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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Servo de Deus Frei João Pedro de Sexto São João, presbítero capuchinho, missionário e fundador.




Outro "desconhecido" do público católico em nosso país é este grande Servo de Deus: Frei João Pedro de Sexto São João, presbítero capuchinho, missionário e fundador. Dedicou-se incansavelmente às missões na região do Pará, em aldeias, povoados, locais de dificílimo acesso, tudo fazendo, empreendendo todos os esforços possíveis para levar Cristo, a presença da Igreja e dos sacramentos às almas. Roguemos ao Senhor que um dia seja beatificado e, se possível, canonizado, e sua memória não se extinga jamais. 


Nascimento.
O Servo de Deus Frei João Pedro de Sexto São João (Clemente Recalcati) nasceu e foi batizado no dia 09 de setembro de 1868, em Sexto São João, Itália. Naquela época, Sexto São João era uma pequenina vila, povoada por agricultores e que distava seis milhas de Milão.

Filiação.
foram seus pais Carlos Recalcati e Giudita Strada, que eram pobres e humildes, mas, profundamente cristãos. Jamais descuidaram o dever de educadores da fé e plasmadores da personalidade dos filhos que Deus lhes confiava.

Infância e Adolescência.
Foi uma criança que, precocemente, demonstrou sentimentos de amor a Deus. Gostava de rezar e era misericordioso, especialmente, com os pobres. Na escola, chegava a repartir sua merenda com quem não tinha nada.
Era piedoso e, por várias vezes, foi descoberto rezando diante de Nossa Senhora, em seu quarto. Tinha uma devoção especial e um amor ardente a Jesus Sacramentado e quando era mandado fazer uma pequena compra, ele não voltava para casa sem antes entrar na Igreja.
A mãe, percebendo a demora, quis segui-lo e acabou surpreendendo-o em oração diante do altar.
Foi também um jovem sincero, aplicado, cumpridor do dever, amante do estudo, dócil e tranquilo, dado à piedade e apaixonado pela Missão.

Personalidade e estilo de vida.
Homem maduro, preparado para o sacrifício, trabalhador, humano e compreensivo no relacionamento com os outros. Possuía um caráter amável e paterno.
Bastavam poucas palavras para incentivá-lo ao zelo, à coragem cotidiana, ao sacrifício, ao serviço generoso de Deus e do próximo.
Inteligência, vontade, energia, entusiasmo apostólico, tudo nele visava a realizar uma grande obra, com coração grande e generoso, com plena confiança na Providência Divina e na bondade fundamental dos homens.
Pe. Debois disse que até o rosto e os olhos de Frei João Pedro tinham uma transparência de paz, bondade, certeza de Deus; era um íntegro homem do evangelho.

Missionário
Frei João Pedro fez-se frade capuchinho para ser missionário. Cristo e seu Reino eram o centro de sua vida. Impulsionado pelo ideal missionário, enfrentou florestas, sertões, áreas pantanosas, viagens perigosas e enfadonhas; a fé e o amor a deus eram sua alegria. Quando se referia a essas viagens dizia: “as duras, mas gostosas fadigas das missões”
Sobre os ideias e fundamento da Missão fundou a CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS MISSIONÁRIAS CAPUCHINHAS para ocupar-se da Educação da Juventude feminina no Prata (PA).





SUA ESPIRITUALIDADE
Seguindo o seu exemplo, as Irmãs Missionárias Capuchinhas realizam seu trabalho na Educação, nas Obras Sociais, no meio dos pobres e na Missão da gentes como um serviço missionário para o Reino de Deus, em fidelidade ao Dom recebido de seu Fundador: “Ide com CORAGEM e santa ALEGRIA evangelizar os povos, ide instruir e catequizar todas as gentes e derramar sobre elas a infinita MISERICÓRDIA divina”.

 

Perfil do Servo de Deus traçado pelos bispos e padres que conheceram frei João Pedro de Sexto e pelos frades que viveram com ele.

Frei Marcelino escreve:
“Tipo perfeito de Missionário modelo, religioso moldado no mais puro espírito seráfico, a sua vida foi a de um santo, assim o testemunham seus contemporâneos”.

Difícil tarefa traçar-lhe o perfil. Entretanto, seus escritos refletem a beleza de sua alma de escol. A confiança na Divina Providência, a caridade fraterna, o zelo pela observância regular, a abnegação e o desprendimento, o amor aos pequeninos e aos pobres – falam as substanciosas Circulares dirigidas a seus Religiosos.

O esplendor de suas belas qualidades era realçado pela humildade verdadeiramente franciscana que servia de sólido pedestal à justa fama que atraía para ele as multidões.

Verdadeiro sacerdote fazia de si mesmo uma ponte para Deus, um veículo de sua graça e de sua luz.

Pobre de bens materiais era riquíssimo de espírito e de coração. E desta plenitude distribuía de mãos largas com todos que se lhe acercavam. Muitos foram os que receberam dele guia, conforto e orientação.

Suas mãos ungidas semearam o bem, derramaram o balsamo do perdão em corações angustiados. Seus pés evangelizaram a paz, percorreram longos e ásperos caminhos.

De suas mãos benfazejas junto às almas bem se poderia dizer: onde havia o ódio colocava o amor, onde a dúvida fazia brilhar a fé, onde o erro punha a verdade.

Como já se disse, era um homem de critério certo e seguro em resolver os mais difíceis problemas. Homem de bom senso, que atinava o sentido das coisas, sabia colocar a mão sobre o ponto vital de uma questão e colocar os pés sobre o terreno sólido dos fatos. Homem de pulso firme que desprezava a acidentalidade para ir à essência das coisas, dando jatos de luz e jatos de energia; se impunha a todos, mas de uma caridade e de uma brandura diante do arrependido, do sofrido, do perseguido, que chegava a roubar-lhe o coração, conseguindo a amizade, levantando o ânimo e ganhando-o para sempre. Ao lado de tudo isso, um grande amor ao hábito e uma afeição radical à Missão.

Frei João Pedro era um verdadeiro consultor junto às Autoridades eclesial e civil. Os bispos de Manaus, do Maranhão, do Ceará e, especialmente, o Arcebispo do Pará, o estimavam, pediam seu conselho e, muitas vezes, era chamado para dar sua opinião sobre delicadas questões. O Governador do Pará, Doutor Augusto Montenegro, e outras autoridades paraenses o chamavam: homem de valor, pelo critério, retidão de ideia e integridade de caráter.

Sua vida, se excetuarmos as poucas excursões apostólicas, passou sempre no comando da mística barca que dirigia. Parecia que fosse indicado por Deus para governar homens e coisas.

Tudo isso, evidentemente, supõe a existência de um acúmulo de virtudes não comuns: aquele espírito de Capuchinho e aquela linha característica de Frade Menor, que sem esta rica bagagem dos dotes que possuía bem pouco valor teria e, muito pouco teria conseguido fazer, daquilo que realmente fez.

Frei João Pedro de Sexto nos parecia como o tipo perfeito de Missionário modelo, de administrador exímio e consciencioso, do Superior manso, conforme o Coração de Jesus, moldado no mais puro espírito Seráfico. E, enquanto existir um de nós que com ele haja convivido, tal há de ser a impressão pessoal do nosso inesquecível Superior, perpetua há de ser a sua memória, gloriosa nos anais da nossa Missão, cujos alicerces ele ajudou a implantar e a que deu um magnífico desenvolvimento, não só pelo alargamento material do nosso campo de ação, como pela sabedoria com que a soube dirigir e governar, por tantos anos, dando-lhe o realce de tantos trabalhos maravilhosos, de tantas utilíssimas instituições introduzidas”.

Frei Alfredo de Martinengo, vigário da Missão afirmava: “Alma cheia de bondade, santo e modelo de sacerdote, Frei João Pedro passou por esta terra como verdadeiro apóstolo do bem, como destinado aos grandes sacrifícios […]. Perdemos um amigo sincero, um guia seguro, um pai amoroso […], foi homem bom, justo, sincero lutador pela causa do bem, foi modelo de verdadeiro Missionário Capuchinho”.

Santinho Maria Coutinho, Arcebispo em Belém, entre outras coisas disse: “Seu grande amor pelos pobres, não morrerá jamais! Frei João Pedro permanecerá uma imagem puríssima, doce e paterna do bom operário evangélico que entregou tudo para a salvação e a felicidade dos outros. Foi seu amor extraordinário à Igreja que o impeliu para o serviço generoso e desinteressado dos irmãos. O fundamento sólido do seu espírito, imbuído e cimentado de fé vivíssima, tornou-o forte nas dificuldades e nas provações e afinou sua alma a ponto de dar-lhe aquela transparência sublime através da qual se enxerga o além. O seu zelo apostólico foi realmente extraordinário”.

Mons. João Ferreira Muniz (Regente arquidiocesano de Belém) declarou: “Eu conheci poucos homens zelosos, sinceros e humanos, dedicados ao serviço da Igreja e dos irmãos como Frei João Pedro. Missionário incrivelmente afável, compreensivo, modesto. Nunca recorri a ele pedindo ajuda de pessoal, ou implorando que quisesse assumir compromissos de paróquias, desobrigas e pregações, sem ser atendido. E às vezes dava para perceber a sua dificuldade real e insuperável. A minha estima e a minha veneração por ele foram aumentando à medida que ia descobrindo as riquezas do seu espírito”.

Pe. Dubois afirmou: “Até o rosto e os olhos de Frei João Pedro tinham uma transparência de paz, bondade, certeza de Deus; era um íntegro homem do Evangelho”.

– Existe uma carta do Prata (PA), que alguém escreveu, mas quis ficar no anonimato: “Ele vai viver no coração de muitos pela sua bondade, pelo seu amor aos pobres, humildes, doentes e marginalizados, e a todos aqueles que, passando necessidades, recorriam a ele que os escutava, consolava e ajudava. O seu exemplo permanece luminoso”.

D. Francisco de Paula e Silva, arcebispo de São Luís, conheceu Frei João Pedro pessoalmente: “inteligência, vontade, energias, entusiasmo apostólico, tudo nele visava realizar uma grande obra de bem, com coração grande e generoso, com plena confiança na Providência e na bondade fundamental dos homens”.

Mons. Vicente Ferreira Galvão (governou a diocese na vacância entre D. Xisto Albano e D. Francisco) disse de Frei João Pedro: “era um dever e uma honra servir aos bispos e ajudá-los, através de um esforço incansável por parte de si mesmo e dos missionários, para cumprirem o seu compromisso pastoral. O espírito de Deus estava nele, a sua obra viverá duradoura. As bênçãos do povo para os missionários e para o seu superior serão um testemunho constante e luminoso de que o bem tem o seu esplendor neste mundo”.

– Dr. Holanda referindo-se a ele como um homem de coração grande e misericordioso, principalmente para a juventude pobre falou: “Pai e benfeitor exímio que, quando tomava a peito um empreendimento para o bem no nome de Deus, sabia conduzi-lo a termo custasse o que custasse”.

D. Joaquim Vieira, bispo de Fortaleza, chamou-o de apóstolo extraordinário ao serviço de Deus e da Igreja, “homem prudente, sábio e consagrado ao bem de todos, que se entregou até o sacrifício de si”.

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Buscar a Deus é a maior experiência que uma pessoa pode ter. A paixão por Deus é o grande incentivo para sermos santos. A santidade é algo concreto e tem um perfil definido: ser como Jesus, agir como Jesus agiria. O apóstolo Pedro nos fala sobre isso: “Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes o exemplo, para que sigam seus passos” (1Ped 2, 21).

Santidade não diz respeito apenas ao espiritual. A santidade diz também respeito ao corpo. Deus criou o ser humano com parte material, o pó da terra, e imaterial, o sopro de vida (Gen 2,7). Seu desejo é que tenhamos uma santidade integral, que envolva o corpo, a alma e o espírito. Santidade é algo que não se adquire em um único momento, ela se desenvolve em um processo, é aperfeiçoada à medida que eliminamos todo o mal: inveja, competição, concorrência, individualismo, elementos destruidores da vida.

Santidade é uma estrada que devemos percorrer em obediência a Deus: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2).


(Fonte: site a vida do Servo de Deus João Pedro de Sexto São João, sacerdote capuchinho)




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