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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Beato Manuel Lozano Garrido – “Lolo”, Leigo da Ação Católica.



Fiel leigo que soube irradiar em seu exemplo e seus escritos o amor a Deus, inclusive entre as enfermidades que o sujeitaram a uma cadeira de rodas durante quase 25 anos. Ao final de sua vida perdeu também a vista, mas continuou ganhando os corações para Cristo com sua alegria serena e sua fé inquebrantável. Os jornalistas poderão encontrar nele um testemunho eloquente do bem que se pode fazer quando a pena reflete a grandeza da alma e se coloca a serviço da verdade e das causas nobres (Papa Bento XVI – 13 de junho de 2010).

 Manuel Lozano Garrido, Lolo, nasceu em Linares – Espanha – em 1920. Aos 22 anos ele ficou numa cadeira de rodas devido a uma paralisia progressiva. A sua imobilidade foi total. Em seus últimos nove anos ficou cego.

Lolo foi um jovem secular, um cristão que levou a sério o Evangelho. Manteve sempre a alegria no seu constante sorriso. Homem do sofrimento,foi semeador da alegria nas centenas de jovens e adultos que se aproximavam dele em busca de um conselho.

Beato Manuel Lozano e sua irmã e cuidadora
Lúcia. O beato, mesmo em meio às dores, mantinha-se
sempre feliz, sorridente e sereno. 
O Segredo de Lolo para viver o sofrimento com alegria
Lolo foi um jovem amante dos esportes e da natureza, muito alegre nas suas travessuras infantis e, na sua juventude, transbordava de alegria. Formou-se apóstolo na Ação Católica.
Na Ação Católica aprendeu a amar com loucura a Virgem Maria e, ao longo dos seus vinte e oito anos de escritor e jornalista inválido, escreveu-lhe belíssimas páginas cheias de amor e ternura filial.
Na Ação Católica adquiriu seu fervor eucarístico que vai acompanhá-lo por toda a vida.
Um dia, estando já paralítico, na varanda de sua casa que ficava em frente à Igreja que estava com as portas abertas, parou de escrever e disse: “Agora, frente a frente com o sacrário, vou escrever, com Ele, um parágrafo”.


A experiência eucarística de Lolo

Na adolescência ele levava a Eucaristia clandestinamente aos prisioneiros durante a Guerra Civil Espanhola. Passou a noite inteira de quinta-feira Santa na prisão adorando o Santíssimo Sacramento na Eucaristia que lhe tinham dado escondido num ramo de flores.
A Eucaristia é para Lolo fortaleza na sua debilidade, alegria no seu sofrimento, fonte na sua inquietação apostólica e manancial para a sua escrita.


Apóstolo
Numa época de perseguição religiosa, percorre os bairros com a propaganda da Ação Católica e evangeliza através da rádio. Este Lolo inquieto e mensageiro recebe a visita do sofrimento: “Aparentemente o sofrimento mudou o meu destino de um modo radical. Deixei as aulas, desfiz-me do meu título e fiquei reduzido à solidão e ao silêncio. O jornalista que eu quis ser não ingressou na escola; o pequeno apóstolo que sonhava a ser deixou de ir aos bairros; mas o meu ideal e a minha vocação tenho-os ainda agora diante, como a plenitude que nunca pudera sonhar”. Este apóstolo da Ação Católica recebe de Deus a “vocação” do doente: “minha profissão: inválido”.

E é tal a sua invalidez que no dia a dia vai perdendo todos os seus movimentos. O seu corpo converte-se numa massa retorcida de ossos doloridos, mas nunca se queixa nem fala de si mesmo. No entanto, quando perde o movimento da mão direita, aprende a escrever com a mão esquerda. Quando também a mão esquerda se paralisa, fala e dita para um gravador, convertendo-se assim, num escritor e jornalista a partir da cadeira de rodas.
Quando ainda podia mexer os dedos deram-lhe uma máquina de escrever. A primeira frase que escreveu:

“Senhor, obrigado por esta máquina. Que o Teu Nome seja sempre a força da alma desta máquina... que a Tua Luz e transparência esteja sempre na mente e no coração de todos aqueles que trabalharem com ela, para que o que se faça com ela seja nobre, limpo e transmita esperança”.

Imóvel a partir de sua cadeira de rodas, Lolo funda o Sinai – grupos de oração através da imprensa. Cada grupo de 12 doentes e um convento de clausura tomam sobre si o “cuidado espiritual” da imprensa. Ao todo, chegou a reunir cerca de 300 doentes graves que, em "parceria" com alguns conventos de clausura, ofereciam seus sofrimentos e orações pela imprensa católica. 
Como Moisés, que orava de braços levantados no monte Sinai para ajudar Israel, todos os doentes, que não podiam levantar os seus braços nem andar com seus pés, convertem-se em apoio para os jornalistas.

Devido a complicações de seu próprio estado de imobilidade (grande propensão a doenças respiratórias), morreu no dia 3 de novembro de 1971. O milagre para sua beatificação: a cura instantânea e inexplicável de um menino gravemente enfermo, com a imposição do crucifixo que o Beato trazia em suas mãos na hora da morte) foi aprovado pelo Papa Bento XVI em 2009.  No dia 12 de junho de 2010, celebrou-se a sua Beatificação, tendo presentes as suas irmãs: Lucia (que também foi sua cuidadora) e Expectacion.



O crucifixo do milagre para a Beatificação. 

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