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sábado, 7 de março de 2015

Servo de Deus Dom Cosme Shi Enxiang, bispo e mártir. Séculos XX e XXI: a nova era dos Mártires


Dom Cosme Shi Enxiang, bispo falecido aos
94 anos em prisão chinesa, após
40 anos de prisão. Estava preso pelo "simples
fato" de não se submeter ao controle religioso
do partido comunista chinês. 

   Bispo chinês, Cosme Shi Enxiang, morre após 40 anos, em prisão comunista A coragem e o sacrifício dos mártires cristãos de hoje não devem ser despercebidos e pouco apreciados.


Uma dessas figuras heroicas, o bispo católico de 94 anos, Cosme Shi Enxiang, morreu recentemente em uma prisão chinesa, de acordo com um comunicado oficial do governo, relatado em 02 de fevereiro deste ano, por um serviço de notícias católico independente, com foco na Ásia. Sua geração sentiu o peso de crueldade comunista chinês, mas sua morte como um prisioneiro religioso nos lembra de que essa repressão religiosa na China está longe de acabar.

No total, desde 1954, Bispo Shi foi mantido em cativeiro por mais de 40 anos pelo governo comunista por sua religião, fazendo dele um dos mais antigos presos políticos de nossa era. Minha intenção (aqui escreve autora do artigo) em nenhuma maneira é de minimizar os sofrimentos de Nelson Mandela e Alexander Solzhenitsyn. (Mandela foi preso pelo governo do apartheid da África do Sul, por 27 anos e que Solzhenitsyn foi obrigado a passar onze anos num campo de trabalhos forçados da antiga União Soviética).

Dom Shi Enxiang celebrando a Santa Missa em um de seus ramos momentos de liberdade. 



Ele foi preso por se recusar a submeter-se a supervisão do governo chinês em assuntos religiosos — supervisão que impede, por exemplo, a pregação contra o aborto e o infanticídio feminino. Sua detenção final, em um local secreto, durou 14 anos e nada se sabe sobre ele. Seu primeiro mandado de prisão durou 23 anos, de 1957 até 1980 e foi passado principalmente fazendo trabalhos forçados, primeiro em um campo de trabalho na província de Heilongjiang, em seguida, nas minas de carvão na província de Shanxi. Ele foi alforriado em 1989 e lançado novamente na cadeia em 1993. Apesar de sua saúde ficar arruinada, ele continuou a servir como Bispo nesses intervalos.

Depois de ser preso em casa de sua sobrinha em Pequim pela última vez, na sexta-feira, 13 de abril de 2001, o bispo Shi nunca mais foi visto por aqueles que o conheciam. Ele foi preso sem acusação ou julgamento. O aviso de 30 de janeiro de sua morte foi o primeiro e único sobre o prelado, em 14 anos. Repetidos apelos de todo o mundo, ao governo, para obter informações sobre ele, não foram respondidos.


Protesto pacífico de católicos chineses pelo paradeiro do bispo Dom Shi Enxiang. 



"Fomos informados por funcionários do governo da cidade de Baoding na manhã desta sexta-feira, mas eles não disseram quando ele morreu exatamente ou a causa de sua morte”. Disse sua sobrinha-neta, Shi Chunyan, 42 anos, à ucanews.com, neste sábado.

"Meus pais e o Bispo de outros irmãos estão particularmente tristes. Eles tinham tentado sem sucesso descobrir o paradeiro por muitos anos. Agora a resposta para suas perguntas é que ele está morto", disse ela.

Fontes da igreja disseram à imprensa católica que quatro dos parentes do bispo que pretendia exigir seu paradeiro de Yu Zhengsheng, um membro do Comitê permanente do Politburo, foram detidos em uma casa de hóspedes de Baoding durante três dias na semana passada.

O bispo Dom Shi foi ordenado sacerdote em 1947. Embora ele passasse a maior parte do seu ministério atrás das grades, ele não foi esquecido. Católicos espalharam notícias, que cruzaram toda a China, sobre a morte do Bispo subterrâneo, na mídia social, expressando a sua tristeza e também o orgulho porque eles tinham outro "mártir da igreja," em postagens no Weibo (o equivalente na China, ao Twitter).

O bispo Dom James Su Zhimin, 82, de Baoding, também na província de Hebei, é agora o último Bispo em detenção secreta, tendo sido preso em 8 de outubro de1997. As acusações contra ele permanecem desconhecidas, bem como o seu paradeiro.


Torturado na prisão...
Ele também passou muitas décadas preso por se recusar a aderir ao partido comunista – que controlada a Associação Patriótica Católica. Entre as detenções, disse um membro de uma delegação chefiada pelo representante Chris Smith (R., NJ) que, durante o seu encarceramento na década de 1990, ele foi espancado tão brutalmente pela polícia. Os policiais desmontaram uma placa de anúncio e usaram-na para continuar o espancamento. Em outro momento, ele foi amarrado pelos pulsos e suspenso no teto, enquanto estava espancado em torno da cabeça. Resultando disso: perda permanente da audição. Outra vez, o Bispo foi confinado por dias, em um quarto diminuto com água no meio da canela, tornando-se impossível para ele se sentar ou dormir.

Outras testemunhas da fé e da fidelidade a Deus e à Igreja...
Em 2012, o bispo católico Dom Thaddeus Ma Daqin foi preso, no dia que foi ordenado Bispo Auxiliar de Xangai. Fontes católicas relatam que o Bispo Dom Ma, de 47 anos de idade, está agora detido pelo Estado, sob uma forma de prisão domiciliar em um seminário em grande parte vazio. Ele está sujeito à detenção indefinida sem acusação nem julgamento, por rejeitar o controle religioso do Estado.

Em um aspecto ameaçador para a liberdade religiosa, Padre Bernardo Cervellera, editor da Notícias Católicas da Ásia, informou no mês passado, que a China emitiu uma nova diretriz para este ano, indicando que não pretende consultar o Vaticano sobre nomeações episcopais, mas irá nomear bispos "independentes" da autoridade papal.  “Destaca-se que a autoridade do Vaticano sobre nomeações episcopais foi “um dos poucos pontos que a Igreja continua a reivindicando da China”, concluiu”. Além de toda a retórica, a diretriz efetivamente bloqueia qualquer esperança de diálogo entre a China e o Vaticano.
Bispo Shi é uma inspiração dentro de China. Seu testemunho deve inspirar todos os cristãos e sua coragem para resistir à opressão, a todos nós.


A autora do artigo:
Nina Shea é diretora do Instituto Hudson, Centro para a Liberdade Religiosa e coautora de A Perseguida: O Ataque Mundial aos Cristãos (Publicações Thomas Nelson, março de 2013).



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