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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Beatas Mártires Carmelitas Descalças de Guadalajara, Espanha (em 1936, por milicianos comunistas).


Beatas Carmelitas Descalças,  Mártires, 
cruelmente assassinadas  por milicianos comunistas 

na Guerra Civil Espanhola


A Igreja e o Carmelo Descalço celebram no dia 29 de março, a memória destas inocentes três irmãs carmelitas, assassinadas pelo ódio comunista à Santa Igreja no dia de 24 de julho de 1936, na cidade de Guadalajara, em Espanha. Foram beatificadas pelo Papa João Paulo II, a 29 de março de 1987.






Beata Teresa do Menino Jesus, ocd, Virgem e Mártir.

Eusébia Garcia, segundo o nome de batismo, nasceu a 05 de março de 1909, em Mochales, Guadalajara, Espanha. Segunda de oito irmãos, um dos quais sacerdote. Desde pequena que sentiu atração pela virtude da pureza, que aos nove anos de idade fez um voto de castidade, que daí por diante foi renovando anualmente até professar no Carmelo.
Enquanto estudante, leu um livro que a veio marcar profundamente: "A História de Uma Alma", autobiografia de Santa Teresinha do Menino Jesus. No desejo de lhe imitar o exemplo, entrou para o Carmelo de Guadalajara aos 16 anos, no dia 04 de novembro de 1925. Jovem cristã de grandes qualidades, escreveu nos seus apontamentos espirituais: "Não me desanimam os meus defeitos. Pelo contrário, tenho mais ocasiões de merecer e lutar contra eles. Não gosto da vida dos santos que só falam das suas virtudes, ocultando-lhes os defeitos e as lutas". Escreveu um dia também o seguinte: "Se sou vítima, porque me queixo quando me cravam a faca? Ás vitimas destinadas ao holocausto cravavam-lhes a faca e depois as queimavam, para que fossem consumidas. Assim devo eu deixar que me cravem a faca, me despedacem e consumam". Assim deslizou a sua vida até que o martírio a veio colher para o céu com apenas 27 anos de idade.


Beata Maria do Pilar, ocd, Virgem e Mártir
Jacoba Martínez Garcia nasceu em Terazona a 30 de dezembro de 1877. No convento escolheu o nome de Maria do Pilar. Eram 11 irmãos, dos quais 08 morreram crianças. Dos três restantes, um fez-se sacerdote, e as duas meninas entraram no convento das carmelitas de Guadalajara. Aos 21 anos de idade, a 12 de outubro de 1898, entrou para o convento. No dia 15 de outubro de 1899 fez a sua profissão religiosa na Missa celebrada pelo seu irmão. A mãe, presente na cerimónia exclamava ao sair da igreja: "O Senhor fez-me feliz demais! O meu único filho é um santo sacerdote e deu-me a Comunhão... e as minhas duas filhas estão aqui no convento a comungar também de suas mãos"! Durante 38 anos viveu com piedade e exatidão a regra de religiosa carmelita. Ao estalar a revolução, escreveu: "Se nos levarem ao martírio, iremos a cantar como as nossas irmãs de Compiègne. Cantaremos: Coração Santo, Tu reinarás".


Beata Maria Angeles, ocd, Virgem e Mártir
Como as anteriores, também Mariana - era este o seu nome de batismo - pertencia a uma família numerosa. Era a mais nova de 10 irmãos. Tendo falecido seis, ficaram quatro meninas, das quais dizia o seu piedoso pai: "Quatro filhas tenho, e a minha maior alegria neste mundo seria vê-las consagradas a Deus". E assim aconteceu. Todas as quatro irmãs vieram a entrar em congregações religiosas. Aos 24 anos, a 14 de julho de 1929, despede-se de seu idoso pai e entra no Carmelo de Guadalajara, onde toma o nome de Maria Angeles (dos Anjos). A sua ânsia, que o Senhor satisfez plenamente, era o martírio, como escreveu nos seus Apontamentos Espirituais: "Meu Deus, recebei a minha vida entre as dores do martírio e em testemunho do meu amor para Convosco".



O MARTÍRIO:
As três Irmãs Maria do Pilar, Maria dos Anjos e Teresa do Menino Jesus, tiveram de deixar, como todas as outras religiosas, o convento no dia 24 de julho de 1936. Apesar de terem tirado o hábito, e trajarem trajes civis, são reconhecidas por um bando de milicianos e milicianas comunistas espanhóis, e uma das quais (bem jovem, aparentando uns 18 anos) grita para os camaradas:
- São freiras! Disparem!
Ouvem-se vários tiros das espingardas. Como pombas perseguidas, batem as inocentes Irmãs à porta de duas famílias conhecidas. Como ninguém lhes abre, voltam à rua. Um tiro certeiro no coração prostra no chão a Irmã Maria Angeles, que morre quase imediatamente.

Ilustração do martírio da Irmã Pilar.
A Irmã Maria do Pilar teve martírio mais doloroso. As balas destroçaram-lhe a coluna vertebral, atravessaram-lhe o ventre e fraturaram-lhe um joelho e os ombros. Estendida no chão, a esvair-se em sangue, um comunista ainda lhe atravessou a região lombar com um punhal. Entre horríveis tormentos, dores e sede abrasadora, exclamava, como Cristo no alto da Cruz: "Tenho sede... Meu Deus, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!". Beijando o crucifixo que lhe aproximou dos lábios uma Irmã da Caridade do Hospital para onde foi levada, entregou placidamente a sua alma a Deus.

A Irmã Teresa do Menino Jesus, ao fugir, viu-se cercada por um bando de milicianos. Aparece de repente outro camarada que os repreende fortemente, incitando-lhes a soltar aquela alma inocente. Os seus colegas deixam-na e ele exclama em tom amigo e paternal: "São uns bandidos. Estou aqui para te proteger. Vem comigo, levo-te a um refúgio seguro. Não temas. Tem confiança em mim".
Ilustração do martírio da Irmã Teresa.
A boa irmã Teresa deixou-se levar, acreditando nessas palavras. Depois de atravessarem algumas ruas, chegam a um descampado, perto do cemitério. Então, o lobo tira por fim a pele de cordeiro e revela toda a sua maldade. Procura violar sexualmente a jovem Irmã, prometendo-lhe a liberdade. Juntam-se lhe mais três valentes comunistas com o mesmo intento: violar e profanar a virgindade daquela jovem religiosa carmelita. Nunca cede perante os desejos dos homens. Ela repele-os energicamente e procura escapar-se. Pretendem então que dê vivas ao comunismo e que renegue a sua Fé. Como resposta só ouvem este grito: "Viva Cristo Rei!". Deixam-na então fugir. Corre com o braços em cruz, sabendo que irá ser morta. Cai mortalmente ferida com o rosto por terra, banhado em sangue. Ali sozinha, como Cristo no Jardim das Oliveiras, agonizou em grande paz, com a Fé e a virgindade intactas.

As três Irmãs carmelitas de Guadalajara foram, para alegria de toda a Igreja (e Igreja não são os edifícios, são as pessoas!) foram beatificadas no dia 29 de março de 1987 pelo Papa João Paulo II.

Hoje, os seus restos mortais repousam no seu convento, o Carmelo de San José em Guadalajara.


Carmelo São José de Guadalajara
(nos dias atuais)


Local onde estão os restos mortais das
Beatas Mártires de Guadalajara. 




Beatas Carmelitas Mártires de Guadalajara que sofrestes sem culpa alguma com o ódio e a incompreensão dos inimigos de Cristo, mas que morrestes com palavras de amor e perdão nos lábios suplicando pelos vossos assassinos, rogai por mim, que sou pecador!




Queridas mártires, rogai pelo Brasil,
em risco de ser atingido e aniquilado
pela ideologia comunista... 



Estas lindas "açucenas" do Carmelo
foram cruelmente assassinadas
pelo "simples fato" de serem
católicas e monjas...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Beato Domingos Metódio Trčka, Presbítero e Mártir (morto em um cárcere comunista após anos de penúrias, fome e torturas).


Beato Domingos Metódio, Presbítero e Mártir
No dia 24 de abril de 2001, na presença do Santo Padre, foi promulgado o Decreto de Martírio de cinco Redentoristas, sendo quatro ucranianos e um tcheco.

O tcheco, Beato Domingos Metódio Trčka, nasceu no dia 06 de julho de 1886 em Frydlant nad Ostravici, Morávia, que hoje parte da República Tcheca. Em 1902 ele entrou para os Redentoristas e começou o noviciado em 1903.
Fez sua profissão religiosa no dia 25 de agosto de 1904. Após completar seus estudos, foi ordenado sacerdote em Praga no dia 17 de julho de 1910.
Nos primeiros anos de sacerdócio, trabalhou nas missões paroquiais. Em 1919 foi enviado para trabalhar com os católicos gregos, na região de Halic, na Galícia e posteriormente para Eparchy de Presov, na Eslováquia, onde desenvolveu uma atividade missionária muito intensa.
Em março de 1935 foi apontado pela Congregação das Igrejas Orientais para ser Visitador Apostólico aos Monges basilianos em Presov e em Uzhorod. Quando a Vice-Província de Michalovce foi fundada, o Pe. Trčka foi apontado primeiro Vice-Provincial no dia 23 de março de 1946. Começou a trabalhar zelosamente para fundar novas casas e formar novos jovens redentoristas.
Na noite do dia 13 de abril de 1950, o governo tcheco (comunista) suprimiu todas as comunidades religiosas. Após um julgamento sumário, pelo simples fato de ser um padre católico, Padre Trčka foi condenado a 12 anos de prisão, durante os quais foi submetido a longos interrogatórios e a torturas. Em 1958, foi transferido para a prisão de Leopoldov. Nesse meio tempo, passou a sofrer de pneumonia, contraída no confinamento solitário, imposto a ele por ter cantado na prisão um hino de Natal*. Morreu no dia 23 de março de 1959.
Foi enterrado no cemitério da prisão, mas, após a liberação da Igreja Católica Grega, seus restos mortais foram trasladados para o túmulo redentorista no cemitério de Michalovce, no dia 17 de outubro de 1969.

O Papa São João Paulo II proclamou Beato Domingos Metódio no dia 04 de novembro de 2001.

Nota:
*Vejam os leitores a maldade desse governo comunista e o ódio que sempre tiveram pelo Cristianismo, especialmente, contra o Catolicismo: condenaram um pobre padre, já abatido pela longa prisão e fome, a ficar na solitária, simplesmente por que, na noite de Natal cantou um hino ao Senhor...Ó desumanidade sem justificativas!

Não é possível que ainda existam pessoas tolas o suficiente para acreditar que possa haver compatibilidade entre o comunismo e o Evangelho. 

domingo, 19 de outubro de 2014

SANTA MARIA CRUCIFIXA DI ROSA, Virgem e Fundadora das Servas da Caridade.


Santa Maria Crucifixa di Rosa
Maria Crucifixa di Rosa (1813-1855), que na vida secular chamava-se Paula, é uma daquelas criaturas raras que, intercedendo em favor dos outros, sentem nascer-lhe asas. 

Nascida no ano de 1813, em Bréscia, no seio de uma família rica, entende, através da doença que levou à morte sua jovem mãe, que a vida não é um gozo para os ricos e um calvário para os pobres, mas, para todos uma provação da qual é necessário prestar contas. Será dessa pequena semente que nasce a frondosa árvore da caridade hospitaleira? Milhares de doentes nos hospitais, de crianças nas escolas, de moças arrancadas às calçadas, de jovens educados e de anciãos amados e bem cuidados reservam gratidão às Servas da Caridade que seguiram o exemplo amoroso da fundadora. 
Paula é filha de um industrial bresciano que conseguiu realizar vultosos negócios lucrativos, porém não adora o "deus" dinheiro. Órfã de mãe aos 11 anos, Paula é colocada no colégio das Visitandinas. Com 19 anos, Paula assume a direção da fiação de Acquafredda tornando-se amiga daquelas moças operárias, que de segunda a sábado vivem longe da família.
O pai começa a se dar conta que a personalidade potencialmente forte da filha não aceitará nunca mais ficar isolada entre as paredes de uma casa familiar.
Painel da Beatificação
A epidemia de cólera, que assola Bréscia em 1836, transforma Paula em enfermeira que assiste as mulheres atingidas pela doença. O amor não abandona nunca seu lugar de guarda. A filha do industrial descobre que nenhuma empresa tem cotações mais altas do que a bondade desinteressada. Funda em Bréscia duas escolas de surdo-mudos. Contemporaneamente assiste as mulheres internadas em “casa d’Indústria” e se dedica às meninas em risco de desencaminhamento. Finalmente se concretiza a Pia União, que desembocará na vasta Congregação das Servas da Caridade. Mas, onde encontra tempo para tamanha rajada de iniciativas, essa frágil mulher que descerá no túmulo com somente 42 anos? Levanta-se duas horas antes do amanhecer e mergulha na oração mental. Vai à Missa na Catedral acompanhada da doméstica e passa outras duas horas em diálogo com Deus.

Numa bela manhã se entrevê já luminoso o dia.
As primeiras Servas da Caridade são enfermeiras que seguem Paula na doação de um sorriso e de uma prolongada assistência aos doentes.
A associação benéfica, que no começo é uma semente invisível, passa por seu primeiro teste geral na primeira guerra de independência (1848) e nas “dez jornadas”, nas quais Bréscia, combatendo contra os austríacos, se vê proclamada a “leoa da Itália”.
O amor é sempre a carta vencedora neste “canteiro que nos faz tão ferozes”.
A Pia União, que se torna Instituto das Servas, com os três votos basilares de sua orientação de vida, graças à pronta ratificação do  Beato Pio IX, se difunde como o voo da pomba e alcança várias cidades italianas. A árvore hospitaleira alarga seus ramos e estende suas raízes pela Itália e fora dela. Com a profissão religiosa, Paula assumirá o nome de Maria Crucifixa.
Seu frágil corpo e sua forte fibra cedem ao mal que a consome em dezembro de 1855. Mas no túmulo não vem sepultada a Congregação, flor daquele Amor que é eterno como Deus.



Trechos de: F. Molinari, “Maria Crucifixa Di Rosa: uma santa para os outros”. 

Painel da Canonização

RECADO AOS LEITORES E LEITORAS DO BLOG "SANTOS, BEATOS, VENERÁVEIS E SERVOS DE DEUS"


Estimados irmãos e irmãs em Cristo, que leem este blog. Bom dia! 
Caros irmãos e irmãs, o blog tem um pouco mais de um ano de existência e, para a glória de Deus, atingimos a "marca" de 15.600 visualizações. Deus seja louvado! São cerca de 40 a 70 visualizações por dia, em média, graças a Deus.  
Recomendo que aqueles irmãos e irmãs que estão gostando do blog possam divulgá-lo entre os familiares, amigos e conhecidos, para que cada vez mais pessoas usufruam da oportunidade de conheceram a vida de muitos santos e santas de nossa Igreja. 
Ler sobre a vida de um santo ou santa é praticamente o mesmo que ler o Evangelho, "encarnado" e "escrito" na vida de cada uma dessas testemunhas da fé e imitadores e imitadoras de Cristo.
Queridos, recomendo também que aqueles que forem acessando pela primeira vez o blog possam atentem para lerem as POSTAGENS MAIS ANTIGAS. Vocês podem ter acesso a elas através do link que sempre vem no fim da "página que abre" quando se acessa o blog. 
Vocês poderão também procurar por um (a) santo (a), beato (a) ou servo (a) de Deus digitando o nome do (a) mesmo (a) no final da página, no "gadget"  Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus que está no final de cada página. Podem imprimir à vontade, irmãos! Copiem também as imagens ou fotografias dos santos e santas que vão sendo publicados! O blog é para vocês! Muito obrigado a todos!
Um forte abraço, em Cristo Jesus e em Maria:
Giovani Carvalho Mendes, ocds.

Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva ("Menina Benigna"), virgem e mártir da pureza.


Benigna Cardoso da Silva, nascida no Sítio Oiti - Santana do Cariri-CE, no dia 15 de outubro de 1928, filha de José Cardoso da Silva e Thereza Maria da Silva, ficou órfã de pai e mãe muito cedo, sendo adotada juntamente com seus irmãos mais velhos pela família “Sisnando Leite”, proprietária do Oiti dos Cirineus, no distrito de Inhumas.
Sua infância foi cercada pela alegria das inocentes brincadeiras com cantigas de roda, bonecas, casinha, piqueniques, passeios etc., ao lado de suas irmãs de criação Tetê e Irani, que ainda vivem. Benigna gostava muito de uma cantiga de roda que dizia mais ou menos assim: “Carneirinho, carneirão, neirão, neirão, olhai pro céu, olhai pro céu, pro céu, pro céu, para ver Nosso Senhor, Senhor, Senhor, e todos se ajoelharem...”.

      Era uma jovem muito simples e cheia de humildade. De estatura média, Benigna era magra, de cabelos e olhos castanhos meio ondulados, morena clara, rosto arredondado e queixo afinado. Tinha um leve estrabismo em um dos olhos.

      Modesta por natureza, tímida, reservada e meditativa, não usava vestidos sem mangas, curtos nem com decotes. Sua generosidade, carisma e simpatia a fazia querida e cativada por familiares, amigos e conhecidos, tornando-se um modelo de juventude para época.

Em casa, desenvolvia bem todas as tarefas domésticas, com intuito de ajudar sua família adotiva. Era boa filha, sempre obediente e prestativa.

      Extremamente religiosa e temente a Deus, nutria um grande desejo de fazer a Primeira Eucaristia, e depois desse sonho realizado, seguia à risca os mandamentos divinos. Não perdia as missas e fazia penitência nas primeiras sextas-feiras em devoção ao Sagrado Coração de Jesus, sempre na companhia de sua “madrinha Ozinha” e da “Tia Bezinha.” Era assídua na participação eucarística.

      Aos 12 anos de idade, já lendo e escrevendo, Benigna começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves com propostas de namoro, rejeitadas de forma categórica por ela, que nada queria com ele a esse respeito. Procurou imediatamente o padre Cristiano Coelho, vigário da época, para pedir conselhos sobre o assunto da perseguição de Raul, e este lhe aconselhou a vir estudar em Santana do Cariri – CE, e a presenteou com uma Bíblia, que se tornou seu livro de cabeceira, guardado com esmero e carinho. Encantava-se com as gravuras e as histórias do Antigo e do Novo Testamento. Neste Livro Sagrado ela encontrou apoio para resistir às tentações de Raul e fortalecer cada vez mais sua fé.

      A caminho da escola, se mostrava sempre uma defensora da natureza, não deixando que seus colegas maltratassem as plantinhas nem tirassem suas flores ou galhos. Na sala de aula, era uma aluna exemplar; por demais estudiosa, cuidadosa, pontual e colaboradora. Sempre gostava de ajudar seus colegas para não vê-los punidos com a palmatória ou de joelhos nos caroços de milho, fato que a deixava demasiadamente triste, e às vezes até chorava com os castigos aplicados aos outros.

      Depois de várias tentativas sem sucesso, numa tarde fatídica de sexta-feira, dia 24 de outubro de 1941, sabendo que Benigna ia pegar água numa cacimba próxima à sua casa, ficou Raul à espreita atrás do mato, observando-a com o pote na cabeça, com seus recém completados 13 anos. Ao aproximar-se, abordou-a sexualmente. Ela recusou, ele insistiu tentando violentá-la. Ela disse “não” com veemência e lutou heroicamente para se defender do ato pecaminoso, que no seu entender cristão ofenderia seu corpo.

Raul, ao perceber que Benigna nada aceitaria com o mesmo, foi tomado por um ódio feroz; sacou de um facão e a golpeou cortando-lhe os dedos da mão. Ela relutou de forma sobre-humana contra seu algoz, preferindo morrer a pecar contra a castidade. Depois disso, foi atingida na testa, nas costas e por fim no pescoço, cujo golpe deixou-lhe a cabeça quase decepada.

Ao vê-la morta, com o corpo estendido sobre as pedras e o sangue inocente se esvaindo pelo chão, Raul foge, sendo o corpo da vítima encontrado logo em seguida já sem vida.

      Seu corpo foi sepultado na manhã do sábado, no Cemitério Público São Miguel, em Santana do Cariri-CE, acompanhado de comoção geral. Os requintes de crueldade do bárbaro crime abalaram todo o Município. Desde essa data, começaram as visitas ao túmulo e ao local do martírio até o tempo presente. As rogativas feitas à “Santa de Inhumas”, assim como as promessas são geradoras de graças alcançadas por intercessão dessa memorável jovem , que é tida por todos como “santa” e “Heroína da Castidade”.

O assassino foi preso, pagou pelo seu crime e, arrependido, voltou ao local 50 anos depois para chorar, elevar preces e pedir perdão a Benigna. Neste retorno, relatou sua mudança de vida, sua conversão ao cristianismo. Fez penitências para salvar sua alma, e pedindo a intercessão de Benigna, alcançou graças sempre recorrendo à sua inocente vítima, a quem sempre rogava nas horas de aflição. Segundo ele, seu ato foi de loucura e “ela se mostrou virtuosa, quando resistiu para não pecar e não apenas para ver se escaparia.”.


Sobre Benigna o Padre Cristiano deixou escrito, na época, ao lado do seu batistério: “Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de proteção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha”.