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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Beatos Mártires Passionistas de Daimiel, Espanha (Guerra Civil Espanhola, em 1936)




Os gloriosos Mártires Passionistas de Daimiel


Hoje, 19 de outubro, memória litúrgica de São Paulo da Cruz, presbítero e fundador, trago a história destes ilustres "filhos da Paixão do Senhor", que deram sua vida por causa de sua fidelidade ao Cristo, durante a terrível perseguição impetrada pelos comunistas na Guerra Civil Espanhola de 1936. 

A Congregação da Paixão de Jesus Cristo, fundada no século XVIII por São Paulo da Cruz, nasceu para anunciar o Evangelho da Paixão aos homens. O convento Passionista de Daimiel (Cidade Real), casa de formação de futuros passionistas, foi viveiro do qual saíram gerações de jovens para as missões da Espanha e América.

A Comunidade Passionista de Daimiel foi violentamente expulsa de seu convento às doze horas da noite do dia 21 de julho de 1936. Vinte seis de seus trinta e um religiosos foram martirizados.
O Padre Nicéforo de Jesus e Maria, superior provincial (Nicéforo significa: “aquele que leva à vitória”) reuniu os religiosos na igreja, junto ao Cristo da Luz e à Virgem Dolorosa. Deu-lhes a comunhão e os exortou assim ao martírio:
“Meus filhos, este é nosso Getsêmani; nossa natureza, em sua parte débil, desfalece e se acovarda; porém, Cristo está conosco. Eu vos dou Aquele que é a fortaleza dos débeis. A Jesus lhe confortou um anjo; a nós, Ele mesmo, Jesus, é quem nos conforta e sustenta. Dentro em poucos momentos estaremos com Ele. Ânimo, moradores do Calvário, para morrer por Cristo! A mim me toca animá-los e eu mesmo me estimulo com vosso exemplo”.
Recebida a comunhão, se dispuseram todos para o martírio, fazendo realidade o ideal de sua vida: serem outros “cristos crucificados”. Padre Nicéforo, antes de abrir as portas da igreja insistiu-lhes que aquela era a hora de provar com sua vida que eram sincer’os passionistas. As abriu de par em par. Fora e envoltos na obscuridade da noite, lhes esperavam uns duzentos milicianos armados e apinhados próximos à entrada. Um deles, com a arma na mão, lhes exigiu, ameaçador, que abandonassem o convento e a igreja.
Pe. Nicéforo lhes contestou tranquilamente: “se querem matar-nos, façam-no aqui, na igreja”. O miliciano, confuso, balbuciou: “quem foi que disse que queremos mata-los? O que queremos é que vão embora daqui de uma vez por todas”.
Escoltados como malfeitores, os passionistas saíram da igreja e caminharam para a escuridão e para o desconhecido. Ninguém intentou fugir ante a morte. Onde lhes levavam na noite cerrada aqueles inimigos armados?
Caminhavam em filas, dois a dois, escoltados por milicianos de olhar obscuro e debaixo de ordem de silêncio. Rezavam calados meditando os mistérios dolorosos: a prisão no Horto, o caminho do Calvário, que viviam em pessoa, atualizados.


Se Deus o quer, nos encontraremos em Madrid; se não, no Céu.

Se lhes disseram que os levariam à estação e alguns pensaram que ali lhes deixariam tomar um trem e alojarem-se, porém, a coluna dos presos mudou de rumo e tomou outra direção: à das cercanias do cemitério.
Pensaram que ali seriam fuzilados. Porém, não. Ao chegarem à porta do mesmo, deixaram-lhe em “liberdade”, com a ordem de seguirem adiante e de não retornarem mais a Daimiel, sob pena de perderem a vida.
Os religiosos deram um suspiro de alívio e empreenderam seu êxodo. Ao chegarem à bifurcação da estrada de Cidade Real a Bolaños, detiveram-se na negritude da noite a deliberar: o que fazer? Trinta e um homens juntos não passariam despercebidos às linhas de frente vermelhas, por isso, decidiriam dividirem-se em grupos. O superior os abençoou. Abraçaram-se todos despedindo-se e cada grupo tomou seu caminho. Como lhes disse o Padre Nicéforo, se Deus o quisesse, encontrar-se-iam de novo em Madrid; caso contrário, no Céu.
Porém, ainda que deixados, aparentemente, em liberdade, seus “libertadores” os seguiam e iam informando a seus comparsas de seus possíveis itinerários até a capital da Espanha com dicas como esta: “vão passar por aí os passionistas de Daimiel. São ‘carne fresca’! Não a deixeis escapar...”. No dia seguinte seriam já fuzilados próximos à povoação de Manzanares os primeiros mártires. Cinco, entre eles o Padre Nicéforo, morreram ali mesmo; outros sete lograram sobreviver aos balaços, porém, três meses mais tarde e depois de muito sofrimento por causa das feridas sofridas, morriam também fuzilados pela segunda vez. Os passionistas dos demais grupos alcançariam também a glória do martírio em distintos lugares e datas, igualmente fuzilados em Carabanchel Bajo (Madrid), em Carrión de Calavatra (Ciudad Real) e em Urda (Toledo).
Testemunhas presenciais contaram na “positio” do processo que o Padre Nicéforo, apesar de receber vários disparos, já mortalmente ferido e próximo de morrer, levantou os olhos ao Céu, volveu o rosto para seus assassinos e lhes ofereceu um doce sorriso, o que lhes desconcertou. Um deles, mais enfurecido ainda, lhe recriminou: “como, todavia, ainda sorris”? E disparou outro tiro à queima roupa, que pôs fim à sua vida aqui na terra. Segundo confessaram mais tarde os mesmos assassinos, Padre Juan Pedro e o Irmão Paulo Maria morreram com o crucifixo entre as mãos gritando: “Viva Cristo Rei”!
Os 26 Beatos Passionistas do convento do Santo Cristo da Luz, de Daimiel, que deram sua vida por sua fidelidade ao Cristo e à Igreja são:







Nicéforo Díez Tejerina, Superior Provincial.
Germán Pérez Jiménez, Superior da comunidade
Juan Pedro Bengoa Aranguren, presb.
Felipe Valcobado Granado, presb.
Ildefonso García Nozal, presb.
Pedro Largo Redondo, presb.
Justiniano Cuesta Redondo, presb.
Pablo María Leoz Portillo, presb.
Benito Solana Ruiz, presb.
Anacario Benito Lozal, irmão coadjutor.  
Felipe Ruiz Fraile, irmão coadjutor;
Eufrasio de Celis Santos, estudante.
Maurilio Macho Rodríguez, estudante.
Tomás Cuartero Gascón, estudante.
José María Cuartero Gascón, estudante (irmão de Tomás)
José Estalayo García, estudante
José Osés Sáinz, estudante.
Julio Mediavilla Concejero, estudante.
Félix Ugalde Ururzun, estudante.
José María Ruiz Martínez, estudante.
Fulgencio Calvo Sánchez, estudante.
Honorino Carracedo Ramos, estudante.
Laurino Proaño Cuesta, estudante.
Epifanio Sierra Conde, estudante.
Abilio Ramos Ramos, estudante.
Zacarías Fernández Crespo, estudante.

Em 01 de outubro de 1989, todos foram Beatificados pelo Papa São João Paulo II na Praça de São Pedro, no Vaticano. Na cripta da Ermida de Cristo da Luz de Daimiel repousam suas relíquias esperando a gloriosa ressurreição.
Suas almas estão presentes diante do Trono do Cordeiro, Rei dos Mártires, intercedendo por nós, para que a Fé Católica da Espanha, pela qual deram sua vida, não desfaleça diante desta atual, mas, sutil perseguição.


(Nota: texto traduzido do espanhol por mim)



Beatos Mártires Passionistas de Daimiel, rogai pela
Espanha e por todos nós! 

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