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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Beato Modestino de Jesus e Maria (Domingos) Mazzarella, Presbítero Franciscano.





Em Nápoles, cidade da Campanha, o Beato Modestino de Jesus e de Maria (Domingo) Mazzarella, presbítero da Ordem dos Frades Menores que, aproximando-se sempre de toda classe de pobres e aflitos, ao assistir aos moribundos em tempo de cólera, morreu contagiado pela mesma enfermidade.

Domingos Mazzarella nasceu em Frattamaggiore, província de Nápoles, na diocese de Aversa, no seio de uma família de humildes artesãos. Aos 16 anos foi acolhido gratuitamente no seminário de Aversa. Atraído logo pela austera vida dos franciscanos do vizinho convento de Grumo Nevano, em 1822 vestiu o hábito de São Francisco no convento de Piedimonte Matese (Caserta) e fez o ano do noviciado no convento de Santa Lucia del Monte, Nápoles. Em 1824 emitiu a profissão religiosa e, depois de um regular curso de estudos filosóficos e teológicos feitos nos conventos de Grumo Nevano, Portici e Santa Lucia del Monte, foi ordenado sacerdote em 1827, na catedral de Aversa.
Estátua do Beato Modestino existente
na Basílica de Santa Clara, em Nápoles
Empenhado rapidamente no ministério da pregação e na celebração do sacramento da reconciliação, Frei Modestino de Jesus e Maria exerceu também, com dedicação exemplar, o ofício de guardião (superior) nos conventos de Mirabella Eclano (Avellino) e de Pignataro Maggiore (Caserta). Em 1839 foi transferido ao convento de Santa Maria de la Sanitá, Nápoles, situado em um dos bairros mais populosos da cidade, onde permaneceu até o dia de sua morte, exercendo um proveitoso e admirável ministério sacerdotal, sobre tudo, em favor dos mais pobre e enfermos. Destinguiu-se particularmente por seu zelo na defesa da vida nascente e na difusão da devoção à Santíssima Virgem sob a invocação de “Mãe do Bom Conselho”, que levava no coração desde os anos de sua juventude.

Em 1854, afetado pelo cólera que contraíra enquanto assistia às vítimas dessa epidemia, depois de haver pedido perdão aos irmãos e invocado com fervor a Mãe do Senhor, morreu, com grande pesar de seus numerosos beneficiados e de toda Nápoles.

O alcaide da cidade, o príncipe de San Agaito, ao saber a notícia da morte de Frei Modestino, exclamou comovido: “Perdemos o consolo de Nápoles”. Foi beatificado por São João Paulo II em janeiro de 1995. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Beata Maria Inês Teresa Arias, Virgem e Fundadora das Missionárias Clarissas do Santíssimo Sacramento (a primeira beata mexicana do século XXI).



Nascida em Ixtlán do Río, Nayarit, no dia 7 de julho de 1904, recebeu o nome de Manuelita de Jesús. Com uma infância feliz, criada segundo os preceitos católicos, Manuelita, no íntimo de seu coração, na solidão do seu ser, onde só estava a presença silenciosa de Deus, foi se preparando para o encontro que seria identificar Deus por seu nome.
Tal momento veio em 1924, quando sofreu uma apendicite. Na cidade de Guadalajara se hospedou para ser atendida pelo médico na casa de sua prima, que lhe presenteou com o livro da vida de Santa Teresinha, cuja leitura despertou em Manuelita o vivo desejo de santidade.
Em outubro de 1924, durante o Congresso Eucarístico no México, finalmente no tempo estabelecido por Deus, a graça tocou o coração de Manuelita, sentindo-se totalmente atraída por ele. "Jesus Eucaristia, ao passar próximo de mim, deixou cair sobre mim um desses inefáveis olhares que tem o poder de comover; me deixou toda inflamada em seu amor; me atraiu com força irresistível", declarou a beata mexicana em certa ocasião.
Durante uma terrível perseguição religiosa no México, no dia da Festa de Cristo Rei, consagrou-se ao amor misericordioso de Deus, e finalmente tomou a decisão de ingressas à vida religiosa apesar das circunstâncias.
A beata no dia de seus votos
perpétuos na Ordem Clarissa.
Logrou, após uma série de provas e sofrimento o que tanto ansiava seu coração e no dia 07 de junho de 1929 ingressou no mosteiro das Clarissas. Manuelita recebeu então o nome de irmã Maria Inés Teresa do Santíssimo Sacramento.
Em 12 de dezembro fez sua primeira profissão temporária. Em 1933, consagrou-se ao Senhor emitindo os votos perpétuos. Sete anos depois, já como conselheira do mosteiro, expôs a Madre abadessa suas inquietudes e desejos de fundar uma congregação missionária. Seu pedido foi levado ao Vaticano pelo bispo de Curnavaca, Morelos (México), Dom Francisco Gonzáles.
No dia 12 de maio de 1945, foi aprovada em Roma a fundação, com sede em Cuernavaca, Morelos, México; no mesmo dia foi colocada a primeira pedra da Casa Mãe. Três meses depois, junto com mais cinco religiosas, Madre María Inés despediu-se do mosteiro da Ave Maria rumo a sede da nova congregação.
Sua obra seguiu crescendo em todos os sentidos e em 1950, Madre María Inés escreveu as Constituições da congregação, expressando assim a vontade do senhor para todas as suas filhas: "Filhas, o que aqui fica estabelecido é que nos identifica como Missionárias Clarissas do Santíssimo Sacramento".
Encontro da Beata com o Papa São João Paulo II
Em seis anos de fundação, a congregação já possuía 92 religiosas e duas casas: em Cuernavaca e em Puebla. No dia 31 de maio de 1951, Madre María Inés solicitou à Santa Sé a transformação destes dois mosteiros no instituto missionário de vida ativa e contemplativa.
No dia 22 de junho de 1951, os dois mosteiros foram transformados com aprovação pontifícia na Congregação de Missionárias Clarissas do Santíssimo Sacramento. Madre María Inés Teresa foi nomeada primeira superiora geral e o seria até o término de sua vida em 1981.
Toda a vida da Beata Maria Inês foi um "hino de louvor" a Jesus Eucarístico, ao qual amava terna e ardentemente. A Eucaristia e a Virgem Maria foram o centro de sua vida espiritual. Rezava diária e ardentemente pela salvação das almas. Possuía intensa vida de oração e ardente zelo missionário. Repetia frequentemente às suas filhas espirituais o lema paulino: "é preciso que Cristo reine"! 


A grande família inesiana se encontra espalhada pelo México, Japão, Estados Unidos, Costa Rica, Indonésia, Serra Leoa, Itália, Espanha, Nigéria, Irlanda, Coréia, Alemanha, Índia, Rússia e Argentina. Apenas no México, a congregação conta com 17 casas, incluindo a "Casa Madre". 
A congregação realiza trabalho na Pastoral Educativa, atendendo a oito colégios, na Pastoral Profética e Social e na Pastoral de Santidade. Também realiza trabalhos através dos meios de comunicação social, com um programa televisivo semanal pelo canal Maria Visión, que se intitula: "Vivir para Cristo" e com vários programas de rádio.

domingo, 26 de julho de 2015

Beata Maria Teresa Ledochowska, Virgem e Fundadora.



Fundadora das Missionárias de São Pedro Claver em 1894. Percorreu a Europa inteira e foi capaz de comprometer e sensibilizar para nesta obra a ricos e pobres, livre pensadores e fiéis, autoridades religiosas e civis. Sua palavra e sua pena não se detiveram nem diante dos fracassos nem dos triunfos.

Nasceu no dia 29 de abril de 1863 em Loosdorf, Áustria, filha primogênita do Conde polonês Antônio Ledóchowski e da Condessa suíça Josefina Salis-Zizers. Teve uma educação muito esmerada e aristocrática. Seu ambiente familiar foi piedoso. A irmã mais nova, Julia, conhecida com o nome de Úrsula († 1939) anos mais tarde, em 1921, fundou as Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus Agonizante, e depois foi canonizada pela Igreja. Outro seu irmão, o Padre Vladimir († 1942) foi o vigésimo sexto Geral da Companhia de Jesus.
Maria Teresa se tornou uma requintada fidalga, muito culta e fluente em vários idiomas. Em 1882 se transladou com seus pais para Lipnica, próximo de Cracóvia (Polônia) onde continuou a cultivar as belas artes e a letras, tendo estudado com as Damas Inglesas.
A Beata aos 16 anos
Inscreveu-se na Congregação Mariana e por um certo tempo ajudou o pai doente na administração do patrimônio. Seu pai faleceu em 1885 vitimado pela varíola, que também a acometeu, causando-lhe muito sofrimento. Deus permitia tais sofrimentos para que ela pudesse refletir sobre a vida frívola que levava e a vaidade das coisas. Segundo a irmã, Júlia, naquele tempo se consagrou a Deus com o voto de virgindade.
Aos vinte e dois anos, em 1885, para não ser um peso para a família, que enfrentava dificuldades econômicas, com o consentimento do tio, o Cardeal Miecislao Ledóchowski († 1902), obteve ser nomeada dama de honra da Grã-Duquesa da Toscana, Alicia de Bourbon e Parma, que tinha residência na corte austríaca, no palácio imperial de Salzburg. A Grã-Duquesa não dispensava sua presença alegre e brilhante, e a estimava muito.
Todo o tempo que permaneceu na corte, embora tendo que tomar parte em festas, bailes e caçadas, manteve um comportamento sério, frequentava a Santa Missa diariamente e comungava com frequência. Sob a orientação do Padre Ralf, OFM, confessor da Grã-Duquesa e seu, se inscreveu na Ordem Terceira Franciscana e, dentro do espírito da Ordem, cultivou uma devoção especial pela Paixão do Senhor e lia livros devotos.
Certa ocasião, foi apresentada às Irmãs Missionárias Franciscanas de Maria, que tinham encontro com a Grã-Duquesa. Logo em seguida recebeu um impresso de uma conferência do Cardeal Lavigèrie, narrando seu árduo trabalho para libertar os escravos da África e pedindo missionárias para ajudá-lo na evangelização. Penalizada com a situação dos escravos, Maria Teresa sentiu o chamado de Deus e abraçou aquela causa.
Em 1888 conheceu o Cardeal Lavigèrie, Arcebispo de Argel, que fundara, em 1868, a Sociedade dos Padres Brancos, para a evangelização da África e, em 1890, a Sociedade Antiescravagista. Desde então, se dedicou à luta contra a escravidão na África.
Em 1889, influenciada por Lavigèrie, fundou a revista "O Eco da África" e organizou uma imprensa para editar publicações religiosas missionárias.
Em 1891, abandonou a corte, apesar da desaprovação de quase todos os amigos, e ingressou para a vida religiosa, sob a direção espiritual dos Jesuítas. Depois a ela se juntaram Melania von Ernest e outras religiosas corajosas.
Durante alguns anos sofreu dificuldades econômicas, mas as suportou pacientemente por amor de Deus. Para viver, se servia de uma exígua prebenda concedida pela imperatriz em 1890. Seu finíssimo enxoval doou-o para as missões; suas roupas de seda foram transformadas em paramentos sagrados; colocou no dedo um simples anel de ferro.
Em 29 de abril de 1894, Leão XIII a recebeu em audiência e abençoou sua ideia de fundar um Instituto missionário para lutar contra a escravidão na África. Entregou-se totalmente a esta obra. Assim, fundou o Instituto das Irmãs Missionárias de São Pedro Claver, ou melhor, das Irmãs Claverianas, para dar apoio e orientação às missões africanas. Concebeu um núcleo de Irmãs consagradas, outro de membros externos com promessa de serviço às missões de África e outro de zeladores dispostos a colaborar em tudo que a obra das missionárias precisasse.
Seu Instituto foi aprovado em 08 de abril de 1897 pelo bispo de Salzburg, o Cardeal João Haller.
Recrutou adeptas em Viena, Stalingrado e em diversos lugares. Realizou viagens promovendo a obra: Viena, Paris, Cracóvia, Breslava, Praga, Insbruck, Bolzano, Trieste... Sua mensagem entusiasmada cativava as pessoas que a escutavam.
 Ela estava tão convencida de cumprir a vontade de Deus, que um dia confidenciou a Mons. Ugo Mioni († 1935), seu colaborador por trinta anos em Trieste: “Se a Igreja julgasse oportuno dissolver o meu Instituto, eu me resignaria no mesmo instante, mas suplicaria ao Santo Padre que me permitisse começar de novo”.
 Em 1899, a Beata obteve o decreto da Sagrada Congregação de Propaganda da Fé; em 10 de junho de 1904, obteve de São Pio X que Nossa Senhora do Bom Conselho e São Pedro Claver, apóstolo dos negros, fossem proclamados patronos do Instituto. No dia 07 de março de 1910, obteve a aprovação definitiva do Instituto e das constituições elaboradas por ela com a ajuda de um jesuíta da Sagrada Congregação dos Religiosos.
Em 1901 adoeceu e teve que se transladar para Roma, na casa adquirida como sede central do Instituto. Sua vida ficou centralizada em dirigir as obras missionárias que iam surgindo.
Maria Teresa, sempre brilhante e ativa, sabia que precisava divulgar muito mais aquela obra. Rezou muito e, inspirada pela Mãe de Deus, fundou em 1908 uma tipografia e passou a publicar dois boletins missionários mensais: o "Eco da África", direcionado para os adultos, e o "Juventude Africana", especial para os jovens, ambos editados em nove idiomas europeus. Ela mesma escrevia os artigos e apelos para difundir a ideia missionária. Logo passou a participar conferências em diversas línguas e países. Foram centenas e centenas até sua morte.
Em 1909, iniciou o Almanaque Missionário, que praticamente circulava por toda a Europa. O Instituto se tornava cada vez mais internacional e a Fundadora animava as diversas atividades para promover o amor às missões e para recolher donativos.
Sua incansável dedicação frutificou e pode enviar aos missionários da África milhões em dinheiro, numerosos objetos sagrados, além de milhares de livros impressos em línguas indígenas africanas, utilizados para a catequização e alfabetização dos nativos.
De toda parte vinham elogios a sua obra, mas ela dizia a Mons. Mioni: “Sou um instrumento inútil nas mãos do Senhor; não admirem a granada que estoura bem”. A Beata confidenciava as suas colaboradoras: “Oh, como Deus me ajuda!”.
No processo canônico, Mons. Mioni atestou: "Embora tendo uma alma de artista, nas longas viagens não mais podia ela visitar um monumento, uma obra de arte, nem museus, nem artísticas igrejas. Nestas ela entrava somente para rezar”. Toda a vida de Madre Teresa não foi senão trabalho e oração. Antes mesmo do decreto de São Pio X sobre a comunhão diária (1905), ela comungava diariamente e exortava suas filhas a fazer o mesmo. Era fiel à confissão semanal.
Ao aceitar e admitir postulantes e noviças, a Beata reparava se elas demonstravam zelo pelas missões e tinham espírito de humildade. Nas suas casas o ócio era desconhecido, mas a nenhuma Irmã eram impostos trabalhos excessivos que fossem danosos à saúde. Ela dizia: “Preferiria que a casa queimasse a vê-la na discórdia”. Ao contrário das penitências corporais, recomendava o espírito de pobreza e outras mortificações da alma.
Por ocasião do 25º aniversário da fundação do Instituto, declarou a comunidade reunida: “Se por qualquer motivo o nosso Instituto tivesse que se dissolver, o que eu faria? Eu, com a graça de Deus, começaria de novo, porque não conheço nada de mais belo e que valha a pena de ser vivido quanto trabalhar com Deus pela salvação das almas”.
O Padre Eligio da Penne, capuchinho, confessor da comunidade afirmou: "Estou certo, pelo meu conhecimento, que ela rezava quase continuamente, apesar de suas múltiplas ocupações".
A Beata deixou 8.000 cartas em polonês, italiano, francês, inglês e alemão, as quais atestam sua solicitude viril pelo bem espiritual das suas filhas e pelo seu progresso principalmente na virtude da obediência.
Madre Teresa dirigiu o Instituto por vinte e oito anos, em meio às turbulências do tempo e do sacrifício pessoal, até morrer no dia 6 de julho de 1922 em Roma, na Itália. Poucos dias antes de morrer, disse a quem a assistia: “Não sei se isto é presunção, mas eu não temo a morte”. Na câmara ardente onde foi velada, o irmão, Padre Vladimir Ledóchowski, celebrou a primeira Missa em seu sufrágio. Desde então, Maria Teresa, passou a ser invocada para interceder por graças e milagres, principalmente nos países africanos, aos quais dedicou toda a sua vida de missionária.
O Beato Papa Paulo VI beatificou aquela que era conhecida em todo o mundo católico como a "Mãe dos Africanos" em 19 de outubro de 1975, e a declarou padroeira da Cooperação Missionária da Igreja na Polônia.

Além de seus artigos de revista e notas de conferências, deixou também alguns escritos: "Minha Polônia", "Zaida, Drama missionário". Desde 1934, as suas relíquias são veneradas em Roma, na capela da casa generalícia das Missionárias de São Pedro Claver.

(Fonte: Blog "Heroínas da Cristandade")

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Servo de Deus Ângelo Angioni, Presbítero e Missionário do PIME no Brasil.



Em 14 de janeiro de 1915, nasce Angelo Angioni, em Bortigali, quinta-feira, às 20 horas. Era o quinto filho da família, e a mãe anotara todos os nascimentos no apêndice de uma antiga edição das "máximas eternas" de Santo Afonso.


A GUERRA
Aos 24 de maio de 1915, a Itália declarava guerra à Áustria. O pai Antônio Angioni precisou apresentar-se ao posto de alistamento e foi mandado para longe da família por dois longos anos (1915 – 1917). Em 1916, um decreto dava aos soldados com esposa e quatro filhos o direito de sair da frente da batalha. Imediatamente a mãe providenciou tudo para o retorno do esposo.
Em 1917, Antônio Angioni foi transferido para o norte da Sardenha, para servir a uma autoridade local, em uma cidade chamada Ozieri. Maria Grazia toma os quatro filhos: Maria, Sebastião, Antônio e Angelo e se muda para Ozieri para ficar com o marido.
Foram morar em uma casa ao lado da Igreja Santa Lúcia, o Pároco era o Padre Gavino Dettori, jovem, zeloso e amigo das crianças e o vice-pároco Padre Gerolamo Contini, Teólogo, Professor, escritor, que trabalhou durante 28 anos como vice-pároco de Santa Lúcia. Neste ambiente, cresceram e desenvolveram várias vocações sacerdotais, entre elas, a vocação de Antônio José Angioni, futuro Bispo e Angelo Angioni, missionário no Brasil.


A VOCAÇÃO MISSIONÁRIA
Em dezembro de 1921, Antônio José Angioni ingressa no seminário de Ozieri; em 1926, apenas cinco anos mais tarde, o irmão Angelo Angioni segue os passos do irmão e ingressa no seminário de Ozieri, próximo de casa.
Os pais não se opuseram, apesar da grande preocupação como manter os filhos nos estudos. O pai, homem de oração e confiante no Espírito Santo, sujeitava-se aos trabalhos mais humildes em Ozieri para manter os filhos no seminário. Foi administrador, vendeu carvão vegetal e domou cavalos. Tanta era sua honestidade e respeito que foi contratado para serviços oficiais no Instituto de incrementos hípicos dos militares.
Durante os seis primeiros anos, Antônio José Angioni permaneceu em Ozieri. O segundo ano de Filosofia e os quatro de Teologia fez em Cuglieri no Pontifício Seminário Regional Sardo, onde nasceu a sua grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Antônio José Angioni foi ordenado sacerdote na Catedral de Ozieri em 13 de agosto de 1933. No mesmo ano, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário Vescovile e Vice-Pároco da Paróquia de Tula, cidadezinha a dezoito quilômetros de Ozieri.
Angelo Angioni que havia seguido o irmão no Seminário de Ozieri, assim que termina o ginásio, percebe que sua vocação não era ser padre diocesano, mas queria ser um padre missionário. Ainda quando seminarista, dizia brincando aos sobrinhos: "Quando for para África, o primeiro leão que eu matar, mando o rabo para vocês".
Assim nasceu a vocação missionária. Terminado o ginásio, Angelo Angioni, em 1932, ingressa no PIME (Pontifício Instituto Missionário para o Exterior de Milão) recomendado pelo superior do Seminário. Foi acolhido pelo Superior Geral, Padre Paolo Manna.
No PIME, Angelo Angioni fez o noviciado, filosofia e o primeiro ano de teologia; em 1935, surge um sério problema de saúde e o futuro missionário é obrigado a voltar para casa, para um tratamento em clima natal. Assim Angelo Angioni continua os três últimos anos de teologia no Pontifício Seminário Sardo, na Diocese de Ozieri.


A ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Em 31 de Julho de 1938, festa de Santo Inácio, Angelo Angioni é ordenado sacerdote na capela do Seminário Regional do Sagrado Coração, em Cuglieri, pelo Bispo Dom Lorenzo Basoli, Bispo de Ogliastra. Neste mesmo ano, Padre Angelo Angioni fica residindo junto à família em Ozieri e serve como Vice-Pároco na Paróquia Santa Lúcia, onde nasceu sua vocação.

MISSÃO EM TERRAS BRASILEIRAS
Em 1951 foi designado como missionário para a Diocese de São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil. Chegou ao Brasil em novembro de 1951, foi enviado por Dom Lafayete Libanio para a Paroquia São João Batista - José Bonifácio - São Paulo, onde permaneceu exercendo santamente seu ministério sacerdotal. Escritor sacro brilhante, foi autor de várias obras. Em uma delas, intitulada “O Missionário”, escreveu: "A Igreja nos convence que ao receber o batismo não fomos jogados numa religião ou numa igreja com o objetivo de curtir a tranqüilidade de nossa salvação. Nosso batismo nos põe em movimento na sede de conquistar almas ao Cristo. A missão da Igreja e a nossa, não vem de nós mesmos, mas é uma resposta à Santíssima Trindade que tem como sua natureza íntima a Missão segundo o Plano do Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo. Dessa espiritualidade é constituída também a missão a participação de todos os membros da Igreja, especialmente dos leigos missionários. A Igreja não pode ficar satisfeita e parar de evangelizar até que não tiver levado a Boa Nova a todos os não cristãos sempre em aumento. O Espírito Santo continua chamando as pessoas para esta missão bem específica, por toda a vida”.


O Apóstolo de Maria
Mons. Ângelo foi um grande apóstolo da devoção e consagração ao Coração Imaculado de Maria nas terras brasileiras. O “carro chefe” de sua devoção a Maria era exatamente o “Oferecimento de Amor” ao Coração de Maria, isto é, oferecer TODA a nossa vida, nossas preces, sofrimentos e méritos ao Coração de Maria. O padre divulgava, assim, mensagens da Santíssima Virgem a uma vidente da Hungria na qual a Santa Mãe de Deus deu grandes promessas de salvação a quem praticasse devotamente esse Oferecimento de Amor.
Foi também grande divulgador do Movimento pelo Advento do Reino de Jesus Cristo (que teve como grande apóstolo seu irmão que era bispo) que pregava a dupla consagração ao Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria.
Mons. Ângelo vivia uma relação muito íntima com Nossa Senhora. Sentia sua presença junto a ele praticamente de forma constante e, algumas vezes, “ouvia” a voz da Santíssima Virgem por locução interior.
Um dia, a Virgem Maria teria confidenciado a ele que após sua morte um de seus órgãos não sofreria a corrupção natural. Essa promessa cumpriu-se como mais adiante relataremos...

O Escritor
Durante todos os anos que esteve à frente da Paróquia de José Bonifácio não descuidou dos conhecimentos culturais, políticos, sociais, morais, éticos e religiosos. Grande estudioso, conhecedor da história e geografia mundial, poliglota, músico, teólogo, amante da ecologia e da medicina natural, não deixou de prestar a sua contribuição à formação cultural, moral, social e religiosa ao seu rebanho. Passava as noites debruçado sobre as traduções, escritos e reflexões que editava com simplicidade e sabedoria. Hoje temos uma infinidade de opúsculos e livros escritos ou traduzidos por Monsenhor Angelo, todos editados na gráfica do Instituto Missionário Coração Imaculado de Maria, que foram difundidos dentro e fora do Brasil.




Santa morte
Após uma vida cheia de méritos, tendo sido fiel ao seu ministério sacerdotal, sendo um sacerdote conforme o Coração de Jesus e digno filho da Virgem Maria, Mons. Ângelo é chamado para receber a recompensa eterna em 15 de setembro de 2008, festa litúrgica de Nossa Senhora das Dores.
Sete anos após sua morte, começou o processo diocesano para sua beatificação/canonização. No dia 08 de junho de 2015, foram exumados seus restos mortais. Para a surpresa de todos, no meio dos ossos da caixa torácica, foi encontrado, incorrupto, seu coração. A Igreja, sábia e prudente, evita chamar tal fenômeno de “milagre”, limitando-se apenas a declarar “inexplicável”. O fato teve ampla repercussão na mídia televisionada, sendo matéria de destaque em vários telejornais.

Como citado anteriormente, parece que a Virgem Maria, a quem Padre Ângelo tão bem serviu neste mundo, dignou-se dar o sinal de sua predileção a seu filho amado e servo fiel.  

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Beata Margarida Ebner, Virgem Dominicana e Mística.



Margarida pertencia à família Ebner, da aristocracia alemã, muito rica e respeitada. Quando fez quinze anos de idade vestiu o hábito dominicano no Mosteiro de Maria Santíssima em Medingen, na diocese de Augusta.
De 1314 até 1326, sofreu diversas e graves enfermidades, permanecendo a maior parte do tempo confinada em seu leito. Era consolada por Deus e chamada a cumprir em tudo a sua divina vontade. Devido às enfermidades não podia realizar as grandes penitências exteriores. Margarida então se mortificava no alimento, no porte, no sono, dedicando-se a uma vida de orações inspirada nos ciclos do ano litúrgico e caracterizada pela meditação dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destacou-se pelo silêncio e pela paciência com que suportou suas constantes enfermidades.
A política influenciou muito a vida da Beata Margarida. Foi uma contemplativa comprometida com a trama da História. Durante oito anos a Alemanha esteve em guerra de disputa da coroa. Para as monjas de Medingen, e especialmente para Margarida, a pátria e o imperador tinham muito espaço em suas orações. Rogavam com fervor pela volta da paz.
Durante o período do Grande Cisma na Igreja Católica, quando havia três diferentes aspirantes ao trono papal, as monjas do Mosteiro de Medingen ficaram leais ao Papa de Roma. Como resultado, a comunidade foi forçada a se dispersar durante a campanha militar do imperador Luís IV contra as forças papais.
Em 1324, as monjas saíram do mosteiro devido aquele conflito. Margarida passou dois anos com sua família acompanhada de uma conversa, dentro da segurança dos muros da cidade de Donauworth, antes de poder voltar para o Mosteiro de Maria Medingen. Quando tudo retornou ao normal ela voltou para a clausura daquele mosteiro.
Margarida era devotíssima da Eucaristia e do Santo Nome e do Coração de Jesus. E ao constatar que os homens morriam aos milhares por causa da guerra, se dedicou particularmente a realizar sufrágios pelos defuntos.
Em 28 de outubro de 1332, Henrique de Nördlingen visitou o Mosteiro de Maria Medingen. Ali conheceu Margarida e assumiu sua direção espiritual.
Margarida Ebner foi, sem dúvida, a figura central do movimento espiritual alemão dos "amigos de Deus", e uma das grandes místicas da região do Reno no século XIV, nos mais de setenta mosteiros alemães da Ordem Dominicana. O seu diário espiritual, escrito de 1312 até 1348, que chegou até os nossos dias, revela a vida humilde, devotada, caritativa e confiante em Deus de uma religiosa provada por muitas penas e doenças. Ela viveu e morreu no amor de Deus, fiel na certeza de encontrar-se em plena comunhão com seu Filho Jesus, como sempre dizia: "Eu não posso separar-me de ti em coisa alguma".
A santíssima humanidade de Jesus foi o divino objeto da sua constante e amorosa contemplação e nela reviveu os vários mistérios no exercício da virtude, no holocausto ininterrupto dela mesma, no sofrimento interno e externo, todo aceito e ofertado com Jesus, para Jesus e em Jesus.
Na noite de Pentecostes de 1348, quando entrava no coro para o Ofício solene de Matinas, a Beata teve a impressão de receber uma graça que declarava incapaz de descrever, similar a recebida pelos Apóstolos quando sobre eles pousou o Espírito Santo. O Senhor prometeu assisti-la em seu trânsito com a presença da Virgem Maria e o Apóstolo São João, e fez uma revelação particular a respeito de sua morte.
Margarida Ebner morreu aos 60 anos no dia 20 de junho de 1351, no Mosteiro de Medingen, onde foi sepultada. Suas últimas palavras foram: “Demos graças a Deus. Virgem Maria, Mãe de Deus, tem misericórdia de mim”. Seu corpo se venera na igreja de seu convento, que hoje é habitado pelas franciscanas de Medingen. Seu culto imemorial foi confirmado e ratificado por João Paulo II em 24 de fevereiro de 1979.
Entre os grandes místicos dominicanos do século XIV, brilha a suave figura desta religiosa de clausura que conquistou o apelido de "Imitadora Fiel da Humanidade de Jesus".

sexta-feira, 17 de julho de 2015

SANTA JOANA ISABEL BICHIER DES AGES, Virgem e Fundadora.


Santo André Humberto Fournet nasceu em Saint Pierre de Maillé, no Poitou, França, no ano 1752. Santa Joana Isabel Bichier des Ages, sua compatriota, nasceu no castelo de Ages, em 05 de julho de 1773.
Estas datas são de importância, pois se ambos não tivessem enfrentado os perigos da Revolução Francesa, suas vidas teriam sido totalmente diferentes. Ele teria sido um bom sacerdote, mas que logo seria esquecido por não ter deixado um traço marcante; ela seria uma esposa fiel ou uma boa religiosa, mas seus méritos não ultrapassariam os limites do seu povoado ou os muros de um claustro. Eles, todavia, se tornaram conhecidos por uma obra esplêndida.
A família de Joana Isabel era profundamente católica; seu pai era empregado do governo. Joana Isabel foi educada em Poitiers, nas religiosas Hospitalárias, cuja superiora, a Sra. de Bordin, era sua parente.
Quando menina, ela se impressionava muito ao ver os doentes e os mendigos abandonados, e fazia tudo que podia para ajudá-los. Um dia encontrou na rua uma pobre mulher tiritando de fome e de frio, e com uma criança nos braços. Levou-a para sua casa e lhe deu de comer e a presenteou com um manto de lã para se preservar do frio.
Sua diversão favorita era ir à praia e construir castelos de areia. Mais tarde ela construiria muitos edifícios para gente pobre. E exclamaria: "Desde muito pequena eu tinha inclinação para construir edifícios". Era uma inclinação dada por Deus para que fizesse um grande bem para a humanidade.
Isabel tinha 19 anos. Vários jovens lhe propõem casamento, mas ela declara à sua mãe que seu maior desejo era dedicar-se totalmente à vida espiritual, buscando o reino de Deus e a salvação das almas.
Foi então que a Revolução Francesa se iniciou e os revolucionários passaram a matar todos os proprietários. O irmão de Isabel teve que fugir do país para que não fosse morto e seu pai corria o risco de perder sua herança. A jovem teve então uma ideia luminosa: aprender economia e especializar-se em defender a propriedade diante das autoridades. Após vários meses conseguiu aprender as técnicas de como administrar os bens e se tornou muito hábil em fazer a defesa da propriedade diante de juízes. Com tais recursos, se apresentou diante dos tribunais e defendeu brilhantemente o direito que sua família tinha de herdar os bens que haviam sido de seu pai. Os juízes, que haviam despojado muitas pessoas de sua herança, tiveram que reconhecer os direitos de Isabel, que assim recuperou todos os bens da família, passando depois a administrá-los com êxitos surpreendentes.
     Tais estudos feitos em sua juventude foram enormemente proveitosos quando fundou seu instituto religioso e teve que defendê-lo nas perseguições dos inimigos, e administrá-lo para que não fracassasse economicamente. Deus prepara as almas fieis desde tenra idade para os trabalhos e triunfos no futuro.
A Revolução Francesa havia encarcerado centenas de sacerdotes porque não quiseram ser infiéis à Santa Religião. Isabel passou a visitar os cárceres e tratava com tanta bondade os carcereiros, e era tão generosa nos presentes que lhes levava, que eles começaram a tratar bem os sacerdotes e até lhes permitiam celebrar a Missa na prisão.
A boa administração da propriedade de seu pai resultava em ganhos que ela repartia com os pobres. As famílias pobres recebiam ajuda e as mães pobres eram presenteadas com vasilhas de leite para seus filhos. Aos doentes supria com medicamentos. Repartia alimentos e roupas com muitos. Era amada e estimada por todos.
Ainda se conserva uma estampa de Nossa Senhora do Socorro onde ela escreveu: “Eu, Joana Isabel, me consagro e dedico desde hoje e para sempre a Jesus e Maria”, 5 de março de 1797. Pouco tempo depois de ter escrito estas palavras, Isabel soube que a 15 quilômetros de onde ela vivia um sacerdote católico celebrava à noite (às escondidas do governo, que proibia qualquer manifestação religiosa) em um depósito de grãos. Ela para lá se dirigiu, porque lhe disseram que esse sacerdote era um santo. Foi assim que ela conheceu o Padre André Fournet.


Santa Joana Isabel recebendo a Sagrada Comunhão de Santo André Fournet. 


Após a Missa, Isabel procurou-o, mas eram muitas as pessoas que desejavam falar com ele. Ela abriu passagem entre as pessoas, porém o sacerdote ao vê-la tão elegante, colocou a prova sua humildade dizendo: “A Senhora aguarde, pois antes devo atender a estas pessoas pobres que são mais importantes”. Ela aceitou isto com muita boa vontade e amabilidade, e aproximou-se somente depois que todos se foram. Confessou-se com o sacerdote, que ficou encantado com sua grande humildade. Desde aquele momento nasceu uma santa amizade entre estes dois apóstolos; amizade que os levou a ajudar-se mutuamente na fundação do Instituto.
Joana Isabel manifestou-lhe seu desejo de tornar-se monja, mas ele a aconselhou a permanecer no mundo ajudando a juventude pobre sempre tão desprotegida. Ela aceitou. O Padre Fournet mandou que ela vestisse uma túnica negra de tecido ordinário, o que a princípio desgostou muito seus familiares ricos, que desejavam que ela se vestisse com luxo e elegância. Depois, entretanto, aceitaram o fato, pois viam que era proveitoso para sua santificação.

A jovem e o sacerdote começaram a reunir jovens piedosas de boa vontade e em 1807 fundaram o Instituto das Filhas da Cruz, para atender a juventude pobre e abandonada, e a Santa se dedicou a fundar casas de seu Instituto em diversos locais da França. As vocações às vezes escasseavam, porém ela redobrava as orações e Deus lhe enviava novas e numerosas pretendentes.
Em 1820 a casa-mãe foi instalada na antiga Abadia de La Puye; em 1821 outra casa foi aberta em Paris. Depois, outras casas foram abertas na região basca com a ajuda de São Miguel Garicoits.
O grande escritor Luis Veulliot dizia desta Santa: “É um dos temperamentos mais ricos que encontrei. Bondosa, resoluta, séria e amável; inteligente e muito compreensiva; muito trabalhadora e verdadeiramente humilde. Não desanima diante de nenhuma dificuldade. Nenhum obstáculo nem contratempo é demasiadamente grande para obrigá-la a desistir de suas boas obras. As angústias interiores não a fazem perder a alegria exterior, e os triunfos não a tornam orgulhosa. Chegam dificuldades muito grandes: injúrias, incompreensões, problemas enormes, e nada a faz perder sua serenidade e sua paciência, porque confia imensamente em Deus”.
Ela fundou mais de 60 colégios para meninas pobres e parecia uma segunda Santa Teresa por sua grande fortaleza para viajar, dirigir e ajudar em tudo. Depois de 1815, uma operação mal feita a deixou inválida. Viveu assim uma espiritualidade fundamentada na contemplação da Cruz e de sua grande devoção a Eucaristia.
Além de suas numerosas e penosas viagens e de seus esgotantes trabalhos, fazia jejuns e penitências, e rezava muito e sem se cansar. Nas últimas semanas de vida sofreu dores agudíssimas que a ajudaram a ainda mais se santificar.
Quando faleceu, no dia 26 de agosto de 1838, Joana Isabel deixava noventa e nove casas, distribuídas em vinte e três dioceses, que contavam com seiscentas e trinta e três religiosas. Foi beatificada em 13 de maio de 1934 por Pio XI e canonizada em 6 de julho de 1947 por Pio XII.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

SANTO ANDRÉ HUMBERTO FOURNET, Presbítero e Co-Fundador da Congregação das Filhas da Cruz.


Penúltimo de uma família de dez filhos, nasceu em Saint-Pierre-de Maillé (França), a 6 de Dezembro de 1752. Aos 17 anos recebeu a tonsura, mas não podia prosseguir os estudos no seminário por sua débil saúde. Em vão tentou entrar na magistratura e no exército.
Os pais encaminharam-no, então, para o tio, pároco de Haims. Depois de algum tempo, o jovem conseguiu superar as dificuldades que sentia na carreira sacerdotal, reentrou no seminário e em 1776 ordenou-se em Poitiers. Nomeado vigário de Haims e depois pároco de São Pedro em Maillé, conservou o gosto pela vida brilhante e fácil que levava na juventude. Contudo, um dia encontrou-se com um mendicante que o convenceu a mudar de vida.
Despojou-se de tudo o que era supérfluo e passou a viver austeramente. Em 1791 recusou o juramento constitucional exigido pela revolução, passou a Espanha e lá permaneceu até 1797. De volta à França, dedicou-se ao apostolado clandestino. Encontrou Joana Isabel Bichier des Ages, a quem pediu para abrigar em sua casa quatro moças desejosas de consagrar a vida à educação cristã da juventude e assistência aos pobres. Ela concordou e recebeu-as em La Guimetiére, património da família.
O padre André impôs à sua filha espiritual múltiplas provas para fazê-la crescer na santidade. Assim nasceu um novo Instituto religioso, que tomou o nome de Filhas da Cruz. Em 1822, o Bispo de Poitiers nomeou o Padre André Vigário Geral da nova Comunidade. 
Sua espiritualidade caracterizava-se por uma intensa devoção à Santíssima Trindade e à Cruz, num espírito de grande penitência e zelo apostólico ilimitado.

As suas pregações giravam em torno do mistério de Jesus Crucificado e das virtudes evangélicas de pobreza, humildade, desprendimento e renúncia a toda a espécie de prazeres. Faleceu em La Puye, a 13 de Maio de 1834. Foi beatificado por Pio XI em 1926 e solenemente canonizado pelo mesmo Papa no dia 4 de Junho de 1933.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Beata Nazária Inácia March Mesa, Virgem e Fundadora.



Nasceu em Madri, a 10 de Janeiro de 1889. Seus pais, João Alexandre March e Nazária Mesa, tiveram 18 filhos, de que sobreviveram apenas dez. Nazária, que foi a quarta, sendo gêmea, esteve em perigo de vida e, por isso, foi batizada imediatamente. Para completar as prescrições rituais levaram-na à igreja no dia 11 de Abril.

Aos sete anos internaram-na no colégio do Espírito Santo, onde viveu até aos treze. Ao preparar-se para a primeira comunhão, sentiu que Jesus a chamava a segui-Lo e consagrou-se totalmente a Ele com voto de virgindade, no dia 15 de Agosto de 1900, diante da imagem de Nossa Senhora que se venerava no colégio.

Em 1906, emigrou com os pais para a cidade do México. Na viagem conheceu as Irmãs dos Anciãos Desamparados. Entusiasmou-se a ser como elas e entrou na congregação a 7 de Dezembro de 1908. Voltou, por isso, para Espanha, para fazer o noviciado. Consagrada a Deus pelos votos religiosos, seguiu com outras Irmãs para a Bolívia, a fim de fundar um asilo para idosos na cidade de Oruro. Ali fez os votos perpétuos, no dia 1 de Janeiro de 1915.

Por mais de doze anos fez parte dessa comunidade, dedicada inteiramente aos pobres. Percorreu outras cidades, povoações e minas a pedir esmolas para os velhinhos. Nessas caminhadas descobriu que a messe era grande e os operários poucos. Que fazer?

Nos exercícios espirituais, segundo o método de Santo Inácio, feitos em 1920, sentiu-se fortemente movida a reunir outras pessoas para dilatar o Reino de Cristo, «sob a bandeira da cruz». Lutou durante cinco anos contra a idéia de abandonar a própria Congregação para fundar outra, mas em 1925 os Bispos de Oruro e de La Paz, assim como o Internúncio Apostólico concordaram que essa era a vontade de Deus. Foi assim que, no dia 16 de Junho desse ano, por decreto do Bispo de Oruro, a Irmã Nazária Inácia deixou a congregação das Religiosas dos Anciãos Desamparados, para desempenhar a função de Superiora da Comunidade das Nazarenas, que depois tomarão o nome de Missionárias Cruzadas da Igreja.

Decorridos seis meses, eram já dez as religiosas que se dedicavam a trabalhos de apostolado por meio da catequese e da cooperação nas obras paroquiais. Com o correr do tempo, o novo Instituto vai abrir tanto o leque das suas ambições - colégios, orfanatos, oficinas, escolas noturnas, obras de beneficência, asilos, visitas aos presos e doentes nos hospitais, difusão da boa imprensa, casas de exercícios - que a Santa Sé achou prudente restringir um pouco a finalidade da congregação, quando lhe concedeu o decreto de louvor, a 8 de Abril de 1935.

As religiosas passaram pelo crisol do sofrimento. Em 1932 moveram contra elas tão cruéis perseguições que até a vida lhes puseram em perigo. Na Espanha, onde a obra se havia implantado, se não fosse a intervenção do Cônsul do Uruguai, teriam sido fuziladas. Apesar de todas estas adversidades, a Irmã Nazária Inácia, antes da sua morte, deixou as suas filhas a trabalhar na Bolívia, Argentina, Uruguai e Espanha. Em 1977, o Instituto, dividido em cinco províncias, contava 77 casas em 13 nações da Europa, América Latina e África.

A Serva de Deus, que faleceu santamente em Buenos Aires (Argentina), a 6 de Julho de 1943, teve as suas virtudes heroicas reconhecidas pela Igreja, a I de Setembro de 1988, e foi beatificada por São João Paulo II, a 27 de Setembro de 1992.


Fonte: www.vaticano.va/

sábado, 11 de julho de 2015

SANTO EFRÉM, O SÍRIO, Diácono e Doutor da Igreja.


O Paráclito não só falava pela boca dele, mas cantava com sons harmoniosos através de sua laringe, fazendo vibrar a graça nas almas que escutavam seus hinos. Ele foi, nas palavras de São João Crisóstomo, "o açoite do preguiçoso, consolo dos aflitos, formador e estímulo da juventude, modelo dos monges, guia dos penitentes, espada e tormento para os hereges, escrínio de virtudes, templo e lugar de repouso do Espírito Santo".


Século IV: o Cristianismo emerge das catacumbas, Santos ilustres marcam a História; contudo, também irrompem heresias com força e dinamismo no Oriente, na vã tentativa de cobrir a Santa Igreja com sua tenebrosa sombra. Foi nessa quadra histórica que nasceu em Nísibe, nas combativas fronteiras do Império Romano, uma luz destinada a brilhar com especial fulgor no firmamento da Igreja: Efrém, o Sírio, diácono e Doutor da Igreja.


Discípulo de um Bispo e Santo

Poucos dados seguros temos acerca de sua infância. De acordo com alguns dos seus biógrafos, sua mãe era cristã, mas o pai, sacerdote pagão, proibiu-lhe educar o filho segundo as Leis do Evangelho. Não conseguindo ele, porém, evitar que florescesse na alma do menino uma profunda inclinação para o Cristianismo, expulsou-o de casa.

Efrém acorreu então ao Bispo, São Tiago, que o acolheu como a um filho: deu-lhe profunda formação catequética e ministrou-lhe o santo Batismo. Notando, com alegria, quanto o rapaz se sobressaía por sua inteligência e sabedoria, concedeu-lhe, aos 18 anos, a ordenação diaconal.

Pouco depois, entre maio e junho de 325, teve lugar o I Concílio de Niceia, marco histórico na luta contra as insidiosas doutrinas de Ário. Sabe-se que São Tiago participou dele e se crê que o jovem diácono também compareceu como secretário do santo Bispo.

Encerrada a assembleia, Efrém passou a dar aulas na escola teológica aberta em Nísibe, como meio de combater as heresias que proliferavam por aquelas ruas e praças. Dedicou-se então de alma e corpo a esta tarefa e, em pouco tempo, conseguiu elevar a um alto grau o nível de formação de seus alunos. Com grande perspicácia e sabedoria, travou uma batalha sem tréguas na defesa da verdadeira Fé, cujo resultado não se fez esperar: muitas almas retornaram ao caminho da salvação.


Os três assédios de Nísibe

Enquanto crescia a fama de santidade de Efrém, bem como a admiração dos seus concidadãos, Sapor II, rei persa e inimigo da Cruz de Cristo, ansiava por conquistar a cidade das mãos dos romanos. Por três vezes tentou assediá-la e nas três vezes foi repelido pelos cristãos.

Foi por esta época que Efrém compôs as conhecidas Carmina Nisibena – Canções de Nísibe –, nas quais "canta em termos e figuras bíblicas as gestas e peripécias ocorridas na cidade de Nísibe para defender sua Fé Católica e não cair sob o domínio dos pagãos da Pérsia".

Conta-se que, durante um desses assédios, a população viu o diácono Efrém subir nas muralhas da cidade e traçar com determinação um grande sinal da Cruz, com o qual amaldiçoava as tropas do rei invasor. Em seguida, como que guiadas por uma mão invisível, nuvens de moscas e outros insetos se abateram sobre o exército inimigo. Entraram eles nas trombas dos elefantes, nas orelhas e narinas dos cavalos de guerra e bestas de carga, e provocaram um alvoroço tal que determinou a retirada das tropas.

Entretanto, o que os arrogantes esforços militares dos persas não conseguiram obter, foi-lhes entregue sem esforço, alguns anos mais tarde, pelo imperador Joviano, como parte do preço de um tratado de paz... Forçados a escolher entre o exílio, a escravidão ou a morte nas mãos dos pagãos, os cristãos viram-se obrigados a retirar-se de sua terra.


Santo Efrém, grande teólogo, escritor sacro,
 poeta. Transmitia a sagrada teologia em
suas belíssimas poesias.
Teologia e poesia se encontram

Efrém partiu em direção a Edessa e ali se instalou em uma gruta aberta num alcantilado dos arredores, decidido a dedicar-se por inteiro à contemplação e ascese. Neste privilegiado local escreveu a maior parte de suas obras, todas elas revestidas de grande riqueza teológica e adornadas por uma peculiaridade: a poesia.

A especificidade da obra de Santo Efrém, sublinha Bento XVI em audiência geral, “é que nele teologia e poesia se encontram. Querendo aproximar-nos da doutrina, devemos insistir desde o início sobre este aspecto: isto é, o fato de que ele faz teologia de forma poética. A poesia permite-lhe aprofundar a reflexão teológica através de paradoxos e imagens”.

Não tardaram os eclesiásticos de Edessa a notar a sabedoria e santidade incomuns daquele ermitão e logo o convidaram a estruturar a incipiente escola teológica da cidade. Vendo a devastação causada em seus habitantes, pelas seitas heréticas que nela abundavam, o santo asceta aceitou.

Iniciou-se assim uma nova etapa de seu apostolado. Em pouco tempo reuniu em torno de si numerosos discípulos, aos quais se empenhava em dar sólida formação. Numa carta dirigida a um deles, aconselhava: “Meu filho, fixa-te na humildade e farás com que as virtudes de Deus te acompanhem. [...] É incomensurável a beleza do homem humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de dominar este homem, e não há medida para a sua beleza”.


Citarista do Espírito Santo e bardo de Maria

Não foi fácil a luta do santo diácono contra as heresias, e poucos foram os resultados iniciais. Prosseguiu ele, todavia, sem perder o ânimo e, inspirado pelo Espírito Santo, encontrou um meio eficaz para propagar a boa doutrina na disputa contra os hereges: através da liturgia. Não foi sem razão, pois, conforme ensina o Papa Pio XI, “para instruir o povo nas coisas da Fé e atraí-lo por meio delas às íntimas alegrias do espírito, as comemorações anuais dos sagrados mistérios são mais eficazes que quaisquer ensinamentos, por mais autorizados que sejam, do Magistério eclesiástico”.

Tais comemorações nasceram e se desenvolveram "no transcurso dos séculos, conforme a necessidade e a utilidade do povo cristão iam pedindo, isto é, quando era preciso robustecê-lo contra um perigo comum ou defendê-lo contra os insidiosos erros da heresia, ou com frequência para animá-lo e incentivá-lo, a fim de que conhecesse e venerasse com maior devoção algum mistério da Fé ou algum benefício da divina bondade".

Cheio de eloquência, sabedoria e santidade, compôs ele poesias e canções, pervadidas de beleza, de riqueza doutrinária e de unção sobrenatural, para serem cantadas nas assembleias. Reuniu para isso um grupo de virgens cristãs, favorecidas com especiais dotes musicais, e ensinou-lhes a declamar os poemas e cantar os hinos por ele compostos. Em breve tempo, estas poesias e canções ressoavam melodiosamente por toda a cidade. Devido à genialidade das composições, as pessoas as memorizavam com facilidade.

Deste modo, difundiu-se por todos os rincões de Edessa o perfume dos ensinamentos evangélicos. Seus versos – apesar de simples e acessíveis ao povo, feitos para serem cantados no meio de todo mundo – tinham tanto encanto, formosura e densidade de doutrina, que Santo Efrém passou para a História da Igreja como a Cítara do Espírito Santo. Dir-se-ia "que o Espírito Santo não só falava pela boca dele, mas cantava pelos sons harmoniosos de sua laringe e fazia vibrar a graça nas almas, ao diapasão da cítara com que ele cantava".


Estes magníficos dons poéticos e musicais se direcionavam muitas vezes para uma luminosa Estrela que brilhava com especial fulgor na mente e no coração de Efrém: Maria Santíssima. Nutria por Ela uma devoção profunda e terna, que o acompanhou a cada passo. Em louvor à Virgem Mãe compôs um incontável número de orações e de melodias, as quais proclamavam, já naqueles remotos tempos, glórias e privilégios de Maria que o Magistério infalível da Igreja haveria de definir mais tarde.



O encontro de dois grandes Santos

A par de Santo Efrém, brilhavam por este tempo três outros grandes astros da História da Igreja, denominados Padres Capadócios: São Basílio Magno, São Gregório de Nissa e São Gregório Nazianzeno. Três Bispos que, tal como o diácono de Edessa, dedicaram a vida para defender dos erros das heresias o rebanho posto sob sua guarda.

Ecos da fama de santidade de um deles, São Basílio, chegaram a Efrém, o qual empreendeu uma longa viagem a Cesaréia da Capadócia para conhecê-lo pessoalmente. E o santo Bispo, por sua vez, ficou tomado de entusiasmo ao ver a fulgurante santidade de seu visitante. Deste encontro surgiu uma estreita amizade que uniu para sempre os dois varões de Deus.

Santo Efrém tirou muito proveito espiritual desta permanência junto a São Basílio e retornou a Edessa com muita gratidão para com a Divina Providência, por ter-lhe concedido tamanha graça. Por várias vezes quis Basílio conferir ao diácono a ordenação sacerdotal, inclusive elevá-lo à dignidade episcopal, mas sem êxito algum, pois este se considerava indigno de tão alto ministério.


Um esplendor que se irradiou pelo mundo

Por volta do ano 378, enviou Deus a Efrém uma derradeira prova, destinada a coroar de modo magnífico sua existência de incansável luta em favor da Santa Igreja. Edessa foi assolada por uma terrível peste, que levou à eternidade muitos de seus habitantes e deixou numerosos outros prostrados no leito de dor. Tais circunstâncias abriram para o santo diácono um novo campo de batalha, no qual se consagraria de maneira generosa a Cristo: a assistência aos enfermos.

Ele, que até então muito fizera pelas almas, passou a ocupar-se também dos corpos. Entregou-se com admirável empenho à rude labuta de socorrer aqueles infelizes. Atendia-os nas necessidades, animava-os nos sofrimentos, confortava-os nas angústias. Infatigável em tão caritativo labor, sentiu em si, certa manhã, os sintomas da peste. Era, em seu interior, a voz de Nosso Senhor Jesus Cristo chamando-o para receber no Céu o "prêmio demasiadamente grande" (Gn 15, 1).

Transidos de dor, seus discípulos o assistiram durante a enfermidade. Já nos umbrais da morte, o santo mestre dá-lhes ainda uma última lição. Pede ele que, em vez de honras funerárias, seja-lhe oferecido algo muito mais valioso: as santas orações, o suave aroma do incenso espiritual que se eleva a Deus em favor de sua alma, o maior bem que se pode fazer a quem se apresenta ante o juízo divino.

Assim coroou Efrém uma vida marcada pela entrega completa em favor da verdadeira doutrina, da salvação das almas, enfim, da glorificação da Santa Igreja Católica. Ele foi, nas palavras de São João Crisóstomo, "o açoite do preguiçoso, consolo dos aflitos, formador e estímulo da juventude, modelo dos monges, guia dos penitentes, espada e tormento para os hereges, escrínio de virtudes, templo e lugar de repouso do Espírito Santo".

Por isso, o esplendor de sua santidade irradiou-se em breve por todo o mundo. De fato, afirma São Gregório de Nissa, "ele é conhecido em quase todos os lugares onde brilha o Sol".




Hino de Santo Efrém à Virgem Maria

Convida-me a Virgem a cantar o mistério que contemplo com admiração. Dai-me, ó Filho de Deus, vosso admirável dom, pelo qual eu afine minha lira e consiga pintar a imagem toda bela da vossa bem-amada Mãe.

Permanecendo virgem, a Virgem Maria dá ao mundo seu Filho, amamenta Aquele que alimenta as nações, carrega em seu casto seio o sustentador do universo. Ela é Virgem e Mãe, que Lhe falta ser?

Santa de corpo e toda formosa de alma, pura de espírito, reta de inteligência, perfeita de sentimentos, casta, fiel, pura de coração, comprovada, Ela é cheia de todas as virtudes.

Rejubile-se em Maria toda a estirpe das virgens, pois uma dentre elas deu à luz Aquele que sustenta toda a criação, Aquele que libertou da servidão o gênero humano.

Em Maria encha-se de júbilo o velho Adão, ferido pela serpente. Dá-lhe Maria uma descendência que lhe permite esmagar a serpente maldita e o cura de sua mortal ferida.

Regozijem-se os sacerdotes na Virgem bendita. Ela deu ao mundo o Sacerdote eterno, que é ao mesmo tempo Vítima. Ele pôs fim ao antigo sacrifício, oferecendo-Se como a Vítima que aplaca o Pai.

Alegrem-se em Maria todos os profetas. N'Ela se cumpriram suas visões, realizaram-se suas profecias, confirmaram-se seus oráculos.

Exultem em Maria todos os patriarcas. Assim como recebeu a bênção que lhes fora prometida, da mesma maneira Ela os tornou perfeitos em seu Filho. Por Ele, com efeito, os profetas, os justos e os sacerdotes foram purificados.

Em lugar do amargo fruto colhido por Eva da árvore fatal, deu Maria aos homens um fruto cheio de doçura. E eis que o mundo inteiro se deleita com o fruto de Maria.

A Árvore da Vida, oculta no meio do Paraíso, cresceu em Maria e estendeu sua sombra sobre o universo, difundiu seus frutos tanto sobre os povos mais longínquos quanto sobre os mais próximos.

Maria teceu uma vestimenta de glória e a deu a nosso primeiro pai. Entre as árvores escondera ele sua nudez, e ei-lo agora ornado de pudor, de virtude e de beleza. Aquele cuja esposa havia derrubado, sua Filha o eleva; por Ela sustentado, ele se ergue como um herói.

Eva e a serpente armaram uma cilada e Adão nela caíra; Maria e seu régio Filho Se inclinaram e o tiraram do abismo.

A virginal videira produziu um cacho cujo saboroso vinho restitui aos aflitos a alegria. Em sua angústia, Eva e Adão provaram o vinho da vida e nele encontraram completo reconforto.

Fontes:
Revista Arautos do Evangelho, Junho/2015, n. 162, p. 16 à 18.

AMMAN, Emilie. Le dogme Catholique dans les Péres de l'Eglise; 2.ed. Paris: Gabriel Beauchesne, 1922, p.221-223.