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quarta-feira, 29 de junho de 2016

Beata Imelda Lambertini: a menina que morreu de amor (literalmente) por Jesus.


É muito provável que poucos tenham ouvido falar da Beata Imelda Lambertini. E, mesmo os que a conhecem, ainda hoje poderão perguntar: "essa história é possível"? 

Lambertini nasceu em 1322 na Bolonha, Itália, e foi filha de pais bastante católicos. Apesar do costume da época ser de receber a Primeira Comunhão aos 15 anos, ela falava do desejo de receber nosso Senhor quando tinha apenas 5 anos.

Mas não se trata de uma menina querendo imitar o que faziam os adultos. Ela realmente entendia a Eucaristia, muito mais do que a maioria pensava. Ela sempre perguntava aos maiores “Diga-me, alguém pode receber Jesus em seu coração e não morrer?.”

Esta piedosa pergunta chegou a ser profética em sua vida.

Durante a missa da vigília da Solenidade da Ascensão de Nosso Senhor na hora da Comunhão, de joelhos no fundo da igreja, Imelda acompanhava com ardorosos desejos a movimentação de todos que recebiam a sagrada Hóstia e retornavam recolhidos a seus lugares.

De seu coração brotou a mais ardente súplica:

Meu Jesus, dizem-me que, pelo fato de ser criança, não posso ainda comungar… Mas Vós mesmo dissestes: “Deixai vir a Mim os pequeninos”. Eis que Vos peço, Senhor: vinde a mim!

O sacristão que ajudava o sacerdote notou algo surpreendente: um tipo de luz milagrosa apareceu sobre sua cabeça, correu para avisar o padre, o qual se sentiu movido a oferecer a Lambertini a Eucaristia, apesar de não ter idade para receber a primeira comunhão.

A pequena Imelda recebeu Nosso Senhor com gratidão e logo voltou para seu assento para rezar; lugar que ficou até depois da missa para seguir em oração. Passou muito tempo e ela seguia em oração; sua irmã foi buscá-la para o jantar. Ao chegar encontrou Imelda de joelhos com um sorriso no rosto. Quando sua irmã tocou em seu ombro para chamar sua atenção, Lambertini caiu no chão. Estava morta!


Lambertini foi beatificada pelo Papa Leão XII em 1826 e é a patrona das Primeiras Comunhões. Hoje, seu corpo incorrupto permanece na Igreja de São Sigismundo, na Bolonha, Itália. Sua memória litúrgica é celebrada no dia 12 de maio



Corpo incorrupto da Beata Imelda. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Serva de Deus Madre Cecília do Coração de Maria, religiosa e fundadora.




Hoje trago aos leitores do Blog a vida e obras da Serva de Deus Madre Cecília do Coração de Maria. Madre Cecília ou "Mamãe Cecília" pertenceu a um seleto grupo de santas, beatas ou servas de Deus que Deus que viveu santamente em todos os estados de vida possíveis a uma mulher: foi moça cristã virtuosa, esposa abnegada e fiel, mãe amorosa e dedicada, viúva e, finalmente, consagrada a Deus como religiosa, sendo a fundadora de uma congregação: a Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria. 


A Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria surgiu no início do século XX, de um apelo de Deus acolhido e vivenciado por Antônia Martins de Macedo, jovem brasileira, corajosa e temente a Deus. Seus pais: Pedro Liberato de Macedo e Rosa Martins Bonilha.

Devido à situação política de seu tempo pouco favorável à religião, não pode ingressar, como era seu ardente desejo, em nenhuma Congregação Religiosa, mesmo porque seu pai não a permitia e nem mesmo liberava os recursos necessários. Por imposição paterna, aceitou casar-se com um noivo que não escolhera, do que resultou uma difícil convivência.

Foi mãe de três filhos, dois meninos e uma menina portadora de deficiência física e mental. Viúva, ingressou na Ordem Franciscana Secular recebendo o nome religioso de Irmã Cecília do Coração de Maria.

Continuou a trabalhar para o sustento de seus filhos, em uma oficina de costura, com um grupo de costureiras. Mas, seu coração, não estava tranquilo e uma verdadeira "nostalgia de Deus" se instalara em seu íntimo. Buscava algo que pudesse abrandar seu desejo de servir a Deus quando, no dia 06 de janeiro de 1896, uma ideia insistente, clara e luminosa, uma inspiração se apoderou de sua mente e de seu coração. Partilhou então, com suas companheiras, “Anda em minha mente uma ideia, que não sei se é inspiração ou tentação: Desejava muito abrir uma casa onde morando com algumas companheiras, pudéssemos viver na oração, no trabalho e no apostolado ajudando os Frades Capuchinhos nas Missões”.

O grupo apreciou a ideia e foi apressadamente comunicá-la ao diretor da Ordem Franciscana Secular, Frei Luiz Maria de São Tiago, o qual a aprovou, plenamente, porém acrescentou: “Não é loucura nem tentação minhas filhas, mas verdadeira inspiração de Deus. Mas que esta casa possa acolher meninas pobres e órfãs de Piracicaba. Deus ficará Assim, Irmã Cecília e suas companheiras começaram a buscar ajuda e a obra foi se concretizando. Uma paineira foi tombada, para dar lugar ao futuro Asilo de meninas.

No discurso de inauguração, Frei Luiz assim se expressou, revelando o Carisma da futura Congregação: “De hoje em diante, em Piracicaba, nenhuma criança chorará a lágrima da orfandade, pois o Coração de Maria Nossa Mãe, a todas oferecerá carinho. O ímpeto de Deus, soprava com rapidez: Em 30 de setembro de 1900, após muito trabalho e heroica dedicação, com um grupo de seis jovens, nascia a Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria. Novas casas foram fundadas e outras jovens continuavam a sentir o mesmo apelo para consagrar a vida, “por um Bem Maior".

Devido ao seu carinho e cuidado materno para com as crianças, que a chamavam de “mãe”, Madre Cecília passou a ser chamada de “Mamãe Cecília”.  Antoninha, ou Madre Cecília do Coração de Maria esteve à frente da Congregação durante 12 anos.

Em 1912, Madre Cecília, como fiel seguidora de Jesus Cristo, recebeu um grande chamado de Deus: o de segui-lo no silêncio e no abandono. Soube fazer da experiência da CRUZ, o caminho da transformação: passou de uma dor suportada, para uma dor transformada.


Por determinação diocesana, Madre Cecília passou a residir com sua filha Rosa e Irmã Maria do Carmo numa casa denominada Chalé, onde viveu durante 31 anos, na pobreza, na oração e na confiança em Deus e no Coração de Maria.

“A tempestade é grande, mas ainda maior é o poder de Deus”.  (M.C.)

Ali, no “Chalé”, Madre Cecília viveu durante 31 anos, no cuidado de sua filha Rosa, na pobreza, na oração, no trabalho e na confiança ao Coração de Maria, a quem entregou a Congregação: “Fiz e dei ao Coração de Maria. Dei tudo a ela. Sou sua escrava” (M.C.)


A Serva de Deus com sua filha deficiente visual e mental


O Coração de Maria para Mamãe Cecília, mais do que uma espiritualidade, era um programa de vida. Nos momentos mais difíceis, confiante ela dizia: “O Coração de Maria tudo proverá”.

Com quase 96 anos, já com a saúde bastante debilitada, retorna ao Asilo que fundara. Madre Cecília saiu do Chalé, transformada, num outro “Coração de Maria”, irradiando a todos a ternura e a fortaleza da Mãe de Deus. Dizia: “Tudo tem fim, não é minha filha”?

Em seu quarto, em Piracicaba, Mamãe Cecília terminou sua peregrinação terrestre no dia 06 de setembro de 1950. Pequenina como o grão de mostarda, morta como o grão de trigo, ela produziu muitos frutos. Foi da sua vida que brotou a árvore frondosa da Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria.

Mamãe Cecília era conhecida como a “Mulher da Benção” e Deixou como herança às Irmãs, preciosas BENÇÃOS, com as quais costumava presentear a todos que a visitavam:

Deus te abençoe e te santifique.
Deus te abençoe agora e sempre.
Deus te abençoe, quantas vezes você pensar n’Ele.
Deus te abençoe até o fim, com toda a força do seu poder.
Deus te abençoe e te faça feliz n'Ele.

Sua vida é dom precioso para a Igreja, pela fé, esperança e confiança na providência de Deus e no Coração de Maria, além de uma caridade imensa para com os órfãos, doentes, leprosos, velhinhos, abandonados e encarcerados. Ela é modelo de “mulher forte”, como filha, esposa, mãe e religiosa. Dizia sempre: “O Coração de Maria tudo proverá”.

Em 06/09/1992 foi iniciado o Processo de sua Canonização. Todos os Documentos recolhidos por testemunhas e escritos foram enviados a Roma e esperamos a confirmação de suas virtudes em grau heroico. Todos os que acreditam na santidade da Serva de Deus devem sentir-se envolvidos no seu Processo, suscitando e fazendo crescer grupos de oração e devoção, implorando o reconhecimento dessa santidade.


Oração de Intercessão à Serva de Deus Madre Cecília
“Ó Deus, que vos manifestastes em vossa serva, Madre Cecília do Coração Maria, por sinais de santidade, na vivência da fé, do amor e da entrega total aos vossos planos – sempre confiante no Coração de Maria – suplicamos-vos concedei-nos, por sua intercessão, a graça que vos pedimos... (pede-se a graça).

E se for de Vossa Vontade e para glória de Vossa Mãe Santíssima, elevai Madre Cecília à honra dos altares.

Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.


Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém”.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

SÃO LUDGERO, Bispo (+ Münster, Alemanha, 809)




S. LUDGERO foi o grande Apóstolo e bispo da Frísia. Os pais, Tiasgrim e Liafburga, eram naturais de Utrecht. Ludgero nasceu em 744, em Zuilen sobre o Vecht. De tenra idade ainda, já manifestava grande inclinação para o estudo e para o sacerdócio. Os pais, que eram religiosos, observando esta vocação, confiaram o filhinho aos cuidados do abade S. Gregório, sucessor de São Bonifácio, no convento de Utrecht.

Mais tarde, mandado para a Inglaterra, tornou-se discípulo do grande Alcuino. Em 772, quando os frisões foram expulsos da Inglaterra, Ludgero voltou com ele para o continente. Em 777 foi admitido ao sacerdócio e recebeu o sacramento da Ordem em Colônia. De lá seguiu imediatamente para a Frísia, onde trabalhou 07 anos como missionário, reerguendo a obra de São Bonifácio, tão barbaramente destruída pelos frisões pagãos.

Depois, em 784, se dirigiu para Itália, onde ficou durante dois anos no Mosteiro de Monte Cassino. Neste ínterim deu-se a conversão do chefe dos saxões, Widukind.

Ludgero voltou para a Frísia e pregou o Evan­gelho em Heligoland. Em 796 principiou a missão em Mimigard, na Westfalia, onde poucos anos depois fundou um grande mosteiro. Este mosteiro tornou-se tão importante, que ao seu lado a antiga cidade Mimigard quase desaparecia. O nome de Mimigard caiu em desuso, dando lugar ao de Monasterium, nome este que, adaptado ao idioma germânico, se transformou em Münster.

Um outro grande convento foi fundado em Werdon sobre o Ruhr; este teve uma duração de mil anos.

Ludgero é o protótipo do verdadeiro missionário católico. Instrumento na mão de Deus, tinha em mira só a glória de Deus, a propagação da doutri­na cristã e a salvação das almas. Grandes regiões da Ger­mânia setentrional devem a este Apóstolo beneditino a fé católica.

Incansável no serviço de Deus, a morte colheu-o no meio dos trabalhos apostólicos, no dia 26 de março de 809. O corpo foi sepultado em Werden, sendo-lhe o túmulo glorificado por muitos milagres.



REFLEXÕES

1. S. Ludgero era amigo de bons livros. A que livros dás preferência? Pertences àquela classe de católicos que pretendem ler tudo? Já viste alguém que tire das prateleiras da farmácia a esmo, qualquer droga para ingerir, dizendo que não lhe causará mal algum? Só um mentecapto poderia conceber tal abuso. Há livros que não podem ser lidos por ninguém, como, por exemplo: Livros que atacam a santa religião ou ofendem a moral. Estes envenenam o espirito e roubam ao coração o que de mais precioso tem. O indiferentismo religioso, reinante na sociedade moderna e o relaxamento moral, que se observa por toda a parte são devidos, e quase exclusivamente, à má imprensa. A má imprensa corrompe, perverte e mata. Grande é a responsabilidade dos pais que deixam penetrar no lar jornais, revistas e livros ímpios, livres e obscenos. Livros maus, jornais ímpios e pornográficos podem ter só um destino; o fogo.

2. S. Ludgero não interrompia as orações, para atender a quem quer que fosse. O respeito que devemos a Deus, requer que façamos bem a nossa oração e não a interrompamos ou perturbemos por qualquer distração. Principalmente quando assistimos ao santo sacrifício da Missa, devemos ter o maior recolhimento. Conversar na Igreja, quando devíamos rezar, é ofender a Deus e dar mau exemplo ao próximo. “A casa de Deus é casa de oração”. Se quiseres prova da cultura religiosa e da boa educação de alguma pessoa, observa como a mesma se comporta na igreja.




Retirado e adaptado do livro: Lehmann, Pe. João Batista , S.V.D., Na Luz Perpétua, Lar Católico, Juiz de Fora, 1956.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

SÃO JOÃO CLÍMACO, Bispo e Eremita, mestre de oração e vida espiritual.


No século IV, depois das perseguições romanas, vários mosteiros rudimentares foram construídos no Monte Sinai. Neste local os monges que se entregavam à vida de oração e contemplação. Esses mosteiros tornaram-se famosos pela hospitalidade para com os peregrinos e pelas bibliotecas que continham manuscritos preciosos. Foi neste ambiente que viveu e atuou o maior dos monges do Monte Sinai, João Clímaco.

João nasceu na Síria, por volta do ano 580. De grande inteligência, formação literária e religiosa, ainda muito jovem, aos dezesseis anos, optou pelo deserto e viajou para o Monte Sinai, tornando-se discípulo em um dos mais renomados mosteiros. Isso aconteceu depois de renunciar a fortuna da família e a uma posição social promissora. Preferiu um cotidiano feito de oração, jejum continuado, trabalho duro e estudos profundos. Só descia ao vale para recolher frutas e raízes. São João Clímaco decidiu nunca mais comer carne, fosse ela vermelha ou branca. Também passou a sair de sua cela apenas para participar da Eucaristia, aos domingos.

O nome de São João Clímaco é uma alusão à palavra "klímax', que em grego significa escada. São João decidiu adotar este nome em virtude do livro escrito por ele mesmo, intitulado Escada para o Paraíso.

A Escada é um resumo da vida espiritual, concebida para os solitários e contemplativos. Para Clímaco, a oração é a mais alta expressão da vida solitária; ela se desenvolve pela eliminação das imagens e dos pensamentos. Daí a necessidade da 'monologia', isto é, a invocação curta, de uma só palavra, incansavelmente repetida, que paralisa a dispersão do espírito. Essa repetição deve assimilar-se com a respiração.

«A Escada para o Paraíso com seus 30 degraus, uma obra que influenciou a conduta de vários religiosos, tanto no Ocidente quanto no Oriente.»

Nesta obra ele explica que existem 30 degraus a serem galgados para que possamos atingir a perfeição moral. Este livro foi um grande sucesso na época e chegou até mesmo a influenciar monges e outros religiosos cm sua conduta particular, tanto no Ocidente como no Oriente. A importância desta obra literária para a época pode ser notada na utilização do símbolo escada na arte bizantina.

Sua fama se espalhou e muitos peregrinos iam procurá-lo para aprender com seus ensinamentos e conselhos. Inicialmente eram apenas os que desejavam seguir a vida monástica, depois eram os fiéis que queriam uma benção do monge, já tido em vida como santo. Aos sessenta anos João foi eleito por unanimidade abade geral de todos os eremitas da serra do Monte Sinai.

Já com 70 anos foi eleito bispo do Monte Sinai, muito embora preferisse continuar com sua vida isolada. Nesta época construiu hospitais para a população mais pobre, ajudado pelo papa Gregório Magno.

São João Clímaco foi muito famoso como homem santo em toda a Palestina e Arábia. Viveu por volta do ano 650 e morreu no Monte Sinai.

Os últimos quatro anos de sua vida foram dedicados a viver como ermitão. Neste período de total isolamento ele escreveu Escada para o Paraíso.





Pensamentos de São João Clímaco:

1.    "O verdadeiro monge: o olhar da alma, imóvel; o sentido corporal, inabalável... uma luz que não se apaga aos olhos do coração".

2.    "Que vossa oração ignore toda multiplicidade: uma única palavra bastou ao Publicano e ao filho pródigo para obter o perdão".

3.    "A solidão do corpo é a ciência e a paz da conduta e dos sentidos; a solidão da alma, a ciência dos pensamentos e um espírito inviolável. O amigo da solidão é um espírito de sentinela, valente e inflexível, sem sono, à porta do coração, para derrubar e matar os que se aproximam".

4.    “O monge tem necessidade de grande vigilância e de um espírito isento de agitação. O cenobita tem frequentemente o apoio de um irmão; o monge, o de um anjo”.





5.    "Fechai a porta da cela a vosso corpo, a porta dos lábios às palavras, a porta interior aos sentido".

6.    "A obra da solidão (hesychia) é uma despreocupação total por todas as coisas, razoáveis ou não".

7.     "Basta um fio de cabelo para embaralhar a vista; basta uma simples preocupação para dissipar a solidão (hesychia), pois a solidão é despojamento dos pensamentos e renúncia às preocupações razoáveis".

8.     "Quem possui verdadeiramente a paz, não se preocupa mais com o próprio corpo".

9.    "Quem quer apresentar a Deus um espírito purificado, e se deixa perturbar pelas preocupações, assemelha-se a alguém que tivesse entravado fortemente as pernas e pretendesse correr".

10.        "É grande a utilidade da leitura para esclarecer e recolher o espírito".

11.        "Procurai vossas luzes sobre a ciência da santidade, mais nos trabalhos do que nos livros".

12.        "Quem se sente diante de Deus, do fundo do coração, será como uma coluna imóvel durante a oração".

13.        "O monge que vela é um pescador de pensamentos; sabe distingui-los sem dificuldade, na calma da noite, e apanha-los".

14.        "Nada de rebuscamento nas palavras de vossa oração: quantas vezes os balbucios simples e monótonos das crianças fazem o pai ceder!"

15.        "Não vos entregueis a longos discursos, para que vosso espírito não se dissipe na procura das palavras. Uma única palavra do Publicano comoveu a misericórdia de Deus; uma única palavra cheia de fé salvou o Ladrão".

16.        "A prolixidade na oração frequentemente enche o espírito de imagens e o dissipa, enquanto muitas vezes o efeito de uma única palavra (monologia) é recolhê-lo".


17.        “Senti-vos consolados e enternecidos por uma palavra da oração? Parai nessa palavra; isso quer dizer que o nosso anjo da guarda então ora conosco”.

18.        "Nada de segurança demais, mesmo tento conseguido a pureza; mas, sim, uma grande humildade, e sentireis então maior confiança".

19.        "Quando vos tiverdes revestido da doçura da ausência de ira, não vos será mais muito custoso libertar vosso espírito do cativeiro".

20.        "O primeiro degrau da oração consiste em expulsar, por meio de um pensamento (ou uma palavra) simples e fixo (monologicamente), as sugestões, no momento mesmo em que se manifestam. O segundo, em conservar nosso pensamento unicamente no que dizemos e pensamos".

21.        "Ressuscitados do amor pelo mundo e pelos prazeres, afastai as preocupações, despojai-vos dos pensamentos, renunciai ao corpo, uma vez que a oração nada mais é que um exílio do mundo visível e invisível".

22.        "Não se aprende a ver; é um efeito da natureza. A beleza da oração também não se aprende através do ensinamento. Ela tem em si própria o seu mestre; Deus 'que ensina ao homem o saber' (Sl 94,10) dá a oração e abençoa os anos dos justos".



Alegoria sobre a "Escada do Paraíso"
A ESCADA DO PARAÍSO  (site padrepauloricardo)
Foi justamente por insistência de um irmão vizinho do mosteiro de Raito que nasceu a sua "Escada do Paraíso" ( Κλίμαξ, em grego) – de onde vem o seu nome, Clímaco. Nessa obra, o santo compara o progresso na vida espiritual a uma escada, com três partes: a primeira diz respeito ao abandono do mundo, a fim de voltar ao estado da infância evangélica; a segunda é um importante subsídio para o reconhecimento e a cura das chamadas "doenças espirituais"; a terceira, por sua vez, é propriamente o caminho dos perfeitos.

Em toda a obra de João Clímaco, porém, o seu foco não é outro senão o amor, como ele próprio revela, ao associar o combate espiritual à figura do "fogo" e concluir o seu tratado com as palavras de São Paulo: "Agora subsistem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade" ( 1 Cor 13, 13). A metáfora da escada para a vida espiritual é muito conveniente e encontra amparo nas próprias Sagradas Escrituras (cf. Gn 28, 11-19). Pode, porém, passar a falsa impressão de algo fatigante e cansativo e uma imagem de autossuficiência – como se fosse possível alguém ascender a Deus pelas próprias forças.

Entretanto, se é verdade que "é necessário passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus" ( At 14, 22), a "escada do Paraíso", antes de ser subida pelos homens, foi descida pelo próprio Deus. Foi o Senhor quem se inclinou ao homem e inclinou a escada dos céus, para que ele a pudesse subir mais facilmente – Ele, que "humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de Cruz" (Fl 2, 8). De fato, antes que o homem desse o primeiro passo em direção ao Altíssimo, Ele mesmo saiu dos altos céus e veio em seu auxílio, com a Sua graça. Por isso, a resposta do homem a essa misericórdia de Deus só pode ser o amor – o amor de quem sobe uma escada firmando os "braços cansados" e "os joelhos vacilantes" (Is 35, 3), com o coração ansioso em contemplar o Senhor e possui-Lo plenamente na eternidade.

Pode haver quem se pergunte sobre a validade das lições de São João Clímaco para o homem de hoje. O Papa Bento XVI, ao falar sobre esse importante místico da Igreja, se pergunta se "o itinerário existencial de um homem que viveu sempre na montanha do Sinai, numa época muito distante, pode ter alguma atualidade para nós". A sua resposta é que "aquela vida monástica é apenas um grande símbolo da vida batismal, da vida do cristão. Mostra, por assim dizer, com caracteres grandes, o que nós escrevemos no dia-a-dia com caracteres pequenos".


Todos, pois, são chamados à santidade, como conclamou o Concílio Vaticano II [3]. A "escada do Paraíso" é o itinerário para todos os cristãos, chamados que são ao amor. Que São João Clímaco, do Céu, ajude o homem do século XXI a atingir o clímax da caridade, como ele alcançou.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

SANTA JULITA E SÃO CIRO, mãe e filho, mártires.



Julita vivia na cidade de Icônio, atualmente Turquia. Ela era uma senhora riquíssima, da alta aristocracia e cristã, que se tornara viúva logo após ter dado à luz a um menino. Ele foi batizado com o nome de Ciro. Tinha três anos de idade quando o sanguinário imperador Diocleciano começou a perseguir, prender e matar cristãos.

Julita, levando o filhinho Ciro, tentou fugir, mas acabou presa. O governador local, um cruel romano, tirou-lhe o filho dos braços e passou a usá-lo como um elemento a mais à sua tortura. Colocou-o sentado sobre seus joelhos, enquanto submetia Julita ao flagelo na frente do menino, com o intuito de que renegasse a fé em Cristo.

Como ela não obedeceu, os castigos aumentaram. Foi então que o pequenino Ciro saltou dos joelhos do governador, começou a chorar e a gritar junto com a mãe: "Também sou cristão! Também sou cristão!". Foi tamanha a ira do governador que ele, com um pontapé, empurrou Ciro violentamente fazendo-o rolar pelos degraus do tribunal, esmigalhando-lhe assim o crânio.

Conta-se que Julita ficou imóvel, não reclamou, nem chorou, apenas rezou para que pudesse seguir seu pequenino Ciro no martírio e encontrá-lo, o mais rápido possível, ao lado de Deus. E foi o que aconteceu. Julita continuou sendo brutalmente espancada e depois foi decapitada. Era o ano 304.

Ciro tornou-se o mais jovem mártir do cristianismo, precedido apenas dos Santos Mártires Inocentes, exterminados pelo rei Herodes em Belém. É considerado o Santo padroeiro das crianças que sofrem de maus tratos.


Reflexão:
A memória dos mártires mantém viva a convicção de que vale a pena perder a vida em função do amor a Jesus Cristo. Quando ouvimos relatos de martírio, como o de hoje, sentimos nosso coração gelar de horror. Mas ainda hoje, séculos depois do início da Igreja, muitos cristãos ainda são martirizados de forma brutal e violenta. Ecoa ainda hoje o evangelho de Jesus: “se o grão de trigo não morre, ele não nasce para dar frutos em abundância”.

Oração:

Deus Nosso Senhor e Nosso Pai, destes a Santa Julita e a São Ciro os sofrimentos do martírio, por sua intercessão dai-me uma fé verdadeira, forte, perseverante. Suplico-Vos o perdão de meus pecados e a graça de Vos amar e bendizer todos os dias de minha vida. Amém.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

RELÍQUIAS DE SÃO JOÃO FISHER E SÃO TOMÁS MORUS VISITAM OS EUA.



Washington - Estados Unidos (Quarta-feira, 01-06-2016, Gaudium Press)
As relíquias de São John Fisher e São Tomás Morus, mártires por sua objeção às decisões do rei inglês Henrique VIII que o separaram da religião católica e marcaram a origem do anglicanismo, visitarão os Estados Unidos neste mês de junho por ocasião da Quinzena pela Liberdade, o evento anual da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) a favor da Liberdade Religiosa.

As relíquias serão veneradas em Miami, Baltimore, Pittsburgh, Filadélfia, Minnesota, Denver, Phoenix, Los Angeles e Washington, sob o lema "Witness to Freedom" (Testemunhos da Liberdade). "Nem sempre é fácil defender a Fé em praça pública", explicou a Conferência Católica de Minnesota em seu convite local ao evento. "Extraia a força daqueles que já o fizeram".

Estes Santos ingleses "são bem conhecidos por opor-se ao divórcio do rei Henrique", recordou a USCCB na apresentação da iniciativa. "Ao final, foi sua negativa a assinar um juramento de supremacia que os levou a ser executados. O rei Henrique VIII se fez proclamar o líder supremo da Igreja na Inglaterra, assegurando ter poder de soberania sobre os cristãos ingleses. Nem Fisher, nem Morus podiam aceitar esta afirmação, e sua fidelidade à sua consciência os colocaram em conflito com o rei".


"Tanto Morus como Fisher eram patriotas. Nunca se levantaram para incitar a rebelião ou fomentar uma revolução. Não eram traidores", acrescentaram os Bispos. "Mas quando a lei do rei esteve em conflito com a lei de Cristo, eles escolheram a Cristo. Estes homens deram sua vida pela liberdade da Igreja e pela liberdade de consciência. Eles dão testemunho da verdade de que nenhum governo pode reclamar controle sobre a alma de uma pessoa. São Tomás Morus e São John Fisher, orai para que nós também sejamos bons servidores de nosso país, mas primeiro de Deus!". (GPE/EPC)

terça-feira, 14 de junho de 2016

SÃO JOÃO DE SAHAGÚN, Presbítero Agostiniano, grande pregador e taumaturgo. Dois textos biográficos.


Fidalgo e um dos maiores pregadores da Espanha, fustigava com franqueza apostólica os crimes e vícios de sua época, sendo por isso envenenado. Embora desconhecido no Brasil, São João de Sahagún figura entre os maiores pregadores deste país de grandes pregadores que foi a Espanha. Seu exemplo atesta como os autênticos oradores sacros devem estar dispostos a tudo, até à morte se necessário, antes que pactuar com os crimes e vícios da época em que vivem.


Filho de herói da guerra contra os mouros
Sahagún é uma pequena cidade da província espanhola de Leão. Sua glória era a de ter servido de berço e patíbulo do mártir São Fernando, que na época dos romanos tingiu com seu sangue as águas do rio Cea. A essa glória, séculos mais tarde se somou a de ser a pátria de João González de Castrilho, conhecido na História da Igreja como São João de Sahagún ou São Facundo. Seu pai e homônimo — um “cristão velho” e fidalgo “pelos quatro costados” — vivia na corte do rei D. João II, tendo-se notabilizado na batalha de Hiqueruela contra os mouros, sob o comando do condestável Álvaro de Luna.

O primogênito dos sete filhos de D. João e de Da. Sancha Martinez, João nasceu no dia 24 de junho de 1430, festa de São João Batista. Estudou letras e humanidades no Real Mosteiro de São Bento de sua cidade natal. Dotado de boa inteligência, avantajou-se muito nos estudos.

Na adolescência ele foi apresentado por um tio ao Arcebispo de Burgos, D. Alonso de Cartagena. Antigo rabino sinceramente convertido em Príncipe da Igreja, homem virtuoso de vasto saber, D. Alonso logo se encantou com as qualidades de João González. Ordenou-o sacerdote, nomeou-o depois cônego da catedral, além de conceder-lhe outros benefícios. Mas, renunciando a tudo, o jovem levita se dedicou à cura das almas, à pregação e aos estudos na pequena igreja de Santa Águeda.

Doutor em teologia e frade agostiniano
Morto D. Alonso em 1456, o Pe. João trasladou-se para Salamanca a fim de estudar Direito Canônico em sua célebre universidade. Ao mesmo tempo exercia sua atividade pastoral em uma capela da cidade. A princípio, por causa de sua humildade, poucos notaram as qualidades desse jovem sacerdote. Mas um dia convidaram-no para fazer um sermão em honra de São Sebastião, patrono do colégio São Bartolomeu. O Pe. João agradou tanto, que foi eleito para essa casa, tornando-se também muito popular na cidade. Formado, lecionou Sagrada Escritura no mesmo colégio.

Entretanto, um cálculo renal tornou necessária uma dolorosa operação, que naquela época punha em risco a vida do paciente. Diante disso, o Pe. João prometeu a Deus tornar-se religioso, caso saísse ileso da operação. Eis o que ele mesmo narra sobre o ocorrido então: “O que se passou naquela noite entre Deus e minha alma, só Ele sabe; e, logo de manhã, fui [ao convento de] Santo Agostinho, creio que por iluminação do Espírito Santo, e recebi o hábito da Ordem”.1


Profunda piedade eucarística e cargos de mando
No convento de Santo Agostinho, João González portou-se como religioso muito virtuoso e edificante. Por isso foi designado Mestre de Noviços, depois Prior, e finalmente Conselheiro Provincial. Como aliava à sua profunda virtude muita ciência, estava apto a comandar; e como sabia obedecer, sabia também mandar.

Frei João também se notabilizava por uma profunda piedade eucarística. Suas ações de cada dia eram feitas como preparação para a comunhão do dia seguinte. Muito devoto da Eucaristia, não podia sê-lo do Santo Sacrifício do Altar. Era favorecido por êxtases na celebração da Missa, de sorte que esta não tinha fim. O superior ordenou-lhe que fosse mais breve. Frei João, confuso, comunicou-lhe então o que se passava entre ele e Nosso Senhor durante a Missa: Jesus Cristo aparecia-lhe frequentemente, fulgurante como um sol, e lhe fazia as mais altas revelações.


Piedade de um santo muito acessível
Não obstante, Frei João era um santo muito acessível. Seus biógrafos contam que ele não era de nenhum modo um místico hipocondríaco e sombrio que inventava a cada dia novo modo de mortificar seu corpo. Não fazia penitências extraordinárias, jejuava apenas quando mandava a regra, e comia quando era a hora. “Sua conversação estava cheia de graça; seu rosto alegrava a quem o olhasse. Ademais, sem saber como, Frei João se tornara o diretor, o mestre, o pai, o consolo de todos os desgraçados na cidade de Salamanca. De seus lábios escapavam palavras bondosas; de suas mãos, prodígios estupendos”.2

A pregação foi sua grande missão. Falava tão bem e pateticamente, que em Salamanca se dizia: “Vamos ouvir o frade gracioso”. Frei João fustigava os vícios, as modas extravagantes, a licenciosidade de costumes e as injustiças que via na cidade. Ele foi por isso várias vezes vítima de atentados. E quando se tratava de apontar alguma irregularidade, não poupava nem amigos nem pessoas elevadas em dignidade: “Fazer de outro modo, dizia, é vender a consciência, trair o Crucifixo, e fazer, por assim dizer, moeda falsa em matéria de religião”.3

Frei João era de tal modo dotado do poder de penetrar os segredos de consciência, que no confessionário não era fácil enganá-lo. E aqueles que queriam confessar-se apenas rotineiramente eram obrigados a fazê-lo bem. Insistia na necessidade do firme propósito para que fosse boa a confissão. Entretanto, era muito discreto e misericordioso com os pecadores, sendo por isso muito procurado pelos fiéis.

Fatos milagrosos na vida do santo
Deus Nosso Senhor semeou a vida de São João de Sahagún com vários prodígios. Assim, um dia seu irmão, D. Martim de Castrilho, o chamou aflito, porque uma filha sua havia falecido. Frei João, ao chegar, disse alegremente a seu irmão: “Por que choras? A menina desmaiou e pensam que morreu”. Tomando-a pela mão, entregou-a com vida à mãe.

Em outra ocasião, uma mãe em prantos procurou Frei João dizendo que seu filho havia caído em profundo poço e não era mais visto.

Frei João dirigiu-se ao local e chamou o menino pelo nome. Este respondeu. Então o Santo tirou sua correia e a lançou ao poço para que o menino a agarrasse. Ora, sucedeu que a correia cresceu o necessário para chegar até onde o menino se encontrava, muitos metros abaixo. Agarrando-se a ela, saiu são e salvo.

Uma multidão que se tinha reunido em redor do santo começou então a aclamá-lo. Vendo um balaio de peixe vazio, Frei João o colocou na cabeça e começou a bailar como um tonto, afastando-se do povo. Chamando-o de louco, alguns meninos começaram a correr atrás dele e a atirar-lhe pedras, e assim ele chegou ao convento. Desse modo livrou-se dos louvores, além de ganhar algumas boas pedradas.4

Pacificador e Padroeiro de Salamanca
Entretanto, o maior feito de São João de Sahagún foi pacificar Salamanca, que nos últimos 40 anos estava sendo devastada por uma guerra de famílias. Era raro o dia em que o sangue não corresse em abundância, e não havia praticamente família que não tivesse perdido um ente querido. Como consequência, não existia casa que não procurasse um meio de vingar-se. O pior é que nem mesmo os magistrados e a autoridade real eram respeitados. Cometiam-se homicídios mesmo em lugares de asilo, e matava-se até junto aos altares.

São João de Sahagún não omitiu nada para reunir os dois partidos opostos e fazer cessar o espírito de vingança que os animava. Tudo empregou, tanto no confessionário quanto no púlpito, nas ruas e até em frente às casas dos litigantes para fazer cessar esse flagelo.

Enquanto pregava um dia contra essas desordens na igreja lotada, sobreveio no templo um murmúrio de desagrado, pondo alguns a mão na espada. O santo interrompeu então o sermão e, em tom de profeta, disse que o primeiro que empunhasse o gládio cairia morto. Um dos senhores mais responsáveis pelo litígio quis desafiar o pregador, mas caiu fulminado. Esse castigo tão súbito, tão público e tão milagroso causou tanto efeito, que operou a difícil reconciliação. Pelo que João de Sahagún recebeu na cidade o título de “El Pacificador”.

Quando contava apenas 49 anos Frei João de Sahagún começou a falar de sua morte próxima, apesar de estar com boa saúde. Suas palavras proféticas logo se realizaram.

Havia em Salamanca um senhor da alta nobreza que levava vida escandalosa com uma mulher sem que ninguém ousasse repreendê-los. São João tomou então a liberdade de lhes mostrar o estado pecaminoso em que viviam e o escândalo que davam à cidade, ameaçando-os com o castigo divino. Suas palavras e admoestações causaram profundo efeito sobre o nobre que, arrependido, rompeu a ligação ilícita em que vivia. O mesmo, entretanto, não ocorreu com sua concubina, que jurou vingar-se. Não se sabe por que meios ela conseguiu colocar um veneno lento, mas mortal, num alimento que Frei João ia tomar. A consequência foi um lento e doloroso depauperamento do santo. Sofrendo tudo com paciência admirável, no dia 11 de junho de 1479 ele entregou sua alma a Deus.

Beatificado por Clemente VIII em 1601 e canonizado por Inocêncio XII em 1690, São João de Sahagún é o padroeiro de Salamanca.

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Notas:
1. P. Antolínez, Vida de San Juan de Sahagún, Salamanca, 1605, apud Victorino Capánaga, San Juan de Sahagún, Gran Enciclopédia Rialp, Ediciones Rialp, Madri, 1973, tomo XIII, p. 590.
2. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo II, p. 600.
3. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo VI, p. 600.
4. Cfr. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1947, tomo III, pp. 439-440.

(por Plinio Maria Solimeo, site Catolicismo)




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Segundo texto biográfico
São João nasceu em Sahagún, vila da província de Leão, e dela tomou o nome. Havia na sua freguesia uma abadia beneditina e nela estudou as humanidades. Depois passou ao serviço de D. Afonso de Cartagena, que o ordenou sacerdote, o nomeou capelão, camareiro do palácio e cónego. João tinha apenas 20 anos.
       Em 1456 morre o seu protetor. Sai ele de Burgos e vai para Salamanca, que se tornará a sua segunda pátria. Começa por sentar-se nos bancos das aulas como estudante, para ouvir as lições daqueles grandes mestres, embora o ensino que mais o atrai seja o do Divino Mestre, que fala aos corações. Consegue uma bolsa no colégio de S. Bartolomeu, mas logo renuncia a ela para dedicar-se plenamente à pregação. Anda todavia em experiências, sem ter encontrado o caminho real da sua vocação. Uma doença paralisa-o nas suas correrias de apóstolo e vê-se obrigado a estar de cama.
       Na solidão e retiro do leito, reflete, faz oração, vê e promete fazer-se religioso logo que se restabeleça. Deus concede-lhe a saúde e ele toma o hábito no convento de Santo Agostinho. Professa em 1436. É agora homem feliz; encontrou o seu caminho; os seus dias estão cheios de luz e as suas noites de alegrias misteriosas. Como anjo de paz, surge para sossegar as contendas conhecidas pelo nome dos «bandos de Salamanca», despertadas pela fúria vingativa de Dona Maria de Monróy, chamada a Brava. A liberdade com que pregava e exercia o apostolado causou-lhe sérios desgostos.
     Pregava em Salamanca e em todos os arredores, nas igrejas e nas praças, e muitas vezes mandava que lhe colocassem o púlpito diante das casas dos chefes das fações e dos pecadores públicos. A multidão aglomerava-se à sua volta e não se cansava nunca de ouvir os seus sermões, porque pela sua boca falava o Espírito de Deus. Não era tanto a ciência como a força divina que transparecia das suas palavras. Esta força do céu comunicava-se-lhe especialmente durante a Santa Missa.
      Ele e Deus eram os únicos que sabiam o que se passava, enquanto oferecia o Sacrifício Eucarístico. O próprio Cristo se lhe mostrava na Sagrada Hóstia como sol resplandecente, segundo comunicou aos seus Superiores. Falava com Ele e recebia as mais altas comunicações; via as suas chagas, saborosas como favos de mel e rutilantes como astros. “Digo-vos, declarava depois o Prior, que tantos e tais segredos me disse que via, que eu ia desfalecendo e pensei que ia cair no chão, morto, pelo grande terror que me invadiu”. Assim se explica que as suas Missas fossem tão longas, como também os sermões. Quanto ao mais, como dizem os seus hagiógrafos, não fazia penitências extraordinárias. Jejuava quando a Regra lho mandava e comia quando a sineta o chamava para comer.
    Apesar de austero para consigo, era doce e suave para com os outros. Tinha um coração cheio de caridade para com Deus e para com o próximo. Tinha-se feito o diretor, o mestre, o pai e a consolação de todos os desgraçados de Salamanca. De suas mãos desprendiam-se, com palavras bondosas, prodígios estupendos em favor dos pobres e dos aflitos.
     Morreu a 11 de Junho de 1479 e, ao que parece, envenenado por uma mulher má, irritada contra a pregação e zelosos conselhos do Santo. Foi canonizado em 1690 por Alexandre VIII.

Urna contendo as relíquias do Santo. 


(Fonte: Fraternidade São Gilberto)