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domingo, 28 de junho de 2015

Beatos Severiano Baranyk e Joaquim Senkivskyj, Presbíteros Ucranianos e Mártires (1941).




Martirológio Romano: na cidade de Drohobych, na Ucrânia, os Beatos Severiano Baranyk e Joaquim Senkivskyj, sacerdotes da Ordem de São Josafá e mártires, que, em tempos de perseguição contra a fé, com seu martírio, foram partícipes da vitória de Cristo. Em 1941.

Padre Severiano nasceu na Ucrânia. Em 1905, ingressou no noviciado e em 1907 fez a primeira profissão na Ordem Basiliana de São Josafá. Foi ordenado sacerdote em 1915. Sua atividade pastoral se desenvolveu em Zhovka, e foi eleito superior do mosteiro de Drohobych. Em 1939, chegaram as tropas soviéticas, porém, Severino permaneceu junto à sua grei.
Os agentes do serviço secreto soviético o prenderam em 1941 e o enviaram ao cárcere da cidade de Drohobych, na Galícia ucraniana. Quando chegaram as tropas alemãs, descobriram que os presos haviam sido assassinados. Seu corpo nunca apareceu, pois, segundo os testemunhos recolhidos no processo da causa, foi cozinhado vivo e, depois, foi servido aos prisioneiros.

Padre Joaquim nasceu em Hay Velyki (região de Ternopol). Foi ordenado sacerdote em 1921. Em 1923 ingressou no noviciado da Ordem Basiliana de São Josafá. Exerceu o ministério pastoral em Krasnopuscha (1925 – 1927) e a docência em Lavriv (1927 – 1931).
Em 1932 se transladou para o mosteiro de Lviv e, em 1939, ao de Drohobych. Foi preso junto com o Padre Severiano Baranyk em 1941 e encarcerado também com ele na prisão da cidade. Acharam seu mutilado e desfigurado por causa das torturas que o levaram à morte.

Foram beatificados por São João Paulo II em 27 de junho de 2001, juntamente com outras 23 vítimas ucranianas do regime comunista soviético.  

sábado, 27 de junho de 2015

Beatas Madalena Fontaine, Francisca Lanel, Teresa Fantou e Juana Gérard, Virgens Filhas da Caridade e Mártires (Mártires de Arrás, na Revolução Francesa).

     

   Estas quatro mártires eram Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo, no convento de Arrás. Foram: Beata Madalena Fontaine, de 71 anos; Beata Francisca Lanel, de 42 anos; Beata Teresa Fantou, de 47; Beata Juana Gerard, de 42.
     Filha de uma boa família temente a Deus, Maria Madalena Fontaine nasceu em Etrépagny, França, a 22 de abril de 1723. Chamada por Deus a vida religiosa na família de São Vicente de Paulo, no dia 9 de julho de 1748, iniciou na Casa-Mãe das Filhas da Caridade, em Paris, os exercícios do Seminário.
     Logo manifestou um desejo de perfeição, uma retidão de espírito e uma firmeza de vontade e não tardaram em designá-la para Superiora da “Casa da Caridade” em Arrás, fundada no tempo de São Vicente de Paulo e de Santa Luísa de Marillac.
     Havendo triunfado a lúgubre Revolução Francesa em 1789, logo começaram as medidas de perseguição contra a Igreja e as congregações religiosas que atingiram a Casa da Caridade de Arras, mas não fizeram a Irmã Fontaine perder a serenidade e a prudência.
     Depois de por em lugar seguro as irmãzinhas mais novas, ficou com as que julgou mais firmes para afrontar a tempestade. Só pensando em fazer bem até o fim, mantinha-se indiferente a todas as paixões políticas, mas indefectivelmente fiel a Igreja e a Religião.
     Em fins de 1793, a Convenção estendeu às religiosas da França a obrigação do juramento liberdade-igualdade, reprovado pela Igreja. O Bispo de Arrás não julgou lícito que elas o prestassem e a Madre Fontaine, com as suas companheiras Irmãs Lanel, Fantou e Gerard, recusou prestá-lo.
     No dia 01 de novembro do mesmo ano, José Lebon, padre apóstata, chegou a Arrás a fim de ser "representante do povo". Lá iniciou a era do Terror. As Irmãs confessaram não ter prestado, nem estar dispostas a prestar, o tal juramento. Tiveram que suportar inventários de tudo o que se encontrava no hospital. A "Casa da Caridade" passou a se chamar "Casa da Humanidade". As Irmãs continuaram a atender os hospitalizados apesar de terem perdido a independência, pois não havia quem as substituísse.
     No inicio de 1794, André Mury passou a dirigir a 'casa da humanidade'. As Irmãs foram expulsas e, acusadas de antirrevolucionárias, foram enviadas para o tribunal revolucionário do departamento. Presas e sujeitas a miúdos e capciosos interrogatórios, respondeu por todas a Superiora com calma, firmeza e prudência.
     Transferidas para Cambrai, foram julgadas e condenadas à morte pelo sinistro José Lebon: Madre Fontaine foi condenada como "piedosa contrarrevolucionária" que mantinha escondido brochuras e jornais monarquista e recusado o juramento; as outras Irmãs foram condenadas como "cúmplices da dita Madalena Fontaine".
     Quando preparavam as condenadas para a morte, os algozes tiveram uma surpresa: as quatro tinham-se mostrado sempre dóceis e resignadas, mas quando lhes quiseram tirar os terços para lhes prenderem as mãos atrás das costas, elas não deixaram. O verdugo propôs-lhes então, a fim de troçar delas, por-lhes os terços como coroas nas cabeças. Assim foram para o suplício.
     Até o fim Madre Fontaine, bem como suas companheiras, manteve uma atitude digna e heroica. Não passaram tristes a caminho do local da execução, pelo contrário, rezavam e cantavam o Ave Maris Stella. Ao chegaram junto ao cadafalso, se ajoelharam e desta forma esperaram sua vez de morrer. As três Irmãs foram as primeiras.
     A última a ser executada foi a Superiora. Madre Fontaine antes de se apresentar ao algoz voltou-se para o povo e gritou forte: "Cristãos, ouvi-me. Somos as últimas vítimas. Amanhã a perseguição cessará, o cadafalso será destruído e os altares de Jesus levantar-se-ão gloriosos". Foram executadas no dia 26 de junho de 1794.
     Os fatos confirmaram a profecia de Madre Fontaine: Lebon, o padre apóstata, violentamente atacado na Convenção, teve de suspender as execuções; ele foi por sua vez guilhotinado em outubro de 1795.

     As gloriosas mártires foram beatificadas a 13 de junho de 1920 por Bento XV.

SANTO ALBERTO HURTADO CRUCHAGA, Presbítero Jesuíta e Fundador.




São Luís Alberto Hurtado Cruchaga, S.J. (Viña del Mar, 22 de janeiro de 1901 — Santiago do Chile, 18 de agosto de 1952), conhecido como Padre Hurtado, foi um sacerdote jesuíta chileno, fundador do Lar de Cristo.
Pode-se perceber na história de Alberto Hurtado Cruchaga a firme tentativa de imitar Jesus Cristo nas coisas simples do seu cotidiano, muito movimentado, ressalte-se. Sua vida, delineada pela fortaleza do Espírito, foi marcada por imensa vontade de servir a Deus.

Em sua vida na Terra, na primeira metade do século XX, marcou profundamente a Igreja e a sociedade chilena. Sua grande capacidade de realização transformou seu trabalho apostólico e social num testemunho de santidade. Segundo Dom Lima Vaz, ele é, “um modelo atual para o religioso, sobretudo os que vivem e trabalham na América Latina”.

Nasceu em 22 de janeiro de 1901, no seio de uma família cristã, na bela cidade Viña del Mar, no litoral do Chile. Filho de Alberto Hurtado e Ana Cruchaga, viveu seus primeiros anos da infância em uma fazenda próxima à localidade de Casablanca. Com o falecimento do seu pai quando tinha apenas quatro anos, sua família foi acolhida por familiares e mudou-se para Santiago. Para educar Alberto e seu irmão Miguel, iniciando essa nova etapa, sua mãe vendeu a fazenda, o que possibilitou o seu ingresso em 1909 no Colégio Santo Inácio.

Ainda adolescente, consagrou-se em tal colégio jesuíta à Virgem Maria como congregado mariano, destacando-se por seu companheirismo, entusiasmo e alegria. Nessa fase, começou a perceber a sua vocação, já demonstrando o que seria sua maior característica: “a vontade de ajudar aos outros estando a serviço de Cristo”.

Devido a difícil situação econômica de sua família, seu sonho de ser sacerdote foi adiado, não podendo entrar na Companhia de Jesus. Ao finalizar, então, o colégio, foi estudar Direito na Pontifícia Universidade Católica do Chile, trabalhando durante a tarde para ajudar a sua família. Nas poucas horas livres, que tinha, dedicava-se à Paróquia da Virgem de Andacollo.

Durante a Faculdade de Direito, liderou a Congregação Mariana dos Universitários e, desde os seus dezessete anos, comprometeu-se, com seus companheiros de universidade, em trabalho especial com marginalizados. Durante sua fase universitária, envolveu-se na campanha presidencial de 1920, sendo ferido num tumulto entre partidários de dois partidos envolvidos.

Aos 22 anos, ao concluir os seus estudos jurídicos, percebeu que sua vocação sacerdotal persistia, não tendo perdido a esperança de entrar na Companhia de Jesus. Em 1923, finalmente, entrou no noviciado. Sua formação religiosa o levou para Argentina, Espanha e Bélgica, onde foi ordenado sacerdote em 1933. Em 1936, voltou para o Chile.

Na ocasião de sua ordenação, seu ideal foi assim registrado: “Senhor, quero ser Jesuíta e preparar-me para ser santo, gravando tua imagem em minha alma e espelhando-a em minha vida”.

No Chile, como professor no Colégio Santo Inácio, orientou muitos meninos e jovens, que nele encontravam também verdadeiro companheirismo. Essa experiência o conduziu à assessoria da Ação Católica Juvenil, percorrendo todo o país inflamando os corações juvenis com a chama do amor.

Durante os 16 anos de sacerdócio, além de dirigir a Congregação Mariana e a Ação Católica, trabalhou intensamente com a juventude chilena em sua formação e na promoção da vida religiosa e apostólica. A partir de sua ação, foram criados, em todo Chile, mais de 400 núcleos da Ação Católica voltados aos jovens.

Com essa força em seu coração, transformou tais núcleos em centros de atividade social em favor dos pobres, dos mendigos, dos operários e das crianças abandonadas, que, nessa época, viviam em quantidade pelas ruas das grandes cidades chilenas, que, inchadas, presenciavam a rápida industrialização e a consequente migração rural.

A grande lição de Santo Alberto foi, vislumbrando esse momento histórico, efetivar planos de ajuda para os necessitados de moradia e comida. “Em cada lugar o jesuíta via a face de Cristo nos pobres”. Em 1944, então, fundou o Hogar de Cristo (Lar de Cristo).

El Hogar de Cristo ("O Lar de Cristo"). Tratava-se de uma forma de atividade caritativa que previa não só dar uma acomodação aos desabrigados, mas oferecer-lhes também um ambiente semelhante ao da família, onde experimentar a bondade e o carinho.

Considerado sua grande obra social, o Lar de Cristo firmou-se, inicialmente, como centro de acolhimento aos pobres, transformando-se, contudo, numa grande rede social de serviço e de acolhimento para meninos de rua, jovens drogados e anciãos desamparados. Atualmente, com 22 núcleos, o Lar de Cristo também efetiva projetos de casas populares em forma de cooperativas e promove cidadania junto aos Sindicatos Operários.

Além desses trabalhos, criou a revista Mensaje. Sempre preocupado em conscientizar os jovens e as pessoas de influência na vida social, escreveu diversos livros de formação, iniciando, também, a publicação de tal revista, que, ainda hoje, tem projeção na vida cultural do Chile. Em 1947, fundou a Associação Sindical Chilena (ASICH), buscando uma associação sindical inspirada na Doutrina Social da Igreja.



Apesar de todo envolvimento com as obras sociais, nunca deixou de dar direcionamento espiritual, atendendo de sorriso aberto, seus "patrõezinhos". Essa atenção fez com que muitos dos seus jovens colaboradores de Alberto tenham se tornado sacerdotes e, ainda hoje, continuem a obra do santo chileno.

O bispo jesuíta Dom Lima Vaz ressalta, em sua obra “Santos: vida e fé”, que “O objetivo maior do Padre Hurtado era a mudança das mentalidades”. Em 18 de agosto de 1994, discursando no Dia Nacional da Solidariedade, instituído para comemorar o aniversário da morte do Padre Hurtado, o presidente do Chile, Eduardo Frei, destacou em seu discurso, no luminoso exemplo de vida deste herói e deste santo, a missão de mudar o coração das pessoas, levando-as à solidariedade para com os outros no cotidiano da vida, num heroísmo que consiste em romper a névoa de nossas pequenas preocupações, abrindo-nos os olhos para o que acontece a nossa volta.

A Igreja, hoje, reconhece em Santo Alberto, sempre avesso a palavras vazias e reuniões prolongadas, o modelo para os nossos tempos de sacerdote e religioso, principalmente para a América Latina. Na oração, buscava forças para continuar seus projetos. São suas essas palavras: “Será que não se consegue dar três quartos de hora diários a Deus? É porque não o vemos como mais importante que o alimento ou o descanso. A oração o levava a uma íntima união com Deus: É fácil ver Jesus agindo em nós desde o céu ou do sacrário, mas não o vemos residindo e agindo em nosso interior por seu Espírito. Percebendo-o no íntimo da alma os sentidos espirituais se afinam a ponto de sentirem os sussurros mais leves da presença em nós.”

Fiel à Igreja e ao Papa, o magistério pontifício foi a fonte inspiradora de seu trabalho social, que não assumiu conotação política. É considerado um contemplativo na ação. 




Diagnosticado com câncer no pâncreas, da cama do Hospital Clínico da Universidade Católica, mesmo com fortes dores, continuou, com alegria, trabalhando por Cristo. Aos 51 anos, sem nunca perder a esperança, faleceu em Santiago do Chile no dia 18 de agosto de 1952. “Estou contente de ir para o céu!”

Alberto foi beatificado em 16 de outubro de 1994 por João Paulo II e, em 23 de outubro de 2005, o Papa Bento XVI canonizou solenemente este sacerdote jesuíta chileno, um exemplo de santidade da América Latina do século XX.


Referências:
VAZ S.J., José Carlos de Lima. Santos: vida e fé. Vozes: Petrópolis, 2008.



A ele são atribuídos dois milagres: a recuperação de María Alicia Cabezas Urrutia, vítima de morte cerebral parcial, devido a três hemorragias cerebrais e infarto cerebral, e a recuperação de Vivianne Galleguillos Fuentes, também com problemas cerebrais devido a um acidente automobilístico.


O primeiro milagre de Padre Hurtado

María Alicia Cabezas Urrutia é a dona do primeiro milagre acreditado pelo Vaticano ao Padre Alberto Hurtado. A mulher superou três ataques hemorrágicos que teriam causado a morte a qualquer pessoa.

A situação se produziu em julho de 1990. Aí, a pessoa que agora trabalha no santuário do Lar de Cristo, sofreu o primeiro de seus enfartes cerebrais, estado no qual a metade dos pacientes morre se não for operado rapidamente. No caso dela, isto não ocorreu.

Mas as dificuldades não terminaram aí. Uma semana depois do fato, María Alicia foi vítima de outro ataque hemorrágico depois do qual os doutores a cargo, pertencentes ao Instituto Neurocirúrgico, prognosticaram uma morte quase certa. Mas começou a gerar o milagre.

"Meu organismo não respondia a nada, até que me encomendaram ao Padre Hurtado e no dia seguinte comecei a me recuperar. Inclusive desapareceu a febre, meus órgãos vitais começaram a funcionar e me transferiram para o quarto", declarou a mulher.

Entretanto, a 48 horas do segundo enfarte cerebral sofreu um terceiro drama vascular, depois do qual lhe diagnosticou que havia uma falta de irrigação no cérebro. Por isso deveria ter falecido quinze minutos depois de entrar em tal quadro clínico.

Mas conseguiu superar o complicado episódio. "Em um primeiro momento duvidava. Posteriormente, quando fui informando mais do que tinha ocorrido realmente comigo, a dúvida desapareceu e já me convenci", mencionou Maria Alicia.

O caso foi analisado em 1993 pela Sagrada Congregação Para a Causa dos Santos, a qual ratificou que se tratava de um milagre intercedido pelo Padre Alberto Hurtado.

O segundo milagre do Pe. Hurtado
No dia 2 de abril de 2005, os membros da Congregação para a Causa dos Santos aprovaram o segundo milagre atribuído ao Padre Hurtado.

O segundo milagre atribuído ao Padre Hurtado e que foi reconhecido pela Santa Sé se refere à situação que viveu a jovem Vivian Marcela Galleguillos Fuentes, que em 1996, quando tinha 16 anos, saiu gravemente ferida de um acidente automobilístico na Quinta Região.
A jovem sofreu um dano neurológico qualificado de irrecuperável pelos médicos, que a desenganaram depois de uma intervenção cirúrgica.

Mas, após ter sido pedida a intercessão do Padre Hurtado, recuperou-se rápida e perfeitamente, sem sequelas. 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

SANTA EFIGÊNIA, Virgem e Princesa da Etiópia. Primeira cristã etíope e evangelizadora de seu povo.





Estátua de Santa Efigênia
em estilo barroco. 
Santa Efigênia ou Santa Ifigênia como também é conhecida, é a responsável pela difusão do Cristianismo na Etiópia, nordeste da África, um dos países mais antigos do mundo. Ela é festejada no dia 21 de setembro, juntamente com São Mateus evangelista, responsável pela sua conversão ao cristianismo.
Santa Ifigênia e Efrônio, seu irmão, eram filhos de Eggipus e Eufenisa, reis de Noba, ou Núbia, um pequeno reino da Etiópia, que vivia mergulhado no paganismo. O nome Ifigênia, do grego, significa “nascida forte”.


Conversão de Santa Efigênia
Oito anos depois da Ascensão de Jesus, o Apóstolo São Mateus e mais dois discípulos, chegaram para evangelizar a capital da Núbia. Mateus dirigiu-se, primeiramente a Noba, capital e cidade natal de Efigênia. Suas palavras, porém, foram mal recebidas e ele foi tido como louco pelos habitantes. Somente a princesa Efigênia aceitou a ideia de um único Deus e passou a rejeitar o paganismo.
Efigênia aceitou Jesus cristo em sua vida e sentiu o amor de Deus em seu coração. Porém, dois sacerdotes pagãos ditavam as regras no local. Eles eram muito influentes. Sabendo das pregações de São Mateus e da crença da Princesa Efigênia, começaram a mentir por toda parte, afirmando que Mateus insultava seus deuses e convenceram o Rei de que os deuses só se aplacariam se oferecessem Efigênia em sacrifício. Ela deveria ser oferecida por meio de um “incêndio sagrado”. E eles foram tão ardilosos que convenceram o rei.

Libertada da fogueira
Efigênia esperou o momento do sacrifício e ofereceu-se a Deus Criador Único e Verdadeiro. Encorajada por São Mateus, com fé na vitória sobre o mal, ela se pôs a esperar a hora decisiva. Os sacerdotes prepararam e acenderam a fogueira no formato de um trono. Quando as chamas subiram, Efigênia ergueu a voz, invocando, o nome poderoso de Jesus. Então, um anjo veio do céu, arrancou Efigênia das mãos inimigas e tornou-a invisível, aparecendo em outro lugar. Após esse milagre de libertação, Efigênia multiplicou seus esforços e o zelo pela conversão do palácio e de toda a Núbia.
O povo passou a crer no Apóstolo Mateus após este evento e depois de o virem ressuscitar o filho do Rei, para o qual os sacerdotes nada puderam fazer. O Rei, a rainha, o palácio e grande parte do povo se converteram. Após estes acontecimentos, Efigênia e toda a corte foram batizados. Santa Efigênia exercitava-se na virtude e era admirável no zelo pela pregação da palavra de Deus.

Ordem dos céus a Santa Efigênia
Em seu zelo pela pregação do Evangelho, Efigênia teve a seguinte revelação: "Efigênia, se pretendes saber o modo conveniente de me servires, conforme a minha Divina Vontade, faz-te generalíssima de um exército de Virgens pobres, obedientes e castas que, renunciando, voluntariamente, ao século, consigam o inestimável brasão de serem esposas minhas, sem detrimento de sua inviolável pureza". Efigênia obedeceu prontamente. Falou com seus pais e construiu um edifício para aquele Exército de Virgens. Muitas virgens de Núbia acreditaram em Efigênia e seguiram-na.


Provação
Estátua existente na igreja de Santa Efigênia
em São Paulo. 
As grandes provações de Santa Efigênia começaram logo após a morte de seus pais, que ela tanto amava. Havia na corte um Príncipe egoísta e ardiloso, chamado Hirtaco. Ele era tio de Efigênia, irmão de seu pai. Este se levantou contra Efigênia, e roubou o poder herdado por Eufrônio, irmão de Efigênia. Santa Efigênia ficou do lado do irmão. Quando Hirtaco assumiu o poder, disse que daria a metade do reino a São Mateus, caso ele convencesse Efigênia a se casar com ele. Mateus rejeitou veementemente a proposta de Hirtaco. Hirtaco, furioso, ordenou que São Mateus fosse morto, fazendo dele um mártir da fé cristã.
Em seguida, Hirtaco mandou destruir a casa onde Santa Ifigênia vivia com as irmãs. Os soldados incendiaram a casa. Santa Efigênia e as irmãs pediram ajuda a Deus. Então, o fogo se apagou das paredes do convento e se acendeu no Palácio de Hirtaco. Foi um fogo tão forte que o palácio rapidamente virou cinzas, sobrando somente ruínas. Hirtaco fugiu e o povo proclamou Eufrônio, irmão de Santa Ifigênia, como rei. Este governou durante setenta anos em paz, foi sucedido por seu filho, que mandou construir várias igrejas na Etiópia. Por isso, Santa Efigênia é proclamada a “Libertadora da Núbia”.

Devoção à Santa Efigênia
Ao chegar o momento de sua morte, Santa Efigênia teve um aviso de Deus e isto, para ela, foi motivo de grande alegria. Então, ela doou tudo o que ainda tinha de seu. Logo, uma doença tomou seu corpo. Ela recebeu os sacramentos e esperou sua morte em paz. Esta chegou e a levou para o céu, junto a Jesus Cristo que ela amava e a São Mateus, que a tinha evangelizado. No momento de sua morte, um perfume maravilhoso e suave espalhou-se pelo convento e pairou sobre todos um clima de paz e de louvor a Deus.

Devoção popular

Santa Efigênia é invocada como protetora contra incêndios, como padroeira dos militares e como auxiliadora de quem precisa da casa própria.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

São Luís Gonzaga, Religioso Jesuíta, Patrono da Juventude e Santo da Pureza.



Altíssimo foi o grau de santidade por ele alcançado pela via da inocência. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos.

- Então, o que faremos, Irmão Luís? - perguntou o Padre Provincial, ao entrar no quarto do enfermo.

- Estamos a caminho, Padre.
- Para onde?
- Para o Céu... Se não impedirem meus pecados, espero, pela misericórdia de Deus, ir para lá.

Esta era a disposição de alma do jovem noviço da Companhia de Jesus, que interrompera seus estudos de Teologia por força de uma grave doença e há três meses jazia prostrado no leito. Oito dias antes, predissera que estes seriam para ele os últimos.


"Morrerei esta noite"

Já pela manhã, pediu o Viático, o qual só lhe foi trazido à tarde, por julgarem-no ainda com saúde. Passou o dia em atos de fé, petição e adoração. Os padres jesuítas não se consolavam por perder o santo irmão, e tentavam persuadi-lo de que sua hora ainda não chegara. Ele, inflexível, respondia:

- Morrerei esta noite. Morrerei esta noite.

Padres e noviços de todas as casas, tendo sabido da predição de sua morte, acorreram para despedir-se dele, encomendar-se às suas orações e pedir seus últimos conselhos. A doença minara-lhe a saúde do corpo, mas a alma a cada momento crescia em santidade. Assim, atendia a todos com afeto, prometendo lembrar-se deles no Céu.

Tendo anoitecido e vendo o Padre Reitor que Luís ainda falava com facilidade, concluiu que não morreria nessa noite e deu ordem aos irmãos para se recolherem a dormir. Ficaram no quarto apenas dois sacerdotes para auxiliar o enfermo, além do seu confessor, São Roberto Belarmino.

Luís não escondia sua profunda alegria. Ir para o Céu, unir-se definitivamente com Deus: era o que mais almejara durante sua curta vida!

Passado algum tempo, disse ao confessor:

- Padre, podeis fazer a encomendação.

O sacerdote logo a fez, com muita compenetração e devoção. Recolhido, calmo e confiante, Luís aguardava o momento supremo, o qual não tardou: por volta das vinte horas, com os olhos fixos no crucifixo que segurava em suas mãos, entrou serenamente nas terríveis dores da agonia. Nenhum gemido lhe saiu dos lábios, seu olhar não se desviou um instante sequer d'Aquele que tanto sofrera por nós na Cruz. Pronunciando o Santíssimo Nome de Jesus, entregou sua alma a Deus na mais inteira paz.

O perfeito pensa constantemente em Deus

Luís Gonzaga era dessas almas diletas, sobre as quais Deus derrama graças e dons em superabundância para mantê-las na inocência. Altíssimo foi o grau de santidade alcançado por ele nessa via. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos.

Eis como o famoso dominicano Padre Garrigou-Lagrange descreve uma alma nesse estado de perfeição:

"Depois da purificação passiva do espírito, os perfeitos conhecem a Deus de uma maneira quase experimental, não mais passageira, porém quase contínua. Não somente durante as horas da Missa, do Ofício Divino ou demais orações, mas também no meio das ocupações exteriores, sua alma permanece voltada para Deus. Por assim dizer, eles não perdem sua presença e guardam a união atual com Ele.
Compreenderemos com facilidade a questão se a analisarmos em contraposição ao estado de alma do egoísta. Este pensa sempre em si mesmo e, naturalmente, refere tudo a si; entretém-se sem cessar consigo mesmo sobre suas veleidades, suas tristezas, ou suas superficiais alegrias; sua conversa íntima, por assim dizer, é incessante, mas vã, estéril e esterilizante para todos. O perfeito, ao contrário, em lugar de pensar em si, pensa constantemente em Deus, em Sua glória, na salvação das almas e, para isso, faz tudo convergir para este objetivo, como por instinto. Sua conversa íntima não é consigo mesmo, mas com Deus".1

Vejamos alguns episódios da existência terrena, breve, mas repleta de santidade, de São Luís Gonzaga, que refletem bem sua inocente alma.


Retidão desde a infância

Nasceu em 09 de março de 1568, no castelo de Castiglione, Itália. Foi o primeiro filho de Dom Fernando Gonzaga, Marquês de Castiglione e Príncipe do Sacro Império, e de Dona Marta Tana, dama da Rainha Isabel de Valois.

Muito agradava à marquesa ver quão bem seu filho assimilava, desde pequeno, suas maternais instruções de piedade. Seu pai, porém, se inquietava, pois temia que a devoção o desviasse da carreira das armas, à qual se destinavam os primogênitos.

Quando Luís tinha cinco anos de idade, o marquês recebeu ordem de partir para Túnis à frente de três mil homens da infantaria italiana e, devendo passar em revista as tropas na cidade de Casalmaior, levou-o consigo, para acostumá-lo ao sabor das armas. Passou o menino lá alguns meses e, na convivência com a soldadesca, aprendeu algumas palavras indecorosas, as quais passou a repetir, sem saber seu significado.

De volta a Castiglione, foi repreendido por seu preceptor, e não apenas nunca mais proferiu tais palavras, mas manifestava grande enfado quando ouvia alguém pronunciá-las. Muito se envergonhou por essa falta e, quando já religioso, costumava contá-la para "provar" como fora mau desde criança.



Devoção a Maria e virtudes exemplares

Quando Luís fez nove anos de idade, Dom Fernando o levou, juntamente com seu irmão Rodolfo, para a corte do Grão-duque da Toscana. A Providência Divina utilizou esses dois anos em que ele viveu em Florença para fazê-lo progredir nos caminhos da santidade. A leitura de um livro sobre os mistérios do Rosário fez desabrochar em sua alma a devoção a Maria Santíssima.

Contribuiu também para tal a fervorosa devoção a Nossa Senhora da Anunciata, venerada nessa cidade. Tanto se lhe inflamou o coração pela Virgem que quis oferecer a Ela seu voto de virgindade.

As diversas virtudes já eram robustas em sua alma. Adquirira uma completa guarda dos sentidos, uma obediência total aos superiores, além de um profundo recolhimento de alma e elevação de espírito.

Deus rapidamente construía a bela catedral da alma de Luís, o qual, com a simplicidade de uma criança, deixava-se conduzir pelo Pai celestial. Tendo passado para a corte de Mântua, não só conservou os hábitos de oração, mas sublimou-os pelas práticas de mortificação. Obrigado pelos médicos a seguir uma dieta alimentar, para curar-se de uma enfermidade, tomou tal gosto pela penitência que, ultrapassando as receitas indicadas, entregou-se aos mais rigorosos jejuns. Considerava ter feito uma lauta refeição quando comia um ovo inteiro!


Intensa vida sobrenatural

De volta ao solar paterno, foi cumulado de graças místicas extraordinárias. Quando se punha a considerar os atributos divinos, experimentava uma tão grande consolação que derramava lágrimas suficientes para empapar vários lenços. Algumas vezes ficava tão arrebatado que perdia completamente os sentidos exteriores. Sua mente estava toda posta no sobrenatural, e sobre as coisas de Deus versavam todas as suas palavras.

Em 1580, chegou a Castiglione o Cardeal Carlos Borromeu, Visitador Apostólico do Papa Gregório XIII. Muito se admirou o Cardeal por ver como aquele pequeno "anjo" discorria sobre os temas da Religião. No final de duas horas de conversa com ele, decidiu o Cardeal dar-lhe por primeira vez a Sagrada Eucaristia.

Aos treze anos de idade sentiu o chamado religioso. Por ser ainda muito jovem, nada comunicou a seus pais, mas redobrou suas austeridades. Aboliu o uso da lareira em seu quarto; levantava-se de madrugada e, de joelhos, rezava durante longo tempo, mesmo durante os rigores do inverno lombardo.

Cada vez mais inquieto à vista dos progressos do filho na trilha da piedade, o Marquês de Castiglione decidiu, para distraí-lo, dirigir-se com toda a família para Madri e colocá-lo como pajem do filho do rei Felipe II. Luís, entretanto, com a alma ancorada em Deus, permaneceu firme e resoluto em seus propósitos, no meio dos prazeres e honras da corte.



Conquista da permissão paterna

"Para qual ordem religiosa sou chamado?" - perguntava-se o jovem pajem. Optou pela Companhia de Jesus. Além da nobre função do ensino à qual esta se dedicava, motivou essa escolha o fato de os jesuítas serem proibidos, pela regra, de ascender a qualquer cargo, salvo se por ordem direta do Papa. Assim, renunciaria para sempre não só às honras do mundo, mas também às eclesiásticas.

Gritos de cólera e ameaças de açoites foi a resposta do marquês ao pedido de seu filho para entregar-se a Deus, na Ordem fundada por Santo Inácio. Usou de sua influência para conseguir que algumas altas dignidades eclesiásticas tentassem dissuadi-lo de sua vocação, ou ao menos fazê-lo entrar por um caminho que conduzisse às possíveis honras do cardinalato. Não tiveram sucesso maior que o das ondas furiosas do mar sobre a rocha. Pediu-lhe o pai, então, que esperasse a volta à Itália para decidir. Não podia se conformar em perder aquele filho tão dotado, no qual pusera toda a esperança da principesca casa dos Gonzaga.

Começou, então, um período de dois árduos anos de luta para conquistar a permissão paterna de abandonar tudo e seguir a Cristo. Foi a mais dura - e talvez a mais gloriosa - fase de sua vida. Essa luta encerrou-se com um episódio comovedor: certo dia o marquês, olhando pelo buraco da fechadura do quarto de seu filho, viu-o ajoelhado e se flagelando. Só então se dobrou e lhe deu a tão almejada autorização.


A alegria de entrar na casa do Senhor

"Que alegria quando me vieram dizer: vamos subir à casa do Senhor!" (Sl 121, 1). Chancelada pelo imperador a renúncia pública a seus direitos de filho primogênito, entrou Luís no noviciado da Companhia de Jesus, em Roma. Em todos os lugares por onde passou, o nobre religioso deixou atrás de si o suave aroma de suas virtudes. Despojou-se de tudo quanto podia lembrar sua antiga condição, buscando para si as humilhações e o último lugar. Chegava a enrubescer de vergonha ao ouvir elogios à nobreza de sua família.

Os noviços disputavam lugar a seu lado nas horas de recreação, pelo prazer de participar de suas elevadas conversas. E consideravam seus objetos pessoais como verdadeiras relíquias. No estudo de Filosofia e Teologia, mostrou-se tão sábio que defendeu, com aplausos, uma tese diante de três Cardeais e outras autoridades. Vendo seus superiores o valor da joia que tinham em mãos e, ao mesmo tempo, a fragilidade de sua saúde, multiplicaram os desvelos por ele. Recorreram em vão a uma mudança de ares, na esperança de que lhe faria bem. À vista do insucesso dessa terapêutica, o Padre Reitor deu-lhe ordem de, por um determinado período, não se deter em pensamentos elevados, pois talvez estes o estivessem prejudicando...

Permitiu a Providência esse equívoco para fazer brilhar mais ainda as qualidades de alma daquele "anjo". Dessa vez a obediência, por ele tão amada, custou-lhe grandes esforços: sair de seu constante estado de oração - confessou a um de seus companheiros - era um enorme tormento, pois, mal se distraía, seu pensamento voava para a consideração dos mistérios divinos.

São Luís socorrendo um empestado


Vítima da caridade

Em 1591, sua caridade para com o próximo encontrou uma ótima ocasião para expandir-se até o heroísmo: atender as pobres vítimas da peste que assolava a Cidade Eterna. Não tardou, porém, em ser ele próprio contagiado. Mas Deus, que decidira colher tão cedo este viçoso lírio, não quis levá-lo antes de ele espargir seus últimos perfumes. Três meses de uma febre ardente, aceita com total abnegação, encerraram os 23 anos de sua permanência na Terra.

Seu confessor, São Roberto Belarmino, afirmou que São Luís tinha levado uma vida perfeita e fora confirmado em graça. Mais tarde, declararia Santa Madalena de Pazzi, a propósito de uma visão que tivera da glória imensa da qual gozava no Céu este filho de Santo Inácio de Loyola: "Enquanto viveu, Luís manteve seu olhar sempre atento em direção ao Verbo, e é por isso que ele é tão grande. [...] Oh! Quanto ele amou na terra! É por isso que hoje no Céu possui Deus numa soberana plenitude de amor". Luís Gonzaga foi beatificado por Paulo V, em 1605, e canonizado a 13 de dezembro de 1726, por Bento XIII, quem o declarou padroeiro da juventude.



Modelo de santidade no amor

"No entardecer de nossa vida, seremos julgados segundo o amor". É para esse amor, em uma entrega total, que Deus nos chama desde a juventude, tal qual o fez ao moço rico do Evangelho: "Vem e segue-Me!" (Mt 19, 21). Que a juventude atual – tão carente de modelos a seguir e tão confundida acerca do amor – não tome a atitude do moço rico, entristecendo-se por ter de desapegar-se das coisas do mundo, mas reencontre o exemplo de seu patrono, São Luís Gonzaga. A isso a incentivou o saudoso Papa João Paulo II, dirigindo-se aos jovens de Mântua: "São Luís é sem dúvida um santo a ser redescoberto em sua alta estatura cristã. É um modelo indicado também à juventude de nosso tempo, um mestre de perfeição e um experimentado guia no caminho da santidade. ‘O Deus que me chama é Amor, como posso circunscrever este amor, quando para isto seria pequeno demais o mundo inteiro?'- lê-se em uma de suas anotações".


(Revista Arautos do Evangelho, Junho/2010, n. 102, p. 34 à 37)

terça-feira, 23 de junho de 2015

Beata Rafaela Maria Cimatti, Virgem (Irmãs Hospitalárias da Misericórdia).


  Esta religiosa desenvolveu com inteligência e serenidade um serviço constante e heróico em favor dos aflitos e dos doentes. “Quando não estava atenta no cuidado dos enfermos, rezava diante do Santíssimo Sacramento e suas mãos, quando não estavam a serviço do próximo, desfiavam as contas do Rosário”.


    Santina Cimatti nasceu em Faenza, no dia 6 de junho de 1861. Seu pai era agricultor e a mãe tecelã. Foi dotada pela natureza de um rosto sorridente, sereno e de belas feições, iluminado por olhos profundos.
     Como a família logo precisou do seu trabalho, pode dedicar pouco tempo aos estudos. Para ajudar na economia familiar, ajudava a mãe como tecelã, ou se ocupava nos trabalhos da casa.
     Após a morte do pai em 1882, Santina assumiu a educação dos irmãos e também era catequista na sua paróquia. Tornou-se indispensável que Santina permanecesse junto à mãe até que esta encontrasse um trabalho digno na casa de um sacerdote.
Vicente Cimatti, irmão da Beata
Rafaela, já é Venerável. 
     Quando seus dois irmãos, Luis e Vicente, entraram na Congregação Salesiana, recém fundada por Dom Bosco (eles também morreram em odor de santidade), Santina sentiu-se livre para realizar suas aspirações religiosas.
     Em novembro de 1889, ingressou no Instituto das Irmãs Hospitalárias da Misericórdia, na casa mãe de São João de Latrão, em Roma. Tomou o nome de Maria Rafaela, e em 1883 foi enviada ao Hospital de São Bento em Alatri, onde iniciou sua formação de enfermeira. Em 1905, emitiu seus votos finais.
     Em 1921, foi enviada ao Hospital Humberto I de Frosinone, onde assumiu o cargo de priora da comunidade. Retornou a Alatri e, de 1928 a 1940, sempre como priora.
     O principal campo de apostolado de Irmã Rafaela foi a farmácia. Entretanto, quando era necessário, ela estava à disposição dos doentes e da comunidade para realizar qualquer trabalho. Os trabalhos entre pílulas, xaropes e o moer no almofariz, tudo era para Irmã Rafaela um dom de Deus. No empenho simples, mas contínuo do dia a dia, ela alcançava uma dedicação exemplar de verdadeiro amor ao próximo.
     Quando a doença bateu à sua porta, recorreu ainda mais à oração como meio de superação.
     Em 1944, durante uma das etapas mais duras da II Guerra Mundial, muitos foram os feridos que chegaram ao hospital e que precisavam de atenção. Embora a Beata já estivesse com 83 anos de idade, não deixou de cuidar e de consolar os feridos, que a chamavam de “mamãe”.
     Apresentou pessoalmente, com êxito, um protesto ao General Kesserling, do Quartel General Alemão em Alatri, ao ouvir rumores de que, para defender as forças aliadas, iam bombardear a cidade. O general mudou seus planos e Alatri se salvou. “Milagre!”, gritavam em coro, “um anjo salvou a cidade”.
     Uma sua paciente conta: "Eu era jovem, mas sofria de vários distúrbios. Depois de algum tempo, fui levada de novo ao hospital para uma operação de apendicite. Estava preocupada e sentia falta de minha mãe distante... Chorava como nunca por causa dessa situação. A serva de Deus percebeu a minha profunda prostração moral e me pergunta: ‘Por que choras?’. E eu: ‘Estou mal e não tenho a mamãe...’. De um modo profundamente compreensivo me respondeu: ‘E eu não sou a mamãe? Por que estou aqui? Toda irmã hospitalária deve ser a mãe de quem sofre!’...”
     Para as coirmãs ela sabia ser a superiora atenta e gentil. Não pretendia ser servida, mas que cada uma servisse a comunidade. Uma sua coirmã recorda: "Não se dava ares por causa do ofício de superiora que exercia, mas se considerava a serva das irmãs, ajudando-as nos trabalhos. Gostava também de remendar e confeccionas as meias das coirmãs".
     Em 1943, uma doença começou a se manifestar e se revelou incurável. Faleceu em 23 de junho de 1945, deixando na memória a santidade de sua vida e suas virtudes heroicas.

     A causa para sua canonização foi introduzida em 1962. Em 1988-89 o processo atribuiu a sua intercessão a recuperação milagrosa de Loreto Arduini, de uma "encefalite viral, convulsões e fracasso respiratório". Isto levou à promulgação do decreto para sua beatificação pela Congregação para as Causas de Santos, em 1993. Foi beatificada em 12 de maio de 1996.

domingo, 21 de junho de 2015

SÃO LUDOVICO PAVONI, Presbítero e Fundador (dos Filhos de Maria Imaculada ou Pavonianos)



Educar, abrigar e instruir os jovens pobres e abandonados na Itália do século XVIII era um enorme desafio que o padre bresciano Ludovico Pavoni aceitou, ele que nasceu no dia 11 de setembro de 1784.
Naqueles anos de fome e de guerras, quando a miséria, as doenças e as armas se tornaram aliadas importantes para exterminar os pobres, Ludovico Pavoni teve uma intuição genial e profética, "educar, abrigar e instruir" os jovens pobres, abandonados ou desertores que eram, de fato, numerosos na Itália de 1800, tanto nas cidades como no campo.
Não só para evitar que se tornassem delinquentes, o que mais temia a elite pensante daquele tempo, e com certeza não só daquela época, mas para que eles tivessem a oportunidade de viver uma vida digna, do ponto de vista cristão e humano.

Pavoni e as crianças carentes e abandonadas.

Ordenado padre em 1807, Ludovico Pavoni se dedicou desde o início à educação dos jovens e criou o "seu" orfanato para abrigar os adolescentes e jovens necessitados. Já como secretário do bispo de Bréscia, conseguiu, para aqueles jovens, fundar o primeiro "Colégio de Artífices" e, depois, em 1821, a primeira escola gráfica da Itália, o Pio Instituto de São Barnabé.


Pavoni e sua tipografia-escola
Tipografia e Evangelho eram seus instrumentos preciosos: a receita natural era a mais simples possível, como dizia ele: "Basta colocar dentro da impressora jovens motivados, que os volumes de 'boa doutrina cristã' estarão garantidos". Analogia de fato simples e correta mesmo para os nossos dias. Em 1838, nasceu a escola para surdos-mudos, sendo inútil acrescentar o quanto essa também estava na vanguarda daqueles tempos. Em 1847, a Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada, abrigando religiosos e leigos juntos, hoje conhecidos como "os pavonianos".

Pela discrição pode ainda parecer fácil, mas para colocar em prática todo esse projeto, o vulcânico padre bresciano empregou tudo de si, do bom e do melhor, chocando-se com as autoridades civis e com as eclesiásticas. Sair recolhendo os jovens pobres e abandonados pelas ruas era algo que batia de frente com rígidos costumes sociais e morais da época. Por mais de uma década, Pavoni se debateu entre cartas, pedidos, súplicas e solicitações, tanto assim que foi definido "mártir da burocracia", mas, do dilúvio, saiu vencedor.
A luz de Cristo é levada aos
pobres, sofredores, abandonados
e surdos-mudos. 
Padre Ludovico Pavoni faleceu no dia 1o de abril de 1849, durante a última das dez jornadas brescianas, de uma pneumonia contraída durante uma fuga desesperada, organizada na tentativa de proteger os "seus" jovens das bombas austríacas, quando ganhou, finalmente, o merecido abraço do Pai Eterno. De resto, ele sempre dizia: "O repouso será no Paraíso".
Apesar da distância dos anos, hoje os pavonianos continuam a "educar, abrigar e instruir" os jovens desses grupos, mas também todos os que simplesmente procuram um trabalho e um lugar na vida, providenciando a instrução escolar básica e colaborando com as igrejas locais nas pastorais dos jovens. São incansáveis em suas atividades, porque os traços cunhados pelo padre Ludovico estão ainda frescos, o exemplo do fundador está inteiramente vivo, latente e atual.

Obras pavonianas: o carisma do fundador sendo perpetuado por seus filhos espirituais. 

Hoje, outros levam avante sua obra, nos quatro cantos do mundo, os pavonianos administram tudo o que possa estar relacionado à formação desses jovens: comunidades religiosas, escolas, institutos de formação profissional, centros de recuperação de dependentes químicos, asilos de idosos, pensionatos, orfanatos, creches, paróquias, cooperativas, centros de juventude, livrarias e a editora Âncora, na Itália. Além disso, alfabetizam os deficientes surdos-mudos e formam pequenos artífices nas artes gráficas, esses que eram os diletos de Ludovico Pavoni.




QUEM SOU EU?
Pe. Ludovico Pavoni
Bréscia, Itália

Sou fundador da Congregação Religiosa dos Filhos de Maria Imaculada, conhecida popularmente como RELIGIOSOS PAVONIANOS. Nasci na Itália no dia 11 de setembro de 1784 numa cidade chamada Bréscia. Senti o chamado de Deus para ir ao encontro das crianças e jovens que, por ocasião da guerra, ficaram órfãos, espalhados pelas ruas com fome, frio e sem ter o que fazer... E o pior, sem nenhuma perspectiva de futuro. Então decidi ajudá-los. Chamei-os para o meu Oratório (um lugar onde nos reuníamos para rezar e brincar) e depois ensinei-os a arte da marcenaria, serralheria, tipografia (fabricar livros), escultura, pintura... E muitas outras coisas. Graças a Deus tudo se encaminhou bem, pois Ele caminhava comigo, conforme prometera. Depois chamei colaboradores para dar continuidade àquilo que havia iniciado. Bem, como você pode perceber a minha história é bem longa...