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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

SANTA APOLÔNIA, Virgem e Mártir. Padroeira dos Dentistas. Dois relatos biográficos.


Esta santa mártir do século III da Era Cristã, como veremos adiante, possui uma história polêmica e que suscitou discussões. Quanto ao seu martírio, na fogueira, existem duas versões: uma diz que, a princípio, teria escapado ilesa das chamas e que teria sido decapitada. Outra versão diz que seu corpo foi consumido pelas chamas da fogueira. Bem, de uma forma ou de outra, o que se sabe é que esta santa existiu de verdade e que realmente testemunhou com a vida sua fé e seu amor por Cristo Jesus. É a padroeira dos cirurgiões dentistas.



Primeiro Relato Biográfico

Registros históricos
Santa Apolônia viveu no tempo do império romano por volta do ano 249. Era o tempo do imperador Felipe, que foi derrotado por Décio. Este tornou-se um dos  mais cruéis perseguidores dos cristãos. Apolônia era filha de um rico magistrado de Alexandria, cidade importante do Egito, então sob o domínio do império Romano. Apolônia teve sua história contada pelo então Bispo de Alexandria, São Dionísio, em cartas ao Bispo Fabio de Antioquia.

Perseguição
Na sétima investida do Imperador Décio contra os cristãos, ela foi capturada. Como Décio sempre fazia, Apolônia foi obrigada a renunciar a sua fé cristã pelas forças do império. Além disso, foi obrigada a prestar culto aos deuses romanos e a obedecer o Imperador. Santa Apolônia, porém, firme na fé e tomada por uma coragem impressionante, negou-se a obedecer. Por isso, ela passou a sofrer terríveis torturas em praça pública, diante de todo o povo, que se impressionava com tudo o que via.

Padroeira dos dentistas
Em meio às grandes torturas que sofreu sem negar sua fé, Santa Apolônia teve seus dentes arrancados por pedras afiadas. Mesmo sofrendo a dor lancinante de ter seus dentes quebrados, ela não renunciou à sua fé em Jesus Cristo. Ao ver sua firmeza na fé, os carrascos quebraram sua face com pancadas. Em seguida, foi condenada a morrer queimada. Depois de sua morte, seus dentes foram recolhidos e levados para vários mosteiros. Existe um dente e um pedaço de sua mandíbula no Mosteiro de Santa Apolônia em Florença, Itália.

Morte de Santa Apolônia
Depois de todos os sofrimentos pelos quais tinha passado, Santa Apolônia ainda reunia forças para mostrar a todos sua fé inabalável. Assim, mesmo amarrada, ela própria se jogou na fogueira onde morreria, dizendo que preferia a morte a renunciar sua fé em Cristo Jesus. Deus, porém, protegeu Santa Apolônia e ela escapou ilesa da fogueira. Muitos dos presentes se converteram ao presenciar este fato. Então os algozes lhe deram vários golpes de espada e lhe deceparam a cabeça. Santa Apolônia faleceu no ano de 249.


Reverência de Santo Agostinho
Mais tarde Santo Agostinho explicou que esse ato de Santa Apolônia não foi um “suicídio”, mas uma atitude inspirada pelo Espírito Santo, como um ato de coragem ao enfrentar todas as forças da época em nome de Jesus Cristo.
Um suicida tira a própria vida por angústia, medo ou covardia diante de uma situação ou problema. Santa Apolônia, pelo contrário, não teve medo de seus algozes e da morte, mas, “correu para ela” com coragem e força heroica, desvencilhando-se das mãos daqueles que a arrastavam para o suplício.


Canonização e festa
Santa Apolônia foi canonizada no ano 300. Seu culto é mais conhecido e divulgado na Europa, principalmente na Alemanha, França e Itália. Sua festa litúrgica é realizada no dia 9 de fevereiro. Ela é padroeira da Odontologia e dos cirurgiões-dentistas, dos que sofrem de dores na boca e problemas nos dentes.

Representação
Por ter tido os seus dentes arrancados ela é representada por uma imagem de uma senhora com vestes simples, adornada de um véu. Tem a seus pés uma palma e um fórceps na mão segurando um dente.


Oração a Santa Apolônia

"Ó, bom Deus. Rogamos que a intercessão da gloriosa mártir de Alexandria, Santa Apolônia, nos livre de todas as enfermidades do rosto e da boca. Lembrai-vos principalmente das criaturas inocentes e indefesas. Afastai, se possível, a amargura das dores de dente. Iluminai, fortificai e protegei os cirurgiões-dentistas, para que sempre se dediquem ao próximo com o amor que de vós emana, e nos seja dado usufruir de vosso reino. Santa Apolônia, intercedei a Deus por nós. Amém."



Segundo Relato Biográfico

O martírio de Santa Apolônia é relatado pelo historiador Eusébio de Cesareia (265-340), que na sua Historia Ecclesiastica, escrita no terceiro século, transcreve um trecho da carta do bispo São Dionísio de Alexandria († 264), endereçada a Fábio de Antioquia, na qual ele narra alguns episódios de que fora testemunha.

     O governo de Felipe o Árabe (243-249) foi um período em que praticamente houve uma trégua nas perseguições anticristãs, mas, em 248, eclodiu em Alexandria do Egito uma sublevação popular contra os cristãos instigada por um adivinho alexandrino.
     Muitos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo foram flagelados e lapidados; nem os mais débeis escaparam do massacre. Os pagãos entravam em suas casas saqueando tudo e devastando a habitação.
     Durante este furor sanguinário dos pagãos, foi aprisionada a virgem Apolônia, já anciã, definida por Eusébio “parthenos presbytès”, mas que na iconografia sagrada, como todas as santas virgens, é apresentada como uma jovem.
     Os perseguidores arrancaram seus dentes com uma tenaz. Depois, levaram-na fora da cidade, acenderam uma fogueira e ameaçaram lançá-la viva nela se não pronunciasse uma palavra de impiedade contra Deus. Apolônia pediu para deixaram-na livre por um momento e, obtido isto, se lançou rapidamente no fogo, sendo reduzida a cinzas.
     O fato ocorreu no fim do ano 248 e início de 249. Na sua carta São Dionísio afirma que sua vida fora digna de toda admiração e, devido sua conduta exemplar e pelo apostolado que desenvolvia, a fúria dos pagãos caíra sobre ela com uma crueldade particular.
     O gesto de Apolônia de lançar-se no fogo a fim de não cometer um pecado grave, suscitou entre os cristãos e os pagãos de então uma grande admiração e nos séculos seguintes foi objeto de considerações doutrinárias.
     Eusébio e Dionísio não acenam com nenhuma reprovação ao seu gesto, que pode ser considerado suicídio, mas de fato a virgem estava condenada de qualquer forma ao fogo se não abjurasse a Fé. Quiçá, ela quis livrar-se de torturas posteriores que poderiam quebrantar sua vontade e que isto a fez decidir por se lançar nas chamas.

     Santo Agostinho, na sua De civitate Dei, se põe perguntas sobre o problema se é lícito dar-se voluntariamente a morte para não renegar a Fé e diz: “Não é melhor fazer uma ação vergonhosa da qual é possível se livrar com o arrependimento, do que um delito que não deixa espaço a um arrependimento que salva?” Mas o suicídio voluntário de algumas santas mulheres que em “tempo de perseguição se jogavam em um rio para fugir de quem tentava corromper a sua castidade” o deixava perplexo: e se não fora Deus mesmo que inspirara o gesto? Então não teria sido um erro, mas uma obediência. Santo Agostinho não se decide por uma posição sobre o argumento.

     Seja como for, o culto pela mártir da Alexandria se difundiu primeiro no Oriente e depois no Ocidente. Em várias cidades europeias surgiram igrejas dedicadas a ela; em Roma havia uma, hoje desaparecida, perto de Santa Maria em Trastevere. A sua festa, desde a Antiguidade, é celebrada no dia 9 de fevereiro.
     Na Idade Média era tão grande a devoção a esta santa mártir, protetora dos dentes e das doenças a eles relacionadas, que se multiplicaram os dentes-relíquia milagrosos, o que fez com que o Papa Pio VI (1775-1799), que era muito rígido nestas formas de culto, mandasse recolher todos os dentes que eram venerados na Itália. Este episódio nos ajuda a compreender quanta impressão e admiração o martírio desta santa suscitava no mundo cristão.

Fonte: www.santiebeati.it e blog "Heroínas da Cristandade" (com permissão da autora).

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