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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Beata Rosalíe (Rosália) Rendu, Virgem e Filha da Caridade de São Vicente de Paulo (dois textos biográficos)



Jeanne Marie Rendu nasceu em 9 de setembro de 1786 em Confort (região de Gex no departamento de Léman), no seio de uma família que se destacou por sua ajuda aos sacerdotes perseguidos pela Revolução Francesa. Ainda em Gex descobriu o hospital onde as Filhas da Caridade atendiam os enfermos.
Observando-as amadureceu o desejo de ajudá-las. Em 25 de maio de1802, Jeanne Marie ingressou na Casa mãe das Filhas da Caridade em Paris. Estava a ponto de completar 16 anos de idade.
Foi envidada à casa das Filhas da Caridade do bairro Mouffetard, para dedicar-se ao serviço aos pobres. Ali permaneceu 54 anos.
Foi um terreno propício para a sede de ação, de entrega e de serviço que Jeanne Marie experimentava, pois naquela época tratava-se do bairro mais miserável da capital em plena expansão e evidenciava a pobreza em todas as formas.
Jeanne Marie, que recebeu o nome de irmã Rosalie, fez ali «seu aprendizado» acompanhando as Irmãs nas visitas aos enfermos e aos pobres. Ao mesmo tempo ensinava o catecismo e a leitura às meninas acolhidas na escola gratuita. Em 1807, comprometeu-se por meio dos votos ao serviço a Deus e aos pobres.
Quando foi nomeada superiora de uma das comunidades em 1815, foram reveladas suas qualidades de abnegação, de autoridade natural, de compaixão, assim como sua capacidade de organização.



Irmã Rosalie enviava suas Irmãs a todos os rincões da paróquia de «Saint Médard» para levar alimentos, roupa, atender enfermos, dizer uma palavra de consolo. Abriu uma despensa, uma farmácia, uma escola, um orfanato, uma creche, uma instituição para as jovens trabalhadoras e uma casa para anciãos sem recursos.
Em pouco tempo havia estabelecido uma rede de obras caritativas para combater a pobreza.
Seu exemplo era um grande estímulo para suas Irmãs, a quem dizia: «Deveis ser como um apoio no qual todos os que estão cansados tem direito de depositar sua carga».
Sua fé lhe fazia ver Jesus em todas as circunstâncias. Experimentava no cotidiano a convicção de São Vicente: «Se vais dez vezes por dia ver um pobre, dez vezes encontrareis nele Deus». Sua vida de oração também era intensa.
Sua fama logo espalhou por todos os bairros da capital e nas cidades de outras províncias. Irmã Rosalie sabia rodear-se de colaboradores generosos, eficazes e cada vez mais numerosos.
Com freqüência podia-se ver na recepção da comunidade bispos, sacerdotes, o embaixador da Espanha, Donoso Cortés, Carlos X, homens do Estado e da Cultura, até o imperador Napoleão III com sua esposa.


Também estudantes de Direito ou Medicina iam para a comunidade para buscar informação ou pedir conselho antes de fazer uma boa obra. Entre eles o beato Federico Ozanam, co-fundador das «Conferências de São Vidente de Paula», e o venerável João León Le Prévost, futuro fundador dos Religiosos de São Vicente de Paula.
Irmã Rosalie esteve assim no centro de um movimento de caridade que caracterizou Paris e toda a França na primeira metade do século XIX.
Não faltaram provas no bairro Mouffetard. As epidemias de cólera se sucediam. A falta de higiene e a miséria favoreceram a propagação da doença.
Foi vista recolhendo pessoalmente os corpos abandonados nas ruas durante os motins de julho de 1830 e de fevereiro de 1848, quando houve lutas sangrentas travadas entre o poder e a classe operária.





O próprio arcebispo de Paris, Dom Denis Auguste Affre, foi assassinado ao querer interpor-se entre os combatentes. Irmã Rosalie também acudiu às barricadas para socorrer os feridos com uma valentia assombrosa.
De saúde frágil, Irmã Rosalie nunca teve um instante de descanso. A idade, sua grande sensibilidade e o acumulo de tarefas acabaram por esgotar sua resistência. Nos seus últimos anos várias doenças a fizeram cruelmente sofrer; mesmo cega não deixou de atender aos pobres até o fim de sua vida. Morreu em 7 de fevereiro de 1856. A comoção foi grande no bairro e em todos os meios sociais de Paris e das províncias. Toda a cidade de Paris se abalou e, pela última vez, ela recebeu a visita daquela multidão que ela durante a sua vida servira com tanto amor: pessoas de todas as categorias e profissões, grandes e pequenos, ricos e pobres, sábios e operários, todos misturados, confundidos, exprimindo, sob formas e maneiras diversas os mesmos sentimentos e a mesma dor.
Vários artigos da imprensa deram testemunho da admiração e inclusive da veneração que Irmã Rosalie havia suscitado. Jornais de todas as tendências reproduziram os sentimentos do povo.





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Jeanne Marie Rendu (Irmã Rosalie), filha de Antonio Rendu e de Marie-Anne Laracine, nasceu em 09 de setembro de 1786, em Confort, lugarejo de Lancrans, município de Ain, França.
A Beata Rosalie Rendu (pronuncia-se “randí”) foi o centro de um movimento de caridade que caracterizou Paris e a França, na primeira metade do século XIX, quando a assistência pública ainda não existia.
Em 25 de maio de 1802, Irmã Rosalie entrou no Seminário (noviciado), na Casa Mãe das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris. Ao sair do Seminário, Irmã Rosalie foi enviada ao bairro Mouffetard, um dos mais miseráveis de Paris, onde serviu os Pobres durante 53 anos. Aí, dedicou-se como enfermeira, juiz de paz, catequista das crianças de rua; aí, enfrentou até mesmo, arriscando sua própria vida, os revolucionários, dizendo: “Aqui não se mata ninguém!”
Irmã Rosalie era “a boa mãe de todos”, sem distinção de religião, idéias políticas, condições sociais. Com uma das mãos, recebia dos ricos e, com a outra, dava aos pobres.
Aos ricos, Irmã Rosalie proporcionava a alegria de fazer o bem. Com freqüência, via-se na sala de recepção de sua casa, Bispos, Padres, homens de Estado e da cultura. Entre eles: Donoso Cortes, Embaixador da Espanha, o Imperador Napoleão III com sua esposa, estudantes de direito, de medicina, alunos da Politécnica, que vinham pedir informações, recomendar alguém ou perguntar em que porta bater antes de fazer uma boa obra. Assim vieram o Beato Frederico Ozanam, co-fundador das “Conferências de São Vicente de Paulo”, e o Venerável Jean Léon Le Prévost, futuro fundador dos Religiosos de São Vicente de Paulo, que pediam-lhe conselhos para pôr em prática seus projetos.
Todos os dias, fizesse o tempo que fizesse, Irmã Rosalie percorria as ruas e ruelas que iam além do Panthéon, atravessando o sul da Montanha Santa Genoveva – rua Mouffetard, passagem dos Patriarcas, rua de l´Epée de Bois, rua do Pot de Fer. Com o seu terço na mão, seu pesado cesto no braço, apressava o passo, pois, sabia que a esperavam!



Como a monja no claustro, Irmã Rosalie caminhava na direção de Deus: ela Lhe falava desta família em dificuldade, porque o pai estava desempregado, daquele ancião que corria o risco de morrer sozinho num casebre: “Jamais faço tão bem a oração, quanto na rua”, dizia ela.
Sobre o túmulo de Irmã Rosalie, no cemitério Montparnasse, há sempre flores colocadas por pessoas desconhecidas, e um epitáfio menciona: “à boa Mãe Rosalie, seus amigos reconhecidos, os pobres e os ricos”.



“Jamais faço tão bem a oração, quanto na rua”, dizia ela.

Sua fé, firme como uma rocha e límpida como uma fonte, revela-lhe Jesus Cristo em toda circunstância; ela experimenta na dia-a-dia esta convicção de São Vicente: "Dez vezes, ireis ver o pobre, dez vezes por dia aí encontrareis Deus.... vós ides em casas pobres, mas, aí, encontrareis a Deus”. Sua vida de oração é intensa; como o afirma uma Irmã: ela vivia continuamente na presença de Deus: se tinha uma missão difícil para cumprir, tínhamos a certeza de vê-la subir à Capela ou de encontrá-la de joelhos no seu gabinete.




“Se o amor é um fogo...”

Responsável por sua Comunidade, Irmã Rosalie recebeu a missão de acompanhar cada uma de suas Irmãs, apoiá-las, formar as mais jovens, animar a vida fraterna. Ela o desempenhou com grande cuidado, comunicando-lhes seu ardor e sua alegria de servir. Para convencer-se disso, basta ler algumas de suas testemunhas:

Irmã Rosalie tinha a arte de discernir e de conduzir. Irmã Angélica conta: “Como eu era a mais jovem e a mais robusta, Irmã Rosalie, encarregou-me do bairro mais afastado e populoso: tereis o melhor lote, disse-me: é na Cité Doré, onde se refugia tudo o que há de mais medíocre em Paris. Encontrareis muitos bêbados. Caminhai modestamente, com diligência, sem precipitação. Perguntai a todas as crianças que encontrardes se vão à Escola. Há muito bem a fazer! Verdadeiramente, é o lugar de uma Filha da Caridade”.

“Humilde na sua autoridade, Irmã Rosalie nos repreendia com grande delicadeza; sua fórmula ordinária era esta: “Nosso Senhor vos pediu isso... Não o compreendestes?”

“Era severa sobre a maneira como recebíamos os pobres: 'eles são nossos Senhores e nossos mestres. Pensastes nisso, minha Irmã, quando mandastes embora este pobre, tão duramente'”?

“Se, na continuação de um empreendimento, nós lhe anunciávamos uma boa solução, ela nos enviava a comunicá-la às famílias interessadas, para que nós nos regozijássemos com sua felicidade e nos encorajava a nos cansarmos pelo bem dos pobres: 'jamais, minhas Irmãs, faremos bastante por eles'”!

“Irmã Rosalie via Deus em suas companheiras, que Ele escolheu por esposas. Ela as amava ternamente, como uma verdadeira mãe”... “Quando o tempo estava ruim ou ameaçava uma tempestade, enquanto estávamos fazendo compras, ela encontrava sempre um momento para colocar nossos sapatos em cima da chaminé, assegurando-se, ela mesma, se não estávamos com os pés úmidos e, se nossas roupas tinham secado!”

“Se o amor é um fogo, o zelo é sua chama!”, dizia São Vicente. A pequena Comunidade da rua de l´Epée de Bois, sustentada pela oração e o amor fraterno, estava pronta para enfrentar a grande miséria deste século atormentado.



“Para restituir ao homem sua dignidade...”

“O pobre povo morre de fome e se condena”, dizia São Vicente de Paulo.

Tal era, na França, a situação dos campos, no século XVII. É uma situação semelhante – talvez pior, a que constatou a jovem Irmã Rosalie ao chegar ao bairro de Saint Médard, em Paris. Mal alojados, famintos, explorados, os pobres são entregues à degradação e à revolta.

“O bairro mais pobre de Paris, aquele aos quais 2/3 da população falta madeira no inverno, aquele que joga o maior número de crianças enjeitadas nas casas “Crianças abandonadas”, maior número de doentes no Hôtel Dieu, mais mendigos nas ruas... mais operários, nas praças, sem trabalho, maior número de presos na polícia correcional” Escreveu Honoré de Balzac.


“Lutar contra a miséria para devolver ao homem sua dignidade”, este será o objetivo de Irmã Rosalie durante 54 anos!

Com sua Comunidade, ela cuida, alimenta, visita, consola, apazigua, incansavelmente! Dotada de uma viva sensibilidade, Irmã Rosalie se compadece com todo sofrimento: “Há algo que me sufoca, diz ela, e que me tira o apetite... é pensar que em muitas famílias falta o pão!”... E sua intuição feminina lhe sugere o gesto que deve fazer e a solução que deverá inventar. Para o serviço dos pobres – sejam quais forem - ela ousa empreender tudo com inteligência e audácia: nada a fará parar, quando se trata de colocar de pé aquele que sofre.


Irmã Rosalie vivia ao pé letra as recomendações dos Fundadores:

“Não devo considerar um pobre camponês pelo seu aspecto exterior, nem segundo o que transparece de sua capacidade... Mas, virai a medalha, e vereis através das luzes da fé, que o Filho Deus... nos é representado por estes pobres; na sua paixão, ele quase não tinha a aparência humana” – São Vicente.

“Devemos amá-los ternamente e respeitá-los fortemente” - Santa Luísa.


Irmã Rosalie não contesta a ordem estabelecida, não é a favor da revolta: não é este o seu método. Para lutar contra a injustiça e a miséria, desperta a consciência daqueles que têm o poder ou dinheiro; trabalha para instruir as crianças e os jovens pobres e, para responder às urgências, ela impulsiona à partilha: “organiza a caridade”.

Há tantas maneiras de fazer a caridade, o pequeno socorro em dinheiro ou alimento que damos aos pobres, não pode durar muito tempo; é preciso visar um bem maior e duradouro. Devemos estudar suas aptidões, seu grau de instrução e procurar trabalho, ajudá-los a sair da necessidade.” Irmã Rosalie dá provas de uma grande lucidez. Com alegria, apóia e aconselha seus amigos engajados nas reformas sociais, porém, por predileção, a serva se une aos pobres, “seus mestres”, no lugar da miséria.


“Quando o fogo se propaga...”

A correspondência de Irmã Rosalie e os testemunhos de suas Irmãs revelam sua preocupação com a juventude e seu talento como educadora. Não há muita distância entre o bairro Mouffetard e o bairro latino! Algumas vezes, são vistos, no seu gabinete, jovens pertencentes a todas as Escolas, aspirando todas as carreiras: estudantes de direito e de medicina, alunos da Escola Normal e da Escola Politécnica, cada qual vem buscar uma “boa obra” a fazer ou prestar contas de um serviço.

Com ternura e respeito, Irmã Rosalie os acompanha pessoalmente, tem o cuidado com suas condições de vida, apóia-os, assegura o vínculo com sua família, e, como boa educadora, pergunta a cada um, o que pode colocar a serviço dos pobres; a um, seu “bic”; a outro, sua atividade; àquele, sua palavra; a todos, alguns instantes, para socorrer alguém. Ela recomenda-lhes a paciência, a indulgência e a delicadeza.

“Amai os pobres, não os acuseis demais...; lembrai-vos que o pobre é bem mais sensível às boas maneiras do que aos socorros”.

Os relacionamentos continuam, quando estes jovens partem para seus estados: as notícias chegam então à rua de l´Epée de Bois e são comunicadas aos interessados, graças à diligência e à discrição de Irmã Rosalie, que continuava a estimular as vocações que ela tinha suscitado.

“Para que aumente a rede de caridade...”

No dia seguinte da Revolução de 1830, a efervescência do espírito era grande: inquietações, sede de um mundo mais justo, desejo de mudança na sociedade, engajamento dos católicos. Neste momento, havia na Sorbonne, um jovem estudioso, querendo insuflar uma vida nova a esta sociedade doente.

“Um pequeno grupo se reunia numa espécie de círculo de estudos, chamada Conferência de História”. As reuniões se realizavam na casa do senhor Emmanuel Bailly, professor de Filosofia e Diretor do jornal “A Tribuna Católica”. Entre os habituados deste círculo, encontravam-se Ozanam, Lamache, Letaillandier, Leon Le Prévost, Lallier... e outros. Um colega lhes lançou, um dia, este desafio: “... Vós que vos orgulhais de ser católicos, o que fazeis?

Esta interpelação fez o grupo refletir. Um deles propôs: “Fundemos uma Conferência de Caridade”.  Esta ideia agradou a todos; porém, tinham necessidade de um guia. O Senhor e a Senhora Bailly, conhecendo Irmã Rosalie, enviou-os à rua de l´Epée de Bois. Irmã Rosalie lhes ensinou a visitar a pobreza, à domicílio. Aprenderam com ela a ver o Senhor nos pobres. Ao indicar as famílias para visitar, ela lhes dava conselhos sobre a maneira cristã de abordá-los, respeitá-los, considerá-los como irmãos, ricos em humanidade.

Fundada em Saint Etienne du Mont, em 23 de abril de 1833, a Conferência da Caridade se torna, em fevereiro de 1834, a Conferência de São Vicente de Paulo, que foi escolhido como mestre e modelo. O número de membros da Conferência aumenta rapidamente. Em 1835, o Senhor Le Prévost propôs duplicá-la, a fim de criar uma outra em Saint Sulpice. Houve uma pequena discussão: as opiniões estavam divididas! A unanimidade só foi conseguida, quando aquele que a propôs, disse que a ideia vinha de Irmã Rosalie. As Conferências se multiplicaram rapidamente em Paris e nos Estados... Frederico Ozanam sonhava “unir o mundo numa rede de caridade”.


“Um caminho de reconciliação...”

A pequena sala de recepção, da rua de l´Epée de Bois não se esvaziava nunca! A Comunidade está no centro de uma imensa rede de entreajuda, cada um pode vir pedir ou oferecer. Ricos, pobres, fracos ou poderosos, Irmã Rosalie conhece a todos; responsável pela Comunidade, é chamada por “Mãe”, e o é verdadeiramente, pronta a levar socorro, a cada instante, àqueles que sofrem.




Alguns fatos relatados pelos biógrafos permitem apreciar a retidão, a coragem e a extraordinária liberdade desta mulher fora do comum.

Nos dia 27, 28 e 29 de julho de 1830 – “Os três Gloriosos”: o povo está encolerizado! Paris está coberta de barricadas. Enquanto que à rua de l’Epée de Bois” cuida dos feridos – arruaceiros ou soldados, Irmã Rosalie sai à procura do General de Montmahaut, um benfeitor dos pobres, tido como desaparecido. Colocando em risco sua própria vida, passa no meio das barricadas. Ela o descobre gravemente ferido na praça da Prefeitura (Hotel de Dieu)... Irmã Rosalie o reanima: ele é salvo!

A justiça, nos dias seguintes, após uma revolução é, com freqüência muito severa! As pessoas que se tinham comprometido, durante o confronto, vieram buscar refúgio na casa de Irmã Rosalie, que as protegeu e facilitou sua fuga. O comandante de Polícia – M. Gicquel – deu ordem de prender Irmã Rosalie. “Impossível!”, diz o soldado encarregado da execução. Todo o povo usará as armas! Como nada conseguiu, o Comandante, pessoalmente, irá prendê-la. Atravessando a multidão, pede para falar com Irmã Rosalie. Mui amavelmente lhe é solicitado aguardar no pátio: em seguida se estabelece o diálogo:
- “O que posso fazer para lhe prestar um serviço? diz ela:

- Senhora, não vim aqui para vos pedir um serviço, mas, para vos prestar um serviço; sou o Comandante de Polícia e quero saber como ousastes ir contra a lei?

- Senhor Comandante, eu sou Filha da Caridade, vou por toda parte, socorrer os infelizes... Se vós estivésseis sendo perseguido, eu vos socorreria, eu vos prometo!

- Não recomeçai! Respondeu surpreso o Comandante

- Isto eu não vos prometo! “Uma Filha da Caridade de São Vicente de Paulo não tem direito de faltar à caridade”.

Fevereiro de 1831: Irmã Rosalie dá um pedaço de pão a um homem idoso; ele o recusa. “Obrigado, minha Irmã, não tenho mais necessidade: amanhã, iremos saquear o Arcebispado”.  No dia seguinte, o Arcebispado está em chamas, porém, Dom de Quélen e um grupo de sacerdotes encontraram refúgio à rua de l´Epée de Bois.

Por várias vezes, a cólera aparece! Por toda parte reina o medo, e do medo nasce a desconfiança: começam a acusar os médicos e os farmacêuticos pelo contágio, atribuído ao ódio que têm pelo pobre povo e querem massacrá-los. O Doutor Royer-Collar transportava um doente ao hospital. Fazem-no parar! Ele protesta..., mas, o ódio é cego! Então, ele grita a esta gente corajosa do bairro Mouffetard: “Sou um dos amigos de Irmã Rosalie!” O ódio termina imediatamente: deixam-no passar!

Na Escola, uma criança chora, porque seu pai foi preso; Irmã Rosalie conhece a família: este homem, operário honesto, se deixou levar pelos instigadores. O General Cavaignac, que estimava Irmã Rosalie, vinha algumas vezes à rua de l´Epée de Bois... Neste dia, ela lhe propõe visitar a Escola. Enquanto que os olhares espantados das crianças se voltam para esta visita muito bem vestida, com galões dourados, Irmã Rosalie dirige-se à menina: “Minha filha, eis aqui um senhor que pode, se quiser, soltar teu papai”.

- Ah, senhor, devolva meu papai! Temos muita necessidade dele em casa!”

- “Mas, ele deve ter feito alguma coisa grave!”  “O´ não! Mamãe me disse que não.. e, se ele o fez, não o fará mais, eu vo-lo prometo; oh devolvei meu pai! Eu vos amarei sempre!”

Quem ficou mais comovido? Alguns dias mais tarde – sem dúvida, graças à intervenção de Irmã Rosalie – o prisioneiro regressou à família.


1848!  Novamente o horizonte se carrega de nuvens!  A burguesia quer reinar e o povo quer viver de outra maneira: não como miserável! E aconteceu a mesma coisa que em 1830: batalhas nas ruas de toda Paris! Uma terrível barricada foi preparada no ângulo das ruas: Mouffetard e de l´Epée de Bois. Mas estava tudo muito bem preparado! Um oficial da Guarda Móvel atravessa a barricada com sua tropa, porém, todos os seus homens caíram sob a rajada dos manifestantes, ele ficou sozinho no meio dos revoltados furiosos. Então, ele se precipitou no pequeno pátio da casa das Irmãs: os fuzis dos manifestantes apontaram para ele: Irmã Rosalie se interpõe gritando: “Aqui não se mata!” – “Não! Mas, do lado de fora! Nós o levamos!” – Irmã Rosalie recusa... Os homens, sedentos por sangue, vão começar a atirar por cima dos ombros das Irmãs que cercam o condenado. Irmã Rosalie, porém, cai de joelhos: “Em nome de tudo o que eu fiz por vós, vossas mulheres e filhos, eu vos imploro pela vida deste homem!” As armas, imediatamente se abaixam... Alguns homens choram. O oficial está salvo! “Quem sois vós, minha Irmã?”, pergunta ele.

“Nada, Senhor, sou uma simples Filha da Caridade. Apenas isto!”

Apenas isto! Mas, verdadeiramente isto!


Um comentário:

JFLIMA disse...

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Não há como terminar esta leitura sem sentir no fundo da alma, um sentimento grandioso de agradecimento por tudo o que fez esta pessoa, sem cansaço físico e tanta energia em seus mais suaves gestos de postura enérgica,diante das insensibilidade humana reinante no tempo em que viveu. sigamos nós o seu exemplo, com a coragem da Irmã Rosalie. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!!! Para Sempre amém!!!

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