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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Serva de Deus Maria da Conceição de São Jaime e Santa Teresa, Virgem Carmelita Descalça. Apóstola da Devoção ao Coração de Jesus.


Maria da Conceição de Oleza Gual de Torrella nasceu a 25 de Abril de 1905, no seio de uma das famílias mais importantes e abastadas, em em Palma de Maiorca. Foi batizada no dia seguinte na Paróquia de Santa Eulália de Palma de Maiorca.
Era a primogênita de nove filhos de uma família feliz. Seus pais, Jaime de Oleza e de Espanha e Maria da Conceição Gual de Torrella e de Villalonga, eram cristãos fervorosos e grandes devotos do Coração de Jesus. Recebeu uma esmerada educação e formação humana, religiosa, cultural e artística.
Fez a sua Primeira Comunhão aos sete anos de idade.
Maria era uma exímia pintora e deixou-nos um vasto espólio que revela bem um sentido artístico apurado.
Simpática, bonita, elegante participava com entusiasmo em todas as festas e bailes, como era costume entre as pessoas da sua condição social.
Adorava a leitura, o desporto (tênis, natação e equitação) e cinema. Aos 22 anos, enamorou-se radicalmente por Jesus e iniciou um processo de discernimento vocacional.
Maria entrou no Carmelo a 24 de Outubro de 1928, dia de São Rafael. Contava então 23 anos.
No dia 25 de Abril de 1929 recebeu o hábito e tomou o nome de Maria da Conceição de São Jaime e Santa Teresa (para homenagear seu pai, sua mãe e sua nova mãe, Santa Teresa). No ano seguinte fez os primeiros votos e passados três anos fez a sua Profissão Solene como carmelita descalça.
Foi priora durante 21 anos, não consecutivos, e a que mais tempo exerceu o cargo desde a fundação do mosteiro em 1617.
Durante os 70 anos de vida religiosa, empenhou-se na santidade mediante o cumprimento da Regra e das Constituições, com um esforço constante e crescente: “sem mitigação, até à morte”.
Grande devota do Sagrado Coração de Jesus, a Ele se consagrou e n’Ele estabeleceu a sua morada. Repetia continuamente a jaculatória: “Coração de Jesus, eu confio em Vós”.
Era de uma profunda humildade, duma caridade sempre em ação e duma esperança sempre renovada.
Viveu por amor e para o Amor, por isso pôde dizer no final da sua vida: “No Carmelo fui imensamente feliz”.
Na sua vocação contemplativa, a Madre Conceição imolou-se cada dia, numa doação por amor, no silêncio e na humildade do Carmelo, oferecendo a sua oração pela salvação dos homens e pelas necessidades do mundo.


Num dos seus escritos, no Carmelo, ela escreveu: “Procurei olhar Jesus no seu zelo pelas almas, para imitá-lo em Nazaré, na sua vida de trabalho e na sua vida apostólica. Quero, meu Deus, que toda a minha vida seja apostolado, à carmelita, oculta no Teu Coração”.
Entregou a sua alma a Deus aos 93 anos de idade no dia 07 de Fevereiro de 1999. Sua morte foi acompanhada por muitos sinais que revelavam o quanto sua alma era querida por Deus.
Foi iniciada a sua causa de canonização na diocese de Palma, como eco do seu odor de santidade que cada vez mais se espalha por toda a parte.
Foi imitando Jesus, na sua vida escondida de Nazaré, que a Madre Conceição se santificou e irradiou, à sua volta, a vida da graça.


Cronologia de sua vida:
Nascimento: 25 de Abril de 1905
Batismo: 26 de Abril de 1905
Confirmação: 12 de Junho de 1907
Primeira Comunhão: 20 de Junho de 1912
Entrada no Carmelo: 24 de Outubro de 1928
Profissão Simples: 26 de Abril de 1930
Profissão Solene: 26 de Abril de 1933
Falecimento: 07 de Fevereiro de 1999



Alguns pensamentos da Serva de Deus:
1.  “Contemplar com frequência o Infinito que me envolve por todo o lado, perder-me n’Ele e eliminar todas as formas de orgulho. – Destinar um momento de manhã e outro à tarde para pensar n’Ele de joelhos, saboreando estas lindas palavras: ‘Meu Deus e meu tudo!’”.
2.  “Assistir à Santa Missa, como o ato maior do dia, como se estivesse no calvário, na companhia de Maria”.
3.  “Em cada hora pedir o reinado do Coração de Jesus e pelos sacerdotes”.
4.  “Quero deveras trabalhar para alcançar a santidade. Não quero ser uma mancha na Igreja e na Ordem”.
5.  “Proponho-me amar a Deus com todo o meu coração, apaixonadamente, e ao próximo por Deus, com delicadeza como trataria a Cristo”.
6.  “Fazer tudo como faria Jesus, pensando em Deus, amando a Deus e fazendo tudo por ser a vontade de Deus, e renovar estes atos 12 vezes cada hora”.
7.  “Como vão passando os anos, vejo com mais claridade que o fim da nossa vida é conhecer, amar e servir a Deus nesta vida e depois vê-Lo e gozá-Lo eternamente…”.
8.  “Não posso perder nem um minuto”.
9.  “Quero ser santa custe o que custar”!
10.                    “O amor não cansa. Se se cansa, não é amor”...
11.                     “Amar é dar-se, sacrificar-se, esquecer-se para agradar aquele a quem se ama”.
12.                    “Terrível o poder da natureza humana: poder dizer sim, ou não, a Deus. Se dizemos não da Deus, diante da perfeição que exige de nós, privamo-nos de inumeráveis graças, e talvez milhares de almas não se salvarão… Diante da vontade de Deus, nas pequenas ou grandes coisas, devemos responder como a Virgem: Ecce ancilla Domini. Fiat… Sempre Fiat”.
13.                    “Proponho-me evitar toda a imperfeição deliberada e trabalhar para diminuir os pecados e faltas semideliberadas. Convenci-me que devo tudo a Jesus Cristo e que até agora não fiz quase nada, senão pecar e perder tempo”.
14.                    “Diante de Jesus Crucificado proponho-me firmemente unir-me a Ele em todas as minhas obras e fazê-las como Ele as faria”. (Exercícios Espirituais de 1958).
15.                    “Quanta diferença entre a minha pobreza e a pobreza de Cristo! Cristo num pobre estábulo, e eu em acomodado aposento; Cristo alegra-se numa total penúria, e eu queixo-me de que me falta o não necessário; Cristo padece necessidades na habitação, alimentação e vestuário; e eu só desejo roupa delicada, comida saborosa e esplêndida habitação. Quando imitarei o que adoro”?
16.                    “Estarei sempre indiferente a viver em qualquer lugar, e a tomar qualquer alimento, ainda que seja o mais incômodo e vil, alegrando-me de sentir os efeitos da santa pobreza. Estando onde Tu quiseres, qualquer choça me servirá de palácio”.
17.                    “Ó, Senhor, que ouves o desejo do pobre, dá-me aquilo que o mais pobre dos pobres considere rico tendo-Te a Ti”.  (Madre Maria da Conceição de S. Jaime e Santa Teresa, Exercícios de 1957).




ATO DE CONSAGRAÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
(A Madre Conceição consagrou-se ao Coração de Jesus com esta fórmula)

“Minha Mãe Imaculada, ainda que seja uma tua indigna filha, venho até ti, pois sei que nesta ocasião te agradará o meu desejo. Quero ser toda do Coração de Jesus, mas sendo tu minha mãe não quero dar um só passo sem ti. Aqui tens a minha pobre consagração, acolhe-a como te aprouver e depois nas tuas puríssimas mãos, ou se achares melhor guardada no teu puríssimo Coração, apresenta-a ao Coração do teu Filho, e logo, Mãe querida, toma o encargo de ma fazer cumprir, a fim de que conste, eternamente, que tudo o que eu alcançar por esta via, a glória, depois do Coração de Jesus, se deve a ti.
Coração dulcíssimo de Jesus, meu Rei de bondade e de amor, quero ser tua por completo e para sempre. Aceito gozosa este pacto que desejas, tão doce e tão honroso, de cuidares Tu de mim, e eu de Ti, ainda que saias a perder.
Aqui me tens, a mim e tudo que é meu; é tudo Teu. Faz o que quiseres, sem atender o meu gosto ou desconsolo que, ainda que morra em Ti esperarei e de Ti me fiarei. Aqui tens a minha alma com as suas potências e a sua liberdade, para que a uses sem limites.
A minha salvação eterna, o meu grau de glória no Céu, e de virtude na terra, o meu progresso espiritual; em tudo nada quero que Tu não queiras, pois os meus interesses, agora, são os Teus.
O meu corpo, a minha saúde e vida, dá-me o que Te agradar e na medida da Tua vontade. As minhas boas obras, feitas ou por fazer, até ao meu último instante, de pouco te servirão, mas quanto valham, aí as tens.

Como não são minhas já não disporei delas, senão nos casos de obrigação, ou nas obras pedidas pela caridade, mas com a condição expressa de que sejam do Teu agrado.
Quanto por mim oferecerem, durante a minha vida ou depois da minha morte. Os meus assuntos, a minha família, ofícios, projetos, amigos, obras de zelo, etc. Tu sabes melhor do que eu o que mais convém para a Tua glória e para o meu bem. Faz tudo como Te agradar, ainda que me custe.
Em tudo isto quero fazer como se o êxito dependesse só de mim, mas que o resultado seja só Teu, não as minhas pobres diligências, mas que Tu leves tudo ao seu término.
Quero meu Deus, esquecer-me por completo de mim mesma, e de todo o interesse próprio, e confiar absolutamente em Ti, descansando com paz, segura e tranquila na Tua doce providência. Ajuda-me a consegui-lo.
Proponho-me fazer tudo quanto possa para não ter outro ideal na terra nem no céu que os teus santos interesses. Trabalhar para que reines em todos os corações, servindo-me, para isso, de todos os meios que estiverem ao meu alcance, a saber:
- Oração, o mais constante possível, pedindo o Teu reinado em todas as partes e a todas as horas: na Igreja, em casa e em todas as ocupações diárias.
- Sacrifício passivo de aceitação resignada e alegre, de quantos sofrimentos possam aparecer, dessas mil coisas pequenas que se oferecem diariamente, e de outras mais graves que a Providência permita, para que Tu reines;
- Sacrifício ativo, com penitencias externas e vencimentos internos do meu caráter, feitio, paixões e más inclinações, sobretudo conseguindo, com valentia, a mortificação contínua nas mil pequenas coisas que se oferecem a cada momento.
- Atos de virtude, cumprindo com esmero os deveres de cada instante, dando muito bom exemplo, mas sem chamar a atenção em nada.
- Propaganda do que Tu me inspirares. E como vejo, com pena, que além de não reinares em milhares de corações, o Teu Santo Nome é ultrajado e traído por causa das nossas culpas, sobretudo as que tocam o Sacramento do Teu Amor, eu quero fazer o possível, com o sofrimento, preces e sacrifícios, vida santa, apostolado, para reparar a Tua honra e glória divinas e restituir-lhes, segundo a minha pequenez e miséria, a luz e o esplendor que Te é tão merecido.

Por último proponho:
- Vida Eucarística o mais intensa possível com a comunhão diária, sobretudo nas primeiras Sextas-feiras. Com visitas ao Santíssimo Sacramento, sempre que possível pessoalmente, e continuamente em espírito.
- Ler e meditar, quanto me for possível, coisas desta Devoção, para melhor conhecê-la, praticá-la e divulgá-la.
- Renovar todos os dias esta minha consagração com a maior seriedade.
Muito me determinei a fazer, Coração amabilíssimo, mas como Tu, mais do que eu, há de ser quem agirá, não duvido em comprometer-me. Tudo espero de Ti, de mim não espero nada e alegro-me que assim seja, a fim de que eternamente conste que toda a glória é Tua e a mim não se deve coisa alguma”. Amém.




Consagração ao Coração de Jesus (fórmula resumida)

Coração de Jesus… quero ser tua por completo e para sempre. Aceito gostosa este pacto que desejas, tão doce e tão honroso, de cuidares Tu de mim, e eu de Ti… Ainda que morra em Ti esperarei e de Ti me fiarei… Quero meu Deus, esquecer-me por completo de mim mesma e de todo o interesse próprio e fiar-me em absoluto de Ti, descansando com paz, segura e tranquila na Tua doce providência…
Proponho fazer tudo quanto possa para não ter outro ideal na terra nem no céu que os teus santos interesses.
Trabalhar para que reines em todos os corações…
Oração, o mais constante que possa, pedindo o Teu reinado em todas as partes e a todas as horas… e em todas as ocupações diárias.
Sacrifício passivo, para que reines…
Sacrifício ativo, com penitencias externas e vencimentos internos… a mortificação contínua…
Atos de virtude, cumprindo com esmero os deveres de cada instante, dando muito bom exemplo, mas sem chamar a atenção em nada…
Quero fazer o possível, com o sofrimento, preces e sacrifícios, vida santa, apostolado, para reparar a Tua honra e glória divinas e restituir-lhes, segundo a minha pequenez e miséria, a luz e o esplendor que Te é tão merecido.
Tudo espero de Ti e de mim não espero nada e alegro-me que assim seja, a fim de que eternamente conste que toda a glória é Tua e a mim não se deve coisa alguma.


Madre Maria da Conceição de S. Jaime e Santa Teresa

quinta-feira, 9 de abril de 2015

SANTA MARIA EUGÊNIA DE JESUS MILLERET, Virgem e Fundadora


Alma firme e pervadida de fé, não temeu esta jovem fundadora enfrentar tormentas e dificuldades, sem se abalar, na consolidação da obra que lhe fora encomendada pela Providência.
"O desânimo, meu pai, está muito longe do meu espírito. [...] Crede, por fim, que estamos bem convencidas de não haver em nós a santidade exigida pelas obras de Deus e, assim, de minha parte, eu não me surpreenderia com nenhuma espécie de insucesso".1
Estas categóricas palavras, dignas de um ancião experimentado em mil batalhas, fluíam, entretanto, da pluma de uma jovem de apenas 24 anos... Acabava ela de ver-se abandonada por seu diretor espiritual e era aconselhada pelo superior eclesiástico a suprimir a congregação religiosa que de suas mãos nascia, mas tratava do assunto com extraordinário desapego e elevação de espírito.


De onde vinha tamanha firmeza?
Tendo frequentado desde pequena ambientes indiferentes ou contrapostos à Religião, esta jovem fundadora soubera ver quão vazias e instáveis são as coisas desta vida — a riqueza ou a pobreza, a inteligência, o prazer e até mesmo o convívio familiar —, quando falta o essencial: a fé.
Apoiada neste princípio, gravado a fogo em sua alma, Santa Maria Eugênia de Jesus erigiu uma magnífica obra em meio a terríveis tormentas. E tal foi sua integridade diante das dificuldades, que o Papa Pio XII não duvidou em qualificá- la de "mulher forte, mulier fortis, em toda a força do termo: sempre pronta a cumprir a vontade divina, de ânimo intensamente piedoso, de coração transbordante de amor a Cristo, de inteligência robusta, luminosa, vasta, de caráter firme, resoluto, continuamente direcionado para o objetivo proposto".2

Uma divisa olvidada pelos Milleret
Nihil sine fide — nada sem fé — era, não por acaso, a divisa da família em cujo seio nascera Ana Eugênia Milleret de Brou, a 25 de agosto de 1817. Contudo, no início do século XIX, tal lema se convertera tão só em uma bela frase gravada no brasão familiar. Jacques Milleret, pai de nossa Santa, preferia guiar- -se pelas ímpias doutrinas de Voltaire, enquanto sua esposa, Eleonora Eugênia de Brou, descendente da nobreza da Bélgica e Luxemburgo, tampouco parecia empenhada em reavivar este ideal.
A infância de Ana Eugênia transcorria farta e tranquila em Metz, sua cidade natal. O pai, além de possuir ali uma mansão, era deputado de Moselle, dono de três bancos e de uma vasta propriedade em Preisch, onde uma exuberante natureza tornava especialmente agradável a estadia nas melhores épocas do ano. Não faltavam à menina as brincadeiras em companhia dos irmãos, nem a sólida educação condizente com sua categoria social. Falava com perfeição o francês e o alemão, e era instruída pela mãe na prática das virtudes naturais, pois a levava a visitar os pobres e enfermos, e a ensinava a ser honesta e generosa.
Todos os membros da família participavam de certas cerimônias da Igreja, às quais, naquele tempo, era quase uma obrigação social comparecer. Todavia, sua vida de piedade reduzia-se praticamente só a isso. As crianças receberam os Sacramentos, mas sua educação religiosa fora negligenciada. "Minha ignorância dos dogmas e ensinamentos da Igreja era inconcebível. No entanto, eu participara das aulas de catecismo com os outros meninos, fizera minha Primeira Comunhão com amor, e Deus mesmo me concedera graças que foram, junto com vossas palavras, o fundamento de minha salvação",3 escreverá ela mais tarde ao padre Lacordaire.
Uma dessas graças se deu ao receber Jesus Eucarístico pela primeira vez. Sentira, naquele momento, a pequenez das coisas deste mundo e ouvira em seu coração estas proféticas palavras: "Perderás tua mãe, mas serei para ti mais que uma mãe. Virá o dia em que deixarás tudo aquilo que amas para Me glorificar e servir àquela Igreja que não conheces". 4 Ficara depositada na alma da jovem aristocrata uma possante semente. Daí a alguns anos a veremos florescer.


Radical mudança na vida da família
Ana Eugênia já experimentara o amargo sabor do infortúnio quando morreram seus dois irmãos, ainda pequenos. Mas em 1830 uma tragédia familiar provocou uma radical mudança na vida dos Milleret. Inábeis operações do senhor Jacques fizeram-no perder a fortuna. Viram-se obrigados a vender todos os imóveis e bens. Cessaram as festas e, ademais, Ana Eugênia, com 13 anos, teve que partir para Paris com a mãe, enquanto o pai permanecia em Metz com seu irmão Luís, apenas dois anos mais velho, de quem ela era inseparável.
Outros dramas sobrevieram. Em 1832, uma epidemia de cólera assolou Paris e, em poucas horas, Ana Eugênia viu a mãe perecer, sem sequer dar tempo para serem-lhe administrados os últimos Sacramentos.
Órfã aos 15 anos, foi acolhida por uma amiga da mãe, a senhora Doulcet, cujo marido era coletor geral de impostos em Châlons. Os prazeres mundanos lhe voltaram a fazer parte da vida e sua virtude da fé, então tão pouco alimentada, vacilava diante das habituais conversas anticlericais daqueles ambientes. Algumas réstias da luz penetrada em sua alma no Batismo e na Eucaristia, porém, se mantinham. "Deus, em sua bondade, deixara-me um vínculo de amor. Eu podia duvidar da imortalidade da alma, mas rejeitava espontaneamente tudo quanto atacava o Sacramento do Altar".5
Aos 18 anos, as diversões não a satisfaziam. Sua inteligência, muito viva, fazia-lhe perceber que a vida não podia ser tão vazia e carente de sentido. "Meus pensamentos são um mar agitado que me cansa, me pesa. Tanta instabilidade, nunca o repouso, um ardor que sempre ultrapassa os limites do possível. Às vezes, absorvida por questões bem acima do meu alcance e sobre as quais eu faria melhor em não pensar: as mais altas questões do mundo. Eu queria saber tudo, analisar tudo, e lançando-me em regiões amedrontadoras, vou ousadamente interrogando todas as coisas, perseguida por não sei que necessidade inquieta de conhecimento e de verdade, que nada pode saciar".6


"Eu estava realmente convertida"
No fim de 1835, seu pai mandou- -a para a casa de uma prima, a senhora Foulon. Tanto ela quanto as filhas eram muito piedosas, fato que pôs a jovem Milleret em um perigo talvez maior de perder a fé, porque elas "eram aborrecidas, pareciam- -me estreitas",7 comentaria a Santa.
Sem embargo, soara a hora da Providência. Seguindo o costume parisiense de seu século, foi ouvir na Catedral de Notre Dame os sermões dominicais do padre Henri Lacordaire, no auge da fama como pregador. A jovem sentiu-se intimamente tocada. "Vossa palavra" — escreveria poucos anos depois ao sacerdote dominicano — "respondia a todos os meus pensamentos, explicava o melhor de meus instintos, completava meu entendimento das coisas e reanimava em mim a ideia do dever, o desejo do bem, já prestes a definhar em minha alma; enfim dava- -me uma generosidade nova, uma fé que nada mais devia fazer vacilar".8
Ana Eugênia encontrara o eixo de sua existência. "Minha vocação nasceu em Notre Dame",9 gostava de dizer. Acabariam as provações? Não! Pelo contrário, estas haveriam de se tornar mais penosas e intensas ao longo de sua vida; mas ela firmara sua fé sobre a rocha eterna e nada mais a podia abalar. "Eu estava realmente convertida e sentia o desejo de entregar todas as minhas forças, ou melhor, toda a minha fraqueza a esta Igreja que, doravante, era a única a meu ver que possuía o segredo e o poder do bem".10
A jovem comunicou ao padre Lacordaire suas aspirações e ele respondeu: "Reza e espera".11 Ana Eugênia obedeceu.


Albores da fundação
Enquanto esperava, ela sonhava "ser um homem, para, como eles, ser profundamente útil".12 "Com seu olhar, rico de vigor viril e ao mesmo tempo de feminina agudeza",13 a jovem havia analisado a fundo os males da sociedade laicizada em que vivia e lamentava-se pela ausência de formação religiosa de tantas jovens da aristocracia liberal da época: "Filha de uma família infelizmente pouco cristã, educada numa sociedade que o era menos ainda, ficara sem minha mãe aos 15 anos e, pelas circunstâncias da vida e por causa de minha posição, tivera muito mais relações e conhecimento do mundo do que normalmente se tem nesta idade. Eu pudera compreender a infelicidade da classe social à qual eu pertencia, e vos confessarei não conhecer, ainda hoje, pensamento mais triste do que esta recordação. Parece-me que toda alma que ama um pouco a Igreja, e conhece a profunda irreligião de três quartas partes das famílias ricas e influentes de Paris, deve sentir-se pressionada a tudo empreender para fazer penetrar Jesus Cristo entre elas".14
Já dominada pelo desejo de salvar almas, Ana Eugênia encontra, na Igreja de Santo Eustáquio, outro pregador cujo zelo a impressiona e ao qual pede um conselho: o padre Teodoro Combalot. Este anelava fundar uma congregação sob a proteção de Nossa Senhora da Assunção, empenhada na educação de meninas, como base para a regeneração da sociedade, e viu naquela jovem de 20 anos todas as qualidades requeridas para ser a fundadora. Na realidade, suas intenções eram bem mais ousadas. Tratava-se, explicou-lhe ele, de erigir uma obra dedicada a "tudo reconstruir sobre o Cristo, fazê-Lo conhecido, bem como sua Igreja, estender as fronteiras de seu Reino".15
Ela se sente tocada com a proposta, mas hesita e objeta: "Não conheço a vida religiosa. Tenho tudo a aprender. Sou incapaz de fundar qualquer coisa dentro da Igreja de Deus". Ao que retruca o sacerdote, com convicção: "É Jesus Cristo que será o Fundador de nossa Assunção; seremos apenas instrumentos e, entre as mãos de Deus, os mais fracos são os mais fortes".16
Após alguma resistência, Ana Eugênia aceita ser dirigida espiritual do padre Combalot e, seguindo suas orientações, espera junto às beneditinas alcançar a maioridade: 21 anos, então. Depois viaja à Lorena para despedir-se da família, faz o noviciado com as visitandinas e, com mais três vocações recrutadas pelo mesmo sacerdote, inicia a obra da Assunção em 1839.



Educação integral aliada à fé
Em meio ao intenso programa de estudos estabelecido pelo padre diretor, Madre Maria Eugênia de Jesus — seu nome como religiosa — estava convicta de ser a contemplação a principal fonte de sabedoria da nova congregação. "A educação era nosso dever, a vida religiosa nossa atração",17 dizia ela.
Tendo experimentado por si mesma o vazio que deixa na alma uma educação distante da fé, queria que as futuras formadoras da Assunção ensinassem, mais do que com palavras, pelo testemunho de vida. "A fé proporciona mais sabedoria que a velhice",18 afirmava. "É preciso formar caracteres firmes [...]. Nossa missão: a fé dinâmica, a fé dominando o raciocínio, o gosto, bem como os afetos".19
O novo instituto tinha por carisma dedicar-se a uma educação integral, o que conduz à "preocupação com a formação do critério, do senso crítico, da retidão de pensamento, principalmente à luz da fé e confiança na graça".20 Tais princípios farão o Papa Beato Paulo VI exclamar, ao beatificá- la: "Que luz para nós cristãos, que seríamos por vezes tentados, num mundo secularizado, de separar a educação humana da fé!".21

Abandono à vontade divina
Iniciada a fundação da obra almejada, sem o saber, Madre Maria Eugênia preparava-se para enfrentar as maiores tormentas da sua vida. E estas foram causadas por quem menos se poderia esperar: o padre Combalot!
Embora cheio de impulsos generosos, tinha ele um caráter muito volúvel. "Mudava de ideia sobre qualquer coisa a cada quinze dias",22 escreve a Santa. Por exemplo, à ordem de estudar os Salmos e Santo Agostinho, seguia-se a de largar todos os livros; à de comer carne todos os dias, logo se sobrepunha a de fazer duras penitências, entremeadas com severas repreensões. A cada uma dessas orientações, a madre se dobrava com humildade e obediência.

Para resolver o problema, designa um superior para a comunidade, cuja nomeação o impetuoso sacerdote não aceita. Decide, pelo contrário, que a fundadora e as religiosas o acompanhem à Bretanha, a fim de se subtraírem da autoridade do Arcebispo. A situação se torna muito tensa. E no dia 3 de maio de 1841, o padre Combalot junta seus livros e cartas, e abandona a comunidade, para nunca mais revê-la.Apesar de submissa às ordens recebidas, a graça a inspirava, entretanto, a não deixar o leme da fundação em mãos de alguém tão inconstante e comunica a situação ao Arcebispo de Paris, Dom Dionísio Augusto Affre. O prelado conhecia bem o padre Combalot — a quem qualificava de homem "de nobre coração, mas de cabeça quente" 23 — e logo compreende o que se passava.
"Seja feita a vontade de Deus!",24 exclama a jovem fundadora que, aos 24 anos, via-se agora sem o apoio de sempre, com a obrigação de levar adiante o empreendimento iniciado. E, buscando refúgio na fé, concluía: "Deus não tira nada sem Se doar mais profundamente no lugar... Mostrou-nos que a obra era d'Ele e quer fazê-la sozinho".25
A Providência, porém, enviara- -lhe novo auxílio na pessoa do padre Emmanuel d'Alzon, jovem Vigário Geral de Nîmes, com o qual trocava abundante correspondência. Ambos tinham o anseio de tornar Cristo presente na sociedade laicizada em que viviam e davam-se mutuamente conselhos nesse sentido. Mais tarde ele fundará o ramo masculino da Assunção.


"Não creio ter outra vocação"
Dando novas provas de sua inconstância, o padre Combalot deixara uma carta a Mons. Affre, "tão comovente quanto desconcertante, pedindo-lhe para tomar conta da obra"26 da Assunção. O Arcebispo põe então a comunidade sob sua proteção e designa Mons. Jean Nicaise Gros — mais tarde Bispo de Versalhes — para seu superior eclesiástico. Seguindo sua orientação são redigidas as constituições e regras, e em suas mãos as religiosas emitem os primeiros votos, no dia 15 de agosto daquele mesmo ano de 1841, recebendo o hábito definitivo de professas.
Não obstante, nova tempestade desaba sobre a frágil embarcação. Vendo as naturais dificuldades de uma comunidade que ainda não atingira toda a sua maturidade, Mons. Gros temeu por seu futuro e aconselhou à fundadora a voltar para a Ordem da Visitação, onde fizera o noviciado e da qual guardava tão boas impressões. Quanto às outras irmãs, cada qual ficaria livre para escolher o instituto religioso que melhor lhes conviesse.
Madre Maria Eugênia não se perturbou. Pediu um curto tempo para reflexão, após o qual redigiu uma carta respeitosa, mas direta, expondo as metas, o espírito e as características da Assunção. No final da mesma, declarava: "Ouso dizer que a satisfação pessoal nunca esteve entre os nossos pensamentos. Nossa coragem surgiu ao ouvir dos lábios do próprio Monsenhor o testemunho de ser nossa regra boa e edificante, e ter recebido de suas mãos o santo hábito, o qual portamos com alegria e amor. Não sei o que tenhamos feito, na prática desta regra, para perder a benevolência concedida por vossa pessoa; mas se formos consideradas indignas, e se não se realizar por nós a obra de zelo na qual quisemos trabalhar, perdoai- me por tomar a liberdade de dizer-vos: ela é tão necessária que, cedo ou tarde, se fará por mãos mais santas. De minha parte, não creio ter outra vocação senão a de pertencer a ela, quaisquer que sejam os sofrimentos e dificuldades daí decorrentes".27
Mons. Gros não tardou em dar-lhe uma resposta, na qual se manifestava inteiramente convencido da providencialidade da obra, e afirmava: "Eu só posso agradecer a Deus as graças que Ele vos deu".28


Desenvolve-se a congregação
Afinal, estava definitivamente fundada a Assunção, sobre a fé e a firmeza de Madre Maria Eugênia de Jesus. As meninas chegavam, as escolas começavam a crescer e a congregação se desenvolvia, para "formar verdadeiras mães de família, dar às mulheres os conhecimentos amplos e hábitos simples sem os quais não saberiam exercer a influência que o Cristianismo lhes deve dar",29 como noticiava a Gazeta da França, apresentando as esperanças depositadas na nova instituição religiosa.
Com a mesma valentia, a incansável fundadora enfrentou outras tormentas e obteve muitas vitórias, como a aprovação pontifícia das constituições da Assunção, sempre visando a implantação do Reino de Cristo. Decorrido pouco mais de um século de sua morte — ocorrida a 10 de março de 1898 —, as Religiosas da Assunção têm comunidades atuantes em vários países da Europa, África, Ásia e nas três Américas, dedicadas à educação de meninas de todas as camadas sociais.
Desta santa e profícua vida podemos dizer com o salmista: "Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não é abalado, e permanece para sempre" (Sl 124, 1). Porque ela confiou no Senhor, nada a pôde abalar!
1 BRETON, Germain. Mère Marie-Eugénie de Jésus: première Supérieure Générale des Religieuses de l'Assomption. Une fondatrice de congrégation religieuse au XIXe siècle. Saint-Étienne: J. Le Hénaff & Cie, 1922, p.143; 147.
2 PIO XII. Discorso alle religiose, alle alune e alle insengnanti dell'Istituto dell'Assunzione, de 19/5/1946.
3 BRETON, op. cit., p.31.
4 RELIGIOSAS DA ASSUNÇÃO. Por Jesus e pelo Reino. Maria Eugênia Milleret: Fundadora das Religiosas da Assunção. São Paulo: Loyola, 1995, p.19.
5 BRETON, op. cit., p.36.
6 Idem, p.36-37.
7 RELIGIOSAS DA ASSUNÇÃO, op. cit., p.25.
8 BRETON, op. cit., p.38.
9 Idem, ibidem.
10 POINSENET, Marie-Dominique. Feu vert... Au bout d'un siècle. Mère Marie Eugénie Milleret de Brou, Fondatrice des Soeurs de L'Assomption, apud PAULO VI. Omelia di Beatificazione di Madre Marie-Eugénie Milleret, de 9/2/1975.
11 BRETON, op. cit., p.39.
12 PAULO VI, op. cit.
13 PIO XII, op. cit.
14 BRETON, op. cit., p.139-140.
15 RELIGIOSAS DA ASSUNÇÃO, op. cit., p.32.
16 Idem, p.33.
17 BRETON, op. cit., p.179.
18 RELIGIOSAS DA ASSUNÇÃO, op. cit., p.78.
19 Idem, p.82.
20 Idem, p.78.
21 PAULO VI, op. cit.
22 RELIGIOSAS DA ASSUNÇÃO, op. cit., p.53.
23 BRETON, op. cit., p.130.
24 Idem, p.132.
25 RELIGIOSAS DA ASSUNÇÃO, op. cit., p.68.
26 Idem, ibidem.
27 BRETON, op. cit., p.147-148.
28 Idem, p.148.
29 RELIGIOSAS DA ASSUNÇÃO, op. cit., p.77.
(Fonte: Revista Arautos do Evangelho, Março/2015, n. 159, p. 31 - 35)


quarta-feira, 8 de abril de 2015

Beata Restituta Kafka, Virgem e Mártir (a Mártir do Crucifixo).

Sua terra natal, Moravia, estava sujeita ao imperador austríaco Francisco José quando Helena nasceu, no dia 1º de maio de 1894; era a sexta dos sete filhos de Anton e Maria Kafka. A família mudou-se em 1896 da região nativa para Viena, a capital do império. Sua família era de um humilde sapateiro; Helena é pobre e além disso gaga. Era também um pouco teimosa, pelo menos a julgar pelo caráter forte e por sua maneira de fazer, rápida e decidida, que a acompanhou por toda a vida.
     Aos 15 anos, Helena desejaria continuar a estudar, mas mandaram-na trabalhar como empregada; aos 18 anos manifestou sua vocação de se tornar freira, mas os seus familiares se opõem fortemente. Então, ela resignou-se a esperar os 20 anos, e quando atingiu aquela idade fugiu de casa para ir para o convento. As Irmãs Franciscanas da Caridade Cristã de Viena lhe deram o nome de Irmã Restituta e designaram-na para a enfermaria, ocupação que sempre fora o seu maior desejo, porque ela gostava de servir Jesus nos doentes.

     No hospital regional de Mödling, perto de Viena, a religiosa tornou-se uma instituição para os médicos, para as outras enfermeiras, mas especialmente para os doentes, aos quais sabia como comunicar com extraordinária eficácia o seu amor pela vida, a sua própria e a dos outros, na alegria e no sofrimento. Ela era uma mulher, diriamos hoje, esplendidamente realizada.
     Aqui e ali continuou a demonstrar o seu caráter cordial, mas firme, de modo que Irmã Restituta logo foi chamada de "Irmã Resoluta". Na cabeceira dos doentes, no entanto, ninguém a podia superar, porque é de uma delicadeza e de uma ternura únicas. A Primeira Guerra Mundial eclodiu e a Irmã Restituta ficou ao lado dos feridos, solícita a cada chamada, pronta para qualquer emergência.
     Em 1938 os nazistas invadiram Viena e foram duas as primeiras disposições de Hitler: se livrar dos crucifixos de locais públicos e afastar as religiosas da ala da enfermaria do hospital. Irmã Restituta, no entanto, era tão indispensável devido sua experiência indiscutível, que pode mais ou menos secretamente continuar o seu trabalho de caridade na cabeceira dos doentes. O crucifixo nos quartos e enfermarias do hospital tornou-se quase uma questão pessoal: Irmã Restituta, resoluta como sempre, se ocupava da tarefa de ir pessoalmente substituí-los onde fossem tirados; ela sabia o risco que corria com o seu gesto provocativo, mas quanto mais crucifixos eram excluídos tanto mais ela os repunha.
Foto da mártir quando foi presa e "fichada"
pelos nazistas. Como se vê, foi destituída do
hábito religioso. 
     Entre ela e os nazistas se declarou uma incompatibilidade, porque ela não podia compartilhar a ideologia de morte e de racismo que Hitler vinha professando. E assim a fúria nazista se desencadeou até mesmo sobre ela: ela foi presa na Quarta-feira de Cinzas de 1942 e colocada na prisão, e em sua cela continuou a ajudar as mulheres grávidas e as companheiras debilitadas, além de consolar e apoiar as condenadas à morte.
     A sentença de morte veio quase um ano depois e Irmã Restituta foi decapitada em 30 de março de 1943. Antes de morrer, ela pediu ao capelão que traçasse na sua fronte o Sinal da Cruz, quase o selo de autenticidade de uma vida que esteve sempre inspirada pelo crucifixo. Às irmãs mandou um recado: "Tenho vivido por Cristo, por Cristo quero morrer".

     Em 21 de junho de 1998, Irmã Restituta Kafka, a Mártir do Crucifixo, foi proclamada beata e sua memória litúrgica foi fixada no dia 29 de outubro.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Beato Batista Mantuano (Spagnoli ou Mantovano), Presbítero Carmelita e grande Teólogo.


Sua vida

Batista Spagnoli ou Mantuano, nasceu em Mântua, Itália, em 17/04/1447. Seus pais: Pedro Modover, de origem espanhola e Constanza Maggi. Sendo todavia muito jovem, entrou na Ordem do Carmo, na célebre “Congregação Mantuana”, na cidade de Ferrara, onde professou (fez votos religiosos) em 1464. Era dotado de excelentes qualidades e por isso os superiores lhe encomendaram, desde muito jovem, missões muito delicadas.
Terminados seus estudos, foi ordenado sacerdote em Bolonha e ali recebeu na Universidade o Magistério de Teologia, no ano de 1475 (aos 28 anos). Foi prior em vários conventos e professor também em vários centros de estudos superiores. Foi prior de Parma, de Mântua e de Roma. Também foi superior da casa da Virgem de Loreto durante vários anos. Em 1483 foi eleito Vigário Geral da “Congregação de Mântua”, cargo que desempenhou até 1513, em cujo ano foi eleito Superior Geral de toda a Ordem. Em 1513 foi chamado a tomar parte do Concílio de Latrão V. Neste mesmo ano o Papa Leão X lhe confiou uma delicada missão de paz entre o rei da França e o duque de Milão.
A “biblioteca carmelitana” refere os títulos de 70 obras suas, das quais foram publicadas 57. Somente o livro “Parthenice Mariana” conta com 55.000 versos! Sua fama de poeta e exemplar religioso se estendeu pelas redondezas e a popularidade fervorosa e apaixonada acompanhava seu nome por todas as partes: primeiro na Itália e logo na Europa. A natureza de sua popularidade era a pureza e elegância de seu latim e o ardor de seu espírito de reformador, que colocava em “sua lira” (em seus versos), “notas” de sabor místico. Por isso suas poesias eram lidas em todos os centros docentes e declamadas com graça e aplauso em públicos certames literários. Ele era chamado o “Virgílio cristão”, já que consagrou suas canções, sua lira e sua vida ao único Deus verdadeiro!
Atraiu à fé muitos eruditos de seu tempo. Com seus penetrantes e agudos escritos, atalhou o mal que se estendia sobre a Igreja e o mundo. De algumas suas obras se fizeram até 150 edições. Escreveu preciosos tratados em prosa e verso e fez servir a Cristo com sua prodigiosa veia poética.
Morreu em Mântua em 20/ 03// 1516. O Papa Leão XIII, em 17/ 12/ 1885 aprovou seu culto imemorial. Sua festa se celebrava antes em 20/ 03 e agora, em 17 de abril.


Sua espiritualidade

As “notas” e profundos sentimentos de sua alma mística provém de Deus e a Deus retornam. Evocam o Ser Supremo: Sua essência e perfeições infinitas. Cantam a Virgem Maria: Suas grandezas, Seu poder e Sua bondade. Exaltam Suas virtudes, vestindo-A com as galas de sua inspiração e fustigam o vício “com uma visão horrível de um monstro”. Exaltam a fé e convocam às suas fileiras seus defensores contra a heresia.
Prepara-se ante a proximidade da morte, a teme, a embeleza com “suspiros” das virtudes teologais e escreve, quando se sente morrer, uns versos como oração de agonizante.
No campo de seu ministério sacerdotal, pregava ao povo com palavra luminosa e fervor apostólico. Distinguia-se também por seu finíssimo tato na direção das consciências! Ganhava para o Senhor os mais endurecidos corações, fazendo renascer a frequência aos sacramentos, verdadeiro sinal da regeneração dos costumes, fazendo-se tudo para todos, para ganha-los para Jesus Cristo.
Tinha predileção, porém, pela vida retirada e penitente, guarda dos sentidos e a fuga de todas as ocasiões perigosas.
Amava com indizível ternura a Virgem Maria do Carmo, pregava com frequência sobre Suas grandezas e privilégios e escreveu três livros para exaltar Suas virtudes, particularmente Sua santíssima pureza.



Sua mensagem

 Que amemos e embelezemos o Carmelo
• Que a cultura e a sabedoria nos levem a Deus.
• Que nosso zelo conduza os homens a Deus.
• Que sirvamos e amemos Maria como o Beato Batista a amava.

Oração:
Senhor Nosso Deus, que fizeste do Beato Batista, fiel servidor de Maria, um modelo de meditação e pregação da Palavra, concedei-nos, por sua intercessão, saborear, como Maria, a Escritura e, como Ela, proclamar Vossas grandezas com nossa vida! Por Cristo, Nosso Senhor! Amém!


   (Extraído do artigo “Os Santos Carmelitas”, do Pe. Rafael Maria López)