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sábado, 21 de março de 2015

Beato Mariano de Roccacasale, irmão franciscano.


Nasce no 14 de julho de 1778 em Roccacasale, Áquila, Itália. Batizado com o nome de Domingos, filho de Gabriel De Nicolantonio e Santa De Arcângelo, agricultores e pastores profundamente de fé. Depois de se casaram seus irmãos, permaneceu com seus pais, cuidando do rebanho. A solidão dos campos e montanhas formaram o temperamento do jovem Domingos para a reflexão e o silêncio, fazendo ressonar nele a voz do Senhor: compreendeu que o mundo não era para ele. Tinha então 23 anos. Não podia resistir a esta força interior e decidiu dedicar-se com mais radicalidade ao seguimento de Cristo.
Tomou o hábito franciscano a 02 de setembro de 1802 no convento de Arisquia, com o nome de Frei Mariano de Roccacasale. Feita a profissão religiosa permaneceu aí doze anos. Sua vida se pode resumir em duas palavras: oração e trabalho; eram como duas cordas que vibravam sua existência. Cumpria escrupulosamente os múltiplos encargos que se lhe cofiavam: carpinteiro hábil e valioso, hortelão, cozinheiro, porteiro. Mas sua aspiração à santidade não encontrava em Arisquia o ambiente favorável, não por culpa dos companheiros, ou dos superiores, mas porque aquela época não era propícia para a vida religiosa e os conventos. Com o regresso do Papa a Roma em 1814, a vida conventual pôde renovar-se lentamente em meio de dificuldades sem número. Foram precisos vários anos para que todos os religiosos regressassem aos conventos e a vida de oração e de apostolado voltasse a florescer com regularidade nos claustros.
Nesse momento chegou aos ouvidos de Frei Mariano o nome do Retiro de São Francisco em Bellegra, onde santos religiosos pretendiam instaurar uma vida regular e austera. Pediu aos superiores para ser enviado para lá. Tinha a idade de 37 anos. Pouco depois foi encarregado da portaria, que desempenhou por mais de quarenta anos e que se converteu em seu meio de santidade.
Abre a porta a muitos pobres, peregrinos e viandantes, e converte muitos corações, fechados até então à graça divina. Para todos tinha um sorriso, que acompanhava sempre com a saudação franciscana: “Paz e Bem”; beijava-lhes os pés, os instruía nas verdades da fé e rezava com eles três ave-marias. Depois se ocupava dos corpos: lhes lavava os pés; se fazia frio acendia o fogo e lhes distribuía a sopa, enquanto lhes dava conselhos. Nunca se lamentava do trabalho nem dava sinais de cansaço; sempre afável, sorridente. A fonte de tanta virtude era, sem dúvida, a oração. Todo o tempo livre que lhe sobrava de suas ocupações o dedicava a adoração Eucarística e a participação na Missa. Era também muito devoto da paixão do Senhor. Falece a 31 de maio de 1866, festa de Corpus Christi.






Na sua beatificação, São João Paulo II assim definiu o beato:
“No que se refere à vida e à espiritualidade do Beato Mariano de Roccacasale, religioso franciscano, pode-se dizer que elas se resumem emblematicamente nos votos do Apóstolo Paulo à comunidade cristã dos Filipenses: “O Deus da paz estará convosco!” (4, 9). A sua vida pobre e humilde, vivida nas pegadas de Francisco e de Clara de Assis, foi constantemente dedicada ao próximo, com o desejo de ouvir e partilhar os sofrimentos de todos, para depois os apresentar ao Senhor nas longas horas transcorridas em adoração diante da Eucaristia.
O Beato Mariano levou a toda a parte a paz, que é dom de Deus. O seu exemplo e a sua intercessão nos ajudem a redescobrir o valor fundamental do amor de Deus e o dever de o testemunhar na solidariedade para com os pobres. Ele é para nós exemplo, sobretudo no exercício da hospitalidade, tão importante no atual contexto histórico e social e principalmente significativo na perspectiva do Grande Jubileu do Ano 2000.
A mesma espiritualidade franciscana, centrada numa vida evangelicamente pobre e simples, distingue Frei Diego Oddi, que hoje contemplamos no coro dos Beatos. Na escola de São Francisco, ele aprendeu que nada pertence ao homem a não ser os vícios e os pecados e que tudo o que a pessoa humana possui, na realidade é dom de Deus (cf. Regra não selada XVII, em Fontes Franciscanas, 48). Desta forma aprendeu a não se angustiar inutilmente, mas a expor a Deus “orações, súplicas e agradecimentos” por todas as necessidades, como escutámos do apóstolo Paulo na segunda Leitura (cf. Fl 4, 6).
Durante o seu longo serviço de esmoleiro, foi autêntico anjo de paz e bem para todas as pessoas que o encontravam, sobretudo porque sabia ir ao encontro das necessidades dos mais pobres e provados. Com o seu testemunho jubiloso e sereno, com a sua fé genuína e convicta, com a sua oração e o seu incansável trabalho o Beato Diego indica as virtudes evangélicas, que são a via-mestra para alcançar a paz”.



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