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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 11 de março de 2016

Serva de Deus Maria Imaculada da Santíssima Trindade, Virgem Carmelita Descalça.


Maria Giselda Villela nasceu em Jacutinga, MG, a 08/07/1909. Viveu sua infância em Maria da Fé, MG. Foi agraciada por Deus: nascendo em um lar autenticamente cristão. Era a terceira de sete filhos do casal Manoel Villela Pereira (de origem portuguesa) e Maria Augusta Campos Villela. Seus irmãos são: Genoveva, Manoelzinho (que logo morreu), Rita, Manoelzinho (mesmo nome do irmão e que também veio a falecer aos dois anos de idade), Gabriel (futuro Padre Gabriel Maria Villela, Redentorista) e Murilo.


Família de Maria Giselda. Da esquerda para a direita: Gabriel - Sr. Vilela - 
MARIA GISELDA - Genoveva - Rita - D. Maria e Murilo.



Maria Giselda, muito viva e inteligente, era cercada de atenção e carinho pelos pais. Estes percebiam seu temperamento forte e expansivo, e eram exigentes na sua formação e educação.

Pela piedade e conhecimento do catecismo que a menina já possuía, um missionário que pregava as missões, na cidade, após submetê-la a um rigoroso interrogatório, determinou que ela fizesse a Primeira Comunhão, embora só tivesse quatro anos de idade. Ao lado de Maria Giselda, recebendo Jesus pela primeira vez, estava Delfim Ribeiro Guedes, seu amiguinho de infância, embora mais velho do que ela e que, unidos pela Eucaristia, Deus os uniria ainda mais, num futuro remoto, pelo ideal carmelitano.

Sempre voltada para as coisas de Deus, após a Primeira Comunhão, Maria Giselda quis entrar para o Apostolado da oração, como zelada. Não sabendo ler nem escrever, cumpria de memória o que lhe era prescrito, assim como marcava nos dedinhos as Ave-Marias a serem rezadas. Natureza rica, com temperamento exuberante e mais para colérico, vez por outra deixava transparecer – ao lado das boas tendências e qualidades – seus defeitinhos de criança.

Cercada de boas amizades, teve por companheirinho de infância, além de Delfim, o futuro beneditino Dom Marcos Barbosa. Três crianças que, mais tarde, norteariam suas vidas para um ideal de consagração a Deus, seguindo insondável plano divino.







Maria Giselda e Maria José.
O SOFRIMENTO

Dedicada aos estudos, Maria Giselda foi desenvolvendo os muitos talentos com que Deus a dotara. O selo do sofrimento, porém, marcaria sua infância... Entre 12 e 13 anos de idade, teria início o seu calvário com o aparecimento de um grande tumor na virilha o que, em sua ingenuidade, parecia ser normal.

Alertado sobre o perigo que cercava a filha tão amada, o Sr. Villela leva-a ao médico em outra cidade de maiores recursos, onde – com meios precários – o enorme tumor é extirpado. Foi possível, então, Maria Giselda ir para o Internato, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, das Irmãs da Providência de GAP, em Itajubá (MG) onde, em poucos meses, reaparece o tumor. Alarmado, o pai leva a filha para o Rio de Janeiro, RJ, procurando os melhores especialistas. Após os exames necessários e cirurgia de emergência, feitos por Dr. Pedro Ernesto, este, um tanto desolado, procura o Sr. Villela e lhe diz que a menina não se salvaria... Tratava-se de um tumor maligno... Câncer em estado adiantado.

O Sr. Villela, pai extremoso e tendo para com Maria Giselda carinho todo especial, sofreu terrível golpe! E diante de tal diagnóstico e da sentença de Dr. Pedro Ernesto de que o caso era perdido, responde-lhe: "Se a medicina da terra nada pode fazer, eu confio na medicina do céu".

Enquanto a filha era operada, refugiando-se em Deus, os pais buscam uma Igreja próxima ao hospital. Participando da santa Missa – durante a qual o Celebrante falava sobre o poder intercessor de Santo Expedito – D. Maria e o Sr. Villela, sem que algo tivessem combinado, no mais íntimo de seus corações, pedindo a cura da filha querida, fazem a mesma promessa: a de mandar esculpir uma imagem do referido Santo, propagando-lhe a devoção em Maria da Fé, cidade onde a existência de tal santo era totalmente desconhecida.

Dr. Pedro Ernesto, diante do sofrimento dos pais, faz-lhes a proposta de suster o mal, através de um novo tratamento: a radioterapia. Embora temerosos, os pais concordaram, sendo feitas aplicações que duravam mais de duas horas, provocando-lhe sérias queimaduras. Era ainda desconhecido o efeito do rádio...


SONHOS DA JUVENTUDE E CONVERSÃO

Durante a infância e juventude, Maria Giselda idealizava ser muito rica, possuir bens, casas, carros. Enfim, gozar de uma vida confortável e até luxuosa, junto a seus pais, de quem nunca pensava em separar-se, tão grande era seu amor por eles.

No Colégio, foi-se interiorizando mais e mais, numa busca constante de Deus: primeiros passos para a conversão verdadeira. Leituras espirituais, sobretudo a "História de uma Alma", de Santa Teresinha, fizeram-na descobrir o Carmelo.

Procurando o auxílio de seu Confessor, a quem expôs seu desejo, este encaminhou seu pedido ao Carmelo de Santa Teresinha, em Campinas. Com a resposta afirmativa, seu Confessor passou a orientá-la sobre a vida contemplativa, sobretudo carmelitana, com suas exigências e austeridades. E Maria Giselda procurava ser fiel às suas orientações espirituais.


CAMINHADA PARA O CARMELO

Percebendo a mudança que vinha sendo operada na filha, o Sr. Villela e D. Maria – ao tomarem conhecimento de sua pretensão de consagrar-se a Deus, no Carmelo – não se opuseram, embora previssem o quanto iriam sofrer com a separação.

No ambiente familiar ela encontrou, pois, todo o apoio desejado. Os pais não ficariam sozinhos, pois seus irmãos, incluindo-se Francisca, filha de criação, ficariam olhando por eles.

Corria o ano de 1930. Em companhia do pai, Maria Giselda vai para Campinas, ingressando no Carmelo em 29 de novembro.

Em 12 de abril de 1931, recebe o Hábito de Nossa Senhora do Carmo, sob o nome de Irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade, realizando-se a profecia de sua grande amiga, Laly, que foi co-fundadora do Carmelo Nossa Senhora Aparecida, de Belo Horizonte.


Laly e Maria Giselda.


Os primeiros Votos foram emitidos em 12 de abril de 1931 e, em 13 de abril de 1935. Após os bem vividos três anos de Noviciado, faz sua Profissão Solene, dedicando-se ainda mais à Comunidade, colocando todos os seus talentos (pintura, música etc.) em benefício de todas as Irmãs, a quem muito amava.


Ir. Maria Imaculada noviça


Ir. Maria Imaculada no dia
de sua Profissão temporária.


Ir. Maria Imaculada Professa solene. 



O CARMELO DA SAGRADA FAMÍLIA

Cônego Delfim (o amigo de infância de Maria Giselda), manifestando a necessidade de cumprir a promessa feita junto ao túmulo de Santa Teresinha, em Lisieux, de trabalhar para a fundação de um Carmelo, pois a Santinha das Rosas obtivera-lhe de Deus a graça da Ordenação Sacerdotal, começa, em Pouso Alegre, os primeiros trâmites para a vinda do Carmelo. Adquire uma casa, com ajuda de amigos e benfeitores, que caberia bem para o início da vida das irmãs, e escreve a D. Octávio Chagas de Miranda, então em convalescença de uma cirurgia, em Campinas, sobre o projeto. D. Octávio dá sua adesão, vendo nisto a vontade de Deus.


Dom Octávio pede, então, à Madre Ângela e Comunidade para assumirem a fundação de um Carmelo em Pouso Alegre, Minas Gerais. Depois de muita oração e dos trâmites necessários, a fundação ocorre em 26 de outubro de 1943. Cônego Delfim Ribeiro Guedes teve também o cuidado de preparar a cidade para acolher as Carmelitas, conscientizando-a do valor da vida contemplativa.


Ir. Maria Conceição, Madre Ângela e Mãezinha.



Cônego Delfim seguiria, à distância, suas filhas Carmelitas, pois dias antes da fundação do seu Carmelo, fora nomeado Bispo de Leopoldina. E para lá partiu, logo após a inauguração do Carmelo da Sagrada Família.

Início difícil para Madre Maria Imaculada, sobretudo após o retorno das Irmãs ao Carmelo de Campinas, ficando ela com apenas um grupo de noviças. Mas estas - reconhecendo o valor da Priora, ­em solene cerimônia, deram-lhe o título de "Mãezinha", pois realmente desempenhava tal missão pelo zelo, atenção, amor e dedicação a todos. Assim ficou conhecida e chamada por todos da cidade de Pouso Alegre, como pelos amigos e familiares das Irmãs.

Da esquerda para a direita: Futura Ir. Maria de Lourdes - Mãezinha - futura Ir. Rosa Maria
Ir. Maria Stella- Ir. Maria Teresinha e Ir. Benedita Maria.


Ela deu início às obras do Carmelo definitivo, com indescritível capacidade administrativa, auxiliada pelas filhas, cujo número ia crescendo.

Por quarenta e três anos, dirigiu o Carmelo da Sagrada Família, cuidando – não apenas da parte material – mas, sobretudo, da espiritual, como autêntica filha da Santa Madre Teresa de Jesus e de São João da Cruz; como fiel filha da Igreja, num amor indescritível por Maria e São José, alicerces de nossa vida carmelitana.

Com a Sagração da Capela, a construção do cemitério das Irmãs e sua capelinha, o término das pistas em todo o quintal, a Mãezinha dizia poder cantar o Nunc dimittis...  Terminara sua obra - Obra de Deus - podendo partir para o Carmelo definitivo do céu.

Deus, porém, em seus maravilhosos desígnios e que, apesar de ser “maravilhosos” não deixam de ser, às vezes, “dolorosos”, desejava pedir a ela algo mais: a fundação do Carmelo de São José, em Campos, RJ, para o qual daria algumas de suas filhas.



A FUNDAÇÃO DE UM NOVO CARMELO

Acatando a vontade de Deus - manifestada através do pedido de nosso Provincial, Frei Patrício Sciadini, ocd e de Dom Carlos Alberto Navarro, Bispo daquela Diocese - a Mãezinha tomou todas as providências necessárias ao novo Carmelo: espirituais e materiais. Foi um tempo de intensa oração.

E, em 24 de agosto de 1986, ela se despede de nove de suas filhas, que partiram para a nova fundação, o que lhe ocasionou um abalo na saúde: um câncer, já com manifestação externa; e que procurou ocultar-nos, como às Irmãs do Carmelo de Campos. Havia oferecido a sua vida para o êxito da nova fundação, em benefício da santa Igreja, dilacerada em sua unidade, naquela Diocese.

Mãezinha, no centro, com as fundadoras do Carmelo de Campos.


ENFIM, O CÉU

A saúde de Mãezinha foi decaindo. E – sempre assistida por vários médicos da cidade, nossos grandes amigos, sobretudo por Dr. Vitor Galhardo e Dr. José Wazen (do Rio de Janeiro) –, em 20 de janeiro de 1988, pelas 11h20 da manhã, ela partiu para o grande encontro com Aquele por quem vivera e a quem servira durante toda a sua vida.

Missa de Exéquias.


Fiéis tocando terços e outros objetos no corpo da Serva de Deus.




segunda-feira, 7 de março de 2016

Venerável Clara Isabel Fornari, Monja Clarissa, Mística e Estigmatizada.



     Nascida em Roma, a 25 de junho de 1697, Ana Felícia Fornari entrou aos quinze anos para o noviciado das Clarissas, em Todi. Sua vida religiosa era orientada por seu confessor, o jesuíta Crivelli. Tomando o nome de Clara Isabel, fez a profissão no ano seguinte e, desde então, a sua vida foi uma série dos fenômenos mais extraordinários, consignados no processo de beatificação e confirmados sob juramento pelas suas companheiras, pelo confessor e pelo médico.
 Tinha frequentes e prolongados êxtases; recebia numerosas visitas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, de Santa Clara e de Santa Catarina de Sena. No decorrer duma delas, Jesus meteu-lhe no dedo o anel que simbolizava o seu consórcio espiritual. Comprazia-se em chamar-lhe «a sua esposa de dor».
     Clara Isabel participou, com efeito, dos sofrimentos do Divino Crucificado: tinha as mãos, os pés e o lado marcado com estigmas visíveis, donde por vezes corria sangue. Na cabeça tinha uma coroa cujos espinhos cresciam para o interior, saindo pela fronte, desprendendo-se e caindo ensanguentados. As torturas e perseguições demoníacas que sofreu recordam as que, cem anos depois, veio a padecer o Santo Pároco de Ars. Desde o noviciado, o demônio tentava-a com o desespero e o suicídio; depois, maltratava-a, atirando-a pelas escadas abaixo, e tentava tirar-lhe a fé.
     Nos últimos meses de vida parecia abandonada de Deus, tendo perdido até a lembrança das consolações passadas. Só recuperou a antiga alegria pouco tempo antes de morrer, no ano de 1744. Um processo de beatificação da Madre Clara Isabel está em andamento. 


    A devoção a Nossa Senhora da Confiança (Madonna della Fiducia)
     A invocação de Nossa Senhora da Confiança foi introduzida na Igreja no século XVIII pela Venerável Clara Isabel Fornari, que nutria uma devoção muito especial a Santa Mãe de Deus e portava sempre consigo um quadro com a pintura dEla com o Menino Jesus nos braços. Logo várias copias começaram a circular pela Itália; a essa pintura se atribuíam muitas graças e curas, e em 1917 o Papa Bento XV coroou Nossa Senhora da Confiança confirmando canonicamente seu título e o dia de sua festa: 24 de fevereiro.
     O quadro fora pintado pelo grande artista italiano Carlo Maratta (1625-1713). Em 1704 ele tornou-se pintor da corte de Luís XIV. Diz-se que o renomado artista deu o quadro para uma jovem nobre que se tornou abadessa do Convento das Clarissas de São Francisco na cidade de Todi. Era a hoje Venerável Madre Clara Isabel Fornari.
     Segundo palavras da própria Venerável, Nossa Senhora fez promessas especiais a ela com respeito a este quadro: "Minha Senhora Celeste, com o amor de uma verdadeira Mãe, assegurou-me que todas as almas que com confiança se apresentarem diante desta imagem obterão verdadeiro conhecimento, dor e arrependimento de seus pecados, e a Santíssima Virgem lhes concederá uma particular devoção e ternura por Ela”. (Esta promessa se aplica não apenas ao quadro original, mas também a todas as cópias dele.)
     Uma das cópias foi levada para o Seminário Maior de Roma, do qual Ela se tornou padroeira. Todos os anos, no dia 24 de fevereiro, o próprio Pontífice vai venerá-la.
     Entre os fatos prodigiosos que comprovam a proteção dEla ao Seminário contam-se as duas vezes (1837 e 1867) em que uma epidemia de cólera atingiu a Cidade Eterna, mas o Seminário Romano foi milagrosamente poupado pela poderosa intercessão de sua Padroeira.
     Na 1a. Guerra Mundial, cerca de cem seminaristas foram enviados à frente de batalha e se colocaram sob a especial proteção de Nossa Senhora da Confiança . Todos retornaram vivos, graça que atribuíram à proteção da Santíssima Virgem. Em agradecimento, entronizaram o venerável quadro numa nova capela de mármore e prata.





         A devoção a Nossa Senhora Menina
     O fundador da Congregação dos Monges Olivetanos é o iniciador da devoção a Nossa Senhora Menina. A ela o então Beato Bernardo, em 1623, consagrou a igreja edificada e dirigida pelos monges no Monte Oliveto. A primeira imagem só foi confeccionada em 1755 e constava de “uma menina deitada num berço, enfaixada com graça e riqueza”. O abade olivetano Dom Isidoro Gazzali foi quem a encomendou à Venerável Madre Clara Isabel Fornari, religiosa Clarissa e especialista em escultura. Desde então, é essa a imagem venerada nos mosteiros olivetanos. Assim honravam a festa da Natividade de Nossa Senhora, celebrada no dia 8 de setembro.

     A cidade italiana de Milão é outro centro de irradiação dessa piedosa forma de venerar a Mãe de Deus. Na igreja de Santa Maria dos Anjos havia a imagem também esculpida pela Venerável Clara Isabel Fornari, modelada em cera, chamada “Maria Santíssima Bambina”. O seu semblante iluminado pelas graças da infância retinha a simplicidade, a pureza, a alegria da sua alma. Posteriormente, foram aparecendo outras pinturas e imagens, como a da igreja São Nicolau, na cidade do Porto em Portugal, no século XVIII. Também pode se encontrar uma pintura de Sant’ Ana, tendo a Menina Maria de pé ao seu lado, enquanto recebe instruções.


(fonte do texto: blog "heroínas da cristandade").