. Podemos imaginar toda a veneração de que esta relíquia era alvo por parte de Amadeu e da pequena Luísa.
     Extremamente religioso e magnânimo, depois de ter assegurado ao seu povo um longo período de paz, o Beato Amadeu morre em Vercelli no dia 30 de março de 1472, aos trinta e oito anos de idade. Luísa não tinha ainda dez. Herdou do pai uma fé profunda; a mãe, de caráter mais forte do que o esposo, tornara-se regente do ducado há alguns anos.
     A menina foi educada admiravelmente por sua mãe. Desde muito pequena dava mostras de possuir qualidades espirituais extraordinárias. Catarina de Saulx, uma das damas de honra de Luísa escreveu sobre ela as seguintes palavras: “Era tão doce e generosa, bem disposta e amável, que despertava o afeto de todos que se deixavam levar por sua atração e conquistar pelo seu encanto”.
     A doçura da jovem Luísa atraiu Hugo de Châlons-Arlay, Senhor de Château-Guyon catorze anos mais velho do que ela, membro do ramo deposto dos Senhores de Borgonha, hóspede em Chambery durante sete anos após ter caído em desgraça.
     Os eventos políticos daqueles tempos eram muito complicados, os interesses territoriais causavam numerosas guerras. Iolanda selara um pacto com Carlos o Temerário, Duque de Borgonha, mas sendo alvo de uma suspeita de complô, foi presa com os filhos pelo seu aliado (1476). Na solidão de uma prisão não tão rígida, Luísa fez um retiro e conheceu o franciscano Padre João Perrin, que no futuro teria muita importância para ela.
     Hugo visitou-a na prisão e entre eles foi crescendo o afeto. Embora Luísa começasse a desejar o retiro na clausura, foi o Padre Perrin quem a convenceu de que também no matrimônio ela poderia viver santamente.
     Entrementes, devido a intercessão do Rei Luís XI, Iolanda e os filhos foram libertados. Iolanda morreu no Castelo de Moncalieri no dia 29 de agosto de 1478. Luísa e a irmã Maria foram conduzidas à corte de Luís XI que se considerava tutor natural das sobrinhas. Ele tinha um interesse: o casamento da sobrinha com Hugo de Châlons significava ter um importante aliado. Luísa aquiesce.
     As núpcias foram celebradas solenemente em Dijon a 24 de agosto de 1479. Luísa tinha dezessete anos. O Castelo de Nozeroy foi escolhido para morada do novo casal. Hugo se tornara proprietário de um patrimônio considerável; nos arquivos de Arlay e de Besançon podemos tomar conhecimento das largas doações feitas pelo casal aos menos favorecidos.
     O Senhor de Nozeroy era um homem tão bom quanto rico. De acordo com sua esposa, impôs em seu castelo uma vida perfeitamente católica. Tanto por exemplo como por preceito, marido e mulher criarão um nível de vida moral e material para todos os que moravam em suas terras e dependiam deles de alguma maneira. Em contrate com os palácios e residências de outros nobres, o suntuoso palácio dos de Châlons parecia um mosteiro. Com grande empenho se combatia o costume de jurar ou de usar palavras grosseiras.
     Luísa foi a primeira dama a ter uma caixa para os pobres, na qual todos os que viviam ou visitavam sua casa tinham a obrigação de colocar dinheiro, caso jurassem ou dissessem palavras feias. Luísa prodigalizou grande caridade aos enfermos e necessitados, viúvas e órfãos, especialmente aos leprosos. Ela se dedicava pessoalmente na confecção de tecidos para distribuí-los aos pobres ou para ornamentar as igrejas.
     Nas vigílias das festas de Nossa Senhora, dizia Luísa, 365 Ave-Marias. Rezava muitas vezes o saltério. Confessava-se frequentemente e comungava nas festas. Muitas vezes, depois duma festa mundana, dizia: “Senhor Deus, quanto estou aborrecida! De tudo isto será preciso dar contas”. Os decotes desgostavam-na e ela proibia-os às suas damas. Não queria que se jogasse a dinheiro, mas tolerava, caso se tratasse de insignificâncias. E a quem perdia aconselhava: “Dê tudo por Deus, não conserve nada”.
     Enfim, a oração era o fundamento da união do casal. Tão feliz união, entretanto, durou somente dez anos: em 1490 a dor golpeia Luísa novamente. Depois de ter assistido seu esposo até seu sepultamento, restava a ela como único refugio a fé. O casal não tivera filhos; Luísa poderia viver como rica viúva no seu castelo, ou contrair um novo casamento, mas seu desejo maior era de consagrar-se ao Senhor.
     O Padre Perrin a guiou espiritualmente até seu ingresso no Mosteiro de Santa Clara de Orbe (Vaud, atual Suíça). Ela precisou de dois anos para colocar em ordem todos os assuntos; durante este período usou o hábito dos terciários franciscanos, aprendeu a rezar o Ofício Divino e se levantava a meia-noite para rezar Matinas. Toda sexta-feira se disciplinava. Distribuiu sua fortuna, contestou as objeções de seus parentes e amigos.
     Em vida do marido, na Quinta-feira Santa ele lavava os pés a treze pobres e ela a treze mulheres. Morrendo ele, ela manteve as treze mulheres da Semana Santa, mas acrescentou, em todas as sextas-feiras, a lavagem dos pés de cinco pobrezinhas, dando-lhes depois esmola.
     Finalmente, em 1492, acompanhada de suas duas damas de honra, Catarina de Saulx e Carlota de Saint-Maurice, foi admitida no Convento das Clarissas Pobres de Orbe. Este mosteiro havia sido fundado pela mãe de Hugo de Châlons, e desde 1427 era ocupado por uma comunidade de Santa Coleta, a reformadora francesa das Clarissas. Muitas vezes Luísa ali fora para rezar e visitar sua cunhada, Filipina, monja naquele mosteiro.
     O hábito simples franciscano substituiu as roupas preciosas. Tendo sido um modelo de donzela, de esposa e de viúva, Luísa se tornou um modelo de monja. Foi sempre uma religiosa exemplar. Grande era seu espírito de piedade e de oração, em uma atmosfera austera e pobre. Sua humildade era sincera e natural: lavava os pratos, varria, ajudava na cozinha, limpava os corredores e tudo fazia bem e com gosto. Com a mesma simplicidade e naturalidade aceitou e desempenhou o cargo de abadessa quando a elegeram. Neste cargo mostrou especial solicitude em servir aos frades de sua Ordem, e qualquer deles que chegassem a se hospedar no convento era atendido regiamente; a presença dos padres e dos irmãos era como uma bênção de Deus e nada podia faltar aos filhos do “bom pai São Francisco”.
     Escreveu meditações sobre o Rosário e é-lhe atribuído um pequeno tratado sobre a importância da fidelidade à Regra, e os sinais de tibieza num mosteiro. Citemos: “Quando se frequentam demais os locutórios... Quando se leem livros espirituais mais para aprender do que praticar; quando se leem capítulos por costume e se dizem culpas a fingir e não para procurar emenda... Quando se tem mais cuidado do exterior que do interior...”. Estes manuscritos foram levados pelas irmãs quando da transferência de Orbe para Evian, mas hoje estão desaparecidos.
     No último período de sua vida a Beata Luísa sofreu diversas doenças. Morreu sussurrando o nome da Virgem Maria no dia 24 de julho de 1503. Tinha somente quarenta anos; foi sepultada no cemitério do convento. A fama de sua santidade logo se difunde; as primeiras notas biográficas foram escritas por Catarina de Saulx, sua companheira fiel por vinte anos, antes e depois da entrada no mosteiro.
     Quando em 1531 as monjas foram expulsas de Orbe, os seus despojos, bem como os da cunhada Filipina, foram colocados em uma única arca de carvalho, transportada para o convento franciscano de Nozeroy. Durante a nefasta Revolução Francesa o convento foi destruído e se perdeu qualquer pista dos túmulos.
     Em 1838, escavações foram feitas em busca da arca, a qual foi encontrada em boas condições. Os ossos de Luísa foram reconhecidos pelo médico David após uma escrupulosa perícia, baseada na altura e idade das duas falecidas. Foram confiadas ao Mons. Vogliotti, capelão régio, a fim de serem transportadas a Turim para serem colocadas, com as devidas honras, na capela interna do Palácio Real, na época paróquia, junto ao altar dedicado ao pai de Luísa, o Beato Amadeu IX (1840).
     O Papa Gregório XVI confirmou, em 1839, o culto prestado deste tempo imemorial à beata. Teve Ofício e Missa nas dioceses do antigo reino da Sardenha, a 11 de agosto, e entre os franciscanos, a 1º de outubro; ficou sendo festejada a 24 de julho.


Fonte: blog “Heroínas da Cristandade”

terça-feira, 2 de agosto de 2016

OS PADRES DA IGREJA, gloriosos luminares da Doutrina Católica, que a defenderam e esclareceram perante hereges e heresiarcas.



Chamamos de «Padres da Igreja» (Patrística) aqueles grandes homens da Igreja, aproximadamente do século II ao século VII, que foram no Oriente e no Ocidente como que «Pais» da Igreja, no sentido de que foram eles que firmaram os conceitos da nossa fé, enfrentaram muitas heresias e, de certa forma foram responsáveis pelo que chamamos hoje de Tradição da Igreja; sem dúvida, são a sua fonte mais rica. Certa vez disse o Cardeal Henri de Lubac:

«Todas as vezes que, no Ocidente tem florescido alguma renovação, tanto na ordem do pensamento como na ordem da vida – ambas estão sempre ligadas uma à outra – tal renovação tem surgido sob o signo dos Padres

Gostaria de apresentar aqui ao menos uma relação, ainda que incompleta, desses gigantes da fé e da Igreja, que souberam fixar para sempre o que Jesus nos deixou através dos Apóstolos.

Em seguida, vamos estudar um pouco daquilo que eles disseram e escreveram, a fim de que possamos melhor conhecer a Tradição. [...]


Relação dos Padres da Igreja:

S. Clemente de Roma (†102), Papa de Roma (88 - 97)
Santo Inácio de Antioquia (†110)
Aristides de Atenas (†130)
São Policarpo de Esmira (†156)
Pastor de Hermas (†160)
Aristides de Atenas (†160)
São Hipólito de Roma (160 - 235)
São Justino (†165)
Militão de Sardes (†177)
Atenágoras (†180)
São Teófilo de Antioquia (†181)
Orígenes de Alexandria (184 - 254)
Santo Ireneu (†202)
Tertuliano de Cartago (†220)
São Clemente de Alexandria (†215)
Metódio de Olimpo (sec.III)
São Cipriano de Cartago (210-258)
Novaciano (†257)
São Atanásio de Alexandria(295 -373)
São Efrém - (306 - 373), diácono, Mesopotânia
São Hilário de Poitiers - bispo (310 - 367)
São Cirilo de Jerusalém, bispo (315 - 386)
São Basílio Magno, bispo (330 - 369) - Cesaréia
São Gregório Nazianzeno - (330 - 379), bispo
São Ambrósio - (340 - 397), bispo, Treves - Itália
Eusébio de Cesaréia (340)
São Gregório de Nissa (340)
Prudêncio (384 - 405)
São Jerônimo ( 348 - 420), presbítero Strido, Itália
São João Cassiano (360 - 407)
São João Crisóstomo - (349 - 407), bispo
São Agostinho - (354 - 430), bispo
Santo Efrém (†373)
Santo Epifânio (†403)
São Cirilo de Alexandria - (370 - 442), bispo
São Pedro Crisólogo - (380 - 451), bispo, Itália
São Leão Magno (400 - 461), papa de Roma - Toscana, Itália
São Paulino de Nola (†431) - Sedúlio (sec V)
São Vicente de Lerins (†450)
São Pedro Crisólogo (†450)
São Bento de Núrsia (480 - 547)
São Venâncio Fortunato (530-600)
São Ildefonso de Toledo (617 - 667)
São Máximo Confessor (580-662)
São Gregório Magno (540 - 604), Papa de Roma
São Ildefonso de Sevilha (†636)
São Germano de Constantinopla - (610-733)
São João Damasceno (675 - 749), bispo, Damasco


Vamos apresentar um pouco daquilo que esses grandes Padres da Igreja escreveram; isto nos ajudará a compreender melhor o que é a Sagrada Tradição da Igreja. Veremos de onde vem a fonte de tudo aquilo que cremos e vivemos na Igreja [...]





São Clemente de Roma (†102), Papa (88-97), foi o terceiro sucessor de São Pedro, nos tempos dos imperadores romanos Domiciano e Trajano (92 a 102). No depoimento de Santo Ireneu “ele viu os Apóstolos e com eles conversou, tendo ouvido diretamente a sua pregação e ensinamento”. (Contra as heresias)






Santo Inácio de Antioquia (†110) foi o terceiro bispo da importante comunidade de Antioquia, fundada por São Pedro. Conheceu pessoalmente São Paulo e São João. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma onde morreu nos dentes dos leões no Coliseu. A caminho de Roma escreveu Cartas às igreja de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo S. Policarpo de Esmirna. Na carta aos esmirnenses, aparece pela primeira vez a expressão “Igreja Católica”.



Aristides de Atenas († 130) foi um dos primeiros apologistas cristãos; escreveu a sua Apologia ao imperador romano Adriano, falando da vida dos cristãos. É considerado santo pela Igreja Ortodoxa. 







São Policarpo (†156)  foi bispo de Esmirna, e uma pessoa muito amada. Conforme escreve Santo Irineu, que foi seu discípulo, Policarpo foi discípulo de São João Evangelista. No ano 155 estava em Roma com o Papa Niceto tratando de vários assuntos da Igreja, inclusive a data da Páscoa. Combateu os hereges gnósticos. Foi condenado à fogueira; o relato do seu martírio, feito por testemunhas oculares, é documento mais antigo deste gênero (publicado neste livro).



Hermas (†160) era irmão do Papa São Pio I, sob cujo pontificado escreveu a sua obra Pastor. Foi canonizado na Igreja Ortodoxa. 











São Justino (†165), mártir nasceu em Naplusa, antiga Siquém, em Israel; achou nos Evangelhos “a única filo proveitosa”, filósofo, fundou uma escola em Roma. Dedicou a sua Apologias ao Imperador romano Antonino Pio, no ano 150, defendendo os cristãos; foi martirizado em Roma.





Santo Hipólito de Roma (160-235) discípulo de Santo Irineu (140-202), foi célebre na Igreja de Roma, onde Orígenes o ouviu pregar. Morreu mártir. Escreveu contra os hereges, compôs textos litúrgicos, escreveu a Tradição Apostólica onde retrata os costumes da Igreja no século III: ordenações, catecumenato, batismo e confirmação, jejuns, ágapes, eucaristia, ofícios e horas de oração, sepultamento, etc.




Melitão de Sardes (†177) foi bispo de Sardes, na Lídia, um dos grandes luminares da Ásia Menor. Escreveu Apologia, dirigida ao imperador Marco Aurélio. 








Foto -AtenágorasAtenágoras (†180) era filósofo em Atenas, Grécia, autor da Súplica pelos Cristãos, apologia oferecida em tom respeitoso ao imperador Marco Aurélio e seu filho Cômodo; escreveu também o tratado sobre A Ressurreição dos mortos, foi grande apologista.








São Teófilo de Antioquia (†após 181) nasceu na Mesopotâmia, converteu-se ao cristianismo já adulto, tornou-se bispo de Antioquia. Apologista, compôs três livros, a Autólico.






Santo Ireneu (†202) nasceu na Ásia Menor, foi discípulo de são Policarpo (discípulo de são João), foi bispo de Lião, na Gália (hoje França). Combateu eficazmente o gnosticismo em sua obra Adversus Haereses (Refutação da Falsa Gnose) e a Demonstração da Preparação Apostólica. Segundo são Gregório de Tours (†594), são Irineu morreu mártir. É considerado o “príncipe dos teólogos cristãos”. Salienta nos seus escritos a importância da Tradição oral da Igreja, o primado da Igreja de Roma (fundada por Pedro e Paulo).


Santo Hilário de Poitiers (316-367), doutor da Igreja, foi bispo de Poitiers, combateu o arianismo, foi exilado pelo imperador Constâncio, escreveu a obra Sobre a Santíssima Trindade.









São Clemente de Alexandria (†215) Seu nome é Tito Flávio Clemente, nasceu em Atenas por volta de 150. Viajou pela Itália, Síria, Palestina e fixou-se em Alexandria. Durante a perseguição de Setímio Severo (203), deixou o Egito, indo para a Ásia Menor, onde morreu em 215. Seu grande trabalho foi tentar a aliança do pensamento grego com a fé cristã. Dizia: “Como a lei formou os hebreus, a filo formou os gregos para Cristo”.



Orígenes (184-254) Nasceu em Alexandria, Egito; seu pai Leônidas morreu martirizado em 202. Também desejava o martírio; escreveu ao pai na prisão: “não vás mudar de idéia por causa de nós”. Em 203 foi colocado à frente da escola catequética de Alexandria pelo bispo Demétrio. Em 212 esteve em Roma, Grécia e Palestina. A mãe do imperador Alexandre Severo, Júlia Mammae, chamou-o a Antioquia para ouvir suas lições. Morreu em Cesaréia durante a perseguição do imperador Décio.


Tertuliano de Cartago (†220), norte da África, culto, era advogado em Roma quando em 195 se converteu ao Cristianismo, passando a servir a Igreja de Cartago como catequista. Combateu as heresias do gnosticismo, mas se desentendeu com a Igreja Católica. É autor das frases: “Vede como se amam” e “ O sangue dos mártires era semente de novos cristãos”. Infelizmente, no fim de sua vida, deixou-se levar por ideias heréticas.


São Cipriano (†258) Cecílio Cipriano nasceu em Cartago, foi bispo e primaz da África Latina. Era casado. Foi perseguido no tempo do imperador Décio, em 250, morreu mártir em 258. Escreveu a bela obra Sobre a unidade da Igreja Católica. Na obra De Lapsis, sobre os que apostataram na perseguição, narra ao vivo o drama sofrido pelos cristãos, a força de uns, o fracasso de outros. Escreveu ainda a obra Sobre a Oração do Senhor, sobre o Pai Nosso.


Eusébio de Cesaréia (260-339) bispo, foi o primeiro historiador da Igreja. Nasceu na Palestina, em Cesaréia, discípulo aí de Orígenes. Escreveu a sua Crônica e a História Eclesiástica, além de A Preparação e a Demonstração Evangélicas. Foi perseguido por Dioclesiano, imperador romano.





Santo Atanásio (295-373), doutor da Igreja, nasceu em Alexandria, jovem ainda foi viver o monaquismo nos desertos do Egito,onde conheceu o grande Santo Antão(†376), o “pai dos monges”. Tornou-se diácono da Igreja de Alexandria, e junto com o seu Bispo Alexandre, se destacou no Concílio de Nicéia (325) no combate ao arianismo. Tornou-se bispo de Alexandria em 357 e continuou a sua luta árdua contra o arianismo (Ário negava a divindade de Jesus), o que lhe valeu sete anos de exílio. São Gregório Nazianzeno disse dele: “O que foi a cabeleira para Sansão, foi Atanásio para a Igreja.”


Santo Hilário de Poitiers (316-367), doutor da Igreja, nasceu em Poitiers, na Gália (França); em 350 clero e povo o elegiam bispo, apesar de ser casado. Organizou a luta dos bispos gauleses contra o arianismo. Foi exilado pelo imperador Constâncio, na Ásia Menor, voltando para a Gália em 360, fazendo valer as decisões do Concílio de Nicéia. É chamado o “Atanásio do Ocidente”. Escreveu as obras Sobre a Fé, Sobre a Santíssima Trindade.




Santo Efrém, o Sírio (†373) doutor da Igreja é considerado o maior poeta sírio, chamado de “a cítara do Espírito Santo”. Nasceu em Nísibe, de pais cristãos, por volta de 306, deve ter participado do Concílio de Nicéia (325), segundo a tradição, com o seu bispo Tiago. Foi ordenado diácono em 338 e assim ficou até o fim da vida. Escreveu tratados contra os gnósticos, os arianos e contra o imperador Juliano, o apóstata. Escreveu belos hinos e louvores a Maria.





São Cirilo de Jerusalém (†386), doutor da Igreja, Bispo de Jerusalém, guardião da fé professada pela Igreja no Concílio de Nicéia (325). Autor das Catequeses Mistagógicas, esteve no segundo Concílio Ecumênico, em Constantinopla, em 381.





São Dâmaso (304-384), Papa da Igreja, instruído, de origem espanhola, sucedeu o Papa Libério que o ordenou diácono; obteve do Imperador Graciano o reconhecimento jurisdicional do bispo de Roma. Mandou que S. Jerônimo fizesse uma revisão da versão latina da Bíblia, a Vulgata. Descobriu e ornamentou os túmulos dos mártires nas catacumbas, para a visita dos peregrinos.





São Basílio Magno (329-379), Bispo e doutor da Igreja, nasceu na Capadócia; seus irmãos Gregório de Nissa e Pedro, são santos. Foi íntimo amigo de S. Gregório Nazianzeno; fez-se monge. Em 370 tornou-se bispo de Cesaréia na Palestina, e metropolita da província da Capadócia. Combateu o arianismo e o apolinarismo (Apolinário negava que Jesus tinha uma alma humana). Destacou-se no estudo a Santíssima Trindade (Três Pessoas e uma Essência).


São Gregório Nazianzeno (329-390), doutor da Igreja – nasceu em Nazianzo, na Capadócia, era filho do bispo local, que o ordenou padre; foi um dos maiores oradores cristãos. Foi grande amigo de São Basílio, que o sagrou bispo. Lutou contra o arianismo. Sua doutrina sobre a Santíssima Trindade o fez ser chamado de “teólogo”, que o Concílio de Calcedônia confirmou em 481.





São Gregório de Nissa (†394) foi bispo de Nissa, e depois de Sebaste, irmão de São Basílio e amigo de São Gregório Nazianzeno. Os três santos brilharam na Capadócia. Foi poeta e místico; teve grande influência no primeiro Concílio de Constantinopla (381) que definiu o dogma da SS. Trindade. Combateu o apolinarismo, macedonismo (Macedônio negava a divindade do Espírito Santo) e arianismo.






São João Crisóstomo (354-407) ( = boca de ouro), doutor da Igreja, é o mais conhecido dos Padres da Igreja grega. Nasceu em Antioquia. Tornou-se patriarca de Constantinopla, foi grande pregador. Foi exilado na Armênia por causa da defesa da fé sã. Foi proclamado pelo papa S. Pio X, padroeiro dos pregadores.




São Cirilo de Alexandria (†444) Bispo e doutor da Igreja, sobrinho do patriarca de Alexandria, Teófilo, o substituiu na Sé episcopal em 412. Combateu vivamente o Nestorianismo (Nestório negava que em Jesus havia uma só Pessoa e duas naturezas), com o apoio do papa Celestino. Participou do Concílio de Éfeso (431), que condenou as teses de Nestório. É considerado um dos maiores Padres da língua grega, e chamado o “Doutor mariano”.


São João Cassiano (360-465) recebeu formação religiosa em Belém e viveu no Egito. Foi ordenado diácono por S. João Crisóstomo, em Constantinopla, e padre pelo papa Inocêncio, em Roma. Em 415 fundou dois mosteiros em Marselha, um para cada sexo. São Bento recomendou seus escritos.




São Paulino de Nola (†431) nasceu na Gália (França), exerceu importantes cargos civis até ser batizado. Vendeu seus bens, distribuindo o dinheiro aos pobres, e com sua esposa Terásia passou a viver vida eremítica. Foi ordenado padre em 394 e em 409,  bispo de Nola.






São Pedro Crisólogo (†450) (= palavra de ouro) bispo e doutor da Igreja – foi bispo de Ravena, Itália. Quando Êutiques, patriarca de Constantinopla pediu o seu apoio para a sua heresia (monofisismo - uma só natureza em Cristo), respondeu: “Não podemos discutir coisas da fé, sem o consentimento do Bispo de Roma”. Temos 170 de suas cartas e escritos sobre o Símbolo e o Pai – Nosso.




Santo Ambrósio (†397), doutor da Igreja, nasceu em Tréveris, de nobre família romana. Com 31 anos governava em Milão as províncias de Emília e Ligúria. Ainda catecúmeno, foi eleito bispo de Milão, pelo povo, tendo, então recebido o batismo, a ordem e o episcopado. Foi conselheiro de vários imperadores e batizou santo Agostinho, cujas pregações ouvia. Deixou obras admiráveis sobre a fé católica.



São Jerônimo (347-420), “Doutor Bíblico” – nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379 foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa S. Dâmaso, por cuja ordem fez a revisão da versão latina da Bíblia (Vulgata), em Belém, por 34 anos. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja [...].


Santo Epifânio (†403), Nasceu na Palestina, muito culto, foi superior de uma comunidade monástica em Eleuterópolis (Judéia) e depois, bispo de Salamina, na ilha de Chipre. Batalhou muito contra as heresias, especialmente o origenismo.









Santo Agostinho (354-430), Bispo e Doutor da Igreja - Nasceu em Tagaste, Tunísia, filho de Patrício e S. Mônica. Grande teólogo, filósofo, moralista e apologista. Aprendeu a retórica em Cartago, onde ensinou gramática até os 29 anos de idade, partindo para Roma e Milão onde foi professor de Retórica na corte do Imperador. Alí se converteu ao cristianismo pelas orações e lágrimas, de sua mãe Mônica e pelas pregações de S. Ambrósio, bispo de Milão. Foi batizado por esse bispo em 387. Voltou para a África em veste de penitência onde foi ordenado sacerdote e depois bispo de Hipona aos 42 anos de idade. Foi um dos homens mais importantes para a Igreja. Combateu com grande capacidade as heresias do seu tempo, principalmente o Maniqueísmo, o Donatismo e o Pelagianismo, que desprezava a graça de Deus. Santo Agostinho escreveu muitas obras e exerceu decisiva influência sobre o desenvolvimento cultural do mundo ocidental. É chamado de “Doutor da Graça”. São Leão Magno (400-461) - Papa e Doutor da Igreja - nasceu em Toscana, foi educado em Roma. Foi conselheiro sucessivamente dos papas Celestino I (422-432) e Xisto III (432-440) e foi muito respeitado como teólogo e diplomata. Participou de grandes problemas da Igreja do seu tempo e pôde travar contato pessoal e por cartas com Santo Agostinho, São Cirilo de Alexandria e São João Cassiano, que o descrevia como “ornamento da Igreja e do divino ministério”. Deixou 96 Sermões e 173 Cartas que chegaram até nós. Participou ativamente na elaboração dogmática sobre o grave problema tratado no Concílio de Calcedônia, a condenação da heresia chamada monofisismo. Leão foi o primeiro Papa que recebeu o título de Magno (grande). Em sua atuação no plano político, a História registrou e imortalizou duas intervenções de São Leão, respectivamente junto a Átila, rei dos Hunos, em 452, e junto a Genserico, em 455, bárbaros que queriam destruir Roma.


São Vicente de Lérins (†450) Depois de muitos anos de vida mundana se refugiou no mosteiro de Lérins. Escreveu o seu Commonitorium, “ para descobrir as fraudes e evitar as armadilhas dos hereges”.






São Bento de Núrsia (480-547) nasceu em Núrsia, na Úmbria, Itália; estudou Direito em Roma, quando se consagrou a Deus. Tornou-se superior de várias comunidades monásticas; tendo fundado no monte Cassino a célebre Abadia local. A sua Regra dos Mosteiros tornou-se a principal regra de vida dos mosteiros do ocidente, elogiada pelo papa S. Gregório Magno, usada até hoje. O lema dos seus mosteiros era “ora et labora”. O Papa Pio XII o chamou de Pai da Europa e Paulo VI proclamou-o Patrono da Europa, em 24/10/1964.


Venancio Fortunato:
São Venâncio Fortunato (530-600) nasceu em Vêneto na Itália, foi para Poitiers (França). Autor de célebres hinos dedicados à Paixão de Cristo e à Virgem Maria, até hoje usados na Igreja.








São Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja - Nasceu em Roma, de família nobre. Ainda muito jovem foi primeiro ministro do governo de Roma. Grande admirador de S. Bento, resolveu transformar suas muitas posses em mosteiros. O papa Pelágio o enviou como núncio apostólico em Constantinopla até o ano 585. Foi feito papa em 590. Foi um dos maiores papas que a Igreja já teve. Bossuet considerava-o “modelo perfeito de como se governa a Igreja”. Promoveu na liturgia o canto “gregoriano”. Profunda influência exerceram os seus escritos: Vida de São Bento e Regra Pastoral, usado ainda hoje.


São Máximo, o confessor (580 - 662) nasceu em Constantinopla, foi secretário do imperador Heráclio, depois foi para o mosteiro de Crisópolis. Lutou contra o monofisismo e monotelismo, sendo preso, exilado e martirizado por isso. Obteve a condenação do monotelismo no Concílio de Latrão, em 649.





Santo Ildefonso de Sevilha (†636) doutor da Igreja. Considerado o último Padre do ocidente. Bispo de Sevilha, Espanha desde 601. Em 636 dirigiu o IV Sínodo de Toledo. Exerceu notável influência na Idade Média com os seus escritos exegéticos, dogmáticos, ascéticos e litúrgicos.





São Germano de Constantinopla (610-733) Bispo - Patriarca de Constantinopla (715-30), nasceu em Constantinopla ao final do reinado do imperador Heracleo (610-41); morreu em 733 ou 740. Filho de Justiniano, um patriciano, Germano dedicou seus serviços à Igreja e começou como clérigo na catedral de Metrópolis. Logo depois da morte de seu pai que havia ocupado vários altos cargos de oficial, pelas mãos do sobrinho de Herácleo, Germano se consagrou bispo de Chipre, o ano exato, porém, de sua elevação é desconhecido.


São João Damasceno (675-749) Bispo e Doutor da Igreja - É considerado o último dos representantes dos Padres gregos. É grande a sua obra literária: poesia, liturgia, filo e apologética. Filho de um alto funcionário do califa de Damasco, foi companheiro do príncipe Yazid que, mais tarde o promoveu ao mesmo encargo do pai, ministro das finanças. A um determinado tempo deixou a corte do califa e retirou-se para o mosteiro de São Sabas, perto de Jerusalém. Tornou-se o pregador titular da basílica do Santo Sepulcro. Enfrentou com muita coragem a heresia dos iconoclastas que condenavam o culto das imagens. Ficaram famosos os seus Três Discursos a Favor das Imagens Sagradas.