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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CHEGADA DAS RELÍQUIAS (corpos incorruptos) DE SÃO LEOPOLDO MANDIC´ E SÃO PIO DE PIETRELCINA AO VATICANO.

   

   
    Roma (Rádio Vaticana) – Foi grande a emoção e a comoção entre os fieis na Basílica de São Lorenço fora-dos-muros, onde chegaram os corpos dos Santos Pio de Pietralcina e Leopoldo de Mandić, vindos, respectivamente, de São Giovanni Rotondo e de Pádua, por ocasião do Jubileu da Misericórdia. As relíquias permanecem expostas para veneração dos fieis até a sexta-feira, quando em uma solene procissão, serão levadas até a Basílica de São Pedro.
   Com toda a certeza, é um dos grandes momentos do Jubileu da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco. Desde a tarde desta terça-feira, 3,  estão em na Igreja de São Lourenço fora-dos-muros, em Roma os corpos de São Pio de Pietralcina e São Leopoldo de Mandić. Na tarde de sexta-feira, após uma solene procissão na Via da Conciliação, eles serão expostos na Basílica de São Pedro diante do Altar da Confissão até a manhã do dia 11 de fevereiro. A Rádio Vaticano entrevistou o Padre Marciano Morra, amigo do Padre Pio e confrade do Convento dos Capuchinhos de San Giovanni Rotondo, sobre o traslado do corpo do Santo a Roma:

   “Por esta multidão que o verá está o Papa, o Papa que está em meio aos filhos. E esta é uma imagem muito bonita de Padre Pio. Não é o Santo que está no céu e acabou, e diz: “bem, vocês se virem”... Não! É o Santo que nos acompanha continuamente, de outra forma não teria explicação que sobre aquele Gargano rochoso cheguem ainda milhares de peregrinos. Ninguém sai da sua casa se não está seguro de ter uma recompensa, de obter uma graça. Portanto, é o Santo que ainda hoje vive em meio ao povo, vive pelo povo”.


   RV: O senhor conheceu, esteve por anos com Padre Pio; também quem não o conhece muito bem, tem esta imagem dele no confessionário, que passa ali horas incansáveis. Isto tem um significado muito forte neste Jubileu da Misericórdia... o perdão...
   “Claro! Tenhamos presente que Padre Pio, como justamente se diz, muitas vezes levanta a voz e repreende. E por que? É a imagem do pai de família. Tem os filhos e age de uma forma para que os filhos se comportem bem, dá bons ensinamentos... Mas se o filho começa a se desviar, o pai deve intervir, deve chamá-lo para o caminho reto. Se não faz isto, não é um bom pai. E Padre Pio era um bom pai, que quando estava diante de um penitente que acusava seus pecados, mas não tinha nenhuma intenção de mudar de caminho, de mudar de vida, levantava a voz e o repreendia”.

   RV: Recorda também o Papa Francisco, que a propósito de palavras fortes, às vezes é duro ao condenar o pecado, ao mesmo tempo que abraça o pecador...

   “Belíssimo, Papa Francisco! Poderíamos dizer que ele está agindo muito como Francisco de Assis, mas no campo da guia do povo age também como o Padre Pio, porque Padre Pio é moderno. O Papa Francisco é moderno, e portanto, é uma realidade quase parecida... Assim, Padre Pio é de ajuda também ao Papa Francisco, não somente com a intercessão do céu, mas também com o seu testemunho de vida”.

   RV: O que representa para o senhor e para sua comunidade este traslado do Padre Pio a Roma, este evento assim tão extraordinário?

   “É necessário refletir um pouco a respeito, porque facilmente alguém pode ser influenciado pelo movimento, pela organização... Isto, para nós frades, deve fazer refletir. Somos chamados a percorrer o seu caminho, aquele que ele nos abriu; nos faz refletir - nós que somos chamados frades do povo - como Padre Pio tenha se preocupado em fazer crescer o deserto em que ele estava e o desenvolveu”. Nós frades devemos rezar, porque sem oração não se faz nada; devemos nos preocupar em permanecer frades do povo, estar em meio ao povo!”




  São Leopoldo Mandić

  São Leopoldo Mandić nasceu na Dalmácia em 1866, viveu por 30 anos no Convento dos Capuchinhos de Pádua e ali morreu em 1942. Dedicou toda a sua vida ao Sacramento da Reconciliação. A respeito de seu carisma, ouçamos o que nos diz o Reitor do Santuário de São Leopoldo de Mandić,  de Pádua, Padre Flaviano Giovanni Gusella.

  “Padre Leopoldo foi adotado pelos Papas que o beatificaram e canonizaram – Paulo VI e São João Paulo II – com um duplo carisma: o de ser Ministro Extraordinário, “heroico ministro da Reconciliação” – são as palavras textuais usadas na homilia de Beatificação e de Canonização – e ao mesmo tempo Profeta do ecumenismo espiritual. Padre Leopoldo era uma pessoa erudita, sábio, inteligente, uma pessoa sobretudo que tinha um grande coração pelos pecadores”.

   RV: Qual o legado de Padre Mandić aos confessores?

 “Certamente a disponibilidade. O Padre Leopoldo passava no confessionário todo o dia, desde cedo da manhã até tarde da noite. Se existe uma coisa que pedia aos Superiores era a de poder ultrapassar os horários estabelecidos para os confessores: a sua total disponibilidade e a fidelidade ao seu ministério e ao seu carisma. Assim acredito que seja isto, porque às vezes, da parte de muitos penitentes, se sente hoje a necessidade, o desejo, de encontrar e de encontrar ali – como disse o Papa Francisco na Bula de Convocação do Jubileu da Misericórdia -  o confessor que te espera, te acolhe, não te deixa impaciente, e que está pronto em te acolher como imagem de Jesus Bom Pastor. Acredito que esta seja a atitude de base fundamental para os confessores. E depois, sempre como diz Papa Francisco na Bula para o grande Jubileu da Misericórdia, esta capacidade de ser rosto misericordioso, terno, doce, paterno em relação àqueles que se aproximam ao Sacramento da Reconciliação. Assim como fez o Pai da Parábola do Filho Pródigo”.

   RV: E o que disse a quem se aproximava do confessionário?

“Padre Leopoldo convida à confiança. “Tenha fé, tenha confiança – dizia – não tenhas medo. Veja, também eu sou um pecador como você. Se o Senhor” – o chamava de “Mestre Deus” – “não tivesse uma mão sobre a cabeça, faria como ele e ainda pior do que ele”. Padre Leopoldo convida a ter esta confiança extraordinária em um Deus que é somente amor, somente perdão, somente capacidade de acolhida, de ternura, que tem o maior desejo de nos abraçar novamente como seus filhos. Não importa os pecados nem os erros. Deus vê o nosso desejo de retomarmos o caminho, de mudar-nos de vida, de reconciliar-nos. E isto lhe basta”. (JE)

Venerável Servo de Deus João Leão Dehon, Presbítero e Fundador (Congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus).


Venerável Pe. Dehon
 O Fundador da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, Venerável Pe. João Leão DEHON, nasceu em La Capelle, diocese de Soissons (França) a 14 de Março de 1843, no seio de uma família de ricos proprietários agrícolas de ascendência nobre. A sua mãe, Estefânia Adele Vandelet, era um exemplo de fé; mas o seu pai, Júlio Alexandre Dehon, era indiferente e até mesmo anticlerical.

  O pai, homem de carácter recto e bondoso, abandonara desde novo a prática religiosa. A mãe, ao contrário, era uma senhora profundamente crente e piedosa que soube incutir nos filhos princípios de fé e de dignidade. Dela escreveu o Pe. Dehon: "Agradeço ao Senhor por me ter dado tal mãe e por se ter servido dela para me ensinar o amor ao seu divino Coração".

  Baptizado com os nomes de Leão Gustavo, cedo manifestou grande sensibilidade espiritual, aliada a uma inteligência brilhante e a excepcionais dotes de carácter. Depois dos primeiros estudos na terra natal, concluiu os estudos secundários num ótimo colégio, a respeito do qual pôde escrever: "Nosso Senhor encaminhou-me para uma casa que Lhe era querida. É a graça-mestra da minha vida". Aí encontrou o ambiente favorável à formação da sua personalidade e ao desenvolvimento da sua vida cristã.

  Teria 13 anos quando, durante um retiro que lhe causou uma impressão extraordinária, tomou a firme resolução de se tornar sacerdote, como forma de se entregar por inteiro ao Senhor e ao seu serviço. Sensível ao amor de Deus, simbolizado no Coração de Jesus, sonhava "ser religioso e missionário" e também "mártir". Mas a firme oposição do pai obrigou-o a adiar para mais tarde a realização desse sonho.

  Entretanto, prosseguiu os estudos em Paris, onde cursou Direito na Sorbona. Aos 21 anos era advogado.

  Em 1865, aceitou a longa viagem que seu pai lhe proporcionou, com a clara intenção de que não seguisse a carreira sacerdotal. Foi um roteiro fascinante, começando pela Suíça, Itália, Grécia, Egito e finalizando na Palestina. No regresso, passou pela Síria, Constantinopla, Budapeste e Viena. Mas em vez de ir para casa, foi para Roma, onde conseguiu uma audiência com o papa Pio IX, que o aconselhou a fazer os estudos eclesiásticos ali mesmo, na Cidade Eterna. Assim, entrou para o Seminário de Santa Clara, mesmo contra a vontade paterna, uma vez que era Deus que o queria padre...

  O dia 19 de dezembro de 1868 foi o mais desejado e feliz da vida de Dehon. Mais desejado porque recebeu sua ordenação sacerdotal. Feliz porque seu pai, convertido sinceramente, recebeu a santa eucaristia das suas mãos, quando celebrava a sua primeira missa. Apesar de ter concluído muitos cursos e doutorados, padre Dehon foi designado para ser um simples vigário da pobre e problemática paróquia de São Quintino, da diocese de Soissons.

   Durante nove anos dedicou-se de alma e coração ao serviço pastoral da sua diocese. Após a fundação da Congregação (1878) envolveu-se pessoalmente na "questão social" do seu tempo, dando o seu contributo lúcido e ardoroso para a divulgação a todos os níveis da doutrina social da Igreja. Leão XIII pediu-lhe expressamente: "Pregue as minhas encíclicas".

  Ele assumiu a missão com todo ardor e entusiasmo. Mas o sacerdote tinha algo que o inquietava. Sentia um forte desejo de ingressar numa congregação religiosa. Como não encontrou uma que atendesse seus anseios por justiça social associada às missões, decidiu e fundou a Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus em 1878.

  Entretanto surgiu a grande provação. O governo maçônico da França decretou a expulsão das congregações religiosas. Padre Dehon, então, para proteger seus sacerdotes no caso de expulsão, adquiriu uma casa na Holanda, pois assim teriam onde refugiar-se. Mas a situação ficou tão complicada e confusa que foi o próprio Vaticano que suprimiu a congregação. Quem o socorreu foi seu bispo, que o conhecia muito bem.

  Em 1884, o papa decretou a reabertura da congregação. Desde então, padre Dehon trabalhou para consolidá-la, fundando novas Casas por toda a Europa. Depois, a congregação também se estabeleceu nas Américas, na África e na Ásia. E padre Dehon, sempre movido pelo objetivo de difundir o pensamento de justiça social da Igreja, proferiu muitas conferências, escreveu artigos em jornais e revistas e publicou vários livros.


  Ao fechar os olhos a 12 de Agosto de 1925, deixou atrás de si uma obra notável e duradoira como sacerdote santo, como educador prestigiado, como escritor e conferencista escutado, como apóstolo social e, sobretudo, do Coração de Jesus. Ele que protestara outra coisa não querer senão viver e morrer como Apóstolo do Coração de Jesus, pôde afirmar no momento supremo, apontando para a imagem, sempre presente na sua vida, do Sagrado Coração: "Para Ele vivi, para Ele morro".

   Atualmente, os religiosos "dehonianos" fazem o mesmo, evangelizando e trabalhando pela justiça social em paróquias, colégios, faculdades, orfanatos, creches, comunidades de recuperação de drogados, missões, shows musicais e meios de comunicação social, nos quatro cantos do mundo. O corpo do venerável fundador está sepultado na igreja de São Martinho, em São Quintino, na França.




 SEGUNDO TEXTO BIOGRÁFICO (complementar ao primeiro texto)

Sociólogo, escritor, advogado e padre Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Sua vida foi um constante caminhar. Sonhador, lutador, teve decepções, surpresas alegres e tristes. Aprendeu a amar a Igreja. Soube ouvir os gritos numa França cheia de desafios. Fundou jornal, revista, publicou livros, escreveu muito nos Meios de Comunicação Social de então, e deixou-nos por herança : O Sagrado Coração de Jesus.
Leão João Dehon nasceu a 14 de março de 1843, em La Capelle, ao norte do Departamento de L’Aisne, França. Seu pai: Julio Alexandre Dehon; sua mãe: Estefânia Adele Vandelet, devota fervorosa do Coração de Jesus. Tinha um irmão mais velho: Henrique.


Leão foi batizado a 24 de março do mesmo ano, véspera da festa da Anunciação. Anos depois, escreveu: "Era feliz mais tarde unindo a lembrança do meu batismo ao do Ecce venio do Nosso Senhor".


Leão Dehon frequentou a escola da cidade. Mais o ambiente não era favorável a uma boa educação. Por isso seus pais, preocupados com o futuro do filho, o matricularam no Colégio de Hazebrouck, dirigido por padres. Antes de seu ingresso nesse colégio Leão fez suma primeira comunhão na cidade natal.

No Colégio Hazebrouck, encontrou na pessoa de seu diretor, Pe. Dehaene, um grande amigo que o orientou muito bem na luta pela conquista da virtude.

Na noite de Natal de 1856, Leão sentiu forte chamado ao sacerdócio. Conversou como pai a respeito. Recebeu um frio e peremptório "não". Júlio sonhava um futuro brilhante e diferente para o filho. Jamais permitira que ele se tornasse sacerdote.  agosto de 1859, Leão terminou seus estudos secundários e, a l6 do mesmo mês, passou, com sucesso nos exames de bacharel em letras.

De volta a La Capelle, expos novamente seu projeto ao pai. Esta insistência do filho caiu como um raio no lar Dehon. O pai não aceitava de forma alguma a idéia ousada do filho.

Sem desistir de seu plano, Leão obedece momentaneamente a seu pai e vai para Paris. Freqüenta o curso de preparação ao concurso da célebre Escola Politécnica DEA simultaneamente matricula-se no primeiro ano de direito. Mais tarde, abandona o curso de letras e segue normalmente o curso de direito, que lhe parecia mais de acordo com a sua cultura e sua sensibilidade.

Em agosto de 1862, obtém a licença em direito e, dois anos mais tarde, em abril de 1864, defende a tese de doutorado em direito.

Durante o período de estudo em Paris, Leão impôs-se um ritmo de vida que favorecia sua vocação sacerdotal. Diariamente participava da missa em São Sulpicio, sua paróquia.

Nesse tempo, também, conheceu um jovem estudante de arqueologia, que se tornaria seu grande amigo: Leão Palustre. Com esse amigo, Dehon fez várias viagens: à Inglaterra (1862), à Alemanha, aos países escandinavos, à Europa Central (1863), A 23 de agosto de 1864, empreendeu com ele uma longa viagem de 10 meses pelo sul da Alemanha, Suíça, Norte da Itália, Grécia, Egito, Palestina (Terra Santa), Ásia Menor, Hungria e Áustria.

No fim dessa viagem, Leão parte diretamente para Roma, onde chega a 14 de junho de 1865. Estava firmemente decidido a seguir sua vocação sacerdotal. A viagem à Terra Santa confirmara o chamado do Senhor: "Vem e segue-me! Também te farei pescador de homens!".

Em Roma, mora no colégio francês, Santa Clara, matricula-se no curso de filosofia e, depois de um ano apenas, obtém o doutorado na matéria (1866). Em 1871, consegue o título de doutor em teologia e em direito canônico.

Antes, a 19 de dezembro de 1868, é ordenado sacerdote, na Basílica de São João de Latrão, na presença de seus pais, que aceitam agora a vocação do filho.

Padre Dehon participou como estenógrafo, das sessões do Concílio Vaticano I.

Terminados seus estudos em Roma, recebeu sua primeira transferência. Foi uma grande decepção para ele. Com vários doutorados em sua bagagem, Padre Dehon esperava trabalhar numa universidade. E foi nomeado para ser o 7 vigário paroquial de uma pobre e problemática paróquia: São Quintino.

Apesar de tudo, assumiu sua missão com todo ardor e entusiasmo. Conhecendo as grandes necessidades daquela cidade, Padre Dehon teve várias iniciativas de grande repercussão; fundou um patronato, São José 91872), a Obra dos Círculos Católicos (1873); um jornal católico: Le Conservateur de L’Aisne (1874); círculos de estudos religiosos e sociais, com a Conferência de São Vicente de Paulo ( 1875); promoveu encontros de estudos com os patrões, duas vezes por mês (1876): o Colégio São João

Sacerdote, culto, santo e dinâmico, muito conhecido na França, Dehon tinha algo que o inquietava. Não estava satisfeito. Faltava-lhe algo. Não tinha, porém, clareza o que era realmente. Depois de um longo discernimento, feito de oração, de diálogo com sábios sacerdotes e orientadores espirituais, Dehon toma a decisão de fundar a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Data oficial da fundação: 28 de junho de 1878, dia da primeira profissão do fundador.

Temporariamente supressa por determinação da Santa Sé (1883), a nova Congregação experimentou, depois de sua ressurreição (1884), um vertiginoso crescimento e um surpreendente impulso missionário espalhando-se por diversos países.

Além dos trabalhos de governo e animação de sua congregação como superior geral, Padre Dehon participou dos grandes eventos de cunho social na agitada França daquele fim de século. Sensível aos grandes problemas sociais de então, Padre Dehon era protagonista de congressos e de assembléias, onde se discutiam as questões sociais, principalmente depois da publicação da Rerum Novarum, da qual foi um incansável divulgador e defensor. Sem dúvida, pode-se dizer que era um missionário da doutrina social da Igreja. Proferiu conferências (principalmente em Roma), escreveu artigos em jornais e revistas (Le Règne du Sacrré-Coeur dans les âmes et dans les sociétés), publicou livros sobre o tema, principalmente: Manual social cristão (1894) e o Catecismo social (1898). Outros: A usura no campo presente (1895); Nossos Congressos (1897), As pontifícias diretrizes políticas e sociais (1897), Riqueza, mediocridade ou pobreza ( 1899), A renovação social cristã (1900).

Padre Dehon faleceu no dia 12 de agosto de 1925, aos 82 anos de idade. Seus restos mortais repousam na Igreja de São Martinho, em São Quintino, França.


"Por Ele vivi, por Ele morro", foram suas últimas palavras.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

"Santa" Teodolinda, Rainha dos Longobardos.

     

     Teodolinda era filha de Garibaldo, rei da Baviera. Vendo-se por um lado apertado pelos Francos e por outro pelos Longobardos, para segurança desejou contrair um parentesco com os Francos prometendo a filha Teodolinda ao jovem rei Childeberto II. Mas este projeto não teve êxito e Teodolinda foi então dada como esposa ao rei longobardo Autari. Os dois esposos transferiram a capital do reino longobardo para Monza.
     A Rainha Teodolinda, de religião católica, mantinha correspondência com o Papa São Gregório Magno com a finalidade de alcançar a conversão ao cristianismo do povo do qual se tornara rainha. Porém, não conseguia converter o marido, Autari, que não aceitava fossem batizados os filhos dos longobardos. Teodolinda, contudo, conseguiu que seu filho Adaloaldo fosse batizado em Monza.
     Tendo enviuvado em 589, dois anos depois desposou o Duque de Torino, Agilulfo, ao qual transmitiu o título real. Por ocasião da morte do segundo marido, em 616, por nove anos assumiu a regência em nome do filho Adaloaldo, ainda menor de idade.
     A cristianização dos longobardos continuou durante o período da sua regência, apesar da forte oposição e hostilidade de alguns duques que haviam aderido à heresia ariana.
     Alguns meses após sua subida ao trono, o jovem Adaloaldo foi deposto pelo Duque de Torino, Ariovaldo, e teve que fugir com a mãe, se refugiando em Ravenna junto ao exarca bizantino Eleutério.
     Ambos faleceram em 628, Teodolinda provavelmente de velhice, enquanto Adaloaldo talvez envenenado. Teodolinda é venerada como santa, mas o seu culto não foi confirmado oficialmente pela Igreja.


Etimologia: Teodolindo (a), do alemão Theodelinde, Theodolind. Theodelinda: “serpente (linde) (adorada) pelo povo (theode)”, ou “escudo de tília (linde) do povo”.


(Fonte: blog Heroínas da Cristandade. Com permissão)

SANTA MARCIANA DE CESAREIA DA MAURITÂNIA, Mártir.


   

     Dados biográficos tirados do livro de Abbé Perrier, La grande fleur de la vie des Saints:

     Em Rouzucourt, pequena cidade da Mauritânia, Argélia de hoje, vivia, em fins do século III, uma jovem chamada Marciana, tão piedosa quanto bela, que consagrou muito cedo sua virgindade a Deus e deixou tudo para viver numa cela perto da cidade romana.
     Ora, um dia, a virgem, inspirada sem dúvida pela voz do Senhor, saiu de sua cela e veio se misturar à multidão que circulava na cidade agitada por uma viva emoção, porque corriam os dias sangrentos da perseguição desencadeada no mundo inteiro pelo ímpio Diocleciano.

     Marciana, chegando pela porta Tipásia, viu colocada numa praça uma estátua de mármore da deusa Diana. Aos pés da deusa corriam águas límpidas num tanque também de mármore.

     A intrépida virgem não pode suportar a visão do ídolo impuro. E tendo primeiro lhe quebrado a cabeça, fez depois o ídolo em mil pedaços. Uma multidão furiosa se lançou sobre ela e a maltratou horrivelmente. Depois arrastaram-na ao pretório, perante o juiz imperial.

     A altiva cristã riu-se dos deuses de pedra e de madeira e gloriou-se de adorar o Deus vivo e o exaltou no templo, com voz eloquente. O juiz pagão irritou-se e entregou-a aos gladiadores para que servisse de joguete a infames ultrajes. A virgem permaneceu serena e sem medo. Durante três horas, com efeito, Deus a defendeu no meio desses brutos, atacados de terror e imobilidade. Pela oração da angélica mártir, um deles se converteu a Jesus Cristo.

     O tirano, confuso, redobrou seu ódio ímpio, e não podendo desonrar a virgem cristã, condenou-a a ser estraçalhada por animais ferozes. Marciana, quando chegou a hora, caminhou para a arena como para uma alegre festa, bendizendo a Jesus Cristo. Amarraram-na ao local do suplício e contra ela foi lançado um leão furioso que logo se atirou sobre a vítima, ficou de pé e colocou suas garras sobre seu peito. Depois, afastou-se bruscamente e não a tocou mais.
     O povo, tomado de admiração, gritou que libertasse a jovem mártir. Mas um grupo de judeus, misturado à multidão, e sempre sedento de sangue cristão, pediu que lançassem agora contra Marciana um touro selvagem.
     A fera aproximou-se dela e com seus chifres furiosos lhe fez no peito uma horrível ferida. O sangue jorrou e a virgem caiu agonizante na arena. Tiraram-na de lá por um momento, estancaram-lhe o sangue e como lhe restasse um pouco de vida, o bárbaro tirano a fez amarrar ainda uma terceira vez.

     Marciana ergueu seus olhos ao céu, um sorriso iluminou seu rosto marcado pelo sofrimento: Ó Cristo, gritou, eu Vos adoro e Vos amo. Vós estivestes comigo na prisão, Vós me guardastes pura e agora Vós me chamais. Ó meu Divino Mestre, vou feliz para vós. Recebei a minha alma.
     Neste momento, o tirano lançou-lhe um leopardo monstruoso, que com suas garras horríveis despedaçou os membros da heroica virgem e lhe abriu o glorioso caminho do Céu.

     Ela morre docemente chamando a Deus Nosso Senhor e confessando que ela vai para o céu. Qual é a finalidade daquilo? Qual era o último sentido daquilo? Os milagres deveriam atestar, junto ao povo ainda pagão, a veracidade da Religião Católica, e com isso contribuir para a conversão da bacia do Mediterrâneo. A grande obra da Igreja Católica nos séculos da Antiguidade foi a conversão da bacia do Mediterrâneo.
     Sentido da epopeia de Santa Marciana: converter os de seu tempo pelos milagres e pela beleza da doutrina; conservar a fé para a posteridade e convencer os pósteros pelo valor de seu testemunho.

domingo, 31 de janeiro de 2016

SÃO DOMINGOS DEL VAL, Leigo e Mártir. Patrono dos Acólitos.



Nasceu em Zaragoza no ano de 1243, e desde os primeiros anos mostrou sua inclinação à piedade e à virtude. Aos seis anos entrou para servir ao Senhor na igreja Catedral da Sé, como menino de Coro.
Entre todos os meninos se distinguiu por sua modéstia, por sua inocência e por sua piedade. A todos os que o viam ajoelhando ante o altar, ficavam maravilhados com aquele seu modo modesto e devoto recolhimento com que assistia às sagradas funções. Bem se conhecia que seu espírito angelical achava seu prazer em servir ao Senhor. Gostava de cantar os divinos louvores, e sua voz doce refletia o candor de sua inocência e o amor divino que o abrasava.
Sua piedade nos divinos ofícios, sua assiduidade na igreja e sua caridade para com os pobres desamparados atraiam sobre Dominguito os olhares de todos. Também atraíram os olhares dos judeus, que ao notá-lo alimentaram ódio contra ele e o escolheram como vítima sobre a qual executaram os criminais desígnios de ódio contra os cristãos.
Era um dia do mês de agosto. Concluídos os divinos ofícios, Dominguito voltava para a sua casa, quando de improviso se apoderaram dele uns judeus, o levaram para sua reunião e ali o martirizaram. Amarraram-lhe a uma parede e renovaram a Paixão do Divino Redentor: o crucificaram, transpassando-lhe com cravos os pés e as mãos; abriram-lhe o lado com uma lança, e quando expirou enterraram-lhe às margens do rio.
Mas o Céu glorificou com prodígios ao Santo Mártir. Seu corpo foi descoberto milagrosamente e transladado com triunfal procissão até a santa igreja Catedral.
Desde então se dá a ele incessante culto em sua Capela, e especialmente é venerado pelos Coroinhas, que o tem por Patrono. Sua festa é celebrada no dia 31 de agosto.



Os rabinos do bairro judeu por onde o santo menino passava
nutriram-lhe profundo despeito e ódio. 


Reunidos em conciliábulo resolveram tentar demover-lhe da Fé ou dar cabo de sua vida. 




Os facínoras o cercaram e instigaram a que abjurasse a fé pisando
em um crucifixo. 




Como nada conseguiram arquitetaram o terrível plano: crucificaram o santo menino em uma
parede, cravando suas mãos e seus pés nos tijolos da parede. Após terrível agonia,
transpassaram seu coraçãozinho inocente. 



Os cristãos acharam o corpo do menino e deram-lhe digna sepultura
entre louvores, pois sabiam que eram um mártir de Cristo. 




Sua santa alminha, totalmente purificada pelo Sangue de Cristo e pelo próprio sangue derramado
no martírio, parte para o Paraíso levada pelos anjos do Senhor.