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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Beato Benedito (Benedict) Daswa, Leigo, Esposo, Pai de Família e Mártir.



Pai de família morto por se opor a ‘magia negra’ é beatificado na África do Sul. Foi o martírio o que levou Benedict Daswa à honra dos altares. Ele morreu porque se negou a cooperar com as práticas pagãs e supersticiosas de seus conterrâneos.

No último dia 13 de setembro, a Igreja do mundo inteiro se uniu ao povo da África do Sul em ação de graças pela vida e pelo testemunho de Benedict Daswa.

O bispo da diocese de Tzaneen, Joao Noe Rodriguez, vê a beatificação como um evento verdadeiramente significativo não só para a comunidade sul-africana, como para toda a Igreja universal.

"Não estamos celebrando a memória de Benedict Daswa por nacionalismo, mas porque ele era um homem de muita fé. E isso é o que é bonito: ele era um de nós e, ao mesmo tempo, profundamente comprometido na vida da sua família, do seu trabalho e da sua comunidade. Um homem que estava servindo, ajudando e educando: uma completa inspiração de fé para todos."


Esposo, pai e professor.

Nascido no vilarejo de Mbahe, província de Limpopo, a 16 de junho de 1946, Tshimangadzo Samuel Daswa foi criado em meio à tribo dos lemba, um grupo étnico e religioso que observa leis e rituais judaicos tradicionais.

Na juventude, trabalhou como pastor de rebanhos, antes de começar sua educação formal, em 1957. Após a morte inesperada de seu pai, assumiu a responsabilidade financeira por sua família, trabalhando para sustentar seus três irmãos e sua irmã, a fim de que continuassem estudando.

Durante as férias escolares, viajando para Johannesburgo à procura de emprego, Samuel se aproxima de um jovem cristão e começa a frequentar círculos de amigos católicos.

Na volta para Mbahe, ele começa a receber formações de um catequista leigo, Benedict Risimati, que lhe oferece aulas semanais e uma celebração dominical debaixo de uma figueira do vilarejo (a Missa era celebrada apenas uma vez por mês). Risimati exerce forte influência sobre o jovem Daswa, que, depois de receber catequese por dois anos, é batizado, no dia 21 de abril de 1963, com o nome cristão de "Benedict". Até o fim de sua vida, ele será inspirado pelo lema de São Bento: "Ora et labora – Reza e trabalha".

Benedict consegue obter sua graduação e passa a dar aulas na escola primária de uma vila próxima. Serve aos seus alunos e a toda a comunidade como professor e catequista, além de desenvolver um trabalho de caridade com as famílias mais pobres. Por sua honestidade e dedicação como professor, pouco a pouco conquista o respeito e a estima de todos no vilarejo.

Ele ajuda a construir a primeira igreja da vila de Nweli e, em 1º de janeiro de 1979, torna-se diretor da escola da região. Em seu novo posto, ele trabalha dando apoio a seus professores e proteção a seus estudantes. Quando estes faltam às aulas, ele procura as famílias para ver se precisam de ajuda. Conta-se que ele chegou a convencer um pai a permitir que sua filha terminasse os seus estudos, evitando que ela se casasse com um homem mais velho. Alunos impossibilitados de pagar as taxas da escola recebem dinheiro trabalhando em sua horta e na colheita de alimentos, os quais são distribuídos a famílias carentes do vilarejo.


O Beato e sua esposa, Shadi. 

Em 1980, Benedict casa-se com Shadi Eveline Monyai. O jovem e fecundo casal será abençoado com oito filhos. Ele ficou conhecido por quebrar a tradição, ajudando a sua esposa nas tarefas domésticas. Seu comportamento era tão chocante que alguns no vilarejo acreditavam que ele estava enfeitiçado.


Um mártir pela fé

Em novembro de 1989, chuvas carregadas e temporais relampejantes causam danos severos à região. Em janeiro de 1990, os líderes do vilarejo começam a dizer que as tempestades se devem à ação de "magia negra". Eles exigem que os moradores da vila paguem uma taxa, a fim de contratar um curandeiro e identificar o bruxo responsável pela maldição.

Benedict, que não participou nem da discussão nem da decisão, recusa-se a pagar, observando que tudo aquilo não passava de um fenômeno natural. Ele estava particularmente preocupado por aquela repentina adesão a superstições antigas e à crença de que um bruxo poderia ter causado os relâmpagos. Sua atitude era explicada, sobretudo, por sua fé católica, que o proibia de participar em qualquer coisa ligada à feitiçaria ou a atos de violência.

Muitos no vilarejo, porém, viram a sua resistência em cooperar como um ataque às crenças tradicionais da comunidade. O veredito final? Benedict deveria ser morto.

No dia 2 de fevereiro de 1990, voltando de carro para casa, Benedict encontra a estrada bloqueada por uma árvore caída. Enquanto tenta limpar o caminho, é atacado por um grupo de jovens rapazes que começam a atirar-lhe pedras. Sangrando e machucado, ele deixa seu carro e sai à procura de ajuda em uma cabana próxima. Quando os criminosos chegam à cabana, ameaçam matar as donas da casa, caso elas não revelem onde Benedict está escondido. Ouvindo as ameaças, Benedict sai de seu esconderijo e pergunta-lhes por que, afinal, eles queriam matá-lo. Sem responder, eles atacam Benedict e espancam-no até a morte. – Senhor, em tuas mãos recebe o meu espírito – são as últimas palavras de Daswa.



O caminho para a beatificação

A Missa de funeral foi celebrada no dia 10 de fevereiro. A procissão com o seu corpo saiu da casa onde ele morava até a igreja que ele tinha ajudado a construir, em Nweli. Durante a cerimônia, todos os padres trajaram paramentos vermelhos, demonstrando a firme convicção de que Benedict tinha morrido como mártir.



A causa de beatificação de Benedict Daswa foi aberta em 10 de junho de 2008. No último dia 22 de janeiro, o Papa Francisco reconheceu o seu martírio, abrindo o caminho para a sua beatificação.

Seguindo uma tradição antiquíssima da Igreja, os restos mortais de Benedict foram removidos de seu túmulo em 24 de agosto, em preparação para a sua beatificação. Durante a exumação, estiveram presentes todos os seus filhos. A pedido deles, o seu caixão foi primeiramente transportado para junto do túmulo de sua amada esposa (que morreu em 2008). Ali, seus restos físicos foram examinados e pequenas partículas de seus ossos e pedaços de sua roupa foram removidos, para serem venerados como relíquias. Por fim, o caixão foi lacrado e coberto com um tradicional tecido claro dos venda. Depois, foi levado por seus filhos a uma urna recém-construída na igreja paroquial de Mbahe.


Uma companhia no caminho para o Céu

São Jerônimo escreveu certa vez que "o martírio não consiste apenas em morrer pela fé, mas também em servir a Deus com amor e pureza de coração todos os dias da nossa vida". O bem-aventurado Benedict Daswa é uma dessas almas agraciadas que viveram esse mistério de maneira particularmente efetiva em sua própria vida. Foi o que disse o Papa Francisco, no dia 13 de setembro, durante a tradicional oração do Angelus, na Praça de São Pedro:

"Na sua vida, [Benedict] demonstrou sempre muita coerência, assumindo corajosamente atitudes cristãs e rejeitando hábitos mundanos e pagãos. O seu testemunho ajude especialmente as famílias a difundir a verdade e a caridade de Cristo. E o seu testemunho junta-se ao de tantos nossos irmãos e irmãs, jovens, idosos, adolescentes, crianças, perseguidos, expulsos, assassinados por confessarem Jesus Cristo."

Comprometido com sua família e com sua vocação de pai e professor, Benedict realmente fez da fé católica o primeiro ponto de referência em todos os aspectos de sua vida.

Em entrevista concedida antes da beatificação, o arcebispo William Slattery, de Pretória, capital da África do Sul, afirmou que o bem-aventurado Benedict Daswa é honrado como mártir e exemplo não só para o povo sul-africano, como para o mundo inteiro: "O Papa está dizendo: Povos do mundo, eis um antepassado espiritual, um exemplo para o mundo inteiro, e, também, uma companhia em nosso caminho rumo a Deus. Porque todos nós somos uma família: vivos e mortos, todos nos movemos na direção d'Ele."

O arcebispo concluiu dizendo que "os santos e os beatos são presentes de Deus para nós, um exemplo da graça de Deus operando em Seu povo".


Fonte: Aleteia | Tradução e adaptação: Equipe CNP

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Beato Charles de Foucauld, Presbítero e Eremita. Apóstolo Silencioso do Evangelho.



Biografia e Espiritualidade
Charles de Foucauld, ou Carlos de Foucauld, ou Carlos de Jesus, ou ainda Irmão Carlos de Jesus como popularmente é conhecido, é o nome de um ex-militar convertido que nos deixou uma verdadeira espiritualidade do escondimento, do deserto, do serviço aos mais humildes e de uma intimidade profunda com Deus a partir do Evangelho de Jesus e de Sua presença eucarística.

Nasceu visconde em 15 de setembro de 1858, em Estrasburgo, França. Aos nove anos ficou órfão e fora criado por seu avô, o coronel de engenharia, Charles de Morlet. Seguiu carreira militar. Em 1878 o encontramos na mais aristocrata das instituições francesas, a Escola de Cavalaria de Saumur. Em 1880, como tenente do regimento de Hussardos, vai para a Argélia, colônia norte-africana francesa. Durante esta primeira juventude de jovem aristocrata, o futuro santo, teve uma vida dissoluta de amantes, luxos e prazeres, onde começou a dilapidar sua fortuna.
O contato com o deserto do norte de África, porém, lhe deu novas perspectivas de vida. Após ajudar a sufocar algumas revoltas, em lugar de voltar para França, preferiu ficar no deserto da Argélia e do Marrocos, onde escreveu dois livros de valor científico e estratégico-militar: “Reconhecimento do Marrocos” e “Itinerários do Marrocos”. Tornou-se explorador em Marrocos, chegando a receber uma medalha da Sociedade Francesa de Geografia em reconhecimento pelo seu trabalho de investigação no Norte de África.

Para isto fez longas incursões a cavalo percorrendo milhares de quilômetros pelos desertos que o colocaram em contato com a hospitalidade tradicional dos muçulmanos e aquele Sahara que o fascinou por sua imensidão, solidão e silêncio, e onde os muçulmanos rezam três vezes por dia ao Deus misericordioso e clemente.

Neste momento em que descobre o Deus sempre presente na fé dos muçulmanos, ele se pergunta por sua própria fé e começa a procurar a luz de Deus num cristianismo decadente. Até o momento em que, já em Paris, encontra o Pe. Huvelin, vigário da Igreja de Santo Agostinho. Numa conversa com ele lhe comunica: “Padre, não tenho fé. Peço-lhe que me instrua”. O padre o cortou e disse apenas: “Ajoelhe-se e se confesse! Então, crerá!” Contrariado, Charles respondeu: “Mas, eu não vim aqui para isso...” “Confesse-se!” ordenou o velho e cego padre... A partir deste momento a conversão como mudança de vida, aconteceu e aquele jovem aristocrata, mulherengo, dado aos luxos e aos prazeres, se abandona nas mãos de Deus.

Entrou num mosteiro trapista na França, mas, pouco depois, foi enviado para a Terra Santa, onde ele pretende imitar a vida oculta de Jesus em Nazaré. Após uma passagem, como jardineiro de um mosteiro de clarissas, volta para a Europa, para concluir seus estudos e se ordenar sacerdote. Em 1901 o encontramos, na fronteira da Argélia com o Marrocos no meio dos muçulmanos, no oásis de Benni-AbbSs. Ele não quer fazer proselitismo cristão, apenas ser uma testemunha vital de Jesus Cristo. Em 1904 vai viver no meio dos muçulmanos mais pobres, os tuaregs nômades.



A imagem dominante no mundo de Carlos de Foucault foi a de Jesus carpinteiro de Nazaré. Carlos de Foucault preferiu ver Jesus Salvador do mundo como obscuro carpinteiro de remota aldeia da desprezada Nazaré. Encontramos essa imagem em todas as dimensões de sua busca espiritual.

Em 1916, apesar da estima e do reconhecimento da população tuareg e muçulmana, o Pe. Charles de Foucauld se encontra no fogo cruzado da primeira guerra mundial entre franceses e alemães. No dia 1º de dezembro deste ano foi assassinado. Tinha a intenção de criar uma nova ordem religiosa, o que sucedeu apenas depois da sua morte: “os Irmãozinhos e Irmãzinhas de Jesus”, também chamados de “Irmãozinhos e Irmãzinhas de Foucauld”.

Foi beatificado pelo Papa Bento XVI em 13 de novembro de 2005.

"Aquele que vive a fé tem a alma cheia de novos pensamentos, de novos julgamentos, de novos afetos".
Charles de Foucauld


Sua Profunda Espiritualidade:
Espiritualidade de Charles de Foucauld: dar testemunho de Cristo, de seu amor, de sua bondade e misericórdia, sem pregações ou proselitismo, apenas dando testemunho dEle em meio aos homens.

Charles de Foucauld escreveu: "Logo que descobri que existe Deus entendi que não podia mais fazer outra coisa a não ser viver por ele: minha vocação religiosa começa no exato momento em que despertou a minha fé". Desde aquele momento, Charles se esvazia de tudo o que não é o Evangelho, "porque há uma grande diferença entre Deus e aquilo que não é Ele".

No silêncio e no abandono, mergulha no essencial. "O nosso aniquilamento é o meio mais poderoso que temos para nos unir a Jesus e fazer o bem". Quando ainda estava no mosteiro trapista e decidiu de deixá-lo, escreveu:

"No mosteiro passei seis anos e meio, depois, desejando querer me assemelhar a Jesus, fui autorizado a viver como alguém desconhecido, vivendo do meu trabalho cotidiano". O coração de Charles se alarga numa dimensão universal, exatamente porque se torna pequeno, escondido, partícipe da humildade do Senhor.
Foi chamado o "irmão universal" porque abrangeu o mundo todo e todos os povos, a partir da intensidade da presença entre os Tuaregs. A universalidade tem, portanto, duas vertentes: uma é representada pela potencialidade e a intensidade da presença e a outra pela extensão e abertura até os confins da terra.

A presença e o aniquilamento não são dimensões que alimentam a tristeza da vida cristã, mas representam o caminho mais simples do seguimento de Jesus que se fez pobre e para todos ofereceu sua vida. O esvaziamento é o processo de diminuição para que, como João Batista, o missionário deixa que Deus possa intervir e agir na história dos povos e das pessoas.

Na vida de Charles de Foucauld, o protagonista que deve sempre mais aparecer e agir, através do discípulo, é o próprio Deus. Charles emprestou sua própria vida a Deus, uma vida não retida, mas doada. Quem guarda a própria vida para si, este a perde, mas quem a entrega, este a ganha.
A decisão que levou Charles de Foucauld a viver junto com os Tuaregs, os pobres do deserto, é a condição de um caminho místico. O amor radical nasce dessa entrega.

Neste caminho está o processo de evangelização: antes de evangelizar, é necessário amar. Antes de proclamar as palavras e anunciar a mensagem, ocorre vivê-la, sem arrogância e orgulho, na própria vida.

Assim os tuaregs começarão a chamá-lo de "marabuto branco", isto é, o homem da oração e o homem de Deus. A missão de Charles de Foucauld foi o inverso do proselitismo. Enquanto este quer conquistar o outro para fazê-lo entrar no mundo do conquistador, Charles, através de sua vida, revela Deus presente e completamente comprometido com os pobres.


Breve biografia do Beato no site do Vaticano:
Presbítero, viveu no deserto norte-africano no meio dos Tuareg. Com a sua fervorosa e generosa fé, o ardente amor por Jesus Eucaristia, o respeito pelos homens, a predileção pelos mais pobres, nos quais sabia descobrir o reflexo do rosto do Filho do Homem, ele nunca deixou de atrair, até depois da sua morte, um número cada vez maior de almas para o mistério de Nazaré.

Nasceu em Estrasburgo (França), no dia 15 de Setembro de 1858. Ao ficar órfão com 06 anos, cresceu, com a irmã Marie, sob os cuidados do avô. A formação cristã recebida na infância permitiu-lhe fazer uma sentida Primeira Comunhão em 1870.

Na adolescência distanciou-se da fé. Conhecido como amante do prazer e da vida fácil, revelou, não obstante tudo, uma vontade forte e constante nos momentos difíceis. Empreendeu uma viagem de exploração em Marrocos (1883-1884). O testemunho da fé dos muçulmanos despertou nele um interrogativo: Mas Deus, existe? "Meu Deus, se existis, fazei que vos conheça".

Ao regressar à França, surpreendido pelo discreto e carinhoso acolhimento da sua família, profundamente cristã, inicia a estudar e pede a um sacerdote para o instruir. Guiado pelo Pe. Huvelin, encontrou Deus no mês de Outubro de 1886. Tinha 28 anos. "Quando acreditei que existia um Deus, compreendi que não podia fazer outra coisa senão viver somente para Ele".
Uma peregrinação na Terra Santa revelou-lhe a sua vocação: seguir e imitar Jesus na vida de Nazaré. Viveu 07 anos na Trapa, primeiro em Nossa Senhora das Neves, depois em Akbés na Síria. Em seguida, viveu sozinho, na oração, na adoração, numa grande pobreza, junto das Clarissas de Nazaré. Foi ordenado sacerdote com 43 anos (1901), na Diocese de Viviers. Depois, transferiu-se para o deserto argelino do Sahara, inicialmente em Beni Abbès, pobre entre os mais pobres, depois mais ao Sul em Tamanrasset com os Tuaregs do Hoggar. Viveu uma vida de oração – meditando continuamente as Sagradas Escrituras – e de adoração, no desejo incessante de ser, para cada pessoa o "irmão universal", imagem viva do Amor de Jesus. "Gostaria de ser bom para que se pudesse dizer: Se assim é o servo como será o Mestre?". Quis "gritar o Evangelho com a sua vida". Na noite de 01 de Dezembro de 1916 foi assassinado por um bando de ladrões de passagem.


O seu sonho foi sempre compartilhar a sua vocação com os outros: após ter escrito diversas regras de vida religiosa, pensou que esta "Vida de Nazaré" pode ser vivida por todos e em toda parte. Hoje a "família espiritual de Carlos de Foucauld" inclui diversas associações de fiéis, comunidades religiosas e institutos seculares de leigos ou sacerdotes dispersos no mundo inteiro.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Princesa Isabel, a Serva de Deus.


Os governantes santos buscaram evitar que a política fosse usada para a prática da iniquidade.  Assim agiu José do Egito, e tantos ao longo da História.
No Brasil, tivemos a Princesa Isabel, uma governante cristã e santa, que amou o País, talvez mais do que qualquer outra liderança política em nossa História, e sofreu por isso o mais longo exílio impingido a uma autoridade pública, e morreu sem poder ter voltado ao Brasil que tanto amou.


Seus inimigos e detratores, especialmente os republicanos de inspiração positivista e anticlerical, foram implacáveis em lançar sombras sobre a sua vida, patrulhando-a ideologicamente, silenciando sobre suas reconhecidas virtudes pessoais e cívicas, pois temiam o seu reinado por justamente ela ter comprovado ser uma governante cristã. Temiam mais ainda o seu retorno, porque ela tinha a afeição do povo, que a chamou em vida de “A Redentora”. Quando lhe propuseram recorrer às armas para retornar ao Brasil, ela recusou, pois “considerava o uso da força incompatível com o cristianismo”, do mesmo modo como agiu em relação ao movimento abolicionista, evitando a via da violência, para obter a libertação dos escravos. “Quando a política deixará de empregar meios que diminuem a grandeza moral dos povos e das pessoas? – Escreveu do exílio a João Alfredo Correia de Oliveira – É assim que tudo se perde e que nós nos perdemos. O senhor, porém, conhece meus sentimentos de católica e brasileira”.

No ditado em português, do caderno da Princesa D. Isabel, nº 12, ela exorta como os homens devem estampar a sua vida na história: como “uma alma pura, patriota e caridosa”, e exclama: “Como é belo passar-se à posteridade com a reputação de São Luiz, de Felipe Camarão!” Vidas exemplares marcadas por pureza, patriotismo e caridade”. Tais valores não foram mencionados como um exercício meramente retórico, mas almejados por sua vida inteira, mesmo depois de ter perdido o trono, por justamente ser fiel a tais valores. Destaca também sua admiração por Henrique Dias “um dos grandes heróis do Brasil. Era preto e sua valentia não era menor do que a dos primeiros generais do seu tempo. Achou-se muitas vezes com Felipe Camarão e defendeu o Brasil contra a invasão holandesa. Assistiu à segunda batalha dos Guararapes, ficando ferido. El-Rei de Portugal quis recompensá-lo e deu-lhe um hábito de Cristo”.

Ainda no mesmo caderno de ditado em português, escreveu a Princesa: “A caridade é uma grande virtude. Deus nos diz no primeiro mandamento: ‘Amai a Deus sobre tudo e ao próximo como a ti mesmo’. Quantos exemplos de caridade nos deu Jesus Cristo em sua vida. Deixai os meninos vir a mim, disse ele um dia quando os discípulos despediam umas crianças (…) como não considerar esta virtude uma das primeiras? Ela deve sobretudo existir nos soberanos para serem considerados como pais de seus súditos. São Luís, rei de França, Santa Isabel de Portugal e Santo Estevão da Hungria são excelentes exemplos desta virtude”.
As decisões que a Princesa Isabel tomou como regente, tornaram evidente que reconheceu antes de mais nada, o primado de Deus. Em seu tempo, surgiram e se intensificaram forças ideológicas contrárias à doutrina social cristã (cabe lembrar que o Manifesto Comunista é de 1848). E que ela perdeu o trono justamente no enfrentamento destas forças espirituais (cujas tensões ficaram evidentes no próprio movimento abolicionista, e que tal movimento só foi bem sucedido porque teve na Princesa Isabel a firmeza de fazer valer a fé católica no processo. E por isso é que foi possível evitar derramamento de sangue, e conter os ímpetos dos que queriam que se repetisse no Brasil as violências ocorridas, por exemplo, no Haiti e nos Estados Unidos. Foi o catolicismo defendido pela Princesa Isabel, que permitiu o êxito do maior movimento social da história deste país, e com um resultado jubilante. Tudo isso porque prevaleceu no processo o primado de Deus, que ela tão bem expressou em suas ações decisivas. No exílio, ela pôde melhor compreender o alcance do significado do mistério da fé na história.



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Matéria postada pelo Pe. João Dias Rezende:
Recentemente, foi veiculada a notícia de que a Princesa Isabel seria canonizada pela Igreja Católica. Alguém poderia perguntar: quem é a Princesa Isabel? Teria feito algo que a fizesse merecer a honra dos altares? Alinhavamos breves palavras que podem ajudar a vislumbrar quem foi Dona Isabel de Bragança e Bourbon e, após o casamento, Dona Isabel de Orleans e Bragança. Trata-se da mulher brasileira que, durante toda a segunda metade do séc. XIX, foi educada para governar nosso País, ainda que esse preceito constitucional não tenha sido cumprido em 1889, como veremos adiante.

Em texto publicado no Jornal Testemunho de Fé, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, edição de 20 de novembro de 2011, Dom Antônio Augusto Dias Duarte, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro ressalta as qualidades que ornaram o caráter de D. Isabel e o desconhecimento que muitos brasileiros têm sobre ela: “Conhecendo com mais detalhes a vida dessa regente do Império brasileiro e conversando com várias pessoas sobre a sua possível beatificação e canonização num futuro próximo, fico admirado com suas qualidades humanas e sua atuação política sempre inspirada pelos princípios do catolicismo, e, paralelamente, chama-me atenção o desconhecimento que há no nosso meio cultural e universitário sobre a personalidade dessa princesa brasileira”.
A Princesa D. Isabel exerceu três vezes a regência do Brasil mostrando-se sempre uma estadista irrepreensível no cumprimento de seus altos encargos constitucionais, como destaca o historiador Otto de Alencar de Sá Pereira, antigo professor titular da Universidade Católica de Petrópolis e decano do Instituto D. Isabel I: “Antes do advento da República, as atuações da Princesa Imperial Regente demonstraram a competência governativa, a firmeza de princípios e a caridade cristã pujante da Redentora no âmbito político e social. Para além da Lei Áurea, sua ação de Estado é, sob todos os aspectos, modelar.” (CERQUEIRA (org.), 2006, p. 34).

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Acusada muitas vezes de carola, menosprezada pela sua profunda fé e piedade, a Princesa D. Isabel procurava colocar em prática, em todos os âmbitos de sua vida, sobretudo em sua atuação política, os princípios basilares de sua fé, o que incomodava a classe política, formada em sua maioria por homens pouco afeitos à religião e influenciados pelos famosos “ismos” do fim de século: positivismo, cientificismo, anticlericalismo etc. Com certeza, a sua visão cristã, influenciou-a na defesa dos mais necessitados, sobretudo, como incentivadora da causa abolicionista que abraçou. D. Isabel dirigindo-se ao abolicionista André Rebouças, ainda a bordo do navio que desterrava a Família Imperial disse: “Senhor Rebouças, se houvesse ainda escravos no Brasil, nós voltaríamos para libertá-los.” (NABUCO, Minha Formação, p.182).

E é o reconhecimento pela sua ação em prol do fim da liberdade que levou o mulato José do Patrocínio, um dos tigres da abolição, a cognominar a Princesa Imperial de “A Redentora”. Em interessante depoimento do Sr. Heidimar Marques, no IV volume da obra Memória de Velhos, fica registrado um desses atos de verdadeira gratidão que o povo simples, porém sábio, devotava a D. Isabel. Ao referir-se a uma antiga escrava maranhense, falecida em 1957, ainda lúcida aos 115 anos, o sr. Heidimar conta-nos: A festa anual de Mãe Calu era 13 de maio, em homenagem à Princesa Isabel. Todos nós sabemos o que significou, na abolição da escravatura, a Princesa Isabel e os revolucionários. Para Mãe Calu, a Princesa Isabel era uma santa. Ela chamava de Santa Isabel.  E prossegue descrevendo as festas que a velha negra fazia em reverência à memória da Princesa. É fácil concluir que o culto popular do sensus fidei fidelium, isto é, o senso de fé do povo, não está restrito ao Maranhão, mas se estende por todo Brasil.

D. Isabel está, pois, credenciada ao “posto” de santa? O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumem Gentium ao tratar da santidade dos fieis diz: “devem os fiéis conhecer a natureza íntima e o valor de todas as criaturas, e a sua ordenação para a glória de Deus, ajudando-se uns aos outros, mesmo através das atividades propriamente temporais, a levar uma vida mais santa, para que assim o mundo seja penetrado do espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim”.

D. Isabel viveu para promover a justiça e a paz entre os brasileiros, colocando em primeiro lugar, em todas as suas ações, fosse como filha, esposa, mãe, católica, estadista, a Caridade que ilumina os corações e redime das misérias deste mundo. Vivendo em alto grau as virtudes evangélicas, ela preenche os requisitos necessários para ser “candidata” aos altares. Que venham as provas de sua intercessão para que em breve tenhamos, oficialmente, mais uma amiga junto de Deus a nos servir de modelo de discípula de Cristo, Rei dos Reis do Universo e servo fiel.

Postado em 29 de dezembro de 2012 por Padre João Dias Rezende Filho

sábado, 26 de dezembro de 2015

SANTO ESTEVÃO, Diácono e Protomártir da Fé Cristã.


Sem a menor sombra de dúvida, um dos maiores santos da Igreja. Tanto que mereceu a honra e glória de ser o primeiro mártir de Cristo e da fé católica. Sua vida e morte foram gloriosas. O próprio São Lucas reserva um bom trecho de seus Atos dos Apóstolos para narrar-lhe a história. Quem dera fosse também ele menos "esquecido" pelo grande público católico e fosse mais venerado em nossas igrejas e paróquias... 

Eleição do diácono Estevão
Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária. Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: “Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra. Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos. Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé”. (Atos 6, 1-7)


Prisão do diácono Estevão
Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo. Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele. Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava. Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus. Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho. Apresentaram falsas testemunhas que diziam: Esse homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei. Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou. Fixando nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo. (Atos 6, 8-15)


Discurso de Estevão
Perguntou-lhe então o sumo sacerdote: É realmente assim? 2.Respondeu ele: Irmãos e pais, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã. E disse-lhe: Sai de teu país e de tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrar (Gn 12,1). Ele saiu da terra dos caldeus, e foi habitar em Harã. Dali, depois que lhe faleceu o pai, Deus o fez passar para esta terra, em que vós agora habitais. Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas prometeu dar-lha em posse, e depois dele à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum. Eis como falou Deus: Tua descendência habitará em terra estranha e será reduzida à escravidão e maltratada pelo espaço de quatrocentos anos. Mas eu julgarei a nação que os dominar – diz o Senhor -, e eles sairão e me prestarão culto neste lugar (Gn 15,13s.; Ex 3,12). E deu-lhe a aliança da circuncisão. Assim, Abraão teve um filho, Isaac, e, passados oito dias, o circuncidou; e Isaac, a Jacó; e Jacó, os doze patriarcas. Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito. Mas Deus estava com ele. Livrou-o de todas as suas tribulações e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o fez governador do Egito e chefe de sua casa.
Sobreveio depois uma fome a todo o Egito e Canaã. Grande era a tribulação, e os nossos pais não achavam o que comer. Mas quando Jacó soube que havia trigo no Egito, enviou pela primeira vez os nossos pais para lá. Na segunda, foi José reconhecido por seus irmãos, e foi descoberta ao faraó a sua origem. Enviando mensageiros, José mandou vir seu pai Jacó com toda a sua família, que constava de setenta e cinco pessoas. Jacó desceu ao Egito e morreu ali, como também nossos pais.  Seus corpos foram trasladados para Siquém, e foram postos no sepulcro que Abraão tinha comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém. Aproximava-se o tempo em que devia realizar-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito até que se levantou outro rei no Egito, o qual nada sabia de José. Este rei, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais e obrigou-os a enjeitar seus filhos para privá-los da vida.
Por este mesmo tempo, nasceu Moisés. Era belo aos olhos de Deus e por três meses foi criado na casa paterna. Depois, quando foi exposto, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho. Moisés foi instruído em todas as ciências dos egípcios e tornou-se forte em palavras e obras. Quando completou 40 anos, veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel. Viu que um deles era maltratado; tomou-lhe a defesa e vingou o que padecia a injúria, matando o egípcio. Ele esperava que os seus irmãos compreendessem que Deus se servia de sua mão para livrá-los. Mas não o entenderam.  No dia seguinte, dois dentre eles brigavam, e ele procurou reconciliá-los: Amigos, disse ele, sois irmãos, por que vos maltratais um ao outro? Mas o que maltratava seu compatriota o repeliu: Quem te constituiu chefe ou juiz sobre nós? Porventura queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?  A estas palavras, Moisés fugiu. E esteve como estrangeiro na terra de Madiã, onde teve dois filhos.
Passados quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, na chama duma sarça ardente. Moisés, admirado de uma tal visão, aproximou-se para a examinar. E a voz do Senhor lhe falou: Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. Moisés, atemorizado, não ousava levantar os olhos.  O Senhor lhe disse: Tira o teu calçado, porque o lugar onde estás é uma terra santa. Considerei a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-los. Vem, pois, agora e eu te enviarei ao Egito. Este Moisés que desprezaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz?, a este Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça. Ele os fez sair do Egito, operando prodígios e milagres na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por espaço de quarenta anos.  Foi este Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu.  Este é o que esteve entre o povo congregado no deserto, e com o anjo que lhe falara no monte Sinai, e com os nossos pais; que recebeu palavras de vida para no-las transmitir. Nossos pais não lhe quiseram obedecer, mas o repeliram. Em seus corações voltaram-se para o Egito, dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão diante de nós, porque quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que foi feito dele.
Fizeram, naqueles dias, um bezerro de ouro e ofereceram um sacrifício ao ídolo, e se alegravam diante da obra das suas mãos.  Mas Deus afastou-se e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto?  Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss.).  A Arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, como Deus ordenou a Moisés que a fizesse conforme o modelo que tinha visto.  Recebendo-a nossos pais, levaram-na sob a direção de Josué às terras dos pagãos, que Deus expulsou da presença de nossos pais. E ali ficou até o tempo de Davi.  Este encontrou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar uma morada para o Deus de Jacó. Salomão foi quem lhe edificou a casa.  O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta:  O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós?, diz o Senhor. Qual é o lugar do meu repouso?  Acaso não foi minha mão que fez tudo isto (Is 66,1s.)? Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!  A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas.  Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes… (Atos 7, 1-53)

Morte de Estevão
Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus: Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus. Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado… A estas palavras, expirou. (Atos 7, 54-60; Atos 8, 1)






FESTA DE SANTO ESTÊVÃO, PROTOMÁRTIR
PAPA BENTO XVI
ANGELUS Praça de São Pedro, 26 de Dezembro de 2009


Queridos irmãos e irmãs!
Com o coração ainda cheio de admiração e inundado pela luz que promana da gruta de Belém, onde com Maria, José e os pastores adorámos o nosso Salvador, hoje recordamos o diácono Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão. O seu exemplo ajuda-nos a compreender em maior medida o mistério do Natal e testemunha-nos a maravilhosa grandeza do nascimento daquele Menino no qual se manifesta a graça de Deus, portadora de salvação para os homens (cf. Tt 2, 11). De facto, aquele que geme na manjedoura é o Filho de Deus feito homem, que nos pede para testemunhar com coragem o seu Evangelho, como fez Santo Estêvão o qual, cheio do Espírito Santo, não hesitou em dar a vida por amor do seu Senhor. Ele, como o seu Mestre, morre perdoando os próprios perseguidores e faz-nos compreender como a entrada do Filho de Deus no mundo dê origem a uma nova civilização, a civilização do amor, que não cede perante o mal e a violência e abate as barreiras entre os homens, tornando-os irmãos na grande família dos filhos de Deus.
Estêvão é também o primeiro diácono da Igreja, que fazendo-se servo dos pobres por amor de Cristo, entra progressivamente em plena sintonia com Ele e segue-o até ao dom supremo de si. O testemunho de Estêvão, como o dos mártires cristãos, indica aos nossos contemporâneos muitas vezes distraídos e desorientados, em quem devam depor a sua confiança para dar sentido à vida. De facto, o mártir é aquele que morre com a certeza de saber que Deus o ama e, nada antepondo ao amor de Cristo, sabe que escolheu a melhor parte. Configurando-se plenamente com a morte de Cristo, está consciente de ser germe fecundo de vida e de abrir no mundo veredas de paz e de esperança. Hoje, apresentando-nos o diácono Santo Estêvão como modelo, a Igreja indica-nos, de igual modo, no acolhimento e no amor aos pobres, um dos caminhos privilegiados para viver o Evangelho e testemunhar de modo credível aos homens o Reino de Deus que há-de vir.
A festa de Santo Estêvão recorda-nos também os numerosos crentes, que em várias partes do mundo, são submetidos a provas e sofrimentos por causa da sua fé. Confiando-os à sua celeste protecção, empenhemo-nos em apoiá-los com a oração e a nunca faltar à nossa vocação cristã, pondo sempre no centro da nossa vida Jesus Cristo, que nestes dias contemplamos na simplicidade e na humildade do presépio. Invoquemos para esta finalidade a intercessão de Maria, Mãe do Redentor e Rainha dos Mártires, com a oração do Angelus.


Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/angelus/2009/documents/hf_ben-xvi_ang_20091226_st-stephen_po.html

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SANTA GEMMA GALGANI: enfrentava o demônio sem medo. Seu único medo era magoar Jesus.





A vida dos santos impressiona, sobretudo, pelas intervenções extraordinárias de Deus em sua rotina ordinária. Capítulos particularmente incríveis de suas biografias são as lutas físicas que alguns deles, como o Padre Pio de Pietrelcina e o Cura de Ars, travavam com o demônio. Muitos desses combates foram descritos com ricos detalhes por pessoas que conviveram todos os dias com estes santos.

Trata-se de casos especialíssimos de "obsessão demoníaca". Importa saber que o demônio "anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar" (1 Pd 5, 8). Ele não poupa esforços para fazer perder as almas que Cristo conquistou com o Seu sangue. Por isso, as lutas com o mal não são exclusividade dos grandes santos, mas uma realidade vivenciada todos os dias pelo cristão comum. O católico deve acordar todos os dias tomando consciência de que, para além dos trabalhos e penas do dia a dia, há um combate espiritual sendo travado diante de si, o qual só pode ser vencido com o auxílio de Deus e de Seus santos anjos.
Certas almas, porém, recebem do Senhor uma missão ainda mais nobre que a dos demais batizados. Elas são chamadas a unir-se mais perfeitamente a Cristo sofredor e a oferecerem-se de modo total como vítimas pelos pecados da humanidade. As suas vidas de santidade e de oração perturbam profundamente Satanás, que quer fazer de tudo para precipitar o ser humano ao inferno.




A jovem Gemma Galgani, nascida no povoado próximo à cidade de Lucca, na Itália, era uma dessas almas que deixavam inquieto o inimigo de Deus. Contemporânea de Santa Teresinha do Menino Jesus, Gemma cresceu habituada à experiência da morte. Sua mãe, Aurélia, faleceu cedo, vítima de tuberculose. Seu irmão, Eugênio, que decidira entrar no seminário, também foi acometido pela doença, tendo morrido antes de ser ordenado sacerdote. Experiências tão próximas fizeram com que Gemma se desapegasse desde cedo deste mundo. Questionada, certa vez, se tinha medo da morte, ela respondeu: "Claro que não... já estou desapegada de tudo".

Órfã de pai e de mãe aos 19 anos, Gemma vai morar com uma piedosa senhora: Cecília Giannini. Ela acolhe a pequena gema de Deus como uma filha e é em sua casa que vão acontecer experiências extraordinárias: às quintas e sextas-feiras, recolhida em seu quarto, em oração, Gemma recebe os estigmas de nosso Senhor. A jovem amante de Cristo, com o olhar detido em um ponto fixo do alto, sangra abundantemente em várias partes do corpo. No momento da oração, está totalmente alheia às coisas terrenas. Em êxtase, ela perde todos os seus sentidos, permanece imóvel, totalmente absorta nas coisas celestes.

Mas, ao mesmo tempo em que é constantemente agraciada com as consolações de Deus, a santa recebe com frequência a visita indesejada do diabo.
Conta-se que, certa vez, o seu diretor espiritual, padre Germano, encontrou-a acamada, por conta dos incessantes ataques do demônio, que a debilitavam. Durante a noite, o sacerdote permaneceu com ela, rezando o breviário no canto do quarto. De repente, um enorme gato preto, de aspecto horrível, se joga aos pés do sacerdote. Ele dá uma volta pelo quarto, dando miados infernais.

Subitamente, o gato salta sobre o leito de Gemma, ficando muito próximo de seu rosto e fixando nela um olhar feroz. Padre Germano fica visivelmente assustado, mas sua filha espiritual permanece calma: está acostumada às artimanhas do maligno. "Não tenha medo, padre! É o velhaco do demônio que me quer molestar. Não tema. Ao senhor não fará mal algum", diz a jovem, tentando tranquilizar o sacerdote.

Ele, então, levanta-se, ainda com a mão trêmula, e borrifa água benta sobre o gatão, que desaparece, como que por encanto. "Como é possível permanecer tão tranquila?", pergunta o padre a Gemma, ao que ela responde: "Só tenho medo... de magoar Jesus!"

Estes episódios arrepiantes da vida dos santos servem para todos os cristãos de lição: neste mundo, o seu único medo deve ser o de ofender a Cristo e, assim, perder a amizade d'Aquele que não poupou Seu próprio Sangue para a remissão dos nossos pecados. Que Santa Gemma Galgani rogue por nós junto a Deus.


Fonte: Site Christo Nihil Praeponere

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Beata Elena Guerra, Virgem,Fundadora e Mística. Apóstola do Espírito Santo.




Elena Guerra nasceu em Lucca (Itália), no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedica à meditação da Palavra de Deus e ao estudo dos Padres da Igreja, o que determina a orientação de sua vida interior e de seu apostolado; primeiro na Associação das Amigas Espirituais, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade em seu sentido cristão, e depois nas Filhas de Maria.

Em Abril de 1870, Elena participa de uma peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita às Catacumbas dos Mártires confirma nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril, assiste na Basílica de São Pedro a terceira sessão conciliar do Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.

No ano de 1871, depois de uma grande noite escura, seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da Congregação das Irmãs de Santa Zita, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna predileta”.

Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão XIII, exortando-o a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente solicitado pela mística de Lucca, dirige à toda Igreja alguns documentos, que são como uma introdução à vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: A breve “Provida Matris Charitate” de 1895; a Encíclica “Divinum Illud Munus” em 1897 e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo”, de 1902.

Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome, para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: Oblatas do Espírito Santo.

Para Elena, a exortação do Papa é uma ordem, e se dedica ainda com maior empenho à causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”: Será este o mandato da sua Congregação ao mundo.

Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: Ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus discípulos depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.

A Igreja é chamada a realizar os Mistérios do Cenáculo, Mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: A Igreja é, por isto, prolongamento do Cenáculo, e, analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.

É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós, e cada fiel em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma, e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembleia de confirmados, e, portanto, semelhante a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo. É nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo.

Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, sábado santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para um verdadeiro “renovamento da face da terra”.

Elevada à honra dos altares em 26 de Abril de 1959, justamente o Papa a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”, assim como Santa Maria Madalena foi a apóstola da Ressurreição e Santa Maria Margarida Alacoque a apóstola do Sagrado Coração.

O carisma profético de Elena é ainda atual, visto que a única necessidade da Igreja e do Mundo é a renovação contínua de um perene e “Novo Pentecostes” que por fim “renove a face da terra”.

 “A vinda do Espírito Santo no Cenáculo foi como o beijo da reconciliação dado por Deus à humanidade redimida no sangue de Jesus”
(Elena Guerra)


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Segundo texto biográfico

Com alegria, hoje celebramos o dia da Beata Elena Guerra, a apóstola do Espírito Santo. Ela e Papa Leão XIII, que escreveu a primeira Encíclica ao Espírito Santo na história da Igreja, são duas figuras proféticas do pentecostalismo Católico. Hoje também beato, Papa João XIII abriu o Concílio Vaticano II pedindo para a Igreja a graça de um Novo Pentecostes. Leia abaixo um artigo sobre as cartas escritas pela beata chamadas de “Escritos de Fogo”:

Elena Guerra viveu nutrindo um único sonho nascido de seu chamado profético na Igreja: Fazer o Espírito Santo mais conhecido, amado e invocado. Vendo o mundo de sua época pervertido por Satanás e uma multidão de almas se distanciando do Coração de Deus, Elena é convencida pelo Senhor a iniciar um grande epistolário com o Papa Leão XIII. Em suas cartas, ela pede ao Papa que chame novamente os cristãos para um retorno ao Cenáculo. Pela Novena de Pentecostes, desejava que fosse pregada a Palavra, a fim de que, os ensinamentos divinos iluminassem as mentes para o conhecimento do Espírito Santo e movesse a vontade dos cristãos para corresponderem às suas santas inspirações.

Elena escreve com amor e respeito de filha, mas com coragem e ousadia de profeta. A sua insistência, unida à sua vida profunda de oração e invocação ao Espírito Santo, juntamente com suas audaciosas iniciativas, alcança de Leão XIII, três documentos importantes: O Breve “Provida Matris Charitate” de 5 de Maio de 1895, quando o Papa promulga a obrigação da Novena de Pentecostes para a Igreja inteira; A Encíclica “Divinum Illud Munus” de 9 de Maio de 1897 e a Carta aos Bispos “Ad fovendum in Christiano Populo” de 18 de abril, como um pedido reforçado para celebrar a Novena todos os anos e maior diligência da parte dos pregadores para que transmitissem ao povo a doutrina sobre o Espírito Santo.

A figura desconhecida, mas grandiosa de Elena Guerra, que se ergue na Igreja como aquela que mais escreveu sobre o Divino Espírito, levará o Papa a consagrar o difícil Século XX ao Espírito Santo. Estava aberta a porta do Cenáculo e o mundo Católico, Ortodoxo e Protestante veria o grande derramamento do Espírito ao longo do século, impulsionado, sobretudo, pelos grandes avivamentos carismáticos que perduram até hoje.

Os Católicos Brasileiros, sobretudo, os que se encontram na Igreja através da Renovação Carismática, precisam conhecer estes documentos. Eles são a nossa raiz! Estão neles a segurança da nossa ortodoxia! A vida eclesial e profundamente carismática da Beata precisa ser conhecida pelos brasileiros que amam o Espírito Santo. Eis o objetivo destes Escritos de Fogo!

A vitalidade espiritual e a teologia especulativa e orante da Beata em seus escritos pneumatológicos levam o leitor a uma verdadeira paixão pelo Divino Paráclito e a um desejo profundo pela vida no Espírito. Eu posso testemunhar isso!

Não é exagero aproximar Elena Guerra das grandes doutoras da Igreja, não por milagrosas manifestações carismáticas, mas por sua elevação teológica e seu fecundo apostolado pela renovação da Igreja através do retorno dos fiéis ao Espírito Santo.

As cartas de espiritualidade cristã sempre tiveram um lugar privilegiado. Como não recordar das Cartas de São Paulo? As 270 cartas de Agostinho? As 6795 cartas de Santo Inácio de Loyola? As 266 de Santa Teresinha? As 633 do Pe. Pio?

Elena escreveu muitas obras dedicadas ao Espírito Santo e também muitas cartas. Muitas delas se perderam. Hoje temos 740 de sua autoria. Dom Bosco a chamou de “caneta de ouro”, e as irmãs costumavam dizer que a escrita era para Elena “o oitavo dom do Espírito Santo”. Ao Papa Leão XIII, Elena escreve 14 cartas. Nem todas foram entregues e uma delas se perdeu. Elena foi uma voz isolada, uma navegadora solitária quando começou a escrever sobre o Espírito Santo, denominado, até então, “divino desconhecido”. Ela é precursora de uma literatura carismática!

Creio que não haja hora melhor para viver as intuições proféticas dos “Escritos de Fogo”, momento em que a Igreja na América Latina se convence de que “Necessitamos de um Novo Pentecostes!” (Aparecida 548). Elena Guerra pode ser apresentada como um modelo de discípulo missionário para que todos os batizados se tornem apóstolos do Espírito Santo e da efusão de Pentecostes. Só assim, começaremos a ver a renovação da face da Terra, só assim nossos povos receberão a vida Daquele que “É Senhor e dá a Vida”!

Oremos como Elena: “Veni Sancte Spiritus!”

Pe. Eduardo Braga (Dudu)

Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2009

(Nossa Senhora de Lourdes)

Este texto foi retirado do livro “Escritos de Fogo”, de Pe. Eduardo Braga, e está disponível no site da Editora RCCBRASIL.

Conheça outros livros, acessórios e artigos religiosos da Beata Elena Guerra, aqui.



Oração pela canonização da Beata Elena Guerra

Ó Deus, que suscitastes na tua Igreja a Beata Elena Guerra, para que sua vida fosse para todos nós um constante convite a entrarmos no Cenáculo para vivermos um perene Pentecostes.

Concede que, com o reconhecimento da sua santidade, a sua mensagem possa chegar a Igreja inteira. Infunde em nós o Teu Espírito, com a riqueza dos seus dons, e por intercessão da Beata Elena, dai-nos as graças de que temos necessidade, especialmente... (pedir as graças).


Beata Elena Guerra, rogai por nós e por um novo Pentecostes!