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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

SANTOS MÁRTIRES DA CHINA (bispos, sacerdotes e religiosos missionários, sacerdotes, religiosos e leigos nativos).




Sempre se acreditou que a Igreja católica se fez presente na China a partir do ano 1294, quando os primeiros missionários enviados pela Santa Sé chegaram à capital do país pelo caminho da seda, que os comerciantes costumavam fazer e que já tinha sido descrito por Marco Polo em sua obra "O milhão".
É verdade que foram encontrados sinais da presença do cristianismo muito anteriores a essa data, mas pensava-se que os primeiros evangelizadores da China fossem os nestorianos, Igreja que não estava em comunhão com Roma e que parecia não explicar suficientemente a unidade da natureza humana e divina em Cristo.
Mas a data de 1294 deve ser modificada: podemos afirmar hoje, com toda certeza, que já por volta de 650 a aventura da Igreja católica na China tinha começado. É isso que podemos ler numa publicação da agência de notícias UCAN, que divulgou um estudo do Padre Gianni Criveller, PIME, do Centro de Pesquisas Espírito Santo, de Hong Kong.
Sabemos, por exemplo, que numa ampla região da Ásia central, que corresponderia hoje ao Iraque, Irã e Paquistão, a Igreja católica estava bem enraizada e estruturada já nos primeiros séculos do primeiro milênio. Foi essa Igreja, que chamaríamos de Igreja do Leste, que teve um papel determinante na evangelização de muitos países do centro da Ásia, como Índia, Sri Lanka, Tibete e Afeganistão, num período que vai do Séc. IV ao Séc. VIII. Mais tarde, iniciou também a evangelização da China. Pelos achados arqueológicos, podemos afirmar que houve, já naquela época, um grande esforço de inculturar a mensagem do Evangelho na cultura budista reinante nesse país.
Foram descobertos, perto de Xi´an, na província do Shaanxi, os restos de um templo que antes fora cristão e que remonta ao ano 650. Portanto, já nessa época tinha iniciado a evangelização da China. Sempre perto da cidade de Xi'an, foi descoberta uma coluna com inscrições gravadas em 781 por um grupo de monges persas que mostra um considerável esforço de inculturação da mensagem evangélica, que ali aparece comentada e explicada com termos próprios da cultura taoísta e budista, bem diferentes da cultura persa daqueles primeiros missionários.
Há mais um sinal claro da presença da Igreja na China nessa época: a divindade mais venerada na China é Guan Yin, a deusa da misericórdia. Ela é a única entidade feminina a ser cultuada no budismo e suas estátuas começaram a aparecer nessa época, em que já podiam ser encontradas imagens de Nossa Senhora. Poderia ser um exemplo de contaminação religiosa.
A Igreja expandiu-se durante um bom período apoiada pelos imperadores da época, até que, em 841, começou a perseguição contra as várias religiões, só deixando espaço livre ao confucionismo e ao taoísmo. Sobreviveram somente algumas comunidades ao longo do caminho da seda, talvez pelos contatos que podiam ter com os comerciantes vindos do Ocidente.
Com a chegada dos primeiros missionários enviados por Roma em 1294, o catolicismo na China refloresceu durante quase um século para depois ser perseguido novamente com o advento da dinastia Ming. Recomeçou em 1600, quando, de novo, os missionários jesuítas chegaram e foram aceitos na corte do imperador. E foi sempre assim nos séculos seguintes: períodos de calma e de crescimento e períodos de perseguição e de martírio. Isso continua até hoje. A semente do Evangelho nunca morreu definitivamente ainda que, depois de mais de mil anos, ainda não tenha conseguido encontrar o terreno para poder brotar e produzir frutos como em outros países.
A perseguição à Igreja de Cristo na China sempre foi muito constante e gerou milhares e milhares de mártires. Muitos foram beatificados e canonizados pela Igreja, o que não agradou muito ao governo comunista de Pequim. Segue-se uma lista de santos e santas gerados nas terras chinesas.

Quatro santos que foram mortos em 28 de outubro de 1748:
1. São Francisco Serrano, padre dominicano,
2. São Joaquim Royo, padre dominicano,
3. São João Alcober, padre dominicano,
4. São Francisco  Diaz, padre dominicano.

Quando o catolicismo foi autorizado por alguns imperadores nos séculos anteriores, o imperador Kia Kin (1796-1821), publicou um decreto contra a igreja. Esses editos foram publicados em 1805 e 1811; um decreto de 1813 proibia a fé católica e convidava a negar a fé através da apostasia: negar a Cristo. Neste período o martírio foi uma constante. Entre os mártires estão:
5. São Pedro Wu, um leigo catequista, nascido de família pagã e recebeu o batismo, foi morto em 7 de novembro de 1814.
6. São José Zhang Dapeng, um leigo catequista e comerciante, foi batizado em 1800, morto em 12 de março de 1815.

Também neste mesmo ano, três novos decretos foram aprovados e foram martirizados um bispo e sacerdotes da Missão Estrangeira de Paris e alguns leigos chineses. Os seguintes mártires pertencem a este período:
7. São Gabriel-Taurin Dufresse, M.E.P., bispo. Foi preso no dia 8 de maio de 1815 e condenado à execução em 14 de setembro de 1815.
8. Santo Agostinho Zhao Rong, um padre diocesano chinês. Foi preso e torturado até à morte em 1815.
9. São João da Triora, O.F.M., padre, colocado na prisão junto com outros no verão de 1815, foi condenado à morte em 7 de fevereiro de 1816.
10. São José Yuan, um padre diocesano chinês, que tendo ouvido ao bispo Dufresse sobre a fé cristã recebeu o batismo e foi ordenado padre, foi preso em agosto de 1816 e morto em 24 de junho de 1817.
11. São Paulo Liu Hanzuo, um padre diocesano chinês, morto em 1819.
12. São Francisco Regis Clet, da Congregação da Missão (Vicentinos) foi morto de 17 de fevereiro de 1820.

13. São Tadeu Liu, um padre diocesano chinês, que recusou negar a fé e foi condenado à morte em 30 de novembro de 1823.
14. São Pedro Liu, um leigo catequista chinês, foi preso em 1814 e condenado ao exílio onde permaneceu durante 20 anos e foi morto em 17 de maio de 1834.
15. São Joaquim Ho, um leigo catequista chinês, foi batizado na idade de 20 anos e mandado ao exílio em Tartary, onde permaneceu durante quase 20 anos e depois solto foi preso por negar a apostatar, foi preso novamente e mortoem 9 de julho de 1839.
16. Santo Agostinho Chapdelaine, M.E.P., um padre francês da Diocese de Coutances, embarcou para a China em 1852 e chegou em Guangxi no final de 1854, preso em 1856, foi torturado e condenado à morte em fevereiro de 1856
17. São João Gabriel Perboyre, Lazarista (Vicentino). Foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um ano no cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz e estrangulado no dia 11 de setembro de 1840.
18. São Lourenço Bai Xiaoman, um leigo chinês, foi decapitado em 25 de fevereiro de 1856.
19. Santa Inês Cao Guiying, viúva, nascida de família cristã, foi presa e condenada à morte na prisão, foi executada em 1 de março de 1856.

Mártires de MaoKou e Guizhou
Três catequistas, conhecidos como os mártires de MaoKou foram mortos no dia 28 de fevereiro de 1858, por ordem do mandarim de MaoKou. Foram, chamados a apostatarem a fé cristã, como recusaram, foram decapitados. São eles:
20. São Jerônimo Lu Tingmei,
21. São Lourenço Wang Bing,
22. Santa Agatha Lin Zao,

Em Guizhou, dois seminaristas e dois leigos, um era fazendeiro e outra viúva, que trabalhava como cozinheira no seminários, sofreram o martírio juntos no dia 29 de julho de 1861. São eles:
23. São José Zhang Wenlan, seminarista,
24. São Paulo Chen Changpin, seminarista,
25. São João Batista Luo Tingying, leigo,
26. Santa Marta Wang Luo Mande, leiga,

 No ano seguinte, nos dias 18 e 19 de fevereiro de 1862, outras cinco pessoas perderam suas vida por amor a Cristo, também em Guizhou; são eles:
27. São João Pedro Neel, padre das Missões Estrangeiras de Paris,
28. São Martinho Wu Xuesheng, leigo catequista,
29. São João Zhang Tianshen, leigo catequista,
30. São João Chen Xianheng, leigo catequista,
31. Santa Lucia Yi Zhenmei, leiga catequista,

Com a revolução Boxer no século XX, e com as políticas de desenvolvimento chinês, novamente a Igreja foi durante perseguida e milhares perderam a vida por Cristo dando testemunho de sua fé. Como resultado, o martírio foi uma realidade em muitos lugares e pessoas e grupos de pessoas foram executadas por ódio à fé.

A) Mártires de Shanxi, mortos em 9 de julho de 1900, foram os Frades Franciscanos Menores:
32. São Gregório Grassi, bispo,
33. São Francisco Fogolla, bispo,
34. Santo Elias Facchini, padre,
35. São Teodorico Balat, padre,
36. Santo André Bauer, irmão religioso.

b) Mártires de Hunan, também franciscanos menores:
37. Santo Antônio Fantosati, bispo (martirizado em 7 de julho de 1900),
38. São José Maria Gambaro, padre (martirizado em 7 de julho de 1900),
39. São Cesidio Giacomantonio, padre (martirizado em 04 de julho de 1900),

São sete as mártires das Franciscanas Missionárias de Maria, sendo três francesas, duas italianas, uma belga e uma holandesa; são elas:
40. Santa Maria Hermina de Jesus,
41. Santa Maria da Paz,
42. Santa Maria Clara,
43. Santa Maria do Santo Nascimento,
44. Santa Maria de São Justo,
45. Santa Maria Adolfine,
46. Santa Maria Amandina.

Mártires franciscanos na China. 


Dos mártires pertencendo à família franciscana, estes onze foram seculares e todos chineses, são eles:
47. São João Zhang Huan, seminarista,
48. São Patricio Dong Bodi, seminarista,
49. São João Wang Rui, seminarista,
50. São Filipe Zhang Zhihe, seminarista,
51. São João Zhang Jingguang, seminarista,
52. São Tomás Shen Jihe, leigo,
53. São Simão Qin Cunfu, leigo catequista,
54. São Pedro Wu Anbang, leigo,
55. São Francisco Zhang Rong, leigo,
56. São Mateus Feng De, leigo e neófito,
57. São Pedro Zhang Banniu, leigo.


 A esses foram unidos uma multidão de leigos fiéis chineses, e entre esses estão:
58. São Tiago Yan Guodong,
59. São Tiago Zhao Quanxin,
60. São Pedro Wang Erman.

Também foram mortos em ódio à fé, quatro  padres missionários franceses jesuítas e pelo menos 52 leigos chineses: homens, mulheres e crinaças, o mais velho tinha 79 anos de idade e o mais novo apenas 9 anos de idade. Foram mortos em uma igreja na vila de Tchou-kia-ho no mês de julho de 1900. São eles:
61. São Leo Mangin, S.J., padre, 59 anos,
62. São Paulo Denn, S.J., padre, 60 anos,
63. São Rémy Isoré, S.J., padre, 61 anos,
64. São Modesto Andlauer, S.J., padre.

Os nomes e as idades dos leigos chineses são como seguem:
65. Santa Maria Zhu Wu, 50 anos,
66. São Pedro Zhu Rixin, 19 anos,
67. São João Batista Zhu Wurui, 17 anos,
68. Santa Maria Fu Guilin, 37 anos,
69. Santa Bárbara Cui, 51 anos,
70. São José Ma Taishun, 60 anos,
71. Santa Lucia Wang Cheng, 18 anos,
72. Santa Maria Fan Kun, 16 anos,
73. Santa Maria Chi Yu, 15 anos,
74. Santa Maria Zheng Xu, 11 anos,
75. Santa Maria Du  Zhao, 51 anos,
76  Santa Magdalena Du Fengju, 19 anos,
77. Santa Maria du Tian, 42 anos,
78. São Paulo Wu Anjyu, 62 anos,
79. São João Batista Wu Mantang, 17 anos,
80. São Paulo Wu Wanshu, 16 anos,
81. São Raimundo Li Quanzhen, 59 anos,
82. São Pedro Li Quanhui, 63 anos,
83. São Pedro Zhao Mingzhen, 61 anos,
84. São João Batista Zhao Mingxi, 56 anos,
85. Santa Teresa Chen Jinjie, 25 anos,
86. Santa Rosa Chen Aijie, 22 anos,
87. São Pedro Wang Zuolung, 58 anos,
88. Santa Maria Guo Li, 65 anos,
89. Santa Joana Wu Wenyin, 50 anos,
90. Santo Zhang Huailu, 57 anos,
91. São Marcos Ji Tianxiang, 66 anos,
92. Santa Ana An Xin, 72 anos,
93. Santa Maria An Guo, 64 anos,
94. Santa Ana An Jiao, 26 anos,
95. Santa Maria An Linghua, 29 anos,
96. São Paulo Liu Jinde, 79 anos,
97. São José Wang Kuiju, 37 anos,
98. São João Wang Kuixin, 25 anos,
99. Santa Teresa Zhang He, 36 anos,
100. São Lang Yang, 29 anos,
101. São Paulo Lang Fu, 9 anos,
102. Santa Elizabeth Qin Bian, 54 anos,
103. São Simão Qin Chunfu, 14 anos,
104. São Pedro Liu Zeyu, 57 anos,
105. Santa Ana Wang, 14 anos,
106. São José Wang Yumei, 68 anos,
107. Santa Lucia Wang Wang, 31 anos,
108. Santo André Wang Tianqing, 9 anos,
109. Santa Maria Wang Li, 49 anos,
110. Santo Chi Zhuze, 18 anos,
111. Santa Maria Zhao Guo, 60 anos,
112. Santa Rosa Zhao, 22 anos,
113. Santa Maria Zhao, 17 anos,
114. São José Yuan Gengyin, 47 anos,
115. São Paulo Ge Tingzhu, 61 anos,
116. Santa Rosa Fan Hui, 45 anos.

Além desses já mencionados que foram martirizados pelos Boxers, ainda é necessário fazer memória dos seguintes mártires da fé cristã:
117. Santo Alberico Crescitelli, um padre do Instituto Pontifício das Missões Estrangeiras de Milão, que exerceu seu ministério na região sudeste de Shanxi e foi martirizado em 21 de julho de 1900.

        Alguns anos mais tarde, membros da Sociedade Salesiana de São João Bosco foram acrescentados ao considerável número dos mártires recordados acima, são eles:
118. São Luis Versiglia, bispo,
119. São Calisto Caravario, padre.
Eles foram martirizados juntos no dia 25 de fevereiro de 1930 em Li-Thau-Tseul.

Observação: ao todo, encontrei os nomes (e os dados de alguns) de 119 mártires, porém a figura acima enumera 120 mártires chineses. Os leitores do blog me perdoem, mas não encontrei o nome do mártir que falta... 

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