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sexta-feira, 20 de março de 2015

SANTO ALESSANDRO SAULI, Bispo Barnabita.


No século XVI surgiram grandes santos, como Santo Alexandre Sauli, Superior Geral dos Barnabitas, Bispo de Aléria, na Córsega, e de Pavia, na Itália, que levaram avante a Contra Reforma. Eles não só combateram os erros de Lutero e seus sequazes, mas empreenderam uma autêntica reforma na vida da Igreja.

Alexandre nasceu em 1530, em Milão, oriundo de uma das mais ilustres famílias genovesas que enriqueceram a Igreja com Cardeais e Bispos notáveis por seus talentos e piedade. O brasão de sua família existia até há pouco em fachadas de hospitais e igrejas que a ela deviam sua existência.

 Para cultivar sua inteligência e piedade precoces, seus pais deram-lhe hábeis preceptores e depois o enviaram a Pavia, para os estudos humanísticos (línguas e outros).

Voltando a Milão aos 17 anos, Alexandre foi nomeado pajem do Imperador Carlos V, o que lhe abria as portas de um futuro brilhante na Corte Imperial.

Mas as cogitações de Alexandre eram outras, e pediu para ser admitido na Congregação dos Barnabitas, fundada pouco antes, por Santo Antônio Maria Zaccaria, na igreja de São Barnabé, em Milão. Ora, um jovem nobre, pajem do Imperador, brilhante nos estudos, tinha que comprovar sua vocação religiosa antes de ser aceito. E a prova que deram foi muito dura para o descendente de ilustre família: na festa de Pentecostes de 1551, quando a cidade estava cheia de gente, deveria ele, com as ricas vestes de pajem imperial, percorrer suas principais ruas com uma enorme cruz às costas. A isso se prestou Alexandre. Chegando à famosa Piazza dei Mercanti, vizinha à catedral de Milão, havia um palco improvisado no qual um grupo de comediantes apresentava uma peça teatral. O jovem Alexandre interrompeu a representação e fez sair do palco os atores. Pronunciou, então, comovente sermão sobre o serviço que o homem deve prestar a Deus.

Aceito então pelos Barnabitas, foi enviado para terminar seus estudos em seu colégio em Pavia.

Ardoroso apóstolo no púlpito e no confessionário

Apenas ordenado, entregou-se à pregação e ao ministério da confissão, com um dom especial para tocar as almas e converter os pecadores.

Seus talentos levaram seus superiores a nomeá-lo, apesar de muito jovem, professor de Filosofia e de Teologia na Universidade de Pavia. Fundou aí, antecipando-se aos tempos, uma Academia congregando os universitários católicos.

Mesmo com os encargos do magistério, Alexandre continuou seu apostolado no púlpito e no confessionário. O jovem professor adquiriu tanta fama por seu dom de conduzir almas, que várias comunidades de religiosos puseram-se sob sua direção.

São Carlos Borromeu convidou-o a pregar em Milão e o escolheu para confessor e conselheiro.

Uma luz tão brilhante não podia deixar de atrair a atenção daqueles que lhe eram mais próximos. Por isso, foi ele eleito Superior Geral de sua congregação antes de completar 33 anos de idade.

Como Superior, Alexandre Sauli “não só vigiou para manter intacta a observância da regra, mas tinha um cuidado todo especial na formação dos jovens recrutas para que fossem dignamente formados na doutrina e na santidade do ministério ao qual foram chamados” (1).

Sua capacidade como administrador e como diretor de almas deu novo brilho à sua jovem congregação e o tornou ainda mais conhecido no mundo católico. O que levou o Papa São Pio V, tendo em conta seu zelo missionário e espírito apostólico, a escolhê-lo para Bispo da quase extinta diocese de Aleria, na ilha de Córsega.

De Superior Geral a Bispo da Córsega

Essa ilha fora evangelizada no tempo de São Gregório Magno, mas havia mais de 70 anos que estava sem Bispo, e reduzida ao estado mais deplorável. Seu parco clero era ignorante - não conhecia bem nem sequer o rito da Missa - e sem zelo. Seus habitantes - que viviam dispersos nas florestas e montanhas - quase selvagens, não sabiam nem mesmo os primeiros rudimentos de Religião. Havia poucas povoações e quase nenhuma igreja.

 Santo Alexandre, sendo bispo na Córsega, promulgou os decretos do Concílio de Trento O novo Prelado partiu para sua diocese levando três membros escolhidos de sua congregação como auxiliares e entregou-se ao labor apostólico. Era preciso fundar igrejas, reedificar as que estavam em ruínas, restabelecer de modo decente o culto divino. De sua catedral, em Aleria, só restavam escombros. Sem igreja e mesmo sem casa, Santo Alexandre fixou-se primeiro em Corte. Lá convocou um Sínodo nos moldes dos que São Carlos Borromeu realizava em Milão, para fazer um balanço da situação da ilha, corrigir os abusos mais salientes e elaborar um plano de ação a seguir. No dito Sínodo, promulgou os decretos do Concílio de Trento, e fundou, segundo suas diretrizes, um seminário para a formação do clero. Estabeleceu também escolas para a instrução das crianças, a fim de que estas pudessem aprender o catecismo e preparar-se para receber mais condignamente os Sacramentos. Ensinava seu clero, pregava o catecismo ao povo, visitava os doentes, pacificava os ódios e as lutas entre as famílias, tão comuns naquela ilha.

Começou a visitar cidades e vilarejos, localizados mesmo nos lugares mais inacessíveis, pregando a palavra divina. E o fazia com tanta unção e eloquência, que as populações vinham cair a seus pés, ávidas de maior aprofundamento na Religião.

O zeloso Pastor e seus auxiliares entregaram-se ao labor com grande empenho. Em pouco tempo, os três missionários que o Santo trouxera consigo morreram de fadiga. Santo Alexandre continuou sozinho as pregações, acrescentando a elas esmolas, jejuns e rigorosa abstinência para obter maior fruto.

Sua oração obtém o afogamento dos corsários. Vigoroso polemista: conversão de hereges e judeus

Tendo que se mudar continuamente por causa dos ataques dos corsários, Alexandre Sauli acabou por fixar-se no centro da ilha, em Cervione, para onde transportou também seu seminário e construiu sua catedral. A esta dotou de um capítulo de cônegos. Nessa época ocorreu um estrondoso milagre operado pelo Santo. Vinte galeras de piratas aproximaram-se da Córsega a fim de pilhá-la. O povo foi tomado de pânico e muitos fugiram para o centro da ilha. Pediram ao Bispo que também fugisse, fornecendo-lhe um cavalo. Mas ele respondeu que deviam antes ter confiança em Deus. Retirou-se então para uma capela onde se pôs em oração. Depois saiu e dirigiu-se com os fiéis para a praia, e rezou. Nesse instante levantou-se uma tormenta que levou todos os agressores ao fundo do mar.

Para uso de seu clero, Santo Alexandre compôs as Advertências, onde mostrava como os sacerdotes deviam portar-se e como dirigir as almas a eles confiadas. Compôs também os Entretenimentos, obra na qual explicava a doutrina da Igreja para uso do clero, com tanta clareza e ortodoxia, que São Francisco de Sales dizia que, com essa obra, Santo Alexandre esgotava a matéria tratada.

Grande controversista, Alexandre Sauli converteu um discípulo de Calvino que fora de Genebra à Córsega tentar infectar a ilha com os erros de sua seita.

 Por amor à Cátedra de Pedro e à Sé Apostólica, de tempos em tempos Santo Alexandre dirigia-se a Roma, onde frequentemente era convidado a pregar. O Papa Gregório XIII ficava encantado com suas palavras, e São Felipe de Neri venerava-o por causa de seus talentos e piedade. Num sermão, em Roma, converteu à verdadeira Fé quatro judeus dos mais radicais. Pregou também com grande fruto em Gênova e Milão, onde foram dados vários testemunhos de sua santidade.

Gênova e Tortone quiseram-no como Pastor, mas Gregório XIV nomeou-o Bispo de Pavia, em 1591. Tinha ele aplicado mais de vinte anos de energia, zelo e saúde entre os corsos.

Em sua nova diocese, o Apóstolo da Córsega empreendeu logo no início a visita pastoral com o mesmo zelo e abnegação que empregara em sua primeira diocese, voltando a Pavia para as festas solenes.

Estando em Calozzo, no condado de Asti, o santo Prelado foi atacado pela doença que o levaria à morte, a 11 de outubro de 1592. Como muitos milagres foram obtidos por sua intercessão, Bento XIV beatificou-o em 1741. Foi o grande São Pio X quem o canonizou em 1904. Seu corpo é venerado na catedral de Pavia (2).




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Notas
1 - Celestino Testore, Enciclopedia Cattolica, Città del Vaticano, Casa Editrice G. C. Sansoni, Firenze, vol. I, p. 809, verbete Alessandro Sauli.
2 - Outras obras consultadas:
Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Bloud et Barral, Librairies-Éditeurs, Paris, 1882, tomo IV, pp. 640 e ss.

Pe. José Leite, SJ, Santos de Cada Dia, 3a. edição corrigida e aumentada, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, pp. 160 e ss.

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