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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Servo de Deus Padre Aloísio Sebastião Boeing, SCJ



O padre Aloísio nasceu no dia 24 de dezembro de 1913, em Vargem do Cedro, naquele tempo município de Imaruí (SC), hoje pertencente a São Martinho. Primogênito de uma família cristã, foi batizado no dia 26 de dezembro do mesmo ano e crismado no dia 22 de janeiro de 1914, na Paróquia São Sebastião, Vargem do Cedro. Os seus pais João Boeing e Josephina Effting Boeing, eram de missa e terço diários. Foi nesse ambiente que Aloísio desenvolveu a sua vida e personalidade na infância: num lar de pais piedosos e acolhedores, que partilhavam o que tinham com os mais necessitados.  Com doze anos, aos 11 de fevereiro de 1925, incentivado pelo pároco, ele saiu de sua terra natal, com mais outros três colegas, rumo ao sacerdócio.

As etapas de sua formação deram-se basicamente em Brusque, SC e Taubaté, SP. A primeira profissão religiosa aconteceu em Brusque, no dia 16 de janeiro de 1934. Os estudos de Teologia foram feitos em Taubaté, nos anos de 1938 até 1941. Foi ordenado sacerdote no dia 01 de dezembro de 1940.

Como consagrado e sacerdote dedicou a grande parte de sua vida à formação, especialmente em Jaraguá do Sul. Foi mestre de noviços durante 24 anos. Tornou-se um exímio formador, firme, devoto e zeloso. É de sublinhar ainda sua grande devoção à Virgem Maria. Por sua iniciativa, esse Noviciado recebeu o nome de Nossa Senhora de Fátima. Era muito estimado por todos, distinguindo-se pela sua amabilidade e paternal acolhida dos alunos que o procuravam para orientação espiritual.

O padre Aloísio nunca deixou de atuar no campo da pastoral. Desde o início de sua vida sacerdotal, passou também a ser procurado pelo povo, para aconselhamentos espirituais, até o fim de sua vida. Este foi o maior dom que Deus lhe deu e que desenvolveu ao longo de sua vida. Dia e noite, em todas as horas, era procurado em sua casa ou por telefone, para orientação espiritual, aconselhamento familiar e bênção da saúde. Nunca deixou de atender ninguém. No fim de sua vida, muitas vezes, doente, de cama, atendia, deitado, aos casos mais urgentes. Era ungido com o poder da intercessão. Sentia muita compaixão do povo, especialmente dos doentes, idosos e pobres. Tinha um gosto especial pelo colóquio de coisas espirituais e falava horas inteiras, sem se cansar. Pode-se dizer que Padre Aloísio passou sua vida religiosa, a exemplo de tantos cristãos, fazendo o bem.


Em 1974, fundou a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus, em Jaraguá do Sul. O que levou o padre Aloísio a fundar a Fraternidade foi seu desejo de ver um grupo de moças unidas, vivendo o Evangelho na realidade do mundo. Deste então, deu a vida para a Fraternidade, acompanhando-a com sua presença e orientação firme e segura.

Em 1984, Pe. Aloísio foi para o bairro Nereu Ramos, na cidade de Jaraguá do Sul. Ali viveu até o final de sua vida como vigário da capela do Rosário e diretor do Centro Shalom, atendendo incansavelmente a todos que o procuravam para uma orientação, auxílio e bênção. Então, dedicou-se mais à “Fraternidade Mariana do Coração de Jesus” e a todas as pessoas consagradas, que buscavam nele inspiração de vida no seguimento de Cristo. A Fraternidade cresceu e continua irradiar a alegria no servir, a simplicidade de vida e a oblação de amor, na busca de tornar presente, em suas vivências fraternas, o que vivia a família de Nazaré e os amigos de Jesus em Betânia: a ocupação com as coisas do Pai e o acolhimento. Sempre numa atitude de dedicação para com os sacerdotes.

Padre Aloísio morreu do mesmo modo que viveu: santamente. Sentindo próxima sua partida e sentindo deixar a todos que amava disse: “Vocês me encontrarão na Eucaristia”. Partiu no dia 17 de abril de 2006, serenamente, para os braços do Pai. Foi sepultado no jardim, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Bairro Nereu Ramos, em Jaraguá do Sul.

Falecido aos 92 anos, nunca deixou de celebrar amorosamente os Santos
Mistérios e de atender a quem o procurava... 



É um local de orações e pedidos de graças. Muitas pessoas testemunham já terem alcançado graças por sua intercessão. Cremos que ele, junto de Deus, está intercedendo por todos nós e, de um modo todo especial, pelos que procuram auxílio em suas necessidades. Todo dia 17, de cada mês, lembrando o dia do seu falecimento, é celebrada a missa da Misericórdia, às 15h.

«Perdemos um padre muito querido, mas, ganhamos um santo, no céu!» (Pe. Osnildo C. Klann, scj)





Notícias sobre o processo de beatificação:

No dia 17 de março, a Diocese de Joinville, no Estado de Santa Catarina, juntamente com a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus e a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, promoverá o ato de encerramento da fase diocesana do processo de Beatificação do Servo de Deus Padre Aloísio Boeing.

A programação do evento terá início às 19h, com o ato do encerramento. Em seguida, às 20h, ocorrerá a Missa pela Beatificação do Padre Aloísio, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Rua Luiz Sarti, no bairro Nereu Ramos, na cidade catarinense de Jaraguá do Sul.

Fundador da Fraternidade Mariana do Coração de Jesus, que iniciou em 1974, o sacerdote trabalhou por mais de 40 anos em Jaraguá do Sul e está sepultado no pátio da Paróquia Nossa Senhora do Rosário.

O túmulo de Padre Aloísio virou espaço de romaria e todos os dias 17 de cada mês é realizada a Missa da Misericórdia, onde é lembrado o sacerdote, sempre às 15h. As pessoas atribuem ao religioso milagres, como a cura de doenças, em alguns casos, até de pacientes que estavam desacreditados pelos médicos.


Oração pela beatificação do Padre Aloísio Boeing:

Ó Pai, todo poderoso, Deus de amor e misericórdia!Vós enviastes o vosso Filho para a salvação do mundo.
Na vossa providencia chamastes muitos para continuar a obra de vosso Filho entre eles também o vosso servo Padre Aloísio. Como fiel sacerdote do Coração de Jesus, ele acolhia, aconselhava e abençoava, como pai e amigo, procurando conduzir todas as pessoas ao encontro de vosso Filho Jesus Cristo Eucarístico e da Virgem Maria.
Atendei-nos, Pai Eterno e ajudai-nos a ser presença de vossa bondade e amor para com nossos irmãos e irmãs e concedei-nos, pela intercessão do Padre Aloísio, a graça que necessitamos:  ______.
Ó Pai querido, glorificai vosso servo Padre Aloísio como recompensa por todo bem que fez durante a sua longa vida, para o louvor e a glória da Santíssima Trindade. Amém.



Com aprovação eclesiástica

Beata Maria Caridade Brader, Virgem e Fundadora (memória em 27 de fevereiro)

   
   Maria Caridade Brader, também conhecida como Maria Josafá Carolina Brader, Madre Caritas ou Maria Caridade do Amor do Espírito Santo, nasceu em 14 de agosto de 1860 em Kaltbrunn, Suíça como Maria Josafa Carolina Brader. Filha única de José Sebastião Brader e Maria Anna Carolina Zahner. Educada em uma família piedosa, ela era conhecida como uma menina muito inteligente e recebeu a melhor educação que os seus pais podiam dar. Seus pais tinham grandes planos para o seu futuro, mas, em vez de continuar os estudos, ela sentiu um forte chamado para a vida religiosa e entrou para o convento franciscano em Maria Jilf, Alstatten em 1º de outubro de 1880, tomando o nome de Maria da Caridade do Amor de Espírito Santo. Fez seus votos definitivos em 22 de agosto de 1882.
   Inicialmente, foi designada como professora. Quando foi possível para as irmãs em clausura se tornarem missionárias, irmã Cáritas, como era conhecida, foi voluntária com outras cinco irmãs para trabalhar em Clone, no Equador, em 1888. Trabalhou por seis anos como professora e catequista das crianças. Em 1893 foi transferida para Túquerres, Colômbia, onde as condições eram muito difíceis, mas, superou todas as dificuldades e, em pouco tempo, estava ensinando a fé aos pobres e desamparados. 
   Em 31 de março de 893, fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada em Tuquerres, Colômbia. Inicialmente composta de jovens irmãs com inclinação para o trabalho missionário, elas foram em breve recebendo moças do local e outras mulheres Colombianas. Madre Cáritas serviu como Superiora Geral da Congregação de 1893 até 1919 e, de novo, de 1928 a 1940. A Irmãs enfatizavam a boa educação, a oração assídua e uma vida austera. Elas receberam a aprovação papal para a Congregação em 1993 e, hoje, estão na América Central, América do Sul, México, Suíça, Mali, România e Estados Unidos.
   Madre Cáritas faleceu em 27 de fevereiro de 1943 em Pasto, Colômbia. Seu túmulo logo se tornou local de peregrinação e devoção popular. Vários milagres, creditados à sua intercessão, foram reportados em sua tumba.

Foi declarada Venerável em 29 de junho de 1999, e beatificada em 23 de março de 2003 pelo Papa São João Paulo II.

    A Igreja aguarda o segundo milagre para sua canonização. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Beata Delfina de Provença, Esposa, Viúva e Terciária Franciscana


Martirológio Romano: Em Apt, da Provença, Beata Delfina, esposa de São Elzeário de Sabran, com quem prometeu guardar a castidade, e depois de sua morte, permaneceu na pobreza e na oração.

Delfina de Signe nasceu por volta de 1284 em Puy Michel nos montes de Luberón, França, da nobre família Glandèves. Uma encantadora figura de mulher, que passa pelo mundo levando a todas as partes a luz de sua graça, o perfume da virtude, o calor de seu afeto. Não era uma santidade ruidosa, que tenha marcado a história de seu tempo, mas uma santidade delicadamente feminina que se difundiu a seu redor como linfa silenciosa e generosa para alimentar no bem a quantos estiveram em contato com ela durante sua vida.
Desde menina sua presença foi luz e consolo para sua família. Aos 12 anos já estava prometida a um jovem não inferior a ela por sua gentileza, nobreza de sangue e beleza de alma. Elzeário, o noivo, era filho do Senhor de Sabran e Conde de Ariano no reino de Nápoles. Desde o nascimento sua mãe o havia oferecido em espírito a Deus e mais tarde um austero tio o havia educado em um mosteiro.
O casamento teve lugar quatro anos mais tarde. Foi um matrimônio “branco”, porque os dois jovens esposos escolheram o estado de virgindade mútuas, um meio de perfeição espiritual mais alto e árduo. No Castelo de Ansouis, os dois nobres cônjuges viveram não como castelãos, mas, como penitentes; não como senhores feudais, mas, como ascetas dignos dos tempos heroicos da primitiva Igreja.
Tendo se transferido para o Castelo de Puy Michel, entraram na Ordem Terceira Franciscana (atualmente, chamada de Ordem Franciscana Secular). Sua vida interior se enriqueceu com uma nova dimensão, a da caridade, mediante a qual eles, ricos por sua condição, se fizeram humildes e pobres para socorrer aos pobres. Delfina e seu esposo além das penitências, orações e mortificações, se dedicaram a todas as obras de misericórdia, destacando-se em todas.
Elzeário e Delfina, os esposos santos.
Quando Elzeário foi enviado ao seu ducado de Ariano como embaixador no reino de Nápoles, a atividade benéfica dos dois esposos continuou em um ambiente ainda mais difícil. Em meio a tumultos e rebeliões, os dois Santos foram embaixadores de concórdia, de caridade, de oração. Continuaram suas boas obras multiplicando seus próprios esforços e sacrifícios até conquistar a admiração do povo.
Elzeário morreu pouco depois em Paris. Delfina, entretanto, sobreviveu a ele por muito tempo e honrou a memória de seu esposo do melhor modo possível, continuando as boas obras e imitando suas virtudes. Teve a alegria de ver seu esposo colocado pela Igreja no catálogo dos Santos. Ela, aos 74 anos, pode reclinar sua cabeça serena e feliz para o eterno descanso. Morreu em Calfières, em 26 de novembro de 1358. Foi beatificada pelo Papa Inocêncio XII em 24 de julho de 1694.

Etimologia: Delfina = do grego, “aquela que mata serpentes”.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Beata Maria Henriqueta Dominici, Virgem (21 de fevereiro).


     Catarina, era seu nome civil, nasceu em Carmagnola (Borgo Salsasio, Turim), em 10 de outubro de 1829, no seio de uma humilde família camponesa. Teve uma infância serena, circundada pelos afetos familiares, mas, em 1833, o pai abandonou a família, um pesar que marcou a sua infância e adolescência. Sua mãe, com os filhos, foi viver com um tio sacerdote em Borgo San Bernardo (também em Carmagnola), junto ao avô e uma tia.
     Diante do infortúnio, Catarina se abre para uma vida de doação e se volta para Deus, a quem sempre se refere como o “Bom Papai”, dirigindo-se a Ele com confiança filial. Catarina, de temperamento orgulhoso e independente, mas também terno e sensível, desde a juventude trava uma luta interior com a sua natureza, deixando que Deus molde o seu caráter. Transforma-se pouco a pouco em uma criatura humilde, simples, disponível, aberta e dócil à ação da graça. Aprende a dizer “sim” a Nosso Senhor dia após dia e começa a viver as virtudes de um modo heroico.
     Quando manifestou seu desejo de fazer-se religiosa, seu tio sacerdote se opôs firmemente, enquanto sua mãe, se bem que não era contrária, sentia medo de ficar sozinha. Foi preciso que cinco anos se passassem para ela poder cumprir seus desejos. Fez parte da Companhia dos Humilhados, que tinha a missão de acompanhar os mortos à sepultura.
     Em 1850, obteve a permissão de tornar-se religiosa, mas não de clausura como ela desejava: ingressou nas Irmãs de Santa Ana. Foi recebida no palácio Barolo de Turim pela fundadora, a Marquesa Júlia.
     O Instituto de Santa Ana havia sido fundado em 1834 por Carlos Tancredi Falletti, Marquês de Barolo, para acolher as crianças de rua e nascia com a missão de educá-los e instrui-los. O marquês morreu no dia 4 de setembro de 1838 em Chiari. Sua esposa, Júlia Cobert, nascida em Maulevrièr, na católica Vadeia, viveu até o dia 19 de janeiro de 1864, cumprindo a missão que assumiu com ele no serviço aos mais pobres.
     No dia 26 de julho de 1851 Catarina vestiu o hábito religioso, recebendo o nome de Irmã Maria Henriqueta. Nas comunidades nas quais o Senhor a coloca e nas várias situações nas quais se encontra vivendo, Ir. Henriqueta continuou de modo sempre mais intenso a vida de doação. A fidelidade nas pequenas ações é o segredo do seu caminho: “As pequenas ações feitas com grande amor valem muito mais que os atos heroicos feitos com objetivos humanos”.
     Ao seu diretor espiritual, um jesuíta, manifestou sua aridez espiritual e seu desejo de ir como missionária à Índia. Para preparar-se obteve a permissão de privar-se "das coisas não absolutamente necessárias".
     Em 1854 foi enviada a Castelfidardo, onde havia uma casa fundada uns anos antes, a pouca distância do Santuário de Loreto. Foi acolhida por suas Irmãs de religião "como uma espiã", mas em pouco tempo se fez amar.
     Um ano depois de sua chegada eclodiu uma epidemia de cólera na cidade, quando as Irmãs se ofereceram para cuidar dos doentes; a dedicação da Beata foi extraordinária. Foi nomeada mestra de noviças.
     O dia 17 de maio de 1857 foi memorável: com outras religiosas ela assistiu à audiência com o Beato Pio IX que visitava Loreto. Assistindo à audiência estava presente Santa Madalena Sofia Barat.

     Com 32 anos foi eleita Superiora Geral. Recebeu assim, ainda muito jovem, a herança de uma Congregação também muito jovem e deveria ser “a Madre” até o final da sua vida (1894). Escolhida por Deus para consolidar e desenvolver o Instituto, Madre Henriqueta foi fiel ao espírito dos Fundadores.
     Abriu o Instituto aos horizontes da missão ad Gentes, enviando as primeiras seis missionárias à Índia, em 1871, pois desejava fortemente que Deus e o Seu amor fossem conhecidos no mundo inteiro, porque pensava: “é impossível conhecê-Lo e não amá-Lo”. Presentes primeiramente em Secunderabad, as Irmãs se propagaram em vários estados indianos, e hoje a missão na Índia é a maior do Instituto.
     A Madre Maria Henriqueta esteve à frente da Congregação até sua morte, e a desenvolveu de forma excepcional. Fundou 32 casas, chegando a Roma e Sicília.  Foi conselheira de São João Bosco quando este criou a Regra das Filhas de Maria Auxiliadora, e lhe "emprestou" duas irmãs para a nova congregação.
     Afável e gentil, Madre Maria Henriqueta era reservada e de poucas palavras. Com a permissão de seus superiores fez o voto extraordinário de buscar no cumprimento de cada ação o modo "mais perfeito". Meditava longamente diante do tabernáculo e obteve da Santa Sé que suas religiosas pudessem comungar diariamente. Ao ler seus escritos, a Autobiografia e o enorme epistolário, se percebe seu total abandono nas mãos da Providência.
     A Beata Maria Henrique procurou em todas as coisas a vontade de Deus e se abandonou, tornando-se com a sua própria vida um canto de louvor à Santíssima Trindade. É esta herança espiritual que deixa para suas filhas e a todos aqueles que têm a graça de encontrá-la no seu caminho.
     Ela faleceu em Turim de um câncer de mama. Seus restos se encontram na capela da Casa Mãe de Turim.
     No dia 7 de maio de 1978 o Papa Beato Paulo VI a proclamou bem-aventurada, reconhecendo a sua riqueza e fecundidade espiritual e indicando o seu caminho de santidade como modelo a seguir.

Fontes: www.santiebeati.it;
http://hagiopedia.blogspot.com.br/2013/02/beata-maria-enrica-enriqueta-dominici.html

Beata Josefina Vannini, Fundadora da Congregação das Filhas de São Camilo.


   
  Judite Adelaide Vannini nasceu na Itália, no dia 7 de julho de 1859. Órfã de pai e mãe, Judite foi educada pelas Irmãs de Caridade até a idade de 21 anos.
     A data da sua Primeira Comunhão, que esperou com amor indescritível, foi também o germe de uma decisão por muito tempo pensada com especial carinho: dar-se a Deus e a Ele consagrar sua pobre vida, desejo que cultivou e fez crescer imperiosamente.
     O tempo amadureceu ainda mais a decisão de que seria Deus seu único e indivisível amor. Foi aos 20 anos de idade que pediu o ingresso no convento das Irmãs de Caridade. Em 2 de março de 1883, ingressou no noviciado de Siena.  Mas, por razões de saúde, foi obrigada a voltar para Roma, para o antigo pensionato onde recebera o diploma de instrutora. Esta prova causou-lhe grande sofrimento. No silêncio, teve de aplicar-se aos trabalhos manuais (bordado) para ganhar seu pão.
     Posteriormente, foi novamente aceita ao noviciado e enviada à comunidade de Montenero (Leghorn), onde permaneceu até 1886, em seguida a Bracciano até 1888, quando novamente teve de retornar ao pensionato. Era mais uma prova imposta pelo Senhor, que provava a pureza deste ouro no cadinho da humilhação. Os superiores definitivamente haviam decidido que não tinha vocação e por isto decidiram que retornasse aos afazeres do mundo.
     Judite tinha então 29 anos. A boa superiora do pensionato encontrou alojamento para ela nos arredores da cidade, e percebendo a piedade e a disponibilidade de Josefina, explicou-lhe que aceitariam de boa vontade que permanecesse entre elas, mas este tipo de vida não era compatível com seu caráter de profunda espiritualidade. Além de todos estes contratempos, teve de lutar contra as intenções de seu irmão Augusto, que tentava dissuadi-la da ideia de sua eventual consagração a Deus e a aconselhava a permanecer entre eles para formarem uma só família.
     Aos trinta e poucos anos confiou-se aos cuidados de sua tia e madrinha Ana Maria.  A esta altura todas as suas aspirações pareciam ter caído por terra, mas o Senhor a predispunha para outros horizontes sem contudo poupá-la de muitos outros sacrifícios e renúncias. Os frutos destes dois anos em que ali permaneceu, imprimiu nela ainda mais a qualidade incontestável de seu caráter, o grande abandono em Deus e a mais perfeita obediência ao seu diretor espiritual.
     Numa conversa privada que teve com o Padre Luís Tezza, Judite abriu a sua alma ao pregador.  Falou de seus projetos, dos seus malogros, das suas aspirações. Enquanto o Padre Luís a ouvia pela primeira vez, descobria nela rara sabedoria e uma grande maturidade espiritual. E viu nela um belo instrumento a ser usado em uma fundação em amadurecimento.  Havia chegado o momento em que Deus realizaria nela plenamente a Sua vontade.
     O Padre Tezza não perdeu tempo: expondo-lhe os detalhes de uma fundação movida pelo espírito de São Camilo de Léllis, propôs que nela colaborasse. Judite pediu um tempo para dar uma resposta definitiva. Após refletir sobre a proposta diante de Deus, finalmente aceitou o encargo, colocando-se à inteira disposição do Padre Luís Tezza.  Assim, na humildade e no silêncio, surge a nova fundação.
     Obtendo permissão de seus superiores eclesiásticos, no dia 2 de fevereiro de 1892 (festa da Purificação de Nossa Senhora e aniversário da conversão de São Camilo de Léllis), Judite e duas companheiras foram empossadas em um pequeno apartamento na Rua Merulana, 141.  Mantidas na solidão, no silêncio, oração e trabalho, santamente preparavam-se para receber o ingresso na Congregação Filhas de São Camilo.  Foi na festa de São José, em 19 de março de 1892, que Judite tomou o nome definitivo de Irmã Maria Josefina, tornando-se superiora da pequena comunidade.
     É fácil imaginar a suprema alegria do Padre Luís, das suas primeiras filhas e dos camilianos presentes. Uma nova congregação tinha nascido, limitada, extremamente pobre, mas com plena confiança depositada em Deus, na Santíssima Virgem, em São José, escolhido como protetor específico, sob a proteção paterna de São Camilo de Léllis.
     Em 1909 a fundadora atingiu a idade de cinquenta anos. Exatamente neste ano Nosso Senhor concedeu a ela a alegria desejada por muito tempo: a aprovação eclesiástica do Instituto. O cardeal vigário, Pedro Respighi, por decreto firmado em 21 de junho de 1909, criava os piedosos asilos, junto à Congregação de Direito Diocesano e aprovava as suas constituições.
     Madre Josefina Vannini, frágil desde a juventude, nunca teve boa saúde. Os sofrimentos da adolescência, as desilusões da juventude, o peso da fundação, a apreensão e o amor intenso e dedicado às suas religiosas, consumiram-na sobremaneira.  Seu coração estava cansado e não batia mais regularmente.
     Por ocasião de uma visita a uma comunidade, retornou extremamente esgotada e foi obrigada, pela grande fraqueza, a pôr-se de cama. Todos estavam conscientes de que a Madre tinha chegado a uma fase em que talvez não pudesse mais continuar nas suas funções de superiora. Ela mesma havia compreendido isto e com muita resignação facilmente aceitou os afetuosos cuidados de suas filhas.
     Pouco tempo de vida restou-lhe depois disto. Ao final da jornada, um padre escreveu sobre ela: “Como ocorre em cada boa alma, nesta enfermidade terminal resplandecerá mais do que nunca as virtudes que a acompanharam durante sua vida religiosa. Piedade para com Deus, paciência nas suas dores, afeição para seus irmãos, docilidade aos confessores, mortificação para si mesma, gratidão em cada pequeno serviço, humildade nos sentimentos, espírito de fé e amor de Deus, eram coisas que a animavam eu diria quase continuamente”.
     Estando próximo o fim, repetia aos padres que a assistiam frases de amor e de fé em Deus e na Virgem. À véspera de sua morte quis ver as suas filhas, dando-lhes as últimas instruções. Morreu serenamente na noite de 23 de fevereiro de 1911, aos cinquenta e dois anos, em Roma.
     Em apenas 19 anos de trabalho, Madre Josefina Vannini conseguiu difundir o seu providencial instituto na Itália, na França, na Bélgica e na América do Sul. Hoje as Filhas de São Camilo trabalham em quatro continentes: Europa, Ásia, África, América.
     A causa de canonização foi enviada ao tribunal do Vicariato de Roma em 1955. Em 16 de outubro de 1994 São João Paulo II a proclamou Beata.


Fontes: blog “Heroínas da Cristandade” (com permissão da autora do blog), traduzido do site: santiebeati.it

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Venerável Serva de Deus Ana Madalena Rémuzat, Virgem e Mística.


Irmã Ana Madalena Rémuzat nasceu em Marselha a 29 de novembro de 1696, no seio de uma família profundamente cristã e piedosa; foi batizada no mesmo dia na igreja de Accoules. Muito pequena expressou seu desejo de ser religiosa. Depois de uma oposição inicial e diante de sua insistência, em 1705, os pais concordaram em deixá-la entrar por algum tempo no segundo mosteiro da Visitação de Marselha, fundado em 1652, onde já se encontrava uma parenta.
No ano seguinte, Madalena recebeu a Primeira Comunhão e foi cumulada de favores espirituais. Em 1708, Nosso Senhor Jesus Cristo a chamou a uma maior fidelidade e pediu, na linguagem da época, que fosse a sua "vítima", ou seja, sua mensageira, sua enviada. Assim começou um período de renúncia e mortificação. Jesus lhe aparecia frequentemente, conversava com ela; apesar disso, ela sofria provações e a noite do espírito.
Em 1709, por ocasião de uma visita ao mosteiro, a menina pediu a seu pai para voltar para casa. Na família, a amável menina dedicava-se com cuidados especiais a seus numerosos irmãos e irmãs.
Toda a família passava o verão no castelo da Glacière, situado perto de Auriol. Lá, como em Marselha, a oração, o trabalho e as obras de caridade ocupavam uma larga parte dos dias de Madalena. Enfeitar os altares, ensinar às crianças da aldeia, visitar os pobres doentes, eram suas práticas diárias.
Madalena passou assim dois anos no mundo, exercendo um verdadeiro apostolado sobre todos os que se aproximavam dela. A beleza de sua alma se refletia em seu rosto marcado por uma virginal modéstia. Suas maneiras afáveis e dignas, sua conversa edificante impunham respeito e faziam sentir a presença de Deus. Uma irradiação toda divina parecia fazer-se em torno da piedosa jovem e ela tornou-se, sem saber, objeto de uma espécie de veneração; ela adquirira uma verdadeira influência em sua cidade natal que, no momento apropriado, iria lhe facilitar a realização da ordem celeste.
Nesses dois anos conhecera e passou a ser dirigida espiritualmente pelo Pe. Claude Francis Milley, SJ.
No dia 2 de outubro de 1711, Madalena ingressou como postulante no primeiro mosteiro da Visitação de Marselha. Neste mosteiro, fundado em 1623 e chamado das Grandes Marias, desde 1691 havia um oratório dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, substituído em 1696 por uma capela.
Em 14 de janeiro de 1712, recebeu o hábito das noviças durante uma cerimônia presidida por Mons. de Belsunce, o qual a chama pela primeira vez de Ana Madalena. Em 14 de agosto de 1712, sua irmã Ana ingressou no mosteiro, e três meses depois vestiu o hábito com o nome de Ana Vitória († 1760). Ana Madalena pronunciou os votos perpétuos em 23 de janeiro de 1713.
No dia 17 de outubro de 1713, Nosso Senhor confiou a Irmã Ana Madalena uma missão, conforme ela contou em carta dirigida a seu diretor, em 14 de outubro de 1721: “Sexta-feira próxima, dia da morte de nossa Venerável Irmã Alacoque, fará oito anos que Jesus Cristo me fez conhecer, de maneira especial e extraordinária, seus desígnios sobre mim, com respeito à glória de seu Coração adorável. Se esta carta vos for entregue antes da sexta-feira, vós me fareis o favor de não esquecer, no altar, de dar graças a Deus”.
Ao confiar a Irmã Ana Madalena sua missão no dia do aniversário da morte de Santa Margarida Maria, Nosso Senhor dava a entender que aquela devia, ao realizar sua missão particular, continuar e completar a missão desta.

Assim começou para ela um tempo de provação e sofrimento, mas também de consolo na oração. Apóstola e vítima, ela era assim mediadora que intercedia pela salvação dos pecadores. Muitos vêm consultá-la no parlatório do mosteiro.Deus queria que ela exercesse junto às almas uma espécie de ministério excepcional, único mesmo na história da Visitação. Para isso, Ele tinha dotado sua serva com os dons da profecia, de uma visão sobrenatural das consciências e do conhecimento dos acontecimentos que se passavam ao longe. Inumeráveis fatos o provaram e viu-se, então, em Marselha, um espetáculo inaudito: uma jovem religiosa, de dezenove a vinte anos servir de árbitro nas questões mais obscuras e decidir com tal autoridade que toda objeção desaparecia diante de sua palavra: “A Irmã Rémuzat disse”.

Em 1716, durante um êxtase, ela obteve permissão para ver a Santíssima Trindade. Seguem numerosas visões e colóquios com Jesus. Um ano depois, com a aprovação e o apoio de Mons. Belsunce, ela redigiu os estatutos da Associação da Adoração Perpétua do Sagrado Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Em 30 de março de 1718, com a aprovação do Bispo de Marselha, são impressos os regulamentos e os exercícios piedosos, e a Associação vem à luz no mês de abril. As inscrições logo chegaram aos milhares e vários mosteiros da Visitação criaram a Associação em suas igrejas. Foi neste mesmo ano em que as doutrinas jansenistas se espalhavam em Marselha com virulência, que durante as Quarenta Horas Nosso Senhor Jesus Cristo milagrosamente apareceu no Santíssimo Sacramento exposto na igreja dos Frades Observantes Franciscanos em frente à multidão reunida para a oração.
Ana Madalena Rémuzat foi advertida deste evento por via sobrenatural, bem como de um castigo que viria se a cidade não prestasse atenção à misericórdia do Senhor. Ela mencionou esta mensagem ao seu diretor espiritual, Pe. Milley, que a transmitiu ao Mons. Belsunce.
Em maio 1719 a nova superiora do mosteiro, Madre Francisca-Benigna de Orlyé dos Santos Inocentes († 1738) nomeou Irmã Ana Madalena superintendente da comunidade. Seus sofrimentos aumentaram e não vão deixá-la mais até sua morte. Passava noites inteiras em oração diante do Tabernáculo.
Em julho 1720 a peste atingiu Marselha. Em outubro, enquanto ela estava em adoração, Jesus mostrou-lhe que graças a este flagelo seria estabelecida uma festa em honra do Sagrado Coração, e, alguns dias depois, Ele indicou as condições necessárias. A mensagem foi enviada imediatamente ao Mons. Belsunce, que no dia 22 do mesmo mês publicou a ordem em que formalmente se instituía, na diocese de Marselha, a festa do Sagrado Coração, e em 1º de novembro seguinte - é a primeira no mundo – consagrou solenemente a cidade e a diocese ao Sagrado Coração Jesus.
A peste, que parecia enfim superada, reapareceu em 1722 e foi somente após os vereadores terem feito voto de participar desta festa a cada ano que o flagelo desapareceu. Não tendo se poupado nos cuidado aos doentes da epidemia, Pe. Milley morreu da mesma doença. Seguindo o conselho de Mons. Belsunce, Ir. Ana Madalena foi colocada em contato epistolar com o Pe. Girard, que mais tarde se tornou seu diretor espiritual.
Em 1723, durante os retiros anuais, ela tem uma nova visão da Santíssima Trindade. Em 1724 ela recebeu os estigmas da Paixão, mas pediu a Jesus que estes sinais permanecessem invisíveis.
Em maio de 1725, a Madre Nogaret († 1731), uma antiga superiora do mosteiro, assumiu o comando e substituiu a Madre dos Santos Inocentes. Em maio 1728, Madre Nogaret nomeou-a tesoureira do mosteiro, cargo no qual seria incansável.
Em janeiro 1730, Irmã Ana Madalena caiu gravemente doente e morreu no dia 15 de fevereiro seguinte – pedira que lhe recitassem a Ladainha do Sagrado Coração que ela mesma tinha composto. Mons. Belsunce presidiu o funeral e o sepultamento, enquanto a multidão, chorando, repetia incessantemente: "Morreu a santa!". Desde então, muitos milagres lhe foram atribuídos. Ela é considerada a herdeira de Santa Margarida Maria Alacoque e por isso é chamada de apóstola, a propagandista do Sagrado Coração.
A Igreja a declarou Venerável e a causa de sua beatificação, introduzida em 24 de dezembro de 1891 e, em seguida retomada em 1921, ainda está sem resultado. Então, na Quinta-feira Santa, 9 de abril de 2009, Mons. Georges Pontier, Arcebispo de Marselha, nomeou postulador da causa o Mons. Jean-Pierre Ellul, reitor da Basílica do Sagrado Coração, onde está o coração de Irmã Ana Madalena desde que as Visitandinas de São Jerônimo deixaram Marselha para se juntar ao mosteiro de Voiron.

No dia 15 de fevereiro de 2014, o processo de beatificação e canonização foi apresentado na Basílica do Sagrado Coração.

(Fonte: blog "Heroínas da Cristandade", com autorização da tradutora)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Serva de Deus Maria Simma, Virgem e Mística (vidente das Almas do Purgatório)



Serva de Deus Maria Simma.
Deus é admirável em seus santos! Sim! No século passado e início do séc. XXI, nosso Senhor suscitou uma bela alma para relembrar à Igreja e ao mundo a devoção às almas do Purgatório, já bastante esquecida por muitos padres e leigos. 
O purgatório é uma realidade terrível, não uma lenda ou "conto da carochinha". É um dogma de fé católico que trás em si uma dura realidade que jamais pode ser esquecida por nós. 
Nesta publicação trago ao conhecimento dos leitores do blog a Sra. Maria Simma, uma camponesa e depois empregada doméstica à qual as benditas almas do purgatório, por vontade divina, apareciam para revelar-lhe como era o purgatório e que era possível fazer para aliviar-lhes os sofrimentos. 



Maria Simma: notas biográficas.

Alguns breves tratos dados ao seu bispo, Dom Franz Tschann, auxiliar de Feidkirch (+1935) pelo P. Alfonso Matt sacerdote da Vidente.

Maria Ágata Simma, nasceu no dia 5 de fevereiro de 1915 em Sonntag (Vorarlberg). Sonntag está situado no extremo de Grosswalsertal, a cerca de 30 km a este de Feldkirch, na Áustria. O pai de Maria Simma, José Antônio, era filho do proprietário da pensão do Leão (Lówe), que se chamava também José Antônio e de sua esposa Anna Pfisterer di Sonntag.
Por muitos anos trabalhou como porteiro, depois como camponês do seu irmão Johann Simma, agricultor de Bregenz, onde conheceu Aloisa Rinderer, filha de um funcionário da ferrovia que Johann criou como se fosse sua filha. José Antônio se casou com Aloisa mesmo que entre eles houvesse uma diferença de 18 anos de idade. 
Foram morar nos arredores de Sonntag. Durante a primeira guerra mundial trabalhou como carteiro, depois como lixeiro e camponês, depois se aposentou. Com a sua esposa e os seus oito filhos foi morar em uma velha casa que lhe foi dada em testamento da um bom velho, Franz Bickel, mestre marceneiro.
Devido à grande pobreza da família, os filhos, ainda muito jovens, tiveram que ir trabalhar para ajudar no sustento da família: os rapazes como operários e as moças como baby sitters (cuidadoras de crianças). Maria Simma foi, desde a juventude, muito pia e frequentou assiduamente os cursos de instrução religiosa dados pelo seu sacerdote, Padre Karl Fritz. Depois da escola primária partiu para a Svevia, mais tarde para Hard, Nenzing e Lauterach. Queria ser freira, mas em três vezes se viu mandada a casa por causa da sua constituição frágil.
O seu enxoval para o convento o tinha uma parte já mendigado e parte o tinha ganhado sozinha. Por três anos ficou ao serviço em Feldkirch, na casa de S. José. Depois que foi embora de Gaissau ficou em casa com seu pai e tomou conta da igreja. Com a morte do pai em 1947, viveu sozinha. Para poder se sustentar se ocupava de jardinagem. Vive de pobreza e vem ajudada por pessoas caridosas.
A sua permanência por três vezes no convento, a formarão e a fizeram progredir espiritualmente, preparando-a assim ao seu apostolado em favor das almas do purgatório. A sua vida espiritual é caracterizada pelo amor filial para com a Santíssima Virgem e do desejo de socorrer as almas do purgatório, mas, também de ajudar com todos os meios as Missões católicas.
Ela fez um voto a Nossa Senhora doando a sua virgindade e fez a consagração à Virgem Maria conforme o método de São Luís Maria Grignon de Montfort, em favor, sobretudo, dos defuntos, e se ofereceu a Deus, fazendo-lhe o voto como "vítima" de amor e de expiação.
Maria Simma encontrou a vocação que Deus designou a ela: ajudar as almas do purgatório com a oração, o sofrimento expiatório e o apostolado. Na época do nazismo ajudou a preparar as crianças à confissão e ao catecismo da primeira comunhão, dando a eles uma instrução religiosa complementar e demonstrando, nesta missão, um verdadeiro talento e uma grande destreza.





Passou toda a sua vida a serviço das pobres almas sofredoras que , a partir da década de 50, frequentemente apareciam-lhe suplicando por sufrágios. Tudo oferecia ao Senhor e a Nossa Senhora por elas: as Santa Missa cotidiana, a oração do Rosário mariano, a cruz do dia a dia, as contrariedades, tribulações, penitências, jejuns, a conformidade com a vontade de Deus, levando uma vida muito simples e escondida da “fama” do mundo.
Faleceu em odor de santidade em 2004, aos 89 anos de idade. Seu processo de beatificação já teve início.
Abaixo trago suas principais orientações em relação ao sufrágio das Almas do Purgatório:


A VISÃO DO PURGATÓRIO
“‘O purgatório está em muitos lugares’, respondeu uma vez Maria Simma. ‘As almas não vêm do purgatório, mas vêm com o purgatório’. Maria Simma viu o purgatório de diferentes maneiras. Há enormes multidões de almas no purgatório. É um contínuo vaivém. Uma vez viu um grande número de almas, completamente desconhecidas. As que haviam pecado contra a fé traziam uma chama escura sobre o coração, outras, que haviam pecado por impureza, traziam uma chama vermelha.
Depois viu também as almas em grupos: padres, religiosos, religiosas, viu católicos, protestantes e pagãos. As almas dos católicos devem sofrer mais que as dos protestantes. Os pagãos, em compensação, têm um purgatório ainda mais leve, mas recebem menos ajuda e a sua pena dura mais tempo. Os católicos recebem mais ajuda e salvam-se muito mais depressa.
Viu ainda muitos religiosos e religiosas, condenados ao purgatório por sua tibieza e falta de amor. Até crianças de apenas seis anos podem precisar sofrer muito tempo no purgatório.
A maravilhosa harmonia existente entre o amor e a justiça de Deus no purgatório foi revelada a Maria Simma. Cada alma é castigada segundo a natureza de suas faltas e o grau de apego com que cometeu o pecado.
A intensidade do sofrimento não é a mesma para cada alma. Algumas devem sofrer como se sofre numa vida difícil sobre a terra e devem esperar para chegar à contemplação de Deus. Um dia de purgatório pesado é mais terrível que 10 anos de purgatório leve. A duração das penas é bem variável. Há ainda almas que devem sofrer duramente até o Juízo Final. Outras têm apenas meia hora para sofrer ou ainda bem menos; a bem dizer, atravessam voando o purgatório.
O demônio pode torturar almas do purgatório, principalmente as que foram causa da condenação de outras. As almas do purgatório sofrem com admirável paciência e louvam a misericórdia de Deus, graças à qual escaparam do inferno. Sabem que mereceram sofrer e se arrependem de seus pecados. Imploram Maria, a Mãe de Misericórdia. Maria Simma viu também muitas almas que esperavam o socorro da Mãe de Deus. Quem acha durante a vida que o purgatório não é tão mau assim e disso se prevalece para pecar, deve pagar duramente por isso.





COMO PODEMOS AJUDAR AS ALMAS DO PURGATÓRIO?

1. Principalmente pelo Santo Sacrifício da Missa, que é insubstituível.
2. Pelos sofrimentos expiatórios: todo sofrimento físico ou moral oferecido para as almas, traz grande alívio.
3. O Rosário (parcial ou completo) é, depois da missa, o meio mais eficaz de ajudar as almas. Através do rosário são libertadas diariamente numerosas almas que, sem essa ajuda, deveriam sofrer muitos anos ainda.
4. A Via Sacra também pode lhes trazer grande reconforto.
5. De inestimável valia são as Indulgências, dizem as almas.
São elas uma apropriação da expiação oferecida por Jesus a Deus, seu Pai. Todo aquele que, durante a vida, ganha muitas indulgências para os mortos, receberá também mais do que os outros na sua última hora; pois receberá a graça de ganhar inteiramente a indulgência plenária. Não tirar proveito desses tesouros da Igreja para as almas do purgatório é uma crueldade. Vejamos! Se você se encontrasse diante de uma montanha de moedas de ouro, com a possibilidade de pegar quantas quisesse para ajudar um pobre infeliz, incapaz, por si mesmo, de pegá-las, não seria cruel você recusar o trabalho de estender a mão para fazê-lo? Em muitos lugares, diminuem ano a ano o uso das orações indulgenciadas. Os fieis deviam ser exortados a fazê-las com frequência.
6. As esmolas e as boas obras, principalmente as doações para as Missões, ajudam as almas do purgatório.
7. Acender velas ajudam-nas também, primeiro por ser um ato de atenção e amor para com elas; depois, porque se são bentas, as velas iluminam a escuridão em que se encontram as almas.
Uma criança de 11 anos, da família Kaiser, pediu orações a Maria Simma. Estava no purgatório por ter, no Dia de Finados, apagado as velas sobre os túmulos e roubado a cera para brincar. Velas bentas têm muito valor para as almas. No dia de Nossa Senhora das Cadeias, Maria Simma teve que acender duas velas por uma alma enquanto suportava por ela sofrimentos expiatórios.
8. A aspersão de água benta também alivia os sofrimentos dos mortos. Certa vez, aspergindo água benta para as almas ao sair de casa, Maria Simma ouviu uma voz dizer-lhe: ‘Mais!’.
Todos esses meios de consolação não ajudam as almas na mesma proporção. Se alguém em vida deu pouco valor à santa missa, também quando estiver no purgatório a missa lhe será de pouco proveito. Quem durante a vida teve o coração insensível, recebe pouca ajuda. Duramente devem expiar também aqueles que pecaram por difamação. No entanto, quem teve um bom coração durante a vida, recebe muita ajuda. Uma alma que havia negligenciado sua frequência às missas pôde pedir oito missas para alívio de seu sofrimento porque, durante sua vida, havia mandado celebrar oito missas por uma alma do purgatório.



MARIA E AS ALMAS DO PURGATÓRIO

Maria é, para as almas do purgatório, a Mãe de Misericórdia.
Quando Seu nome ressoa no purgatório, as almas experimentam grande alegria. Uma alma disse que, ao morrer, Maria pediu a Jesus a libertação de todas as almas que se encontravam então no purgatório. Jesus atendeu esse pedido de sua Mãe e, no dia da Assunção, essas almas acompanharam Maria ao céu, por ter sido Ela, nessa ocasião, coroada Mãe de Misericórdia e Mãe da Divina Graça. No purgatório, Maria distribui as graças de acordo com a vontade de Deus; passa frequentemente pelo purgatório. Isso foi o que viu Maria Simma.



AS ALMAS DO PURGATÓRIO E OS AGONIZANTES

Na noite de Todos os Santos uma alma lhe disse: ‘Hoje, dia de Todos os Santos, vão morrer, no Vorarlberg, duas pessoas que estão em grande perigo de se perderem para a eternidade. Só poderão ser salvas se rezarmos por elas com insistência’. Maria Simma rezou, sendo ajudada ainda por outras pessoas. Na noite seguinte, uma alma veio dizer-lhe que as duas tinham escapado do inferno e chegado ao purgatório. Um dos dois doentes deixou-se ainda administrar no último momento; o outro recusou a unção dos enfermos. As almas do purgatório dizem que muita gente vai para o inferno porque pouco rezamos por elas. Deveríamos rezar de manhã e à noite a seguinte oração indulgenciada:
Jesus, Tu que amas de um amor tão ardente as almas, peço-te e conjuro-te, pela agonia de teu Sacratíssimo Coração e pelas dores de tua Santíssima Mãe, lava, em teu sangue, os pecadores do mundo inteiro que se encontram agora em agonia e que vão morrer nesta noite ainda.
Divino Coração de Jesus, que sofreste a agonia, tem misericórdia dos agonizantes. Amém.
Maria Simma viu uma vez muitas almas sobre a balança entre o inferno e o purgatório.”.
Fonte: “Maria Simma, Segredos revelados pelas almas do Purgatório”, Associação Maria Porta do Céu.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

São Basílio Magno, Bispo e Doutor da Igreja.


Pai do monaquismo oriental, cognominado "o Grande" pelo exímio governo de sua diocese, São Basílio foi sobretudo chamado de "Magno" por sua defesa da Santíssima Trindade, perante a heresia ariana.


O século IV da Era Cristã poderia ser descrito como um período de controvérsias teológicas. Não obstante, foi uma época áurea da Igreja, pois, justamente por isso, surgiram eminentes figuras na defesa da Fé, entre as quais se encontram três capadócios de truz, cujas vidas se entrelaçam nesta cadeia de ouro de fidelidade: São Gregório de Nazianzo, São Gregório de Nissa e seu irmão São Basílio Magno, a quem dedicamos este artigo.



Os irmãos: Gregório de Nissa
e Basílio Magno. 
Uma família de Santos

Nascido em Cesareia da Capadócia, por volta do ano 330, Basílio pertencia a uma rica e nobre família cristã. Poucos anos antes de seu nascimento, a Igreja recebera de Constantino a liberdade de culto, findando o período das grandes perseguições. Conta-se que seus avós paternos faziam parte dos cristãos que, sob o império de Diocleciano, tiveram de se refugiar durante muitos anos em alguns bosques da região, para sobreviver sem renegar a Fé.
Seus pais eram exemplares na prática das virtudes e da caridade para com o próximo, chegando a consagrar parte de seus bens aos pobres, doentes e aos mais necessitados. Tiveram dez filhos, dentre eles, além de São Basílio, destacam-se Macrina, Gregório, Bispo de Nissa, e Pedro, Bispo de Sebaste, todos estes elevados à honra dos altares.
Na infância recebeu de sua avó - também santa e de nome Macrina - as primeiras instruções religiosas. Eis como ele mesmo descreve sua benéfica influência: "Que argumento seria mais convincente para provar a autenticidade de nossa fé, senão o fato de que fomos educados e guiados por aquela bem-aventurada senhora nascida entre vós? Refiro-me a Macrina, ilustre dama, de quem aprendemos as palavras do beatíssimo Gregório, o Taumaturgo, e tudo o que foi recebido de uma ininterrupta tradição oral, que ela fielmente guardava em seu coração. Forjava o nosso ânimo ainda tenro e o iniciava nas vias da piedade".
Desde criança, Basílio revelava possuir uma alma de fogo e um temperamento vigoroso, mas unido à suavidade de trato, o que marcará sua trajetória terrena, em especial quando assumir a vida pastoral da Diocese de Cesareia. Contudo, sua forte têmpera não influenciava a saúde, sempre frágil, à qual teve de dedicar frequentes cuidados ao longo da vida. "Conosco as doenças sucedem às doenças"; "nossa má saúde, que data de mais longo tempo e que não nos deixou ainda...", escrevia ele em cartas.



Comunidade de jovens em Atenas

Recebeu as primeiras letras em Cesareia, dirigindo-se depois para Constantinopla e Atenas, importantes centros acadêmicos de então. Estudou retórica e filosofia, sobressaindo-se entre os demais alunos, devido à sua rara capacidade intelectual e retidão moral.
Em Atenas, Basílio encontrou um dos maiores tesouros de sua vida: Gregório de Nazianzo, de quem se fez amigo íntimo e fiel. Providencial foi este relacionamento, que os encorajou a viver íntegros em meio aos dissolutos costumes estudantis gregos, além de se manterem firmes na fé, porque não eram poucas as ocasiões em que hostilizavam a Religião, tanto os colegas quanto os professores. "Atenas é pestífera a quem deseja a salvação da alma", comentaria São Gregório de Nazianzo ao relembrar aqueles anos.
Ironias, sarcasmos, perguntas insidiosas eram os métodos usados para ridicularizar a verdadeira doutrina (alguma semelhança com os tempos atuais?) e, infelizmente, nem sempre os estudantes cristãos estavam à altura para refutar as inverdades e calúnias. Foi numa dessas disputas estudantis que Gregório conheceu Basílio. Incomodados com a presença deste último, alguns colegas, invejosos de seu talento e eloquência, aproximaram-se dele e o "atacaram com questões muito capciosas e sutis, com o intuito de derrubá-lo no primeiro assalto", recorda-se São Gregório de Nazianzo. No entanto, admirável foi sua resposta. "Quando me dei conta da prodigiosa eficácia da dialética de Basílio, me uni a ele... E, assim, entre nós se acendeu a chama da amizade, que não foi simplesmente uma faísca, mas farol alto e luminoso".
Unidos no mesmo ideal, traçaram ambos um plano de vida: abster-se dos banquetes, das festas e tantas outras coisas, ainda muito impregnadas de paganismo. Este exemplo não tardou a levar um significativo número de rapazes, que também aspiravam à perfeição, a juntar-se aos dois. "Em torno de nós se havia formado uma significativa comunidade de jovens, os quais tinham Basílio como orientador, o seguiam e eram partícipes de sua alegria".
Terminados os estudos em Atenas, resolveu voltar para a Capadócia. Levava consigo não só um importante cabedal de ciência, bem como um progresso na virtude. Seus horizontes haviam-se alargado, as disputas e os argumentos falaciosos que precisara refutar lhe fizeram conhecer melhor a mentalidade do mundo no qual vivia e que haveria de enfrentar em defesa da Fé.


Nulidade do mundo que passa

De volta a Cesareia, passou pela terrível tentação de levar uma vida mundana e tranquila. Sua fama se havia espalhado e seus concidadãos ofereceram-lhe uma cátedra de retórica, o que de bom grado aceitou. O pecado e a vida dissoluta longe estavam de atraí-lo, porém não era a uma vida fácil que a Providência o chamava. E o instrumento divino que lhe reavivou na alma os desejos de perfeição surgidos quando estava em Atenas foi sua irmã Macrina. Imbuída da firmeza das virgens, cujo véu recebera, não cessava de exortá-lo à vida consagrada, a almejar apenas o Reino dos Céus, a desapegar-se das efêmeras honras deste mundo e a ouvir a voz interior que o chamava a dedicar-se a Deus.
"Macrina - escreve seu irmão, São Gregório de Nissa - o guiou com tal rapidez ao objeto da verdadeira filosofia, que ele, desviando-se daquela que o mundo adora, renunciou à glória da eloquência para consagrar-se inteiramente a uma vida de pobreza e trabalho".
Mais tarde, o próprio São Basílio escreverá que havia perdido quase toda a sua juventude no estudo da ciência mundana e parecia que as admoestações da irmã o haviam despertado de um sono profundo: "com os olhos bem abertos contemplava a luz admirável da verdade, que diante de mim emanava do Evangelho, como de um sol nascente. Reconheci a nulidade da sabedoria do mundo que passa e desaparece".
Após esta conversão, percorreu o Egito, a Palestina e a Síria, a fim de visitar e conhecer de perto os ascetas que ali viviam, desejando também ele levar uma vida retirada, para o que se dedicou mais à teologia e iniciou o estudo das Sagradas Escrituras.



Nasce o monaquismo oriental

De volta a Cesareia, pediu o Batismo - segundo o costume de então, de serem batizados adultos -, vendeu parte dos bens que possuía e iniciou uma vida de eremita nas proximidades do rio Íris, em Annesi, numa das propriedades da família. Logo o acompanhou Gregório de Nazianzo, seguido de muitos outros. Levavam não uma vida como a dos ascetas que visitara, pois o desejo de Basílio era de viver em comunidade, dividindo o dia em períodos de estudos, trabalho, oração e sacrifícios.
Esta nova forma de vida comunitária religiosa deu origem à instituição dos monges basilianos, para os quais ele redigiu algumas prescrições ascéticas, hoje conhecidas como a Grande Regra e a Pequena Regra, base do monaquismo oriental, que, posteriormente, acabou tendo influência sobre os monges do Ocidente. Inspirado nos ensinamentos evangélicos, São Basílio fundamentou sua obra no amor a Deus e ao próximo. Em suas regras, depois de enumerar as obrigações da vida comum de todo cristão, exortava os que são chamados a um maior grau de perfeição: "Todo aquele que se apaixone pelo celeste ideal de uma vida angélica e deseje converter-se em companheiro de armas dos santos discípulos de Cristo, revista-se de forças para suportar as provas e entre com valentia na sociedade dos monges. Desde o início seja um homem que não se deixe levar pelos afetos dos parentes e tenha a coragem de trocar os bens terrenos pelos que não morrem".
Cinco anos passou São Basílio na vida contemplativa. Talvez pensasse que nela transcorreria toda a sua existência, porque o ideal monástico era o que mais almejava. Mas, a Providência lhe tinha destinado outras vias, numa época conturbada pelas heresias.


 
Bispo de Cesareia

Chamado por Eusébio, Bispo de sua diocese natal, para auxiliá-lo, foi ordenado presbítero por ele, e com sua morte Basílio foi eleito Bispo de Cesareia para sucedê-lo. Era desde há muito conhecido por todos não só por sua probidade e obras caritativas, como por sua fidelidade à ortodoxia, algo especialmente valioso naquele contexto histórico, segundo período da crise ariana, a mais nefasta heresia do tempo.
Amigos das fórmulas ambíguas, as quais poderiam ser interpretadas a seu bel-prazer, os discípulos de Ário seguiam arrastando com suas ideias grande parte dos fiéis. Divididos em três facções - hereges declarados, arianos moderados e semiarianos -, sua influência era tal que São Basílio escrevia a Santo Atanásio: "Toda a Igreja se dissolve, como numerosos navios em alto-mar vagando a esmo, batem-se uns contra os outros sob a violência das ondas. É um grande naufrágio cujo responsável é o mar em fúria e também a desordem dos navios, indo uns contra os outros, despedaçando-se mutuamente. Onde encontrar um piloto à altura da situação, que seja assaz digno de fé para despertar o Senhor, a fim de que Ele ordene aos ventos e ao mar"?

Vendo-os apoiados pelo imperador, que se julgava com o direito de intervir na esfera espiritual, muitos dos que eram fiéis à verdadeira doutrina da Igreja contemporizavam, por medo da perseguição e do exílio. O próprio São Basílio foi censurado pelas autoridades civis, mas não cedeu às suas solicitações, mantendo-se impávido na defesa da Fé. O imperador chegou a dividir a região de sua diocese, com o intuito de coarctar a ação do Santo. Este, entretanto, sagaz como era, aproveitou-se da situação para criar dois novos Bispados - Nissa e Sásima -, colocando à cabeça dos mesmos seu irmão Gregório e o amigo de mesmo nome.


Uma só essência, em três Pessoas Divinas

As controvérsias teológicas com os arianos giravam, sobretudo, em torno da divindade do Filho e do Espírito Santo. O Concílio de Niceia afirmava a divindade e a consubstancialidade da Segunda Pessoa da Trindade com o Pai, sustentava a verdadeira humanidade e divindade do Verbo Encarnado e proclamava a fé no Espírito Santo. Todavia, nada dizia a respeito da natureza e da substância da Terceira Pessoa, e não definia os termos substância, pessoa e natureza, usados para defender a divindade do Filho, termos estes que eram susceptíveis a diversas interpretações.
Homem de um profundo espírito de piedade, contemplativo e varão de grande união com Deus, Basílio conseguiu definir a diferença entre os termos gregos usados, fazendo compreender que em Deus há uma só essência e três Pessoas. E que, portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus. Em seu Tratado sobre o Espírito Santo, proclamou a divindade da Terceira Pessoa e sua igualdade consubstancial com o Pai e o Filho; e mostrou que as fórmulas com, em quem, para quem, por quem, usadas ao se mencionar o Espírito Santo, não supõem que Ele tenha uma origem ou uma essência diferente do Pai e do Filho.
Seu maior mérito constituiu, portanto, em esclarecer a terminologia teológica trinitária, completando o terreno da ortodoxia católica de Niceia, não deixando margem a posteriores interpretações heréticas e contribuindo para a futura definição do Símbolo Niceno-Constantinopolitano, promulgado no Concílio de Constantinopla, alguns anos após sua morte.



Cognominado "o Grande", ainda em vida

São Basílio passou nove anos à testa da Igreja de Cesareia e, além de suas pugnas doutrinárias, seu labor de pastor foi infatigável, exercendo inúmeras obras de caridade: acolheu os pobres, exortou os ricos na caridade fraterna, continuou a promover a vida monástica, fundou um hospital conhecido por Basilíades, em tempo de carestia juntou todos os esforços para mitigar a situação penosa pelas quais passava sua diocese, além de muitas outras que, junto com toda a sua atividade apologética, lhe valeram o cognome "o Grande", ainda em vida.
"Para o resto dos homens se faz o elogio à força de exageros; mas, no que toca aos justos, a simples verdade de seus atos basta para mostrar a abundância de seus méritos". Esta frase, pronunciada por São Basílio a respeito de São Górdio, mártir, perfeitamente lhe pode ser aplicada. Ele entregou sua alma justa a Deus no primeiro dia de janeiro de 379 e, sem embargo, de certo modo podemos dizer que não morreu e permanece vivo no firmamento da Igreja, iluminando-a como um sol de fidelidade, num perpétuo e fiel exemplo de amor à verdade e a Deus.
(Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2015, n. 157, p. 32 a 35)