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terça-feira, 24 de março de 2015

SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET, Bispo e Fundador. Grande apóstolo da Espanha e Cuba. Orientador e Diretor Espiritual de muitos fundadores.



Gosto muito deste santo! Por isso trago aos leitores do blog três textos biográficos, cada um com seu “gênero próprio”, mas que se completam, para os leitores terem uma ideia dessa grande figura da história da Igreja.
Além de se destacar como insigne defensor da autoridade pontifícia, Santo Antonio Maria Claret foi um grande devoto de Nossa Senhora, havendo fundado a Congregação dos Filhos do seu Imaculado Coração, conhecidos como claretianos.



Primeiro texto biográfico

Período de tibieza na juventude

A Igreja desaconselha que se faça comparação entre os heróis da Fé elevados à honra dos altares. Não direi, pois, que Santo Antônio Claret foi o maior de seu tempo. Porém, penso que, se em cada quadra histórica alguns Santos sobrepujam os outros em importância aos olhos de Deus, nos planos da Providência um desses terá sido sem dúvida Santo Antônio Maria Claret.
Mais do que Fundador de uma congregação religiosa, ele nos aparece como um varão exponencial, dominando completamente sua época, pelo simples fato de ter existido.
Imagine-se um homem de baixa estatura, espanhol de temperamento ardoroso, catalão apimentado, filho de uma família bastante piedosa, dedicada à fabricação têxtil. Ainda jovem, morando em Barcelona, sentiu apelos divinos para algo de mais elevado, embora indefinido, pois não pensava na vocação sacerdotal. Mas, naquela cidade, envolveu-se com questões de tecelagem e se enfronhou nos assuntos práticos desse negócio, começando a esquecer do fervor da sua piedade dos tempos de menino. Passou alguns anos absorto no cuidado de máquinas, teares e coisas semelhantes.
Praticava ainda a religião, mas, nesse período de sua vida, pode-se dizer que Santo Antônio Maria Claret tendia a tibieza. Continuava a frequentar a igreja, assistia à Missa aos domingos, comungava algumas vezes por ano e também recitava o Rosário. Mas, fora do cumprimento estrito dessas práticas de piedade, só tinha pensamentos para o seu trabalho na indústria têxtil.
Certo dia, indo nadar com os companheiros no litoral, o movimento muito forte das ondas o arrastou mar adentro. Apelou à Santíssima Virgem e, de forma inexplicável para ele, percebeu que flutuava na superfície do oceano, sendo levado por força misteriosa até a praia, sem ter tragado sequer uma gota de água.
Salvo em terra, associou o episódio a uma lembrança que tinha tido, durante a Missa, das palavras de Jesus Cristo no Evangelho: “De que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se finalmente perde a sua alma?” (Mt 16,26).


Padroeiro dos tíbios

Algo de semelhante acontece conosco. A Santíssima Virgem atrai as pessoas as quais, uma vez fixadas, em geral entram no processo de tibieza. E se a misericórdia d’Ela não o impedir, acabam nesse lamentável estado de tibieza. A partir daí começa a segunda fase: é preciso remar até conseguir que elas se recauchutem. E quando correspondem à graça, experimentam uma espécie de nova conversão. Em seguida, inicia-se a terceira fase de sua vida espiritual.
Se, com o auxílio de Nossa Senhora, não tivéssemos o cuidado de ajuda-las, é de se temer que muitas dessas pessoas não perseverariam.
Então, com profundo respeito, podemos dizer que Santo Antônio Maria Claret nos aparece como o padroeiro dos tíbios. Por sua fidelidade à graça da conversão, tornou-se um modelo de santo, digno de ser imitado por nós. Ele alcançou esse triunfo sobre a própria indolência espiritual porque sempre nutriu particular devoção a Nossa Senhora, e a Santíssima Virgem, que o predestinava a grandes feitos, ajudou-o a se reerguer.


Rumo aos píncaros da santidade

Desde esse momento, com imenso fervor, ele empreendeu a marcha ininterrupta até atingir os píncaros de santidade, como veremos.
Ordenado sacerdote, tornou-se missionário. E revelou-se como o típico pregador popular (e gostaria de acentuar a palavra “popular”), com algumas características eminentes. Por exemplo, tinha voz possante, capaz de se fazer ouvir pelas multidões que enchiam as praças públicas onde ele pronunciava seus sermões, pois o espaço interno das igrejas era insuficiente para conter todos os fiéis desejosos de escutá-lo. E não raro, as mesmas praças se verificavam pequenas para reunir o público que comparecia às suas pregações.
Quando se dirigira de uma cidade para outra, sua fama de orador sacro era tal que grande parte da população de onde falara o acompanhava, processionalmente, até deparar com os habitantes da localidade vizinha, para a qual ele falaria. Durante o encontro, o Santo fazia um sermão de despedida de uns e de saudação aos outros, comovendo a alma de todos.
Sendo um orador popular muito vivo, interessante, ardente, profundo, sólido, substancioso e dotado de carismas extraordinários, davam-se fatos espetaculares durante as suas homilias. Por exemplo, às vezes ele interrompia suas palavras, apontava para uma mulher na assistência e lhe dizia de súbito: “A senhora pensa que não morrerá tão cedo, e terá vários anos pela frente. Sua morte se dará dentro de... — suspense! — seis meses”. Naturalmente, a indicada desmaiava, caía em prantos, etc.
Noutras ocasiões afirmava: “Vou expulsar o demônio que está pairando sobre este auditório”. E em seguida pronunciava a fórmula do exorcismo. Estrépito, raio em céu sereno caem os sinos do campanário e a população fica apavorada. Havia conversões em massa, pois bem podemos imaginar o efeito de pregações dessa natureza.
Santo Antônio compreendia de modo claro ter sido destinado por Deus à vocação de missionário junto ao povo. Nunca desejou tornar-se teólogo profundo, nem orador de alto porte, como um Pe. Antônio Vieira, um Bossuet, Bourdaloue, etc. Nascera para falar ao vulgo, e com sua oratória popular esplêndida, convertia multidões.
Compreendeu, igualmente, ser um homem feito para suscitar zelo, mais do que coordenar o zelo que suscitara. Por isso, passava pelas províncias despertando por toda parte o amor a Deus, deixando depois que outros utilizassem aquela semente e aquele fogo para melhores finalidades. Era, portanto, um modelo de desprendimento, sem a preocupação de colher para si, mas plantando para que outros colhessem.



Arcebispo em Cuba e confessor da Rainha

Depois de uma estupenda pregação nas Ilhas Canárias, afinal, foi promovido a Arcebispo em Cuba, então colônia espanhola cuja situação moral se apresentava muito decadente. Santo Antônio Maria Claret dedicou-se à conversão da Ilha, e quando começou a obter a emenda dos costumes, desencadeou uma reação intensa contra ele. Sofreu tantas e tão fortes oposições, e até atentados, que a Rainha da Espanha acabou intervindo e o retirou daquelas terras.
De volta à metrópole, Santo Antônio Maria Claret se instalou na corte, como confessor da Rainha Isabel II. Mulher de maus bofes, passou a se modificar e melhorar no contato com Santo Antônio, até que uma reviravolta política a destronou e a exilou para a França. Foi ele, portanto, quem provocou pelo seu zelo esse terremoto na Espanha, ao mesmo tempo em que desempenhava uma obra insigne, como missionário, em todo o país.


Defensor da infalibilidade pontifícia

Nesse período, fundou a Congregação dos Filhos do Imaculado Coração de Maria, cujo nome exprimem o culto fervoroso que ele dedicava à Mãe de Deus, sob essa invocação.
Alguns anos mais tarde, durante o Concílio Vaticano I, deu-se um dos célebres episódios da vida de Santo Antônio Maria Claret. Ele já estava idoso, doente, porém aureolado pelas mais altas graças que se possa receber. Por exemplo, o Santíssimo Sacramento nunca se deteriorava dentro dele, de uma comunhão a outra, de maneira que era um sacrário vivo, assim como Nossa Senhora que tinha Jesus vivendo n’Ela durante o período da Encarnação e da gestação.
Pois bem, ao ouvir no Concílio Vaticano I pronunciamentos de alguns bispos contra a infalibilidade papal, Santo Antônio se levantou e fez um famoso sermão em que declarou: “Oxalá pudesse eu consumar minha corrida, confessando e dizendo da abundância do meu coração esta grande verdade: creio que o Sumo Pontífice Romano é infalível”.
A atitude de alguns irmãos seus no episcopado o acabrunhou e o encheu de desgosto, a tal ponto que sofreu um começo de apoplexia, pela qual viria a falecer pouco depois, na França, recolhido numa Cartuxa. Era o ano de 1870.
E assim terminaram os dias desse magnífico varão de Fé, ao qual nos honramos de tomar por patrono, como grande promotor que foi da devoção a Nossa Senhora, em especial ao Imaculado Coração de Maria, bem como por seu ardoroso amor à Santa Sé Apostólica. Além disso, é modelo para nós, pois demonstrou que, nas camadas populares, ao contrário do que pretende a Revolução, uma pregação autêntica e boa produz maravilhosos resultados.
Todas essas razões nos levam a, no dia de sua festa, confiar de modo particular no patrocínio de Santo Antônio Maria Claret, e lhe pedir que nos alcance as melhores graças do Céu. (Os Santos Comentados, Monsenhor João Clá Dias, EP)




Segundo texto biográfico

Em Sallent, Espanha, no lar abençoado de João Claret e Josefa Clara, a 23 de dezembro de 1807, nasceu um menino que no dia do Natal, foi batizado com o nome de Antônio.  Esse menino seria operário, estrearia como industrial, seria seminarista, sacerdote, pároco, missionário, escritor, propagandista das boas leituras, Sacrário vivo, Apóstolo do Rosário, confessor e conselheiro da rainha, padre do Concílio do Vaticano e Santo.
Antônio era bom filho de Deus, bom filho de Nossa Senhora. Em casa, na igreja e na escola era também o bom filho, o bom menino. João Claret veria com gosto o filho estudar no seminário, mas por falta de recursos, teve de esperar por melhor oportunidade.
Finalmente, Antônio chega a Barcelona e inicia o estudo e o trabalho. Progride tanto num como noutro. Estuda o desenho que, mais tarde, será em suas mãos a arma poderosa de seu apostolado.  Ricos industriais começam a convidar Antônio, mas ele havia de ser Apóstolo e não industrial.  Salvo milagrosamente por Nossa Senhora, quando estava a ponto de morrer afogado no mediterrâneo, salvo ainda de uma gravíssima tentação de uma mulher apaixonada da qual fugiu, e quando percebeu que começava a diminuir e seu espírito de piedade, abandonou tudo para entrar no Seminário, repetindo a si mesmo: De que vale o homem ganhar o mundo se perder a sua alma?
Desde a primeira infância, Antônio queria ser sacerdote. Ele vira fugirem-lhe as esperanças. Ele conta: Com que fé, com que confiança falava com meu Pai!  Eu me oferecia mil vezes ao seu Santo Serviço: Desejava ser Sacerdote para me consagrar dia e noite ao seu ministério e lembro-me que dizia: Humanamente não vejo nenhuma esperança, mas Vós, que sois tão poderoso, se quiserdes, tudo resolvereis.  E me lembro de que com toda a confiança, me deixei em suas mãos Divinas.
 O santo bispo de Vich, decidiu ordenar o seminarista Antônio Claret antes de terminar seus estudos.  Dizia ao padre Fortunato Bres: “Quero ordenar logo a Antônio, porque há nele alguma coisa de extraordinário”.  A 13 de junho de 1835, Antônio é ordenado sacerdote, tendo já mais de 27 anos de Idade, e tendo em particular, continuar seus estudos por 3 anos. O seu primeiro cargo é o de Vigário Cooperador na sua terra natal, assumindo depois a responsabilidade de Paróquia.
Aí permanece quatro anos, querido de todos, que o veneram e começam a chamar de santo “padrezinho de Sallent”. “Padrezinho” será chamado mais tarde nas ilhas canárias por causa de sua pequena estatura de um metro e cinquenta e cinco centímetros.  Desligando-se do cargo de Vigário de Sallent, pensou em fundar uma Congregação de Sacerdotes, com o fim de pregar as Missões, mas, não sendo possível no momento, resolver ir para as missões estrangeiras, abrasado pelo desejo de derramar o sangue por Nosso Senhor Jesus Cristo.
 Para realizar esse ideal, parte a pé para Roma.  Em Marselha é acompanhado por um anjo em forma de um jovem, seguindo o resto da viagem em navios, mas na coberta, exposto às ondas que a invadiam em dias de tempestade e de chuva.
Em Roma, com o fim de mais facilmente poder ir às Missões de infiéis, entrou na Companhia de Jesus.  Mas Deus, que o queria fundador de uma congregação de missionários, manda-lhe uma doença que o obriga a sair do noviciado dos Jesuítas e voltar à Espanha.
Missionário Apostólico em Viladrau, pregou a primeira missão com grande sucesso, começando a vida de missionário aos 33 anos, sendo no mesmo ano levado por Roma ao ofício de Missionário Apostólico.
Toda a vida do Pe.  Claret, será assinalada por uma série ininterrupta de milagres, podendo muito bem ser comparada ao taumaturgo português, de quem recebera o nome.  Foi em Viladrau, nos começos de sua vida missionária, que realizou o primeiro milagre.  Quando uma casa de um seu amigo era presa de chamas, apesar de todas as tentativas de debelar o incêndio, chega o Pe.  Claret, dá uma volta ao redor do prédio, dando a sua bênção, e todos viram como, à medida que o padre abençoava, cessavam as chamas, sendo poucos os prejuízos.
 Desde então, os milagres se multiplicaram e podemos dizer do grande missionário do Século XIX, o que se dizia dos Apóstolos, que pregava e confirmava a doutrina com milagres de toda a espécie.    Deus concedeu também ao Pe.  Claret, poder extraordinário contra o demônio, que muitas vezes quis impedir o fruto das pregações do santo missionário. A Palavra de Deus pregada pelo santo missionário, operava maravilhas.  No confessionário, davam-se secretas informações das consciências. Pelas estradas e nas cidades, as conversações eram muitas vezes milagrosas.
O Padre Claret percorreu em pregações apostólicas, grande parte da Espanha e Ilhas Canárias; tinha visto a imensidão da seara, e por isso, vinha-lhe na mente a ideia de fundar uma Congregação de Missionários. O dia marcado, foi o dia 16 de julho de 1849.
Com mais cinco jovens sacerdotes, reunidos num pequeno quarto do Seminário de Cich, mobiliado com uma mesinha, uma cadeira e um banco sem encosto, e pendente na parede um crucifixo e um quadro da Mãe do Divino Amor, deu início à Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria.  O fim da Congregação foi determinado na primeira página das Constituições: “salvar as almas de todo o mundo por todos os meios possíveis”.
Ao começar a propor a ideia da fundação da congregação, ele dizia: “Hoje começamos uma grande obra”.  E a profecia realizou-se.  Cem anos após a fundação, o Fundador foi elevado à Suprema glorificação.  Mas, mal havia acabado de fundar sua Congregação de missionários, e quando consolidava a obra providencial da “Livraria Religiosa”, foi surpreendido pela nomeação para Arcebispo de Santiago de Cuba.  Ao chegar às terras cubanas, foi logo visitar o Santuário nacional de Nossa Senhora do Cobre, padroeira da ilha, e sob a proteção de Nossa Senhora, começou as visitas pastorais, verdadeiras missões que operavam a renovação espiritual e moral das cidades e aldeias visitadas.  Durante as visitas pastorais, ele pregava, catequizava, confessava, visitava as religiosas, consolava os doentes, dando-lhes esmolas, visitava os presos e defendia os pobres negros e escravos.
A um fazendeiro desumano, que maltratava os escravos disse o padre Claret, queimando na chama de uma vela, um pedaço de papel branco e outro preto: “Distingues as cinzas do papel branco e do papel preto? Pois do mesmo modo, que não distingues a cinza do papel branco e do papel preto, assim Deus não distingue entre o homem branco e o homem preto”.
Nas missões, visitas e nos recintos, os ouvintes ficavam pendentes dos seus lábios, apesar dos sermões serem longos e cheios de doutrina sólida.
A alegria dos bons era grande, considerando a felicidade de ter um santo por Arcebispo, mas os inimigos da Igreja, principalmente as lojas maçônicas, conspiravam ocultamente contra o santo arcebispo.  Por várias vezes atentaram contra a sua vida, incendiando a casa onde pensavam estar ele hospedado, e outra vez, servindo-se de um assassino.  Foi em Holguim, no dia 1 de fevereiro de 1856. O santo saía da Igreja depois de pregar um fervoroso sermão sobre Nossa Senhora. Ia acompanhado de várias pessoas. Ao passar por uma das ruas que levavam ao lugar onde estava hospedado, aproximou-se dele um homem, como se quisesse beijar-lhe o anel, e desferiu-lhe uma navalhada, abrindo-lhe o rosto desde a orelha até o queixo, e ferindo também o braço, fugindo logo após na escuridão.   Esses foram os primeiros atentados pessoais e muitos outros se registraram até mesmo no fim da vida.
Escreveu diversos livros e opúsculos destinados a toda a classe de pessoas.  Foram 144 obras, que nos legou o missionário, num total de 21.000 páginas.  Combatia os livros maus, fazendo de uma , feita de grande fogueira com mais de 3.000 livros obscenos e estampas escandalosas. No fim da primeira visita pastoral, já havia distribuído gratuitamente mais de 80.000 livros e 90.000 estampas e folhas de propaganda.  Nos 06 anos que passou na ilha, distribuiu mais de 200.000 gratuitamente.
Este santo fundador, havia ensinado aos seus Missionários que, para salvar as almas, usassem de todos os meios possíveis.  Durante o seu episcopado em Cuba e durante os anos passados em Madri, foi quando mais se dedicou à formação da infância e da juventude. Em Cuba, restaurou o antigo Seminário, fundou escolas populares e, para dar perenidade à sua obra educativa, fundou uma Congregação Religiosa dedicada ao magistério sob o título de Religiosas de Maria Imaculada.
O amor a Nossa Senhora que encheu a vida do Padre Claret, não se conteve no seu peito. Foram tantas as provas que recebera de Nossa Senhora, que ele não podia deixar de ser o Apóstolo Mariano.  Quando foi nomeado bispo, acrescentou ao próprio nome o de Maria.  Quando pregava, nunca se esquecia de falar de Nossa Senhora, o que mais comovia aos seus ouvintes.
O santo padre Claret, sempre humilde e amigo dos pobres, dos escravos negros e da gente simples do campo e das aldeias, foi de repente surpreendido com a nomeação para confessor e conselheiro de Isabel II, rainha da Espanha, que governava a nação espanhola no meio das maiores tempestades políticas e conspirações contra a Igreja e contra a coroa . Sendo obrigado a aceitar o cargo, viveu inteiramente alheio aos desmandos da política, orientando com prudência de santo, a consciência da rainha.
O santo confessor da rainha, sempre combatido e caluniado, sofrera já muitos martírios. Faltava-lhe, porém, o martírio do desterro, a separação da terra querida que o viu nascer, para morrer em terra estranha. Ele que consagrara a vida toda ao serviço da Espanha, era atirado pela revolução ao desterro.
Chegando a Paris, não se entregou ao descanso. Hospedado num pensionato de São José das Irmãs de Beley, recomeçou as atividades como escritor e como pregador. Confessava, dava a Comunhão, crismava. 
A 24 de abril de 1869, foi recebido em audiência por Pio IX, em Roma. Pio IX, tão perseguido e caluniado, soube compreender os sofrimentos do padre Claret e consolá-lo com mostras de extraordinário carinho. Pio IX já havia escrito, ser o Padre Claret, "um homem todo de Deus"
Em Roma, não cessou de escrever e pregar, visitando e pregando principalmente aos seminaristas do Colégio Pio Latino Americano, e preparando-se para tomar parte ativa no Concílio Vaticano I. 
O imortal Pio IX, a 29 de junho de 1868, convocou um Concílio Ecumênico, que foi aberto solenemente a 8 de dezembro de 1869. Chegaram a Roma bispos ilustres, vindo de todos os recantos do orbe, venerandos pela idade, gloriosa da fé, missionários de terras longínquas, escritores célebres, teólogos famosos, atingindo o número de 767. Entre eles, um arcebispo humilde pela estatura, doente, alquebrado pelo peso dos anos, dos trabalhos, das perseguições e dos atentados. Dom Antônio Maria Claret.
Quando se discutia a definição do dogma da Infalibilidade Pontifícia, ele pediu a palavra e falou mais com o coração do que com os lábios, defendendo a prerrogativa divina do Sumo Pontífice. E terminou com estas palavras: "Oxalá pudesse eu consumar o sacrifício começado em 1856, ao descer do púlpito para pregar a fé..." e terminava mostrando as cicatrizes do rosto e do braço, declarando estar pronto a derramar todo o sangue das suas veias, para defender o dogma da infalibilidade pontifícia. 
Oitenta anos depois, a Igreja escolheu a primeira e mais lídima glória do Concílio Vaticano, entre 767 ilustres cardeais, arcebispos e bispos, e tributou-lhe a glorificação suprema da Canonização.
Os Missionários do Coração de Maria, não puderam gozar por muito tempo da companhia do pai querido, que teve de abandonar a casa dos filhos para continuar seu desterro no Mosteiro cisterciense de Fontfroide. Recebeu com alegria o Viático e a Extrema Unção e, após uma prolongada agonia, morreu a 24 de outubro de 1870, sem dívidas, sem dinheiro e sem pecados, como desejara.
Antes mesmo que cessassem as calúnias e perseguições, começava a glorificação do Pe. Claret. Deus multiplicava por suas mãos os milagres e favores sobrenaturais.
A Igreja instaurou os processos de Beatificação e Canonização, examinando todos os seus escritos e declarando nada haver neles contra a sã doutrina; examinou a sua vida e proclamou que exerceu as virtudes em grau heroico.  Examinou os milagres operados depois da morte e elevou-o à glória dos Beatos em 25 de fevereiro de 1934. Pio XI o declarava então: "Figura verdadeiramente grande, apóstolo infatigável, organizador moderno, precursor da ação católica, principalmente por meio da imprensa, na qual não foi superado por ninguém".
E, num dia radiante de luz e glória, Pio XII o canonizou no Ano Santo de 1950, no dia 07 de maio.  A terra toda entoou os seus louvores. A Igreja divina de Cristo prostra-se aos seus pés para invocá-lo: "SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET, ROGAI POR NÓS!". 



Terceiro texto biográfico (mais resumido)

Santo Antônio Maria Claret (Antoni María Claret i Clará) nasceu em Sallent, Catalunha (Espanha) em 23 de dezembro de 1807 e faleceu em Fontfroide, Narbona, em 24 de outubro de 1870.
  Após laborioso e fecundo apostolado como sacerdote na Espanha, após sua ordenação episcopal, foi designado para ser arcebispo de da Ilha de Cuba. Foi também fundador (em 1849) de uma família religiosa: a Congregação dos Filhos do Imaculado Coração de Maria (Cordis Maria Filius - C.M.F.), mais conhecidos como Padres Claretianos. 
  Infelizmente, esse grande santo é desconhecido pela maioria do povo católico. Foi modelo de sacerdote e, como bispo, zeloso pastor de almas. Muito se dedicou e sofreu pela salvação do rebanho a ele confiado. Percorreu a pé todas as comunidades e vilas de sua amada arquidiocese (ilha de Cuba), nos anos que lá exerceu seu ministério pastoral. Pregava a Palavra do Senhor como um ardente apóstolo. Tinha grande misericórdia pelos pecadores, sobre os quais exercia milagrosa influência e carisma para a conversão.
    Divulgou filial e fervorosamente a devoção à Santíssima Virgem Maria, especialmente ao seu Imaculado Coração. Quando fundou sua Congregação de Padres dedicados à missão e, atualmente, ao apostolado também por meio da imprensa escrita (revistas e jornais católicos), colocou a nova família religiosa sob o patrocínio do Coração Imaculado de Maria.
   Nutria especial devoção à Sagrada Eucaristia, de tal forma que, milagrosamente, a espécie consagrada (hóstia) conservava-se intacta dentro de seu coração. Tal milagre foi comprovado após sua morte, quando, ao ser examinado o coração do santo, achou-se uma hóstia perfeitamente intacta dentro do ventrículo esquerdo do coração do santo.
Santo Antônio Maria Claret previu, em visões, que a ilha de Cuba passaria um longo tempo afastada de Deus, por causa de um "tirano" inimigo de Deus. Porém, também previu que esse mesmo inimigo morreria "só" em seu quarto, abandonado por todos (Fidel Castro?).

Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

Um comentário:

Fredufrj Silva disse...

Obrigado amigo pela postagem.

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