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sábado, 14 de março de 2015

SÃO LOURENÇO, Diácono e Mártir. Um dos mais ilustres mártires de Roma, patrono das Almas do Purgatório.


São Lourenço nasceu no início do século terceiro, em Huesca, cidade da Espanha, no reino de Aragão. Seu pai Orence e sua mãe Paciência, ambos cristãos, lhe deram uma excelente educação.

Os virtuosos pais de São Lourenço, transmitira-lhe uma extraordinária pureza de costumes e um grande amor à castidade. Desde o alvorecer de sua vida, o jovem Lourenço foi acumulando em seu coração virtudes cristãs que o tornaram nobre, generoso, intrépido.

Distinguiu-se, sobretudo, por um exímio amor a Jesus Cristo que, após a sua morte na cruz, vinha conquistando os corações bem formados e triunfando sobre o paganismo. Na época, Roma, a capital do erro e da idolatria, tornava-se cada vez mais em uma capital do cristianismo. Movido então por um santo zelo, Lourenço mudou-se para Roma em busca do centro da religião católica.

Lá, não tardou em ser reconhecido por suas qualidades morais e sua inocência, logo descobriram seus méritos e, sobretudo o Papa São Sisto II que o chamou para junto de si, elevando-o às primeiras ordens sacras, transformou-o em diácono (um grau abaixo do padre). Pouco depois foi nomeado arquidiácono, o primeiro dos sete diáconos da Igreja Romana. Como arquidiácono, São Lourenço tornou-se ainda mais humilde, mais fervoroso e mais ardente no zelo. A esta ordem sacra, estava ele afeto, não só o cuidado de distribuir a sagrada comunhão aos fiéis, como também a administração dos bens eclesiásticos, dos vasos sagrados, dos paramentos sacerdotais, do dinheiro destinado à sustentação dos ministros e também o dinheiro para socorrer aos pobres e necessitados. Este cargo exigia de São Lourenço, uma rara prudência, uma vigilância superior e um desinteresse a toda prova. Logo que começou a atuar em suas novas funções de seu ministério, começou uma horrível perseguição visando exterminar da face da Terra os cristãos.
As crudelíssimas perseguições do imperador Valeriano, começaram sobre os bispos, os sacerdotes e os diáconos. Uma das primeiras vítimas foi o Santo Papa Sisto II, a quem São Lourenço acompanhou até o lugar do suplício. Muito triste e com os olhos cheios de lágrimas, desejoso de morrer no lugar de seu pai espiritual, disse ele ao Papa Sisto II: "Pai, para onde ides sem vosso filho? Para onde vais sem o vosso diácono? Jamais oferecestes o sacrifício, sem que eu vos acolitasse. Em que vos desagradei, Santo Padre? Achaste em mim alguma infidelidade?" Comovido por estas palavras de verdadeira dedicação filial, respondeu a ele o venerável ancião: "Não te abandono filho. Deus reservou para ti provação maior e vitória mais brilhante. Velhice e fraqueza faz com que eles tenham certa compaixão de mim. Tu, porém, és moço e forte. Daqui a três dias, seguir-me-ás através de tormentos muito mais atrozes. Vai, distribui pelos pobres, sem demora, todos os tesouros que te foram confiados e prepara-te para o martírio". Assim, São Lourenço entregou aos fiéis todos os vasos sagrados e paramentos, a fim de evitar que os pagãos os sequestrassem e profanassem. Juntou então o dinheiro dos pobres e saiu a todos os lugares em Roma, onde os cristãos estavam ocultos, devido às perseguições, e distribuiu o dinheiro da Santa Igreja entre eles. Em um destes esconderijos, restituiu a visão de Crescêncio, que havia muitos anos que estava cego. Logo que acabou de distribuir o dinheiro aos pobres, foi preso. Intimado a apresentar os “tesouros da Igreja” que o vil tirano tanto desejava, pediu um prazo para trazê-lo diante do mesmo. 
Chegado o dia marcado, reuniu consigo um grupo de mendigos, coxos, idosos abandonados, pobres órfãos e viúvas e os apresentou ao prefeito de Roma.  Questionado mais uma vez por seu cruel perseguidor, que insistia cheio de ira pelos tesouros da Igreja, Lourenço, cheio de coragem e alegria respondeu: “Eis o tesouro da Igreja: os nossos pobres”. Eles são o nosso verdadeiro tesouro. Podeis encontra-lo por toda parte”.
Sentindo-se insultado, o tirano decidiu castigá-lo com os maiores suplícios. Ordenou que o despedaçassem a açoites. Mandou depois, que trouxessem os instrumentos que serviam para atormentar os mártires e mostrando-os a São Lourenço, disse: "Ou tu resolves sacrificar aos deuses ou dispõe-te a padecer tu sozinho, muito mais do que tem padecido, até aqui, todos juntos quantos professaram a tua infame seita!”.
O bem-aventurado São Lourenço chamou
os pobres e enfermos de "os tesouros
da Igreja". 
Respondeu-lhe então em tom tranquilo São Lourenço: "Os vossos deuses nem sequer merecem aquelas honras que se tributam, aos homens. E vós quereis porventura, que eu lhes tribute adoração, só devida ao único e verdadeiro Deus. Além disso, pouca violência exercerão estes instrumentos de crueldade sobre mim, por que não temo os suplícios, confortado pelo meu Senhor Jesus Cristo”.

Foi então mandado ao cárcere, no guardo de certo oficial de nome Hipólito. Logo que entrou na prisão, os cristãos ali detidos se lançaram aos pés de São Lourenço. Um deles, chamado Lucilo, que há muitos anos tinha perdido a vista, a recuperou milagrosamente, tomando a mão do santo, e tocando-lhe os olhos. O oficial Hipólito, testemunha ocular desta maravilhosa cura, converteu-se ao cristianismo. As torturas começaram no dia seguinte. Estenderam-no em um cavalete, deslocando-lhe as articulações. Açoitaram-no com escorpiões, (cordéis terminados com bolas de chumbo), dilacerando-lhe a carne.

Vendo estes bárbaros tormentos serem suportados com tamanho heroísmo por São Lourenço, um soldado da guarda imperial, chamado de Romano, pediu-lhe o batismo, vindo ele mesmo a padecer o martírio, um pouco depois. Transformado pela cólera, o tirano lhe disse: “Sofrerás esta noite, um gênero de suplicio que certamente te fará mudar de opinião e de linguagem”. Retrucou-lhe então o Santo Lourenço: “Teus tormentos serão minhas delícias. A terrível noite com que me ameaças, será para mim a mais clara e a mais alegre de toda a minha vida, pois me unirá ao meu Salvador, a quem exclusivamente adoro e amo”! O tirano então mandou trazer uma grelha que foi posta sobre brasas.
São Lourenço foi colocado sobre aquele leito de ferro, debaixo do qual ardia um fogo abrasador de carvões acesos. Tão sereno e tranquilo fico São Lourenço sobre aquela cama de fogo, que muitos dos presentes se converteram à fé verdadeira. Aturando com muita paciência a tortura do fogo, o arquidiácono suportava até com alegria, satisfeito em poder sofrer por amor a Jesus Cristo. 
Os cristãos que testemunhavam o martírio do santo, ao invés de sentirem o odor característico de "carne queimada", sentiam, na verdade, um delicioso odor de incenso... 

Tendo então suportado por algum tempo aquele horrendo suplício, o nobre e puro Santo disse ao cruel e arrogante perseguidor, com um sorriso nos lábios: "Se quiserdes, podereis mandar virar-me, visto que deste lado já estou bastante assado".

Ouvindo estas palavras, enfureceu-se ainda mais o desumano torturador, ordenando aumentar o fogo por debaixo da grelha. Dai a pouco São Lourenço sorria angelicamente, dizendo com ironia: "Não te pareces ó tirano, que eu esteja bastante assado ? Agora se quiseres, poderás comer minha carne, que já está bem assada de todos os lados". A preciosa vida de São Lourenço ia então se esvaindo lentamente sob a ação abrasadora do fogo.

Aproveitou então os últimos instantes de vida para rezar pela conversão dos gentios e dos perseguidores do cristianismo. Recomendou sua alma ao criador. Finalizou seu martírio em 10 de agosto de 259, dia em que é venerado com grandes pompas em todo o universo católico.

Complemento (apêndice) biográfico:
São Lourenço sofreu o martírio durante a perseguição de Valeriano, em 258. Era o primeiro dos sete diáconos da Igreja romana. A sua função era muito importante o que fazia com que, depois do Papa, fosse o primeiro responsável pelas coisas da Igreja. Como diácono, São Lourenço tinha o encargo de assistir o papa nas celebrações; administrava os bens da Igreja, dirigia a construção dos cemitérios, olhava pelos necessitados, pelos órfãos e viúvas. Foi executado quatro dias depois da morte de Sisto II e de seus companheiros. Preso, foi intimado a comparecer diante do prefeito de Roma Cornelius Saecularis, a fim de prestar contas dos bens e das riquezas que a Igreja possuía.
Pediu, então, um prazo para fazê-lo, dizendo que tudo entregaria. Confessou que a Igreja era muito rica e que a sua riqueza ultrapassava a do imperador. Foram-lhe concedidos três dias. São Lourenço reuniu os cegos, os coxos, os aleijados, toda sorte de enfermos, crianças e velhos. Anotou-lhes os nomes... Indignado, o governador concedeu-o a um suplício especialmente cruel: amarrado sobre uma grelha, foi assado vivo e lentamente. Em meio dos tormentos mais atrozes, ele conservou o seu "bom humor cristão". Dizia ao carrasco: Vira-me, que deste lado já está bem assado... Agora está bom, está bem assado. Podes comer!
Roma cristã venera o espanhol Lourenço com a mesma veneração e respeito com que honra os primeiros apóstolos. Que São Lourenço nos ajude a seguir Jesus que é Caminho, Verdade e Vida.

Seu martírio, diz o poeta Prudêncio, assinalou o declínio dos deuses de Roma. Sinal, portanto, de que a morte do jovem diácono Lourenço provocara na cidade uma grande impressão, a ponto dos pagãos - vendo tão serena coragem diante da tortura - começaram a se interrogar sobre a religião professada pelo heroico mártir.
O papa Dâmaso, por outro lado, parece convalidar a tradição dos carvões ardentes e recorda o heroico testemunho de fé com eficaz síntese: “Verbera, carnífices, flammas, tormenta, catenas, isto é, açoites, carrascos, chamas, tormentos, cadeias, nada prevaleceu contra sua fidelidade a Cristo”.





Devido ao fato de ter morrido no tormento da grelha
e do fogo, São Lourenço é considerado um dos
santos patronos das Almas do Purgatório. 

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