Páginas

segunda-feira, 2 de março de 2015

SÃO RAIMUNDO NONATO, Cardeal da Ordem de Nossa Senhora das Mercês.


Nasceu de família nobre em 1204 na cidade de Portella, diocese de Urgel, Catalunha, Espanha. “Nonato” significa em Latin non natus (não nascido) tendo em vista que ele foi retirado do ventre de sua mãe já morta com um faca ( tipo uma cesariana de emergência ) pela parteira e escapou. Alguns estudiosos acham que ele foi retirado com uma navalha e apresentava nas costas pequenas marcas de cortes do referido instrumento.
Dotado de grande inteligência, fez com certa tranqüilidade seus estudos primários. Bem criado e educado, seu pai planejava uma brilhante carreira para Raimundo Nonato na corte de Aragon. Quando Raimundo se inclinou para a vida religiosa, seu pai ordenou que ele cuidasse de uma das fazendas da família. Entretanto, Raimundo passava seu tempo com os pastores e os trabalhadores, estudando e orando até que o seu pai desistiu de sua “brilhante carreira” na corte. Nem sabia o pai da verdadeira brilhante carreira que o filho teria no futuro...
Raimundo Nonato se tornou um padre mercedário (Ordem de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos, ou, simplesmente, Ordem das Mercês) recebendo seu hábito de São Pedro Nolasco, o fundador da Ordem. Quando São Pedro Nolasco, a 10 de agosto de 1218, dava início à Ordem das Mercês, com rito solene, na Catedral de Barcelona, da qual era cônego o amigo e conselheiro Raimundo de Penafort, entre os fiéis estava também o moço de dezoito anos, Raimundo. Professou solenemente aos vinte e quatro anos de idade e, seguindo o exemplo do fundador, dedicou-se à libertação dos escravos da Espanha ocupada pelos mouros e à pregação no meio deles. Após sua profissão solene na Ordem, Raimundo passou a ser o Mestre Geral da mesma e dedicou-se de corpo e alma ao carisma inspirado por Deus ao fundador que era o resgate de cristãos aprisionados pelos muçulmanos que dominavam parte da Espanha na época, utilizando-se do dinheiro que possuia e que também arrecadava de piedosos benfeitores.
No ano de 1226 chegou até a Argélia e entregou-se como escravo, a fim de consolar e animar pela fé os prisioneiros cristãos e trabalhar pela sua libertação. Este gesto denota a caridade heróica de um santo que vive o Evangelho integralmente. Sua caridade não se restringia apenas aos cristãos. Com eloquencia, amor e ardor missionário, pregou também aos muçulmanos, conseguindo a conversão de alguns deles.
São Raimundo ficou vários meses como refém e, apesar de submetido a reiteradas e cruéis malvadezas por parte de seus algozes, continuou pregando o Evangelho. Seus perseguidores condenaram à morte por fome, no entanto, por providência divina, comutaram a pena por outro castigo cruel e humilhante: chegaram ao ponto de furarem a ferro quente os seus lábios e os trancaram com um cadeado, para impedir que ele continuasse denunciando as injustiças e proclamando o Evangelho.
Foi finalmente resgatado e, muito debilitado, retornou à Espanha. O Papa Gregório IX quis render-lhe uma homenagem pública por tão grandes virtudes conferindo-lhe em 1239, apenas libertado, a dignidade cardinalícia, convocando-o como conselheiro. Pôs-se em viagem, para atender ao convite do Papa, mas pouco depois uma febre violentíssima o atingiu e morreu em 31 de agosto de 1240 em Cardona, perto de Barcelona.
Foi enterrado na Capela de São Nicolau, perto da fazenda da família a qual ele deveria ter cuidado quando jovem. Seu túmulo logo se tornou local de peregrinação e vários milagres foram creditados à sua intercessão.
Foi canonizado pelo Papa Alexandre VII em 1657. São Raimundo, se não morreu mártir nas terras dos mouros, sofreu muito nas mãos deles... Por isso, na arte sacra é representado com uma "palma", símbolo dos mártires. 
É o patrono das parteiras e o padroeiro de um bom parto.
Na arte litúrgica da Igreja ele é representado como: 1) um frade mercedário com um cadeado nos lábios, 2) um frade rodeado de mouros , 3) um frade rodeado de escravos libertados, 4) um frade rodeado de mouros e prisioneiros , 5) um frade mercedário com o chapéu vermelho cardinalício.








Nenhum comentário:

Postar um comentário