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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

SANTA CLÉLIA BARBIERI, Virgem e Fundadora das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores (é a mais jovem fundadora da Igreja)


Clélia Barbieri nasceu no dia 13 de fevereiro de 1847, no bairro popularmente chamado de "Budrie", pertencente a São João in Persiceto, Arquidiocese de Bolonha, filha de José Barbieri e Jacinta Nannetti.
     Os pais eram de diferentes classes sociais: José Barbieri veio das mais pobres famílias de "Budrie", enquanto Jacinta era das mais proeminentes famílias; ele, criado do tio de Jacinta, o médico local; ela, filha do abastado Pedro Nannetti. Jacinta, abastada, abraçou a pobreza de um operário e, deixando uma casa rica, passou a viver na humilde casa de Santo Barbieri, pai de José, mas eles construíram uma família sobre a rocha da fé e da prática cristã.
     O batismo foi administrado no mesmo dia de seu nascimento, e segundo o desejo expresso da mãe, a criança recebeu o nome de Clélia Rachel Maria.
     Jacinta ensinou a pequena Clélia a amar a Deus, a tal ponto que logo ela desejou ser santa. Um dia ela perguntou: "Mamãe, como posso ser santa"?
     A seu tempo, Clélia aprendeu a arte de costurar, de fiar e tecer o cânhamo, o produto característico da região.
     Aos 8 anos, durante a epidemia de cólera de 1855, Clélia perdeu o pai. Com a morte do pai, graças à generosidade do tio médico, a mãe, a irmã mais nova de Clélia, Ernestina, e ela foram viver em uma casa mais acolhedora, perto da igreja paroquial.
     Para Clélia os dias se tornaram mais santificados. Quem a quisesse encontrar, invariavelmente a achavam em casa fiando ou cozinhando, ou na igreja rezando.
     Foi por esta época, Domingo de Ramos de 1857, que a Divina Providência fez chegar ao povoado o Padre Gaetano Guidi, que devia substituir o pároco falecido. Ele tomou para si o encargo de guiar Clélia na estrada da santidade.
     Embora fosse comum naquele tempo a pessoa se aproximar da Comunhão quase adulta, Clélia, devido sua precoce preparação eucarística e espiritual, foi admitida à Primeira Comunhão no dia 24 de junho de 1858, com onze anos.
     Foi o dia decisivo para o seu futuro, porque viveu a sua primeira experiência mística: uma contrição excepcional de seus próprios pecados e dos pecados dos outros. Pesou sobre ela a angústia do pecado que crucificou Jesus e fez sofrer Nossa Senhora. No dia da Primeira Comunhão, o Crucificado e Nossa Senhora das Dores inspiraram sua espiritualidade. Foi também daquele tempo uma intuição interior do seu futuro na dúplice linha: contemplativa e ativa.
     Diante do tabernáculo, em adoração, parecia uma estátua imóvel, absorta em oração; em casa era a maior companheira das jovens obrigadas a trabalhar. Com maturidade precoce, ela percebia ser o trabalho o modo de se aproximar das jovens, pois no “Budrie” o trabalho, especialmente no cânhamo, era a única fonte de sobrevivência.
     O Padre Gaetano Guidi, vendo a extraordinária capacidade de Clélia e sua maneira esplêndida de atrair as almas para Deus, resolveu iniciar na paróquia um movimento da juventude feminina que se difundia naqueles tempos na Itália: as Filhas de Maria. Em torno de Clélia, em sua casa e sob o olhar maternalmente vigilante de Jacinta, as jovens da paróquia se reuniam.
     Clélia era a alma das orações em comum, a guia na formação espiritual das jovens, a amiga e a confidente de todas, a incansável animadora de um serviço ao próximo.
     Acolhem as meninas ensinando-as a rezar, a trabalhar: cozinhar e tecer, ler e estudar. Visitam os doentes pobres da região e cuidam deles. Ensinam o catecismo e levam os pequenos à igreja para freqüentar os Sacramentos. Promovem e animam a oração dos adultos na igreja paroquial. Procuram, em particular, atrair a juventude fazendo-a desejar as coisas santas.
     Já eram quatro as amigas mais íntimas de Clélia, e um dia ela manifesta às companheiras a sua idéia: “Por que não fazemos nós o nosso convento? Nós já somos quatro! Depois, se outras jovens pobres tiverem os mesmos desejos, nós as acolhemos!” Elas não têm dinheiro, nada. Mas Clélia e Úrsula, Teodora e Violante voltam para casa com o olhar mais brilhante diante de um futuro cheio de esperança.
     Seria um núcleo de jovens voltadas para a vida contemplativa e apostólica; um serviço que devia brotar da Eucaristia, se consumar na Comunhão diária e sublimar-se na instrução dos camponeses e operários do lugar.
     A idéia não pode se concretizar logo devido aos acontecimentos políticos depois da unidade da Itália de 1866-67.
     Foi possível realizá-la no dia 1º de maio de 1868; e após resolverem as questões burocráticas, Clélia com suas amigas puderam ocupar a casa dita do mestre, onde até então se reuniam os Operários da Doutrina Cristã. Foi o início humilde da família religiosa de Clélia Barbieri, que os superiores chamaram de “Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores”.
     Mínimas, devido a grande devoção que Clélia tinha por São Francisco de Paula, patrono e protetor da comunidade nascente; de Nossa Senhora das Dores, porque Ela era muito venerada no “Budrie” e porque era o título de Nossa Senhora preferido de Clélia.
     Depois, na “Casa do mestre” aconteceram fatos extraordinários que atestavam o favor da Providência pela pequena comunidade, que de outra forma não teria perseverado. Clélia passou por sofrimentos físicos e morais na noite escura do espírito e na humilhação mais incompreensível por parte de pessoas que deveriam compreendê-la. A sua fé, porém era sempre proverbial como seu recolhimento na oração.
     Na pequena comunidade se respirava um clima de fé, uma verdadeira fome e sede de Deus, um instinto missionário cheio de criatividade e de fantasia. Clélia era a sua alma.
     O grupo inicial aumentou e, ao seu redor, também o número de pobres, de doentes, de moços e moças a catequizar e a instruir.
     Pouco a pouco as pessoas viram Clélia num papel de guia, de mestra na fé. Apesar de seus 22 anos, começaram a chamá-la de “Mãe”. A chamaram assim até a morte, que veio logo... A tuberculose, que a acompanhava de forma incubada, explodiu violenta somente dois anos após a fundação.

     Clélia morreu profetizando: “Eu vou, mas não as abandonarei jamais. Vede, quando lá, naquele campo de erva medicinal próximo da igreja, surgir a nova casa, eu não estarei mais aqui. Vocês crescerão em número e se espalharão na planície e pelo monte, a trabalhar na vinha do Senhor. Virá dia que aqui no “Budrie” acorrerá tanta gente, com carroças e cavalos...”. E acrescenta: “Vou para o Paraíso e todas as Irmãs que morrerem na nossa família terão a vida eterna”.
     A morte a colheu no dia 13 de julho de 1870. Tinha 23 anos, 4 meses, 28 dias.
     No dia 13 de julho de 1871, primeiro aniversário de sua morte, Úrsula e as outras Irmãs estavam em oração no pequeno aposento em que Madre Clélia expirara santamente. Têm no coração amor, gratidão e saudades dela, e desejariam que estivesse entre elas como antes. Eis que durante a oração uma voz celeste, dulcíssima, as acompanha e as enche de alegria. Úrsula de repente a reconhece: “É Madre Clélia! Está conosco como havia prometido!”

     Daquele dia em diante, até os dias atuais, a doce voz acompanha milagrosamente suas filhas em oração em qualquer parte do mundo em que elas estejam. Sua voz é ouvida acompanhando as Irmãs nos hinos, nas leituras religiosas, em suas conversas. Acompanha o sacerdote durante a celebração da Missa e é ouvida com freqüência durante os sermões.

    A obra de Santa Clélia foi aprovada por Decreto Pontifício em 20 de março de 1934. Paulo VI a beatificou em 27 de outubro de 1968; no dia 9 de abril de 1989 foi canonizada por João Paulo II.
     Santa Clélia Barbieri pode ser considerada a Fundadora mais jovem da Igreja. É padroeira dos catequistas da região de Emilia - Romagna, Itália.


Santa Clélia na glória intercedendo pelos sofredores. 


     A profecia de Clélia se realizou: a Congregação das Irmãs Mínimas da Dolorosa está presente na Itália, na Índia, na Tanzânia. No Brasil, em Salvador, Bahia, há uma Comunidade de quatro Irmãs que se dedicam à educação cristã de crianças, jovens e mulheres, entre outras atividades paroquiais.
     As Irmãs que vivem à imitação de Santa Clélia são hoje em torno de trezentas, distribuídas em 35 casas.



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