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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Beato Rolando Rivi, seminarista e mártir (o mártir da batina)



Rolando Rivi, da morte pela batina à glória dos altares: "estou estudando para ser padre e a batina é o sinal que eu sou de Jesus", dizia o jovem em resposta àqueles que lhe recomendavam o abandono da veste talar.


A Igreja concedeu ao seminarista Rolando Rivi - morto aos 14 anos pelos partiggiani, grupo comunista italiano - a glória dos altares. A cerimônia de beatificação, celebrada dia 05 de outubro de 2013, na cidade de Modena, Itália, foi presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, atual prefeito da Congregação para causa dos santos.



Rolando Rivi (à esquerda da foto) e sua
família. 
Rolando Rivi teve de enfrentar o ódio da ideologia marxista logo após o término da II Guerra Mundial. Devido à ocupação alemã do seminário em que estudava, em 1944, na Diocese de Reggio Emilia, Rivi e os demais seminaristas foram obrigados a abandoná-lo. Em casa, não só deu continuidade aos estudos, como também ao uso da batina, mesmo sendo recomendado pelos pais a não usá-la, por causa da hostilidade à religião que pairava naquela época. "Estou estudando para ser padre e a batina é o sinal que eu sou de Jesus", dizia o jovem.

A Itália enfrentava uma forte onda de terrorismo. O governo fascista amedrontava o país ao mesmo tempo em que brigadas vermelhas tinham a intenção de substituir o autoritarismo de Mussolini pelo totalitarismo de Stalin. No fogo cruzado, várias vidas foram ceifadas, dentre elas a de Rolando Rivi e mais 130 padres e seminaristas.


O martírio do rapaz deu-se a 10 de abril de 1945. Trajando a veste talar, Rolando foi alvo fácil da facção partiggiani, grupo comunista que combatia tanto os nazistas quanto os fascistas e que, também, odiavam a Fé Católica. Acabou sequestrado assim que saiu da igreja, onde acabara de assistir à Santa Missa. Permanecendo três dias sob o domínio dos torturadores, de cujas mãos recebeu maus-tratos físicos e morais, todo ferido, Revi alcançou a coroa do martírio, de joelhos, com dois tiros à queima roupa.





A propósito da beatificação, o bispo de San Marino e presidente da Comissão de Rolando Rivi, órgão responsável pelos cuidados da canonização do seminarista, declarou que "nesta causa está em jogo não só o reconhecimento da santidade de vida e do martírio de Rolando, mas muito do destino da Igreja, não só na Itália". Para Dom Luigi Negri, o testemunho do mártir beato dá à Igreja "novo sangue". "Se no corpo da Igreja circular também o sangue de Rolando Rivi, mártir simples e puríssimo assassinado por ódio à Fé com apenas 14 anos pela violência da ideologia marxista, se circular o sangue do seu testemunho de vida e do seu amor total a Jesus, nós daremos à Igreja nova energia para voltar a ser uma Igreja fiel a Cristo e apaixonada pelo homem".

A Santa Sé incluiu o Beato Rolando Rivi no Calendário Litúrgico Italiano no dia 29 de maio. A partir de agora, o jovem beato pode ser venerado publicamente em toda a Itália, especialmente na Arquidiocese de Modena, onde foi assassinado, e na Diocese de Reggio Emilia, na qual estudou o seminário. Nos demais países, a não ser que haja autorização de Roma, os fiéis podem venerá-lo somente em culto privado, enquanto ele não for declarado santo. É o primeiro seminarista proclamado beato por martírio na História da Igreja italiana.

Nestes tempos de laicização do clero, em que tanto se prega a desobediência e a intolerância às coisas santas, o martírio de Rolando Rivi lembra as belíssimas palavras de Dom Francisco de Aquino Correa (Arcebispo de Cuiabá entre os anos de 1922 e 1956): "Oh! Como o bravo envolto na bandeira, contigo hei de morrer, minha batina! Ó minha heroica e santa companheira".

Tivesse vivido mais algumas décadas, Rivi veria outros revolucionários, desta vez infiltrados dentro da própria Santa Igreja, promover o ódio e o abandono do hábito talar. Que seu sangue e seu santo e corajoso exemplo sejam semente de santas e numerosas vocações.





terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Novos Mártires. Cristãos perseguidos no século XXI: números estarrecedores (vem com imagens fortes).




No dia seguinte à Festa de Santo Estêvão, primeiro mártir do Cristianismo e na véspera da Festa dos Santos Inocentes, protomártires de Cristo, trago essa importante e preocupante matéria publicada no site "Aletéia" sobre a perseguição atroz que os cristãos sofrem em nosso século. Cristãos perseguidos no século XXI: os números são estarrecedores! "Sangue de mártires, semente de novos cristãos", já dizia Tertuliano. No entanto, supliquemos aos Céus que essa carnificina, mesmo sendo semente de santidade para a Igreja, cesse em breve.



O ser humano teima em não aprender com a própria historia. Como se já não fossem absurdas todas as guerras que houve entre religiões e todas chacinas racistas que procuraram dizimar outros povos, hoje nos vemos, em contraste com níveis altíssimos de desenvolvimento da civilização, no meio de mais uma explosão de cruéis perseguições religiosas.

É necessário que a sociedade seja bem informada e que nós, cristãos, não ignoremos a dimensão deste horror. Mas não para “jogar lenha na fogueira”, provocando reações que piorem o nível de violência, e sim para responder como cristãos, com fortaleza, dignidade e exigência de soluções de paz. Todos os cristãos atualmente perseguidos e martirizados devem ser, para nós, um profundo incentivo contra a nossa comodidade e mediocridade.

É possível que o maior número absoluto de vítimas da intolerância religiosa no mundo atual esteja entre os muçulmanos perseguidos por outros muçulmanos, na sangrenta rixa entre xiitas e sunitas. Além disso, as minorias muçulmanas na Rússia e na China sofrem acosso dos respectivos governos, o que também acontece com os bahai por parte do xiismo iraniano, com os tibetanos por parte do comunismo chinês e com os judeus nas sociedades em que persiste o antissemitismo.


A lista de religiões perseguidas é longa e leva a uma conclusão clara: a intolerância religiosa ainda condiciona o comportamento de importantes setores governamentais e sociais de todo o planeta.

O que o Ocidente finge não ver é o quanto o cristianismo também sofre essa intolerância. Javier Rupérez, membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas da Espanha, levantou uma série de dados assustadores sobre a perseguição religiosa mundial contra os cristãos.

Do total de 7 bilhões da habitantes do planeta, quase um terço é cristão: 2,18 bilhões de pessoas, que, mais do que qualquer outra comunidade religiosa, constituem um grupo sistematicamente perseguido e urgentemente necessitado de ajuda. Grande parte da África subsaariana, toda a costa mediterrânea do continente africano, o Oriente Médio, o Golfo Pérsico e todo o continente asiático, incluindo as costas russa e chinesa do Pacífico, são cenários em que o cristianismo sofre acosso habitual.

A International Society for Human Rights, uma ONG de Frankfurt, na Alemanha, estima que 80% da discriminação religiosa que acontece atualmente no mundo é voltada contra os cristãos.




De acordo com o Center for the Study of Global Christianity, do Gordon Conwell Theological Seminary, uma instituição evangélica de South Hamilton, no Estado norte-americano de Massachusetts, mais de 100.000 cristãos foram assassinados por ano entre 2000 e 2011, ou seja, 11 cristãos por hora durante esse período.

Segundo a Open Doors, uma organização norte-americana protestante que monitora as perseguições contra os cristãos no mundo, 75% da população mundial estaria vivendo hoje em países com sérias restrições ao exercício da liberdade religiosa. Cem milhões de cristãos, cerca de 5% desse total, sofreriam perseguição em mais de sessenta países. Estes dados coincidem com os publicados na detalhada pesquisa feita em 2011 pelo Pew Research Center sobre restrições globais à religião.


O martírio de cristãos coptas. Um caso que repercutiu nas mídias sociais. 


A Open Doors também lista 50 países que, em 2012, atentaram especificamente contra os cidadãos pertencentes a confissões cristãs. A organização os separa em quatro categorias:

1.    Perseguição extrema: Coreia do Norte, Arábia Saudita, Afeganistão, Iraque, Somália, Maldivas, Mali, Irã, Iêmen, Eritreia, Síria

2.    Perseguição severa: Sudão, Nigéria, Paquistão, Etiópia, Uzbequistão, Líbia, Laos, Turcomenistão, Catar, Vietnã, Omã, Mauritânia.

3.    Perseguição moderada: Uganda, Cazaquistão, Quirguistão, Níger, Tanzânia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Brunei, Butão, Argélia, Tunísia, Índia, Myanmar, Kuwait, Jordânia, Bahrein, Territórios Palestinos, China, Azerbaijão, Marrocos, Quênia, Comores, Malásia.

4.    Perseguição escassa: Djibuti, Tadjiquistão, Indonésia, Colômbia.



Diariamente, no Ramadã, cristãos são crucificados e brutalmente assassinados pelo ISIS. 

A Open Doors recomenda que as confissões religiosas denunciem as perseguições conjuntamente, diante de organismos nacionais e internacionais, pedindo com contundência a imediata solidariedade de todas as demais confissões cristãs para fortalecer a mensagem comum. Essa renovação ecumênica seria uma denúncia profética perante os que praticam a perseguição, os que a alimentam, os que a permitem e os que fecham os olhos para ela.

Afinal, como refletiu o pastor protestante alemão Martin Niemoller:


“Primeiro vieram buscar os comunistas; eu não disse nada porque não era comunista. Depois vieram buscar os judeus e eu não disse nada porque não era judeu. Depois vieram buscar os sindicalistas e eu não disse nada porque não era sindicalista. Depois vieram buscar os católicos e eu não disse nada porque não era católico. Depois vieram me buscar, mas já não restava ninguém que dissesse nada”.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Beato João de Vercelli, presbítero dominicano



João de Vercelli (em italiano: Giovanni da Vercelli), nascido na diocese de Vercelli no início do século XIII, foi um religioso italiano e Mestre-geral da Ordem dos Pregadores.


História
Foi enviado ainda bastante novo a estudar na Universidade de Paris, onde se formou, e se tornou Mestre lecionando Direito Romano e Direito Canônico.



Por influência de Jordão de Saxônia, futuro mestre-geral da Ordem dos Pregadores, igualmente estudante em Paris, ingressou na nascente ordem, fazendo o seu noviciado na cidade de Bolonha. Mais tarde foi enviado à sua terra natal para ali fundar um convento do qual veio a ser prior. Como vigário do mestre-geral desempenhou diversas missões na Hungria, até que foi eleito prior do Convento de Bolonha e, mais tarde, prior provincial da Lombardia.

Eleito mestre-geral da ordem, desempenhou tais funções por mais de 20 anos, apesar dos seus pedidos para ser dispensado de tal cargo.

Como mestre-geral foi conselheiro de diversos Papas, tendo Inocêncio IV nomeando-o como comissário encarregue de reconciliar as cidades italianas desavindas, bem como inquisidor na República de Veneza. O papa Urbano IV nomeou-o procurador apostólico da Santa Cruzada e foi núncio do papa Gregório X para o estabelecimento da paz entre as repúblicas de Veneza, Gênova, Pisa, Florença e Bolonha. Os papas João XXI e Nicolau III enviaram-no como legado pontifício a Castela e a França em missões diplomáticas e Clemente IV tomou-o como seu conselheiro especial.

No convento de Bolonha mandou erguer um monumental memorial a São Domingos sob o seu túmulo, apesar do seu carácter por todos reconhecido de despojamento pessoal, simplicidade de vida e rigor no cumprimento da pobreza e regular observância. Grande defensor da doutrina de São Tomás de Aquino, tornou-o de leitura e estudo obrigatório em toda a Ordem.


Faleceu no convento dominicano de Monte Pessulano, a 2 de dezembro de 1283, sendo-lhe desde então prestado culto como um dos grandes bem-aventurados da Ordem, culto esse que foi confirmado pelo papa Pio X no século XIX.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

SANTA FRANCISCA XAVIER CABRINI, Virgem e Fundadora. Patrona Universal dos Imigrantes.



Nasceu dia 15 de julho de 1850 em Sant'Angelo Lodigiano, Lombardia, Itália. Filha do agricultor Agustine Cabrini e de sua esposa Estella, era a última de treze filhos. No dia em que nasceu, um bando de pombos brancos sobrevoou a sua casa. Seu nome de batismo era Maria Francisca.
Quando pequena, Chiquinha (como era conhecida) gostava de brincar de barquinhos e de colher violetas. Quem a conheceu dizia que tinha pequena estatura e grande espírito. Recebeu uma educação no convento de Arluno e formou-se professora. Sua mãe rezava por uma hora antes de ir para a missa e ela seguia seu exemplo. Às vezes se refugiava num local onde sozinha podia rezar tranquila.
Quando adolescente, era franzina e muito tímida. Mais tarde disse: "Quem diria que eu fui por tanto tempo tão tímida? Não ousava levantar os olhos, por medo de faltar à modéstia. Chegou o dia, porém, em que compreendi que na verdade devia tê-los bem aberto para o bem do Instituto. E nada mais pôde me intimidar".
Parece que o destino de Madre Cabrini era mesmo as viagens, pois ela gostava de Geografia e vivia debruçada nos Atlas.
Ficou órfã bem jovem e aos 18 anos queria ser religiosa, mas sua saúde delicada impediu que recebesse o véu. O Padre Serati pediu que ela ensinasse na escola de meninas "A Casa da Providência", um orfanato em Codogno, Itália, e lá ela ensinou por seis anos.
     Ela fazia tão bem seu trabalho, que quando o orfanato fechou, em 1880, o Bispo de Todi pediu que ela fundasse o Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus para cuidar das crianças pobres nas escolas e em hospitais.
     Segundo a tradição, embora elas não tivessem dinheiro para prover o que era necessário para as crianças, sempre que Francisca enviava uma das irmãs para buscar leite, o pote estava sempre cheio, e quando buscava pão, o cesto de pão estava também cheio. Milagrosamente não faltava comida para as crianças.
Madre Cabrini colocou sua obra sob a proteção do grande missionário São Francisco Xavier, de quem era devota e a quem desejaria imitar sendo missionária na China, assumindo ela mesma o nome do seu patrono. No mesmo ano ela abriu uma casa para moças e no ano seguinte abriu outra casa em Milão.
Em 1887 foi a Roma para conseguir a aprovação das Regras do Instituto e pedir permissão para abrir outra casa em Roma. Conseguiu a aprovação para abrir duas casas: uma escola para crianças pobres e um orfanato. Em 1888 conseguiu a aprovação da Constituição do Instituto.
De 1901 a 1913, 4,7 milhões de italianos imigraram. Era um verdadeiro problema social. Como havia um grande número de emigrantes italianos em Nova York, o Arcebispo Corrigan enviou um convite formal a ela para ir para a América, e logo depois o Papa Leão XIII deu a sua permissão e bênção para que ela fosse para os Estados Unidos.

Ela e seis outras freiras chegaram a Nova York em 1889. Elas trabalharam principalmente com os emigrantes italianos. Em março de 1889 ela já tinha o terreno que queria. Apesar de toda fragilidade e saúde precária, nos próximos 28 anos ela viajou pelos Estados Unidos fundando escolas, orfanatos e hospitais. Nada a fazia parar.
No dia 11 de junho de 1894, numa audiência com o Papa, ela recebeu a aprovação para uma expedição que desejava fazer para o Brasil. Em 1896, ela montou um colégio em Lima (Peru). Na mesma ocasião esteve no Equador e na Argentina.
Ela fundou 67 instituições incluindo escolas, hospitais e orfanatos na América, Chile, Venezuela, Brasil e Argentina. Para expandir sua obra, Santa Francisca fez vinte e quatro travessias oceânicas, fato extraordinário para a época. Ela se tornou a mãe dos imigrantes italianos em toda a América.

     Em 1900, retornou à Argentina e, apesar de muito debilitada, abre o Colégio Internacional de Rosário. Debilitada pela constante febre, se vê obrigada a retornar à Itália. Nomeia as irmãs responsáveis pela continuação de suas obras. Era o ano de 1902. E quando todos pensavam que era o fim, ela se recuperou da febre para continuar o seu trabalho. Visitou uma a uma suas obras na Itália, França e Espanha. Quanta força tinha!
     Em New Orleans, verão de 1905, uma epidemia de febre amarela matou muita gente. As irmãs de Madre Cabrini permaneceram firmes porque sabiam que o povo precisava delas.
     

Madre Cabrini, com 57 anos e com a saúde debilitada, não se deu por vencida e voltou a viajar. Ao invés de ficar na Itália, resolveu vir ao Brasil. Aqui já havia uma casa que tinha sido aberta por um grupo de irmãs da Argentina.
No ano de 1908, ela enfrentava uma epidemia e uma perseguição no Rio de Janeiro. Não se deixou abater e ainda teve forças para procurar um terreno na Tijuca para abrir um colégio.
Depois de um ano no Rio de Janeiro, Madre Cabrini voltou para os Estados Unidos a fim de percorrer suas obras. Vai para a Itália e o Papa São Pio X, com um decreto de 16 de julho de 1910, confirma Madre Cabrini como Superiora Geral vitalícia.

Em dezembro de 1911, com as poucas forças que lhe restam, resolve voltar aos Estados Unidos, onde ainda tem forças para reerguer o Hospital Columbus de Nova Iorque. Amplia e constrói escolas e orfanatos.
Faleceu vítima de malária em 22 de dezembro de 1917 em Chicago, Illinois, USA. Foi enterrada na Capela do Colégio Madre Cabrini em Nova York. Foi canonizada em 07 de julho de 1946 pelo Papa Pio XII.
Quando Madre Cabrini faleceu, o Instituto contava com 4.000 freiras.

Santa Francisca Cabrini é considerada a primeira santa dos Estados Unidos, já que ela obteve a cidadania americana em 1913. Mas os títulos mais importantes são o de Santa dos Italianos na América e o concedido pelo Papa Pio XII em 08 de setembro de 1950: o de patrona universal dos imigrantes. Além dos EUA, também há uma estátua de bronze em homenagem à Santa na Argentina.
No Brasil, Nova Friburgo (RJ) ganhará um monumento a Santa Francisca Xavier Cabrini. A ideia é do presidente da Associação Ítalo-Brasileira de Arte e Cultura (Aibac), Giuseppe Arno, que pretende erguê-lo na Praça do Suspiro, onde já funciona a Praça das Colônias – um complexo dedicado às representações dos países colonizadores do município.




Transplante de olhos feito por Deus

     O caso é referido em quase todas as biografias da Santa. Foi um dos milagres aprovados para a Beatificação da Madre Cabrini.
     Aconteceu no Hospital Columbus, de Nova York. A superiora e responsável pela direção geral do Hospital era a Madre Teresa Basigalupi. No processo, a Madre Teresa omite o nome da Irmã encarregada da Seção.
     O acidente aconteceu por volta do meio-dia de 14 de março de 1921. O Dr. Michal Joseph Horan e a enfermeira Srta. Maria Redmond assistiram ao parto, e foi esta quem lavou os olhos do bebê com uma solução de nitrato de prata a 50%, em vez de 1%, que seria o correto. O recém-nascido era Peter, filho primogênito do jovem casal Peter e Margaret Smith.
     Quando uma hora mais tarde outra enfermeira – a Srta. Sifert – acudiu apavorada pelo estado dos olhos do bebê, a Irmã responsável pela Seção compreendeu a tragédia que ocasionara ao fornecer por erro um vidro diferente do devido. O Dr. Paulo Casson acudiu. Os olhos do bebê estavam inflamados e pretos, tão inchados que não se abriam. Não teve dúvidas: o menino iria morrer; e, se escapasse, certamente ficaria absolutamente cego.
     Às 21 horas o Dr. Horan voltou ao leito do bebê trazendo o especialista em oftalmologia Dr. Keaney, que só com ajuda de um instrumento próprio (Lindhbers) conseguiu abrir as pálpebras inchadas e coladas. A conjuntiva estava gravemente queimada. A córnea de ambos os olhos aparecia ensanguentada, e dos lugares queimados surgia uma secreção amarelo-acinzentada. Prognóstico: “morte, e certamente em poucas horas” (qualquer espécie de infecção grave em crianças desse tamanho é mortal quase em cem por cento dos casos, especialmente naqueles tempos, nos quais a medicina era por demais primitiva).
     As irmãs e as enfermeiras, nos horários em que não estavam obrigadas a ficar junto aos doentes, reuniram-se na Capela e rezaram durante toda a noite pedindo um milagre pela intercessão da Madre Fundadora. Sabiam que somente um milagre resolveria a situação do menino, do jovem casal e do próprio Hospital.
     Chegou a manhã do dia 15. Pelas 9 horas o Dr. Horan voltou com o especialista Dr. Keaney, para ver se havia alguma possibilidade de atenuação do dano causado. E o Dr. Keaney... não encontrou nada de errado no menino! Peter Smith “estava absolutamente bem. Não ficou traço algum de cicatriz apesar da queimadura profunda que houvera”. Os Drs. Horan, Casson e Keaney “reconheceram espantados que havia se dado um milagre. O menino deixou o hospital absolutamente curado e em estado normal”.
     Só havia um pormenor: os médicos constataram que os olhos do garoto estavam perfeitos, mas, que não eram dele: eram verdes e não tinham os caracteres dos pais do garoto. Chamaram a Irmã e perguntaram o que havia acontecido, e ela falou da novena a Madre Francisca.
     Depois de 50 anos da morte da santa, desenterraram-na e seu corpo estava intacto, faltando-lhe apenas os olhos, que não estavam na cavidade ocular. Verificaram que os olhos do referido menino eram os da Santa! O rapaz na ocasião já era formado em Medicina, mas, da data do seu nascimento até a exumação da Santa vinte e oito anos haviam se passado!



     Na manhã de 07 de julho de 1946, Peter Smith, que já havia sido ordenado sacerdote na Igreja da Mother Cabrini School de Nova Iorque, assistiu à solene canonização de Santa Francisca Xavier Cabrini por Pio XII. Estavam também presentes Paulo Pezzini e Ettore Pagetti, protagonistas das duas curas milagrosas aprovadas para a Canonização. As curas de Peter Smith e da religiosa Delfina Grazioli foram os milagres aprovados para a Beatificação.

Fonte:http://ncnt.org/Milagres/curaMilagres/transplanteDeOlhosFeitoPorDeus.

(Fonte: blog Heroínas da Cristandade)


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Serva de Deus Vitória da Encarnação, Virgem Clarissa. Primeira brasileira a viver e falecer com fama de santidade.



MADRE VITÓRIA DA ENCARNAÇÃO nasceu na cidade do Salvador, então capital do Brasil colonial, em 6 de março de 1661, sendo batizada no mesmo ano na antiga Sé da Bahia. Foram seus pais, Bartolomeu Nabo Correia e Luísa Bixarxe. Teve um irmão e três irmãs. Conforme escreveu Dom Sebastião Monteiro da Vide (1720), a casa desta família era um exemplo de lar cristão.
Em 1675, quando Vitória estava com 14 anos, seu pai desejou enviá-la, juntamente com sua irmã mais velha, Maria da Conceição, para um convento nos Açores, em Portugal, porém a menina se recusou, dizendo que preferia que lhe cortassem a cabeça de que ser enviada para um convento.
Em 1677, quando foi fundado o primeiro mosteiro feminino no Brasil, o Mosteiro de Santa Clara do Desterro da Bahia, Vitória, então com 16 anos de idade, ainda dava mostras de aversão à vida religiosa, preocupando seus pais com seu comportamento.
Vivia em Salvador, naquela época, um jesuíta de muita piedade a quem o povo venerava como santo já em vida e tinha fama de ser um profeta, o padre João de Paiva. Foi a ele que o pai de Vitória recorreu aflito para queixar-se do comportamento de sua filha em relação à religião, pedindo ao padre que rezasse por ela. O padre João o acalmou dizendo que a menina seria, no futuro, uma grande religiosa.
Passaram-se alguns anos e Vitória começou a ter frequentes sonhos com a Mãe de Deus e seu Divino Filho. Neles a Virgem lhe apresentava o Menino e chamava-a para a vida consagrada. Em outros momentos via o Divino Menino a colher flores no caminho para o convento e a chamava para lá. Tais sonhos se repetiram inúmeras vezes, porém, Vitória não quis seguir o que a Virgem e o Menino pediam.
Numa terrível noite do ano de 1686, quando Vitória estava com 25 anos de idade, teve um sonho horrendo, no qual se via nos porões sujos e cheios de lodo de uma grande embarcação que navegava em alto mar. Viu neste sonho que estava acompanhada de pessoas impiedosas que caminhavam para a perdição. Enquanto que na parte de cima da embarcação haviam muitos religiosos contentes pois caminhavam para a salvação. Seu Anjo da Guarda então lhe explicava que os navegantes da parte superior eram os que faziam a vontade de Deus e estavam salvos, enquanto que os que estavam nos porões, assim como ela, eram os que caminhavam para a perdição.
Ao acordar daquele sonho aterrador, Vitória pensou em sua vida, arrependeu-se de sua recusa à religião e tomou a firme decisão de consagrar-se totalmente a Deus e passar o resto da vida fazendo Sua santa vontade. Ajoelhou-se aos pés de seu pai para pedir-lhe a bênção e implorou-lhe para que o mesmo fizesse o que fosse preciso pra que ela entrasse para o convento.
Naquele mesmo ano, num domingo pela manhã, em 29 de setembro, dia de São Miguel Arcanjo (uma de suas grandes devoções), Vitória foi acolhida no noviciado das monjas clarissas do Mosteiro do Desterro da Bahia e juntamente com ela, foi acolhida também a sua irmã, Maria da Conceição. Recebeu neste dia o nome religioso de Vitória da Encarnação. No ano seguinte (1687), conforme seu desejo, fez profissão Solene em 21 de outubro, dia em que se celebrava na cidade de Salvador a festa das Onze Mil Virgens.
Mostrou-se grande em suas virtudes. Desapegada de tudo o que é mundano, quis fazer-se a menor de todas e aquela que servia a todas. Dotada de imensa caridade para com os mais desvalidos, desejou viver como uma escrava a adotou para si o estilo de vida das servas que viviam no mosteiro servindo as religiosas. Fazia suas refeições sentada no chão, como era costume entre os escravos da época, corria para fazer os trabalhos que ninguém queria, e por querer ser a menor de todas, foi diversas vezes ridicularizada e até mesmo agredida, levando uma bofetada de uma das servas a quem ela tanto servia e quis se fazer semelhante. Cuidava daquelas que adoeciam, levando-as para sua própria cela e de lá só saiam quando completamente curadas. Suportou diversas humilhações calada e com paciência, pois considerava-se digna de todas aquelas ofensas.
Viveu inteiramente dedicada aos pobres, doentes e desamparados que procuravam o mosteiro em busca de socorro. Pela sua grande caridade recebeu dos pobres o apelido de “madre Esmoler”. Quando exercia o cargo de porteira, grande quantidade de pessoas dirigia-se à portaria para pedir-lhe algum auxílio. Atendeu a todos quantos podia, e de dentro da clausura recomendava aos seus familiares que cuidassem daqueles pobres e doentes que ela não poderia socorrer, mas que vinha a saber que estavam necessitados. Doou em vida tudo o que possuía aos pobres, inclusive a cama na qual dormia, passando então a dormir no chão sobre uma esteira de palha. Por esse motivo, não morreu em sua própria cela. Quando estava prestes a falecer foi levada para a cela de outra monja pois suas coirmãs não quiseram deixá-la morrer no chão.
Dotada de dons místicos, se transfigurava quando fazia a via-sacra, todas as sextas-feiras do ano. Um desses eventos foi testemunhado pelas outras religiosas quando participava de uma procissão do Senhor Bom Jesus dos Passos no corredor da clausura, e foi narrado por Dom Sebastião em seu livro. Conforme o mesmo escreveu, “brotavam nas faces duas rosas, com cuja púrpura avivando-se o desmaiado e penitente do rosto, arrebatava as atenções das que a viam, não podendo reprimir as lágrimas da devoção que lhes causava esta devota penitente”.
Tinha tanto desejo de imitar ao Divino Esposo em seus sofrimentos, que castigava-se com cilícios e disciplinas duríssimas, chegando a converter os pecadores que passavam pela via próxima ao convento e que ouviam o barulho daquelas chibatadas. Fazia rigorosos jejuns e quando comia algo que lhe agradava o paladar, misturava cinzas à comida para estragar o sabor.
Em uma noite viu o Senhor a andar pelo corredor do mosteiro com sua pesada cruz às costas. Ao encontrá-lo, Ele disse-lhe: “Esposa minha, vem e segue meus passos”. Desde então começou a carregar uma grande cruz às costas durante as madrugadas das sextas-feiras. Foi a Madre Vitória a responsável pela difusão da devoção ao Senhor Bom Jesus dos Passos na cidade de Salvador e mandou construir dentro da clausura do mosteiro uma capela a Ele dedicada.
Amou tanto as almas do purgatório que sufragava-as diariamente com orações e oferecia-lhes todas as missas em seu favor. Conforme narrou seu biógrafo, muitas almas se mostraram a ela em seus sofrimentos no purgatório e também voltavam para agradecer-lhe pelas orações em seu favor, quando de lá saíam para o Céu, resplandecentes de luz.
Tinha o dom da revelação e profecia. Era capaz de saber o local exato em que uma pessoa, tida por desaparecida, se encontrava, assim como de prever acontecimentos futuros. Chegou a descrever eventos que aconteceriam por ocasião e após sua morte. Tinha também a capacidade de encontrar objetos e animais desaparecidos. Passava maior parte da noite em vigília diante do Santíssimo Sacramento e por esse motivo foi chamada, pelo seu biógrafo o arcebispo da Bahia, de “tocha acesa no Divino Amor”.
Teve por companheiras mais próximas em seus exercícios penitenciais duas outras monjas, também biografadas por fama de santidade, a saber, Madre Maria da Soledade e Madre Margarida da Coluna. Era frequentemente tentada pelo demônio por meio de visões aterradoras e desses terríveis combates espirituais sempre saía vitoriosa. Alguns deles ocorreram quando estava junto à estas companheiras. Em um deles a Madre Maria da Soledade foi lançada de cima do coro para baixo sem sofrer muitos danos físicos.
Sentindo que aproximava-se ou dia de sua morte fez diversas recomendações às suas irmãs. Uma delas foi o pedido de ser levada à sepultura pelas mãos das servas a quem ela tanto amava. Outro pedido feito foi o de não ser enterrada com o hábito que usava em vida, pois não queria levar para o túmulo nada que tivesse lhe pertencido neste mundo e pediu que cada uma das irmãs doasse a ela uma peça do hábito religioso com o qual ela seria enterrada.
Após 29 anos de clausura e de total consagração de sua vida à Cristo e ao próximo, faleceu numa sexta-feira, às 15 horas, 19 de julho de 1715, acompanhada do padre e das irmãs que a assistiam. No momento de sua morte as religiosas disseram ter sentido uma maravilhosa fragrância de rosas a inundar as dependências do mosteiro. E durante o rito das exéquias um misterioso passarinho foi visto voando pelos corredores do mosteiro numa velocidade jamais vista para um pássaro comum. Os que ali se encontravam narraram este fato a que Dom Sebastião dissera ser “a alma da Madre Vitória voando para as mansões celestiais”.
Ao se espalhar a notícia de sua morte, uma grande multidão se aglomerou diante do convento. Logo toda a cidade ficou a saber, pois diziam ter morrido a “santa da Bahia”. Muitos levavam lenços, medalhas, terços e outros objetos e pediam que as religiosas os tocassem no corpo da “santa”. Esses objetos eram guardados por essas pessoas e eram tidos como verdadeiras relíquias. Como a quantidade de pessoas às portas do convento crescia cada vez mais durante aquela noite, e não paravam de chamar pelas religiosas para que tocassem seus objetos ao corpo da madre, se viram obrigadas a não mais saírem à portaria e não puderam atender mais a nenhum deles.
Seu corpo foi velado durante toda a noite na capela que a mesma havia mandado construir em honra ao Senhor dos Passos, e foi enterrado no dia seguinte no cemitério conventual. Ao tentarem, as irmãs, levarem o corpo para a sepultura, o esquife tornou-se tão pesado que não se movia do lugar. Ao se lembrarem do pedido da madre de que fosse levada à sepultura pelas mãos das servas, chamaram-nas para que levassem o corpo. Quando estas levantaram o esquife, parecia não haver nele corpo algum, pois o mesmo estava leve como que quase sem peso algum.
Inúmeros foram os milagres narrados pelos seus devotos logo após sua morte. Sendo crescente o número desses supostos milagres, o então arcebispo da Bahia tratou de interrogar as religiosas do Desterro sobre a vida que teve a Madre Vitória. Em 1720, apenas cinco anos após a sua morte, Dom Sebastião Monteiro da Vide publicou em Roma a biografia da “santa da Bahia” com o título “História da Vida e Morte da Madre Soror Victória da Encarnação”.
O zeloso arcebispo jesuíta pretendia solicitar a abertura da sua causa de beatificação e chegou a compará-la à Santa Rosa de Lima. Porém faleceu em 1722. Anos mais tarde, com a perseguição do Marquês de Pombal aos Jesuítas e proibição de muitos dos seus escritos no Brasil, diversos livros se perderam. Isso dificultou a difusão da sua história. Mas a memória da Madre Vitória não se apagou dentro do convento em que viveu, nem nas mentes daqueles que pela tradição oral ou pelos poucos escritos que restaram, vieram a saber da sua vida e fama de santidade. E muitos ainda esperam vê-la elevada à honra dos altares.
Seus restos mortais encontram-se na igreja do Convento de Santa Clara do Desterro e estão depositados acima de uma das portas que ligam o coro de baixo à nave da igreja. 




Em busca da beatificação

Cinco anos após o falecimento da Madre Vitória, devido sua fama de santidade e ao grande número de curas milagrosas por sua intercessão, o então arcebispo da Bahia, o jesuíta Dom Sebastião Monteiro da Vide, desejando torná-la conhecida e promover sua causa de beatificação, publicou em Roma sua biografia com o título “História da Vida e Morte da Madre Soror Vitória da Encarnação”.

Com a morte de Dom Sebastião e as dificuldades de comunicação da época, assim como a diversos outros problemas como a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal e a perseguição às ordens religiosas que se seguiram nos anos posteriores culminando com a extinção de alguns mosteiros, entre eles o das clarissas da Bahia, a causa da Madre Vitória não seguiu adiante. Muitos escritos de jesuítas foram proibidos de circular e a biografia da madre quase desapareceu. Mas a tradição oral e a discreta devoção nutrida pelos fiéis que frequentavam o convento do Desterro mantiveram viva a sua memória e 300 anos após seu falecimento a Madre Vitória continua sendo lembrada como a primeira religiosa do Brasil com fama de santidade.

Três séculos se passaram e o interesse dos devotos na beatificação da Madre Vitória resistiu. O Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, fez um pedido à Congregação para a Causa dos Santos de abertura oficial da sua causa de beatificação. No dia 07 de julho de 2016, a Congregação para a causa dos Santos emite o decreto 'nihil obstat' que autoriza a abertura do processo de beatificação da Madre Vitória e dá a ela o título de Serva de Deus. Enquanto isso seus devotos e admiradores permanecem em oração nos dias 19 de cada mês diante do seu túmulo, no Convento do Desterro, esperando que em breve esta fiel filha de São Francisco e Santa Clara seja elevada às honras dos altares.


No dia 29 de setembro desse ano, na festa de São Miguel Arcanjo no Convento do Desterro, foi celebrada a Santa Missa por ocasião do aniversário de 330 anos de entrada da Madre Vitória para a vida religiosa e o dia em que mudou o nome de Vitória Bixarxe para Vitória da Encarnação. A baixo segue a oração à Serva de Deus e fotos do Convento.



















Para os que desejarem conhecer o Convento do Desterro ou saber mais informações sobre a serva de Deus, eis o endereço:

Convento do Desterro
 Rua Santa Clara, s/n - Nazaré
CEP: 40040-450 Salvador-BA

Como ponto de referência aos que não conhecem, o convento fica na esquina da Avenida Joana Angélica com a Rua Santa Clara, a poucos metros da estação de metrô Campo da Pólvora, no bairro de Nazaré, região central de Salvador.

Ou ainda pela página no Facebook:
https://pt-br.facebook.com/madrevitoriadaencarnacao/

SÃO JOÃO DA CRUZ, Presbítero e Doutor da Igreja.




São João da Cruz pertence à gloriosa plêiade de grandes luminares da Igreja e é, possivelmente, um dos maiores Santos de sua história. Foi o primeiro carmelita descalço, um grande místico, exímio mestre da vida espiritual, príncipe dos poetas espanhóis, doutor da Igreja (título de "o Doutor Místico"), o santo do despojamento e do desapego, "doutor do Tudo e Nada". 
Leitura obrigatória para todos aqueles que desejam aprofundar a oração contemplativa e a vida mística, São João da Cruz é lido não somente por estudiosos católicos, mas, até mesmo por pessoas de religiões, graças à maravilhosa literatura por ele deixada: Subida do Monte Carmelo, Cântico Espiritual, Chama de Amor Viva e A Noite Escura da Alma, que são suas principais obras, além de alguns outros escritos. 
Hoje, o Carmelo Descalço se alegra com a Solenidade deste Santo a quem frades, monjas e seculares chamam de "Santo Padre". 
Peçamos a ele que, do Céu, interceda por todos nós, tão imperfeitos, para que possamos à semelhança dele, amar a Deus sobre todas as coisas e desapegar de tudo aquilo que não seja Deus. E, como ele mesmo disse em uma de suas obras: "quem quiser ter o Tudo, tem que não desejar nada. Quem quiser chegar ao Tudo, tem que não querer nada de nada"...  
Pode-se com certeza afirmar que o que São Francisco de Assis foi em relação à virtude da pobreza, São João da Cruz foi em relação ao desapego total de si mesmo e de todas as criaturas. 



São João da Cruz nasceu em Fontíveros, Castela, em 24 de junho de 1542. Era o filho mais novo de Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez, pobres tecedores de seda de Toledo. Seu pai era de uma família rica, mas foi deserdado por causa de seu casamento com uma mulher mais pobre e morreu enquanto João era pequeno. Sua mãe, com a ajuda do filho mais velho, não conseguia prover o mínimo para a casa. João foi então mandado para a escola de pobres de Medina del Campo e era um estudante aplicado mas incapaz de aprender um ofício artesanal. O chefe do hospital de Medina o chamou para trabalhar e, por sete anos, ele se dividiu entre os cuidados com os mais pobres e os estudos em uma escola jesuíta. Já nesta idade tratava seu corpo com extremo rigor e por duas vezes foi salvo da morte pela intervenção de Nossa Senhora.

Ansioso sobre seu futuro, foi-lhe dito em oração que ele serviria a Deus em uma ordem de antiga perfeição que ele ajudaria a florescer novamente. Os Carmelitas tinham fundado uma casa em Medina, onde ele tomou o hábito em 24 de fevereiro de 1563 com o nome de João de São Matias. Depois de sua profissão de fé, ele recebeu autorização para seguir a regra Carmelita original. Ele foi enviado para Salamanca para continuar seus estudos e foi ordenado padre em 1567; em sua primeira missa ele teve confirmação de que deveria preservar sua inocência batismal. Mas, se afastando das responsabilidades, resolveu seguir os Cartuxos.

No entanto, antes de tomar qualquer decisão, ele conheceu Santa Teresa, que tinha vindo para Medina para fundar um convento de freiras e o persuadiu a permanecer na Ordem Carmelita para ajuda-la a fazer um mosteiro de frades seguidores da regra primitiva. Ele a acompanhou a Valladolid para ter experiência prática na maneira de viver das freiras reformadas. Tendo recebido uma pequena casa, São João resolve tentar a nova forma de vida, embora Santa Teresa não acreditasse que ninguém conseguiria enfrentar os desconfortos daquele lugar. Ele foi seguido por dois companheiros, um ex-prior e um irmão leigo, com quem inaugurou a reforma entre os frades em 28 de novembro de 1568. Santa Teresa deixou uma descrição do modo de vida desses primeiros Carmelitas Descalços em seu "Livro das Fundações".

João da Cruz, como ele mesmo se chamava, se tornou mestre dos noviços e fez a fundação do edifício espiritual que brevemente assumiria proporções majestosas. Ele teve várias funções até Santa Teresa o chamar para Ávila como diretor e confessor do convento da Encarnação, de onde ele era prioresa. Ele permaneceu em Ávila, com poucas interrupções, por cinco anos. Durante este tempo, a reforma se espalhava rapidamente e logo sua existência entrou em perigo. São João foi mandado de volta para Medina e, por causa de sua recusa em obedecer, foi preso em 03 de dezembro de 1577 e enviado para Toledo, onde sofreu por mais de nove meses aprisionado em uma pequena cela. Em seu sofrimento foi visitado por consolações celestes e algumas de suas melhores poesias datam deste período. Ele conseguiu fugir em agosto de 1578. Nos anos seguintes ele se ocupou da fundação e governo dos mosteiros de Baeza, Granada, Cordoba e Segóvia, mas não teve papel proeminente nas negociações que levaram ao estabelecimento de um governo separado para os Carmelitas Descalços.

 Após a morte de Santa Teresa em outubro de 1582, quando os partidos de Jerônimo Graciano e Nicolau Doria brigavam pelo poder, ele apoiou o primeiro e compartilhou seu destino. Durante algum tempo ele foi vigário provincial na Andaluzia, mas, quando Doria mudou o governo da ordem, concentrando todo o poder nas mãos de um comitê permanente, São João resistiu e, ajudando as freiras na tentativa de obter aprovação papal para suas constituições, chamou para si o descontentamento de seu superior, que o tirou de seus trabalhos e o mandou para um dos mosteiros mais pobres, onde ele ficou gravemente doente. Um de seus oponentes foi ao mosteiro para levantar acusações contra São João e tentar expulsá-lo da ordem.

Ele foi enviado para o mosteiro de Ubeda com o agravamento de sua doença e morreu em 14 de dezembro de 1591. Com sua morte até seus adversários reconheceram sua santidade e seu funeral foi ocasião de muito entusiasmo. Seu corpo, ainda incorrupto, foi transferido para Segóvia e apenas uma parte ficou em Ubeda.

Diálogo entre Cristo e o Santo: "João, que
recompensa quereis por teus trabalhos"?
"Senhor, sofrer ainda mais e ser
desprezado por Ti"... Imenso era o amor
do Santo pelo Cristo Sofredor na Cruz.
Desejava imensamente imitar a Jesus
Crucificado: abandonado até pelo
Pai.
Um estranho fenômeno, sem explicação satisfatória, foi observado em relação às relíquias de São João: Francisco de Yepes, seu irmão, e depois muitas outras pessoas viram a aparição nas suas relíquias de imagens de Cristo na Cruz, Nossa Senhora, Santo Elias, São Francisco Xavier e outros santos. Sua beatificação foi em 25 de janeiro de 1675, por Clemente X, a transladação de seu corpo foi em 21 de maio do mesmo ano e a canonização foi em 27 de dezembro de 1726, pelo Papa Benedito XIII. Pio XI proclamou-o Doutor Místico da Igreja em 24 de agosto de 1926 e em 21 de março de 1952 foi proclamado padroeiro dos poetas espanhóis.

São João da Cruz deixou os seguintes trabalhos, que apareceram pela primeira vez em Barcelona em 1619: Subida ao Monte Carmelo, uma explicação de alguns versos começando com: Em uma noite escura com amor ansioso inflamado; A Noite Escura da Alma, outra explicação dos mesmos versos. Ambos os livros foram escritos após sua fuga da prisão e são um complemento um do outro, formando um completo tratado de teologia mística; Chama de Amor Viva, um belíssimo poema que canta a união da alma amante com seu Deus amado; uma explicação do Cântico Espiritual (paráfrase do Cântico dos Cânticos), composto em parte durante sua prisão e completado e comentado anos depois a pedido da Venerável Ana de Jesus; instruções e precauções em assuntos espirituais;umas vinte cartas, principalmente para seus penitentes (infelizmente grande parte de sua correspondência, incluindo as cartas de e para Santa Teresa, foram destruídos, em parte pelo próprio São João, durante as perseguições que sofreu); seus poemas; e uma Coleção de Máximas Espirituais, retiradas de seus livros mas que, sozinha, já são um belo trabalho espiritual.




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Um resumo da doutrina de São João da Cruz:

São João da Cruz fala de quatro "Noites", duas passivas e duas ativas; duas dos sentidos e duas do espírito.
São elas:

- noite ativa dos sentidos;
- noite ativa do espírito;
- noite passiva dos sentidos;
- noite passiva do espírito.

As duas primeiras são tratadas no livro "Subida do Monte Carmelo", e as duas últimas no livro "Noite Escura". As "Noites" são o mesmo que purificações. Noites "ativas" são aquelas purificações que a alma opera pelo seu próprio esforço e luta; é a parte ascética. Noites "passivas" são aquelas em que é Deus mesmo quem age e purifica; é a mística.

A "noite ativa dos sentidos", consiste em toda sorte de penitências e mortificações dos sentidos, procurando não sentir gosto ou prazer em nada que venha dos sentidos. João da Cruz resume essa etapa de mortificações dizendo que a alma deve em tudo imitar Cristo, e deve em tudo tentar assemelhar-se a Ele, que não buscou o que lhe agradava, que não tinha onde reclinar a cabeça, e que não tinha melhor alimento que não fosse fazer a vontade do Pai.

A "noite ativa do espírito" consiste numa purificação das três potências da alma: inteligência, vontade e memória. Consiste numa espiritualização dessas três faculdades, purificando-as por meio das três virtudes teologais. Assim, a fé deve purificar e substituir a inteligência; a caridade deve purificar e santificar a vontade; e a esperança deve purificar e espiritualizar a memória. João da Cruz costuma de maneira especial usar o termo "Noite Escura", para as "purificações passivas".

A "noite passiva do sentido", consiste num estado místico, ou numa forma de oração em que a alma nada sente, nada experimenta, nada prova. É um período de deserto, trevas, aridez, desolação e noite. A alma sente-se abandonada por Deus. Deus retira aquelas "doçuras" e "suavidades" que a alma costumava encontrar na oração. No entanto a alma que está na "noite passiva do sentido", está muito adiantada, e ela sente, as vezes, que nunca esteve tão próxima de Deus e da verdade como agora que anda nas trevas, na aridez e na escuridão. A "noite passiva do sentido" é a preparação para a "vida mística". A "vida mística" ou "oração mística", se caracteriza de maneira especial pela passividade. É quando a alma não fala mais, não discursa mais, não tem mais palavras e permanece em silêncio amoroso diante de Deus. O início da "oração mística", consiste na "oração de simples olhar". É quando a alma apenas olha e cala, mas tem a vontade firmemente fixa e presa no objeto do seu olhar. A "noite passiva do sentido" é a entrada na "vida mística"; é quando a alma entra em si mesma e só encontra trevas e vazio. No entanto, estas trevas e vazio, são cheias de luz. Pois a alma compreende que está bastante adiantada na vida espiritual, e também porque recebe muitas luzes e compreensões a respeito de Deus. A noite passiva do sentido é a entrada na via mística, pois prepara a passagem da meditação discursiva para a oração contemplativa (mística).

São João da Cruz nos dá três sinais sobre quando se está pronto para passar da oração discursiva, para a oração contemplativa:

- O 1º sinal é não poder meditar nem discorrer com a imaginação, nem gostar disso como antes; ao contrário só acha secura no que até então o alimentava e lhe ocupava o sentido.

- O 2º sinal é não ter vontade alguma de pôr a imaginação nem o sentido em outras coisas particulares, quer exteriores, quer interiores.

- O 3º sinal, e o mais certo, é gostar a alma de estar a sós com atenção amorosa em Deus, sem discorrer com o intelecto, em paz interior, quietação e descanso, sem atos e exercícios intelectuais; mas apenas com a atenção e advertência geral e amorosa em Deus.

No princípio, entretanto, quando começa este estado, quase não se percebe essa notícia amorosa. Primeiro, porque no começo, costuma ser a contemplação muito sutil e delicada e quase insensível; segundo, porque tendo a alma se habituado à meditação (discursiva), cujo exercício é totalmente sensível, com dificuldade percebe esse novo alimento insensível e puramente espiritual. Em geral, a passagem da oração discursiva (meditação) para a oração contemplativa ou mística, se dá após um longo período da "noite passiva dos sentidos".

A "noite passiva do espírito" consiste num tipo de sede ardente, ou de forte saudades de Deus. A alma toma forte consciência de seus defeitos e imperfeições e sente-se abrasada em uma imensa sede amorosa por Deus.


Essa é a última das purificações, ou noites; após vêm um estágio denominado Desposório Espiritual, e por fim o Matrimônio Espiritual, que é o estado mais elevado que se pode atingir nesta terra, e que consiste numa plena união com Deus e numa total divinização da alma.


Em uma de suas visitas a Santa Teresa de Jesus, ambos entraram em profundo 
em êxtase e levitaram, ao falarem sobre o Amor de Deus... 
O fenômeno foi testemunhado por várias irmãs. 


Preciosa urna onde repousam os restos mortais do Santo. 


Restos mortais do Santo. Além de sua baixa estatura (realmente
era muito baixinho e franzino ao mesmo tempo), era comum
na época repartirem "pedaços" do corpo de santos para vários
conventos e capelas dos frades e monjas carmelitas.