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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 23 de janeiro de 2016

SÃO SALVADOR DE HORTA, Irmão Franciscano e Taumaturgo.



Este santo é realmente uma figura ímpar, um santo muito pobre, humilde, quase analfabeto, desprezado e até perseguido antes de ser reconhecido como o “grande taumaturgo do século XVI”.

Nascido na Espanha, em Santa Colomba de Farnés, perto de Gerona, em dezembro de 1520, de uma família pobre, pobre continuou ao longo de sua vida. Ficou órfão quando era adolescente. Deixou sua terra natal para procurar trabalho em Barcelona, onde aprendeu o ofício de sapateiro no qual poderia se sustentar e também ajudar no sustento de sua irmã mais nova, Blasia. Uma vez casada sua irmã, Salvador foi seguir sua vocação à vida religiosa. De Barcelona, foi para a Abadia de Montserrat, onde foi recebido pelos beneditinos, que esperavam tê-lo como um dos seus “irmãos conversos” (que não participam do coro), mas a vocação de Salvador foi de extrema pobreza e humildade, por isso não vestiu o hábito beneditino, mas, retornou a Barcelona e tomou o hábito franciscano.

Em 03 de maio de 1551 foi recebido no convento de Barcelona, onde ele rapidamente chamou a atenção dos religiosos por sua grande piedade e humildade. A ele foram confiados os trabalhos mais simples e cansativos. Ao redor deste irmão humilde do convento, os milagres começaram a aparecer cada vez mais numerosos e barulhentos.

Tanta humildade incitou o ódio do maligno, que odeia essa virtude de forma especial. Logo se viu diante da falta de compreensão de seus confrades e da hostilidade religiosa de seus superiores. Pensavam que o pobre irmão estava possesso pelo demônio. Foi isolado e, para ser “libertado do demônio” foi exorcizado. Mas, os milagres continuaram e o desconcertante caso foi levado para a Inquisição, que não se pronunciou. Ao contrário, o povo foi mais lúcido que os próprios frades para reconhecer a santidade e a ação do Espírito Santo em Frei Salvador. O Senhor e a Virgem Maria dignaram-se consolá-lo com êxtases e visões. 

Em torno do irmão desprezado se juntou uma multidão de carentes, doentes, aflitos, entre os quais se multiplicaram os feitos prodigiosos. Para removê-lo da curiosidade popular, Frei Salvador foi transferido de convento para convento. Ele sempre manteve a paz e serenidade em sua longa e humilhante peregrinação, feliz em seu trabalho cotidiano e mergulhado em fervorosa oração.

Finalmente foi transferido para o mosteiro de Santa Maria de Jesus, onde para finalmente encontrou um verdadeiro paraíso de paz, nos últimos dezoito meses de sua vida. Morreu aos 47 anos em Cagliari, em 18 de março de 1567. Seu túmulo tornou-se famoso por seus milagres. A santidade que não foram capazes de reconhecer seus irmãos, sempre foi reconhecida pelo povo de Deus em todos os lugares onde foi enviado Frei Salvador.
Atualmente, seu corpo é venerado na igreja de Santa Rosália. Foi solenemente canonizado por Pio XI em 17 de abril de 1938.







Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Serva de Deus Magdalena Gornik, Virgem e Mística (uma das maiores dos séculos XIX).


Retrato pintado de Magdalena Gornik, uma das
maiores místicas da História da Igreja
Uma mulher eslovena que viveu 47 anos sem qualquer alimento terrestre e que trouxe as marcas das feridas de Cristo, fazendo reparação a Deus por todas as afrontas ao seu infinito Amor.


Magdalena Gornik nasceu em 1835 em uma família de pobres agricultores, na aldeia de Janeži, parte da freguesia eslovena de Gora, perto de Sodražica, que fica cerca de 50 Km ao sul de Ljubljana, a capital do país.
Seus pais eram cristãos devotos e honestos, que trouxeram ao mundo seus sete filhos com esse mesmo espírito cristão. Magdalena foi, acima de tudo, uma garota da fazenda normal, ajudando seus pais com o trabalho agrícola, desfrutando da companhia de seus amigos, sendo-lhes carinhosa e amigável.
Na primavera de 1847, quando Magdalena tinha doze anos, a Providência divina interveio em sua vida de uma forma especial. A Mãe de Deus apareceu-lhe enquanto ela caminhava para um campo para fazer uma tarefa para sua mãe. Nossa Senhora apareceu-lhe como uma camponesa, perguntando a ela se ela oferecia o trabalho diário a Deus e se amava a Jesus. Magdalena respondeu que sim, que oferecia a Deus o trabalho cotidiano  e que Jesus é quem sabe se ela O ama. Magdalena não reconheceu a mulher, pensando que a senhora era uma mulher simples da fazenda, já que estava vestida com trajes típicos da região. A mulher então apresentou-se como a Mãe de Jesus e de todos os povos. Ela indicou a sua intenção de ensinar a Magdalena as razões para seu trabalho e para quem deveria oferecer seu trabalho. Nossa Senhora disse para Magdalena amar a seu Filho, Jesus, mais e mais intensamente. Ela ensinou a Magdalena que ela deveria agradecer a Deus por toda a Sua bondade e oferecer todo o seu trabalho a Ele.
Esta visão tocou profundamente o coração de Magdalena. Ela, ainda com mais fervor, preparou-se para sua Primeira Comunhão. Magdalena recebeu a Primeira Comunhão nesse ano e foi ainda mais agraciada com uma locução interior de Cristo, que lhe disse que ela não contasse a ninguém sobre o amor intenso pela Sagrada Comunhão que ela tinha demonstrado. Com o passar dos anos foi crescendo ainda mais na piedade. Seu coração ia se tornando ainda mais inflamado de amor por Jesus e por cada Santa Missa. Começou a frequentar a escola dominical, mas não por muito tempo.
Durante o Advento de 1847, Magdalena começou a sentir-se muito mal. Em janeiro de 1848, seu estado de saúde tinha piorado a tal ponto de necessitar permanecer na cama. Suportava dores terríveis com paciência incomum. Nem suspiros ou reclamações: nenhum outro sinal de má vontade era observado nela. Não tomava qualquer tipo de medicamento. A dor aumentou gradualmente, tornando-se ainda pior em agosto de 1848. Suas pernas estavam paralisadas.
Em 02 de agosto de 1848, Magdalena teve a segunda aparição da Mãe de Deus ao acordar de um desmaio, devido à sua dor física. A Virgem apareceu-lhe com a tez pálida e um olhar triste, porém cheio de amor. Nossa Senhora disse-lhe que quando ela sofresse alguma dor, deveria suportá-la pacientemente, oferecendo toda a dor a Deus e que em tais ocasiões ela deve pensar no sofrimento de Jesus. Que ela deve confiar tenazmente em Jesus: dEle ela iria receber tudo. “No futuro, minha filha, você receberá sua comida da parte de Deus. Não sofrerá mais fome e nem sede”.
Com esta aparição da Mãe de Deus, Magdalena foi quase completamente curada. Apenas suas pernas ficaram paralisadas. Em 11 de agosto de 1848, ocorreu o primeiro dia de êxtase místico de Magdalena. Em espírito, foi transportada para um caminho escuro, íngreme, estreito e espinhoso. Em seguida, ouviu uma voz: “se você quer ir para o Céu, deve percorrer este caminho”.
Magdalena decidiu, então, que iria aceitar esse convite do Senhor: “com prazer, com prazer vou continuar nesse caminho”. A partir do dia 24 de agosto, experimentou êxtases e visões de forma regular até sua morte em 1896. Sua missão espiritual havia começado: sofrer para a expiação dos pecados e para convocar as almas à expiação. De 25 de setembro até sua morte, Magdalena não consumiu mais nenhum alimento terrestre, com exceção de algumas gotas de água. Sua comida era apenas a Sagrada Eucaristia e um “alimento místico” extraordinário que ela recebia durante os êxtases. Em seguida, na quarta feira antes do Advento de 1848, Magdalena recebeu os estigmas.
Entre 1848 e 1853 uma série de fenômenos místicos acompanhavam os êxtases e visões de Magdalena, confirmando que Deus estava falando através dela. Enquanto estava em êxtase, Magdalena exortava os assistentes, convidando-os todos à penitência, conversão e reparação das ofensas e por suas deficiências na demonstração de amor a Deus. Algumas vezes alertava para possíveis castigos de Deus caso a conversão não ocorresse. Outra confirmação foram suas declarações sobre o principal objetivo de nossa vida terrena: a redenção de cada indivíduo, e, com isso, a visão de Deus e a glorificação junto a Ele. Durante esse período, as autoridades seculares e alguns sacerdotes haviam maculado o bom nome dela, perseguindo-a através de cartas ao bispo e em artigos de jornal. A Igreja, ou melhor, o senhor bispo de Ljubljana, Dom Lobo, defendeu-a contra as autoridades seculares, convencido que estava de sua inocência (que ela não era uma impostora) e de sua piedade. A partir do dia 02 de março a 11 de abril de 1852, ocorreu uma investigação na paróquia de Sodražica. O pároco de Sodražica, Pe. Lesjak, e outros sacerdotes nas proximidades que tinham ficado em “estado de choque” e descrença em relação a Magdalena, tornaram-se convencidos da autenticidade dos fenômenos místicos e que Magdalena não era uma impostora.
Em 09 de abril de 1855, Deus curou as pernas de Magdalena depois de 07 anos de paralisia e ela caminhou novamente. No entanto, em uma visão, Jesus disse-lhe que, apesar desta cura, ela não ficaria sem sofrimento neste mundo. 
Em 1867, o pároco da paróquia de Fara, próxima a Bloke, Pe. Janez Kaplenek, aceitou Magdalena e duas de suas irmãs (Apolônia e Maria) para trabalharem na reitoria. Magdalena viveu lá até a morte de Pe. Kaplenek em 1893. Durante esse período, êxtases, visões e outros fenômenos místicos continuaram acontecendo. As autoridades seculares, que novamente a perseguiam, causaram-lhe grandes sofrimentos. Além disso, as línguas caluniosas e maliciosas se ofenderam com os fenômenos místicos e físicos incomuns, causando-lhe grande sofrimento moral.
Neste ínterim, muitas pessoas educadas, entre elas importantes dignitários eclesiásticos e seculares, testemunharam seus êxtases e o compartilhamento místico que experimentava com os sofrimentos de Cristo, especialmente durante a Semana Santa.
Em Bloke, Dr. Francis Lampe, importante filósofo esloveno, teólogo, escritor e editor, estabeleceu contato com ela e a acompanhou quase até o fim de sua vida. Magdalena e suas irmãs mudaram-se para Gora, perto de Sodražica, após a morte do Pe. Kaplenek. Elas viviam juntas na aldeia de Petrinci, onde ela continuou a viver sem comida, recebendo apenas a Sagrada Eucaristia e a comida “mística” não-ordinária, compartilhando com Cristo seus sofrimentos.
Como é de se esperar nestes casos, muitas pessoas vinham até ela com grande desejo de visita-la. Ao longo dos anos, enquanto estava em êxtase, foi repetidas vezes dito pela Mãe Santíssima e por Jesus que os dons espirituais que ela experimentava foram dados por Deus para a conversão das almas e reparação dos pecados.  Magdalena dizia que sem essa conversão, as pessoas iriam suportar grande sofrimento. Foi instruída pelo Senhor a partilhar este aviso e convite à conversão com outras pessoas.
Durante sua vida, Magdalena era ativa em sua comunidade e na igreja paroquial. Ela era professora na escola da comunidade e foi ativa socialmente como amiga e conselheira espiritual de seus alunos. O dinheiro que ganhava de salário, o dava para uma escola de crianças pobres.
Quando Magdalena estava doente, perto do fim de sua vida, uma de suas irmãs mais novas havia expressado preocupação com o grande número de pessoas que seriam, em tese, esperadas para assistir a seu funeral. Magdalena tranquilizou-a dizendo: “fique em paz, pois nosso Deus amoroso vai fazer tudo dar certo”.
Sua santa morte ocorreu no dia 23 de fevereiro de 1896, primeiro domingo da Quaresma (domingo de ramos), aos 60 anos de idade, possivelmente por tuberculose (até então não diagnosticada). Poucas horas antes de sua morte, suas irmãs vendo sua extrema fraqueza, perguntaram-lhe se não gostaria que lhe fizessem companhia. Magdalena respondeu que “não precisava, pois Jesus e Maria iriam cuidar dela”.
No dia de seu funeral, em 26 de fevereiro, confirmou-se a profecia predita por Magdalena. Aconteceu uma nevasca tão extraordinariamente pesada que apenas algumas pessoas locais foram capazes de estar presentes. Magdalena foi sepultada no cemitério da Igreja de Gora, na aldeia de Petrinci, no túmulo de seus pais.

No presente momento, há um renascimento de sua memória na Eslovênia, com peregrinos indo à sua sepultura e orando por sua intercessão. Tem havido relatos de famílias resolverem problemas familiares, a cura de doenças físicas, a recuperação do alcoolismo, a obtenção de trabalho necessário e sucesso escolar.

Nas últimas três décadas, ocorreu grande incremento da devoção
popular à Serva de Deus e afluência de peregrinos ao
seu túmulo. São muitos as curas, graças e milagres atribuídos
à sua intercessão. 


Esse avivamento é consistente com uma revelação feita por Stanislav Lenic, bispo da diocese de Ljubljana (1968-1991) que revelou seu conhecimento, como o de outros, que Magdalena havia previsto que seis gerações após sua morte milagres iriam ocorrer através de sua intercessão. Dom Anton Stres, atual bispo de Ljubljana, deu permissão para começar a preparação para a possibilidade da abertura do processo de investigação e para o reconhecimento da santidade de Magdalena. Além disso, a Conferência dos Bispos Eslovenos “deu sua recomendação de que a vida de Magdalena se tornasse conhecida”, o que se realizou concretamente na forma de um livro em língua eslovena: “Magdalena Gornik”. O livro, atualmente, está sendo traduzido para o inglês.


Fenômenos místicos na vida de Magdalena Gornik
Aqui vamos enumerar e descrever apenas alguns fenômenos místicos que ocorreram em sua vida. Tudo o que será mencionado aqui é historicamente atestado em documentos e arquivos que dizem respeito à sua vida. A maior parte do material de arquivo sobre Magdalena Gornik pode ser encontrado no Arquivo Arquidiocesano de Ljubljana.


1.    Êxtases
O primeiro êxtase de Magdalena ocorreu no tinha apenas 13 anos. A partir de 24 de agosto de 1848, até sua morte em 23 de fevereiro de 1896, ela entrava em êxtase todas as noites. Às vezes, entrava em êxtase várias vezes ao dia. Seus êxtases, às sextas feiras, que duravam 03 horas, e aqueles durante a Semana Santa, eram particularmente especiais. Além disso, algumas vezes, seus êxtases duravam vários dias, até mesmo toda a semana. Na verdade, a duração do êxtase dependia da festa ou da sacralidade do tempo, ou seja, o êxtase coincidia de forma espiritual com o Ano Litúrgico e as Festas Litúrgicas da Igreja. Magdalena entrava em êxtase em cada Missa. Enquanto em êxtase, Magdalena sabia quando o padre que levava a Santa Eucaristia estava perto dela, tanto que, mesmo sem ver o padre com os olhos naturais, virava-se em direção a ele e se ajoelhava em adoração. Permanecia, assim, em reverente adoração à presença santíssima do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo. 
Magdalena era capaz de contar tudo que acontecia em seus êxtases. Na verdade, distinguia claramente o momento no qual estava consciente, antes do êxtase, e quando estava totalmente absorta pelo êxtase. Cada um de seus êxtases envolveu visões. Durante o êxtase, seu corpo não era sensível a quaisquer estímulos externos.
Quando estava em êxtase, frequentemente participou de sofrimentos místicos. Mesmo durante os últimos anos de sua vida, sofria particularmente perto do final de cada êxtase. Na ocasião, por vezes os estigmas se abriam.


2.    Visões
O conteúdo das visões de Magdalena era muito diversificado. Correspondia às estações do Ano Litúrgico. Magdalena teve visões durante praticamente toda a sua vida, incluindo o dia anterior à sua morte. Nas visões, viu e teve colóquios com Anjos, com a Virgem Maria, com a Santíssima Trindade e com alguns Santos.  As visões de Anjos quase sempre eram ligadas a uma visão da Virgem Maria ou da Santíssima Trindade. Os Anjos, frequentemente, davam várias instruções a Magdalena, especialmente relativas à veneração para com a Virgem Maria e a adoração a Deus. Muitas vezes chorou por aqueles que não creem.
A Virgem Maria muitas vezes falou com ela sobre a humildade, a obediência e a necessidade de implorar ao Espírito Santo a luz e a coragem de sofrer com alegria e paciência.
Frequentemente, a Mãe do Senhor convidava Magdalena a meditar sobre o sofrimento e morte de Jesus. Magdalena por muitas vezes viu Maria exercendo sua onipotência suplicante diante de seu Filho em nome de toda a humanidade.
Muito frequentemente, especialmente às sextas-feiras e durante a quaresma, Magdalena esteve presente à Paixão e Morte de Jesus, através de visões que lhe mostravam seus sofrimentos assim como os Evangelistas haviam descrito. Particularmente nas visões durante a Quaresma ela estava presente e participava plenamente na Santa Ceia de Jesus bem como estava presente e participava de seus sofrimentos e de sua santa morte de cruz.
Na Páscoa, ela testemunhou a ressurreição de Jesus e, mais tarde, sua ascensão ao Céu. Quando ela estava em casa, muitas vezes ela assistiu a Santa Missa na igreja local por meio de uma visão.


3.    Comunhão Mística
Magdalena recebia a comunhão sacramental, ou seja, a Sagrada Comunhão, da mesma forma como todos os católicos podem receber a Eucaristia, mas, algumas vezes, recebia a comunhão mística, fenômeno que foi experimentado apenas por alguns santos.
Diariamente, ela recebia a Comunhão sacramental do padre local. Às vezes, era ele quem trazia a Santa Comunhão em sua casa, mas, na maioria das vezes ela a recebia na Santa Missa.
Porém, Comunhão mística era algo especial. Ela a recebia apenas durante um êxtase. Na ocasião, era o próprio Jesus quem dava a Si mesmo, Sacramentado, ou eram santos que haviam sido sacerdotes ou Anjos que traziam a Sagrada Espécie e a davam a ela.
Mais de mil pessoas testemunharam como, depois que ela se preparou para esta finalidade, Magdalena, de repente, encontrou-se com a Sagrada Hóstia em sua boca, sem qualquer intervenção sacerdotal e, em seguida, logo depois, eles viam um cálice “especial” próximo à sua boca e a viam beber também o Sangue do Santíssimo Salvador.
Muitos sacerdotes estavam convencidos da veracidade deste fenômeno, pois haviam-no testemunhado com seus próprios olhos. Magdalena, cheia amor e gratidão pelo Senhor, sempre agradecia fervorosamente a recepção da Sagrada Comunhão, quer de forma ordinária, quer de forma mística. Esse amor e gratidão de Magdalena, muitas vezes incitavam os presentes a serem ainda mais fervorosos e fiéis ao Senhor e incitavam-nos ao arrependimento de seus pecados e à penitência. Frequentemente, o conteúdo de todo o êxtase era apenas preparação e ação de graças pela recepção da comunhão mística.

4.    Levitação
O fenômeno de levitação no ar ocorreu muitas vezes com Magdalena, especialmente, quando ela intensamente desejava receber a Santa Comunhão. Na ocasião, devido ao forte anseio em reunir-se a Jesus vivo, seu corpo levantava-se no ar. Outras vezes, ela levitava quando o sacerdote dava uma benção com o Santíssimo Sacramento, bem como durante a morte mística que experimentava às Sextas Feiras da Paixão e sua ressurreição mística na manhã de Páscoa.

Foto raríssima da Serva de Deus em um de seus êxtases


5.    Estigmatização
Magdalena recebeu em seu corpo as marcas das feridas de Jesus quando tinha apenas 13 anos de idade. Apresentava feridas visíveis nas mãos, nos pés e no lado por 07 anos. Após esse período, ficou apenas com a do lado ainda aberta até o fim de sua vida.
No entanto, quando tinha a visão de Jesus coroado de espinhos, as feridas dos espinhos também abriam-se em sua testa. O sangue escorria por seu rosto como “córregos”. Além disso, especialmente durante a Semana Santa, quando ela acompanhava a Jesus em seus sofrimentos, ferimentos de sua flagelação também podiam abrir-se em seu corpo, ao ponto de o sangue encharcar suas roupas.
Os estigmas causaram-lhe grandes sofrimentos, mas, Magdalena nunca se queixou de dor. Ela submetia-se completamente à vontade de Deus e oferecia seus sofrimentos a Ele. Vários médicos investigaram os estigmas. Sacerdotes também a observaram. Ninguém pode descobrir qualquer sinal de artifício, fraude ou sinal de histeria. Desde seus treze anos de idade até sua morte, Magdalena não comeu nenhum alimento terreno. Assim, por quarenta e sete anos, ela viveu sem qualquer alimento. Ela não suportava o cheiro de nenhum alimento comum. Sua comida era apenas a Sagrada Eucaristia e um tipo de “alimento celestial” que ela comia apenas quando estava em êxtase. Apesar de nada comer, ela realizava com facilidade todas as suas obrigações diárias, tanto domésticas quanto no trabalho.


6.    “Comida celeste” e Cruz
Quando estava em estado de êxtase, Magdalena recebeu vários “objetos” que eram vistos não somente por ela, mas, também por outras pessoas. Um deles era um “alimento” incomum ou “celeste”, que Magdalena comia quase todos os dias no final de seu êxtase. Na maioria das vezes ela recebia durante uma visão da Virgem Maria ou dos Santos Anjos. Testemunhas relatam que eram “alimentos” que vinham na forma de uma partícula pequena ou de grânulos (seria uma espécie de “maná”?). Frequentemente era de várias cores. Em uma visão, Magdalena teria dito que recebia esta “comida” principalmente para que as pessoas acreditassem que era Deus quem falava com ela.
Particularmente interessante foi a pequena cruz que Magdalena recebeu em um êxtase e que permaneceu em seu peito, mesmo quando ela passou do êxtase para o estado normal. Esta pequena cruz permaneceu “colada ao corpo”, sem qualquer corrente ou outro prendedor, e nunca caiu no chão. Dois padres tocaram e beijaram a cruz. Um dos quais escreveu este evento e a própria cruz em uma carta endereçada a seu bispo. Magdalena recebeu durante o êxtase, à noite, após o qual permaneceu com ela durante a noite, mas, já em seu estado natural e, na parte da manhã, desapareceria. Ela, então, receberia novamente durante o êxtase da noite.


7.    Conhecimento das consciências (“cardiognose”).
Magdalena também tinha o dom de “ler as almas”, isto é, de compreender o estado interno das almas. Ela sabia que as intenções que as pessoas tinham ao visita-la ou, quando solicitada pela pessoa, revelava o estado interno de sua alma. Ela revelou o estado interno das almas de muitos padres que a pediram.  


8.    Conhecimento de outras línguas

Enquanto em êxtase, Magdalena entendeu e falou em línguas que nunca havia estudado ou ouvido antes. Tinha o domínio do grego, do caldeu, do hebraico, entre outras... 


    No YouTube tem um vídeo sobre a Serva de Deus. Infelizmente, no entanto, está em esloveno, mas, pelo menos, pelas imagens vale a pena ser visto: https://www.youtube.com/watch?v=xo4bYWojNOQ

Para quem tem domínio do inglês: 
See more at:

http://www.mysticsofthechurch.com/2011/11/magdalena-gornik-mystic-stigmatic-and.html#sthash.a600M7PZ.dpuf

SÃO PEDRO CRISÓLOGO, Bispo e Doutor da Igreja.


As palavras escritas de Pedro Crisólogo ecoaram com a força da doutrina e da fé sendo em um brado que nos apontou o céu aqui na terra

“Pedro das palavras de ouro”, assim era conhecido o santo que nasceu em Ímola na Itália, por volta do ano 380. Seus pais eram cristãos e desde cedo foi educado em sólida doutrina e fé católica, assistido por Cornélio, bispo de Ímola, que o batizou e ordenou diácono. O acompanhou também em sua caminhada a imperatriz romana Galla Plácida que fez de Pedro seu conselheiro e em 424 influenciou seu filho, o imperador Valentiniano III, a sagrá-lo Arquidiácono da cidade de Ravena.

Pedro desempenhou com zelo e fervor sua função eclesiástica que no ano de 433, foi indicado pelo imperador para ser consagrado bispo da diocese de Ravena. Assim aconteceu e o próprio Papa Xisto III consagrou Pedro. Conhecido como o “doutor das homilias”, Pedro escreveu cento e setenta e seis homilias explicando e aprofundando assuntos da doutrina católica, dogmas e catequeses, combatendo heresias e empreendendo com isso grande jornada de conversões e resgate de almas para a Igreja. A partir daí recebeu o nome de Chrysologus que quer dizer palavras de ouro, ficando conhecido como Pedro Crisólogo. Escreveu ainda uma série de homilias dedicada a São João Batista e à Virgem Maria.

 
Pedro teve determinante participação nos concílios de Éfeso e Calcedônia, nos quais combateu fortemente e venceu a heresia Monofisita de Eutiques. Este ainda teria recorrido a Pedro por conta de sua condenação e em carta Pedro o advertiu severamente a abandonar a heresia e obedecer ao bispo de Roma.

Pedro Crisólogo faleceu em Ímola por volta do ano 450. Alguns historiadores apresentam datas diferentes para sua morte sendo a mais provável o dia 31 de julho. Em 1729 foi declarado Doutor da Igreja e em 1969 após o Concílio Vaticano II sua festa litúrgica foi fixada em 30 de julho.



Oração de São Pedro Crisólogo:

Dai-nos, Senhor Deus Altíssimo, a Graça de sermos sempre verdadeiros na defesa da verdadeira Doutrina, ensinada e sustentada pelo Magistério Romano, e pela intercessão de São Pedro Crisólogo, concedei-nos a Graça que ardentemente vos pedimos. São Pedro Crisólogo, rogai por nós.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

SÃO JOSÉ MARIA TOMASI, Cardeal e grande liturgista.



Primeiros anos
Tomasi nasceu em Licata, no Reino da Sicília, na época parte da Coroa de Aragão, filho de Giulio Tomasi, o primeiro príncipe de Lampedusa, e sua esposa, Rosalia Traina. Sua vida foi orientada a Deus desde muito cedo. Formado e educado em casa, onde nunca sentiu falta de riquezas e nem de uma educação moral. Seus pais se preocupavam muito com sua formação cristã e com sua educação, especialmente no aprendizado das línguas antigas e modernas, especialmente a espanhola, pois queriam que ele fosse para a corte real em Madri depois que herdasse o título de seu pai, de Grande da Espanha.

Mas o próprio Tomasi tinha outros planos e, desde muito jovem, não desejava nada para si além de servir a Deus. Ele cultivou esse desejo piedoso em seu coração até conseguir autorização de seu pai para seguir sua vocação religiosa.

Depois renunciar formalmente ao principado de seu pai, seu por direito de nascença, em favor de seu irmão mais novo e também de sua enorme herança, Tomasi foi admitido entre os padres Teatinos (Clérigos Regulares), uma ordem religiosa fundada por São Caetano em 1524 como um movimento reformador da Igreja Católica e lembrando pela vida simples levada por seus membros. Ele se juntou à ordem em 24 de março de 1665 e finalmente realizou sua profissão religiosa na casa teatina de São José, em Palermo, em 25 de março de 1666.

Tomasi então estudou filosofia, primeiro em Messina e, depois, por conta de sua saúde debilitada, em Ferrara e Modena; e teologia em Roma e em Palermo. Foi ordenado sacerdote no Natal de 1673. Para ampliar seu conhecimento do grego, estudou também o etíope, árabe, siríaco, caldeu e hebraico — convertendo seu professor, um rabino judeu, ao cristianismo. Ele estudava comparando os títulos dos salmos nos diversos saltérios em várias línguas e se dedicava aos originais das Escrituras e de textos patrísticos. Em suas pesquisas, vasculhou bibliotecas, arquivos e monumentos para recriar a história da liturgia e da disciplina eclesiástica.

Principalmente por causa de seu grande amor aos documentos antigos da igreja e às tradições eclesiásticas, Tomasi considerava que uma boa parte de seu próprio crescimento espiritual estava em dedicar-se, de corpo e alma, à publicação de livros litúrgicos raros e antigos textos litúrgicos, revelando, desta forma, muitos textos antigos que ainda permaneciam perdidos em bibliotecas.


Reformador
Os esforços reformadores de Tomasi eram direcionados não à introdução do novo, mas à restauração e manutenção do antigo, o que lhe valeu algumas críticas e refutações. O papa Inocêncio XII fez dele um examinador de futuros bispos e do clero. O papa Clemente XI, a quem ele serviu como confessor, nomeou-o consultor da Ordem dos Teatinos, teólogo da Sagrada Congregação para Consultas sobre Regrantes e outros cargos da Santa Sé, consultor da Sagrada Congregação dos Ritos e qualificador do Santo Ofício. O mesmo papa criou-o cardeal-presbítero, com o título de Santos Silvestre e Martinho nos Montes, ordenando que ele aceitasse a homenagem.

Tomasi ensinou catequese para crianças pobres de sua igreja titular, Santi Silvestro e Martino ai Monti, introduzindo aos seus paroquianos o canto gregoriano.


Obras
As muitas publicações de Tomasi sobre temas litúrgicos, nas quais ele unia sua piedade e sua erudição, lhe valeram os títulos de "Príncipe dos Liturgistas Romanos" e "Doutor Litúrgico". Não são poucas as normas que, estabelecidas pela autoridade dos papas e pelos documentos do Concílio Vaticano II, vigentes ainda hoje, foram propostas e ardentemente desejadas por Tomasi, entre elas:

1.     A forma atual da Liturgia das Horas.
2.     A distinção e o uso do missal e do lecionário na celebração da Eucaristia.
3.     Várias normas do Pontifical Romano e no Ritual Romano.
4.     O uso do vernáculo ao invés do latim, que ele recomendava apenas para devoções privadas.
Seu objetivo era sempre promover uma participação mais pessoal e íntima do povo na celebração da liturgia .

As obras de Tomasi (em latim: Codici Tommasiani), publicada principalmente com base nos antigos códices nas bibliotecas do Vaticano e vallicelliana, além da biblioteca de Cristina da Suécia, foram elogiadas pelas academias de toda a Europa. A mais importante é o "Codices sacramentorum nongentis annis antiquiores" (Roma, 1680), parcialmente transcrita por Mabillon em sua "Liturgia Gallicana". Depois, os "Salterium" (Rouse, 1683), com edições romanas e gálias, publicadas com o nome de Giuseppe Maria Caro (ou J. M. Carus), na qual Tomasi reintroduziu os símbolos tipográficos de Orígenes, o obelisco e o asterisco, esquecidos havia nove séculos.

Sob o mesmo nome, Tomasi escreveu "Responsalia et Antiphonaria Rom. Eccl." (Roma, 1686); "Sacrorum Bibliorum Tituli, sive capitula" (Roma, 1688); "Antiqui libri Missarum Rom. Eccl." ("Antifonário de Papa São Gregório I"), intitulado "Comes", escrito por Alcuíno por ordem de Carlos Magno (Roma, 1691); "Officium Domicinae Passionis", utilizado pela Igreja Ortodoxa Grega na Sexta-Feira Santa, traduzido para o latim (Roma, 1695).

Com o seu próprio nome, publicou "Speculum" (Roma, 1679); "Exercitium Fidei, Spei et Caritatis" (Roma, 1683); "Breviarium psalterii" (Roma, 1683); Vera norma di glorificar Dio (Roma, 1687); "Fermentum" (Roma, 1688); "Psalterium cum canticis" (Roma, 1697); "Indiculus institutionum theologicarum veterurn Patrum" (3 vols., Roma, 1709, 1710; 1712), uma exposição da teoria e prática teológica derivada de antigas fontes patrísticas.

Tomasi também escreveu diversas obras menores, as quatro últimas publicadas por G. Mercati (Roma, 1905). Em 1753, Antonio Francesco Vezzosi publicou suas obras em onze volumes.

Santa morte
Tanta sabedoria estava intimamente ligada a uma grande santidade de vida, de cuja fama já gozava em vida. Era modelar sua vida e era muito estimado pelo clero romano e, inclusive, por não católicos, devido à sua humildade e afabilidade. Infelizmente, tamanho esplendor de bons exemplos e de virtudes brilhou por pouco tempo. Não haviam se cumprido 08 meses de seu cardinalato quando, depois de ter participado na Capela Papal da Vigília de Natal na Basílica Vaticana, foi atacado por violenta pneumonia. Expirou santamente em sua residência, no palácio Passarini, na via Panisperna, no dia 01 de janeiro de 1713. Sua morte foi sentida e lamentada por todos e, especialmente, pelo papa Clemente, que admirava tanto sua santidade que havia se aconselhado com ele antes de assumir o papado. Foi enterrado em sua igreja.

Foi beatificado pelo Papa Pio VII em 1803 e canonizado por São João Paulo II em 1985. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Beata Maria Repetto, Virgem e Religiosa.



Maria Madalena Paregrina Repetto nasceu em Voltaggio, na província de Alexandria, diocese de Gênova, em 31 de outubro de 1809. Era a filha mais velha do notário João Batista Repetto e de Teresa Gazzale, que tinham dez filhos. Ela foi batizada no mesmo dia com o nome da Santíssima Virgem. Como a mais velha, logo teve que ajudar sua mãe no cuidado dos irmãos e nas tarefas domésticas. Era uma família profundamente religiosa de modo que quatro irmãs e um irmão consagraram-se a Nosso Senhor.
     O dia da Primeira Comunhão, que ela fez quando tinha dez anos, imprimiu em seu coração o desejo de viver o resto de sua vida em união com Jesus. Maria frequentou a escola por alguns anos, mantendo vivo o interesse pela leitura, especialmente hagiografias. É muito provável que ela aprendeu com seu pai, que tinha certa cultura, enquanto sua mãe lhe ensinou a bordar. A serenidade da família foi perturbada quando Maria tinha treze anos, devido à morte prematura de dois irmãos.
     A condição social dos Repetto era certamente melhor do que da maioria dos habitantes de Voltaggio uma região essencialmente agrícola. Dirigidas por sua mãe, Maria, e sua irmã Josefina visitavam as famílias mais necessitadas da região, fazendo pequenas doações ou trabalhos domésticos. Às vezes elas levavam para casa roupas para lavar ou consertar (um compromisso não leve para duas meninas). A fé realmente iluminava cada passo seu, e ela amadurecia lentamente no coração o desejo da consagração religiosa. Aos 20 anos, quando sua cooperação em casa podia ser dispensada, Maria comunicou seu desejo aos pais.
     Em 7 de maio de 1829, Maria entrou no Conservatório de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, de Gênova. Este Instituto havia sido fundado em Gênova dois séculos antes por Santa Virginia Bracelli Centurione. Estas religiosas são chamadas de "Brignoline" do nome do nobre Emanuel Brignole, que lhes deu o local da primeira Casa Mãe.
     O dote que seu pai lhe deu foi suficiente para mantê-la por toda vida, além de uma soma que, com a permissão da superiora, ela poderia dar para instituições de caridade. Devido suas habilidades e sua instrução foi admitida como religiosa do coro e não como uma auxiliar. Ela pode viver a sua vocação na obscuridade total. No dia da Assunção do ano 1831 fez os votos privados de pobreza, castidade e obediência.
     De caráter simples e alegre, sua calma era edificante. Na oficina de bordado passava seus dias trabalhando e rezando. A oficina garantia importante renda para a casa e para Irmã Maria significava imitar seu patrono e mestre de vida São José, que com o trabalho de carpinteiro provia a subsistência da Sagrada Família. Maria tinha uma confiança ilimitada em São José.
     Em 1835, uma epidemia de cólera eclodiu em Gênova: o desejo de servir a Cristo no doente que sofria fez Irmã Maria vencer sua própria reserva. Com outras Irmãs ela dedicou-se com abnegação e amor. Seu compromisso foi tão grande que começaram a chamá-la de "monja santa". E pensar que por sua pequena estatura e sua humildade era muito difícil ser notada. Cessada a emergência, voltou para a oficina.
     Vinte anos mais tarde, outra epidemia de cólera atingiu a cidade (foi o verão de 1854) e Irmã Maria de novo deu tudo de si mesma como voluntária. As pessoas agora a consideravam uma criatura eleita. Posteriormente, por causa do enfraquecimento da vista, foi-lhe dado o trabalho de porteira. Uma tarefa aparentemente simples, mas fundamental para uma comunidade, uma vez que representa o principal contato com o exterior.
     Eram muitos os que batiam na porta do convento para mendigar ou para receber uma palavra de conforto e Irmã Maria era atenciosa e carinhosa com as necessidades de todos; para cada um tinha uma palavra. Foi nesta missão que se tornou proverbial sua devoção a São José. Ela recomendava a ele todos os doentes. No corredor, ao lado da recepção, havia uma imagem do santo e ela, quando eles pediam graças especiais, se apressava em ir pedir-lhe e implorar.
     Alguns episódios de sua vida são autênticos "fioretti". O grau de oração era muito intenso, gostava de meditar todos os dias as Estações da Via Sacra. Sua serenidade e seu sorriso encantavam; também tinha uma grande sensibilidade pelas vocações. Um dia Irmã Emanuela perguntou-lhe quando a reverenciada fundadora, Virginia Centurione, seria elevada a honra dos altares. Irmã Maria candidamente respondeu que isto iria ocorrer precedida porém por sua "filha". Ela não sabia que aludia a si mesma: Santa Virginia foi beatificada quatro anos após a Irmã Maria (mais tarde também foi canonizada).
     Em 1868 a comunidade teve que deixar o convento para dar lugar à construção da nova estação ferroviária de Brignole. A nova casa foi construída em Marassi e aqui Irmã Maria foi novamente nomeada porteira. Naqueles anos, em Gênova outro homem de Deus ajudava os necessitados: o capuchinho São Francisco Maria de Camporosso (1804-1866). Os dois nunca se encontraram, mas estavam "misteriosamente" em contato por meio de seus assistidos.

     Maria viveu toda sua vida em uma pobreza tal, que ela preferia usar as roupas usadas das Irmãs, que acomodava à suas medidas diminutas. No entanto, muito dinheiro passou por suas mãos: recebia dos ricos e com alegria dava aos pobres.

domingo, 17 de janeiro de 2016

SÃO PEDRO TOMÁS, Bispo carmelitano. Memória em 08 de janeiro.



Nasceu, segundo registros antigos, em Salimaso de Thomas, diocese de Sarlat; outros creem que talvez tenha sido em Lebreil, parte do município de Salas de Belvés (Dordonya). Seu pai era agricultor; empenhou-se a estudar em Monpazier, vivendo da caridade e ensinando aos outros mais jovens. Foi a Agen e voltou a Monpazier em 1325. Atraído pela Ordem do Carmelo, estudou um ano em Leitora e, aos 21 anos de idade, ingressou na Ordem, fazendo o noviciado em Cordom ou Bergerac.
Professou em Bergerac e estudou dois anos, passando depois a Agen e Bordeus. Ensinou lógica e filosofia em Albi. Também deu aulas em Paris. Voltou a Aquitânia em 1345, quando foi eleito procurador geral da Ordem; depois de acabar os estudos de teologia em Paris, onde obteve o grau de mestre em 1348, foi à corte do Papa Clemente VI, em Avinhão, e fez a oração fúnebre em seu funeral.


Atividade Diplomática como Conciliador de Conflitos e Representante do Santo Padre
Conhecido por sua habilidade diplomática e sua oratória, ajudou aos Papas seguintes como seu representante, intentando resolver conflitos entre reis cristãos, a unificação das Igrejas Católica e Ortodoxas e a união para combaterem contra os muçulmanos.
Foi delegado papal em negociações com Gênova (1352, para conseguir a paz com Veneza), Milão e Veneza. Em 1354 foi nomeado bispo de Patti e Lipari e representou o papa na coroação de Carlos IV de Luxemburgo. Em Serbia, em 1356, intentou acalmar o conflito entre Veneza e Hungria.
Entre 1357 e 1359 foi enviado a Constantinopla, onde recebeu o apoio de nobres e do próprio João V Paleólogo para a unificação das Igrejas Católica e Ortodoxa. Foi a Chipre e empreendeu uma peregrinação à Terra Santa, voltando depois à Sicília e Chipre. Em 1359 foi enviado com as tropas como Delegado Universal à Igreja do Oriente e bispo de Corinto, com a mesma missão de combater aos turcos, aliado com Veneza, Chipre e os cavaleiros da Ordem de Malta. Em Chipre, coroou Pedro I de Chipre como rei de Jerusalém.
Concebe a ideia de uma nova cruzada e marcha para pedir ajuda ao Ocidente, aproveitando para por paz em um conflito entre Milão e Roma. Em 1363 foi nomeado arcebispo de Creta e, em maio de 1364, Patriarca Latino de Constantinopla (era um título simbólico, sem jurisdição real) e legado papal de Urbano V, sucedendo ao cardeal Talleyrand. Nesse mesmo ano foi cofundador da Faculdade de Teologia da Universidade de Bolonha. Preocupou-se em consolidar a paz entre os reis cristãos e de trabalhar pela união das Igrejas, convertendo-se em um precursor do ecumenismo. Entre suas missões diplomáticas, levou uma vida austera e modelar, preocupado pela evangelização dos povos e a caridade para com os mais necessitados.

Apesar dos altos cargos que exerceu, nas suas viagens Frei Pedro Tomás procurava sempre, como residência, os conventos dos seus irmãos carmelitas, vivendo ali como irmão e com os irmãos de Nossa Senhora do Carmo a vida normal da comunidade, segundo a Regra.
Com Pedro I de Chipre, participou na cruzada contra Alexandria em outubro de 1365, que foi tomada, porém, imediatamente abandonada, por medo de um contra-ataque turco. A tradição diz que em um dos ataques das tropas cristãs o bispo foi ferido com uma flecha e morreu em Chipre três meses depois, em 06 de janeiro de 1366. Por isso era tido como “mártir”.
Na realidade, voltou a Famagusta são e salvo, porém, enquanto preparava uma viagem até Roma, enfermo “de um catarro” e muito magro (“reduzido a pele e ossos”, conforme relatos da época), morreu em um convento carmelita de sua cidade no dia 6 de Janeiro de 1366. Apesar de ser bispo pediu que o levassem para sua última morada vestido com o hábito da Ordem.

Devoção a Nossa Senhora
Era muito devoto de Nossa Senhora. Amou tanto Nossa Senhora que parece trazia no coração o seu nome. Foi um dos mais ardorosos defensores da Imaculada Conceição de Maria Santíssima. A ele se atribui o tratado “De Immaculata Conceptionis” em quatro volumes de sermões. É dele a profecia inspirada pela Virgem Maria de que a Ordem do Carmo durará até ao fim dos tempos.







Veneração
Rapidamente começaram os relatos de milagres em seu túmulo, no convento carmelita de Famagusta. Fala-se também de uma claridade que envolvia seu cadáver exposto ao público em seu funeral.
Em maio de 1366, quatro meses após sua morte, descobriu-se que seu corpo ainda estava incorrupto e Pedro de Chipre pediu sua canonização a Urbano V. O Papa proibiu o translado do corpo do santo bispo durante dez anos, ainda que este houvesse pedido que seu corpo fosse transladado para Bergerac. Pouco depois, Philippe de Mézières escreveu sua vida, base de sua posterior hagiografia.

Os seus esforços pela promoção e consolidação da unidade da Igreja Oriental fazem deste santo do séc. XIV um precursor do ecumenismo e um verdadeiro “apóstolo da unidade da Igreja”.


A conquista turca de Chipre em 1571 e o terremoto de 1753 acabaram com o rastro do santo em Chipre. Em 1609, a Santa Sé autorizou a festividade de Pedro Tomás entre os carmelitas, que foi confirmado por Urbano VIII em 1628; formalmente não foi canonizado. Em Lebreil, se levantou uma capela sobre a casa que se crê que nasceu, porém, foi derrubada durante a Revolução Francesa. Foi restaurada em 1895 como santuário em sua memória.