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sábado, 20 de junho de 2015

SANTA DEMÉTRIA DE ROMA, Mártir (século IV)



Santa Demétria, mártir romana. A tradição conta que era filha de São Flaviano (22 de dezembro) e de Santa Dafrosa (4 de janeiro) e irmã de Santa Bibiana (2 de dezembro). Hoje em dia, de toda a família apenas a última é ainda mencionada pelo Martirológio Romano.
Demétria viveu em Roma no século IV, na época do imperador Juliano o Apóstata, que teria condenado sua família à morte. Na "Passio Sanctae Bibianae", que data do século VII, é dito que o governador Aproniano, depois de ter condenado à morte os cônjuges Flaviano e Dafrosa, podendo então tomar posse de seus bens, tentou forçar a apostasia também de suas duas jovens filhas.
Demétria morreu trancada na prisão ou, segundo outras fontes, assustada com a visão do Imperador, antes de sofrer o martírio. No entanto, sua irmã Bibiana sofreu cruel martírio. Esta versão do fato serve como uma justificativa para a veneração das santas em duas datas distintas.
Contudo, se afirma em vários relatórios hagiográficos que o "dies natalis" de Demétria é relatado em dias diferentes, entre eles o de 21 de junho. O corpo de Santa Demétria recebeu sepultamento no túmulo dos pais e da irmã, próximo de sua casa no Esquilino, onde, por ordem do Papa Simplício, foi erguida uma capela e mais tarde a atual basílica.
As relíquias de São Flaviano tomaram caminho diferente e agora são veneradas na cidade de Montefiascone, Lazio. Os corpos de Dafrosa e das filhas Demétria e Bibiana foram encontrados em 1624 e dois anos mais tarde colocados em três relicários, sendo Papa Urbano VIII.
Seus santos despojos ainda estão abrigados no sarcófago constantiniano em alabastro oriental, sob o altar-mor da Igreja de Santa Bibiana. Parte das relíquias de Santa Dafrosa está mantida na Patriarcal Basílica de Santa Maria Maior, onde sua festa é comemorada em 04 de janeiro.
É bom lembrar que essa família santa é apenas um de muitos casos ocorridos em dois mil anos de Cristianismo quando famílias, à imitação da Sagrada Família de Nazaré procuravam se santificar e santificar sua prole.

Alguns bons exemplos disso são as famílias de Santos Mário e Marta com seus filhos Abaco e Audiface; Gregório e Nonna com os filhos Gregório, Cesário e Gorgonia; Luís Martin e Zélia Guérin com sua filha Teresa do Menino Jesus. Eles podem ser considerados os modelos mais próximos das famílias nas quais os cônjuges fizeram de seu casamento o caminho para merecer a santidade para si e para seus filhos.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Beato Nicolau de Gésturi, Irmão Capuchinho e Esmoler.



Em Gésturi, cidadezinha d ilha da Sardenha, Itália, com aproximadamente 1.500 habitantes, nasceu, no dia 04 de agosto de 1882, João Ângelo Salvador, filho de pais de posses modestas, mas religiosos. João era o quarto dentre cinco irmãos. Perdeu o pai aos cinco anos, e quando tinha treze, faleceu a mãe. Por isso, foi aceito como empregado não assalariado por um cidadão de razoáveis posses, sogro da sua irmã Rita, permanecendo aí mesmo após a morte deste seu parente.
Curando-se de grave doença reumática, em março de 1911, vai a Cágliari, ao convento Santo Antonio, para ser aceito como religioso capuchinho. Traz a recomendação do seu pároco, Padre Vicente Albana, em que diz ter se entristecido com a partida do jovem de sua paróquia onde sempre fora de edificação para todos, não só pela sua piedade, mas também pela sua vida ilibada e pela austeridade de seus costumes. Veste o hábito capuchinho no dia 30 de outubro de 1913 e troca seu nome de batismo pelo de religioso, Nicolau de Gésturi, nome pelo qual será definitivamente conhecido na ilha de Sardenha, iniciando assim o seu noviciado. Depois de oito meses, foi transferido para Sanluri, onde continuou o noviciado.
Emitiu sua primeira profissão no dia 01 de novembro de 1914, confirmando sua consagração total a Deus no dia 16 de fevereiro de 1919 com a profissão perpétua.
O primeiro trabalho como recém professo é na cozinha do convento de Sassari, na Sardenha. Embora tentasse exercer com capricho seu encargo, não conseguia agradar a muitos. Foi transferido para Oristano, depois para Sanluri onde fizera o segundo momento do seu noviciado.
Por fim, os superiores o enviaram para a capital da Sardenha, que será definitivamente o seu lugar, onde viverá a humildade e a obediência. Ali ele irá esmolar, batendo às portas, para o sustento dos freis que trabalhavam na pregação, ou atendiam outras urgências apostólicas.
Frei Nicolau assumiu, como referência para sua vida e serviço fraterno de esmoleiro, a Santo Inácio de Láconi que vivera justamente naquele mesmo convento uns 150 anos antes. Ao longo de 34 anos, como testemunha silenciosa, percorre as estradas a pé, sobe e desce pelas ruelas dos bairros de Castelo e Vilanuova, vai às vilas vizinhas de Campidano, para depois percorrer em todos os sentidos as ruas de Cágliari.

Nesse humilde serviço, a Frei Nicolau eram muitas vezes pedidos conselhos e orações, e não se esquecia de atender aos doentes em casa ou nos hospitais da cidade. Chegou-se a dizer que «era mais o que ele dava do que aquilo que recebia », e a sua vida era um apelo à conversão, ao amor, ao serviço do Senhor e dos irmãos. Soube enfrentar todas as dificuldades com admirável paciência e caridade. Cada um dos seus atos e palavras se transformava em oração ardente e contínua.
Para de caminhar pelas ruas de Caliári apenas quando encontra pela frente a irmã morte corporal, às 0 h e 15 min de 08 de junho de 1958, próximo do completar 76 anos.  
Veneradíssimo em toda ilha, sessenta mil pessoas acorreram aos seus funerais, iniciados às 17 horas do dia 10 de junho. Apesar da chuva forte e continua, a população que desfilava bloqueou por horas o tráfico de Cagliari, para chegar até ao cemitério.
Foi dito que, mais do que um funeral, era um cortejo triunfal, transformado em seguida numa continua peregrinação até o dia 02 de junho de 1980, quando seus restos mortais foram transferidos para a igrejinha de S. Antonio, onde pedira o ingresso na ordem capuchinha.


Espiritualidade da simplicidade, da humildade, do amor ao próximo e do serviço.
O seu olhar silencioso era, sobretudo, uma contemplação de Deus, agradecimento por quanto recebia das pessoas, perdão para os que o injuriavam e o consideravam um vagabundo, especialmente para os comunistas que no violento abril de 1948 o consideravam um agitador propagandista clerical em que o moeram de paulada. Também neste lamentável acontecimento, Frei Nicolau respondeu com o silêncio. Chamado à polícia, não quis denunciar ninguém porque não lhe acontecera nada mais grave.
Tal estilo de vida silenciosa é típico da espiritualidade franciscana. Frei Nicolau tinha lido e meditado o famoso discurso silencioso de São Francisco, com um seu companheiro, pelas ruas de Assis.
Ninguém conhecia melhor a linguagem eloquente da existência transfigurada de Frei Nicolau do que o povo. Quando Frei Nicolau subia num ônibus, todos queriam pagar-lhe a passagem e ceder-lhe o lugar. Ele agradecia com um sorriso, colocava os óculos para reler algum pensamento espiritual de um seu caderninho de anotações, enquanto os presentes gritavam: “Silêncio, Frei Nicolau está rezando”. Num mundo agitado e transtornado pelo barulho, o Frei criava, com sua presença, um oásis silencioso de intimidade divina.
Um homem reservado, baixo de estatura, de passo lento, olhos voltados para a terra, com a tradicional sacola dupla de carregar aos ombros, o rosário entre os dedos, um pouco desleixado no vestir, Frei Nicolau possuía todos os requisitos para afastar simpatias, particularmente em certos níveis sociais e nos portões de casas senhoris. A não ser em casos excepcionais, o esmoler capuchinho não entra, por principio, nas residências. Quando o proprietário não está, senta-se no último degrau, e com paciência, aguarda o retorno. E nos últimos anos, também sentava para descansar um pouco os seus pés sempre descalços.
De início, era o frade que procurava; depois se tornou o frei procurado. As multidões o cercavam. Ele é buscado por muita gente. Por modéstia, habitualmente não olha em rosto as pessoas, mas vê tudo o que se passa no fundo dos corações. Apesar de tudo, Frei Nicolau expande ao seu redor um halo de veneração.
É um frei capuchinho autêntico. Vive com seriedade a Regra Franciscana. O capítulo III ensina: “os freis quando vão pelo mundo, sejam mansos, pacíficos, modestos, bondosos e humildes, falando honestamente com todos, como convém”.
As intervenções orais de F. Nicolau eram sempre telegráficas, e abordavam necessariamente a temática da oração da qual estava embebido, porque deviam responder a um contínuo pedido do povo: “Frei Nicolau, reza por nós”!  E ele, sem jamais se cansar: “Rezemos... rezai... rezai que o Senhor vos escuta. E rezai também por mim”.
Os escritos que se conservam – porque o frei recebia pedidos também por carta – não eram menos telegráficos do que suas conversas, e ressentem de sua cultura limitada ao terceiro ano do curso fundamental. Os meios usados não eram os mais elegantes – por respeito ao voto de pobreza – aproveitava folhas de papel relegados pelos outros, desde que tivessem algum espaço mínimo com algumas linhas.   
Abolida a clausura, os deserdados, os sem teto, os famintos se dirigiram ao convento, onde ele continuou sua missão de socorro e de mendicante se transformou em generoso doador. O pobre de Deus, com seu hábito remendado, e sandálias mal costuradas, habituado a repousar por poucas horas sobre duas tábuas, acabou se transformando num senhor hospitaleiro, sem ter ares de patrão, antes se apresentava como irmão carinhoso de todos os que o buscavam. Quando a sirene de alarma soava que os bombardeios tinham terminado, Frei Nicolau saia por primeiro do convento e buscava os lugares mais atingidos da cidade para levar os primeiros socorros. Assim foi a vida desse grande homem de Deus.
Foi beatificado por São João Paulo II aos 03 de outubro de1999.



Oração
Ó Deus e Senhor nosso, fazei que na comemoração do nosso Beato Nicolau de Gésturi possamos, a seu exemplo, servir- vos sempre na escola do amor, da simplicidade e do silêncio. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Serva de Deus Leônia Martin (Irmã Francisca Teresa), Virgem da Ordem da Visitação e Irmã de Santa Teresinha.



Lisieux - França (Sexta-feira, 30-01-2015, Gaudium Press) 
A família de Santa Teresa de Lisieux bem pode considerar-se um modelo de santidade. Não só esta religiosa e Doutora da Igreja é amplamente venerada como uma das santas mais queridas pelos crentes, mas que seus pais, Louis Martin e Célia Guérin, foram beatificados por São João Pulo II em 2001. Agora a esta ilustre representação celestial da família Martin poderá unir-se a hoje Serva de Deus Lêonia Martin, irmã e considerada discípula de Santa Teresa. O Bispo de Bayeux e Lisieux, França, Dom Jean-Claude Boulanger, deu início formal ao processo diocesano para estabelecer a heroicidade de suas virtudes, o primeiro passo com vistas a sua possível beatificação.

O chefe de imprensa da Diocese, Padre Laurent Berthout, indicou que a fama de santidade de Leônia Martin, cujo nome religioso foi Irmã Francisca Teresa, motivou a Igreja a começar as indagações sobre suas virtudes. "Por muitos anos, as pessoas se confiaram às orações de Leônia Martin, vindo até sua tumba no Mosteiro da Visitação, onde foi religiosa de 1899 a 1941", relatou o sacerdote, que afirmou que os devotos tem oferecido testemunhos de graças obtidas por intercessão da religiosa. "Leônia Martin viveu uma vida simples, humilde e oculta na sombra do claustro. Ela desejava viver a espiritualidade de São Francisco de Sales fazendo 'tudo através do amor, nada através da força".

Neste caminho tomou como mestra sua irmã, Santa Teresa, "que lhe ensinou a viver pelo Amor nas ações mais humildes e cotidianas", destacou o porta-voz. "Leônia deu testemunho com sua vida da possibilidade de vivê-lo plenamente, inclusive apesar de suas limitações de caráter, saúde e provas". Precisamente estas dificuldades são o traço mais característico de sua vida, a qual apresentou uma infância difícil caracterizada por graves enfermidades que motivaram a sua tia, religiosa da Visitação, a pedir a intercessão de Santa Margarida Maria Alacoque através de uma novena após a qual finalmente se recuperou, apesar de que com sequelas que a afetaria pelo resto da vida.

Irmã e discípula

Leônia teve que vencer um caráter muito difícil, uma grave tendência a desobedecer aos seus pais e pouca habilidade nos estudos. Sendo frágil e instável seu cuidado foi confiado a uma criada que acabou maltratando-a e ameaçando-a para que não informasse aos seus pais. Todas estas condições constituíram uma infância que a própria Serva de Deus não gostava de recordar. A única pessoa que manifestou esperança em que Leônia demonstrasse ser uma pessoa de grande valor foi sua tia religiosa, que escreveu naquela época: "ela é uma menina difícil, mas eu creio que mais tarde ela será tão valiosa como suas irmãs. Tem um coração de ouro e, se sua inteligência é lenta, encontro nela bom juízo".

No entanto, a morte de sua irmã Helene aos cinco anos de idade e a enfermidade e morte de sua mãe em 1877 significaram novas provas em sua vida e ela junto à sua irmã Celine tiveram que cuidar da enfermidade de seu pai após o ingresso de Pauline e Teresa à vida religiosa. O beato Louis Martin teve que ser ingressado em um hospital psiquiátrico em Caen, em 1889 e as irmãs se mudaram próximo deste lugar, o que permitiu que Leônia retomasse contato com o Mosteiro da Visitação. Tentou ingressar na Ordem das Clarissas Pobres de Alençon, mas teve que deixá-las por problemas da comunidade. Logo foi admitida na Visitação em 1887, mas sua saúde e certa instabilidade lhe impediram seguir a vida religiosa. Regressou para a Visitação em abril de 1894, poucos meses antes da morte de seu pai, para ter que sair novamente, quando Celine havia entrado no Carmelo e Leônia ficava sozinha pela primeira vez.

Antes de sua morte, Santa Teresa de Lisieux profetizou que ao morrer obteria a graça de que Leônia pudesse ingressar e permanecer no Mosteiro. Esta promessa se cumpriu e em 02 de julho de 1900, Leônia pode fazer finalmente seus votos finais. Serviu como subordinada no Mosteiro, desejando desaparecer ante o mundo. Tinha grande gosto em ler a História de uma Alma escrita por sua irmã, na qual ela identificava também traços da espiritualidade de São Francisco de Sales, o que lhe permitiu assumir o caminho da infância espiritual, que considerou unida à de sua própria congregação. "Minha espiritualidade é a de Teresa e, portanto, a de nosso santo fundador", escreveu. "Sua doutrina e a dela são uma. Ela é a alma que nosso grande doutor sonhou!".

Leônia dominou seu caráter e se tornou uma religiosa cheia de paz, dedicada à gratidão a Deus e de notável alegria e servicialidade. Ao aproximar-se sua morte, a Madre Inês (sua Irmã Paulina) lhe propôs que chegado o momento permitisse que seu corpo fosse sepultado junto a suas irmãs no templo erigido em honra de Santa Teresa. A religiosa declinou esta proposta: "Sou uma Visitandina, quero ficar na Visitação". Desta forma seu túmulo está localizado no Mosteiro da Visitação de Caen, onde viveu, e o lugar se converteu em lugar de peregrinação de muitos fiéis que visitaram antes o Santuário de Santa Teresa. (GPE/EPC)


Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/66812-Leonia-Martin--irma-de-Santa-Teresa-de-Lisieux--pode-chegar-aos-altares#ixzz3dMkWDgCL




Segundo texto

Lêonia, irmã de Santa Teresinha, poderá ser beatificada

O Bispo de Bayeux-Lisieux, França, Dom Jean-Claude Boulanger, anunciou a intenção de iniciar a causa de beatificação e canonização de Leônia Martin, a irmã “difícil” de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Leônia era a terceira filha de Louis e Zélia Martin, o casal que foi beatificado por Bento XVI em 19 de outubro de 2008. Além disso, era irmã de Santa Teresinha do Menino Jesus, uma das santas mais queridas pelo Papa Francisco, Doutora da Igreja Universal e padroeira das missões.

Religiosa da Ordem da Visitação, Leônia foi uma menina frágil, insegura e introvertida, que deu muita dor de cabeça aos seus pais e que também lutou para viver a sua vocação à vida religiosa.

Em declarações, o carmelita descalço padre Antonio Sangalli, postulador da causa, explicou que Leônia, “embora tenha sido expulsa três vezes do convento, alcançou o seu objetivo de ser religiosa. Isso demonstra que com perseverança é possível alcançar a vontade de Deus”.

“As dificuldades de Leônia eram devidas principalmente à rigidez da regra de sua ordem, muito difícil de seguir naqueles tempos, porém, isso não sepultou o único talento recebido, mas empregado de modo frutífero, realizando plenamente a sua vocação”, assinalou.

Atualmente, a causa se encontra em seu processo histórico, com o recolhimento de todos os textos relacionados a sua vida. Antes de iniciar oficialmente, o bispo de Bayeus-Lisieux deve receber o “nihil obstat”, ou seja, a conscientização oficial da Igreja Católica do ponto de vista moral e doutrinal que outorga a Congregação para as Causas dos Santos.


Certo da santidade

“O trem partiu e está caminhando… para Roma”, afirmou o padre Sangalli. O postulador está certo de que Leônia já goza de grande fama de santidade, e recorda que o seu túmulo, na cripta do Mosteiro da Visitação em Caen, França, está sempre cheio de fiéis de todo o mundo que chegam para venerá-la.

“Vêm para rezar. Pedem-lhe favores e encontram nela ajuda espiritual. Sua fé se vê reforçada pelo exemplo desta humilde religiosa visitandina e, além disso, recebemos muitas cartas de pessoas que asseguram ter recebido graças”, afirme o sacerdote.

Leônia, de nome religioso Irmã Francisca Teresa, sofreu problemas físicos na infância. “Não tinha as qualidades humanas de suas outras irmãs, mas soube se abandonar em Deus, que chama a todos. Independente de suas qualidades, ninguém fica excluído no chamado à santidade”.

A terceira filha de Louis e Zélia também teve uma relação muito próxima com Santa Teresinha, com quem se comunicava com frequência por meio de cartas. Depois da morte da doutora da Igreja, Leônia decidiu tentar entrar de novo ao mosteiro, seguindo a “pequena via” traçada por Santa Teresinha, com confiança e abandono em Deus.


O fim da vida

O padre Sangalli disse também que Leônia conseguiu entrar definitivamente no mosteiro, o que “demonstra que a doutrina de Teresinha não serve somente para os carmelitas, mas para todos. Com a pequena via, Leônia se tornou mais visitandina, permanecendo sempre na espiritualidade de São Francisco de Sales e Santa Francesca de Chantal, os fundadores da Ordem da Visitação”.

Leônia morreu em 17 de junho de 1941 com 78 anos de idade no mosteiro onde vivia. Atualmente, seu sepulcro se converteu em um refúgio para os pais preocupados com a educação dos filhos que encontram nela um exemplo e um apoio. São muitos os relatos de graças alcançadas por esses pais que buscam na Serva de Deus uma irmã e intercessora.

Fonte: http://noticias.cancaonova.com/irma-de-santa-teresinha-podera-ser-beatificada/


terça-feira, 16 de junho de 2015

SÃO TIAGO BERTHIEU, Presbítero, Missionário e Mártir.


São Tiago Berthieu nasceu a 27 de Novembro de 1838 em Polminhac, Cantal (França) e morreu em 8 de Junho de 1896 em Ambiatibé (Madagascar). Era um sacerdote Jesuíta francês, missionário em Madagascar. Foi fuzilado durante a rebelião (1896) Menalamba. É o primeiro mártir e santo malgache (de Madagascar).

Biografia
Nasceu na região de Montlogis, em Polminhac, onde seus pais eram fazendeiros. O jovem Jacques (Tiago) fez seus estudos no Seminário de Saint-Flour (Cantal). Ordenado sacerdote em 21 de Maio de 1864 em Saint-Flour, foi nomeado vigário de Roannes-Saint-Mary.
Desejando partir em missão, ele pediu para ser admitido na Companhia de Jesus e entrou no noviciado, em Pau, em 1873. Nem bem seu noviciado havia terminado, em 1875, Padre Jacques foi enviado à Ilha de Nosy Boraha, então colônia francesa, próxima a Madagascar, para lá aprender a língua malgache. Com outros dois Jesuítas e as Irmãs de São José de Cluny, formou uma equipe missionária bem dinâmica.
E o que é ser missionário? Ser missionário é fazer-se tudo a todos, no interior e no exterior. Ocupar-se de tudo, das pessoas, dos animais e das coisas, jamais esquecendo o desejo final de ganhar almas... Em resumo: ser presença de Cristo no meio de almas que ainda não conhecem a Boa Nova de Jesus ou a conhecem muito pouco. É ser “pastor de ovelhas” e “médico de almas e de corpos”.

As dificuldades na missão e a força que vem do alto...
As leis de Jules Ferry (relativas ao ensino obrigatório laico na França), em 1881, obrigaram-no a permanecer na Ilha de Madagascar, então reino independente. O Padre Jacques trabalhou ali como missionário no distrito de Ambohimandroso, ao Sul de Antananarivo, de 1881 a 1883. Durante a primeira guerra franco-malgache ele esteve em Tamatave como capelão militar. Ele foi um catequista incansável nas terras missionárias de Madagascar; trabalhou contra as injustiças e limitações, aliviando como podia os pobres, os doentes e marginalizados... Os malgaches o consideravam como um pai, vindo do Céu.
De 1886 a 1891 dirigiu a missão de Ambositra onde instalou inúmeros postos missionários e desenvolveu o sistema escolar. Em 1891, Padre Jacques estava encarregado de dois postos ao Norte de Antananarivo. A situação estava difícil por lá; as rivalidades entre protestantes e católicos estavam cada vez mais intensas.
Sua união pessoal com Deus, vivida na oração, se concretizava no zelo pastoral e no amor fraterno. Amor fraterno, no meio das dificuldades e rivalidades das tribos e bandos contrários.

Fuzilado. “Bem-aventurados os perseguidos por causa de mim”...
Durante a segunda guerra colonial franco-malgache (1894-1895), o missionário se encontrava na Ilha Reunião. Retornou, em seguida, à ilha maior, Ambatomainty. Em 1896, Irmão Jacques foi vítima da insurreição político-religiosa – oposição ao cristianismo e ao poder francês – do movimento Menalamba. Os cristãos eram frequentemente ameaçados. O religioso procurava colocá-los sob a proteção das tropas francesas. Assim, um grupo de cristãos que ele conduzia a Antananarivo foi afastado dos soldados e atacado pelos Menalamba em 7 de Junho de 1896.
Semelhantemente aos cristãos que ele acompanhava, Irmão Jacques foi preso e submetido aos maus-tratos. Em 08 de Junho de 1896, todavia, propuseram-lhe salvar sua vida se ele renunciasse à fé cristã. O missionário recusou-se a cometer este ato de apostasia. Então, foi fuzilado. Isto aconteceu em Ambiatibé, a 60 km de Antananarivo (Tananarive). Mais tarde, arrependidos, alguns daqueles que o mataram decidiram pedir o Batismo. Que milagre da Graça!


Beatificação e Canonização
Jacques (Tiago) Berthieu foi beatificado em 17 de Outubro de 1965 pelo Papa Paulo VI durante o Concílio ecumênico Vaticano II. É celebrado no dia 8 de Junho na Província Jesuíta da França e em 04 de Fevereiro nas outras províncias da Companhia.
Foi canonizado em outubro de 2012, pelo Papa Bento XVI, junto com Pedro Calungsod, João Batista Piamarta, Maria Carmen Sallés, Mariana Cope, Catarina Tekakwitha e Ana Schäffer.
Que o testemunho de Tiago Berthieu nos ajude a reconhecer a força da fragilidade e a de sermos fiéis à nossa vocação batismal. Deus abençoe o Madagascar!


“Há 18 meses que estou a uma longa jornada de Tananarive, sem companheiro pela primeira vez na vida, tendo 18 lugares para atender numa vasta extensão. Eis-me aqui, portanto, missionário para tudo o que é bom e me formei para isso. As minhas forças diminuem, mas ainda posso montar bem a cavalo. Uma vez por mês, na reunião dos padres, vou à capital para os assuntos. Não vai demorar muito. Eis aqui a minha vida em jogo. Para resumir, este é o lugar onde o Reino de Deus sofre violência por toda a parte de muitos inimigos maus e poderosos” (S. Tiago Berthieu, SJ)

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Beato José (Giuseppe) Antônio Tovini, Leigo, Educador e Terciário Franciscano.


Martirológio Romano: Em Bréscia, cidade italiana, Beato José Antônio Tovini, que, sendo professor, ocupou-se em erigir numerosas escolas cristãs e em promover a construção de obras públicas e, em toda sua atividade, deixou testemunho de sua vida de oração e de suas virtudes.

José (Giuseppe) Tovini nasceu em 14 de março de 1841, em Civitate Camuno, província de Bréscia. Recebeu uma educação especialmente austera. Seus estudos estiveram ao ponto de interromper-se, porém a intervenção do Padre João Batista Malaguzzi, tio materno, conseguiu para o mesmo uma vaga gratuita no colégio para jovens pobres, fundado em Verona, pelo Padre Nicolau Mazza.
Passou também pelo seminário diocesano, onde foi muito apreciado pelos companheiros e professores. A morte de seu pai, em 1859, e a difícil situação econômica da família – era o mais velho de seis irmãos – o fez abandonar a ideia de fazer-se missionário, em meio a grandes lutas interiores. Em 1860, inscreveu-se na Faculdade de Jurisprudência de Pádua: trabalhava para sustentar-se fazendo práticas no despacho de um escritório de advocacia e dando aulas particulares. Nas vésperas de doutorar-se brilhantemente na Universidade de Pavia, morreu sua mãe. Ao terminar seus estudos, trabalhou assessorando um advogado e prestando consultoria um notário de Lovere. Ao mesmo tempo, exerceu o cargo de vice-reitor e professor de um colégio municipal, tarefa que desempenhou durante dois anos: era o único que rezava ao começar e ao terminar suas aulas e comungava cada domingo.
Em 1867, transferiu-se para Bréscia. Ali foi declarado idôneo para o exercício da advocacia (espécie de “prova da OAB” para a época) e trabalhou desde 1968 com o advogado Corbolani, com cuja filha Emília se casou sete anos mais tarde, em 06 de janeiro de 1875, decidindo definitivamente sua vocação. Tiveram dez filhos, dos quais um foi jesuíta e duas religiosas. Foi pai solícito e afável, educador atento, que inculcou em seus filhos os princípios da moral católica.
Em 1871 a 1874 foi alcaide de Cividate, promovendo numerosas iniciativas.
Em 1977 ingressou no movimento católico bresciano e participou na fundação do diário “O Cittadino di Brescia”, de cuja direção administrativa e organizativa se ocupou. Nesse mesmo ano participou na formação do comitê diocesano da Obra dos Congressos, do qual foi nomeado presidente (percorreu toda a província para organizar os comitês paroquiais); logo, foi sucessivamente: presidente do comitê regional lombardo, membro do conselho diretivo, presidente da terceira seção de educação e instrução, membro do conselho superior e vice-presidente da Obra.
Ingressou na Terceira Ordem Franciscana em 1881. Progrediu no exercício das virtudes cristãs, em particular nas características da espiritualidade franciscana: a ascese, a simplicidade, a pobreza, a oração e o diálogo respeitoso.
Empenhou-se muito na política: foi eleito repetidamente conselheiro municipal em Bréscia. Favoreceu iniciativas e instituições inspiradas, organizadas, fundadas e orientadas por ele, através de programas apresentados em congressos católicos italianos em Bréscia, na Lombardia, assim como em âmbito nacional. Susteve e apoiou outras muitas iniciativas de caráter social, como as Casas de Desenvolvimento Municipal. Propôs a fundação da União Diocesana das sociedades agrícolas e das Casas Municipais. Fundou em Bréscia o Banco de São Paulo e, em Milão, o Banco Ambrosiano.
Porém, onde multiplicou seus esforços foi no setor educativo e escolar. Defendeu com afinco o ensino religioso nas escolas para tutelar a fé e a moral dos jovens, e a liberdade de educação. Defendeu a escola livre como instrumento eficaz para formar a juventude nas tarefas de responsabilidade civil e social. Promoveu a ereção de círculos universitários católicos e colaborou na fundação da “União Leão XIII” de estudantes de Bréscia, da qual nasceu a FUCI (Federação de Estudantes Católicos Italianos). Fundou a revista pedagógica e didática “Escola Italiana Moderna”, de difusão nacional; o semanário “A Voz do Povo”; o “Boletim dos Terciários Franciscanos”, etc. Propôs arrecadar fundos para uma universidade católica.
Tratou sempre de que a Igreja tenha uma presença cada vez mais decisiva no mundo do trabalho, o que o levou a fazer uma propaganda intensa e constante para a fundação das Associações de Trabalhadores Católicos. Em sua última fala pública, falou do Apostolado da Oração, dirigindo um apaixonado convite à comunhão Eucarística. É admirável sua grande obra, apesar de sua pouca saúde. Faleceu em 16 de janeiro de 1897 prestes a completar 56 anos.

São João Paulo II o beatificou em Bréscia em 20 de setembro de 1998.

Beato Jorge Matulaitis, Bispo e Fundador.



 
Jorge Matulaitis ficou órfão desde tenra idade, quando em 1874 faleceu seu pai e pouco depois, em 1881, sua mãe. Durante a infância foi vítima de tuberculose numa perna, da qual sofreu todo o resto da sua vida.
Alcançou o Doutorado em Teologia na Universidade de Friburgo, na Suíça. Ensinou depois Latim e Direito Canônico no Seminário de Kielce. Era também o responsável pelo departamento de sociologia e o vice-reitor da Academia Espiritual de São Petersburgo, onde ensinava Teologia Dogmática.
Foi um notável professor, cônego, diretor espiritual e confessor, todavia acabou por renunciar o seu cargo na Academia para trabalhar na revitalização mariana. Foi ordenado sacerdote em 20 de Novembro de 1898 e alguns anos mais tarde professou, como religioso na Congregação Mariana, em 1909.

Reformou os Marianos da Imaculada Conceição, modificando as Constituições, o hábito e a forma de vida. Jorge Matulaitis fundou as Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria em 15 de Outubro de 1918 e foi ordenado Bispo de Vilnius a 8 de Dezembro do mesmo ano.
Ele fundou ainda a Congregação das Servas de Jesus Eucarístico, em 1924, na cidade de Belarius. Estabeleceu igualmente casas religiosas dos Marianitas em Bielorússia, na Polônia; Marijampolé, na Lituânia, Friburgo, na Suíça e em Chicago, nos Estados Unidos.


Em 1926 Jorge Matulaitis viajou pela segunda vez até aos Estados Unidos, onde participou no Congresso Eucarístico. Jorge Matulaitis lutou vigorosa para defender os direitos da Igreja e a liberdade do povo. Renunciou à sua Sé em 14 de Julho de 1925. No dia 1º de Setembro do mesmo ano, o Papa Pio XI nomeou-o arcebispo e visitador Apostólico na Lituânia. Um pouco mais tarde o Vaticano enviou-o a Vilnius para completar a Concordata com o governo Lituaniano e restaurar assim relações diplomáticas, o que o arcebispo conseguiu pouco tempo antes de falecer a 27 de Janeiro de 1927.
No dia 28 de Junho, após um longo processo, Jorge Matulaitis foi beatificado pelo Papa São João Paulo II.

http://alexandrina.balasar.free.fr/