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domingo, 20 de setembro de 2015

Serva de Deus Maria Margarida Bogner, Virgem da Ordem da Visitação.


Irmã Maria Margarida Bogner nasceu na província de Torontál, município de Melence (Hungria), aos 15 de dezembro de 1905, de uma família nobre e religiosa. Em 17 de dezembro foi batizada em Német-Élemér, porque em Torontál não existiam Igrejas para o culto católico; recebeu o nome de Adelaide Maria Ana. Aos 11 de abril de 1915 recebeu a primeira comunhão.
Era uma criança muito extrovertida e excepcionalmente afetuosa, vivaz e alegre; muito amada pelas companheiras, tinha um coração grande e bom. Desde pequena tomava sob a sua proteção as crianças mais necessitadas. Com a idade de nove anos adoeceu com escarlatina, o que lhe provocou uma periostite, em consequência da qual um pé ficou para sempre rígido.
A debilidade física foi a fiel companheira de toda a sua vida. Por dez meses precisou ficar no leito e durante este tempo demonstrou ser uma criança admiravelmente paciente. Ainda adolescente revelou uma devoção especial para com Jesus Sofredor. Suscitou nela compaixão o ver e saber que... “foi deitado em um travesseiro tão duro (a cruz)”. Um dia na escola se levantou e disse para sua professora: “eu gostaria tanto de ser uma santa. Como devo ser para me tornar santa?”.
Por um certo período viveu com prazer o que o mundo e as amizades – mesmo boas – lhe ofereciam. Com os exercícios espirituais que fez em 1923 teve início a sua grande ascese espiritual. Daquele momento em diante, depois de grandes lutas, viveu somente para Deus, sem mudar o seu estilo externo de vida. Sua conversão, como a chama, a partir daquele momento leva-a para uma vida evangélica mais perfeita, à procura do seu caminho interior. Ela mesma o descreve no seu diário que com fidelidade reflete plenamente a sua alma.
Em 7 de julho de 1925, ainda em família, fez o voto de castidade e de cumprir sempre aquilo que entendesse ser mais agradável a Deus; aos 15 de agosto do mesmo ano ofereceu toda a sua vida como um lento martírio, escrevendo com o seu sangue, em um diário, aquilo que tinha decidido.
Depois de ter pedido repetidamente, e a vários Institutos, para ser admitida à vida religiosa, e ter sido rejeitada por motivo da sua saúde frágil, aos 10 de agosto de 1927 foi acolhida – por manifestação e particular intervenção da Providência – no Mosteiro da Visitação de Thurnfeld, no Tirol.
Aos 10 de abril de 1928 vestiu o hábito religioso da Visitação, mudando o nome de Etelka (Adelaide) para Irmã Maria Margarida. O hábito santo das esposas de Cristo a fez totalmente feliz. Aos 5 de agosto de 1928 chegou a Erd, no primeiro Mosteiro da Visitação fundado na Hungria, onde permaneceu até a sua morte.
Como noviça, também em Erd, desejava ardentemente conhecer do modo mais perfeito possível a sua Ordem e a espiritualidade que nela se vive para poder plenamente aderir e contagiar com o seu entusiasmo as companheiras de noviciado. Por ocasião da sua Profissão Temporária pediu ao Sagrado Coração permanecer fiel aos seus votos até o último respiro e jamais ofendê-Lo, nem mesmo com as menores e premeditadas imperfeições. Testemunhou até a morte, o quanto foi sincero esse seu pedido.
Teve uma notável devoção a Jesus na Eucaristia, ao seu Sagrado Coração e a sua Mãe Imaculada. Fez a Profissão Perpétua aos 16 de maio de 1932. Naquele dia já estava febril, mas radiante com uma felicidade que contagiava a todos. Estava com tuberculose, e em meados de julho o médico a declarou seu estado muito grave.
Morreu no Mosteiro da Visitação de Erd, aos 13 de maio de 1933, depois de um longo sofrimento em silêncio e na prática constante e exata das virtudes evangélicas, especialmente aquelas desejadas por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal para as suas filhas: a doçura e a humildade. DOS SEUS ESCRITOS:
 “... Jesus, sinto que é no Mistério da Eucaristia que eu devo te amar de modo particular. A lâmpada do tabernáculo deve consumir-se diante do altar. Jesus, eu desejo ardentemente prostrar-me o mais frequentemente possível diante do Sagrado Cibório para amar-te, para te falar da minha ternura, como se fosse no Paraíso, onde abraçarei os seus pés. Lá em cima, Tu és incessantemente amado e adorado, mas aqui Tu és deixado sozinho, és ofendido...”
“...Ó Trindade, ó Deus, eu devo ser santa para a tua maior glória, para o triunfo da Igreja e para o triunfo das almas. Tu mesmo, ó Jesus, disseste: Nada é impossível para aqueles que confiam em mim...”
“...Sejamos alegres, Jesus ama as almas radiantes. Sirvamo-lo sorrindo, os nossos olhos devem irradiar a nossa felicidade. A alma alegre é atenta, fecunda, e vence facilmente as dificuldades. Uma tal alma não conhece obstáculos, porque a alegria é a companheira da generosidade...”
“...As colônias missionárias de uma visitandina não tem fronteiras, hoje batizo na China, amanhã na América, e semeio em qualquer lugar a semente da fé; mas ajudo também as Missões na Europa: hoje aqui, amanhã em outro lugar. Onde passa uma visitandina os corações se acendem como as lâmpadas na noite. Ela deve percorrer o mundo procurando almas com os seus pequenos sacrifícios para conduzi-las a Jesus. Ele conta conosco, não o desiludamos. A nossa vocação é a redenção das almas...
...Oh, não rejeitemos nada às almas. É preciso levá-las a cada momento a Jesus! A nossa vida parece muito simples, mas sob esta simplicidade se esconde a sublimidade...”
“...Não me consolo pela perspectiva do céu, porque não fiz nada para merecê-lo, porém sempre agi por Ele, para consolá-lo, para lhe dar prazer; por isso, mesmo conhecendo minha fragilidade não tenho medo da morte...”
“...É preciso ver Jesus e amá-lo em cada alma. Amemos também as almas frias, que não querem abrir a porta do seu tabernáculo à luz. Amemos aqueles cujo tabernáculo é feio e descuidado. Adoremos Deus neles e os estimulemos dia após dia a amar de um modo sempre mais puro...”

“... peço a Jesus que cada respiro meu seja uma comunhão espiritual e cada batida do coração o renascer de uma alma, assim cada comunhão espiritual devolve a vida a uma alma. Creio que no céu não teremos felicidade maior, do que, ao contemplar Deus, admirando a sua Majestade, a sua glória, a sua alegria, à vista das almas salvas por nós... Ah! quantas almas esperam ainda de nós a sua felicidade! Oração Ó Senhor, que te comprazes nas almas pequenas e humildes e te serves delas para cumprir grandes obras, glorifica a tua pequena flor, Irmã Maria Margarida. faz com que a auréola da Beatificação resplandeça logo sobre a sua fronte para a Tua glória e o bem das nossas almas, e pela sua intercessão nos conceda a graça que te pedimos”. 

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