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domingo, 31 de janeiro de 2016

SÃO DOMINGOS DEL VAL, Leigo e Mártir. Patrono dos Acólitos.



Nasceu em Zaragoza no ano de 1243, e desde os primeiros anos mostrou sua inclinação à piedade e à virtude. Aos seis anos entrou para servir ao Senhor na igreja Catedral da Sé, como menino de Coro.
Entre todos os meninos se distinguiu por sua modéstia, por sua inocência e por sua piedade. A todos os que o viam ajoelhando ante o altar, ficavam maravilhados com aquele seu modo modesto e devoto recolhimento com que assistia às sagradas funções. Bem se conhecia que seu espírito angelical achava seu prazer em servir ao Senhor. Gostava de cantar os divinos louvores, e sua voz doce refletia o candor de sua inocência e o amor divino que o abrasava.
Sua piedade nos divinos ofícios, sua assiduidade na igreja e sua caridade para com os pobres desamparados atraiam sobre Dominguito os olhares de todos. Também atraíram os olhares dos judeus, que ao notá-lo alimentaram ódio contra ele e o escolheram como vítima sobre a qual executaram os criminais desígnios de ódio contra os cristãos.
Era um dia do mês de agosto. Concluídos os divinos ofícios, Dominguito voltava para a sua casa, quando de improviso se apoderaram dele uns judeus, o levaram para sua reunião e ali o martirizaram. Amarraram-lhe a uma parede e renovaram a Paixão do Divino Redentor: o crucificaram, transpassando-lhe com cravos os pés e as mãos; abriram-lhe o lado com uma lança, e quando expirou enterraram-lhe às margens do rio.
Mas o Céu glorificou com prodígios ao Santo Mártir. Seu corpo foi descoberto milagrosamente e transladado com triunfal procissão até a santa igreja Catedral.
Desde então se dá a ele incessante culto em sua Capela, e especialmente é venerado pelos Coroinhas, que o tem por Patrono. Sua festa é celebrada no dia 31 de agosto.



Os rabinos do bairro judeu por onde o santo menino passava
nutriram-lhe profundo despeito e ódio. 


Reunidos em conciliábulo resolveram tentar demover-lhe da Fé ou dar cabo de sua vida. 




Os facínoras o cercaram e instigaram a que abjurasse a fé pisando
em um crucifixo. 




Como nada conseguiram arquitetaram o terrível plano: crucificaram o santo menino em uma
parede, cravando suas mãos e seus pés nos tijolos da parede. Após terrível agonia,
transpassaram seu coraçãozinho inocente. 



Os cristãos acharam o corpo do menino e deram-lhe digna sepultura
entre louvores, pois sabiam que eram um mártir de Cristo. 




Sua santa alminha, totalmente purificada pelo Sangue de Cristo e pelo próprio sangue derramado
no martírio, parte para o Paraíso levada pelos anjos do Senhor. 




sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET, Missionário, Bispo e Fundador.


O santo Bispo Antônio Maria Claret foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores santos da História da Igreja. Incansável e zeloso apóstolo de Jesus Cristo e defensor da Igreja, promoveu pela palavra escrita (livros, artigos e revistas) e pela pregação a pureza da Fé Católica. Foi um ardente defensor da Fé e da Igreja numa época na qual praticamente toda a Europa já começava mostrar sinais de seu afastamento de Deus, que hoje em dia é tão sentido. Como é um santo riquíssimo em boas obras e de uma história de vida simplesmente maravilhosa, não se espantem se mais de uma vez aparecer neste Blog. 


Tendo-me pedido o padre José Xifré, Superior dos Missionários Filhos do Coração de Maria, diversas vezes, verbalmente e por escrito, uma biografia de minha insignificante pessoa, sempre me escusei, e ainda agora não decidiria escrevê-la se ele não me tivesse mandado. Somente por obediência o faço e por obediência revelarei coisas que eu preferia manter ignoradas. Seja isto, contudo, para a maior glória de Deus e de Maria Santíssima, minha doce Mãe, e confusão deste miserável pecador".

Ao iniciar sua Autobiografia com estas palavras, deixou claro Santo Antônio Maria Claret que contaria a ação de Deus em sua vida apenas pela necessidade de obedecer à voz do superior geral da ordem... Por ele mesmo fundada! Tal é a força da santa obediência, até para um fundador! No entanto, afirma seu confessor: "Quem conhecesse o Servo de Deus como eu o conhecia, perceberia facilmente, ao ler suas mencionadas anotações, que ele diz menos do que se cala, querendo deste modo, sem dúvida, cumprir o preceito imposto pela obediência sem prejuízo de sua profunda humildade". Apesar disso, fica registrada para a História uma vida marcada pela grandeza da humildade, e sua pena revela os mais belos contrastes harmônicos de uma personalidade ímpar que cruzou boa parte do século XIX, numa existência profícua em fatos memoráveis.

Meditar na eternidade: semente do missionário

Nascido numa família de profundas raízes religiosas, diz o Santo a respeito de sua primeira infância: "A Divina Providência sempre velou por mim de forma particular".3 É interessante notar que, ao contar sua origem, menciona a pequena Sallent, onde nasceu, na Diocese de Vic, província de Barcelona, bem como os pais, Juan Claret e ­Josefa Clará - a quem qualifica como "honrados, tementes a Deus, muito devotos do Santíssimo Sacramento do Altar e de Maria Santíssima" -, mas não a data de seu nascimento, apenas a de Batismo: 25 de dezembro de 1807.

As primeiras ideias de que tem memória remontam aos seus cinco anos. Havendo recebido dos pais as primeiras noções de bem e mal, Céu e inferno, tinha noites de insônia e se punha a pensar na eternidade: "sempre, sempre, sempre; imaginava distâncias enormes, e a estas se acrescentavam outras e outras, e ao ver que não alcançava o fim, estremecia e pensava: aqueles que tiverem a desgraça de ir para a eternidade de penas, jamais deixarão de sofrer, sempre padecerão? Sim, sempre, sempre terão de penar!".5 E se condoía do fundo da alma.

Este pensamento foi o motor, "a mola e o aguilhão de meu zelo pela salvação das almas", do apostolado em prol da "conversão dos pecadores, no púlpito, no confessionário, por meio de livros, estampas, folhetos, conversas familiares". Pois, "ao ver a facilidade com que se peca, a mesma com que se toma um copo d'água, por riso ou por diversão; ao ver a multidão de pessoas ­continuamente em pecado mortal e que vão assim caminhando para a morte e para o inferno, não posso ter repouso, preciso correr e gritar".8 A esta preocupação pela salvação das almas, não tardou em unir-se o zelo pela glória de Deus: "Se um pecado é de uma malícia infinita, impedir um pecado é impedir uma injúria infinita a meu Deus, a meu bom Pai".



Despertar da vocação sacerdotal

Bem menino ainda entrou na escola, onde aprendeu as primeiras letras. Vivo e inteligente, tudo assimilava com rapidez, em especial o catecismo e a História Sagrada. Aos dez anos fez a Primeira Comunhão e, a partir daí, não mais deixou de frequentar os Sacramentos. Logo se despertou no pequeno Antônio a vocação sacerdotal: "Com que fé, confiança e amor falava com o Senhor, com meu bom Pai! Eu me oferecia mil vezes a seu santo serviço, desejava ser sacerdote para consagrar-me dia e noite a seu ministério".

Encaminharam-no ao estudo do latim, mas o curso fechou alguns anos depois e as dificuldades da época obrigaram o pai a levá-lo para trabalhar em sua pequena fábrica de fios e tecidos, em vez de mandá-lo ao seminário.


A fábrica ou o sacerdócio?

Como primeira tarefa, enchia os carretéis das lançadeiras dos teares. Mais tarde tornou-se chefe dos operários, e nesta função aprendeu "como é verdade que melhor proveito se tira tratando os outros com doçura do que com aspereza e irritação".

Entretanto, ele considera esta fase de sua vida como um período de entibiamento, por se ter lançado com ímpeto no mundo dos teares, trocando sua vocação pelas máquinas, desenhos e urdiduras. Em 1825 encaminha-se a Barcelona, onde se aperfeiçoou na arte da tecelagem. Autodidata, só de analisar as mostras de tecidos vindos de Paris ou Londres já ideava um meio de fabricá-los, com resultados idênticos ou melhores. Por três anos estes assuntos ocuparam sua mente a ponto de ter, mesmo durante a Missa, "mais máquinas na cabeça do que santos havia no altar".

Até que, como uma flecha aguçada a penetrar-lhe o coração, em plena Missa recordou-se desta passagem do Evangelho: "Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mc 8, 36). "Senti-me, como Saulo, no caminho de Damasco [...]. Despertaram-se em mim os fervores de piedade e devoção".

De cartuxo a jesuíta...

Decidiu tornar-se cartuxo para fugir do século, com grande pesar do pai, que punha a esperança de seus negócios no talento do filho. Voltou para Vic e iniciou os ­estudos de ­filosofia, tomando gosto pela contemplação, disciplina e penitência. Para onde fora seu desejo de ser apóstolo e salvar almas? É que as vias de Deus não são humanas...

A caminho da Cartuxa de Monte Alegre, próxima de Barcelona, enfermou-se gravemente e precisou regressar a Vic. Compreendeu, então, haver sido circunstancial o chamado à vida contemplativa: "O Senhor me levava mais longe para desligar-me das coisas do mundo, e para que, desapegado de todas elas, me fixasse no estado clerical".

Afinal, ingressou no seminário e, completados os estudos, foi ordenado sacerdote em 13 de junho de 1835. Enviado para a Paróquia de Santa Maria, em sua cidade natal, constituiu para si uma rigorosa regra de vida. Sem embargo, Deus o incitava a ser missionário. "Em muitas passagens da Santa Bíblia sentia a voz do Senhor que me chamava a pregar. O mesmo acontecia na oração. Assim, decidi deixar o curato, ir a Roma e apresentar-me à Congregação de Propaganda Fide para ser mandado a qualquer parte do mundo".

A caminho da Cartuxa, enfermou-se gravemente e precisou regressar a Vic; compreendeu, então, haver sido circunstancial o chamado à vida contemplativa

Lá chegando, o Cardeal Giacomo Filipo Fransoni, Prefeito da Congregação, estava de viagem. O padre Claret aproveitou a espera para fazer com os jesuítas os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola e, ao terminá-los, prestou contas de suas disposições de alma ao padre diretor. Este o convidou para entrar na Companhia de Jesus: "tornei-me jesuíta da noite para o dia".


...de noviço a missionário e fundador

O tempo do noviciado lhe foi muito útil: "Ali aprendi o modo de dar os Exercícios de Santo Inácio, o método de pregar, catequizar, confessar, com grande utilidade e proveito".

Sentia-se muito bem na Companhia de Jesus, mas um problema na perna o levou à enfermaria e não havia como curá-lo. Os superiores viram nisto um sinal sobrenatural de não estar ele onde era chamado por Deus e determinaram seu regresso à Espanha, incentivando-o a entrar, de fato, nas sendas das missões.

O Bispo de Vic, Dom Luciano Casadevall, enviou-o para a aldeia montanhosa de Viladrau, onde começou seu trabalho de conquistar almas para o Céu. Jamais ia a lugar algum sem ser mandado. E aconselhava aos missionários: "Não temam as dificuldades que se apresentem ou as perseguições que se levantem; Deus os enviou pela obediência, Ele os protegerá".18 Tal como os Apóstolos, com ufania anunciava o Evangelho, expulsava demônios e curava muitas doenças.

Ao voltar de uma viagem evangelizadora nas Ilhas Canárias, em meados de maio de 1849, pôs em prática um plano já bem refletido de fundar uma congregação de sacerdotes missionários, na qual cada membro devia ser "um homem que arde em caridade e abrasa por onde passa; deseja eficazmente e procura por todos os meios atear no mundo inteiro o fogo do divino amor. Nada o amedronta; delicia-se com as privações; busca os trabalhos; abraça os sacrifícios; compraz-se com as calúnias e se alegra com os tormentos. Não pensa senão em como seguirá e imitará Jesus Cristo no trabalhar, sofrer, e procurar sempre unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas".

Reunindo no seminário de Vic cinco outros sacerdotes, e de posse das autorizações episcopais, fundou em 16 de julho daquele ano a Congregação de Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. "Hoje começamos uma grande obra", afirmou.

Não obstante, eis que menos de um mês depois o Bispo o chamou e entregou-lhe uma carta de nomeação como Arcebispo de Santiago de Cuba...

Na Arquidiocese de Cuba: amado e perseguido

Alegando não poder abandonar a livraria religiosa que dirigia, bem como sua congregação nascente, recusou. Todavia, ao receber ordem formal de seu prelado para aceitar, confiou a pequena comunidade a Maria Santíssima e, tendo sido ordenado Bispo, partiu para Barcelona, a fim de cruzar o Atlântico rumo à sua arquidiocese.

É impossível narrar aqui as aventuras da viagem, na qual cada parada servia-lhe de pretexto para pregar, e menos ainda tudo quanto na antiga Pérola do Caribe se passou em termos de riscos, catástrofes naturais, epidemias, trabalhos e peripécias missionárias. Ele pôs ordem em tudo e a força de sua palavra serenava revoltas, moralizava os costumes e obtinha conversões em massa. "Em seis anos e dois meses visitei quatro vezes cada paróquia", escreveu ele.

Por todo o bem ali feito, Santo Antônio Maria Claret conheceu de perto tanto a gratidão dos que beneficiara quanto o ódio e a perseguição. Já as provara na Espanha, mas em Cuba esta última chegou a ponto de quase matá-lo. Em princípios de 1856, terminou um fogoso sermão, saiu da igreja e caminhava pela movimentada Calle Mayor da cidade de Holguin, quando sofreu um terrível atentado. Fingindo querer beijar seu anel episcopal, aproximou-se dele um delinquente, no intuito de cortar-lhe o pescoço com uma navalha de barbear. Como, porém, ele tinha naquele momento a cabeça inclinada e cobria a boca com um lenço, o golpe o atingiu no rosto, da orelha ao queixo, e no braço direito. "Não posso explicar o prazer, o gozo e a alegria de minha alma ao ver que havia conseguido o que tanto desejava: derramar o sangue por amor a Jesus e Maria, e poder selar com o sangue de minhas veias as verdades evangélicas", foi a reação do santo Bispo. Algum tempo depois se recuperou da profunda ferida, ficando, contudo, com o rosto bastante desfigurado, e regozijava-se por poder repetir com São Paulo: "trago em meu corpo as marcas de Jesus Cristo" (Gal 6, 17).

A pena de Santo Antônio Maria Claret revela, em sua Autobiografia, os mais belos contrastes harmônicos de uma personalidade ímpar. Nomeado confessor da rainha Isabel II, partiu de La Habana para Madri, em março de 1857. Afinal pôde contemplar os progressos de sua congregação. Exerceu a nova função com total integridade, sem entrar nas intricadas questões políticas da época; mas sua benéfica influência sobre a soberana e a sociedade deu origem a uma torrente de calúnias e perseguições, que culminaram com seu exílio na França.

Antes, ele era admirado e até louvado por todos; com o desterro passou a ser desprezado pela opinião pública: "todos me odeiam e dizem que o padre Claret é o pior homem que jamais existiu e que sou a causa de todos os males da Espanha",23 chegou a afirmar.

Abrasado de caridade

Como prêmio por tanto amor a Deus, foram-lhe concedidos muitos favores místicos, entre os quais a previsão de acontecimentos futuros e a permanência eucarística: "No dia 26 de agosto de 1861, estando em oração na Igreja do Rosário, em La Granja, às 7 horas da tarde, concedeu-me o Senhor a grande graça da conservação das Espécies Sacramentais, de ter sempre, dia e noite, o Santíssimo Sacramento no peito; por isso, devo estar sempre muito recolhido e devoto interiormente; ademais, devo rezar e fazer frente a todos os males da Espanha, como me disse o Senhor".

Ancião, enfermo e cansado, ainda teve fôlego para assistir ao Concilio Vaticano I e ali comoveu a assembleia com seu discurso em defesa da infalibilidade pontifícia. Em 24 de outubro de 1870, de regresso à França, abrasado de caridade e fugindo de seus perseguidores, entregou sua alma a Deus no Mosteiro Cisterciense de Fontfroide.

Este belo trecho de uma ardente oração por ele composta no noviciado jesuíta resume a sede de almas que o consumia no curso de toda a sua vida: "Como se dirá que tenho caridade ou amor a Deus se, vendo meu irmão em necessidade, não o socorro? [...] Como terei caridade se, sabendo que lobos vorazes estão degolando as ovelhas de meu Senhor, me calo? Como terei caridade se emudeço ao ver como roubam as joias da casa de meu Pai, joias tão preciosas que custaram o Sangue e a vida do próprio Deus, e ao ver que atearam fogo à casa e à herança de meu amadíssimo Pai? Ah! Minha Mãe, não posso calar-me em tais ocasiões. Não, não me calarei, mesmo sabendo que serei despedaçado [...]. E se ficar rouco ou mudo de tanto gritar, levantarei as mãos aos Céus, se eriçarão meus cabelos e baterei os pés no chão para suprir a falta de minha língua. Portanto, minha Mãe, desde já começo a falar e a gritar, e recorro a Vós. Sim, a Vós, que sois Mãe de misericórdia: dignai-Vos socorrer em tão grande necessidade; não me digais que não podeis, pois sei que na ordem da graça sois onipotente. Dignai-Vos, eu Vos suplico, dar a todos a graça da conversão, pois sem esta nada faríamos, e então me enviai e vereis como se convertem".



(Revista Arautos do Evangelho, Outubro/2015, n. 165, pp. 34 à 37)

Beato Justo Takayama Ukon, Leigo e Mártir (em breve sua beatificação). Um samurai santo.



Um samurai será elevado aos altares, após reconhecimento de seu martírio.

Takayama Ukon, foi um samurai que viveu durante o século XVI e, como o Papa Francisco aprovou em 22 de janeiro o decreto que reconhece seu martírio, será declarado beato e entrará na lista de católicos japoneses que preferiram morrer a renunciar a sua fé.

Inclusive, antes de morrer deixou tudo por Cristo. Renunciou a sua alta posição social e as suas riquezas: era dono de extensas propriedades e comandava grandes exércitos.

Pe. Anton Witwer, S.J., Postulador Geral da Companhia de Jesus (jesuítas), explicou anteriormente ao Grupo ACI que embora o samurai Takayama tenha morrido no exílio, seu martírio consistiu em “morrer por causa dos maus tratos que sofreu em sua pátria, por isso o processo de beatificação é o de um mártir”.


Segundo o Pe. Witwer, a vida de Takayama exemplifica “a grande fidelidade da vocação cristã, ele perseverou apesar de todas as dificuldades”.

Em 2013, a Conferência Episcopal Japonesa enviou uma solicitação de 400 páginas para a beatificação do mártir samurai à Congregação para as Causas dos Santos. Agora que este decreto foi aprovado, o processo da beatificação está em caminho.



A vida do samurai

Takayama nasceu em 1552, três anos depois que o missionário jesuíta São Francisco Xavier introduziu o cristianismo no Japão. Um dos conversos foi seu pai, que o batizou quando tinha 12 anos com o nome de Justo pelo sacerdote jesuíta Pe. Gaspare di Lella.



 


Os Takayama eram daimio, membros da classe governante dos senhores feudais que secundavam os shogun, desde a época medieval até o início da era moderna no Japão. Pelo fato de serem daimio, possuíam várias propriedades e tinham direito a formar exércitos e contratar samurais.

Por isso, os Takayama ajudavam nas atividades missionárias no Japão e eram protetores dos cristãos e dos missionários jesuítas.


Em 1587, quando o samurai completou 35 anos, o Chanceler do Japão, Toyotomi Hideyoshi, começou uma perseguição contra os cristãos: expulsou os missionários e obrigou os católicos japoneses a abandonar a fé.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Beata Francisca da Encarnação, Virgem e Mártir (Guerra Civil Espanhola, 1937).



Maria Francisca Espejo y Martos nasceu no dia 2 de fevereiro de 1873 em Martos, Espanha; pertencia a uma família humilde, era sobrinha de uma monja trinitária, Irmã Maria do Rosário. Ao ficar órfã muito jovem, Francisca entrou como educanda no convento de Martos, ficando sob a proteção da tia; na adolescência sentiu desejo de permanecer no convento como monja e pediu para ser admitida na comunidade.
     Em 2 de julho de 1893 recebeu o hábito e em 5 de julho de 1894 emitiu sua profissão religiosa tomando o nome de Irmã Francisca da Encarnação.
     Durante anos nada pressagiava a tormenta que se avolumava no horizonte até que as chamas devoraram as igrejas de Nossa Senhora da Vila e de Santo Amador na fatídica madrugada de 18 para 19 de julho de 1936. Dois dias depois, o convento das Trinitárias se tornava alvo dos perversos sanguinários, que o invadiram e deixaram as religiosas desprovidas de tudo; elas foram obrigadas a recorrer às pessoas generosas.
     Irmã Francisca da Encarnação e sua tia encontraram refúgio na casa de seu irmão, Ramón. Ali levavam uma vida muito similar ao do convento, entre orações e trabalhos e auxiliando nas tarefas da família.
     Em 12 de janeiro de 1937, uns milicianos se apresentaram e prenderam as duas monjas e a cunhada de Irmã Francisca. Seu irmão havia sido preso e liberado. Irmã Rosário tinha mais de 80 anos; sua sobrinha, Irmã Encarnação, tinha quase 64. Devido à idade, deixaram Irmã Rosário voltar para casa.
     Irmã Francisca Encarnação foi posta no cárcere por erro: os revolucionários haviam decidido fuzilar as superioras dos três conventos femininos de Martos, no caso das Trinitárias se enganaram de monja. No calabouço Irmã Francisca e outras religiosas unidas em oração se amparavam mutuamente e se consolavam com o exemplo dos primeiro mártires.
     No dia 13 de janeiro elas foram obrigadas a subir numa camioneta e foram conduzidas a vários quilômetros de distância de sua cidade natal, concretamente a Casillhas de Martos. A baixeza e a brutalidade dos assassinos se mostraram com toda sua crueza quando, depois de fuzilar covardemente vários homens que tinham capturado, se propunham a violentar as três religiosas. Elas se defenderam com unhas e dentes. Em meio a brutal luta, os verdugos, contrariados e impotentes para realizar seus propósitos, deixaram no corpo abandonado da Beata os sinais de sua ferocidade.

Corpo incorrupto da mártir. Face protegida por uma máscara
de cera. 

     

Seus restos mortais foram exumados no início de julho de 1939 e foram levados para a igreja das monjas trinitárias. Em 1986 eles foram reconhecidos e se conservavam incorruptos. Novamente eles foram reconhecidos por ocasião de sua beatificação. Bento XVI a beatificou em 28 de outubro de 2007. Seu corpo incorrupto se conserva no Mosteiro da Santíssima Trindade de Martos.


Fonte (com permissão):  http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2016/01/beata-francisca-da-encarnacao-martir-de.html

domingo, 24 de janeiro de 2016

SANTA TERESA COUDERC, Virgem e Co-Fundadora.




No dia 2 de fevereiro de 1805, os sinos de Sablières, um recanto perdido do Alto-Ardèche, anunciaram a entrada na Igreja de Maria Vitória, que nascera na véspera no lar de Cláudio Couderc e Ana Méry.
A infância de Maria Vitória transcorreu no amor de uma família modesta, mas muito unida; era a segunda dos 10 filhos. Por João, o mais velho de seus oito irmãos, que viria a ser padre, Maria tem uma afinidade especial.
Aos 17 anos, seus pais puderam enviá-la para o colégio das Irmãs de São José, em Vans. Maria sente cada dia mais a sede de conhecer e amar a Deus.
Na primavera de 1825, o pai vai buscá-la em Vans. Toda a família ia participar de uma missão que aconteceria em Sablières para estimular a fé e a vida cristã da paróquia. Os pregadores vinham de Lalouvesc, centro de Missões diocesanas e de peregrinações.
Entre os pregadores, o Padre Estevão Terme, apóstolo inflamado, a quem Maria Vitória confia seu desejo de ser toda de Deus. Ele reconheceu nela as disposições naturais e sobrenaturais que a tornavam capaz de um amor absoluto. “Dêem-ma e farei dela uma religiosa”, disse ele a Cláudio Couderc.
Em Lalouvesc, o túmulo de São Francisco Régis atraía as multidões, e o padre Terme via com pesar que as peregrinações eram ocasião de desordens. Tomou então a iniciativa de abrir uma casa destinada a acolher senhoras e moças, casa que confiou a algumas das Irmãs de São Régis, pequena Comunidade fundada por ele.
 Em 1826, Maria Vitória ingressa no pequeno noviciado de Vals, onde, sob a direção da Irmã Clara, o Padre Terme reunia as vocações colhidas nas suas andanças apostólicas. Maria Vitória recebe o nome de Irmã Teresa. Em 1826-27, nascia a Congregação de Nossa Senhora do Retiro no Cenáculo, em Lalouvesc, no meio de um povo cuja fé fora abalada pela ignominiosa Revolução Francesa.
Em 1828, os acontecimentos o levam o Padre Terme a nomear Irmã Teresa como Superiora, se bem que esta tivesse apenas 23 anos. Durante esse tempo, aos olhos dos homens, Madre Teresa capina os jardins, lava a louça, mergulha no silêncio e na sombra. Como a semente, escondida na terra, morre para virem os frutos.
Madre Teresa logo percebeu que o acolhimento dado a qualquer pessoa que se apresentasse era incompatível com as exigências de uma vida religiosa e um serviço apostólico autênticos. Pediu e obteve permissão do Padre Terme para serem recebidas apenas as peregrinas que aceitassem fazer de sua estada um tempo de oração mais intenso; ela sugeria de 3 a 9 dias de retiro.
No outono de 1829, ao fazer seu próprio retiro, o Padre Terme descobre os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Ficou entusiasmado e quis que as Irmãs também os experimentassem imediatamente. Em seguida ordenou-lhes utilizar daí em diante, junto às pessoas acolhidas na Casa, esta forma de retiro que unia tão intimamente a experiência de oração e a reflexão sobre os mistérios da fé.
Conduzidos pelo Espírito de Deus, que lhes indicava o retiro e a instrução religiosa como os meios para atingir seus objetivos, os fundadores visavam a renovação da fé e a extensão do Reino de Deus.
Em 1831, o Padre Terme consagra os bens e as pessoas da comunidade ao Sagrado Coração de Jesus pelas mãos de Maria Santíssima. Em 1832, Madre Teresa se torna superiora geral de todas as comunidades fundadas pelo Padre Terme; Lalouvesc torna-se então a Casa Mãe.
O Padre Terme inicia uma missão em Viviers, depois vai a Lanarce, e finalmente a sua aldeia natal, Le Plagnal. Ali, esgotado por seu intenso ministério e minado pela febre, falece no dia 12 de dezembro de 1834, na idade de 43 anos. Em seu testamento ele confia sua obra a Madre Teresa, que tinha então 29 anos.
Madre Teresa pediu então ao bispo que a comunidade fosse confiada ao Padre Renault, o Provincial dos Jesuítas da França. Ela dirige a pequena Congregação com o apoio dos jesuítas e colabora com eles.
Alguns anos de paz e de vida apostólica são quebrados pela separação dolorosa das Irmãs de São Regis, que iam cuidar das escolas, e as Irmãs do Retiro (mais tarde Nossa Senhora do Cenáculo).
Esgotada, Madre Teresa adoece e deve repousar em Nossa Senhora d’Ay. Em 15 de agosto de 1837, em sua oração, Madre Teresa foi impelida a confirmar e ampliar um ato do Padre Terme, consagrando novamente a Congregação a Nossa Senhora. Com profunda humildade, percebeu o que lhe parecia ser a vontade de Deus: entregou-se a ela plenamente e demitiu-se de toda autoridade.
Em outubro de 1838, de acordo com o Bispo de Viviers, o Padre Renault demite Teresa e nomeia a Sra. de Lavilleurnoy, uma viúva que entrara na comunidade. Logo o Padre Renault se deu conta de seu erro e a demite. Ela deixara a comunidade em plena desordem.
O Padre Renault estava prestes a dar novamente a responsabilidade da Congregação a Teresa, mas ela se esconde no silêncio e na humildade, e encoraja as Irmãs a elegerem Madre Charlotte Contenet. Esta consegue reverter a situação e a Congregação se desenvolve. Mas, ela confina Teresa nos trabalhos mais humildes e penosos, mantendo-a a distância da comunidade.
Teresa e uma outra Irmã são enviadas para limpar uma casa que seria usada em um projeto de fundação em Lyon. Vendo que o local não era conveniente, ela toma a iniciativa de procurar um outro local e de assinar a compra de um terreno na colina de Fourvière. Madre Contenet descobre então as capacidades e o devotamento de Teresa, que recupera sua confiança.
Em 1844, uma comunidade se instala em Fourvière e Teresa é nomeada assistente. A Congregação adota o nome de Nossa Senhora do Cenáculo. Em 1850, uma fundação feita em Paris tem uma superiora que fomenta um projeto de cisão. Teresa é enviada a Paris para conter a crise e acalmar os espíritos. No final de 1856, ela se torna superiora da comunidade de Tournon. Em 1860, é nomeada assistente da superiora de Montpellier.
Em 1867, Madre Teresa volta para Lyon, que não deixaria mais. Embora não tenha mais funções de autoridade, ela continua envolvida no apostolado: encarregada dos catecismos; da formação dos adultos e dos adolescentes, preparando-os para os sacramentos; ela acompanha as retirantes.
Madre Teresa se vê mais e mais cercada de estima e de afeição; as retirantes bem como as Irmãs se beneficiavam de todos os recursos de seu coração, da sua oração e da sua experiência.
Em 1877, a nova superiora geral, sabedora das diversas crises enfrentadas pela Congregação, faz reconhecer oficialmente Madre Teresa como sua co-fundadora com o Padre Terme. Em 1878, católicos leigos são ligados a Congregação.
Santa Teresa Couderc morre no dia 26 de setembro de 1885, no Cenáculo de Fourvière. Seu corpo é transferido para Lalouvesc.


 Ela foi declarada Beata por Pio XII em 4 de novembro de 1951, e canonizada no dia 10 de maio de 1970 por Paulo VI. A aldeia de Lalouvesc (Ardèche), local de peregrinação a São João Francisco Regis, tornou-se também local de peregrinação a Santa Teresa Couderc.
A aprovação definitiva das Constituições da Congregação pela Santa Sé, que ocorreu em 1886, confirmou a orientação da fundação e reconheceu sua missão na Igreja.

     Meu Deus, fazei que eu Vos ame como me amastes, que eu Vos ame como o mereceis, que eu Vos ame no tempo e na eternidade. Senhor Jesus, eu me uno a vosso Sacrifício perpétuo, incessante, universal. Eu me ofereço a Vós por todos os dias de minha vida e por todos os instantes  do dia, conforme vossa santíssima e adorável vontade. Fostes a vítima de minha salvação, quero ser a vítima de vosso amor. Atendei meu desejo, aceitai minha oferta, ouvi minha oração. Que eu viva de amor, que eu morra de amor, e que o último pulsar de meu coração seja um ato do mais perfeito amor. Assim seja!
    

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ENTREGAR-SE

“Várias vezes, Nosso Senhor já havia me dado conhecer o quanto era útil, para o progresso de uma alma desejosa de perfeição, ENTREGAR-SE sem reserva à ação do Espírito Santo. Mas, nesta manhã, a divina Bondade dignou-se me agraciar com uma visão toda particular. Estava me preparando para começar minha meditação, quando ouvi o ressoar de vários sinos chamando os fiéis para assistir aos divinos Mistérios. Neste momento, desejei unir-me a todas as missas que estavam sendo celebradas e com este intuito, dirigi a minha intenção para que participasse de todas elas. Tive então uma visão geral de todo o universo católico e de uma profusão de altares nos quais se imolava, ao mesmo tempo, a adorável Vítima.
O Sangue do Cordeiro sem mancha corria abundante sobre cada um desses altares que me pareciam envoltos numa leve fumaça que subia para o céu. Minha alma era tomada e penetrada por um sentimento de amor e de gratidão à vista dessa tão abundante satisfação a nós oferecida por Nosso Senhor. Mas também surpreendia-me muito o fato de que o mundo inteiro não se achasse santificado em conseqüência. Perguntava-me como era possível que o Sacrifício da Cruz, oferecido uma só vez, tenha sido suficiente para salvar todas as almas e que, renovado tantas vezes, não bastasse para santificá-las todas. Eis a resposta que julgo ter ouvido: - O Sacrifício é sem dúvida suficiente por si mesmo e o Sangue de Jesus Cristo mais que suficiente para a santificação de um milhão de mundos, mas às almas falta corresponder generosamente. Pois o grande meio para entrar na via da perfeição e da Santidade – é o de ENTREGAR-SE ao nosso Bom Deus.
Mas que significa ENTREGAR-SE? Percebo toda a extensão desta expressão “ENTREGAR-SE”, porém não posso explicitá-la. Sei apenas que é muito extensa e abrange o presente e o porvir.
ENTREGAR-SE é mais que se dedicar; é mais que se doar; é até maior que se abandonar a Deus.
ENTREGAR-SE, finalmente, significa morrer a tudo e a si mesmo, não se preocupar mais com o EU a não ser para mantê-lo sempre orientado para Deus.
ENTREGAR-SE é ainda mais que não se procurar a si mesmo em nada, nem no espiritual, nem no corporal; quer dizer deixar de procurar a satisfação própria, mas unicamente o bel-prazer divino.
É preciso acrescentar que “ENTREGAR-SE” significa, também, esse espírito de desapego que não se prende em nada, nem nas pessoas, nem nas coisas, nem no tempo, nem nos lugares. É aderir a tudo, submeter-se a tudo.
Mas, talvez se acredita que isso seja muito difícil de se conseguir. Desenganem-se, não existe nada mais fácil de se fazer e nada tão suave de se praticar. Tudo consiste em fazer uma só vez um ato generoso, dizendo com toda a sinceridade de sua alma: “Meu Deus, quero ser inteiramente seu (sua), queira aceitar minha oferenda”. E tudo será dito.
Permanecer de agora em diante nesta disposição de alma e não recuar diante de nenhum dos pequenos sacrifícios que possam servir ao nosso progresso em virtude. Lembrar-se que SE ENTREGOU.
Rogo a Nosso Senhor que forneça o entendimento desta expressão a todas as almas desejosas de Lhe agradar, inspirando-lhes um meio de santificação tão fácil. Oxalá fosse possível compreender de antemão toda a suavidade e toda a paz que se desfruta quando não se guarda reserva com nosso Bom Deus!
De que forma Ele se comunica com a alma que O procura com sinceridade e que soube ENTREGAR-SE. Experimentem e vereis que lá é que se acha a felicidade procurada em vão alhures.

A alma entregue encontrou o Paraíso na Terra, pois ali goza esta paz suave que constitui em parte a felicidade dos eleitos”.

sábado, 23 de janeiro de 2016

SÃO SALVADOR DE HORTA, Irmão Franciscano e Taumaturgo.



Este santo é realmente uma figura ímpar, um santo muito pobre, humilde, quase analfabeto, desprezado e até perseguido antes de ser reconhecido como o “grande taumaturgo do século XVI”.

Nascido na Espanha, em Santa Colomba de Farnés, perto de Gerona, em dezembro de 1520, de uma família pobre, pobre continuou ao longo de sua vida. Ficou órfão quando era adolescente. Deixou sua terra natal para procurar trabalho em Barcelona, onde aprendeu o ofício de sapateiro no qual poderia se sustentar e também ajudar no sustento de sua irmã mais nova, Blasia. Uma vez casada sua irmã, Salvador foi seguir sua vocação à vida religiosa. De Barcelona, foi para a Abadia de Montserrat, onde foi recebido pelos beneditinos, que esperavam tê-lo como um dos seus “irmãos conversos” (que não participam do coro), mas a vocação de Salvador foi de extrema pobreza e humildade, por isso não vestiu o hábito beneditino, mas, retornou a Barcelona e tomou o hábito franciscano.

Em 03 de maio de 1551 foi recebido no convento de Barcelona, onde ele rapidamente chamou a atenção dos religiosos por sua grande piedade e humildade. A ele foram confiados os trabalhos mais simples e cansativos. Ao redor deste irmão humilde do convento, os milagres começaram a aparecer cada vez mais numerosos e barulhentos.

Tanta humildade incitou o ódio do maligno, que odeia essa virtude de forma especial. Logo se viu diante da falta de compreensão de seus confrades e da hostilidade religiosa de seus superiores. Pensavam que o pobre irmão estava possesso pelo demônio. Foi isolado e, para ser “libertado do demônio” foi exorcizado. Mas, os milagres continuaram e o desconcertante caso foi levado para a Inquisição, que não se pronunciou. Ao contrário, o povo foi mais lúcido que os próprios frades para reconhecer a santidade e a ação do Espírito Santo em Frei Salvador. O Senhor e a Virgem Maria dignaram-se consolá-lo com êxtases e visões. 

Em torno do irmão desprezado se juntou uma multidão de carentes, doentes, aflitos, entre os quais se multiplicaram os feitos prodigiosos. Para removê-lo da curiosidade popular, Frei Salvador foi transferido de convento para convento. Ele sempre manteve a paz e serenidade em sua longa e humilhante peregrinação, feliz em seu trabalho cotidiano e mergulhado em fervorosa oração.

Finalmente foi transferido para o mosteiro de Santa Maria de Jesus, onde para finalmente encontrou um verdadeiro paraíso de paz, nos últimos dezoito meses de sua vida. Morreu aos 47 anos em Cagliari, em 18 de março de 1567. Seu túmulo tornou-se famoso por seus milagres. A santidade que não foram capazes de reconhecer seus irmãos, sempre foi reconhecida pelo povo de Deus em todos os lugares onde foi enviado Frei Salvador.
Atualmente, seu corpo é venerado na igreja de Santa Rosália. Foi solenemente canonizado por Pio XI em 17 de abril de 1938.







Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Serva de Deus Magdalena Gornik, Virgem e Mística (uma das maiores dos séculos XIX).


Retrato pintado de Magdalena Gornik, uma das
maiores místicas da História da Igreja
Uma mulher eslovena que viveu 47 anos sem qualquer alimento terrestre e que trouxe as marcas das feridas de Cristo, fazendo reparação a Deus por todas as afrontas ao seu infinito Amor.


Magdalena Gornik nasceu em 1835 em uma família de pobres agricultores, na aldeia de Janeži, parte da freguesia eslovena de Gora, perto de Sodražica, que fica cerca de 50 Km ao sul de Ljubljana, a capital do país.
Seus pais eram cristãos devotos e honestos, que trouxeram ao mundo seus sete filhos com esse mesmo espírito cristão. Magdalena foi, acima de tudo, uma garota da fazenda normal, ajudando seus pais com o trabalho agrícola, desfrutando da companhia de seus amigos, sendo-lhes carinhosa e amigável.
Na primavera de 1847, quando Magdalena tinha doze anos, a Providência divina interveio em sua vida de uma forma especial. A Mãe de Deus apareceu-lhe enquanto ela caminhava para um campo para fazer uma tarefa para sua mãe. Nossa Senhora apareceu-lhe como uma camponesa, perguntando a ela se ela oferecia o trabalho diário a Deus e se amava a Jesus. Magdalena respondeu que sim, que oferecia a Deus o trabalho cotidiano  e que Jesus é quem sabe se ela O ama. Magdalena não reconheceu a mulher, pensando que a senhora era uma mulher simples da fazenda, já que estava vestida com trajes típicos da região. A mulher então apresentou-se como a Mãe de Jesus e de todos os povos. Ela indicou a sua intenção de ensinar a Magdalena as razões para seu trabalho e para quem deveria oferecer seu trabalho. Nossa Senhora disse para Magdalena amar a seu Filho, Jesus, mais e mais intensamente. Ela ensinou a Magdalena que ela deveria agradecer a Deus por toda a Sua bondade e oferecer todo o seu trabalho a Ele.
Esta visão tocou profundamente o coração de Magdalena. Ela, ainda com mais fervor, preparou-se para sua Primeira Comunhão. Magdalena recebeu a Primeira Comunhão nesse ano e foi ainda mais agraciada com uma locução interior de Cristo, que lhe disse que ela não contasse a ninguém sobre o amor intenso pela Sagrada Comunhão que ela tinha demonstrado. Com o passar dos anos foi crescendo ainda mais na piedade. Seu coração ia se tornando ainda mais inflamado de amor por Jesus e por cada Santa Missa. Começou a frequentar a escola dominical, mas não por muito tempo.
Durante o Advento de 1847, Magdalena começou a sentir-se muito mal. Em janeiro de 1848, seu estado de saúde tinha piorado a tal ponto de necessitar permanecer na cama. Suportava dores terríveis com paciência incomum. Nem suspiros ou reclamações: nenhum outro sinal de má vontade era observado nela. Não tomava qualquer tipo de medicamento. A dor aumentou gradualmente, tornando-se ainda pior em agosto de 1848. Suas pernas estavam paralisadas.
Em 02 de agosto de 1848, Magdalena teve a segunda aparição da Mãe de Deus ao acordar de um desmaio, devido à sua dor física. A Virgem apareceu-lhe com a tez pálida e um olhar triste, porém cheio de amor. Nossa Senhora disse-lhe que quando ela sofresse alguma dor, deveria suportá-la pacientemente, oferecendo toda a dor a Deus e que em tais ocasiões ela deve pensar no sofrimento de Jesus. Que ela deve confiar tenazmente em Jesus: dEle ela iria receber tudo. “No futuro, minha filha, você receberá sua comida da parte de Deus. Não sofrerá mais fome e nem sede”.
Com esta aparição da Mãe de Deus, Magdalena foi quase completamente curada. Apenas suas pernas ficaram paralisadas. Em 11 de agosto de 1848, ocorreu o primeiro dia de êxtase místico de Magdalena. Em espírito, foi transportada para um caminho escuro, íngreme, estreito e espinhoso. Em seguida, ouviu uma voz: “se você quer ir para o Céu, deve percorrer este caminho”.
Magdalena decidiu, então, que iria aceitar esse convite do Senhor: “com prazer, com prazer vou continuar nesse caminho”. A partir do dia 24 de agosto, experimentou êxtases e visões de forma regular até sua morte em 1896. Sua missão espiritual havia começado: sofrer para a expiação dos pecados e para convocar as almas à expiação. De 25 de setembro até sua morte, Magdalena não consumiu mais nenhum alimento terrestre, com exceção de algumas gotas de água. Sua comida era apenas a Sagrada Eucaristia e um “alimento místico” extraordinário que ela recebia durante os êxtases. Em seguida, na quarta feira antes do Advento de 1848, Magdalena recebeu os estigmas.
Entre 1848 e 1853 uma série de fenômenos místicos acompanhavam os êxtases e visões de Magdalena, confirmando que Deus estava falando através dela. Enquanto estava em êxtase, Magdalena exortava os assistentes, convidando-os todos à penitência, conversão e reparação das ofensas e por suas deficiências na demonstração de amor a Deus. Algumas vezes alertava para possíveis castigos de Deus caso a conversão não ocorresse. Outra confirmação foram suas declarações sobre o principal objetivo de nossa vida terrena: a redenção de cada indivíduo, e, com isso, a visão de Deus e a glorificação junto a Ele. Durante esse período, as autoridades seculares e alguns sacerdotes haviam maculado o bom nome dela, perseguindo-a através de cartas ao bispo e em artigos de jornal. A Igreja, ou melhor, o senhor bispo de Ljubljana, Dom Lobo, defendeu-a contra as autoridades seculares, convencido que estava de sua inocência (que ela não era uma impostora) e de sua piedade. A partir do dia 02 de março a 11 de abril de 1852, ocorreu uma investigação na paróquia de Sodražica. O pároco de Sodražica, Pe. Lesjak, e outros sacerdotes nas proximidades que tinham ficado em “estado de choque” e descrença em relação a Magdalena, tornaram-se convencidos da autenticidade dos fenômenos místicos e que Magdalena não era uma impostora.
Em 09 de abril de 1855, Deus curou as pernas de Magdalena depois de 07 anos de paralisia e ela caminhou novamente. No entanto, em uma visão, Jesus disse-lhe que, apesar desta cura, ela não ficaria sem sofrimento neste mundo. 
Em 1867, o pároco da paróquia de Fara, próxima a Bloke, Pe. Janez Kaplenek, aceitou Magdalena e duas de suas irmãs (Apolônia e Maria) para trabalharem na reitoria. Magdalena viveu lá até a morte de Pe. Kaplenek em 1893. Durante esse período, êxtases, visões e outros fenômenos místicos continuaram acontecendo. As autoridades seculares, que novamente a perseguiam, causaram-lhe grandes sofrimentos. Além disso, as línguas caluniosas e maliciosas se ofenderam com os fenômenos místicos e físicos incomuns, causando-lhe grande sofrimento moral.
Neste ínterim, muitas pessoas educadas, entre elas importantes dignitários eclesiásticos e seculares, testemunharam seus êxtases e o compartilhamento místico que experimentava com os sofrimentos de Cristo, especialmente durante a Semana Santa.
Em Bloke, Dr. Francis Lampe, importante filósofo esloveno, teólogo, escritor e editor, estabeleceu contato com ela e a acompanhou quase até o fim de sua vida. Magdalena e suas irmãs mudaram-se para Gora, perto de Sodražica, após a morte do Pe. Kaplenek. Elas viviam juntas na aldeia de Petrinci, onde ela continuou a viver sem comida, recebendo apenas a Sagrada Eucaristia e a comida “mística” não-ordinária, compartilhando com Cristo seus sofrimentos.
Como é de se esperar nestes casos, muitas pessoas vinham até ela com grande desejo de visita-la. Ao longo dos anos, enquanto estava em êxtase, foi repetidas vezes dito pela Mãe Santíssima e por Jesus que os dons espirituais que ela experimentava foram dados por Deus para a conversão das almas e reparação dos pecados.  Magdalena dizia que sem essa conversão, as pessoas iriam suportar grande sofrimento. Foi instruída pelo Senhor a partilhar este aviso e convite à conversão com outras pessoas.
Durante sua vida, Magdalena era ativa em sua comunidade e na igreja paroquial. Ela era professora na escola da comunidade e foi ativa socialmente como amiga e conselheira espiritual de seus alunos. O dinheiro que ganhava de salário, o dava para uma escola de crianças pobres.
Quando Magdalena estava doente, perto do fim de sua vida, uma de suas irmãs mais novas havia expressado preocupação com o grande número de pessoas que seriam, em tese, esperadas para assistir a seu funeral. Magdalena tranquilizou-a dizendo: “fique em paz, pois nosso Deus amoroso vai fazer tudo dar certo”.
Sua santa morte ocorreu no dia 23 de fevereiro de 1896, primeiro domingo da Quaresma (domingo de ramos), aos 60 anos de idade, possivelmente por tuberculose (até então não diagnosticada). Poucas horas antes de sua morte, suas irmãs vendo sua extrema fraqueza, perguntaram-lhe se não gostaria que lhe fizessem companhia. Magdalena respondeu que “não precisava, pois Jesus e Maria iriam cuidar dela”.
No dia de seu funeral, em 26 de fevereiro, confirmou-se a profecia predita por Magdalena. Aconteceu uma nevasca tão extraordinariamente pesada que apenas algumas pessoas locais foram capazes de estar presentes. Magdalena foi sepultada no cemitério da Igreja de Gora, na aldeia de Petrinci, no túmulo de seus pais.

No presente momento, há um renascimento de sua memória na Eslovênia, com peregrinos indo à sua sepultura e orando por sua intercessão. Tem havido relatos de famílias resolverem problemas familiares, a cura de doenças físicas, a recuperação do alcoolismo, a obtenção de trabalho necessário e sucesso escolar.

Nas últimas três décadas, ocorreu grande incremento da devoção
popular à Serva de Deus e afluência de peregrinos ao
seu túmulo. São muitos as curas, graças e milagres atribuídos
à sua intercessão. 


Esse avivamento é consistente com uma revelação feita por Stanislav Lenic, bispo da diocese de Ljubljana (1968-1991) que revelou seu conhecimento, como o de outros, que Magdalena havia previsto que seis gerações após sua morte milagres iriam ocorrer através de sua intercessão. Dom Anton Stres, atual bispo de Ljubljana, deu permissão para começar a preparação para a possibilidade da abertura do processo de investigação e para o reconhecimento da santidade de Magdalena. Além disso, a Conferência dos Bispos Eslovenos “deu sua recomendação de que a vida de Magdalena se tornasse conhecida”, o que se realizou concretamente na forma de um livro em língua eslovena: “Magdalena Gornik”. O livro, atualmente, está sendo traduzido para o inglês.


Fenômenos místicos na vida de Magdalena Gornik
Aqui vamos enumerar e descrever apenas alguns fenômenos místicos que ocorreram em sua vida. Tudo o que será mencionado aqui é historicamente atestado em documentos e arquivos que dizem respeito à sua vida. A maior parte do material de arquivo sobre Magdalena Gornik pode ser encontrado no Arquivo Arquidiocesano de Ljubljana.


1.    Êxtases
O primeiro êxtase de Magdalena ocorreu no tinha apenas 13 anos. A partir de 24 de agosto de 1848, até sua morte em 23 de fevereiro de 1896, ela entrava em êxtase todas as noites. Às vezes, entrava em êxtase várias vezes ao dia. Seus êxtases, às sextas feiras, que duravam 03 horas, e aqueles durante a Semana Santa, eram particularmente especiais. Além disso, algumas vezes, seus êxtases duravam vários dias, até mesmo toda a semana. Na verdade, a duração do êxtase dependia da festa ou da sacralidade do tempo, ou seja, o êxtase coincidia de forma espiritual com o Ano Litúrgico e as Festas Litúrgicas da Igreja. Magdalena entrava em êxtase em cada Missa. Enquanto em êxtase, Magdalena sabia quando o padre que levava a Santa Eucaristia estava perto dela, tanto que, mesmo sem ver o padre com os olhos naturais, virava-se em direção a ele e se ajoelhava em adoração. Permanecia, assim, em reverente adoração à presença santíssima do Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo. 
Magdalena era capaz de contar tudo que acontecia em seus êxtases. Na verdade, distinguia claramente o momento no qual estava consciente, antes do êxtase, e quando estava totalmente absorta pelo êxtase. Cada um de seus êxtases envolveu visões. Durante o êxtase, seu corpo não era sensível a quaisquer estímulos externos.
Quando estava em êxtase, frequentemente participou de sofrimentos místicos. Mesmo durante os últimos anos de sua vida, sofria particularmente perto do final de cada êxtase. Na ocasião, por vezes os estigmas se abriam.


2.    Visões
O conteúdo das visões de Magdalena era muito diversificado. Correspondia às estações do Ano Litúrgico. Magdalena teve visões durante praticamente toda a sua vida, incluindo o dia anterior à sua morte. Nas visões, viu e teve colóquios com Anjos, com a Virgem Maria, com a Santíssima Trindade e com alguns Santos.  As visões de Anjos quase sempre eram ligadas a uma visão da Virgem Maria ou da Santíssima Trindade. Os Anjos, frequentemente, davam várias instruções a Magdalena, especialmente relativas à veneração para com a Virgem Maria e a adoração a Deus. Muitas vezes chorou por aqueles que não creem.
A Virgem Maria muitas vezes falou com ela sobre a humildade, a obediência e a necessidade de implorar ao Espírito Santo a luz e a coragem de sofrer com alegria e paciência.
Frequentemente, a Mãe do Senhor convidava Magdalena a meditar sobre o sofrimento e morte de Jesus. Magdalena por muitas vezes viu Maria exercendo sua onipotência suplicante diante de seu Filho em nome de toda a humanidade.
Muito frequentemente, especialmente às sextas-feiras e durante a quaresma, Magdalena esteve presente à Paixão e Morte de Jesus, através de visões que lhe mostravam seus sofrimentos assim como os Evangelistas haviam descrito. Particularmente nas visões durante a Quaresma ela estava presente e participava plenamente na Santa Ceia de Jesus bem como estava presente e participava de seus sofrimentos e de sua santa morte de cruz.
Na Páscoa, ela testemunhou a ressurreição de Jesus e, mais tarde, sua ascensão ao Céu. Quando ela estava em casa, muitas vezes ela assistiu a Santa Missa na igreja local por meio de uma visão.


3.    Comunhão Mística
Magdalena recebia a comunhão sacramental, ou seja, a Sagrada Comunhão, da mesma forma como todos os católicos podem receber a Eucaristia, mas, algumas vezes, recebia a comunhão mística, fenômeno que foi experimentado apenas por alguns santos.
Diariamente, ela recebia a Comunhão sacramental do padre local. Às vezes, era ele quem trazia a Santa Comunhão em sua casa, mas, na maioria das vezes ela a recebia na Santa Missa.
Porém, Comunhão mística era algo especial. Ela a recebia apenas durante um êxtase. Na ocasião, era o próprio Jesus quem dava a Si mesmo, Sacramentado, ou eram santos que haviam sido sacerdotes ou Anjos que traziam a Sagrada Espécie e a davam a ela.
Mais de mil pessoas testemunharam como, depois que ela se preparou para esta finalidade, Magdalena, de repente, encontrou-se com a Sagrada Hóstia em sua boca, sem qualquer intervenção sacerdotal e, em seguida, logo depois, eles viam um cálice “especial” próximo à sua boca e a viam beber também o Sangue do Santíssimo Salvador.
Muitos sacerdotes estavam convencidos da veracidade deste fenômeno, pois haviam-no testemunhado com seus próprios olhos. Magdalena, cheia amor e gratidão pelo Senhor, sempre agradecia fervorosamente a recepção da Sagrada Comunhão, quer de forma ordinária, quer de forma mística. Esse amor e gratidão de Magdalena, muitas vezes incitavam os presentes a serem ainda mais fervorosos e fiéis ao Senhor e incitavam-nos ao arrependimento de seus pecados e à penitência. Frequentemente, o conteúdo de todo o êxtase era apenas preparação e ação de graças pela recepção da comunhão mística.

4.    Levitação
O fenômeno de levitação no ar ocorreu muitas vezes com Magdalena, especialmente, quando ela intensamente desejava receber a Santa Comunhão. Na ocasião, devido ao forte anseio em reunir-se a Jesus vivo, seu corpo levantava-se no ar. Outras vezes, ela levitava quando o sacerdote dava uma benção com o Santíssimo Sacramento, bem como durante a morte mística que experimentava às Sextas Feiras da Paixão e sua ressurreição mística na manhã de Páscoa.

Foto raríssima da Serva de Deus em um de seus êxtases


5.    Estigmatização
Magdalena recebeu em seu corpo as marcas das feridas de Jesus quando tinha apenas 13 anos de idade. Apresentava feridas visíveis nas mãos, nos pés e no lado por 07 anos. Após esse período, ficou apenas com a do lado ainda aberta até o fim de sua vida.
No entanto, quando tinha a visão de Jesus coroado de espinhos, as feridas dos espinhos também abriam-se em sua testa. O sangue escorria por seu rosto como “córregos”. Além disso, especialmente durante a Semana Santa, quando ela acompanhava a Jesus em seus sofrimentos, ferimentos de sua flagelação também podiam abrir-se em seu corpo, ao ponto de o sangue encharcar suas roupas.
Os estigmas causaram-lhe grandes sofrimentos, mas, Magdalena nunca se queixou de dor. Ela submetia-se completamente à vontade de Deus e oferecia seus sofrimentos a Ele. Vários médicos investigaram os estigmas. Sacerdotes também a observaram. Ninguém pode descobrir qualquer sinal de artifício, fraude ou sinal de histeria. Desde seus treze anos de idade até sua morte, Magdalena não comeu nenhum alimento terreno. Assim, por quarenta e sete anos, ela viveu sem qualquer alimento. Ela não suportava o cheiro de nenhum alimento comum. Sua comida era apenas a Sagrada Eucaristia e um tipo de “alimento celestial” que ela comia apenas quando estava em êxtase. Apesar de nada comer, ela realizava com facilidade todas as suas obrigações diárias, tanto domésticas quanto no trabalho.


6.    “Comida celeste” e Cruz
Quando estava em estado de êxtase, Magdalena recebeu vários “objetos” que eram vistos não somente por ela, mas, também por outras pessoas. Um deles era um “alimento” incomum ou “celeste”, que Magdalena comia quase todos os dias no final de seu êxtase. Na maioria das vezes ela recebia durante uma visão da Virgem Maria ou dos Santos Anjos. Testemunhas relatam que eram “alimentos” que vinham na forma de uma partícula pequena ou de grânulos (seria uma espécie de “maná”?). Frequentemente era de várias cores. Em uma visão, Magdalena teria dito que recebia esta “comida” principalmente para que as pessoas acreditassem que era Deus quem falava com ela.
Particularmente interessante foi a pequena cruz que Magdalena recebeu em um êxtase e que permaneceu em seu peito, mesmo quando ela passou do êxtase para o estado normal. Esta pequena cruz permaneceu “colada ao corpo”, sem qualquer corrente ou outro prendedor, e nunca caiu no chão. Dois padres tocaram e beijaram a cruz. Um dos quais escreveu este evento e a própria cruz em uma carta endereçada a seu bispo. Magdalena recebeu durante o êxtase, à noite, após o qual permaneceu com ela durante a noite, mas, já em seu estado natural e, na parte da manhã, desapareceria. Ela, então, receberia novamente durante o êxtase da noite.


7.    Conhecimento das consciências (“cardiognose”).
Magdalena também tinha o dom de “ler as almas”, isto é, de compreender o estado interno das almas. Ela sabia que as intenções que as pessoas tinham ao visita-la ou, quando solicitada pela pessoa, revelava o estado interno de sua alma. Ela revelou o estado interno das almas de muitos padres que a pediram.  


8.    Conhecimento de outras línguas

Enquanto em êxtase, Magdalena entendeu e falou em línguas que nunca havia estudado ou ouvido antes. Tinha o domínio do grego, do caldeu, do hebraico, entre outras... 


    No YouTube tem um vídeo sobre a Serva de Deus. Infelizmente, no entanto, está em esloveno, mas, pelo menos, pelas imagens vale a pena ser visto: https://www.youtube.com/watch?v=xo4bYWojNOQ

Para quem tem domínio do inglês: 
See more at:

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