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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SANTA EMÍLIA DE VIALAR, RELIGIOSA E FUNDADORA


Emília de Vialar nasceu em 1797, no airoso burgo de Gaillac, no sul da França. Era filha de Tiago de Vialar e de Antonieta de Portal, duas das mais importantes famílias daquela região.

 A primeira educadora de Emília foi sua mãe que, graças a uma fé profunda, inculcou a sua filha os primeiros elementos da fé cristã. Emília tinha apenas 13 anos quando sua mãe morreu: esta perca foi causa de grande sofrimento para ela, mas, apesar disso, ela adaptou-se à vida de pensionária na “Abbaye au Bois”, em Paris.

Dois anos depois, ela voltou para a sua cidade natal, dotada de uma boa educação e a sociedade civil de Gaillac acolheu muito cordialmente esta jovem tão graciosa e simpática.

Mas o chamamento de Deus se fez sentir... Amadureceu lentamente ao través de mil dificuldades... Emília ressente ao mesmo tempo um grande interesse pelos pobres, pelos doentes e pelas crianças abandonadas da sua cidade, primícias da sua obra futura.
Em 1832, no dia de Natal, Emília deixa a casa paterna onde, durante vinte anos ela tinha suportado um pai severo a quem ela declinara todas as ofertas de casamento, e Toinon, a criada autoritária que sempre procurava suplantar e ocupar o lugar desta jovem tão delicada nas actividades quotidianas.


Graças à herança deixada por seu avô materno, ela comprou uma casa e ali se instalou na companhia de três das suas melhores amigas. A partir deste momento, elas lançaram-se na luta para o alívio das misérias do próximo. Emília fundou a “Congregação das Irmãs São José da Aparição” para honrar São José no mistério da Encarnação, quando o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mt. 1,20).

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Beatos Agatângelo e Cassiano, presbíteros e mártires da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.



Beatos Agatângelo e Cassiano
Beato Agatângelo (1598-1638)

O BEATO AGATÂNGELO NOURY nasceu em Vendôme, na província de Tours, na França, aos 31 de julho de 1598. Conheceu os Capuchinhos, que tinham chegado, havia pouco tempo, à sua terra natal, onde o seu pai era presidente do tribunal e, ao mesmo tempo ,administrador do Convento.
Ainda jovem, mostrou ter vocação religiosa e foi recebido na Ordem dos Capuchinhos. Em 1620, fez a profissão religiosa. Depois, prosseguiu os estudos de humanidades, filosofia e teologia e foi ordenado sacerdote. Nos seus primeiros anos de sacerdote encontrou-se com o Padre José Leclerc, famoso conselheiro do Cardeal Richelieu, que tinha projetado grande plano de evangelização.
Agatângelo foi escolhido como candidato para a Missão da Síria. Chegou a Aleppo em 1629. Ali encontrou muçulmanos, grego-ortodoxos, armênios e, em número muito reduzido, alguns católicos. Com obras de beneficência, encontros familiares e catequese elementar, conseguiu bom resultado no seu apostolado, combatido, bem depressa, pela inveja. Passou depois para a missão do Cairo, na qualidade de Superior. Aqui trabalhou com muita alegria para a união dos Coptas com a Igreja Católica.
Destinado pela Providência a abrir o campo missionário a outros, a 27 de setembro, a Sagrada Congregação confiou-lhe a responsabilidade do grupo missionário destinado à Etiópia, composto por mais três sacerdotes capuchinhos: o Beato Cassiano de Nantes, Bento e Agatângelo Noury de Vendôme.
Os quatros missionários dividiram-se em dois grupos. Agatângelo e Cassiano, quando chegaram à fronteira da Etiópia, foram descobertos e encarcerados em Débora, com o pretexto de serem espiões e opositores do imperador e do bispo Abissino Malaro.
No processo, dominado pelo sectarismo religioso e pela perfídia do pseudônimo Pedro Leão, inimigo declarado de Agatângelo, os dois missionários foram condenados à morte. Os dois humildes filhos de São Francisco não perderam a calma. Mostraram os documentos do Patriarca Copta de Alexandria. Poucos dias depois, foram levados para Gondar, de mãos algemadas com cadeias e amarrados à cauda de um cavalo.
Em Gondar, foi dura e penosa a sua prisão. Abuna Macário, fingindo-se amigo do beato Agatângelo e o luterano, Pedro Leão, que se fizera hipocritamente monge copta, forçaram, com acusações e calúnias junto da corte imperial, a morte dos pobres e doentes missionários. Levados à presença do imperador, foram examinados na sua fé. O beato Agatângelo respondeu: “Estou pronto a morrer pela fé e nunca a renegarei”. A 07 de agosto de 1638, em Gondar, exposto ao escárnio da multidão, foi suspenso em cordas e apedrejado barbaramente pelo furor da multidão. Tinha 40 anos de idade. Foi beatificado a 1º de janeiro de 1905 pelo Papa Pio X.


Beato Cassiano (1607-1638)

O beato CASSIANO LOPEZ NETO, nasceu em Nantes, aos 15 de janeiro de 1607, no seio de família portuguesa. Tinha feitio dócil, inclinado às práticas de devoção e fervor religioso admirável. Aos 17 anos foi recebido na Ordem dos Capuchinhos da Província de Paris.
Fez a profissão religiosa em 1624. Concluiu os estudos teológicos em Rennes onde foi ordenado sacerdote. Aqui passou os primeiros anos do seu sacerdócio, socorrendo as pessoas atingidas pela peste que devastou a França em 1631. Pediu para ser enviado para as Missões.
Os Superiores destinaram-no à Missão da Etiópia. No Cairo, encontrou-se com o beato Agatângelo e com ele partilhou preocupações e sofrimentos apostólicos. Dotado de temperamento franco, aberto, muito sensível aos sofrimentos dos outros, entregou-se ao apostolado, cultivando sobretudo especial devoção a Nossa Senhora, a quem rezava todos os dias o Rosário com o ofício divino.
Desde o seu encontro com o beato Agatângelo até à sua heróica morte, os dois capuchinhos trabalharam juntos no Cairo, durante três anos, cuidando, especialmente, da conversão dos Coptas.
Estenderam a sua atividade até aos longínquos mosteiros de Santo Antão Abade e de A. Macário, no Nitra. Na Etiópia, a Igreja Católica tinha conseguido extraordinário desenvolvimento que culminou na conversão do próprio imperador através dos missionários jesuítas. A fé de Roma expandiu-se também sob o governo de Seitan Sagad I. Conseguiram grandes conversões que foram quase destruídas por Atiè Fassil, cuja palavra de ordem era: “Antes súditos de Meca dos muçulmanos do que da Roma dos católicos”.
Os dois missionários decidiram, por isso, levar a sua ajuda a tantos irmãos na fé, perseguidos por aquele ímpio imperador. Obtiveram documentos do Patriarca Copta de Alexandria e, a 23 de dezembro de 1637, partiram para a Etiópia. A viagem durou três meses. Chegados às fronteiras da Etiópia foram metidos na prisão pelo Governador de Débora.

No processo, os dois missionários católicos foram condenados à morte como violadores das ordens do imperador, que proibia os católicos de entrarem na Etiópia. Beato Cassiano sofreu o martírio, como o Beato Agatângelo, a 07 de agosto de 1638, com 31 anos de idade. No dia 1º de janeiro de 1905 foi beatificado pelo Papa Pio X.


Gloriosos mártires Agatângelo e Cassiano, rogai por nós 
e por toda a Santa Madre Igreja, hoje, 
tão atacada por seus inimigos! 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

SANTA EDWIRGES DA SILÉSIA, DUQUESA (Patrona dos Endividados) - dois textos biográficos.



1º Texto Biográfico

Nascida no período Medieval, em 1174, Edwiges – morreu em 1.243, e foi canonizada em 1.267 –, foi uma mulher que marcou seu tempo. De família nobre, rica, assistiu, desde tenra idade, a miséria a tomar formas diferentes nas pessoas que conhecia, convivia e amava.

Ao se casar aos 12 anos de idade, com Henrique, duque europeu, a então princesa da Silésia, país de Lebuska, atual Polônia, Edwiges, educada no Catolicismo e dona de uma fé inabalável, deparou-se com uma situação completamente diferente da que estava acostumada a conviver – seu marido, irmão de clérigo, mal sabia rezar.

Cristã, no real sentido da palavra, a esposa de Henrique logo tomou a educação religiosa de seu marido, preparando o caminho da paz em sua casa para a chegada de seus seis filhos – Henrique, Conrado, Boleslau, Inês, Sofia e Gertrudes. E, para conseguir manter sua família dentro do que acreditava, diariamente, levava a família até a capela próxima do castelo onde moravam, para assistirem, juntos, diariamente, à missa.

Mas, suas devoções a Cristo e respeito à Virgem Maria não terminavam em seus horários de missa ou de oração. Entre as prolongadas ausências do marido, que saía a lutar nas guerras que dizimavam vidas e era frequente naquele período da humanidade, Edwiges aproveitava para visitar famílias nas maiores condições de miséria e buscar o socorro para cada uma delas.

Nessas visitas, descobriu que os maiores problemas que as famílias enfrentavam estavam relacionados à falta de dinheiro. Lavradores, pequenos sitiantes precisavam pagar uma quantia aos proprietários da terra que trabalhavam, sobre a colheita que deveriam ter. Essa colheita sempre era menor do que o esperado devido ao inverno rigoroso e as intempéries do clima do lugar. Sem ter como pagar as dívidas, os lavradores eram presos e suas famílias ficavam abandonadas, sem ter a quem recorrer. Muitas vezes, as mulheres se prostituíam para poder sustentar seus filhos, ou vagavam pelas ruas, à mercê da quase inexistente caridade pública, sendo humilhadas e maltratadas pelos moradores que tinham condições de sobreviver.

Assistindo a dor e a miséria humana, Edwiges, dona de um coração privilegiado para a época, e uma das mulheres que mais sentiram – e demonstraram – como ninguém, a caridade e a compaixão, pagava as dívidas dos presidiários com o dinheiro de seu dote, a quantia que foi dada em época de seu casamento o seu marido que não quis usá-la e deixou a seu inteiro dispor de sua esposa, ajudando-os a reiniciarem suas vidas.

Preocupada com a situação das mulheres que perdiam seus maridos nas guerras e viam-se a mercê da sorte, expostas a estupros e todo tipo de maldade humana, passou a construir em pequenos vilarejos, conventos para abrigar viúvas e órfãos. Muitas se tornaram freiras e passaram a servir a Deus.

Depois de perder dois de seus filhos precocemente e, por último, seu marido, Edwiges retirou-se para o convento de Trébnitz e ali viveu, em jejum e oração até sua morte, aos 69 anos de idade.

Sua fé foi motivo de muitos pedidos dos que viveram próximos a ela, depois de sua morte e, com vários milagres comprovados, a Igreja Católica a declarou santa em 1.267, 24 anos após a sua morte.

Até hoje, seu corpo é venerado no Convento de Trébnitz, na Polônia, e existem igrejas no mundo inteiro dedicadas à santa.


2º Texto Biográfico:

Santa Edwiges da Silésia (Andechs, Baviera, 1174 - Trebnitz, Silésia, atual Trebnica, Polônia, 14 de outubro de 1243), nascida Edwiges de Andechs, é conhecida na Polônia pelo nome de Jadwiga Śląska.
Depois da morte do marido e dos filhos, entrou para o mosteiro e dedicou-se a ajudar os carentes. Com seu próprio dinheiro, construiu hospitais, escolas, igrejas e conventos.
Ganhou fama de protetora dos endividados por ajudar detentos da região, presos por não terem recursos pagar suas dívidas.
 Foi proclamada santa pela Igreja Católica em 1267.
O dia 16 de outubro é dedicado a Santa Edwiges, popularmente conhecida como protetora dos pobres e endividados.



Biografia

Santa Edwiges nasceu em 1174 na Alemanha. Filha de Bertoldo IV da Morávia e de sua esposa, Inês de Rochlitz, foi criada em ambiente de luxo e riqueza, o que não a impediu de ser simples e viver com humildade. O seu bem maior era o amor total a Deus e ao próximo.

Aos 12 anos, casou-se com Henrique, príncipe da Silésia (um dos principados da Polônia medieval e atual região administrativa da Polônia), com quem teve seis filhos, sendo que dois deles morreram precocemente.

Culta, inteligente e esposa dedicada, ela cuidou da formação religiosa dos filhos e do marido.

Mulher de oração, vivia em profunda intimidade com o Senhor. Submetia-se ao sacrifício de jejuns diários, limitando-se a comer alguns legumes secos nos Domingos, Terças, Quintas e Sábado.

Nas Quartas e Sextas-feiras somente pão e água. Isto sempre em quantidade limitada, somente para atender as necessidades do corpo.

No tempo do Advento e da Quaresma, Edwiges se alimentava só para não cair sem sentidos.

O esposo não aceitava aquela austeridade. Numa Quarta-feira de Quaresma ele esbravejou por haver tão somente água na mesa sendo que ele só bebia vinho.

Edwiges então lhe ofereceu uma taça, cujo líquido se apresentou como vinho. Foi um dos muitos sinais ou milagres que ela realizou.

Algum tempo depois Edwiges caiu vítima de uma grave enfermidade.

Foi preciso que Guilherme, Bispo de Módena, representante do Papa para aquelas regiões, exigisse com uma severa ordem a interrupção de seu jejum.

A Santa dizia que isto era mais mortificante do que a sua própria doença.

Dedicou toda sua vida na construção do Reino de Deus. Exerceu fortes influências nas decisões políticas tomadas pelo marido, interferindo na elaboração de leis mais justas para o povo.

Junto com o marido construiu Igrejas, Mosteiros, Hospitais, Conventos e Escolas. Por isto, em algumas representações a Santa aparece com uma Igreja entre as mãos.

Aos 32 anos, fez votos de continência (não ter mais relações sexuais), o que foi respeitado pelo marido.

Quando ficou viúva, foi morar no Mosteiro de Trebnitz, na Polônia, onde sua filha Gertrudes era superiora.
Foi lá que Edwiges deu largos passos rumo à santidade. Vivia com o mínimo de sua renda, para dispor o restante em socorro dos necessitados.

Ela tinha um carinho especial pelas mulheres e crianças abandonadas. Encaminhava as viúvas para os conventos onde estariam abrigadas em casos de guerra e as crianças para escolas, onde aprendiam um ofício.

Era misericordiosa e socorria também os endividados. Em certa ocasião, quando visitava um presídio, ela descobriu que muitos ali se encontravam porque não tinham como pagar as suas dívidas.

Desde então, Edwiges saldava as dívidas de muitos e devolvia-lhes a liberdade. Procurava também para eles um emprego.

Com isto eles recomeçavam a vida com dignidade, evitando a destruição das famílias em uma época tão difícil como era aquela do século XIII. E ainda mantinha as famílias unidas.

Assim, Santa Edwiges, é considerada a Padroeira dos pobres e endividados e protetora das famílias.

Sua morte ocorreu no dia 15 de outubro de 1243. Foi canonizada no dia 26 de março de 1267, pelo Papa Clemente IV.

Como no dia 15 de Outubro celebra-se Santa Teresa de Ávila, a comemoração de Santa Edwiges passou para o dia 16 de Outubro.

Modelo de esposa, celibatária e viúva, a Santa não faltava à Missa aos Domingos, e isto ela pede aos seus devotos: mais amor a Jesus na Eucaristia e auxílio aos necessitados.



Mosteiro de Kitzingen

O convento de Kitzinger foi fundado no tempo de São Bonifácio, por volta do ano de 750 e ficou conhecido como educandário para moças.

A fundadora deste centro foi Santa Hadeloga, cujo culto foi particularmente intenso no século XII, quando foi escrita sua biografia. A forma definitiva da Abadia de Kitzingen foi dada por sua sucessora, a Priora Santa Tecla, falecida pelo ano 790.

 O programa de estudos e educação nas escolas conventuais, especialmente para moças, foi baseado nas instruções pedagógicas de São Jerônimo e aplicado nas escolas das Ordens religiosas por vários séculos. Este famoso Doutor da Igreja, grande erudito nas Sagradas Escrituras e fundador de comunidades monásticas femininas não deixou um sistema completo de formação para a vida religiosa, mas sim orientações pedagógicas.

Quando, em 1817, o Concílio de Aquisgrana publicou suas deliberações sobre a educação religiosa feminina nos conventos, as recomendações de São Jerônimo constituíram as bases da educação para as moças nas escolas conventuais até os inícios do século XIX.-

 O processo de formação envolvia a educação religiosa, intelectual e prática.

Edwiges permaneceu naquele convento quase sete anos. Neste tempo esteve em contato direto com o estilo beneditino de vida, inspirado em São Bento de Núrcia e Santa Escolástica, sua irmã.

Isto significa: vida comum, orações frequentes durante o dia, meditação, leitura diária da Escritura, leitura durante as refeições e, sobretudo, uma liturgia solene, que envolvia a mente e o coração de todos.

As alunas aprendiam a língua latina para participarem da leitura em comum dos Salmos e outras leituras.

 Liam também as obras dos santos escritores dos primeiros séculos da Igreja, chamados os Pais ou "Padres da Igreja", que mostravam os modos de viver, concretamente, a Palavra da Bíblia.

A respeito do estudo da Sagrada Escritura, lemos na biografia de Santa Edwiges:

"Na sua mocidade ela estudou no Mosteiro de Kitzingen a Sagrada Escritura. Desta forma ela conseguia compreender e ordenar seus afazeres de cada dia. A Bíblia foi para ela fonte de consolação interior e de devoção."

É bom lembrar que, nesta época, o analfabetismo era a norma comum, sendo muito difícil encontrar uma mulher que soubesse ler e escrever e que tivesse formação.

Assim, Edwiges e outras de seu tempo tiveram a felicidade de viver em um ambiente favorável à cultura e ao pensamento.

O aproveitamento dos talentos de nossa Santa Edwiges foi estimulado pela convicção de que "A santidade da vida, unida ao saber, garante à alma maior glória dos céus", conforme suas próprias palavras.

Além de estudar e aprofundar-se nas devoções de sua época, Edwiges encontrou no Mosteiro de Kitzingen vários conhecimentos práticos, tais como a arte de escrever com cuidado e aplicação as chamadas "iluminuras".

Estas eram decorações que se faziam nos livros, todos escritos à mão pois não havia sido inventada a impressa ainda. As iluminuras eram desenhos de letras e decorações das mais diversas formas, geralmente muito pequenas e delicadas, mas de grande beleza.

Além das iluminas Edwiges aprendeu a execução de bordados artísticos.

Outra habilidade aprendida por Edwiges foi o canto vocal e a execução de vários instrumentos da época.

E junto a tudo isto ela foi instruída a cuidar de uma casa, o que significava ser responsável por vários empregados; aprendeu a cuidar de doentes e administrar hortas e jardins que davam os frutos para o consumo das pessoas e animais, bem como eram fontes de remédios.

Edwiges alcançou uma excelente formação humana, cultural e religiosa no Mosteiro de Kitzingen.

Sua biografia oficial apresenta a avaliação de seu formação com a expressão latina "bene literata", o que quer dizer que ela expressava ótimos conhecimentos culturais.

Nossa Santa levou por toda a vida uma forte influência deste período de educação. Uma de suas mestras, chamada Petrissa, foi nomeada por Edwiges, vinte anos depois, Abadessa do Mosteiro de Trzebnica.

Em Kitzingen esteve também a irmã mais nova de Edwiges, de nome Mechtilde, chegando a ser Priora (uma das superioras do Convento).

E neste Mosteiro existe, conforme os registros datados de 1522, as relíquias de nossa Santa Edwiges, Padroeira da Silésia.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

SANTA EDVIGES D'ANJOU, RAINHA DA POLÔNIA



Edviges d'Anjou foi rainha da Polônia a partir de 1384 e grã-duquesa da Lituânia a partir de 1386. Filha de Luís I, rei da Hungria e da Polônia e de Isabel Kotromanic da Bósnia, sucedeu seu pai em 1382 na Polônia, enquanto sua irmã Maria herdou o trono da Hungria.
Embora seja chamada de "rainha", Edviges foi de fato coroada como "Rei da Polônia" (Hedvigis Rex Poloniæ e não Hedvigis Regina Poloniæ). O gênero masculino do seu título significava que ela era monarca de pleno direito, enquanto que o título de rainha era atribuído às esposas dos reis. Edviges pertencia à Casa Real dos Piast, antiga dinastia nativa da Polônia, sendo bisneta de Ladislau I, que reunificou o reino polonês, em 1320.
Como rainha, Edviges teve efetivamente poderes limitados, mas foi muito ativa na gestão política do reino e na vida diplomática e cultural de seu país.
No final do primeiro milênio, os apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo tinham ido à terra dos Piast. Naquela época Mieszko I recebeu o Batismo, e isto constituiu ao mesmo tempo o Batismo da Polônia. Séculos depois, os poloneses batizados contribuíram para a evangelização e o Batismo dos seus vizinhos, graças à obra de Edviges.
Após consultas ao Arcebispo de Bodzanta, ao Bispo de Cracóvia Jan Radlica, a outros nobres do reino polonês, e muita oração diante do Crucifixo de Wawel, ficou estabelecido seu casamento com Jogaila, Grão-Duque da Lituânia, o qual havia prometido receber o Batismo – bem como toda sua Nação, último país pagão na Europa – e unir a Lituânia à Polônia. As bodas se realizaram a 18 de fevereiro de 1386. Convertido ao Catolicismo, o grão-duque foi batizado recebendo o nome de Ladislau II.
Consciente da missão de levar o Evangelho aos irmãos lituanos, Edviges fê-lo juntamente com o seu esposo. Um novo país cristão, renascido das águas do Batismo, surgiu no Báltico, como no século X a mesma água fizera renascer os filhos da Nação polonesa. Uma vez aberta a estrada para a cristianização da Lituânia, Edviges, coerente no agir, procurou assegurar ao povo recém-batizado uma formação religiosa fundando em Praga um Colégio para os futuros sacerdotes daquela Nação.
Edviges fora educada na leitura religiosa clássica desde tenra infância. Lia a Sagrada Escritura, o Saltério, as Homilias dos Padres da Igreja, as meditações e orações de São Bernardo, os Sermões e a Vida dos Santos, etc. Algumas destas obras foram traduzidas para a língua polonesa para ela e para seus súditos. A Rainha ordenou a execução de um saltério em três versões linguísticas, chamado Saltério Floriano, o qual se encontra hoje na Biblioteca Nacional de Varsóvia.
Ela doou as próprias joias para financiar a recuperação da Academia de Cracóvia que, no século XIX, passou a se chamar Universidade Jagelônica, em homenagem à Dinastia Jagelônica, sucessora dos Piast. Nesta Universidade educaram-se e ensinaram pessoas que tornaram o nome da Polônia, e daquela cidade, famosos no mundo inteiro. A fama desta Universidade foi durante séculos um motivo de orgulho para a Igreja de Cracóvia. Dela saíram estudiosos da qualidade de São João Kanty, que exerceram não pouca influência no desenvolvimento do pensamento teológico da Igreja universal.
Visitando os hospitais medievais (Biecz, Sandomierz, Sącz, Stradom) podemos admirar as numerosas obras fundadas pela misericórdia da soberana.
A Santa Rainha tinha compreendido o ensinamento de Nosso Senhor e dos Apóstolos. Muitas vezes ela se ajoelhara aos pés do Crucifixo de Wawel para aprender dEle mesmo o amor generoso. E com Ele, do Cristo de Wawel, este Crucifixo negro que os habitantes da Cracóvia visitam em peregrinação na Sexta-Feira Santa, a Rainha Edviges aprendeu a dar a vida pelos irmãos. A sua profunda sabedoria e a sua intensa atividade brotavam da contemplação, do vínculo pessoal com o Crucificado.
Perita na arte da diplomacia, ela lançou os fundamentos da grandeza da Polônia do século XV. Incentivou a cooperação religiosa e cultural entre as nações, e enriqueceu a Polônia com um patrimônio espiritual e cultural. Graças à profundidade da sua mente Cracóvia se tornou um importante centro do pensamento na Europa, o berço da cultura polonesa e a ponte entre o Ocidente e o Oriente cristãos.
A sua bondade e senso de justiça era fruto de uma vida de muito sofrimento. Coroada aos dez anos, em 1384, aos doze deixou seu país natal. Em 1387 perdeu sua mãe, em 1395 sua irmã. Era vítima de calúnias difundidas no mundo europeu que tentavam criar animosidades entre seu esposo bem mais velho e ela; enfrentou dificuldades políticas e humanas, sofreu também com o fato de durante vários anos não poder dar um herdeiro ao trono.
Para aproximar os súditos poloneses, lituanos e rutenos dos frutos espirituais da Igreja, pediu ao Papa Bonifácio IX a graça de poder celebrar o Ano Santo de 1390 no próprio país. Seu pedido foi motivado pelos grandes perigos políticos e sociais a que estariam expostos os peregrinos numa viagem à Roma. O Papa atendeu seu pedido, enviando, em 1392, o seu legado, João de Pontremoli, com a bula e as respectivas instruções.
A Santa Rainha fundou, em 1393, o Colégio dos 16 Salmistas, para que noite e dia se louvasse a glória de Deus.

Finalmente a Santa Rainha recebeu a graça de se tornar mãe, mas gozou por pouco tempo a alegria da maternidade física, porque a herdeira do trono, Isabel Bonifácia, morreu pouco depois. Quatro dias depois, em 17 de julho de 1399, Edviges falecia, em decorrência de complicações do parto, aos 25 anos e cinco meses. A Dieta da Polônia elegeu Ladislau II para sucedê-la. Este teve como sucessores os filhos havidos com sua última mulher, Sofia de Halshany.
Apesar da veneração espontânea do povo polonês que a considerava Santa, foram necessários seiscentos anos para que o seu culto fosse reconhecido oficialmente pela canonização, o que ocorreu no dia 8 de junho de 1997, em Cracóvia, Polônia, durante a visita de São João Paulo II àquela cidade.


Estátua mortuária sobre o túmulo da santa rainha. 



     O Crucifixo Negro e a Rainha Santa Edviges

     O Crucifixo Negro foi trazido para a Polônia por ela mesma em 1384. Santa Edviges passava horas rezando diante do crucifixo e em várias ocasiões Nosso Senhor lhe falou por meio dele. Desde 1745 o Cristo Negro, de 13 pés de altura, ocupa a parte central do altar barroco da Catedral. A Santa Sé declarou que ouvir a Santa Missa neste lugar obtém a graça de livrar uma alma do Purgatório.

     Quando a Rainha Edviges foi beatificada, em 1987, suas relíquias foram transferidas para o altar do Crucifixo Negro.

Beata Lucrécia García Solanas, Viúva e Mártir (Guerra Civil Espanhola, em 1936)



Beata Lucrécia García Solanas, Viúva e Mártir
Lucrécia Garcia Solanas nasceu em Aniñon, perto de Zaragoza, no dia 13 de agosto de 1866. Em 9 de outubro de 1910 casou-se com José Gaudi Negre, que faleceu em 1926. Não se sabe se tiveram filhos. Desde então ela passou a viver no convento das monjas do Instituto das Descalças Mínimas de São Francisco de Paula, em Barcelona, em uma casa fora da clausura, para ficar próxima de sua irmã, Madre Maria de Montserrat.
     Sempre à disposição das monjas, atuava como porteira recebendo as mensagens para elas; era mediadora entre o mosteiro e o mundo exterior. Muito piedosa, se habituara a seguir as orações da comunidade.
     Sua história foi recentemente relatada pelo Monsenhor Vicente Cárcel Ortí, historiador e autor de vários livros que contam a história de católicos perseguidos na Espanha.
     Conforme seu relato, tudo começou no dia 19 de julho de 1936, quando Lucrécia foi correndo ao convento para avisar as religiosas para deixarem o lugar imediatamente, uma vez que várias igrejas em Barcelona estavam sendo queimadas pelos responsáveis pela perseguição religiosa.
     Madre Maria de Montserrat, superiora daquele Instituto, que apesar da violência até aquele momento não quisera deixar o convento, ordenou às irmãs que se vestissem como civis, se escondendo em uma torre nas proximidades do local, além de se refugiarem em vários lugares, incluindo o porão da casa da viúva, que ficava ao lado do convento.
     Em 21 de julho um grupo armado entrou no mosteiro, forçando a porta com dinamite. Os “vermelhos” entraram na igreja adjacente, a profanaram e depois a queimaram. Tentando saquear o mosteiro, os republicanos profanaram os corpos de duas irmãs enterradas alguns meses antes, deixando-os expostos ao ridículo público.
     De onde estavam escondidas, algumas das Irmãs podiam ouvir o ruído dos milicianos que com a ajuda de cães buscavam suas vítimas.
     No dia 22 de julho, o grupo de refugiadas aumentou, porque algumas delas voltaram por não poderem permanecer mais em suas casas. No dia seguinte, o porteiro do convento as traiu. Os anticatólicos as encontraram na torre rezando o Rosário. Perguntaram quem era a Madre Superiora para interrogá-la sobre as riquezas que esperavam encontrar no mosteiro.
     A Madre ofereceu a própria vida em troca da de suas Irmãs, disse aos milicianos que Lucrécia era uma leiga, porém eles não a escutaram e quiseram saber onde estavam as outras monjas. Encontraram-nas no sótão, rezando de joelhos. Todas foram aprisionadas e começou para elas o Calvário.

Beatas Mártires Mínimas de Barcelona


     Os comunistas insultaram as religiosas, colocaram seus rosários ao redor de seus pescoços e, ridicularizando-as, puseram-nas em fila para arrastá-las pela rua. Somente uma delas, irmã de um famoso anarquista, foi poupada. Amparo Bosch Vilanova, testemunha ocular, descreveu o fim das outras Irmãs: “Colocaram-nas em fila como se fossem receber a Comunhão, empurraram-nas para a rua onde havia um caminhão, onde as jogaram como sacos de batatas, com uma violência tal, que com certeza lhes quebraram algum osso”.
     O caminhão se dirigiu a Santo André, onde as mulheres, depois de terem sido submetidas a prolongadas torturas, foram assassinadas. Algumas testemunhas disseram que por volta das 19 h desse dia foram ouvidos vários disparos. Os corpos das monjas foram deixados amontoados. Era um total de dez, nove religiosas e uma leiga. Tinham feridas de arma branca no peito e nas partes íntimas, as roupas arrancadas.
     Enquanto eram torturadas pelos “vermelhos”, todas as monjas, e com elas Lucrécia, temiam mais a violação do que a morte e em seus corpos deixaram sinais de uma luta terrível. Uma mulher relatou que os próprios agressores ficaram perturbados diante da valentia dessas mulheres, inclusive comentado no bar, depois de tê-las martirizado: “Que monjas mais valentes morreram hoje!” Segundo outras testemunhas, as dez mártires haviam dado suas vidas rezando de joelhos e pedindo o perdão para seus verdugos.
     No dia 13 de outubro de 2013, 522 mártires da Guerra Civil Espanhola foram beatificados em Tarragona. Entre os mártires estavam sacerdotes, religiosos, religiosas, vários leigos que deram sua vida em defesa da Fé, inclusive Lucrécia Garcia Solanas.


Fontes: www.santiebeati.it; http://moralyluces.wordpress.com/2013/10/08/sirvio-a-sus-hermanas-religiosas-hasta-sufrir-el-martirio/