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domingo, 23 de outubro de 2016

Servo de Deus Lafayette da Costa Coelho, presbítero e pároco. Modelo para os sacerdotes.



Lafayette da Costa Coelho nasceu em Serro, interior de Minas Gerais em uma quarta feira, 10 de novembro de 1886, filho de José da Costa Coelho e Julia Felisbina de Jesus. Da família Coelho emergiu e emerge ainda hoje inúmeras vocações sacerdotais e religiosas.

O próprio Servo de Deus teve dois irmãos também consagrados à igreja: Monsenhor José da Costa Coelho, do clero diamantinense e Irmã Apoline Coelho, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo.

No ano posterior, em 30 de abril de 1887, foi batizado na igreja matriz Nossa Senhora da Conceição de Serro, pelo reverendíssimo padre José Alves de Mesquita. Neste dia, sob o olhar da doce e terna Senhora da Conceição, o menino Lafayette foi acolhido entre o ditoso número dos cristãos.

O menino Lafayette cresceu em virtude, em um ambiente essencialmente religioso como era a cidade de Serro em sua época, marcada por uma grande devoção mariana, pois a cidade era marcada pela fé na Santa Virgem Maria, presentes na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo (na época, viva e atuante em serro).

Lafayette teve uma infância comum na cidade de Serro, crescendo e se tornando um jovem virtuoso. Foi professor primário na fazenda de Teotônio Magalhães, respondendo ao chamado sacerdotal mais tarde do que era de costume aos jovens da época, que ingressavam no seminário ainda na adolescência.

Padre Layette, recém ordenado.
Aos vinte e dois anos, ingressou no seminário provincial de diamantina, para dar início à sua formação presbiteral.

Após dez anos de formação presbiteral, Lafayette escreve a próprio punho o pedido para ser incorporado definitivamente ao clero, como era de costume, e se encontra até hoje nos arquivos episcopais de diamantina. Segue abaixo a transcrição:






"La­fa­yet­te da Cos­ta Coe­lho, nas­ci­do, ba­ti­za­do e mo­ra­dor na Freguesia de Nos­sa Se­nho­ra da Con­cei­ção do Ser­ro, des­te Bis­pa­do de Dia­man­ti­na, fi­lho le­gí­ti­mo de Jo­sé da Cos­ta Coe­lho e Jú­lia Fe­lis­bi­na de Je­sus, na­tu­rais da di­ta fre­gue­sia, ne­to pa­ter­no de Ro­gé­rio da Cos­ta Coe­lho e Ma­ria Eu­frá­sia de Je­sus, e ma­ter­no de Ber­nar­di­no da Cos­ta Coe­lho e Ma­ria Eu­lá­lia da Luz, com vin­te e no­ve ­anos de ida­de, de­se­jan­do ser pro­mo­vi­do às or­dens sa­cras até o pres­bi­te­ra­to, vem ro­gar a V. Ex.a Rev.ma se dig­ne ad­mi­ti-lo à ha­bi­li­ta­ção de ge­ne­re, man­dan­do pro­ce­der as di­li­gên­cias de es­ti­lo. Nes­tes ter­mos, pe­de a V. Ex.a Rev.ma be­nig­no de­fe­ri­men­to e E.R.M. Dia­man­ti­na, 22 de mar­ço de 1916."


Foi ordenado diácono em 08 de abril de 1915 e sacerdote no dia 15 de abril de 1917 (o mesmo ano das aparições de Fátima, em Portugal) por imposição das mãos de dom Joaquim Silvério de Souza aos 30 anos de idade, sendo o único de sua turma a ser ordenado presbítero. Sendo enviado logo após para santa Maria de São Félix (atual santa Maria do Suaçuí).


 
Os dois filhos religiosos da Sra. Julia Felisbina de Jesus:
monsenhor José Coelho (a esquerda) e
o Cônego Lafayette Coelho (a direita).



Também seu irmão mais velho, José da Costa Coelho, era sacerdote da arquidiocese de Diamantina e professor de língua portuguesa no seminário provincial.
Diferente do irmão que era introspectivo e sério, o jovem Lafayette era mais extrovertido e sorridente, característica que manteve durante seu exercício pastoral.

Após a morte do antigo pároco, Pe. José Maria dos Reis em 1919, o jovem padre Lafayette assumiu definitivamente a paróquia de santa Maria eterna em santa Maria do Suaçuí onde exerceu seu ministério pastoral por 44 anos, com a simplicidade que lhe era própria, mas marcado por uma extrema fé. O santo cônego cativou e evangelizou gerações de fiéis, sendo nas suas celebrações eucarísticas, seja no seu atendimento pastoral que lhe era peculiar, em cima de um burro a ir pelas áreas rurais ou até mesmo a pé pelas terras do Suaçuí.


Cônego Lafayette junto ao clero diamantinense. Ele está indicado pelo número 08, e seu irmão monsenhor José Coelho ao número 13.


Em 1927 o padre Lafayette criou em Santa Maria do Suaçuí a guarda de honra, da qual fazia parte também em diamantina na época de seminarista, neste ano convocou para a paróquia as missões redentoristas.

Em 1930 criou na paróquia de Santa Maria eterna a associação das filhas de Maria, como fruto de sua grande devoção mariana.

Em 1947, já sentindo a velhice, o padre Lafayette consagrou a paróquia da cidade ao imaculado coração de Maria a pedido de dom serafim gomes jardim, e neste mesmo ano é nomeado cônego titular da catedral de diamantina.

Em 1949, foi nomeado vigário forâneo da comarca das sete dores.

À semelhança do Beato Pe. Eustáquio, era conhecido principalmente através da sua benção da saúde, e que era fonte de prodígios advindos do Servo de Deus ainda em vida como constam em muitos dos relatos dos fieis que ainda vivem em santa Maria do Suaçuí. As pessoas vinham de longe para recebê-la.

O santo cônego sempre tinha uma palavra de reconciliação, apaziguando situações de desavença que ocorriam na cidade. Era e ainda é a referência da cidade.



Seu ministério sacerdotal foi fortemente voltado para a evangelização. Promoveu diversas missões populares em sua imensa paróquia e também colaborou com estas missões em outras paróquias. Foi um grande promotor das vocações sacerdotais na arquidiocese de diamantina, sendo cônego catedrático do cabido diamantinense, vigário forâneo na arquidiocese e inspetor escolar em santa Maria do Suaçuí.

Homem de intensos jejuns, orações e sacrifícios, atraía o povo pela sua santidade e piedade. Sua fama ultrapassou os limites paroquiais. Diariamente era procurado em sua residência (e até mesmo por cartas) para conceder sua benção da saúde para as pessoas, atendendo a todas com a mesma paciência e presteza. São inúmeros casos de pessoas beneficiadas com a bênção recebida.

Em 1961, falece após vários dias de enfermidade na casa paroquial de santa Maria do Suaçuí em uma quinta feira, dia 21 de setembro. Seu sepultamento foi no dia seguinte, sendo as exéquias celebradas pelo seu irmão, monsenhor José Coelho.

Cônego Lafayette foi um sacerdote fiel á igreja e ao seu ministério, tornando-se in persona christi para todos aqueles que procuravam ver a deus e o encontravam em seu olhar sereno, e na sua grandeza demonstrada e vivida na simplicidade.


Homem de humildade e obediência
"Sua obediência aos superiores era extrema. Certa vez passou mal em uma reunião do clero, para qual o arcebispo convocou todos os padres e não queria que nenhum faltasse, em especial o decano. Embora estivesse com a saúde abalada, em nome da obediência, o cônego compareceu, mas sofreu um desmaio em plena reunião".


Homem de paciência e doação
"Na véspera das primeiras sextas-feiras atendia confissões na matriz até às 23 horas. Dona Madalena, encarregada dos serviços da casa na época, contou que o vigário rezou o breviário até os últimos dias de vida. Certa vez ele deixou o livro cair e ela o aconselhou a deixar de rezá-lo e ouviu como resposta: 'minha filha, desde a ordenação sacerdotal, nunca deixei de rezar o breviário."


Homem de fé
"A semelhança entre São João Maria Vianney (o Santo Cura de Ars) e o Cônego Lafayette de Santa Maria é que ambos agiam com a mesma fé no Cristo ressuscitado, a mesma paciência com as pessoas, a mesma serenidade face às intempéries ou ao cansaço físico, os dois viviam o mesmo amor a Deus e a mesma caridade para com aqueles e aquelas em favor dos quais exerciam o ministério da salvação".

Homem da simplicidade
"As crianças não viam barreira que as separassem do pastor. Ele interrompia o que estivesse fazendo para atendê-las com alegria e carinho. Dava-lhe santinhos e também biscoito de polvilho, os seus preferidos. Em santa Maria há muitos adultos que se recordam dos biscoitos e dos "santinhos" dados pelo cônego, que gostava de ver os pequeninos correndo pelo assoalho da casa paroquial, como se ali fosse a casa deles."


Homem de oração, jejuns e sacrifício
"O povo sabia, mais ou menos, que cônego Lafayette era um homem de austeras penitências. A família que o hospedava em São Sebastião do Maranhão afirmava que frequentemente ele deixava a cama e se estirava no chão duro do quarto de dormir, após longas horas de oração, noite ou madrugada adentro."


Homem da caridade
"Cônego Lafayette enfrentava longas viagens de carro ou a cavalo para fazer-se presente às numerosas comunidades de sua paróquia ou para colocar à cabeceira de enfermos que residiam longe de Santa Maria e solicitavam sua presença confortadora que os dispusesse para comparecer diante do Senhor."

Homem da missão
"Sempre interessado em oferecer aos seus fieis toda assistência espiritual e catequética, em agosto de 1919, o Servo de Deus convocou as missões populares pregadas pelos padres lazaristas. Essas missões populares sempre representavam um novo despertar da fé no coração do povo de Deus. Era uma grande benção."


Homem das vocações
Cônego Lafayette teve a alegria de ver quatro de seus paroquianos chegarem ao sacerdócio. Muitas também foram as moças da paróquia de santa Maria do Suaçuí que se consagraram à vida religiosa. Por ser leitor atento dos padres da igreja, o Servo de Deus passava ao povo uma verdadeira catequese sobre a Virgem Maria, celebrada na paróquia no dia 15 de agosto, sob o título de Santa Maria eterna.


Homem da benção

"O Servo de deus era um homem de intensa oração pessoal, fazia frequentes jejuns e sacrifícios e tinha um grande amor ao povo. Seu grande carisma era a benção da saúde: benção para salvar as pessoas da doença física, das compleições morais, do alcoolismo, através da sua fé. Sua oração e benção sacerdotal realizaram e realizam mudanças extraordinárias na vida das pessoas”. 

Oração ao Servo de Deus

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