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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Beata Elena Guerra, Virgem,Fundadora e Mística. Apóstola do Espírito Santo.




Elena Guerra nasceu em Lucca (Itália), no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedica à meditação da Palavra de Deus e ao estudo dos Padres da Igreja, o que determina a orientação de sua vida interior e de seu apostolado; primeiro na Associação das Amigas Espirituais, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade em seu sentido cristão, e depois nas Filhas de Maria.

Em Abril de 1870, Elena participa de uma peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita às Catacumbas dos Mártires confirma nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril, assiste na Basílica de São Pedro a terceira sessão conciliar do Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.

No ano de 1871, depois de uma grande noite escura, seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da Congregação das Irmãs de Santa Zita, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna predileta”.

Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão XIII, exortando-o a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente solicitado pela mística de Lucca, dirige à toda Igreja alguns documentos, que são como uma introdução à vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: A breve “Provida Matris Charitate” de 1895; a Encíclica “Divinum Illud Munus” em 1897 e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo”, de 1902.

Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome, para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: Oblatas do Espírito Santo.

Para Elena, a exortação do Papa é uma ordem, e se dedica ainda com maior empenho à causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”: Será este o mandato da sua Congregação ao mundo.

Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: Ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus discípulos depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.

A Igreja é chamada a realizar os Mistérios do Cenáculo, Mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: A Igreja é, por isto, prolongamento do Cenáculo, e, analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.

É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós, e cada fiel em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma, e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembleia de confirmados, e, portanto, semelhante a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo. É nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo.

Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, sábado santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para um verdadeiro “renovamento da face da terra”.

Elevada à honra dos altares em 26 de Abril de 1959, justamente o Papa a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”, assim como Santa Maria Madalena foi a apóstola da Ressurreição e Santa Maria Margarida Alacoque a apóstola do Sagrado Coração.

O carisma profético de Elena é ainda atual, visto que a única necessidade da Igreja e do Mundo é a renovação contínua de um perene e “Novo Pentecostes” que por fim “renove a face da terra”.

 “A vinda do Espírito Santo no Cenáculo foi como o beijo da reconciliação dado por Deus à humanidade redimida no sangue de Jesus”
(Elena Guerra)


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Segundo texto biográfico

Com alegria, hoje celebramos o dia da Beata Elena Guerra, a apóstola do Espírito Santo. Ela e Papa Leão XIII, que escreveu a primeira Encíclica ao Espírito Santo na história da Igreja, são duas figuras proféticas do pentecostalismo Católico. Hoje também beato, Papa João XIII abriu o Concílio Vaticano II pedindo para a Igreja a graça de um Novo Pentecostes. Leia abaixo um artigo sobre as cartas escritas pela beata chamadas de “Escritos de Fogo”:

Elena Guerra viveu nutrindo um único sonho nascido de seu chamado profético na Igreja: Fazer o Espírito Santo mais conhecido, amado e invocado. Vendo o mundo de sua época pervertido por Satanás e uma multidão de almas se distanciando do Coração de Deus, Elena é convencida pelo Senhor a iniciar um grande epistolário com o Papa Leão XIII. Em suas cartas, ela pede ao Papa que chame novamente os cristãos para um retorno ao Cenáculo. Pela Novena de Pentecostes, desejava que fosse pregada a Palavra, a fim de que, os ensinamentos divinos iluminassem as mentes para o conhecimento do Espírito Santo e movesse a vontade dos cristãos para corresponderem às suas santas inspirações.

Elena escreve com amor e respeito de filha, mas com coragem e ousadia de profeta. A sua insistência, unida à sua vida profunda de oração e invocação ao Espírito Santo, juntamente com suas audaciosas iniciativas, alcança de Leão XIII, três documentos importantes: O Breve “Provida Matris Charitate” de 5 de Maio de 1895, quando o Papa promulga a obrigação da Novena de Pentecostes para a Igreja inteira; A Encíclica “Divinum Illud Munus” de 9 de Maio de 1897 e a Carta aos Bispos “Ad fovendum in Christiano Populo” de 18 de abril, como um pedido reforçado para celebrar a Novena todos os anos e maior diligência da parte dos pregadores para que transmitissem ao povo a doutrina sobre o Espírito Santo.

A figura desconhecida, mas grandiosa de Elena Guerra, que se ergue na Igreja como aquela que mais escreveu sobre o Divino Espírito, levará o Papa a consagrar o difícil Século XX ao Espírito Santo. Estava aberta a porta do Cenáculo e o mundo Católico, Ortodoxo e Protestante veria o grande derramamento do Espírito ao longo do século, impulsionado, sobretudo, pelos grandes avivamentos carismáticos que perduram até hoje.

Os Católicos Brasileiros, sobretudo, os que se encontram na Igreja através da Renovação Carismática, precisam conhecer estes documentos. Eles são a nossa raiz! Estão neles a segurança da nossa ortodoxia! A vida eclesial e profundamente carismática da Beata precisa ser conhecida pelos brasileiros que amam o Espírito Santo. Eis o objetivo destes Escritos de Fogo!

A vitalidade espiritual e a teologia especulativa e orante da Beata em seus escritos pneumatológicos levam o leitor a uma verdadeira paixão pelo Divino Paráclito e a um desejo profundo pela vida no Espírito. Eu posso testemunhar isso!

Não é exagero aproximar Elena Guerra das grandes doutoras da Igreja, não por milagrosas manifestações carismáticas, mas por sua elevação teológica e seu fecundo apostolado pela renovação da Igreja através do retorno dos fiéis ao Espírito Santo.

As cartas de espiritualidade cristã sempre tiveram um lugar privilegiado. Como não recordar das Cartas de São Paulo? As 270 cartas de Agostinho? As 6795 cartas de Santo Inácio de Loyola? As 266 de Santa Teresinha? As 633 do Pe. Pio?

Elena escreveu muitas obras dedicadas ao Espírito Santo e também muitas cartas. Muitas delas se perderam. Hoje temos 740 de sua autoria. Dom Bosco a chamou de “caneta de ouro”, e as irmãs costumavam dizer que a escrita era para Elena “o oitavo dom do Espírito Santo”. Ao Papa Leão XIII, Elena escreve 14 cartas. Nem todas foram entregues e uma delas se perdeu. Elena foi uma voz isolada, uma navegadora solitária quando começou a escrever sobre o Espírito Santo, denominado, até então, “divino desconhecido”. Ela é precursora de uma literatura carismática!

Creio que não haja hora melhor para viver as intuições proféticas dos “Escritos de Fogo”, momento em que a Igreja na América Latina se convence de que “Necessitamos de um Novo Pentecostes!” (Aparecida 548). Elena Guerra pode ser apresentada como um modelo de discípulo missionário para que todos os batizados se tornem apóstolos do Espírito Santo e da efusão de Pentecostes. Só assim, começaremos a ver a renovação da face da Terra, só assim nossos povos receberão a vida Daquele que “É Senhor e dá a Vida”!

Oremos como Elena: “Veni Sancte Spiritus!”

Pe. Eduardo Braga (Dudu)

Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2009

(Nossa Senhora de Lourdes)

Este texto foi retirado do livro “Escritos de Fogo”, de Pe. Eduardo Braga, e está disponível no site da Editora RCCBRASIL.

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Oração pela canonização da Beata Elena Guerra

Ó Deus, que suscitastes na tua Igreja a Beata Elena Guerra, para que sua vida fosse para todos nós um constante convite a entrarmos no Cenáculo para vivermos um perene Pentecostes.

Concede que, com o reconhecimento da sua santidade, a sua mensagem possa chegar a Igreja inteira. Infunde em nós o Teu Espírito, com a riqueza dos seus dons, e por intercessão da Beata Elena, dai-nos as graças de que temos necessidade, especialmente... (pedir as graças).


Beata Elena Guerra, rogai por nós e por um novo Pentecostes!

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