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sexta-feira, 29 de abril de 2016

SANTA MATILDE (MECHTILDES) DE HACKEBORN ou de Helfta, Virgem Beneditina e Mística.



Esta Santa, junto com Santa Gertrudes, a Grande, é a glória do monaquismo e uma das maiores escritoras espirituais e místicas do Cristianismo.
Matilde nasceu em 1241, no Castelo de Helfta, e pertencia a uma das mais nobres e poderosas famílias da Turíngia, os Hackeborn, aparentada com o Imperador Frederico II. Com sete anos foi enviada para o mosteiro beneditino de Roderdorf para ser educada. Em 1258, quando sua irmã mais velha, Gertrudes, foi eleita abadessa da Abadia de Helfta, Matilde a seguiu. Três anos mais tarde ela ficou encarregada da direção de uma jovem monja, Gertrudes, que era alguns anos mais jovem do que ela.




Matilde foi mestra do coro. Tinha cinquenta anos e estava doente. Sua irmã mais velha já havia falecido quando Matilde revelou o seu grande segredo: as maravilhas que a graça divina operava em sua alma, tudo o que Deus mostrava a ela. Duas Irmãs recolheram suas confidências e uma delas foi Santa Gertrudes, a Grande. Elas trabalharam de 1291 a 1298. Nasceu assim o Livro da Graça Especial, uma das mais belas e das mais célebres obras da literatura mística da Idade Média.
 Como Santa Gertrudes, Santa Matilde (ou Mechtildes) é precursora da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, fonte do amor divino. Ela teve por este amor expressões de apaixonado lirismo. 




Santa Mechtildes foi mestra de
Santa Gertrudes, a Grande. 
No século XIV ela era célebre em Florença, pois os dominicanos tinham propagado o Livro da Graça. Dante, em seu Purgatório, menciona uma encantadora jovem, Matelda, que guarda o Paraíso terrestre, provavelmente inspirado pela cantora do amor divino.

Mechtildes faleceu em 19 de novembro de 1298 ou 1299. Esta santa ficou célebre também por causa do chamado "Pai Nosso das Almas do Purgatório", devoção que a santa, em uma aparição, teria ensinado a uma vidente. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

NOVO SANTO, NOVOS BEATOS E VENERÁVEIS.


Nas fotos acima: Afonso Maria Fusco, John Sullivan e Maria Montserrat Grases García

VATICANO, 27 Abr. 16 / 04:20 pm (ACI).- O Papa Francisco recebeu em 26 de abril o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Cardeal Angelo Amato, ao qual autorizou a promulgação dos novos decretos que darão à Igreja um novo santo, 43 beatos e 8 veneráveis, entre eles uma jovem leiga de apenas 18 anos de idade.

O beato italiano Alfonso Maria Fusco será canonizado graças a um milagre atribuído à intercessão deste sacerdote diocesano de Nápoles (Itália), fundador da Congregação das Irmãs de São João Batista. Nasceu no dia 23 de março de 1839 e morreu em 6 de fevereiro de 1910.

O Santo Padre também aprovou o milagre atribuído à intercessão do irlandês John Sullivan, sacerdote professo da Companhia de Jesus. Nasceu no dia 8 de maio de 1891 e morreu em 19 de fevereiro de 1933.

Também aprovou o martírio dos albaneses Vicenzo Prennushi, Arcebispo de Durres (Albânia), da ordem dos Frades Menores, e 37 companheiros, assassinados entre 1945 e 1974, e os espanhóis José Antón Gómez e seus 3 companheiros, presbíteros da ordem de São Bento, assassinados em 1936.



Além disso, o Papa reconheceu as virtudes heroicas dos servos de Deus:

- Thomas Choe Yang-eop, sacerdote diocesano nascido em 1 de março de 1821 e morto em 15 de junho de 1861, na Coreia do Sul.

- Sosio del Prete, italiano, sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores e fundador da Congregação das Pequenas Servas de Cristo Rei. Nasceu em 28 de dezembro de 1885 e morto em 27 de janeiro de 1952.

- Venanzio Katarzyniec, polonês, sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Conventuais. Nasceu em 7 de outubro de 1889 e morreu no dia 31 de março de 1921.

- Maria Conselho do Espírito Santo, italiana, fundadora da Congregação das Irmãs Servas das Dores. Nasceu em 6 de janeiro de 1845 e morreu em 11 de janeiro de 1900.

- Maria da Encarnação, fundadora da Congregação das Irmãs da Terceira Ordem de São Francisco do Rebanho de Maria. Nasceu no dia 24 de março de 1840 e morreu em 24 de novembro de 1917.

- Maria Laura Baraggia, italiana, fundadora da Congregação das Irmãs da Família do Sagrado Coração de Jesus. Nasceu no dia 1º de maio de 1851 e morreu em 18 de dezembro de 1923.

- Ilia Corsaro, italiana, fundadora da Congregação das Pequenas Missionárias Eucarísticas. Nasceu em 4 de outubro de 1897 e morreu no dia 23 de março de 1977.


- Maria Montserrat Grases García, leiga, da Prelazia Pessoal da Santa Cruz e do Opus Dei. Nasceu em 10 de julho de 1941 e morreu no dia 26 de março de 1959.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

SANTA GERTRUDES, A GRANDE, Abadessa Beneditina e Mística.


 Desconhecida pela maior parte do "público católico", esta grande Santa, glória da Ordem Beneditina, foi precursora da espiritualidade de outras grandes santas como: Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Sena e Santa Maria Faustina Kowalska. Seu amor pela Humanidade de Cristo, especificamente por sua Santíssima Encarnação e Infância, por Santa Paixão e por seu Sagrado Coração, renderam-lhe várias aparições do Senhor e revelações místicas. 


 Gertrudes, a Grande
 É certo que Gertrudes era de uma família abastada, mas sabemos apenas que ela nasceu em Eisleben, Alemanha, no ano 1256. Não era de família nobre, como acreditaram alguns, confundindo-a com Gertrudes, a Abadessa de Helfta. Seus pais a colocaram como aluna das beneditinas de Roderdorf quando tinha apenas cinco anos. 
 Muito piedosa e culta, Gertrudes de Hackeborn vendo a estupenda inteligência de sua homônima, incentivou-a muito não apenas na observância monástica, mas também nas atividades intelectuais que Santa Lioba e suas freiras anglo-saxãs haviam transmitido às suas fundações na Germânia.
 A pequena Gertrudes encantava a todos. “Nessa alma, Deus reuniu o brilho e o frescor das mais belas flores à candura da inocência, de maneira que encantava todos os olhares como atraía todos os corações”, diz sua biógrafa e contemporânea.
 Como vimos acima, a comunidade transferiu-se para Helfta e a Abadia seguia na época a regra cisterciense. Para uma jovem de seu tempo, não era coisa tão comum, mas Gertrudes recebeu uma cultura universal e clássica. Estudou latim, filosofia e teologia; se comprazia com a leitura de Virgilio e Cícero, e a filosofia de Aristóteles.
 A educação de Gertrudes foi confiada à irmã da priora, Matilde de Hackeborn, muito adiantada na via mística e na santidade. Esta procurava incutir nas almas de suas alunas o fogo do amor de Deus que devorava seu coração. E encontrou em Gertrudes um campo propício para isso.
 A narração das experiências místicas de Matilde, Lux divinitatis, constitui um elegante texto poético. Por volta de 1290, Matilde tivera uma visão relacionada com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Estas religiosas eram influências decisivas na vida interior de muitas jovens que delas se aproximavam, e certamente devem ter influenciado Gertrudes.
 Em 27 de janeiro de 1281, depois de um mês de terrível provação, Nosso Senhor apareceu-lhe e fez-lhe compreender sua falta: “Provaste a terra com meus inimigos e sugaste algumas gotas de mel entre os espinhos. Volta a mim, e te inebriarei na torrente de meu divino amor”.  E, como dirá ela mesma, o Senhor "mais brilhante que toda luz, mais profundo do que qualquer segredo, docemente começou a aplacar aquela perturbação que havia entrado em meu coração".
 Nessa visão, não de modo visível externamente, foram-lhe impressos os sagrados estigmas de Cristo Senhor Nosso, e em seguida foi agraciada com êxtases.
 Após tais acontecimentos, que ela chama de “sua conversão”, entregou-se com ardor ao estudo da teologia escolástica e mística, da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja, sobretudo de Santo Agostinho, São Gregório Magno, São Bernardo e Hugo de São Vítor.
 No mosteiro ela não exercia outra função senão a de irmã-substituta da irmã-cantora, Santa Matilde. Apesar de sempre doente e lutando tenazmente contra suas paixões, atendia às inúmeras pessoas que a vinham consultar. Gertrudes desejaria viver na solidão, mas as notícias correm e pessoas chegam ao mosteiro para fazerem confidências, para interrogá-la, ou simplesmente para vê-la.
 E esta contemplativa enferma tem momentos de assombrosa atividade no contato com as pessoas e no empenho em divulgar-lhes a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e o culto a São José. A outros mais distantes auxilia com seus escritos, a exemplo de Matilde, e o faz com elegância que é fruto de seus estudos. O empenho da adolescência e da juventude na disciplina escolástica preparara Gertrudes para ser uma apóstola do modo adequado ao seu tempo. E é uma precursora de Santa Teresa d'Ávila e de Santa Margarida Maria Alacoque.
 Santa Gertrudes foi objeto das complacências divinas, como mais tarde haveria de ser Santa Margarida Maria Alacoque. Ambas penetraram no amor íntimo de Jesus, embora de maneira diversa.
 Santa Gertrudes é a Santa da Humanidade de Jesus Cristo e a teóloga do Sagrado Coração. Ela vê o Coração Divino não com a coroa de espinhos e a cruz; não se sente chamada à vocação especial de vítima expiatória pelos pecados do mundo. A chaga do peito que Jesus lhe apresenta é uma porta dourada por onde ela entra. Como São João Evangelista, ela repousa sobre o peito de Jesus, onde seu Coração é para ela um banho de purificação, um asilo e um descanso.
 Um dia Gertrudes não pôde assistir com as Irmãs uma conferência espiritual. Apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: "Queres, minha queridíssima, que o sermão to faça Eu"? Ela aceitou e Jesus fez que ela descansasse sobre o seu Coração e ela ouviu duas pulsações: "Com estas duas pulsações opero Eu a salvação dos homens", disse-lhe Ele. A primeira pulsação servia para tornar o Pai propício aos pecadores, para lhes desculpar a malícia e movê-los à contrição; a segunda era um grito de alegria e congratulação pela eficácia do sangue de Jesus na salvação dos justos. Era um grito que atraía os bons para trabalharem constantemente na obra de sua perfeição.
 Num ano em que o frio ameaçava os homens, animais e colheitas, durante a Missa Santa Gertrudes implorava a Deus que desse remédio a esses males. E teve a seguinte resposta: “Filha, hás de saber que todas tuas orações são ouvidas”. Ao que ela replicou: “Senhor, dai-me a prova desta bondade fazendo com que cessem os rigores do frio”. Ao sair da igreja, a santa notou que os caminhos estavam inundados pela água produzida pela neve derretida. O tempo favorável continuou, e começou mais cedo a primavera.
 A fama de santidade acompanhava Gertrudes já em vida e perdurou no tempo. As suas obras, o Arauto da bondade divina e os sete Exercícios, em belíssima prosa latina, foram editadas no século XVI pelo cartuxo João Lamperge e foram logo traduzidas para várias línguas europeias.
 Os especialistas afirmam que os livros da Santa Gertrudes, junto com as obras de Santa Teresa d'Ávila e de Santa Catarina de Sena, são as obras mais úteis que uma mulher tenha dado à Igreja para alimentar a piedade das pessoas que se dedicam à vida contemplativa.
 Santa Gertrudes havia escrito uma preparação para a morte, para proveito dos fiéis. Consistia em um retiro de cinco dias, o primeiro dos quais consagrado a considerar a última enfermidade; o segundo, a confissão; o terceiro, a unção dos enfermos; o quarto, a comunhão; e o quinto a dispor-se para a morte. Certamente ela se preparou desse modo para seu falecimento, que ocorreu no Mosteiro de Helfta, em 17 de novembro de 1302.
 Gertrudes já era considerada santa no momento de sua morte; Clemente XII incluiu o seu ofício no Calendário Romano em 1677. Mas somente em 1739 o seu culto foi estendido à Igreja Universal.
 Santa Teresa de Ávila e São Francisco de Sales promoveram muito o culto a essa santa extraordinária. Gertrudes é uma das padroeiras dos escritores católicos.