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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Beatos Mártires Claretianos (Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria) de Barbastro, Espanha - Guerra Civil Espanhola, 1936.


Hoje vou apresentar um magnífico grupo de cristãos, que entregaram a vida por Cristo com uma valentia, uma heroicidade, com um entusiasmo transbordante, que me dão um grande exemplo radical de amor a Jesus Cristo sem par, um dos martírios mais comoventes da história moderna da nossa Santa Igreja Católica.

Era o mês de agosto de 1936. A perseguição marxista contra a Igreja tinha-se abatido em toda a Espanha com uma fúria diabólica. O Seminário dos Missionários Claretianos da cidade de Barbastro foi feito prisioneiro na sua totalidade. Ignorando que os três padres superiores do seminário tinham sido já assassinados, toda a comunidade (padres, irmãos e seminaristas) foi encarcerada na cave de um antigo colégio. Para que os jovens seminaristas ficassem sem apoio dos padres ou dos Irmãos (religiosos não-sacerdotes), os milicianos executaram no dia 12. Havia a expectativa, que mediante alguma tortura, os amedrontados jovens seminaristas renunciassem à sua religião e sua Fé em Jesus Cristo, tornando-se nuns apóstatas. Ficavam assim, 40 jovens seminaristas desapoiados e deixados à sua sorte. Assim pensavam os vermelhos. Mas aquele punhado de valentes, verdadeiros cristãos, jovens com uma fé adulta, agigantaram-se e prepararam-se para o martírio.

As três semanas precedentes tinham sido terríveis. Na cave que fazia de prisão, aqueles presos sofreram toda a espécie de indignidades, privações e insultos. Tentavam vencer a resistência dos jovens, e recorreu-se a prostitutas, ameaças, ofertas de liberdade em troca de abandonarem sua vocação... E isto até ao último instante.

Até que ao verem que não conseguiam vergar aqueles valentes cristãos, se disseram claramente qual era a causa da sua morte: "Não vos odiamos a título pessoal, mas sim à vossa religião, a vossa sotaina, esse trapo repugnante. Se as tirarem, pouparemos vossas vidas. Mas a matar-vos, será com ela vestida, e assim sereis com a sotaina sereis enterrados". Assim souberam eles porque os perseguiam. Morreriam mártires por Jesus Cristo, e nada mais que por Jesus Cristo.

No dia 12 de agosto foi um grande dia na prisão. Desse dia nos chegaram uns testemunhos escritos verdadeiramente memoráveis. Em papel que embrulhava os chocolates que lhes ofereceram para o pequeno-almoço. Cada um escreveu um lema, uma frase que resumia o seu ideal de vida, e de seu martírio. Quarenta assinaturas que escrevem uma das mais gloriosas páginas da Santa Igreja Católica do século XX: "Viva Cristo-Rei!"; "Viva o Coração Imaculado de Maria!"; "Morro contente por Deus!... Nunca imaginei ser digno de receber esta Graça!"; Por Ti, Meu Deus, pela Santíssima Virgem meu sangue dou!”, e assim todos os 40!

Não creio que exista na história da Igreja um documento martirial como este. E dizem as testemunhas: "Todos estavam contentes e se felicitavam entre eles, como os Apóstolos, por terem sido considerados dignos a sofrer pelo nome de Jesus". Ao anoitecer, os candidatos ao martírio, abraçavam-se, beijavam mutuamente os pés e as faces uns dos outros, choravam de alegria por estar próximo o fuzilamento...

Às 24h00 do dia 13, irrompiam os milicianos na cave. Leram 20 nomes, em que cada um era vigorosamente respondido com um "Presente!". Alguns beijavam com amor as cordas que lhes atavam as mãos, e todos dirigiam palavras de perdão aos seus verdugos. Atravessaram a praça cheia de gente. E ao subir para uma camioneta de caixa aberta, gritavam entusiasticamente: "Viva Cristo-Rei!", e os presentes respondiam: "Morram, morram! Canalhas, vão ver o que vos espera no cemitério!" E era uma cena impressionante, pois ao longo da noturna viagem de três quilômetros em cima da camioneta, cantavam e rezavam. Alegres! Diz o relato de uma testemunha dessa noite: "Todo Barbastro os ouviu! Todos cantavam cânticos religiosos. E eram inocentes com anjos!" Recusado a última oferta de liberdade em troca da apostasia, todos caíram debaixo das balas com o nome de Jesus nos lábios, como confessou um dos assassinos: "Com os braços abertos, em cruz, e gritando Viva Cristo-Rei, receberam a descarga dos projeteis".

A meia-noite do dia 15, os vinte restantes iam para o Céu, celebrar a grande festa da Assunção. Animados pelo exemplo dos seus colegas anteriores, deixaram escrito: "Morremos todos contentes, e nenhum de nós sente desânimo ou pesar". Repetiram-se as mesmas cenas, trágicas para uns, porque nessa noite, os vermelhos não iam tolerar aquele escândalo dos "Vivas" e dos cânticos religiosos ao meio da noite pelas ruas, e a golpes de coronhada das espingardas, desfizeram o crânio de um deles, embora não tenham conseguido os seus intentos, e até pelo contrário, incentivou os seminaristas a cantar com redobrado entusiasmo louvores a Cristo-Rei, ao Coração de Maria, à religião católica e ao Santo Padre.

Um dos verdugos, refugiado em Paris, depois de terminada a Guerra Civil, dizia: "Não havia quem os fizesse calar. Por todo o caminho foram cantando e dando Vivas a Cristo-Rei. Nós, mesmo dando golpes com a coronha das armas, não os conseguíamos fazer parar. E não pense que eram golpes mansinhos... Um deles caiu morto, com a cabeça aberta. Mas quanto mais lhes batíamos, mais forte cantavam e gritavam, Viva Cristo-Rei!"

Três dias mais tarde, morriam também fuzilados dois companheiros, que por doença, tinham sido transferidos para o Hospital. Ficava assim completo o número daquela comunidade cristã: os 51 Missionários Claretianos Mártires: nove sacerdotes, cinco Irmãos missionários e 37 seminaristas, que em Barbastro encheram a nossa Santa Igreja Católica Apostólica Romana de Glória.

Em outubro de 1992 foram Beatificados pelo Santo Padre João Paulo II, em Roma. No final da Missa, o Papa emocionado, exclamou: "Pela primeira vez na História da Igreja, todo um Seminário Mártir!".



Nesse mesmo ano de 1992, abriu em Barbastro, o Museu do Mártires Claretianos, relicário dos seus restos, seus testemunhos, suas mensagens, suas recordações, local de peregrinação para milhares de fiéis católicos do mundo inteiro.

Hoje, o testemunho desses jovens seminaristas, inspira muito vocacionados a entregarem suas vidas ao Senhor ao serviço na Sua Igreja.
É esta a fibra dos santos da minha Igreja, na qual tenho a imensa Graça de caminhar na Fé!

Bem Aventurados Mártires de Barbastro, rogai por nós, pobres pecadores! 




A lista dos bem-aventurados mártires: 
Felipe de Jesús Munárriz Azcona, sacerdote professo
Leoncio Pérez Ramos, sacerdote professo
Juan Díaz Nosti, sacerdote professo
+ 2 agosto 1936

Gregorio Chirivas Lacamba, religioso professo
Nicasio Sierra Ucar, sacerdote professo
Sebastián Calvo Martínez, sacerdote professo
Pedro Cunill Padrós, sacerdote professo
Wenceslao Clarís Vilaregut, chierico professo
José Pavón Bueno, sacerdote professo
+ 12 agosto 1936

Secundino Ortega García, sacerdote professo
Javier Luís Bandrés Jiménez, clérigo professo
José Brengaret Pujol, clérigo professo
Manuel Buil Lalueza, religioso professo
Antolín Calvo y Calvo, clérigo professo
Tomàs Capdevila Miró, clérigo professo
Esteban Casadevall Puig, clérigo professo
Eusebi Maria Codina Millà, clérigo professo
Juan Codinachs Tuneu, clérigo professo
Antonio Dalmau Rosich, clérigo professo
Juan Echarri Vique, clérigo professo
Pedro García Bernal, clérigo professo
Hilario Llorente Martín, clérigo professo
Alfonso Miquel Garriga, religioso professo
Ramon Novich Rabionet, clérigo professo
José Ormo Seró, clérigo professo
Salvador Pigem Serra, clérigo professo
Teodoro Ruiz de Larrinaga García, clérigo professo
Juan Sánchez Munárriz, clérigo professo
Manuel Torras Sais, clérigo professo
+ 13 agosto 1936

Luís Masferrer Vila, sacerdote professo
José Amorós Hernández, clérigo professo
José Maria Badía Mateu, clérigo professo
Juan Baixeras Berenguer, clérigo professo
José Blasco Juan, clérigo professo
Rafael Briega Morales, clérigo professo
Francisco Castán Meseguer, religioso professo
Luís Escalé Binefa, clérigo professo
José Figuero Beltrán, clérigo professo
Ramon Illa Salvia, clérigo professo
Luís Lladó Teixidor, clérigo professo
Manuel Martínez Jarauta, religioso professo
Miguel Masip González, clérigo professo
Faustino Pérez García, clérigo professo
Sebastian Riera Coromina, clérigo professo
Eduardo Ripoll Diego, clérigo professo
José Ros Florensa, clérigo professo
Francisco Roura Farró, clérigo professo
Alfonso Sorribes Teixidó, clérigo professo
Agustín Viela Ezcurdia, clérigo professo
+ 15 agosto 1936

Jaime Falgarona Vilanova, clérigo professo
Atanasio Vidaurreta Labra, clérigo professo

+ 18 agosto 1936

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Beato Isidoro Bakanja, Leigo e Mártir (Mártir do Escapulário do Carmo)


Beato Isidoro Bakanja
A data do nascimento do jovem congolês de pele negra, futuro mártir do escapulário, de nome Isidoro Bakanja, deve ter sido entre 1885 e 1890, em Bokendela. Ele, contudo, nasceu no seio de uma família da tribo Boangi. Nessa época o seu país, era domínio exclusivo do rei Leopoldo II da Bélgica, fazia parte de seu patrimônio pessoal. Mais tarde essa propriedade foi transformada na colônia chamada Congo Belga, atual República Democrática do Congo.

Os dados concretos revelam que, como todos os africanos de sua tribo, conheceu a pobreza logo cedo. Ainda na infância precisava trabalhar para o sustento próprio, como pedreiro ou como lavrador no campo. Na adolescência conheceu a religião cristã através dos dois religiosos trapistas, que foram em missão converter essa tribo africana. Totalmente convertido e devoto de Maria, Isidoro foi batizado no dia 06 de maio de 1906. Nessa ocasião recebeu de presente um rosário e o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, que nunca mais deixou de usar. Ele conhecera a história do Escapulário e contava a todos os irmãos africanos, que interessados no cristianismo, procuravam os dois missionários. Estes por sua vez chamavam Isidoro de o "Leigo do Escapulário", pela vocação ao apostolado.


Mais tarde, Isidoro estava trabalhando numa plantação de borracha, em Ikiri. Pertencia a um colonizador belga, ateu, que não suportava os africanos cristãos e menos ainda os missionários. Preferia a população africana como estava, era mais fácil para ser explorada como mão de obra quase gratuita. Não gostava de ter africanos convertidos trabalhando na plantação, "perdiam tempo rezando", dizia. Isidoro, no entanto, nunca escondeu que era cristão, usava o Escapulário com fé e devoção. Trabalhava duro e produzia bem, mas era cada vez mais perseguido.

Quando foi impedido de rezar em voz alta, enquanto trabalhava, resolveu deixar a plantação. Mas foi proibido de voltar para casa, e ordenaram que jogasse fora o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, sinal de sua fé. Como Isidoro recusou, foi chicoteado pelo próprio belga, ateu, até ter suas costas transformadas em uma grande chaga. A ferida infeccionou e ao longo de seis meses Isidoro viveu um calvário de sofrimentos. Sua agonia foi muito mais dolorosa que o açoitamento. Durante esse período, foi solidário com seu povo e outros sofredores, repartindo com eles sua fé e os alimentos que recebia.

Morreu entre seus irmãos africanos, com o Rosário nas mãos e o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo em seu pescoço. Perdoou e prometeu rezar pelo seu algoz ao ingressar no céu. Foi o que disse, antes de entregar sua alma ao Pai, envolto em seu pequeno "hábito de carmelita" a 15 de agosto de 1909.

O Papa São João Paulo II beatificou esse jovem africano cristão que chamou de: o "Mártir do Escapulário", em 1994. O Beato Isidoro Bakanja é celebrado no dia de sua morte. O seu testemunho fez florescer muitas obras de caridade promovidas pelos leigos carmelitas e devotos do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, em todos os continentes.



Bem-Aventurado Isidoro Bakanja... Rogai por nós!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

SANTA FILOMENA DE ROMA, Virgem e Mártir


Santa Filomena é uma das virgens e mártires romanas mais veneradas pelos fiéis católicos. Coloca-se "pari passu" com Santa Luzia, Santa Inês e Santa Águeda (ou Ágata). Muitos santos foram-lhe devotos, destacando-se o grande Santo Cura de Ars (São João Maria Vianney), que não somente foi grande devoto dessa gloriosa virgem e mártir, como, foi favorecido com aparições celestes da mesma. 

A vida de Santa Filomena era praticamente desconhecida, visto que, nada foi escrito sobre ela no martirológio romano. Sabia-se apenas seu nome, graças ao achado de uma placa em seu túmulo em uma catacumba romana. 
Lápide do túmulo de Santa Filomena, virgem e mártir. 
As placas estavam trocadas. Na verdade seria: 

Pax tecum Filumena, isto é, "a paz esteja contigo, 
Filomena". Na placa vinham símbolos que se referiam ao seu
martírio e vida: 1) A Âncora 2) Flechas; 3) Palma do martírio; 
4) Flagelo ; 5) "Lança" ou "Machado"; 6) Lírio da pureza ou virgindade. 

Mas Deus, querendo glorificar sua serva, fez com que a mesma aparecesse a uma piedosa religiosa, Madre Maria Luisa de Jesus, revelando a história de seu martírio. Essa história, conta com o "nihil obstat" da Igreja. Não é matéria de fé, porém, pela beleza e riqueza dos detalhes, é bem plausível, visto que, na história testemunhada de muitos santos mártires, milagres igualmente portentosos também aconteceram... 


Santos e santas que foram devotos (as) de Santa Filomena




"Retrato" de Santa Filomena de acordo
com a descrição feita por Madre Maria
Luisa de Jesus
História da vida e do martírio de Santa Filomena
(Segundo as revelações à Serva de Deus Madre Maria Luisa de Jesus)


Eu sou a filha de um príncipe que governava um pequeno Estado da Grécia. Minha Mãe era também da realeza. Eles não tinham meninos. Eram idólatras e continuamente ofereciam orações e sacrifícios à seus deuses falsos.
Um doutor de Roma chamado Públio vivia no palácio ao serviço de meu pai. Este doutor havia professado o cristianismo. Vendo a aflição de meus pais e por um impulso do Espírito Santo lhes falou acerca de nossa fé e lhes prometeu orar por eles, se consentissem em batizarem-se.

Serva de Deus Madre Maria Luisa de
Jesus, a quem apareceu Santa Filomena
narrando sua vida e martírio
A graça que acompanhava suas palavras iluminou o entendimento de meus pais e triunfou sobre sua vontade. Fizeram-se cristãos e obtiveram seu esperado desejo de ter filhos.

Ao momento de nascer me puseram o nome de Lumena, em alusão à luz da fé, da qual era fruto. No dia de meu batismo me chamaram Filomena, filha da luz (filia luminis) porque nesse dia havia nascido à fé. Meus pais me tinham grande carinho e sempre me tinham com eles.

Foi por isso que me levaram a Roma, em uma viagem que meu pai foi obrigado a fazer devido a uma guerra injusta. Eu tinha treze anos. Quando chegamos a capital, nos dirigimos ao palácio do imperador e fomos admitidos para uma audiência.

Tão pronto Diocleciano me viu, fixou os olhos em mim. O imperador ouviu toda a explicação do príncipe, meu pai. Quando este acabou e não querendo ser já mais molestado lhe disse: “Eu porei a tua disposição toda a força de meu império. Eu só desejo uma coisa em troca, que é a mão de tua filha”.

Meu pai, deslumbrado com uma honra que não esperava, atende imediatamente a proposta do imperador e quando regressamos a nossa casa, meu pai e minha mãe fizeram todo o possível para induzir-me a que cedesse aos desejos do imperador e os seus. Eu chorava e lhes dizia: “vocês desejam que pelo amor de um homem eu rompa a promessa que fiz a Jesus Cristo? Minha virgindade pertence a ele e eu já não posso dispor dela”.

Mas sois muito jovem para esse tipo de compromisso - me diziam - e juntavam as mais terríveis ameaças para fazer-me aceitar casar com o imperador. A graça de Deus me fez invencível. Meu pai não podendo fazer o imperador ceder e para desfazer-se da promessa que havia feito, foi obrigado por Diocleciano a levar-me a sua presença.

Antes, tive que suportar novos ataques da parte de meus pais até o ponto, que de joelhos ante mim, imploravam com lágrimas em seus olhos, que tivesse piedade deles e de minha pátria. Minha resposta foi: “Não, não, Deus e o voto de virgindade que lhe fiz, vem primeiro que vocês e minha pátria. Meu reino é o Céu”.

Minhas palavras os fez desesperar e me levaram ante a presença do imperador, o qual fez todo o possível para ganhar-me com suas atrativas promessas e com suas ameaças, as quais foram inúteis. Ele ficou furioso e, influenciado pelo demônio, me mandou a um dos cárceres do palácio onde fui encadeada.

Aparição de Maria e do Menino Jesus
a Santa Filomena
Pensando que a vergonha e a dor iam me debilitar o valor que meu Divino Esposo me havia inspirado. Me vinha ver todos os dias e soltava minhas cadeias para que pudesse comer a pequena porção de pão e água que recebia como alimento, e depois renovava seus ataques, que se não houvesse sido pela graça de Deus não teria resistido. Eu não cessava de encomendar-me a Jesus e sua Santíssima Mãe.
Meu cativeiro durou trinta e sete dias, e no meio de uma luz celestial, vi a Maria com seu Divino Filho em seus braços, a qual me disse: "Filha, três dias mais de prisão e depois de quarenta dias, se acabará este estado de dor".

As felizes noticias fizeram meu coração bater de alegria, mas como a Rainha dos Anjos havia dito, deixaria a prisão, para sustentar um combate mais terrível que os que já havia tido.

Passei da alegria a uma terrível angustia, que pensava me mataria. “Filha, tem valentia”, disse a Rainha dos Céus e me recordou meu nome, o qual havia recebido em meu Batismo dizendo-me: "Vós sois LUMENA, e Vosso Esposo é chamado Luz. Não tenhais medo. Eu ajudarei no momento do combate, a graça virá para dar-vos força. O anjo Gabriel virá a socorrer, eu lhe recomendarei especialmente a ele, vosso cuidado". As palavras da Rainha das Virgens me deram ânimo. A visão desapareceu deixando a prisão cheia de um perfume celestial.

O que me havia anunciado, logo se realizou. Diocleciano perdendo todas as suas esperanças de fazer-me cumprir a promessa de meu pai, tomou a decisão de torturar-me publicamente e o primeiro tormento era ser flagelada. Ordenou que me tirassem meus vestidos, que fosse atada a uma coluna em presença de um grande número de homens da corte, fez com que me flagelassem com tal violência, que meu corpo se banhou em sangue, e luzia como uma só ferida aberta.

O tirano pensando que eu ia desmaiar e morrer, me fez arrastar a prisão para que morresse. Dois Anjos brilhantes como a luz, me apareceram na obscuridade e derramaram um bálsamo em minhas feridas, restaurando em mim a força, que não tinha antes de minha tortura.

Quando o imperador foi informado da mudança que em mim havia ocorrido, me fez levar ante sua presença e trato de fazer-me ver que minha cura se devia a Júpiter o qual desejava que eu fosse a imperatriz de Roma.

O Espírito Divino, ao qual lhe devia a constância em perseverar na pureza, me encheu de luz e conhecimento, e a todas as provas que dava da solidez de nossa fé, nem o imperador nem sua corte podiam achar resposta.

Então, o imperador frenético, ordenou que me afogassem, com um âncora atada ao pescoço nas águas do rio Tiber. A ordem foi executada imediatamente, mas Deus permitiu que não acontecesse. No momento no qual ia ser precipitada ao rio, dois Anjos vieram em meu socorro, cortando a corda que estava atada a âncora, a qual foi parar ao fundo do rio, e me transportaram gentilmente a vista da multidão, nas margens do rio.

O milagre fez que um grande número de espectadores se convertessem ao cristianismo. O imperador, alegando que o milagre se devia a magia, me fez arrastar pelas ruas de Roma e ordenou que me fosse disparada uma chuva de flechas.

O sangue brotou de todas as partes de meu corpo e ordenou que fosse levada de novo a meu cárcere. O céu me honrou com um novo favor. Entrei em um doce sono e quando despertei estava totalmente curada.
O tirano cheio de raiva disse: “Que seja traspassada com flechas afiadas”. Outra vez os arqueiros dobraram seus arcos, colheram todas as suas forças, mas as flechas se negaram a sair. O imperador estava presente e ficou furioso e pensando que a ação do fogo podia romper o encanto, ordenou que se pusesse a esquentar no forno e que fossem dirigidas ao meu coração.

Foi obedecido, mas as flechas, depois de ter percorrido parte da distância, tomaram a direção contrária e regressaram a ferir a aqueles que a haviam atirado. Seis dos arqueiros morreram. Alguns deles renunciaram ao paganismo e o povo começou a dar testemunho público do poder de Deus que me havia protegido.

Isto enfureceu ao tirano. Este determinou apressar minha morte, ordenando que minha cabeça fosse cortada com um machado. Então, minha alma voou até meu Divino Esposo, o qual me deu a coroa da virgindade a palma do martírio.


*****

Mostra iconográfica de Santa Filomena: 















O santo Cura de Ars foi um dos santos
que mais se destacaram na devoção

a Santa Filomena. Segundo relato do 
próprio santo, alcançava grandes milagres 
graças à sua intercessão. 

domingo, 10 de agosto de 2014

SANTA MARIA DA CRUZ (Maria Helena Mackillop), Virgem e Fundadora - Primeira Santa Australiana.



Maria Helena MacKillop nasceu em Fizroy, Melbourne (Austrália), em 15 de janeiro de 1842. Foi batizada seis semanas depois. Seu pai, Alexandre MacKillop, havia estudado em Roma para o sacerdócio, porém, na idade de 29, justamente antes da ordenação, deixou os estudos e decidiu emigrar para a Austrália. Chegou a Sidney em 1838. Sua mãe, Flora MacDonald, deixou a Escócia e chegou a Melbourne em 1840.
Eles se casaram em Melbourne e tiveram oito filhos. Destes, Donald se tornou sacerdote Jesuíta e trabalhou entre os aborígines, Lexie se fez monja. Maria, a mais velha, foi educada por seu pai e em escolas privadas. Ela recebeu sua Primeira Comunhão em 15 de agosto de 1850 com apenas 09 anos.
Em fevereiro de 1851, Alexandre MacKillop hipotecou suas terras e suas ferramentas de trabalho e sustento para realizar uma viagem à Escócia, que durou uns 17 meses. Ele foi um pai e marido amoroso, porem não tinha habilidade para o campo, por isso nunca foi capaz de progredir. Durante muitas oportunidades a família teve que sobreviver com pequenos ganhos obtidos pelas crianças.
Maria começou a trabalhar com a idade de catorze anos como empregada em Melbourne e depois como professora em Portland. Em 1860, para manter a sua necessitada família, aceitou um trabalho como professora em Penola no sul da Austrália. Seu trabalho consistia em cuidar e educar crianças.
Santa Maria Helena Mackillop com
cerca de 17 anos. 
Sempre que lhe era possível ajudava os pobres, e começou a cuidar das crianças das outras fazendas do Estado de Cameron, o que a levou entrar em contato com o Padre Julião Tenison Woods, que era o pároco do território Sudeste desde sua ordenação sacerdotal em 1857, e se tornou seu diretor espiritual.
Woods sempre se preocupara com a educação e particularmente com a formação católica deficiente no sul da Austrália. Quando ele iniciou sua escola, foi eleito Diretor de Educação, e, junto com Maria, tornou-se o fundador da Congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração de Jesus, para o ensino.
Maria Helena lecionou por quatro anos em Portland no Estado de Vitória, onde abriu o seu próprio internato Bayview House, e pode se reunir com sua família.
Em 1866, o Padre Woods convidou Maria e suas irmãs, Ana e Lexie, a retornarem para Penola para abrirem uma escola católica. Essa escola foi inaugurada em um estábulo, adaptado pelos irmãos de Maria, e onde ela e as irmãs logo começaram a educar mais de cinqüenta crianças.
No ano seguinte, abriu uma segunda escola em Adelaide e as atividades se estenderam a assistência dos órfãos, dos pobres, dos velhos.
A Regra da Congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração foi escrita pelo próprio Padre Woods, e foi aprovada pelo Bispo Sheil, de Adelaide, em 1867. Maria se tornou a primeira Irmã e Superiora da Congregação das Irmãs de São José, e se mudou para o convento em Grote Street, Adelaide. No final daquele ano outras dez Irmãs se uniram à Congregação.
Em 1872, o Bispo Sheil, de Adelaide, excomungou Madre Maria Helena (a santa havia denunciado veementemente um padre por escândalos sexuais) e dissolveu a Congregação. Cinco meses depois, no leito de morte, o bispo confessou seu erro e voltou atrás na sua decisão, diante da vida exemplar de Madre Maria.
Em 1873, Madre Maria viajou para Roma e se entrevistou com o Papa, a fim de obter aprovação para o Instituto, o qual deu o beneplácito para sua obra. Ela então refez a Regra original escrita pelo Padre Woods, que por isso se afastou da Congregação. Visitou naquela ocasião a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda, onde recrutou novas Irmãs.
A partir de então sua responsabilidade pela obra foi total, tendo que enfrentar duras lutas e sacrifícios percorrendo longas distâncias para visitar, apoiar, ajudar as suas Irmãs aonde quer que se encontrassem.
Em 1888, conseguiu a aprovação de Leão XIII para a Congregação, com a disposição de haver uma Superiora Geral em Sidney.
Dedicada à educação das crianças pobres, foi a primeira Congregação religiosa fundada por australianos. A Regra escrita pelo Padre Woods e por Madre Maria para as Irmãs enfatizava a pobreza, uma dependência total à Divina Providência - não podiam ter propriedades pessoais, confiando sempre que Deus proveria o necessário - e as Irmãs deveriam ir aonde se fizessem necessárias.
A Madre Maria MacKillop padeceu de reumatismo durante anos, porém, faleceu de um derrame cerebral no dia 8 de agosto de 1909 e foi enterrada no Cemitério Gore Hill. Depois de seu enterro as pessoas começaram a pegar terra ao redor de seu túmulo o que levou a que a exumassem e transferissem para a nova Capela em Mount Street, Sidney, em 27 de janeiro de 1914.
     Depois de sua morte as Irmãs de São José continuaram com o programa de educação e em 1911 abriram uma nova escola em Terowie. Quase cem anos depois da morte de Madre Maria MacKillop, as Irmãs estão trabalhando em muitos povoados no Sul da Austrália, incluindo Aldgate em Adelaide Hills.
Atualmente, as Irmãs de São José do Sagrado Coração de Jesus é o grupo mais numeroso de religiosas presente na Austrália, com difusão na Nova Zelândia e Peru.

Madre Maria foi beatificada por São João Paulo II em 19 de janeiro de 1995. Em 19 de dezembro de 2009, Bento XVI autorizou a promulgação do decreto que reconheceu um milagre atribuído à intercessão da Beata Maria da Cruz. A canonização da primeira Santa australiana se realizou em 17 de outubro de 2010.


A santa acompanhada de sua irmã Annie e
de seu irmão, Padre Donald, jesuíta. 



Uma mostra iconográfica de Santa Maria da Cruz (Maria Helena Mackillop):