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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

SÃO MANUEL GONZÁLEZ GARCÍA, Bispo, grande devoto e apóstolo da Adoração Eucarística.


São Manuel González, o "Bispo
dos Sacrários Abandonados". 
São Manuel González García nasceu na cidade de Sevilha em 25 de fevereiro de 1877, tendo adormecido no Senhor em 04 de janeiro de 1940. Fez o curso do Seminário na sua diocese e também a licenciatura e o doutoramento em Teologia. Foi ordenado sacerdote em 21 de setembro de 1901, e, pouco depois, veio a fazer a licenciatura em Direito Canônico.
Nos primeiros anos de sacerdócio, colaborou com o Cardeal Arcebispo de Sevilha, o Beato Marcelo Spíndola, na fundação do diário diocesano, em que escrevia regularmente. Ao mesmo tempo, era capelão do Asilo das Irmãzinhas Pobres e percorria a arquidiocese em trabalhos de pregação. Uma destas saídas haveria de marcar toda a sua vida. Com efeito, nos primeiros dias de fevereiro de 1902, foi pregar em uma paróquia abandonada e sem prática religiosa, Palomares del Rio, junto ao Guadalquivir. Aqui, na sua oração diante do sacrário pobre e abandonado da igreja paroquial, sonhou vir a ser pároco duma aldeia que não amasse Jesus Cristo, para O fazer amado e acompanhado no sacrário. Em 1905 é destinado a Huelva, uma cidade descristianizada e anticlerical, enão pertencente à Arquidiocese de Sevilha, com cerca de vinte mil habitantes; aqui exerceu o ministério como pároco de São Pedro e, três meses depois, também como arcipreste.
Dotado de um notável carisma catequético e eucarístico, desenvolveu intensa atividade de pregação em todos os setores: homilias muito bem preparadas, uma esmerada catequese das crianças e, ainda, a pregação de rua, conversando com todas as pessoas que encontrava no caminho. Começa por cuidar a formação dos que estavam mais perto, para poder vir a chegar aos que estavam mais longe. Dá grande importância aos Sacramentos da Eucaristia, como centro da vida cristã, e da Penitência, com horário de confessionário todos os dias, logo de madrugada.
Criou uma série de escolas nos diversos bairros, que ele considerava “a obra principal para a regeneração de Huelva”. A sua ação no campo social foi notável, a atenção que prestou aos pobres e excluídos, inclusive ciganos. Veio a ter intervenções importantes nas Semanas Sociais Espanholas. A sua atuação tornou-se conhecida em toda a Espanha, não faltando críticas e incompreensões, inclusive a contradição dos bons. No dia 04 de março de 1910 funda a obra das “Marias do Sacrário”, numa evocação das Três Marias que acompanharam Jesus até o Calvário, quando todos os amigos O abandonaram. Depois, congregou nesta obra eucarística também os homens, os “Discípulos de São João”, e, por fim, as crianças. A obra estendeu-se rapidamente por toda a Espanha e passou para muitos países, como uma Pia União, que veio a tomar o nome de União Eucarística Reparadora (UNER). Em poucos anos, esta obra contava com mais de 70.000 membros. O padre Manuel, sem descurar a sua paróquia, percorreu toda a Espanha, no seu afã de “eucaristizar”, um neologismo que inventou para designar, como dizia, “a ação de fazer enlouquecer todo um povo por amor ao Coração Eucarístico de Jesus”.
Em 1915, o padre Manuel é nomeado Bispo auxiliar de Málaga, Administrador Apostólico em 1917 e Bispo residencial em 1919. A sua ação é notável tanto no campo da evangelização, como da ação social. Mas, a sua prioridade foram os sacerdotes, a formação sacerdotal, as vocações e o Seminário. O novo Seminário de Málaga é uma das suas grandes obras, quer a sua construção material, quer, sobretudo, o nível e a qualidade de formação ali promovida, tanto espiritual, como doutrinal e apostólica; queria que ali se formassem “sacerdotes-hóstias”, para servirem a Igreja desinteressadamente, num sacerdócio que fosse não um “ganha pão”, mas, “ganha almas”. Em pouco tempo, teve a alegria de ver quintuplicar o número dos seus seminaristas. Para consolidar a Obra, que já se estendia por toda a parte, em 1921 criou, com a ajuda da sua irmã Maria Antônia, uma congregação religiosa que veio tomar o nome de Missionárias Eucarísticas de Nazaré.
A proclamação da 2ª República, em 1931, com o horrendo cortejo de incêndios de igrejas, conventos e colégios católicos (só em Málaga foram queimadas 40 igrejas), deu aso a que o santo bispo fosse perseguido. Viu o seu paço episcopal assaltado e incendiado e teve de procurar refúgio fora da diocese, continuando a governa-la desde Gibraltar e Madrid. Durante o seu exílio em Madrid, o jovem sacerdote, fundador do Opus Dei, São Josémaria Escrivá, lidou com ele, a quem considerava um santo. O ponto nº 531 de “Caminho”: “tratai-o bem (a Jesus Eucarístico), tratai-o bem! Dizia entre lágrimas, um prelado, de joelhos, aos novos sacerdotes que acabava de ordenar”... refere-se a quando Dom Manuel, cedendo às instâncias de Dom Leopoldo Eijo y Garay, ordenou 14 sacerdotes da diocese madrilena, em 15 de junho de 1935; no fim, já na sacristia, com estes dispostos em duas filas, pôs-se de joelhos e beijou as mãos recém consagradas de cada presbítero, enquanto lhes dizia, banhado em lágrimas: “trai-O bem, tratai-O bem”!

Impossibilitado de regressar à sua Málaga querida, aceitou por obediência ser nomeado Bispo de Palência. Embora debilitado, aqui continuou a sua missão, até que, minado por tantos sofrimentos e pela doença, adormeceu santamente no Senhor, em Madrid, no dia 04 de janeiro de 1940, na Clínica Nossa Senhora do Rosário. Foi transladado para a catedral de Palência, onde seu corpo foi recebido por multidões de fiéis, com a veneração que se presta aos Santos. Atualmente repousa num túmulo de pedra construído debaixo do sacrário da catedral palentina, para assim, segundo seu desejo, continuar repetindo a todos: “Jesus está aqui! Está aqui! Não O deixeis abandonado”


São Manuel González, rogai por nós! Que possamos
imitar-vos em vosso amor e devoção eucarísticos! 

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