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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Servo de Deus Padre Aloísio Sebastião Boeing, SCJ



O padre Aloísio nasceu no dia 24 de dezembro de 1913, em Vargem do Cedro, naquele tempo município de Imaruí (SC), hoje pertencente a São Martinho. Primogênito de uma família cristã, foi batizado no dia 26 de dezembro do mesmo ano e crismado no dia 22 de janeiro de 1914, na Paróquia São Sebastião, Vargem do Cedro. Os seus pais João Boeing e Josephina Effting Boeing, eram de missa e terço diários. Foi nesse ambiente que Aloísio desenvolveu a sua vida e personalidade na infância: num lar de pais piedosos e acolhedores, que partilhavam o que tinham com os mais necessitados.  Com doze anos, aos 11 de fevereiro de 1925, incentivado pelo pároco, ele saiu de sua terra natal, com mais outros três colegas, rumo ao sacerdócio.

As etapas de sua formação deram-se basicamente em Brusque, SC e Taubaté, SP. A primeira profissão religiosa aconteceu em Brusque, no dia 16 de janeiro de 1934. Os estudos de Teologia foram feitos em Taubaté, nos anos de 1938 até 1941. Foi ordenado sacerdote no dia 01 de dezembro de 1940.

Como consagrado e sacerdote dedicou a grande parte de sua vida à formação, especialmente em Jaraguá do Sul. Foi mestre de noviços durante 24 anos. Tornou-se um exímio formador, firme, devoto e zeloso. É de sublinhar ainda sua grande devoção à Virgem Maria. Por sua iniciativa, esse Noviciado recebeu o nome de Nossa Senhora de Fátima. Era muito estimado por todos, distinguindo-se pela sua amabilidade e paternal acolhida dos alunos que o procuravam para orientação espiritual.

O padre Aloísio nunca deixou de atuar no campo da pastoral. Desde o início de sua vida sacerdotal, passou também a ser procurado pelo povo, para aconselhamentos espirituais, até o fim de sua vida. Este foi o maior dom que Deus lhe deu e que desenvolveu ao longo de sua vida. Dia e noite, em todas as horas, era procurado em sua casa ou por telefone, para orientação espiritual, aconselhamento familiar e bênção da saúde. Nunca deixou de atender ninguém. No fim de sua vida, muitas vezes, doente, de cama, atendia, deitado, aos casos mais urgentes. Era ungido com o poder da intercessão. Sentia muita compaixão do povo, especialmente dos doentes, idosos e pobres. Tinha um gosto especial pelo colóquio de coisas espirituais e falava horas inteiras, sem se cansar. Pode-se dizer que Padre Aloísio passou sua vida religiosa, a exemplo de tantos cristãos, fazendo o bem.


Em 1974, fundou a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus, em Jaraguá do Sul. O que levou o padre Aloísio a fundar a Fraternidade foi seu desejo de ver um grupo de moças unidas, vivendo o Evangelho na realidade do mundo. Deste então, deu a vida para a Fraternidade, acompanhando-a com sua presença e orientação firme e segura.

Em 1984, Pe. Aloísio foi para o bairro Nereu Ramos, na cidade de Jaraguá do Sul. Ali viveu até o final de sua vida como vigário da capela do Rosário e diretor do Centro Shalom, atendendo incansavelmente a todos que o procuravam para uma orientação, auxílio e bênção. Então, dedicou-se mais à “Fraternidade Mariana do Coração de Jesus” e a todas as pessoas consagradas, que buscavam nele inspiração de vida no seguimento de Cristo. A Fraternidade cresceu e continua irradiar a alegria no servir, a simplicidade de vida e a oblação de amor, na busca de tornar presente, em suas vivências fraternas, o que vivia a família de Nazaré e os amigos de Jesus em Betânia: a ocupação com as coisas do Pai e o acolhimento. Sempre numa atitude de dedicação para com os sacerdotes.

Padre Aloísio morreu do mesmo modo que viveu: santamente. Sentindo próxima sua partida e sentindo deixar a todos que amava disse: “Vocês me encontrarão na Eucaristia”. Partiu no dia 17 de abril de 2006, serenamente, para os braços do Pai. Foi sepultado no jardim, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Bairro Nereu Ramos, em Jaraguá do Sul.

Falecido aos 92 anos, nunca deixou de celebrar amorosamente os Santos
Mistérios e de atender a quem o procurava... 



É um local de orações e pedidos de graças. Muitas pessoas testemunham já terem alcançado graças por sua intercessão. Cremos que ele, junto de Deus, está intercedendo por todos nós e, de um modo todo especial, pelos que procuram auxílio em suas necessidades. Todo dia 17, de cada mês, lembrando o dia do seu falecimento, é celebrada a missa da Misericórdia, às 15h.

«Perdemos um padre muito querido, mas, ganhamos um santo, no céu!» (Pe. Osnildo C. Klann, scj)





Notícias sobre o processo de beatificação:

No dia 17 de março, a Diocese de Joinville, no Estado de Santa Catarina, juntamente com a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus e a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, promoverá o ato de encerramento da fase diocesana do processo de Beatificação do Servo de Deus Padre Aloísio Boeing.

A programação do evento terá início às 19h, com o ato do encerramento. Em seguida, às 20h, ocorrerá a Missa pela Beatificação do Padre Aloísio, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Rua Luiz Sarti, no bairro Nereu Ramos, na cidade catarinense de Jaraguá do Sul.

Fundador da Fraternidade Mariana do Coração de Jesus, que iniciou em 1974, o sacerdote trabalhou por mais de 40 anos em Jaraguá do Sul e está sepultado no pátio da Paróquia Nossa Senhora do Rosário.

O túmulo de Padre Aloísio virou espaço de romaria e todos os dias 17 de cada mês é realizada a Missa da Misericórdia, onde é lembrado o sacerdote, sempre às 15h. As pessoas atribuem ao religioso milagres, como a cura de doenças, em alguns casos, até de pacientes que estavam desacreditados pelos médicos.


Oração pela beatificação do Padre Aloísio Boeing:

Ó Pai, todo poderoso, Deus de amor e misericórdia!Vós enviastes o vosso Filho para a salvação do mundo.
Na vossa providencia chamastes muitos para continuar a obra de vosso Filho entre eles também o vosso servo Padre Aloísio. Como fiel sacerdote do Coração de Jesus, ele acolhia, aconselhava e abençoava, como pai e amigo, procurando conduzir todas as pessoas ao encontro de vosso Filho Jesus Cristo Eucarístico e da Virgem Maria.
Atendei-nos, Pai Eterno e ajudai-nos a ser presença de vossa bondade e amor para com nossos irmãos e irmãs e concedei-nos, pela intercessão do Padre Aloísio, a graça que necessitamos:  ______.
Ó Pai querido, glorificai vosso servo Padre Aloísio como recompensa por todo bem que fez durante a sua longa vida, para o louvor e a glória da Santíssima Trindade. Amém.



Com aprovação eclesiástica

Beata Maria Caridade Brader, Virgem e Fundadora (memória em 27 de fevereiro)

   
   Maria Caridade Brader, também conhecida como Maria Josafá Carolina Brader, Madre Caritas ou Maria Caridade do Amor do Espírito Santo, nasceu em 14 de agosto de 1860 em Kaltbrunn, Suíça como Maria Josafa Carolina Brader. Filha única de José Sebastião Brader e Maria Anna Carolina Zahner. Educada em uma família piedosa, ela era conhecida como uma menina muito inteligente e recebeu a melhor educação que os seus pais podiam dar. Seus pais tinham grandes planos para o seu futuro, mas, em vez de continuar os estudos, ela sentiu um forte chamado para a vida religiosa e entrou para o convento franciscano em Maria Jilf, Alstatten em 1º de outubro de 1880, tomando o nome de Maria da Caridade do Amor de Espírito Santo. Fez seus votos definitivos em 22 de agosto de 1882.
   Inicialmente, foi designada como professora. Quando foi possível para as irmãs em clausura se tornarem missionárias, irmã Cáritas, como era conhecida, foi voluntária com outras cinco irmãs para trabalhar em Clone, no Equador, em 1888. Trabalhou por seis anos como professora e catequista das crianças. Em 1893 foi transferida para Túquerres, Colômbia, onde as condições eram muito difíceis, mas, superou todas as dificuldades e, em pouco tempo, estava ensinando a fé aos pobres e desamparados. 
   Em 31 de março de 893, fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada em Tuquerres, Colômbia. Inicialmente composta de jovens irmãs com inclinação para o trabalho missionário, elas foram em breve recebendo moças do local e outras mulheres Colombianas. Madre Cáritas serviu como Superiora Geral da Congregação de 1893 até 1919 e, de novo, de 1928 a 1940. A Irmãs enfatizavam a boa educação, a oração assídua e uma vida austera. Elas receberam a aprovação papal para a Congregação em 1993 e, hoje, estão na América Central, América do Sul, México, Suíça, Mali, România e Estados Unidos.
   Madre Cáritas faleceu em 27 de fevereiro de 1943 em Pasto, Colômbia. Seu túmulo logo se tornou local de peregrinação e devoção popular. Vários milagres, creditados à sua intercessão, foram reportados em sua tumba.

Foi declarada Venerável em 29 de junho de 1999, e beatificada em 23 de março de 2003 pelo Papa São João Paulo II.

    A Igreja aguarda o segundo milagre para sua canonização. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Beata Delfina de Provença, Esposa, Viúva e Terciária Franciscana


Martirológio Romano: Em Apt, da Provença, Beata Delfina, esposa de São Elzeário de Sabran, com quem prometeu guardar a castidade, e depois de sua morte, permaneceu na pobreza e na oração.

Delfina de Signe nasceu por volta de 1284 em Puy Michel nos montes de Luberón, França, da nobre família Glandèves. Uma encantadora figura de mulher, que passa pelo mundo levando a todas as partes a luz de sua graça, o perfume da virtude, o calor de seu afeto. Não era uma santidade ruidosa, que tenha marcado a história de seu tempo, mas uma santidade delicadamente feminina que se difundiu a seu redor como linfa silenciosa e generosa para alimentar no bem a quantos estiveram em contato com ela durante sua vida.
Desde menina sua presença foi luz e consolo para sua família. Aos 12 anos já estava prometida a um jovem não inferior a ela por sua gentileza, nobreza de sangue e beleza de alma. Elzeário, o noivo, era filho do Senhor de Sabran e Conde de Ariano no reino de Nápoles. Desde o nascimento sua mãe o havia oferecido em espírito a Deus e mais tarde um austero tio o havia educado em um mosteiro.
O casamento teve lugar quatro anos mais tarde. Foi um matrimônio “branco”, porque os dois jovens esposos escolheram o estado de virgindade mútuas, um meio de perfeição espiritual mais alto e árduo. No Castelo de Ansouis, os dois nobres cônjuges viveram não como castelãos, mas, como penitentes; não como senhores feudais, mas, como ascetas dignos dos tempos heroicos da primitiva Igreja.
Tendo se transferido para o Castelo de Puy Michel, entraram na Ordem Terceira Franciscana (atualmente, chamada de Ordem Franciscana Secular). Sua vida interior se enriqueceu com uma nova dimensão, a da caridade, mediante a qual eles, ricos por sua condição, se fizeram humildes e pobres para socorrer aos pobres. Delfina e seu esposo além das penitências, orações e mortificações, se dedicaram a todas as obras de misericórdia, destacando-se em todas.
Elzeário e Delfina, os esposos santos.
Quando Elzeário foi enviado ao seu ducado de Ariano como embaixador no reino de Nápoles, a atividade benéfica dos dois esposos continuou em um ambiente ainda mais difícil. Em meio a tumultos e rebeliões, os dois Santos foram embaixadores de concórdia, de caridade, de oração. Continuaram suas boas obras multiplicando seus próprios esforços e sacrifícios até conquistar a admiração do povo.
Elzeário morreu pouco depois em Paris. Delfina, entretanto, sobreviveu a ele por muito tempo e honrou a memória de seu esposo do melhor modo possível, continuando as boas obras e imitando suas virtudes. Teve a alegria de ver seu esposo colocado pela Igreja no catálogo dos Santos. Ela, aos 74 anos, pode reclinar sua cabeça serena e feliz para o eterno descanso. Morreu em Calfières, em 26 de novembro de 1358. Foi beatificada pelo Papa Inocêncio XII em 24 de julho de 1694.

Etimologia: Delfina = do grego, “aquela que mata serpentes”.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Beata Maria Henriqueta Dominici, Virgem (21 de fevereiro).


     Catarina, era seu nome civil, nasceu em Carmagnola (Borgo Salsasio, Turim), em 10 de outubro de 1829, no seio de uma humilde família camponesa. Teve uma infância serena, circundada pelos afetos familiares, mas, em 1833, o pai abandonou a família, um pesar que marcou a sua infância e adolescência. Sua mãe, com os filhos, foi viver com um tio sacerdote em Borgo San Bernardo (também em Carmagnola), junto ao avô e uma tia.
     Diante do infortúnio, Catarina se abre para uma vida de doação e se volta para Deus, a quem sempre se refere como o “Bom Papai”, dirigindo-se a Ele com confiança filial. Catarina, de temperamento orgulhoso e independente, mas também terno e sensível, desde a juventude trava uma luta interior com a sua natureza, deixando que Deus molde o seu caráter. Transforma-se pouco a pouco em uma criatura humilde, simples, disponível, aberta e dócil à ação da graça. Aprende a dizer “sim” a Nosso Senhor dia após dia e começa a viver as virtudes de um modo heroico.
     Quando manifestou seu desejo de fazer-se religiosa, seu tio sacerdote se opôs firmemente, enquanto sua mãe, se bem que não era contrária, sentia medo de ficar sozinha. Foi preciso que cinco anos se passassem para ela poder cumprir seus desejos. Fez parte da Companhia dos Humilhados, que tinha a missão de acompanhar os mortos à sepultura.
     Em 1850, obteve a permissão de tornar-se religiosa, mas não de clausura como ela desejava: ingressou nas Irmãs de Santa Ana. Foi recebida no palácio Barolo de Turim pela fundadora, a Marquesa Júlia.
     O Instituto de Santa Ana havia sido fundado em 1834 por Carlos Tancredi Falletti, Marquês de Barolo, para acolher as crianças de rua e nascia com a missão de educá-los e instrui-los. O marquês morreu no dia 4 de setembro de 1838 em Chiari. Sua esposa, Júlia Cobert, nascida em Maulevrièr, na católica Vadeia, viveu até o dia 19 de janeiro de 1864, cumprindo a missão que assumiu com ele no serviço aos mais pobres.
     No dia 26 de julho de 1851 Catarina vestiu o hábito religioso, recebendo o nome de Irmã Maria Henriqueta. Nas comunidades nas quais o Senhor a coloca e nas várias situações nas quais se encontra vivendo, Ir. Henriqueta continuou de modo sempre mais intenso a vida de doação. A fidelidade nas pequenas ações é o segredo do seu caminho: “As pequenas ações feitas com grande amor valem muito mais que os atos heroicos feitos com objetivos humanos”.
     Ao seu diretor espiritual, um jesuíta, manifestou sua aridez espiritual e seu desejo de ir como missionária à Índia. Para preparar-se obteve a permissão de privar-se "das coisas não absolutamente necessárias".
     Em 1854 foi enviada a Castelfidardo, onde havia uma casa fundada uns anos antes, a pouca distância do Santuário de Loreto. Foi acolhida por suas Irmãs de religião "como uma espiã", mas em pouco tempo se fez amar.
     Um ano depois de sua chegada eclodiu uma epidemia de cólera na cidade, quando as Irmãs se ofereceram para cuidar dos doentes; a dedicação da Beata foi extraordinária. Foi nomeada mestra de noviças.
     O dia 17 de maio de 1857 foi memorável: com outras religiosas ela assistiu à audiência com o Beato Pio IX que visitava Loreto. Assistindo à audiência estava presente Santa Madalena Sofia Barat.

     Com 32 anos foi eleita Superiora Geral. Recebeu assim, ainda muito jovem, a herança de uma Congregação também muito jovem e deveria ser “a Madre” até o final da sua vida (1894). Escolhida por Deus para consolidar e desenvolver o Instituto, Madre Henriqueta foi fiel ao espírito dos Fundadores.
     Abriu o Instituto aos horizontes da missão ad Gentes, enviando as primeiras seis missionárias à Índia, em 1871, pois desejava fortemente que Deus e o Seu amor fossem conhecidos no mundo inteiro, porque pensava: “é impossível conhecê-Lo e não amá-Lo”. Presentes primeiramente em Secunderabad, as Irmãs se propagaram em vários estados indianos, e hoje a missão na Índia é a maior do Instituto.
     A Madre Maria Henriqueta esteve à frente da Congregação até sua morte, e a desenvolveu de forma excepcional. Fundou 32 casas, chegando a Roma e Sicília.  Foi conselheira de São João Bosco quando este criou a Regra das Filhas de Maria Auxiliadora, e lhe "emprestou" duas irmãs para a nova congregação.
     Afável e gentil, Madre Maria Henriqueta era reservada e de poucas palavras. Com a permissão de seus superiores fez o voto extraordinário de buscar no cumprimento de cada ação o modo "mais perfeito". Meditava longamente diante do tabernáculo e obteve da Santa Sé que suas religiosas pudessem comungar diariamente. Ao ler seus escritos, a Autobiografia e o enorme epistolário, se percebe seu total abandono nas mãos da Providência.
     A Beata Maria Henrique procurou em todas as coisas a vontade de Deus e se abandonou, tornando-se com a sua própria vida um canto de louvor à Santíssima Trindade. É esta herança espiritual que deixa para suas filhas e a todos aqueles que têm a graça de encontrá-la no seu caminho.
     Ela faleceu em Turim de um câncer de mama. Seus restos se encontram na capela da Casa Mãe de Turim.
     No dia 7 de maio de 1978 o Papa Beato Paulo VI a proclamou bem-aventurada, reconhecendo a sua riqueza e fecundidade espiritual e indicando o seu caminho de santidade como modelo a seguir.

Fontes: www.santiebeati.it;
http://hagiopedia.blogspot.com.br/2013/02/beata-maria-enrica-enriqueta-dominici.html

Beata Josefina Vannini, Fundadora da Congregação das Filhas de São Camilo.


   
  Judite Adelaide Vannini nasceu na Itália, no dia 7 de julho de 1859. Órfã de pai e mãe, Judite foi educada pelas Irmãs de Caridade até a idade de 21 anos.
     A data da sua Primeira Comunhão, que esperou com amor indescritível, foi também o germe de uma decisão por muito tempo pensada com especial carinho: dar-se a Deus e a Ele consagrar sua pobre vida, desejo que cultivou e fez crescer imperiosamente.
     O tempo amadureceu ainda mais a decisão de que seria Deus seu único e indivisível amor. Foi aos 20 anos de idade que pediu o ingresso no convento das Irmãs de Caridade. Em 2 de março de 1883, ingressou no noviciado de Siena.  Mas, por razões de saúde, foi obrigada a voltar para Roma, para o antigo pensionato onde recebera o diploma de instrutora. Esta prova causou-lhe grande sofrimento. No silêncio, teve de aplicar-se aos trabalhos manuais (bordado) para ganhar seu pão.
     Posteriormente, foi novamente aceita ao noviciado e enviada à comunidade de Montenero (Leghorn), onde permaneceu até 1886, em seguida a Bracciano até 1888, quando novamente teve de retornar ao pensionato. Era mais uma prova imposta pelo Senhor, que provava a pureza deste ouro no cadinho da humilhação. Os superiores definitivamente haviam decidido que não tinha vocação e por isto decidiram que retornasse aos afazeres do mundo.
     Judite tinha então 29 anos. A boa superiora do pensionato encontrou alojamento para ela nos arredores da cidade, e percebendo a piedade e a disponibilidade de Josefina, explicou-lhe que aceitariam de boa vontade que permanecesse entre elas, mas este tipo de vida não era compatível com seu caráter de profunda espiritualidade. Além de todos estes contratempos, teve de lutar contra as intenções de seu irmão Augusto, que tentava dissuadi-la da ideia de sua eventual consagração a Deus e a aconselhava a permanecer entre eles para formarem uma só família.
     Aos trinta e poucos anos confiou-se aos cuidados de sua tia e madrinha Ana Maria.  A esta altura todas as suas aspirações pareciam ter caído por terra, mas o Senhor a predispunha para outros horizontes sem contudo poupá-la de muitos outros sacrifícios e renúncias. Os frutos destes dois anos em que ali permaneceu, imprimiu nela ainda mais a qualidade incontestável de seu caráter, o grande abandono em Deus e a mais perfeita obediência ao seu diretor espiritual.
     Numa conversa privada que teve com o Padre Luís Tezza, Judite abriu a sua alma ao pregador.  Falou de seus projetos, dos seus malogros, das suas aspirações. Enquanto o Padre Luís a ouvia pela primeira vez, descobria nela rara sabedoria e uma grande maturidade espiritual. E viu nela um belo instrumento a ser usado em uma fundação em amadurecimento.  Havia chegado o momento em que Deus realizaria nela plenamente a Sua vontade.
     O Padre Tezza não perdeu tempo: expondo-lhe os detalhes de uma fundação movida pelo espírito de São Camilo de Léllis, propôs que nela colaborasse. Judite pediu um tempo para dar uma resposta definitiva. Após refletir sobre a proposta diante de Deus, finalmente aceitou o encargo, colocando-se à inteira disposição do Padre Luís Tezza.  Assim, na humildade e no silêncio, surge a nova fundação.
     Obtendo permissão de seus superiores eclesiásticos, no dia 2 de fevereiro de 1892 (festa da Purificação de Nossa Senhora e aniversário da conversão de São Camilo de Léllis), Judite e duas companheiras foram empossadas em um pequeno apartamento na Rua Merulana, 141.  Mantidas na solidão, no silêncio, oração e trabalho, santamente preparavam-se para receber o ingresso na Congregação Filhas de São Camilo.  Foi na festa de São José, em 19 de março de 1892, que Judite tomou o nome definitivo de Irmã Maria Josefina, tornando-se superiora da pequena comunidade.
     É fácil imaginar a suprema alegria do Padre Luís, das suas primeiras filhas e dos camilianos presentes. Uma nova congregação tinha nascido, limitada, extremamente pobre, mas com plena confiança depositada em Deus, na Santíssima Virgem, em São José, escolhido como protetor específico, sob a proteção paterna de São Camilo de Léllis.
     Em 1909 a fundadora atingiu a idade de cinquenta anos. Exatamente neste ano Nosso Senhor concedeu a ela a alegria desejada por muito tempo: a aprovação eclesiástica do Instituto. O cardeal vigário, Pedro Respighi, por decreto firmado em 21 de junho de 1909, criava os piedosos asilos, junto à Congregação de Direito Diocesano e aprovava as suas constituições.
     Madre Josefina Vannini, frágil desde a juventude, nunca teve boa saúde. Os sofrimentos da adolescência, as desilusões da juventude, o peso da fundação, a apreensão e o amor intenso e dedicado às suas religiosas, consumiram-na sobremaneira.  Seu coração estava cansado e não batia mais regularmente.
     Por ocasião de uma visita a uma comunidade, retornou extremamente esgotada e foi obrigada, pela grande fraqueza, a pôr-se de cama. Todos estavam conscientes de que a Madre tinha chegado a uma fase em que talvez não pudesse mais continuar nas suas funções de superiora. Ela mesma havia compreendido isto e com muita resignação facilmente aceitou os afetuosos cuidados de suas filhas.
     Pouco tempo de vida restou-lhe depois disto. Ao final da jornada, um padre escreveu sobre ela: “Como ocorre em cada boa alma, nesta enfermidade terminal resplandecerá mais do que nunca as virtudes que a acompanharam durante sua vida religiosa. Piedade para com Deus, paciência nas suas dores, afeição para seus irmãos, docilidade aos confessores, mortificação para si mesma, gratidão em cada pequeno serviço, humildade nos sentimentos, espírito de fé e amor de Deus, eram coisas que a animavam eu diria quase continuamente”.
     Estando próximo o fim, repetia aos padres que a assistiam frases de amor e de fé em Deus e na Virgem. À véspera de sua morte quis ver as suas filhas, dando-lhes as últimas instruções. Morreu serenamente na noite de 23 de fevereiro de 1911, aos cinquenta e dois anos, em Roma.
     Em apenas 19 anos de trabalho, Madre Josefina Vannini conseguiu difundir o seu providencial instituto na Itália, na França, na Bélgica e na América do Sul. Hoje as Filhas de São Camilo trabalham em quatro continentes: Europa, Ásia, África, América.
     A causa de canonização foi enviada ao tribunal do Vicariato de Roma em 1955. Em 16 de outubro de 1994 São João Paulo II a proclamou Beata.


Fontes: blog “Heroínas da Cristandade” (com permissão da autora do blog), traduzido do site: santiebeati.it

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Venerável Serva de Deus Ana Madalena Rémuzat, Virgem e Mística.


Irmã Ana Madalena Rémuzat nasceu em Marselha a 29 de novembro de 1696, no seio de uma família profundamente cristã e piedosa; foi batizada no mesmo dia na igreja de Accoules. Muito pequena expressou seu desejo de ser religiosa. Depois de uma oposição inicial e diante de sua insistência, em 1705, os pais concordaram em deixá-la entrar por algum tempo no segundo mosteiro da Visitação de Marselha, fundado em 1652, onde já se encontrava uma parenta.
No ano seguinte, Madalena recebeu a Primeira Comunhão e foi cumulada de favores espirituais. Em 1708, Nosso Senhor Jesus Cristo a chamou a uma maior fidelidade e pediu, na linguagem da época, que fosse a sua "vítima", ou seja, sua mensageira, sua enviada. Assim começou um período de renúncia e mortificação. Jesus lhe aparecia frequentemente, conversava com ela; apesar disso, ela sofria provações e a noite do espírito.
Em 1709, por ocasião de uma visita ao mosteiro, a menina pediu a seu pai para voltar para casa. Na família, a amável menina dedicava-se com cuidados especiais a seus numerosos irmãos e irmãs.
Toda a família passava o verão no castelo da Glacière, situado perto de Auriol. Lá, como em Marselha, a oração, o trabalho e as obras de caridade ocupavam uma larga parte dos dias de Madalena. Enfeitar os altares, ensinar às crianças da aldeia, visitar os pobres doentes, eram suas práticas diárias.
Madalena passou assim dois anos no mundo, exercendo um verdadeiro apostolado sobre todos os que se aproximavam dela. A beleza de sua alma se refletia em seu rosto marcado por uma virginal modéstia. Suas maneiras afáveis e dignas, sua conversa edificante impunham respeito e faziam sentir a presença de Deus. Uma irradiação toda divina parecia fazer-se em torno da piedosa jovem e ela tornou-se, sem saber, objeto de uma espécie de veneração; ela adquirira uma verdadeira influência em sua cidade natal que, no momento apropriado, iria lhe facilitar a realização da ordem celeste.
Nesses dois anos conhecera e passou a ser dirigida espiritualmente pelo Pe. Claude Francis Milley, SJ.
No dia 2 de outubro de 1711, Madalena ingressou como postulante no primeiro mosteiro da Visitação de Marselha. Neste mosteiro, fundado em 1623 e chamado das Grandes Marias, desde 1691 havia um oratório dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, substituído em 1696 por uma capela.
Em 14 de janeiro de 1712, recebeu o hábito das noviças durante uma cerimônia presidida por Mons. de Belsunce, o qual a chama pela primeira vez de Ana Madalena. Em 14 de agosto de 1712, sua irmã Ana ingressou no mosteiro, e três meses depois vestiu o hábito com o nome de Ana Vitória († 1760). Ana Madalena pronunciou os votos perpétuos em 23 de janeiro de 1713.
No dia 17 de outubro de 1713, Nosso Senhor confiou a Irmã Ana Madalena uma missão, conforme ela contou em carta dirigida a seu diretor, em 14 de outubro de 1721: “Sexta-feira próxima, dia da morte de nossa Venerável Irmã Alacoque, fará oito anos que Jesus Cristo me fez conhecer, de maneira especial e extraordinária, seus desígnios sobre mim, com respeito à glória de seu Coração adorável. Se esta carta vos for entregue antes da sexta-feira, vós me fareis o favor de não esquecer, no altar, de dar graças a Deus”.
Ao confiar a Irmã Ana Madalena sua missão no dia do aniversário da morte de Santa Margarida Maria, Nosso Senhor dava a entender que aquela devia, ao realizar sua missão particular, continuar e completar a missão desta.

Assim começou para ela um tempo de provação e sofrimento, mas também de consolo na oração. Apóstola e vítima, ela era assim mediadora que intercedia pela salvação dos pecadores. Muitos vêm consultá-la no parlatório do mosteiro.Deus queria que ela exercesse junto às almas uma espécie de ministério excepcional, único mesmo na história da Visitação. Para isso, Ele tinha dotado sua serva com os dons da profecia, de uma visão sobrenatural das consciências e do conhecimento dos acontecimentos que se passavam ao longe. Inumeráveis fatos o provaram e viu-se, então, em Marselha, um espetáculo inaudito: uma jovem religiosa, de dezenove a vinte anos servir de árbitro nas questões mais obscuras e decidir com tal autoridade que toda objeção desaparecia diante de sua palavra: “A Irmã Rémuzat disse”.

Em 1716, durante um êxtase, ela obteve permissão para ver a Santíssima Trindade. Seguem numerosas visões e colóquios com Jesus. Um ano depois, com a aprovação e o apoio de Mons. Belsunce, ela redigiu os estatutos da Associação da Adoração Perpétua do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Em 30 de março de 1718, com a aprovação do Bispo de Marselha, são impressos os regulamentos e os exercícios piedosos, e a Associação vem à luz no mês de abril. As inscrições logo chegaram aos milhares e vários mosteiros da Visitação criaram a Associação em suas igrejas. Foi neste mesmo ano em que as doutrinas jansenistas se espalhavam em Marselha com virulência, que durante as Quarenta Horas Nosso Senhor Jesus Cristo milagrosamente apareceu no Santíssimo Sacramento exposto na igreja dos Frades Observantes Franciscanos em frente à multidão reunida para a oração.
Ana Madalena Rémuzat foi advertida deste evento por via sobrenatural, bem como de um castigo que viria se a cidade não prestasse atenção à misericórdia do Senhor. Ela mencionou esta mensagem ao seu diretor espiritual, Pe. Milley, que a transmitiu ao Mons. Belsunce.
Em maio 1719 a nova superiora do mosteiro, Madre Francisca-Benigna de Orlyé dos Santos Inocentes († 1738) nomeou Irmã Ana Madalena superintendente da comunidade. Seus sofrimentos aumentaram e não vão deixá-la mais até sua morte. Passava noites inteiras em oração diante do Tabernáculo.
Em julho 1720 a peste atingiu Marselha. Em outubro, enquanto ela estava em adoração, Jesus mostrou-lhe que graças a este flagelo seria estabelecida uma festa em honra do Sagrado Coração, e, alguns dias depois, Ele indicou as condições necessárias. A mensagem foi enviada imediatamente ao Mons. Belsunce, que no dia 22 do mesmo mês publicou a ordem em que formalmente se instituía, na diocese de Marselha, a festa do Sagrado Coração, e em 1º de novembro seguinte - é a primeira no mundo – consagrou solenemente a cidade e a diocese ao Sagrado Coração Jesus.
A peste, que parecia enfim superada, reapareceu em 1722 e foi somente após os vereadores terem feito voto de participar desta festa a cada ano que o flagelo desapareceu. Não tendo se poupado nos cuidado aos doentes da epidemia, Pe. Milley morreu da mesma doença. Seguindo o conselho de Mons. Belsunce, Ir. Ana Madalena foi colocada em contato epistolar com o Pe. Girard, que mais tarde se tornou seu diretor espiritual.
Em 1723, durante os retiros anuais, ela tem uma nova visão da Santíssima Trindade. Em 1724 ela recebeu os estigmas da Paixão, mas pediu a Jesus que estes sinais permanecessem invisíveis.
Em maio de 1725, a Madre Nogaret († 1731), uma antiga superiora do mosteiro, assumiu o comando e substituiu a Madre dos Santos Inocentes. Em maio 1728, Madre Nogaret nomeou-a tesoureira do mosteiro, cargo no qual seria incansável.
Em janeiro 1730, Irmã Ana Madalena caiu gravemente doente e morreu no dia 15 de fevereiro seguinte – pedira que lhe recitassem a Ladainha do Sagrado Coração que ela mesma tinha composto. Mons. Belsunce presidiu o funeral e o sepultamento, enquanto a multidão, chorando, repetia incessantemente: "Morreu a santa!". Desde então, muitos milagres lhe foram atribuídos. Ela é considerada a herdeira de Santa Margarida Maria Alacoque e por isso é chamada de apóstola, a propagandista do Sagrado Coração.
A Igreja a declarou Venerável e a causa de sua beatificação, introduzida em 24 de dezembro de 1891 e, em seguida retomada em 1921, ainda está sem resultado. Então, na Quinta-feira Santa, 9 de abril de 2009, Mons. Georges Pontier, Arcebispo de Marselha, nomeou postulador da causa o Mons. Jean-Pierre Ellul, reitor da Basílica do Sagrado Coração, onde está o coração de Irmã Ana Madalena desde que as Visitandinas de São Jerônimo deixaram Marselha para se juntar ao mosteiro de Voiron.

No dia 15 de fevereiro de 2014, o processo de beatificação e canonização foi apresentado na Basílica do Sagrado Coração.

(Fonte: blog "Heroínas da Cristandade", com autorização da tradutora)