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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Beatas Maria Eva da Providência Noiszewska e Maria Marta de Jesus Wolowska, virgens da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição e mártires

     


          Em Slonim, na Polônia, Beatas Maria Eva da Providência Noiszewska e Maria Marta de Jesus Wolowska, virgens da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição e mártires, que, por manter a fé no tempo da ocupação da Polônia durante a guerra, foram fuziladas.
             Estas duas religiosas da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria foram presas durante a noite de 18 para 19 de dezembro de 1942 na cidade de Slonim, em que sua congregação tinha uma casa, e na manhã foram levadas para as cercanias da cidade, na colina chamada Góra Pietralewicka, onde foram fuziladas por ódio à fé. O papa João Paulo II as beatificou em 13 de junho de 1999.
     Bogumila Noiszewska nasceu em 11 de junho de 1885 em Osaniszki, Lituânia, no seio de uma família polonesa; era a mais velha de onze irmãos. Passou sua infância e primeira adolescência em Duneburg e Tula. Terminado o curso médio, estudou medicina, em que chegou a doutorar-se, e na 1ª. Guerra Mundial trabalhou nos hospitais militares com grande entrega e dedicação, aproveitando seu contato com os feridos para aproximá-los de Deus e infundir-lhes sentimentos religiosos.
     Confiou a direção de sua alma ao venerável servo de Deus Segismundo Lozinski (+ 1932), mais tarde bispo de Pinks. A ele confiou seu desejo de se tornar religiosa, porém não foi senão em 1919 que pode concretizar seu anelo entrando na Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria. Em 12 de maio de 1920 recebeu o hábito religioso e tomou o nome de Irmã Maria Eva da Providência. Em 12 de maio de 1921 emitiu a profissão temporária e em 16 de julho de 1927 a profissão perpétua.
     Um de seus destinos foi a casa de Jazlowiek onde foi educadora, médica dos alunos e diretora do Seminário (1930-1936). Em 1938 foi destinada à casa de Slonim. Chegada a 2ª. Guerra Mundial, a cidade foi tomada, primeiro pelos bolcheviques e depois pelos nazis, porém ela não mudou sua entrega e dedicação na obras de caridade e ao apostolado, trabalhando no hospital e hospedando na casa os perseguidos judeus.
     Casimira Wolowska nasceu em Lublin no dia 30 de setembro de 1879, última de oito filhos. Recebeu em sua família uma esmerada educação e aos 13 anos perdeu a mãe. Ingressou em novembro de 1900 na mencionada congregação religiosa, e começou o noviciado em 30 de junho de 1901, com o nome de Irmã Maria Marta de Jesus. Fez a primeira profissão em 8 de dezembro de 1902 e os votos perpétuos em 3 de julho de 1909. Religiosa dedicada e de boas qualidades, era jovem quando foi nomeada superiora de várias casas sucessivamente.
     Em 1919 organizou o orfanato de Maciejów para crianças polonesas, ucranianas e russas procedentes da Sibéria, e em seguida abriu para elas uma escola de instrução geral e profissional e uma escola pedagógica. Muito inteligente e preparada, buscava boas relações com ortodoxos e judeus. Em agosto de 1939 foi nomeada superiora da casa de Slonim e poucos dias depois eclodiu a II Guerra Mundial.
     Tendo a cidade sido tomada sucessivamente pelos bolcheviques e nazis, ela procurou organizar uma ajuda a todos: prisioneiros, perseguidos, famintos, etc. Foi-lhe dito que estava sendo vigiada e que se encontrava em uma lista muito perigosa. Teria podido fugir, mas preferiu manter-se em seu posto.

Fonte: “Año Cristiano” - AAVV, BAC, 2003

http://www.eltestigofiel.org/lectura/santoral.php?idu=4564

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

SÃO RAIMUNDO DE PEÑAFORT, Presbítero e Missionário Dominicano; grande apóstolo e taumaturgo. Dois textos biográficos.



Diretor espiritual do rei, apóstolo das gentes, célebre canonista, professor, reformador dos costumes, protetor dos pobres, conciliador de litígios,  não havia campo de apostolado ao qual ele não se lançasse.
Alguns santos a Providência dá uma missão restrita, bem delimitada. Outros são chamados para acudir às necessidades gerais da Igreja, nos mais diversas campos de apostolado. Eles sustentam a causa de Deus em toda parte, são, por assim dizer, factótuns (faz-de-tudo) de Deus.
Uma vocação universal
Nessa perspectiva, a vida de São Raimundo se torna mais facilmente compreensível. Trata-se de um Santo com uma vocação universal. Chamado pela Providência para as missões mais diversas, ele, com uma versatilidade prodigiosa, "faz de tudo", quase ao mesmo tempo.
Nasceu em 1175, no castelo de Peñafort, na Catalunha, Espanha. Seus pais eram de nobre estirpe de cavaleiros. Ainda leigo, com a idade de 20 anos, já ensinava filosofia em sua cidade, mais com o intuito de formar os corações do que de instruir os espíritos. O tempo que lhe sobrava, empregava- o em socorrer os infelizes e conciliar divergências entre seus concidadãos.
Aos 30 anos ingressou na Universidade de Bolonha, onde estudou Direito Canônico e Civil com tal êxito que não tardou em doutorar-se e passar de aluno a mestre. As qualidades e virtudes do piedoso doutor faziam dele um dos mais belos ornamentos da famosa Universidade. Em pouco tempo, sua reputação já alcançava países distantes.
Em 1219, o Bispo de Barcelona, Dom Berenger, foi a Bolonha, com o objetivo de levar consigo Raimundo para sua diocese. Bem sabia o Prelado quanto este lhe seria valioso instrumento para reforma dos costumes, reafervoramento do povo e até mesmo do clero da Catalunha. O famoso professor, entretanto, não se mostrava disposto a abandonar seu campo de trabalho, onde podia fazer tanto bem para a salvação das almas.
O Bispo, porém, sabia como tocar as cordas sensíveis do Santo. Após expor- lhe as prementes necessidades da Igreja em Barcelona, afirmou que ele tinha uma particular obrigação de atender primeiro seu país natal. Depois lhe mostrou o perigo de se afastar do caminho de Deus, ao qual ele ficaria mais exposto se seguisse apenas sua própria vontade. E encerrou com o seguinte argumento: em Bolonha, o brilho de sua reputação lhe atraía tão grandes aplausos que não poderia deixar de aumentar desmedidamente suas ocupações, com prejuízo da vida interior. Por fim, Raimundo se deixou persuadir e transferiu-se para Barcelona, dedicando-se de corpo e alma ao serviço do Altar.

Modelo dos sacerdotes
Nomeado cônego, e pouco depois arqui-diácono, logo tornou-se o modelo dos sacerdotes na igreja de Barcelona, tanto pela inocência de sua vida quanto pela regularidade e exatidão no cumprimento de todos os ministérios.
Empenhou-se para que os atos litúrgicos fossem realizados com a maior dignidade e beleza. Autorizado pelo Bispo, promoveu pela primeira vez a celebração da festa da Assunção de Nossa Senhora, com ofício solene.
Raimundo estava sempre pronto a socorrer os indigentes e auxiliar a todos quantos iam consultá-lo. Em pouco tempo fez-se amado e respeitado por todos. O exemplo de suas virtudes contribuiu mais para a reforma dos costumes que toda a autoridade da qual fora revestido pelo Bispo.
Mas o desejo de levar uma vida mais perfeita, mais penitente e menos exposta aos olhos dos homens, cujos louvores temia, o impelia a procurar um estado de maior dedicação. Quando professor em Bolonha, testemunhara as grandes virtudes de São Domingos e os milagres que Deus realizava por meio desse Santo. Era grande admirador da vida angélica dos primeiros dominicanos estabelecidos em Barcelona. Dócil à voz de Deus que o chamava a ser como eles, recebeu o hábito religioso de São Domingos na Sexta-Feira Santa de 1222, na idade de 47 anos.
Seu exemplo atraiu para a Ordem Dominicana vários personagens ilustres, como Pedro Ruber, Raimundo de Rosannes e outros piedosos eclesiásticos, cuja vocação e talento deram novo brilho à Ordem em toda a Catalunha.


Homem de grande ciência
Esse novo estado de vida foi para ele um acréscimo de fervor e uma escola de perfeição. As graças que recebia na oração aumentavam-lhe sempre o desejo de se mortificar e tornar-se útil no serviço da Igreja e do próximo.
Os superiores valeram-se sabiamente de tais disposições para fazer frutificar suas qualidades. Tendo ele rogado que lhe impusessem uma severa penitência para expiar, segundo dizia, as vãs complacências que tivera ensinando no mundo, ordenaram-lhe que compusesse um compêndio dos casos de consciência, para facilitar a delicada missão dos confessores.
Frei Raimundo executou esse trabalho com admirável exatidão, apresentando de forma ordenada os "casos de consciência" e dando a solução para cada um deles, com base nos ensinamentos das Sagradas Escrituras, nos cânones das leis eclesiásticas, na doutrina dos Padres da Igreja e nos decretos pontifícios. O Papa Clemente VIII fez grandes elogios a essa obra, afirmando ser ela igualmente útil aos penitentes e necessária aos confessores.
Conhecedor da grande ciência de São Raimundo, o Papa Gregório IX chamou-o a Roma como Penitenciário Papal e lhe deu a incumbência de realizar um trabalho de proporções universais, a compilação da vasta legislação canônica então em vigor.
Dela se desincumbiu o insigne canonista dominicano com o zelo e a competência de costume. Em 1234 apresentou ao Pontífice a obra concluída. Sob o título de Decretais, essa codificação vigorou na Igreja até 1918, quando foi publicado o primeiro Código de Direito Canônico.

Insaciável zelo pelas almas
Em 1238 foi eleito Superior Geral dos Dominicanos. Desejoso, porém, de dedicar-se por inteiro ao apostolado de conquista de almas para Jesus Cristo, pediu e obteve dispensa desse cargo. O zelo da salvação das almas o devorava. Seus pensamentos estavam voltados para fazer novas conquistas para a Igreja, sobretudo entre os infiéis.
Com o objetivo de facilitar a conversão de judeus e muçulmanos, criou centros para o ensino de suas línguas e pediu a São Tomás de Aquino para escrever a Suma Contra Gentiles. Servindo-se deste poderoso instrumento de apostolado, o Santo pôs-se a campo, e os bons resultados não se fizeram esperar: em uma carta sua ao Superior Geral, datada de 1256, pode- se ler que obteve a conversão de mais de dez mil árabes na Espanha. Esse célebre canonista organizou também missões para a conversão dos judeus e dos muçulmanos. Não havia, por assim dizer, campo de apostolado ao qual não se lançasse: trabalhar sem esmorecimento para converter os pagãos, ou pelo menos impedir que corrompessem os cristãos; atrair os pecadores à penitência e reconciliá-los no tribunal do confessionário; instruir os fiéis pelo ministério da palavra; apoiar os bons, consolá-los nos seus sofrimentos; obter para os pobres as esmolas e os auxílios dos ricos - nada era demasiado para o desejo de salvar almas, que nele crescia mais e mais.

Navegando sobre um escapulário de lã
São Raimundo é um dos mais esplendorosos exemplos de confirmação das palavras de Cristo: "Aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço, e fará ainda maiores do que estas" (Jo 14,12).
O Rei Jaime de Aragão era senhor da Ilha de Maiorca, localizada no mar Mediterrâneo a 360 quilômetros de Barcelona. Numa de suas viagens a essa ilha, convidou para acompanhá-lo Frei Raimundo, que na época exercia as funções de capelão da corte. Durante o percurso, o monarca - cujo procedimento moral muito deixava a desejar - tentou forçar a consciência do Santo, exigindo que ele complacentemente fizesse vistas grossas a esse mau proceder.
O homem de Deus resistiu com vigor, chegando a ponto de pedir licença para descer do navio, em pleno mar, e retornar a Barcelona. O Rei negou autorização para essa "loucura" que para o Santo, entretanto, parecia coisa simples, uma vez que Jesus veio até seus discípulos "caminhando sobre as águas do mar" (Mt 14,25). Confiante em Deus, ele respondeu ao monarca:
Um rei da terra me fecha a passagem, mas o Rei do Céu há de me abrir caminho melhor; ou por outra, Ele próprio é meu caminho”!
Porém o Rei, à negativa de autorização, acrescentou uma ameaça de pena de morte, caso o Santo tentasse fugir. E ao desembarcar na ilha, Frei Raimundo notou que uma escolta armada havia sido incumbida de guardá-lo para impedir sua fuga.
Após, com sua acolhedora bondade, conquistar a confiança dos guardas, manifestou-lhes o desejo de rezar andando pela praia. Eles consentiram. Afinal, pensavam, o que poderia fazer esse bom frade, desarmado, para escapar de nossa vigilância? Tal raciocínio, inteiramente válido para outros homens, revelou-se ilusório para o indomável Santo.
Sob o olhar estupefato dos soldados, ele estendeu seu escapulário de lã sobre as águas do mar, e nele "embarcou". Após agasalhar-se com parte de seu manto, içou a outra ponta ao seu bastão, constituindo uma vela. O resto... foi só invocar o santo nome de Maria, a Senhora dos ventos, de quem era fiel devoto. Um sopro suave, mas veloz, impulsionou o veleiro de Deus e em menos de seis horas ele chegava ao porto de Barcelona, vencendo milagrosamente a distância de 360 km que separam a Ilha de Maiorca dessa cidade espanhola.
Era alta madrugada quando chegou a seu convento, onde a grande porta abriu-se por si mesma, como braços maternos a acolher um filho que há tempos não a transpunha. Ele dirigiu-se à sua cela conventual, onde até as paredes pareciam exultar de alegria. Ao amanhecer, com a despretensão característica dos santos, ele foi tomar a bênção do Superior e comunicar que sua missão na corte real estava cumprida. Do portentoso milagre, só muito depois os irmãos tomaram conhecimento, e por outras vias.





E o Rei, como reagiu?
Caindo em si, ante essa manifestação de um poder sem comparação maior que o seu, passou a seguir fielmente as advertências de Frei Raimundo, tanto no que dizia respeito à direção de sua consciência, quanto no que concernia ao governo do Reino.

Cem anos de vida inocente
Recolhido no convento de Barcelona, São Raimundo cuidou de preparar-se para sua última viagem. Com redobrado fervor, consagrava dias e noites à oração e à penitência.
Chegou afinal o almejado e temido dia do encontro com Deus, 6 de janeiro de 1275. Justamente nesse dia, ele completava 100 anos de idade! Após receber os sacramentos da Igreja, sua grande alma retornou às mãos do Criador, tão inocente quanto delas havia saído. Antes de sua partida para a eternidade, os reis de Castela e Aragão o visitaram com suas respectivas cortes, para receber pela última vez sua bênção.
São Raimundo foi canonizado em 1601, pelo Papa Clemente VIII. Em seu túmulo, operaram-se numerosos milagres, muitos dos quais são mencionados na bula de sua canonização. Sendo o dia 6 de janeiro dedicado à festa dos Reis Magos, a Igreja celebra no dia 7 a entrada gloriosa de sua alma no Céu. ******




São Raimundo e a Ordem dos Mercedários
São Raimundo de Peñafort está também na origem da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, cujas Constituições foram redigidas por ele. Seu fundador, São Pedro Nolasco, na idade de 25 anos, travou contato com ele em Barcelona e logo se pôs sob sua direção espiritual.
Naquela época, milhares de cristãos eram aprisionados por piratas mouros no Mar Mediterrâneo ou nas regiões costeiras, e encerrados em sombrias masmorras ou vendidos como escravos nas cidades maometanas.
O milagre das Cadeias de São Pedro, narrado nos Atos dos Apóstolos, serviu de inspiração para a fundação de uma ordem religiosa com o objetivo de resgatar esses infelizes cativos: "Pedro dormia entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Um anjo do Senhor resplandeceu no cárcere e, tocando-o, disse: Levanta-te, e segue-me. E as correntes caíram das suas mãos (...) Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo" (At 12, 6-10). Em homenagem a este milagre, a Igreja estabeleceu a festa das Cadeias de São Pedro, comemorada no dia 1º de agosto.
Justamente nesta festa, no ano 1218, Nossa Senhora apareceu a São Pedro Nolasco e lhe disse ser do agrado de Deus a fundação de uma congregação com o título de Nossa Senhora das Mercês, para o resgate dos cativos cristãos. Ele foi logo comunicar o fato a São Raimundo, o qual declarou ter recebido a mesma graça da Mãe de Deus.
Pouco depois, foram os dois tratar com o Rei Jaime sobre os meios para levar avante a fundação, e este lhes informou que também a ele a Santíssima Virgem havia aparecido, fazendo idêntica comunicação.
Assim, graças a uma conjugação de fatores sobrenaturais, e ajudada pelo prestígio de São Raimundo, a Ordem de Nossa Senhora das Mercês se desenvolveu rapidamente, atraindo para suas fileiras numerosos fidalgos da França, Alemanha, Inglaterra e Hungria. 
(Antonio Queiroz; Revista Arautos do Evangelho, Jan/2005, n. 37, p. 34 à 37)



Segundo texto biográfico
Raimundo viu  a  luz do mundo no ano de 1175, no Castelo de Penaforte, na Catalunha.  De descendência nobre, estava em parentesco com os reis de Aragônia. De tenra idade ainda, revelava grande interesse pela  oração e  pelo estudo. Tão prodigiosos  foram os seus  progressos no estudo das ciências que, tendo apenas vinte anos de idade, lhe foi oferecida a cadeira de  artes livres, em Barcelona. De todas as partes vinham estudantes em grande número, para ouvir-lhes as preleções. Uns anos depois, se dedicou ao estudo do direito civil e eclesiástico  em  Bolonha,  e terminou este curso com tão grande brilhantismo, que foi nomeado lente destas matérias. 
     A fama do seu grande  saber espalhou-se  por toda a Itália.  Berengário, bispo de Barcelona, convidou-o para voltar à sua diocese.  Possuindo toda a confiança do Prelado, foi por este nomeado vigário geral. 
   Com 45 anos de  idade, entrou  na Ordem de são Domingos, distinguindo-se  nela tanto pela prática das virtudes,  como pela ciência. Chamado a  Roma pelo Papa Gregório IX, foi confessor do mesmo por muitos anos. Vendo que no palácio papal os pobres não eram tratados  e servidos com a  atenção a  que tinham direito, impôs ao ilustre penitente interessar-se pessoalmente por esta parte do rebanho. Por  ordem do Papa, Raimundo editou uma obra importantíssima de direito eclesiástico, conhecida  sob o nome de  decretais de Gregório IX. 
     Para recompensá-lo de tantos trabalhos e  merecimentos, Gregório IX nomeou-o arcebispo de Taragona, distinção esta de que se julgou tão indigno, que pediu exoneração do cargo. Uma doença gravíssima levou-o quase à beira do túmulo. Com licença dos superiores, voltou para a sua terra. Raimundo escreveu a regra da nova Ordem Nossa Senhora das Mercês e Redenção dos Cativos, cujo primeiro geral foi São Pedro Nolasco.  
        Morto  o Geral da Ordem de São Domingos, Frei Jordão, os religiosos  deram os votos a Raimundo, para ser o novo superior. Dois anos ocupou este cargo,  quando pediu  exoneração, para  poder  dedicar-se mais à obra de sua própria santificação.  
      Avisou ao rei do perigo que havia  na parte  dos Albigenses (facção da seita dos cátaros, que pregavam o maniqueísmo) e conseguiu a  expulsão dos mesmos. Para chamar a Cristo os Judeus e  mouros, fundou dois seminários em que o ensino era dado em hebraico e árabe. Teve a satisfação de poder comunicar ao seu superior, que 10.000 mouros tinham recebido o batismo. 
      Muitos e  grandes milagres obrou Deus por meio do seu servo, dos quais o mais conhecido é o seguinte:  Jaime I, rei de Aragônia, era penitente de Raimundo. Numa viagem que ia fazer à Ilha Majorca, desejava ter seu confessor como companheiro.   No mesmo trajeto, o rei levou uma mulher, com a qual  tinha relações ilícitas. Raimundo muito lhe pediu que a despedisse,  no que o rei prometeu atendê-lo, mas a mulher ficou.   Chegados a Majorca,  Raimundo fez  a  sua permanência na côrte depender do afastamento da concubina da  casa real; no caso contrário, voltaria  para Barcelona .  Jaime ordenou a  todos os barqueiros e proprietários de navios que, sob pena de morte, nenhum se  atrevesse a transportar  o frade para a Espanha. Raimundo, ignorando a  ordem do Rei, dirigiu-se  ao porto, para embarcar num daqueles navios que  iam para o continente,  mas não achou entre os marinheiros  quem  o  quisesse transportar. Adiantou-se então o santo homem até um rochedo, que estava mais para dentro do mar, tomou a capa, estendeu sobre a água, tomou o bastão, fez o sinal da cruz e pôs-se sobre a capa, como se entrasse numa barca. Chamou um companheiro para que fosse com ele. Este, porém, não teve o ânimo de seguí-lo e, estupefato, presenciou aquele singular embarque. Raimundo pôs então o bastão no meio, levantou uma parte da capa a  modo de vela, uniu-a com a extremidade do bordão e  começou a navegar.  Em seis horas fez a viagem até barcelona percorrendo uma distância de  160 milhas.  Chegando a Barcelona, saltou em terra, tirou a  capa, que estava enxuta, e foi para o convento. Nele entrou, apesar de estar com todas as portas fechadas. O rei, sabendo o que tinha acontecido, caiu em si e mudou de vida. 
Raimundo, pressentindo a morte, preparou-se com muito cuidado, redobrando as orações e  penitências. Durante a última doença, recebeu a visita dos reis de Castela e  Aragão, que lhe imploraram a bênção.  Com quase  cem anos de idade, Raimundo  entregou o espírito a Deus, a 7 de janeiro de  1275.

     REFLEXÕES: 
    São Raimundo negou-se  peremptoriamente a permanecer na companhia do rei, que não quis  deixar a má vida. O Santo preocupava-se  com o escândalo que proviria de  sua permanência, que implicaria  numa aparente aprovação do mau procedimento do monarca.  Quais  são os teus princípios neste particular?  A convivência com os maus, corrompe os bons. Maus costumes e exemplos tem um quê de  contagioso. Por isso  é  necessário afastar-se desse ambiente. Os maus, vendo a complacência dos bons, firmam-se  ainda mais no pecado e perdem por completo o temor de Deus.  Prudente é, pois, imitando o exemplo de São Raimundo, fugir  da  convivência com os  pecadores.  







Beata Estefânia de Quinzanis, Virgem Dominicana, Mística e Estigmatizada.


Estefânia nasceu em 1457, em Orzinuovi, próximo de Brescia, na Itália, filha de Lorenzo de Quinzanis e sua esposa, que eram piedosos, mas pobres. Filha de camponeses, se dedicou como seus pais ao cultivo dos campos. Seu pai se tornou membro da Ordem Terceira de São Domingos quando Estefânia era muito pequena. Enquanto o acompanhava nas visitas ao mosteiro na cidade vizinha de Soncino, ela se encontrou com o frade estigmatizado, o Beato Mateus Carrieri, O.P., que a instruiu no Catecismo. Carrieri lhe disse que ela seria sua herdeira espiritual, uma afirmação que ela não conseguiu entender por muitos anos.
     Estefânia começou a ter visões de santos dominicanos a partir dos sete anos, idade em que ela fez os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência, e ganhou um anel simbólico de seu casamento místico com Cristo. Carrieri morreu quando Estefânia tinha 14 anos; pouco depois ele apareceu a Estefânia numa visão e ela recebeu os estigmas.
     Ela então começou a trabalhar como serva para viver, mas continuou sua formação na Ordem Terceira e aos quinze anos fez sua profissão no priorado dominicano de Soncino. Sua devoção aos pobres e doentes a levou a fundar as Irmãs da Ordem Terceira naquela cidade, sendo a primeira prioresa. A fundação tinha como prioridade a educação das jovens.
     Seus conselhos eram procurados por muitos, inclusive por Santa Ângela de Merici, fundadora das Ursulinas, e também pelo Beato Agostinho Fangi, O.P., bem como pela irmã terceira e mística, a Beata Osana de Mântua.
     Ela participou de diversos estágios da Paixão de Cristo, o que foi testemunhado por 21 pessoas em 1497, num depoimento ainda existente. Fontes afirmam que embora Estefânia fosse "feia", ela possuía um cabelo magnífico e, irritada com esta única beleza, o arrancou pelas raízes.
     Estefânia tinha uma devoção particularmente intensa por São Tomás de Aquino. Para superar uma tentação contra a pureza, ela se atirou sobre um monte de espinhos para imitar o Doutor Angélico. Exaurida por esta penitência, ela rezou para São Tomás e, de acordo com a legenda, foi amarrada por anjos com uma corda tão fortemente à volta de sua cintura, que ela gritou de dor.
     Embora Estefânia não tenha tido nenhum estudo formal em Teologia, conseguia discutir teologia mística em níveis muito profundos. É considerada, por isso, a padroeira dos teólogos. Dizia-se que era capaz de ler os corações e mentes das pessoas à sua volta e que tinha o dom da profecia e da cura. Viveu em um jejum quase contínuo e acertou a previsão da data de sua própria morte, que ocorreu de causas naturais em 2 de janeiro de 1530, dizendo: Em tuas mãos, ó Senhor, entrego o meu espírito!
     Foi beatificada pelo Papa Bento XIV em 14 de dezembro de 1740. As suas relíquias foram levadas para Soncino em 1988. A Ordem Dominicana a recorda no dia 3 de janeiro, enquanto que nas Dioceses de Brescia e Crema a sua memória é celebrada no dia 16 de junho.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Estef%C3%A2nia_de_Quinzanis

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

SANTA DAFROSA DE ROMA, Esposa e Mártir - 04 de janeiro.

       
       Mulher forte, esposa e mãe de família que tem bem gravado em sua alma o princípio e o fim de seu estado e de sua função: ganhar o céu para ela e para os seus. Primeiro seu marido e seus filhos, depois o próximo.

     Como buscava o bem daqueles que amava, a vemos deixando sua casa em Sevilha e emigrando para o centro do Império com toda sua família em busca de um maior bem-estar.
     Seu marido, Flaviano, morre mártir em Roma. Por estar casada com um cristão irredutível ela é condenada ao desterro. Ao voltar, o prefeito Aproniano a manda aprisionar, porque continua aferrada ao seu princípio de não sacrificar aos falsos deuses; ela quase adoece de fome. O prefeito prepara as coisas para recasá-la com um tal Fausto com a esperança de obrigá-la a mudar de opinião, mas o resultado é que o caçador é caçado, porque Dafrosa o instruiu na fé cristã, ele foi batizado pelo presbítero João e acabou morrendo mártir. Como seu corpo foi exposto aos cães, Dafrosa o recolheu à noite e lhe deu sepultura cristã. Isto a levou definitivamente ao martírio, em 4 de janeiro de 362, quando era único imperador Juliano, o apóstata.
     Os feitos de Dafrosa foram dados a conhecer, possivelmente acrescidos pelos séculos e a distância, pelo historiador hagiógrafo Antônio Quintana, que por sua vez os retomou de Pedro Julião. Quando se narra a vida e morte de Dafrosa se fala de toda uma família mártir, pois também se afirma que suas filhas Demétria e Bibiana morreram mártires em Roma, em 362, mas a fonte propulsora era a mãe firme, forte e muito capaz.

     A tradição a menciona como esposa de São Flaviano (22 dezembro) e mãe das santas Bibiana (2 dezembro) e Demétria (21 junho). Atualmente de toda família somente a filha Bibiana ainda aparece no martirológio da Igreja Católica e Dafrosa continua a aparecer no novo Martirológio Romano, onde é comemorada no dia 4 de janeiro.
     O sepultamento de Santa Dafrosa e de toda a família ocorreu perto de sua residência no Esquilino, onde, por desejo do Papa Simplício, foi construída uma capela e mais tarde a atual basílica. As relíquias de Dafrosa e de suas filhas ainda hoje são conservadas no sarcófago constantiniano, em alabastro oriental, sob o altar mor da igreja de Santa Bibiana.
     Os Santos Flaviano e Dafrosa, um dos numerosos casais que viveram no passar dos séculos e que a Igreja considerou dignos da honra dos altares, são modelos mais próximos das famílias, cônjuges que fizeram de seu matrimônio o caminho para alcançar a santidade.
     Curioso o papel de Juliano, o apóstata: o tempo de seu reinado não se caracterizou pela perseguição violenta, ele estava preocupado com a restauração do paganismo no Império como religião oficial, enquanto melhorava a administração e impulsionava a economia. Ele não quis mártires, ‘somente’ pagãos…



Fontes: www.santiebeati/it; http://es.catholic.net/op/articulos/31764/cat/214/dafrosa-de-roma-santa.html

Santas Tarsila e Emiliana, Virgens e Irmãs (tias do Papa São Gregório Magno).





     Tarsila e Emiliana são virgens do século VI, tias de São Gregório Magno, Papa entre 590 a 604. Tarsila é mencionada no Martirológio Romano no dia 24 de dezembro e Emiliana em 5 de janeiro.
     São Gregório Magno relata em uma homilia que seu pai, o senador Jordão, tivera três irmãs que se consagraram a Deus e se dedicaram a uma vida de jejuns e orações em sua própria casa em Roma. (Hom. XXXVIII, 15, sobre o Evangelho de S. Mateus, Lib. Dial., IV, 16).
     A família romana Anícia teve a graça de dar à Igreja um dos grandes doutores da Igreja do Ocidente, o papa São Gregório Magno. Era um homem de estatura pequena e de saúde frágil, mas um gigante na administração e uma fortaleza espiritual. Entre seus antepassados paternos estão o imperador Olívio, o papa São Félix III e o senador Jordão, seu pai.
     Gregório perdeu o pai muito pequeno e sua mãe, Santa Sílvia, bem como suas tias, Tarsila, Emiliana e Jordana, irmãs de seu pai, cuidaram de sua formação intelectual, religiosa e moral. Gregório, ainda jovem, se tornou chefe da administração civil de Roma. Mais tarde, se tornou embaixador do Papa Pelágio II e ao mesmo tempo monge, guia de uma pequena comunidade religiosa, recolhida em sua residência. Dali ele saiu para se tornar papa.
     Tarsila, Emiliana e Jordana eram muito unidas pelo fervor na fé em Cristo e pela caridade. As três viviam juntas na casa herdada do pai, no monte Célio, como se estivessem num mosteiro. Tarsila orientava o pequeno grupo inspirada no Evangelho e dava exemplo na caridade e na castidade. As irmãs progrediram incessantemente na vida espiritual.
     Jordana decidiu seguir a vida matrimonial casando-se com um bom cristão, o administrador dos bens da sua família.
     Emiliana seguia a linha das religiosas ocidentais, ou seja, não isolada na reclusão, mas dedicada à vida comunitária de ajuda aos doentes e necessitados, voltada para a castidade e as orações contínuas.
     No terrível século VI, cheio de sobressaltos como terremotos, pestes, guerras, invasões e um contínuo afluir de miseráveis a Roma, a caridade se tornava tarefa habitual também para as irmãs. Elas trabalhavam em dupla: Tarsila reclusa guiando e comandando, enquanto Emiliana atuava junto à população pobre e aos doentes.
     Emiliana, segundo registrou São Gregório Magno, foi uma das mais atuantes religiosas e seus exemplos de dedicação a Nosso Senhor Jesus Cristo deviam servir de inspiração, pois ela amava o próximo verdadeiramente e tinha Jesus como seu eterno esposo.
     Tarsila permaneceu na vida religiosa que havia escolhido, entregue ao seu amor a Deus, até que foi ao seu encontro na glória de Cristo. São Gregório relatou que Tarsila tivera uma visão de seu bisavô, o papa São Félix III, que lhe teria mostrado o lugar que ocuparia no céu dizendo estas palavras: "Vem, que eu haverei de te receber nestas moradas de luz".
     Depois dessa visão, Tarsila ficou gravemente enferma. No seu leito de morte, ao lado da irmã Emiliana e dos parentes, pediu a todos que se afastassem dizendo: "Está chegando Jesus, meu Salvador!" Com essas palavras e sorrindo, entregou sua alma a Deus. Ao ser preparada para o sepultamento, encontraram calos duros e grossos em seus joelhos e cotovelos causados pelas contínuas penitências. Ela fazia suas orações, que duravam muitas horas, ajoelhada e apoiada diante de Jesus Crucificado.

     Poucos dias depois de sua morte, Tarsila apareceu em sonho à Emiliana convidando-a a celebrarem a festa da Epifania juntas no céu. E foi isso o que aconteceu: Emiliana faleceu na véspera do dia dos Reis.
     O culto a Santa Tarsila, mesmo não sendo acompanhado de fatos prodigiosos, se manteve discreto e persistente ao longo do tempo, provavelmente estimulado pelos exemplos singulares narrados pelo sobrinho, São Gregório Magno, que nunca citou o ano do seu falecimento no século VI.


Etimologia
Tarsila do grego tharsaléos: “corajosa”. 
Emiliana, do latim Aemilianus; derivado de Emilia, do latim Aemilius, derivado de Aemulus: “êmulo, rival, zeloso, diligentes, solícito”.

Beata Maria de Jesus Crucificado (Mariam Baouardy), Virgem Carmelita Descalça e Mística. Em breve, mais uma santa carmelita descalça.


Nasceu em Abelim (Galileia), entre Nazaré e Haifa, em 05 de janeiro de 1846. Sua vida é um prodígio e nela se viu palpável a mão de Deus.
Desde muito menina teve que se abraçar com a cruz de Jesus Cristo, como muito bem o indica o sobrenome que escolheu ao professar no Carmelo. Ficou órfã, aos três anos, e seu tio a levou para Alexandria do Egito, onde fez a primeira comunhão. Prometeram-na em casamento a um jovem, porém ela, por conservar a virgindade que havia prometido a Deus, fugiu de casa sem dar notícia de seu paradeiro.
Trabalhando, como doméstica, na casa de um muçulmano, por se recusar fazer-se de sua religião, o mesmo a feriu gravemente no pescoço com uma cimitarra (espécie de espada de lâmina em “meia-lua”). Crendo que estava morta, jogou-a fora da cidade. Curada milagrosamente pela Santíssima Virgem, que lhe apareceu em forma de uma “enfermeira”, se pôs novamente a trabalhar, primeiro em Alexandria, depois em Jerusalém, em Beirute e em Marselha.
Nesta mesma cidade, em maio de 1865, ingressou nas Irmãs de São José da Aparição; porém, em 1867, sendo ainda postulante, a despediram, por causa dos acontecimentos extraordinários de sua vida espiritual, pelos quais a julgaram mais apta para a vida contemplativa que para a vida ativa. Haviam começado já, com efeito, os fatos extraordinários que encheriam sua vida: em 29 de março de 1867, pela primeira vez, teve os santos estigmas.
Em 27 de julho de 1867 vestiu, em Pau (França), o hábito do Carmelo.
Em 21 de agosto de 1870, partiu para Mangalore (Índia), onde o vigário apostólico Efrém M. Garrelon queria fundar o primeiro mosteiro de clausura indiano.
Ali emitiu sua profissão, em 21 de novembro de 1871, e tomou como diretor espiritual o mesmo vigário apostólico.
Por causa de algumas extraordinárias manifestações místicas, que escapavam a toda explicação humana: conhecimento das consciências, dom de profecia, levitações, êxtases, possessão angélica e diabólica – esta última por permissão de Deus, não por sua culpa –, o mesmo Garrelon a julgou movida pelo espírito das trevas, pelo que Maria teve que voltar para Pau em setembro de 1872.
Impulsionada por Deus, partiu para a Palestina para fundar um Carmelo contemplativo em Belém, que inaugurou em 1876. Tinha o projeto de fundar outro Carmelo em Nazaré, porém lhe sobreveio a morte.
Tanto sua própria comunidade, como quantos a conheciam, tinham a esta “florzinha árabe” como uma alma profundamente enamorada de Jesus Cristo.
Em 26 de agosto de 1878 expirava santamente, vítima de gangrena, provocada por uma fratura exposta na perna, que infeccionou.
Em 13 de novembro de 1983 a beatificava o Papa São João Paulo II. Era a primeira mulher da Terra Santa elevada à honra dos altares. O Santo Padre Francisco aprovou o segundo milagre para sua canonização que será marcada para 2015. Sua memória litúrgica se celebra em 25 de agosto.

Sua espiritualidade

De forma semelhante a Santa Maria Madalena de Pazzi, o Senhor a levou por caminhos de alta mística e de fenômenos extraordinários durante toda sua vida. Ela, ao contrário, era sumamente simples, humilde e tudo fazia por viver sem se fazer notar.
Ainda que não tivesse feito estudos em nenhuma escola, sabia dar conselhos e explicações teológicas de uma cristalina transparência, fruto de sua fé e, sobretudo, do amor que a consumia. Foram muito freqüentes seus êxtases, profecias e raptos (levitações).
Tinha um profundo amor ao Espírito Santo de Deus, ensinando que a devoção a Ele é a “rainha” de todas as devoções e que as almas e instituições católicas seriam renovadas caso nos voltássemos mais à honra e serviço do Consolador.
Exercitou-se continuamente nas virtudes mais sólidas e seguras, como o são a humildade e a obediência, apesar do obsessivo poder que o demônio, em algumas ocasiões, parecia ter sobre ela. Participou por longo tempo dos sofrimentos místicos da Paixão de Cristo; desde 1867, especialmente na Quaresma, apareciam em seu corpo os santos estigmas.
Somente em 1876, depois de haver pedido ao Senhor com insistência, obteve que os sinais externos desaparecessem, permanecendo unicamente a dolorosa participação nas dores do Senhor.

Sua mensagem

·       Que nos deixemos moldar pelo Espírito Santo.
·       Que nossos irmãos judeus reconheçam o Messias.
·       Que a religião do Islã encontre a luz.
·       Que o Senhor tem sido grande conosco.

Oração:
Ó Deus, Pai de misericórdia e consolação, introduzistes na contemplação dos mistérios de vosso Filho a Beata Maria de Jesus Crucificado, filha humilde da Terra Santa, e a fizestes testemunha da caridade e do gozo do Espírito Santo. Concedei-nos, por sua intercessão, que, associados aos sofrimentos de Cristo, transbordemos de venturosa alegria na manifestação de vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Ó gloriosa Beata Maria de Jesus Crucificado, por
sua humildade, pequenez, pureza angelical e ardente
amor por Deus, agora reinas entre os serafins e
querubins. Intercedei por nós, pobres pecadores.
Amém! 



segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Beata Maria Repetto, Virgem do Instituto das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário.



Em Gênova, cidade da Itália, a Beata Maria Repetto, virgem das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, que viveu escondida do mundo e se esforçou por ajudar aos aflitos e dar esperança de salvação eterna aos que duvidavam.

Nasceu em Voltaggio, Itália, no seio de uma família da burguesia. Ingressou como religiosa das Irmãs de Nossa Senhora do Refúgio no Monte Calvário, em Gênova, em 1829. Trabalhou como costureira da comunidade durante muitos anos. Quando a visão começou a falhar, destinaram-na à portaria do convento, onde desenvolveu um trabalho apostólico profundo e promoveu a devoção a São José. Teve o dom da cura, colocando a medalha de São José no lugar enfermo. Não atribuiu nada para si mesma, mas, ao Santo Patriarca. Trabalhou como enfermeira durante as epidemias de cólera em 1835 e 1854.

A generosidade de Maria causou alguns apuros à comunidade. O número elevado de gente que recolheu dentro do convento teve as críticas de suas irmãs que consideravam que interrompiam sua vida de comunidade. Assim que a tiraram da portaria, Maria não se perturbou e se dedicou com mais fortaleza à oração. Suas superioras compreenderam seu modo de agir e a devolveram a seu posto.
Conta-se que um dia uma mulher chegou ao convento para pedir orações por seu marido cego. A irmã Maria lhe aconselhou orar a São José. Quando a mulher se foi, Maria virou-se em direção ao quadro do Santo que tinha na portaria e lhe disse: “São José, o senhor faz ideia como é triste uma pessoa viver na escuridão”? A mulher voltou ao convento e lhe disse que seu marido havia recuperado a visão repentinamente. A irmã Maria girou o quadro de São José e viu um bilhete que dizia: “São José agradece-lhe por isso".

Morreu em Gênova, cantando o "Regina coeli, laetare, alleluia". Foi sepultada na capela de seu convento. Foi beatificada no dia 04 de outubro de 1988 pelo Papa São João Paulo II. 

Beata Josefina Nicoli, Virgem, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo.


Josefina Nicoli nasceu em Casatisma (Pavía, Itália) em 18 de novembro de 1863. Era a quinta de dez filhos de uma família de classe média de profunda fé.
     Cursou a escola primária com as religiosas agostinianas em Voghera e estudou magistério em Pavía. Seu desejo secreto, que a impulsionava a realizar estes estudos, era de dedicar-se à educação das crianças pobres, em um tempo em que era muito elevada a porcentagem de analfabetismo entre as pessoas de menos recursos.
     Josefina era querida por todos, seu carácter doce era um dom natural. Um sacerdote de Voghera, Pe. Joaquim Prinetti, seu diretor espiritual, a guiou no caminho da perfeição, enquanto amadurecia a vocação de se consagrar a Deus.
     Em 24 de setembro de 1883, aos vinte anos, ingressou na Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, na casa de São Salvário de Turim, onde fez o postulantado e o noviciado. Recebeu o hábito em Paris, em uma cerimônia que teve lugar na Casa mãe das Filhas da Caridade.
     Em 1885 foi transferida para Sardenha. Sua primeira missão, que acolheu com grande entusiasmo, foi a de ensinar no "Conservatório da Providência" de Cagliari.
     Em 1886, a cidade de Cagliari foi açoitada pela epidemia de cólera e a Irmã Josefina, nos momentos livres depois do horário escolar, juntamente com suas irmãs do conservatório, se dedicou a socorrer as famílias pobres da cidade organizando "cozinhas econômicas" que puseram à disposição das autoridades civis.
     Depois de quase quinze anos de ativa vida apostólica em Cagliari, no ano 1889 foi transferida para o orfanato de Sássari. Também ali desenvolveu um amplo projeto apostólico, organizando diversas instituições orientadas sempre ao serviço dos pobres.
     Dedicou-se à formação de escolas de catequese que todo domingo reuniam cerca de 800 crianças; sobretudo suas energias concentraram-se em dar vida à “Escola de religião” para as jovens universitárias, com a finalidade de prepará-las e assim enfrentar a maçonaria que se difundia em Sássari e tentava debilitar a presença dos católicos na cidade.
     A Divina Providência tinha para ela novos projetos, um novo destino: Turim (1910-1913). Por seus dotes organizativos, nomeiam-na ecônoma provincial, e um tempo depois passou a ser diretora da casa de formação das Filhas da Caridade, missão na qual ela se dedicou com grande entrega. Adoeceu gravemente de tuberculose e foi transferida para Sardenha— com grande dor do conselho provincial —, pois o clima das ilhas era favorável à sua saúde.
     De volta a Sássari, no ano 1914, reinava um ambiente hostil devido ao anticlericalismo. Sua permanência nas ilhas melhorou o estado de sua saúde, porém marcou o início de seu calvário interior. Uma série de mal-entendidos e falsos testemunhos por parte da administração do orfanato obrigaram os superiores a transferirem-na novamente.
     Em 7 de agosto de 1914, a Providência a conduziu, na última etapa de sua vida, ao Asilo da Marina, em Cagliari. Ali se deparou com a pobreza moral e espiritual desses bairros. Interessou-se pelas numerosas jovens que trabalhavam na fabricação de tabaco e as reuniu na Obra de Retiros Espirituais. Para a visita a domicílio, organizou as “Pequenas Damas da Caridade”. Com elas, em 1917, abriu uma colônia para responder às necessidades dos numerosos casos de crianças desnutridas ou com tuberculose.


Foto de um grupo de  "meninos do cesto"



     A fama de Irmã Nicoli estava relacionada sobretudo “com os meninos do cesto”, conhecidos na cidade por seu utensílio de trabalho. Tratava-se dos meninos abandonados que se converteram em uma preocupação obsessiva para ela. Irmã Nicoli tratou estes pequenos com a mesma delicadeza de uma boa mãe. Ministrava-lhes aulas para prepará-los para exercer uma profissão; os instruía na fé e estabeleceu com eles um acordo educativo.
     A calúnia que havia sofrido em silêncio foi esclarecida, pois o presidente da administração reconheceu o erro. No leito de morte Irmã Josefina perdoou-o de todo coração.
     Irmã Josefina Nicoli faleceu em Cagliari devido uma broncopneumonia, em 31 de dezembro de 1924; o funeral foi celebrado no dia 1º de janeiro. Sua morte – disse uma de suas coirmãs – foi "a coroa de uma vida íntegra e a prova de uma virtude praticada de modo heroico".
    O milagre ocorrido por sua intercessão, apresentado para a beatificação, ocorreu em Milão: um jovem militar foi curado de um tumor ósseo.

     No dia 3 de fevereiro de 2008, foi proclamada Beata pelo Papa Bento XVI, em Cagliari. Sua festa litúrgica é 03 de fevereiro.

SÃO FIACRO (ou Fiacre), Confessor.



São Fiacro (ou “Fiacre”) não é mencionado nos antigos calendários Irlandeses, mas é tido como certo que ele nasceu na Irlanda e viajou para a França onde viveu em quietude devotando-se a Deus. Outra tradição afirma que São Fiacro era filho de um rei da Escócia, do século VI. Instalou-se próximo a cidade de Meaux ao lado do Bispo São Faron.
São Fiacre fundou uma espécie de “monastério” ou “oratório” em uma solitária floresta que era patrimônio do bispado, chamado Breuil, na província de Brie. Sua reputação cresceu rapidamente. Não tendo como assegurar a subsistência dos membros de sua comunidade e dos visitantes, ele pediu ao seu Bispo autorização para aumentar seus domínios.
A tradição diz que o Bispo da cidade deu a ele toda a terra que conseguisse arar em um dia. Armado de um bastão (que na lenda virou pá de jardineiro) ele conseguiu desenhar um largo pedaço de terra.
Já na sua grande propriedade dedicou-se às alegrias da agricultura e da jardinagem. Construiu também um oratório em honra da Virgem Maria e fez um pequeno hospital para acolher viajantes. Muitos o procuravam para conselhos e os pobres por ajuda. A sua caridade fez com que ele atendesse a todos e vários eram milagrosamente curados pelas suas mãos.
Ele nunca permitiu que uma mulher entrasse em sua clausura e São Fiacro estendeu esta proibição até a sua capela e várias lendas dizem que as transgressões eram visivelmente punidas.
Por exemplo, diz a tradição que em 1620 um dama de Paris que se dizia acima de regras se dispôs a dirigir-se ao oratório e no caminho perdeu a memória e nunca mais a recobrou. Ana da Áustria, rainha da França, ficava contente em orar de fora da porta do oratório, entre os demais peregrinos e nunca tentou entrar.
Faleceu em 30 de agosto de 670 no vilarejo de La Brie, que hoje tem seu nome.
A fama dos milagres e curas de São Fiacro continuaram até após a sua morte e multidões visitam o seu túmulo por séculos. Monsenhor Seguier, bispo de Meaux em 1649, deu o seu testemunho e João de Chatilon, Conde de Blois, também testemunhou a sua cura. Ana da Áustria atribuiu ao santo a cura de Luiz XIII de uma grave doença em 1641 e, em agradecimento, foi a pé, em peregrinação, ao túmulo de São Fiacro, que já havia se tornado um santuário.


O vasto Patronato do Santo:
Ele é invocado para toda sorte de problemas físicos.
Diz a tradição que ele teria tido hemorróidas e ficou sendo o santo padroeiro das doenças do reto.
Ele é o padroeiro dos fabricantes de tijolos, telhas e manilhas de barro.
Ele é também o padroeiro dos jardineiros e na França dos motoristas de taxi. Os taxistas franceses são chamados de "fiacres" porque o primeiro estabelecimento a permitir "carruagens de aluguel", no meio de século VII, era situado à rua Saint Martin, próximo ao Hotel Saint Fiacre em Paris.
A festa de São Fiacro é mantida em primeiro de setembro em varias dioceses da França e da Irlanda.
Na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado com uma pá de jardineiro
A sua festa é celebrada no dia 30 de agosto.





Oração atribuída a São Fiacro: 

"Concedei-nos ó Senhor o benefício da chuva entre a meia noite e três da manhã, seja ela uma água suave e tépida e possa penetrar profundamente na terra. Lembrai-vos de que o sol possa brilhar o dia inteiro, mas não em toda parte, de modo que as plantas e flores delicadas possam reparar-se do seu raio ardente. Assim te rogamos, ó Senhor."