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quarta-feira, 4 de março de 2015

Beata Rafaela Ybarra de Villalonga, Esposa, Mãe e Fundadora.

Não há obstáculo que se interponha na vida de um apóstolo, nem sequer quando o chamamento de Cristo o surpreende no estado de vida de casado. Além de exercer admiravelmente sua responsabilidade atendendo a sua família, não se refugia nela para minimizar a entrega devida a Deus, quer lhe falte ou não seu respaldo. Se fosse esse o caso, então, se dispõe a viver uma oferta de “mártir” e, com ela, atrai as bênçãos diversas aos mais próximos que são extensivas a todos aqueles que estão ao seu redor; com tanto sacrifício se constrói esta morada exclusiva no Céu da qual fala o Evangelho.

A Rafaela seu esposo nunca lhe pôs impedimentos para exercer um vibrante apostolado, que frutificou generosamente, culminando com sua aprovação e para que professasse e fundasse um Instituto religioso, máxima prova de um amor humano que se inspira no amor divino. Esta excelente esposa e mãe de família nasceu em Bilbao, Espanha, em 16 de janeiro de 1843. Também nela se cumpre, como na maioria dos casos, que sua fé nasceu e foi profundamente enraizada com o testemunho e o incentivo de sua família, que lhe inculcou a base virtuosa sobre a qual sua existência foi erguida. 

Pertencia à alta sociedade de Bilbao. Os sinais do amor divino nela foram precoces. Viveu a experiência de sua Primeira Comunhão com grande alegria: “Comunguei com grande fervor. Recordo muito bem haver experimentado grandes consolos espirituais e haver chorado pensando na Paixão de Jesus”. Não obstante, no meio de sua piedade, havia também espaço para certas vaidades que, em geral, são particularmente atraentes na juventude. Ela mesma confessou seus bons hábitos e também suas debilidades: “Agradava-me ser vista e bem tratada. O luxo não era exagerado para minha posição social. No entanto, gastava bastante em tudo. Agradavam-me muito as joias. Porém, conservava um fundo de piedade natural. Rezava o Rosário todos os dias com os empregados; lia meus livros de piedade e era compassiva com os necessitados”.

Aos 18 anos contraiu matrimônio com José de Villalonga, engenheiro industrial de procedência catalã, homem virtuoso, sem cuja generosidade e respeito não haveria podido levar a cabo a obra que empreendeu. A súplica de Rafaela era esta: "Que eu seja cada ia melhor esposa, melhor mãe, melhor filha. Faz, Senhor, que eu seja uma mansão de paz dentro da família". O conseguiu. Soube viver admiravelmente a vida de oração e de caridade com o cuidado de sua extensa família, composta por sete filhos à qual juntou mais cinco sobrinhos que ficaram aos seus cuidados quando sua irmã, e mãe dos pequenos, faleceu. 

Ela também teve que desprender-se repentinamente de dois de seus filhos, além do Benjamim, que foi atingido por uma terrível febre e dolorosa paralisia infantil. Esse fato, Dom Bosco a havia vaticinado ao encontrá-la em Barcelona: "Senhora, este menino será sua pequena cruz"; a mãe teve que lidar com essa dor e apreciar a grandeza do pequeno que um dia disse-lhe: "mamãe, tu és, pelo menos, 'serva de Deus'".
Rafaela levava já uma vida de oração e tinha tal devoção ao Santíssimo Sacramento que cada vez se sentia mais impelida à união com Ele e a realizar o maior bem que lhe fosse possível.  Esse momento chegou quando, como resultado da ocupação de seu marido – promotor da empresa “Altos Hornos”, que tinha um capital humano de três mil pessoas –, tomou contato com essa realidade do mundo operário.

Sentia-se inclinada a cuidar das meninas e das jovens expostas a ricos que vem unidos à pobreza e à ignorância, tão frequentes em sua época. Via os males que acercavam as jovens operárias e, para acolhê-las, criou a casa Asilo da Sagrada Família. As recolhia pelas ruas e não titubeava em se colocar em apertos e se expor a situações difíceis com o objetivo de resgatá-las do perigo. Queria proporcionar-lhes tudo o que precisavam humana e espiritualmente, semeando a esperança em suas vidas. Além disso, aos enfermos e pobres nunca lhes faltou sua caridade. “As pessoas passam, porém, as obras permanecem”, costumava dizer.

Criou em Bilbao numerosas instituições de proteção à mulher. A ajudaram neste empenho voluntárias que trabalhavam seguindo o “slogan” que lhe deu: “doçura nos meios e firmeza nos fins”. Tinha claro, e assim o transmitiu, que “o que não alcança o amor, não o conseguirá o temor”. O dizia por experiência, posto que um dia que foi buscar uma reclusa, esta a esbofeteou. E ela, respondendo com mansidão, lhe disse: “não me fizeste dano, minha filha; desde agora te quero ainda mais bem”, palavras tão sentidas e autênticas que desmoronaram a revolta e arrogância da jovem, que se arrependeu chorando amargamente. O propósito de toda a obra de Rafaela foi este: viver “unidas a Deus pela oração e o apostolado” para levar “o anúncio do amor de Deus ao mundo da infância e da juventude”. Assim, surgiram apartamentos e oficinas que puderam dar suporte e treinamento a estes grupos.

Contou com o consentimento de seu esposo, Don José Villalonga, para fazer profissão religiosa e fundar o Instituto das Irmãs dos Anjos Custódios em 1894. Faleceu santamente no dia 23 de fevereiro de 1900. Vivera plenamente o lema que ensinava a todos: “Não vos canseis de fazer o bem”. Foi beatificada em 30 de setembro de 1984 por São João Paulo II.


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