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sábado, 27 de setembro de 2014

SANTA JOAQUINA DE VEDRUNA, Viúva, Religiosa e Fundadora das Carmelitas da Caridade.



Santa Joaquina de Vedruna
Esta é uma santa que ficou casada até os 33 anos. Teve nove filhos e vários netos. Aos 47 anos fundou a Comunidade das Irmãs Carmelitas da Caridade, e ao morrer, aos 61 anos, havia fundado mosteiros, escolas e hospitais em várias partes da Espanha.


Nasceu em Barcelona, na Espanha, no dia 16 de abril de 1783, quinta de oito irmãos. Seu pai, Dom Lorenzo de Vedruna, era rico e alto funcionário do governo. Sua família era muito católica.
A menina desde muito pequena tinha grande devoção ao Menino Jesus e as benditas almas do Purgatório.

Algo que a caracterizou desde seus primeiros anos foi um grande amor pela limpeza. Não tolerava qualquer mancha de sujeira em sua roupa. E isso a foi levando a não tolerar tampouco as manchas do pecado em sua alma.

Aos doze anos sentiu um grande desejo de ser freira carmelita. Mas as freiras não a aceitaram porque lhes parecia muito jovem ainda para decidir-se pela vocação religiosa.

Don Teodoro, esposo
de Santa Joaquina
Aos 26 anos, aos 24 de março de 1799, casa-se com um rico advogado, Don Teodoro de Mas, um muito amigo de seu pai e um funcionário público como ele. Teodoro estimava muito as três filhas de Don Lorenzo e para decidir-se por uma delas lhes levou um pacotinho de guloseimas como presente. As duas primeiras o rejeitaram como um presente demasiado infantil, mas Joaquina o aceitou com alegria exclamando: "Eu amo amêndoas." Este gesto de humildade fez com que o jovem decidisse escolhê-la como esposa.
No começo do casamento, por vezes, sentia graves escrúpulos não ter seguido a vocação religiosa que de criança tanto lhe chamava a atenção, mas seu esposo a confortava dizendo que na vida doméstica se pode chegar a tão alta santidade como em um convento e com suas boas obras de piedade iria substituindo aquelas que teria feito na vida religiosa. Isso a tranquilizou. Viveu 16 anos com seu esposo, e Deus a presenteou com nove filhos. E como recompensa por seus sacrifícios quatro de suas filhas se tornaram freiras, e várias de suas netas também.


Santa Joaquina e suas quatro filhas
que se tornaram religiosas



Dois filhos da santa que se casaram


Quando Napoleão invadiu a Espanha, o esposo de Joaquina partiu para o exército para defender a pátria e participou bravamente de cinco batalhas contra os invasores. Joaquina e seus filhos tiveram que deixar a cidade de Barcelona e fugir para a pequena cidade de Vich.

Quando Joaquina e seus filhos fugiam pela planície, de repente apareceu uma misteriosa Senhora e a trouxe até Vich para casa de uma família muito boa, que os recebeu com grande carinho. Em seguida, a Senhora desapareceu e ninguém pôde dar razão para isso. Joaquina sempre acreditou que havia sido a Santíssima Virgem que veio para ajudá-la.

Um dia, enquanto estava rodeada por sua família, ela pensou ter ouvido uma voz dizendo: "Logo você vai ser viúva". Ela se preparou para aceitar a vontade de Deus, e dois meses depois, em 03 de março de 1816, seu esposo, embora estivesse bem de saúde e tivesse apenas 42 anos, morreu inesperadamente. Joaquina ficou viúva aos 33 anos e encarregada das seis crianças que havia sobrevivido.

A partir daquele dia deixou todas as suas roupas de senhora rica. E se dedicou completamente a ajudar os pobres e assistir os doentes nos hospitais. No começo, as pessoas pensaram que ela havia enlouquecido por causa da tristeza pela morte de seu esposo, mas logo perceberam que ela estava se tornando uma grande santa. E admiravam a sua generosidade para com os necessitados. Ela vivia como as pessoas mais pobres, mas todas as suas energias eram para ajudar aqueles que sofriam miséria ou doença.

Retrato pintado da santa
Por 10 anos dedicou-se a penitências, muitas orações e contínuas obras de caridade, pedindo a Deus para iluminá-la sobre o que mais lhe convinha fazer para o futuro. Quatro de suas filhas se tornaram freiras e os outros filhos se casaram, e finalmente ela estava livre de toda responsabilidade doméstica. Agora iria realizar seu grande desejo de quando era uma criança: ser religiosa.
Providencialmente se encontrou com um padre muito santo, o Padre Esteban Olot, capuchinho, que lhe disse que Deus a tinha destinado a fundar uma comunidade religiosa dedicada à vida ativa de apostolado. O sábio Padre Esteban escreve as constituições da nova comunidade e, aos 26 de fevereiro de 1826, diante do Sr. Bispo de Vich, que a apoia plenamente, começa, com oito jovenzinhas, sua nova comunidade, à qual coloca o nome de "Hermanas Carmelitas de la Caridad de Vedruna", em sua casa, conhecida como "Manso Escorial".

Logo, as irmãs se tornam treze e mais tarde cem. Sua comunidade, como a sementinha de mostarda, começa sendo muito pequena e se torna uma grande árvore cheia de bons frutos. Ela vai fundando casas de religiosas por toda província.


Fundações de Santa Joaquina de Vedruna





Santo Antônio Maria Claret, 
bispo e fundador
Santa Joaquina teve a sorte de se encontrar também com o grande missionário, bispo e fundador Santo Antônio Maria Claret, cujos conselhos lhe foram de grande proveito para o progresso de sua nova congregação.

Depois veio a guerra civil chamada "Guerra Carlista", e nossa santa, perseguida pelos esquerdistas, fugiu para a França, onde esteve desterrada por três anos. Lá recebeu a assistência bem oportuna de um jovem misterioso, que ela sempre acreditou se tratasse de San Miguel Arcanjo, e Deus a encaminhou nesta terra para uma família espanhola que a tratava com amor verdadeiro.

Voltando à Espanha, talvez como fruto dos sofrimentos padecidos e das tantas orações, começou a crescer admiravelmente sua comunidade e as casas se foram multiplicando como verdadeira bênção de Deus.

Em 1850, começou a sentir os primeiros sintomas da paralisia que a imobilizaria completamente. Aconselhada pelo Vigário Episcopal renunciou a todos os seus encargos e se dedicou a viver humildemente como uma religiosa sem posto algum. Apesar de conservar totalmente suas qualidades mentais, deixou que outras pessoas dirigissem a congregação. Deus lhe suscitou um novo e santo diretor para sua comunidade, o Padre Bernardo Sala, beneditino, que se propôs a dirigir às religiosas no espírito da santa fundadora.

Durante quatro anos, a paralisia foi se espalhando e a foi imobilizando por completo, até lhe tirar também a fala. Então veio uma epidemia de cólera, que lhe tirou a vida e, no dia 28 agosto de 1854, passou santamente à eternidade.

Corpo incorrupto da santa


Antes havia tido o prazer de ver aprovada sua comunidade religiosa pela Santa Igreja, em 1850. E desde então foi ajudando de maneira prodigiosa a suas religiosas que se espalharam por muitos países.

As Carmelitas da Caridade, instituto religioso feminino de direito pontifício, foram aprovadas pela Santa Sé aos 5 de agosto de 1857 e foram agregadas à ordem Carmelitana aos 14 de setembro de 1860; as constituições foram aprovadas aos 20 de julho de 1990.

A Comunidade de Carmelitas da Caridade tem agora 290 casas em 25 países de 4 continentes, com 2.724 irmãs Vedruna. Ao todo, são 40.079 meninas educadas em suas escolas e 4.443 pessoas atendidas em seus hospitais. A sede generalícia está localizada em Roma.


UM MODO INÉDITO CARACTERIZADO POR SER:

• Uma rede de pequenas e flexíveis comunidades,
• Que se inserem "como levedura na massa" (Lc 13,21) nas populações onde são chamadas, rompendo, assim, com a antiga estrutura,
• Que vivem muito pobremente de seu trabalho,
• Que professam um estilo vida orante, fraterno, simples, alegre e muito familiar.

Uma nova forma de ação apostólica orientada ao único objetivo de "trabalhar para a glória de Deus e o bem do próximo". As comunidades de Joaquina de Vedruna foram colocadas em ambientes populares, inclusive marginais:
• Para promover a educação das mulheres,
• Para assistir aos enfermos pobres,
• Para ajudar e acompanhar aos excluídos e "fazer, assim, presente na terra o Reino prometido aos pobres".


Beatificada pelo Papa Pio XII, em 19 de maio de 1940, foi declarada santa pelo Papa João XXIII em 12 de abril de 1959, que disse dela: "Mãe de nove filhos, converteu-se na mãe de numerosos pobres". Os restos da santa repousam na capela do Manso Escorial de Vich.

Santa Joaquina:
Sem fazer milagres em vida e sendo uma mãe de família, uma esposa amorosa e uma mulher que teve que sofrer muito na terra, e que dedicou suas grandes energias em ajudar aos necessitados, seja para nós também um modelo para imitar, e uma poderosa protetora que reze pela nossa santificação e salvação. Que Deus nos mande muitas santas como esta, muitas outras Joaquinas.

"Confia em Deus. Nele encontrarás o amigo que não te deixará".

MOVIDA PELO ESPÍRITO
1. Abandono filial.
2. Seguimento incondicional.
3. Amor encarnado.


A espiritualidade de Joaquina.

A espiritualidade que viveu Joaquina foi a experiência profunda e cotidiana do amor de Deus Pai. Um amor que a humanidade de Jesus faz visível e cujo Espírito impulsiona a seguir o Cristo.

Esta espiritualidade trinitária suscitou nela:
·       Um amor ardente,
·       Uma confiança sem limites,
·       Uma entrega incondicional

Para encarnar em sua vida "aquele amor que nunca diz basta" (Carta 95 e 100), posto ao serviço da humanidade sofrida,
·       A quem Deus Pai ama e sustenta,
·       A quem Deus Filho serve e liberta,
·       A quem Deus Espírito Santo alenta e da vida.


Esta foi a bússola que orientou a vida de Joaquina. Esta experiência espiritual e o contato com a dor dos enfermos e marginalizados e com a exclusão cultural das mulheres suscitou nela o desejo apaixonado de reproduzir na vida deles o rosto compassivo do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Beato Frederico Janssoone, Presbítero Franciscano, Missionário e Taumaturgo.


Beato Frederico Jansoone
“Franciscano, taumaturgo, guardião dos Santos Lugares, impulsionou a devoção à Via Sacra e aos templos na Terra Santa. Passou grande parte de sua vida no Canadá”.

Este franciscano, devoto de Maria, apóstolo na Terra Santa e em quantas missões lhe recomendaram, nasceu na localidade francesa de Ghyvelde em 19 de novembro de 1838. Seus pais eram honrados camponeses que gozavam de boa posição econômica. Coerentes com sua fé católica, a promoveram em seus numerosos filhos. Assim, Frederico, sendo um adolescente, viu no sacerdócio o mais apreciado ideal para sua vida. E depois de cursar os estudos no colégio de Hazebrouck e no Instituto de Nossa Senhora das Dunas, de Dunquerque, ingressou no seminário. Tinha boa base, porque, quando fez sua Primeira Comunhão na idade de 14 anos, havia recebido uma intensa e larga formação.
Na ocasião, fazia quatro anos que seu padre havia morrido. Foi precisamente essa circunstância que influenciou na economia doméstica e lhe obrigou a deixar em segundo plano sua preparação eclesiástica. Seu sentido de responsabilidade lhe fez ver que sua família precisava de sua ajuda para seguir adiante.
Em 1861 foi sua mãe quem partiu deste mundo, enquanto sua vocação franciscana se fazia cada vez mais palpável em seu interior. Na ocasião, tinha 23 anos e aos 26 deu causa a este sentimento ingressando no convento de Amiens onde fez o noviciado. Logo passou para Limoges e por Bruges, onde completou as etapas de sua consagração. Em 1868 emitiu a profissão e em 1870 recebeu o sacramento da ordem.
Uma de suas primeiras missões foi ao “front”, para assistir como capelão aos soldados que se batiam na guerra franco-prussiana. Quando esta terminou, o destinaram sucessivamente a Branday, a Burdeos – com o fim de abrir um novo convento - e a Paris – onde se fez encarregado da biblioteca. A partir de então, seu trabalho começou a desenvolver-se fora da Europa, marcado com o mesmo selo: o zelo apostólico que havia tido até esse momento. Os cinco primeiros anos que passou na Terra Santa, desde 1876 até 1881, como vigário custodial desse patrimônio incomparável da fé que foi colocado debaixo do amparo dos franciscanos, deixaram uma profunda marca em sua vida. Após um breve período de estada no Canadá, onde arrecadou doações para o sustento dos Santos Lugares, além de incentivar aos fiéis à atividade apostólica, volveu à Terra Santa em 1882. Outros seis anos de estada nela serviram, entre outras coisas, para por em descoberto qualidades que anteriormente permaneceram veladas.
De fato, não se havia apresentando a ocasião de constatar sua valia para o mundo diplomático, porém, nesse período, solucionou assuntos delicados com notável êxito. Quando voltou ao Canadá em 1888 deixava para trás obras como a igreja de Santa Catarina, construída por ele, e os regulamentos do Santo Sepulcro e de Belém. Não retornou mais à Terra Santa, porém, seguiu vinculado a ela na qualidade de comissário.
O resto de sua existência decorreu em terras canadenses, primeiro em Montreal e, depois, em Trois-Rivières, Quebec. Sua vida religiosa era um vivo testemunho de amor a Cristo. Era um homem austero, que havia encarnado o carisma franciscano admiravelmente, humilde, confiável, paciente, acolhendo as dificuldades com paz, disposto a cumprir em todo momento a vontade de Deus.
Vivia o ideal de pobreza com rigor e tratava com ternura aos pobre, que eram seus diletos irmãos em Cristo. Adorava com sumo fervor a Eucaristia e levava gravado em seu coração o amor a Maria. Com esse espírito mariano alentou aos fiéis a penetrarem profunda e fervorosamente em seu culto e a viverem piedosamente. Impulsionou peregrinações ao Santuário da Virgem Du-Cap, próximo a Trois-Rivières, que presidia como reitor; recordava a todos que se chega ao Filho através da Mãe. Também foi devoto do Sagrado Coração de Jesus e de São José. Compartilhou estas três dileções com o povo e produziu um notável incremento de fiéis que acudiam a Jesus, Maria e José. Pela mediação da Virgem, Frederico recebeu graças extraordinárias e ocorreram curas milagrosas. Converteu a muitas pessoas.
Infundiu grande amor à adoração eucarística. Pregava, catequizava, assistia às fraternidades franciscanas seculares, difundindo o carisma que havia abraçado. Também redigia escritos espirituais e catequéticos e buscava ajuda para erigir obras de grandes proporções como o Santuário da Virgem do Rosário, de Cap La Madeleine, - que logrou converter em um templo de adoração perpétua de Québec – e o mosteiro das Clarissas de Valleyfield. À instâncias suas, se erigiram imponentes vias sacras em vários lugares. Nada disso teria seguido adiante se não houvesse estado submerso na oração e na penitência.

Morreu em Montreal em 04 de agosto de 1916. Tinha 77 anos. São João Paulo II o beatificou em 25 de setembro de 1988. Suas relíquias são veneradas em Trois-Rivières.